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Lume Brando

15
Jan20

Bolo de lim√£o merengado [porque hoje quem manda sou eu ūüėĀ]

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O ano passado foi assim.

Este ano, voltei a dar ao meu anivers√°rio o sabor do lim√£o. Afinal, √© o meu ingrediente favorito para bolos e sobremesas. E hoje, quem manda sou eu ūü§©

 

A-D-O-R-O esta forma de bolo [modelo 'Charlotte' da Nordic Ware], que me veio parar √†s m√£os atrav√©s da loja lecuine.com¬†No instagram j√° tinha partilhado uma foto de um bolo de laranja, cenoura e chocolate em que a tinha usado e, depois da vers√£o que vos trago hoje, continuo com imensas ideias para outras combina√ß√Ķes vistosas nesta forma incr√≠vel.

 

Para a massa, adaptei [ou melhor, simplifiquei ainda mais] a receita de bolo de lim√£o merengado do livro "Um bolo por semana" de Rita Nascimento, aka La Dolce Rita. Depois, reguei-o com uma calda¬† de lim√£o e a√ß√ļcar, enchi a cavidade da forma com lemon curd*, fazendo com que escorresse pelas laterais, e por fim decorei com uma camada generosa de merengue sui√ßo* que queimei com o ma√ßarico.

 

Pode parecer complicado, mas não é! Se forem fãs de limão, como eu, guardem esta receita e ponham-na em prática assim que conseguirem: prometo que não se irão arrepender.

 

*Também encontram estas receitas no meu livro "Estava tudo ótimo!".

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O MEU BOLO DE LIMÃO MERENGADO

 

Para o bolo:

200 g de a√ß√ļcar

Raspas de 1 lim√£o grande

4 ovos

1 iogurte natural

120 ml de azeite extravirgem

180 g de farinha sem fermento

1 colher de chá de fermento em pó

 

Para a calda:

Sumo de 1 lim√£o + a mesma quantidade de √°gua

4 colheres de sopa de a√ß√ļcar¬†

 

Para o lemon curd:

2 ovos L
100 ml de sumo de lim√£o
140 g de a√ß√ļcar
50 g de manteiga à temperatura ambiente
1 colher de sopa de raspa de lim√£o

 

Para o merengue suiço

2 claras de ovos L

90 g de a√ß√ļcar

 

Comece por fazer o lemon curd (pode faz√™-lo com alguns v√°rios dias de anteced√™ncia e mant√™-lo guardado bem fechado no frigor√≠fico): num tachinho de fundo espesso, misture bem os ovos com o a√ß√ļcar e o sumo de lim√£o. Leve ao lume m√©dio, mexendo sempre com um batedor de varas, para n√£o ganhar grumos, at√© engrossar, o que deve demorar menos de 10 minutos (deve ficar um creme n√£o demasiado espesso, uniforme e brilhante, que ir√° ficar mais consistente depois de arrefecido). Retire do lume e incorpore a manteiga e a raspa de lim√£o. Espere um ou dois minutos e mexa com um batedor e varas, at√© a manteiga estar bem derretida e bem distribu√≠da pelo creme. Verta para frascos limpos, deixe arrefecer, tape e guarde no frigor√≠fico at√© usar. Conserva-se bem tapado no frigor√≠fico cerca de 15 dias.

 

Para o bolo, comece por ligar o forno nos 180¬ļC.

Unte muito bem a forma (idealmente, deve usar-se a forma 'Charlotte' da Nordic Ware, no entanto, pode usar-se uma forma redonda normal, com 20 cm de di√Ęmetro e, depois de cozido e arrefecido, abre-se uma cavidade no bolo, retirando massa e criando espa√ßo para o lemon curd).

Numa ta√ßa, bata o a√ß√ļcar com o iogurte e as raspas de lim√£o

Junte os ovos e bata bem.

Adicione o azeite e mexa bem.

Peneire a farinha e o fermento para a taça e envolva com cuidado.

Verta para a forma e deixe cozer cerca de 40 minutos ou até um palito sair limpo.

Retire, deixe arrefecer um pouco e desenforme.

 

Fa√ßa a calda, misturando o a√ß√ļcar com o sumo de lim√£o e a √°gua e levando ao lume uns 5 minutos, at√© engrossar um pouco.

Pique o bolo j√° frio e regue com a calda quente. Deixe arrefecer.

Entretanto, prepare o merengue sui√ßo: na ta√ßa da batedeira junte as claras e o a√ß√ļcar e leve ao lume em banho-maria (a ta√ßa das claras n√£o deve tocar na √°gua da panela). V√° mexendo sempre at√© o a√ß√ļcar se ter dissolvido e a mistura estar quente ao toque.

Leve a taça para a batedeira e comece a bater, primeiro numa velocidade baixa e depois em velocidade média alta, até o merengue ter quase arrefecido e ficar brilhante, uniforme e bastante firme - no total serão cerca de 7 minutos a bater.

Para decorar o bolo, espalhe uma dose generosa de lemon curd na cavidade do bolo (√© prov√°vel que lhe sobre lemon curd), fazendo escorrer pelas laterais, e espalhe por cima o merengue, dando-lhe uma forma algo r√ļstica (se preferir, pode usar bico pasteleiro, como fiz com o chocolate aqui).

Queime a gosto com o maçarico.

 

Pode fazer o bolo e regá-lo com a calda de véspera (fica ainda melhor). No dia, faça o merengue e siga os passos descritos acima.

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MAIS RECEITAS - DELICIOSAS! - COM LIMÃO:

 

 

20
Dez19

Leite-creme do Cantinho do Avillez [Diz-me o que lês #21]

Leite-creme do Cantinho do Avillez

Livro "Cantinho do Avillez - As receitas"

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #21

"Cantinho do Avillez - As receitas" - José Avillez - Esfera dos Livros

 

Ser√° que quando v√™em um livro de um chef, de receitas de pratos servidos no seu restaurante, ficam com a mesma d√ļvida que eu? A de que as receitas que fazem no restaurante podem n√£o ser exatamente iguais √†s que est√£o no livro? Bem, nunca saberemos ūüėÜ At√© porque a mesm√≠ssima receita, feita por duas pessoas diferentes, sobretudo se uma dessas pessoas √© um profissional, nunca vai sair igual. E √© por isso que tenho d√ļvidas de que o meu leite-creme tenha sa√≠do t√£o bom como o do restaurante...

 

O Cantinho do Avillez ( o do Chiado), foi o primeiro restaurante em nome pr√≥prio de Jos√© Avillez, o mais consagrado dos chefs portugueses, tendo aberto as suas portas em setembro de 2011. Hoje s√£o j√° quatro os Cantinhos: Chiado, Parque das Na√ß√Ķes, Porto e Cascais. Que se juntam numa extensa lista a outros projetos de Jos√© Avillez, como o duplamente estrelado Belcanto, a Cantina Peruana, o Bairro ou o Mini Bar [que tamb√©m j√° se estendeu ao Porto], passando pela Tasca, no Dubai.

 

Livro "Cantinho do Avillez - As receitas"

 

O Jos√© Avillez talvez seja um dos meus chefs portugueses preferidos [logo a seguir ao Vasco Coelho Santos, do Euskalduna ūüėČ]. Primeiro, porque o acho genuinamente simp√°tico. Quando fui a primeira vez ao Cantinho do Avillez do Porto, foi o chef que nos abriu a porta, recebendo-nos com um sorriso, entusiasmo e amabilidade surpreendentes. Depois, porque j√° li e ouvi muitas das suas entrevistas - como esta, no podcast "Cada um sabe de si" - e gosto do seu discurso, da sua forma de encarar o trabalho de equipa, da sua hist√≥ria de vida.

 

Apesar deste meu apreço, ainda não tinha nenhum livro dele. Para esta rubrica, que como sempre conta com o apoio da Bertrand, optei pelo "Cantinho do Avillez - As Receitas", já na sexta edição. Para além de ser um dos seus primeiros livros (se não mesmo o primeiro, mas não posso precisar), o tipo de cozinha praticada no Cantinho não me parece demasiado rebuscada para replicar em casa, sendo um livro a que facilmente podemos dar uso.

 

Este é um livro bilingue - português e inglês. As receitas fazem ou fizeram parte da carta do restaurante e estão agrupadas nos capítulos:

  • Cocktails
  • Entradas
  • Pregos
  • Pratos
  • Sobremesas

N√£o s√£o muitas: apenas 40 receitas, no total.

 

Em termos gráficos, o livro é do mais simples que há. Acho até a encadernação demasiado básica, sem qualquer badana (aquela tira extra da capa e da contracapa que dobra para dentro, normalmente com informação sobre o autor), o que o torna frágil, sobretudo se tivermos em conta que é um livro para ser manuseado numa cozinha.

Livro "Cantinho do Avillez - As receitas"

 

Quanto √†s receitas, parecem-me bem descritas e entre elas podemos encontrar as famosas 'Lascas de bacalhau, migas soltas, ovo a baixa temperatura e azeitonas explosivas', os 'Camar√Ķes √† Bulh√£o Pato', as 'Vieiras na frigideira com cogumelos e batata-doce de Aljezur', o 'Bife √† Cantinho', a ic√≥nica sobremesa 'Avel√£ ao cubo'¬†ou o 'Leite-creme de laranja e baunilha' cuja receita partilho mais abaixo.

 

Resumindo: "Cantinho do Avillez - As receitas" n√£o √© um livro extraordin√°rio, diria at√© que √© um livro modesto, tanto em termos de conte√ļdo, como em termos de produ√ß√£o gr√°fica. √Č um livro que vale pelas receitas em si e pela carga simb√≥lica associada, conferida pelo prest√≠gio do chef Avillez e deste seu restaurante. As fotos s√£o bonitas, mas um pouco ba√ßas, devido ao papel escolhido, de cor creme. Este livro √©, no entanto, um √≥timo aliado para os foodies e todos aqueles que gostam de surpreender os convidados em casa, com receitas ao mesmo tempo simples mas com um toque de sofistica√ß√£o.

 

Querem saber mais sobre o livro? Espreitem aqui >>> Livraria Bertrand

Leite-creme do Cantinho do Avillez

Leite-creme do Cantinho do Avillez

LEITE-CREME DO CANTINHO DO AVILLEZ - COM LARANJA E BAUNILHA

Receita de José Avillez no livro "Cantinho do Avillez - As receitas"

[A receita é supostamente para 4 doses, mas eu consegui apenas 3]

 

50 ml de leite

300 ml de natas

55 g de a√ß√ļcar demerara (usei mascavado)

4 gemas de ovo

2 colheres de sopa de sumo de laranja

1 a 2 vagens de baunilha

Casca de laranja (sem a parte branca) qb

A√ß√ļcar demerara para polvilhar e queimar (usei a√ß√ļcar mascavado)

 

Ligar o forno nos 150¬ļC.

Num tacho, levar o leite ao lume com 100 ml de natas e a casca de laranja.

Abrir a vagem de baunilha, raspar as sementes e adicionar tudo ao tacho do leite e natas.

Deixar esta mistura fervilhar.

Numa ta√ßa, bater as gemas com o a√ß√ļcar.

Retirar o tacho do lume, juntar as restantes natas e o sumo de laranja.

Adicionar esta mistura, aos poucos, √† ta√ßa das gemas e a√ß√ļcar.

Distribuir pelas taças e levar ao lume num tabuleiro ou assadeira, que deve encher com água quente até metade da altura das taças.

Cozer durante cerca de 40 minutos (o creme deve sair ainda pouco firme no centro, ir√° solidificar ao arrefecer).

Depois de frias, guarde as taças no frigorífico até 3 dias.

Antes de servir, polvilhe com a√ß√ļcar e queime com um ma√ßarico de cozinha.

Leite-creme do Cantinho do Avillez

 

Nota: apesar de ter seguido a receita à risca, fiquei com a impressão de que a textura não ficou perfeita, achei que devia ter ficado mais cremoso (será que cozeu demasiado?). Em todo o caso, de sabor ficou bastante agradável.

 

MAIS SOBREMESAS DO #DIZMEOQUELÊS:

 

22
Nov19

Rahmschmarren a la Koschina - receita austríaca [Diz-me o que lês #17]

Receita austríaca rahm schmarren

Livro Casal Mistério

 

Ap√≥s um inesperado e chato extravio de livros, o "Diz-me o que l√™s, dir-te-ei o que comes", rubrica que conta com o apoio da livraria Bertrand, est√° de volta com um livro muito apetitoso. Acreditam que este √© j√° o 17¬ļ livro de cozinha a passar por aqui, desde que esta aventura come√ßou, h√° pouco mais de quatro meses? Se me seguem no Instagram, sabem que de vez em quando lan√ßo uns passatempos com livros da rubrica. Se gostavam de ter este livro, fiquem atentos: quem sabe n√£o tenho um exemplar para oferecer?ūüėČ

 

Livro Casal Mistério

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #17

"As 99 Melhores Receitas do Casal Mistério" - Casal Mistério - Editora Manuscrito

 

Para quem gosta e procura informa√ß√£o sobre temas ligados √† cozinha, √†s receitas e aos restaurantes, o site do Casal Mist√©rio n√£o √© segredo [gostaram deste trocadilho? ūüôą].

Ningu√©m sabe quem est√° por detr√°s deste projeto, mas sabe-se que o blog, criado h√° cinco anos, conta com milhares e milhares de visualiza√ß√Ķes, tem mais de 200 mil seguidores no Instagram e mais de 300 mil no Facebook, e recebeu por v√°rias vezes o pr√©mio de "Melhor blog de culin√°ria" no concurso 'Blogs do Ano' da Media Capital.

 

Na verdade, o Casal Mistério não é um blog de culinária como a maioria dos blogs de culinária, sendo mais "curadores" de receitas do que "criadores". E isto leva-me a um dos aspetos que me intrigou neste livro (que é já o terceiro lançado pelo Casal Mistério). Muitas das receitas, se não mesmo a maioria, são receitas que foram publicadas no blog mas retiradas de outros sites e blogs e que no Casal Mistério surgem acompanhadas dos devidos créditos. Mas no livro isso não acontece. Nem na introdução, nem nos agradecimentos, nem nas páginas das receitas encontro qualquer referência à sua origem.

 

Sei que o Casal Mist√©rio teve o trabalho de as traduzir e provavelmente adaptar, e foram magistralmente fotografadas pela talentosa Maria Mid√Ķes.¬†Mesmo assim, n√£o seria de fazer uma refer√™ncia √†s vers√Ķes originais?

 

Deixando este pequeno "mist√©rio" de lado, devo dizer-vos que o livro √© j√° um dos meus favoritos desta rubrica. √Č bonito, est√° bem escrito - com os apontamentos de humor caracter√≠sticos do Casal Mist√©rio - e as receitas, selecionadas por serem as mais populares do blog - s√£o muito variadas e apelativas.

 

Livro Casal Mistério

 

Na verdade, são 99 receitas mais 16 receitas extra, generosamente disponibilizadas por 16 chefs de cozinha famosos, incluindo a da sobremesa do chef austríaco Dieter Koschina, responsável pelo restaurante algarvio Vila Joya, e que escolhi para experimentar e publicar aqui.

 

São 8 os capítulos em que as receitas estão agrupadas:

  • Para nos fazer levantar da cama
  • Para enganar a fome
  • Para partilhar com os amigos
  • Para comer em fam√≠lia
  • Para levar para o trabalho
  • Para n√£o engordar
  • Para a desgra√ßa [o meu cap√≠tulo preferido ūüėÜ]
  • As receitas que os chefs fazem em casa

 

Smoothies e panquecas. Brownies, cheesecakes e bolachas. Entradas f√°ceis e vistosas. Pratos reconfortantes. Sugest√Ķes r√°pidas e com poucos ingredientes. Sandu√≠ches, saladas e outras propostas saud√°veis. Bolos gulosos: h√° de tudo aqui.

 

E h√° ainda as imagens maravilhosas da Maria Mid√Ķes. Tive a oportunidade de conhecer a simp√°tica Maria h√° uns anos, num workshop de fotografia de comida na Clavel's Kitchen, e sou absolutamente f√£ do seu trabalho [j√° agora: uma das raz√Ķes por que escolhi fazer o Rahmschmarren √© que as receitas dos chefs n√£o surgem fotografadas, e assim n√£o tenho de comparar as minhas com as da Maria, ahahahah].

 

Resumindo: o¬†livro "As 99 Melhores Receitas do Casal Mist√©rio" √© um valor seguro. A abordagem gr√°fica √© simples mas 'eye-catching' e as receitas est√£o bem descritas. Apresenta receitas para os v√°rios momentos do dia e para v√°rias necessidades (receitas mais ou menos cal√≥ricas) sendo por isso um livro abrangente, que vamos querer ter sempre √† m√£o. As fotografias da Maria Mid√Ķes... essas s√£o a cereja no topo do livro.

 

Saber mais e comprar "As 99 Melhores Receitas do Casal Mistério" >>> Livraria Bertrand*

Rahm schmarren - receita austríaca

RAHMSCHMARREN A LA KOSCHINA

Receita do Chef Dieter Koschina no livro "As 99 melhores receitas do Casal Mistério"

Esta √© uma receita tradicional austr√≠aca, aqui com o toque do chef, que sugere servi-la com pur√© de ma√ß√£. Tentei saber mais sobre esta sobremesa de conforto - uma esp√©cie de panqueca fofa gigante - mas todos os sites que encontrei estavam em alem√£o e n√£o me apeteceu ir ao google tradutor ūü§™

 

Para o "bolo":

300 g de natas

50 g de a√ß√ļcar em p√≥

60 g de gemas de ovo (4 ovos pequenos)

50 g de amido de milho

1 copo de shot de rum

Raspa de lim√£o qb

90 g de claras de ovo

60 g de a√ß√ļcar (+ algum para a carameliza√ß√£o final)

1 colher média de manteiga (+ alguma para a caramelização final)

 

Para o puré de maçã:

Maçãs (usei 3 grandes)

A√ß√ļcar qb (n√£o usei)

Sumo de lim√£o qb

Baunilha qb (usei umas gotinhas de essência)

Canela em pó qb

 

Começar por fazer o puré de maçã: cozer as maçãs lentamente num fundo de água. Triturar e juntar os restantes ingredientes a gosto.

Ligue o forno nos 180¬ļ.

Com um batedor de varas, misturar bem as natas, o a√ß√ļcar em p√≥, as gemas, o amido, a raspa de lim√£o e o rum.

Bater em castelo as claras com os 60 g de a√ß√ļcar e juntar ao preparado anterior.

Levar ao lume uma frigideira grande que possa ir ao forno e derreter nela a manteiga, espalhando-a por toda a frigideira. Verter nela a massa do "bolo" e levar ao forno durante cerca de 30 minutos.

Assim que estiver bem dourado, retirar do forno e fazer um quadriculado na massa (schmarren significa algo como "desfeito" ).

De seguida, a receita diz para barrar com "manteiga e a√ß√ļcar caramelizado". Confesso que n√£o percebi bem como isto se fazia, mas depois de ver este v√≠deo¬†percebi que deve colocar-se mais um pouco de manteiga e a√ß√ļcar noutra frigideira e passar para a√≠ os pedacinhos de "bolo", deixando caramelizar.¬†Servir com o pur√© de ma√ß√£.

A rom√£ √© um acrescento meu, porque... torna qualquer qualquer prato mais fotog√©nico ūüėČ

 

MAIS RECEITAS DOCES DA RUBRICA "DIZ-ME O QUE LÊS":

 

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21
Nov19

Receita de jesuítas [versão 'seminaristas']

Jesuítas

Jesuítas

 

Quem resiste a um jesu√≠ta? [n√£o falo dos religiosos da Companhia de Jesus, que esses devem ser deixados sossegados na sua miss√£o ūüėĄ]. Falo do cl√°ssico da pastelaria portuguesa, feito de camadas de massa folhada, doce de ovos e uma capa crocante de a√ß√ļcar e canela.

 

Apesar de não ser consensual a sua origem, a teoria mais consistente situa-a na centenária Confeitaria Moura, em Santo Tirso, que continua a fabricar os jesuítas mais famosos do país, e que tem a receita original patenteada. Reza a história que a iguaria foi criada em 1892 por um pasteleiro espanhol, que havia sido contratado pela dita pastelaria tirsense, e que a terá batizado desta forma em homenagem aos monges para quem tinha trabalhado em Bilbau.

 

Lendas e teorias √† parte, o certo √© que o pastel depressa ganhou fama e come√ßou a ser reproduzido em pastelarias um pouco por todo o pa√≠s. E com varia√ß√Ķes quanto ao seu tamanho: o gigante d√° pelo nome de "cardeal", e os pequenos, como os que vos trago aqui, s√£o os "seminaristas". Faz sentido, certo?¬†

 

Durante muito tempo, achei que fazer os jesuítas em casa seria complicadíssimo, mas decobri que afinal é simples e rápido até. Claro, desde que usemos massa folhada de compra e já tenhamos o doce de ovos pronto (que se faz facilmente, mas que precisa de arrefecer antes de ser barrado na massa folhada).

 

Querem tirar a prova? A receita de jesuítas segue abaixo (e vão encontrá-la numa espécie de passo a passo nos meus stories no instagram >>> Lume Brando).

 

Jesuítas

 

JESU√ćTAS - VERS√ÉO 'SEMINARISTAS' (MINI)

Para cerca de 26

 

1 placa de massa folhada retangular fresca

Cerca de 10 colheres de sopa de doce de ovos*

25 g de clara de ovo

130-150 g de a√ß√ļcar em p√≥

Fio de sumo de lim√£o

Canela em pó qb

 

Ligar o forno nos 190¬ļ.

Desenrolar a massa folhada e cortar ao meio no sentido do comprimento.

Barrar cada metade dessas tiras largas, no sentido do comprimento, com doce de ovos.

Dobrar a parte da massa sem doce sobre a parte com doce.

Cortar em trapézios (cerca de 12 ou 13 trapézios em cada tira) e passá-los para um tabuleiro forrado com papel vegetal.

Numa ta√ßa e com um batedor de varas, misturar a clara com o a√ß√ļcar em p√≥ -¬† juntar o a√ß√ļcar aos poucos pois pode n√£o ser necess√°rio usar todo. Juntar um fio de sumo de lim√£o e canela em p√≥ a gosto (costumo adicionar cerca de uma colher de ch√° bem cheia). Deve obter-se um glac√© grosso, espesso e pastoso, mas "espalh√°vel". Adicionar um pouco mais de sumo de lim√£o se achar que est√° demasiado pastoso, ou mais a√ß√ļcar em p√≥ se estiver demasiado flu√≠do.

Cubrir cada trapézio com glacé, com a ajuda de uma colher pequena.

Levar ao forno durante uns 15/20 minutos - ir espreitando e retirar quando a massa tiver folhado e apresentarem uma cor ao seu gosto.

Se repararem, os meus ficaram um pouco p√°lidos (mas deliciosos, diga-se!), se gostarem deles um pouco mais escuros, basta deixarem mais um pouco no forno!

_______________________________________________________________________________________________

*DOCE DE OVOS

Adaptado de uma receita do Chef Luís Francisco

6 gemas + 1 ovo inteiro

250 g de a√ß√ļcar

125 g de √°gua

1 pedaço de casca de limão

1 pau de canela

 

Num tachinho, ¬†levar ao lume a √°gua, o a√ß√ļcar e os aromatizantes (lim√£o e canela).¬†Sem mexer, deixar levantar fervura. Quando come√ßar a borbulhar (bolhas grandes em toda a superf√≠cie da calda), contar 3 minutos. Retirar do lume, descartar o lim√£o e a canela e verter em fio sobre as gemas e o ovo previamente desfeitos numa ta√ßa de metal, mexendo sempre. Coar para o tacho e levar ao lume at√© engrossar, cerca de 10 minutos, mexendo sempre para n√£o ganhar grumos e sem deixar ferver. Colocar num frasco, deixar arrefecer e conservar no frigor√≠fico (dura v√°rias semanas, se n√£o meses).

 

OUTRAS RECEITAS GULOSAS:

 

13
Nov19

Pão de maçã [Uma receita com outono dentro]

Pão de maçã

Pão de maçã

 

Eu refilo com a chuva. Irrito-me com a mudança da hora. Desespero com a luz natural que acaba num abrir e fechar de olhos. Adio a mudança do guarda-roupa porque não gosto da roupa da época. Mas reconheço que o outono tem o seu charme.

 

O cen√°rio que nos √© dado pelas √°rvores vestidas de m√ļltiplos castanhos e dourados √© m√°gico.

E os ingredientes da época são deliciosos, fotogénicos, e reconfortantes: as castanhas, as abóboras, os diospiros, as romãs, a maçã...

 

Todos os anos, um primo oferece-me uma caixa enorme de maçãs vindas de Carrazeda de Ansiães. E são tão boas, firme e doces. Para além de comê-las ao natural - seria um pecado não fazê-lo - algumas são transformadas em doces e sobremesas. Como este 'apple bread' ou pão de maçã [na verdade é um bolo!]. Uma receita que grita outono por todos os lados e me faz reconciliar com esta altura do ano.

 

Pão de maçã

PÃO DE MAÇÃ

[rende bastante, a quantidade de bolos depende do tamanho da forma; no meu caso, consegui fazer 4 bolos relativamente pequenos]

 

4 maçãs grandes

1 ch√°vena rasa de a√ß√ļcar amarelo

2 ovos grandes

1/2 ch√°vena de azeite

3 ch√°venas rasas de farinha sem fermento

1 ch√°vena de frutos secos [nozes fica muito bem]

1 ch√°vena de uvas passas ou sultanas

1 colher de sopa de fermento em pó

1 colher de chá de bicarbonato de sódio

1 colher de chá de canela em pó

1/2 colher de ch√° de noz moscada

1 pitada de sal

 

Ch√°vena = 250 ml capacidade

 

Pr√©-aque√ßa o forno nos 180¬ļ.

Unte 2 formas de bolo inglês médias ou 4 pequenas.

Descasque as maçãs e rale-as grosseiramente num ralador (uso este ralador)

Junte o a√ß√ļcar, envolva e reserve uns 10 ou 15 minutos at√© o a√ß√ļcar dissolver e ter ganho l√≠quido.

Junte os ovos, o azeite, os frutos secos e as sultanas ou as uvas passas (se usar passas, pique-as grosseiramente)

Adicione a farinha, o fermento, o bicarbonato, a canela, o sal e a noz moscada, envolvendo sem bater.

Verta para as formas e leve a cozer cerca de 45 minutos - irá demorar menos se as formas forem pequenas ou mais alguns minutos se forem maiores. Faça o teste do palito para conferir.

 

MAIS RECEITAS DELICIOSAS E F√ĀCEIS COM MA√á√É:

 

10
Out19

Bolo de pastel de nata [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #13]

Bolo de pastel de nata

Bolo de pastel de nata

 

Quem me conhece sabe, que apesar de eu cozinhar de tudo e partilhar aqui receitas diversificadas, a minha paix√£o s√£o os bolos. Por isso, quando dei conta de que a Rita Nascimento, aka La Dolce Rita, tinha lan√ßado um livro novo s√≥ com receitas de bolos, pensei logo em traz√™-lo ao #dizmeoquel√™s - esta rubrica de que gosto tanto e que s√≥ √© poss√≠vel gra√ßas a uma parceria com a Bertrand Livreiros ūüß°

 

Vieram cá só pela receita de Bolo de pastel de nata? Então façam scroll, que vão encontrá-la mais abaixo. Mas aposto que se forem gulosos como eu, vão querer saber mais sobre o livro, certo? Vamos a isso.

 

Bolo de pastel de nata

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE_EI O QUE COMES #13

"Um bolo por semana - 52 receitas para um ano de bolos" - Rita Nascimento - ArtePlural

Este é já o quarto livro da Rita, que toda a gente conhece do seu canal de sucesso no Youtube, o "La Dolce Rita" onde, através de vídeos simpáticos e bastante elucidativos, partilha as mais variadas receitas de pastelaria.

 

Os livros da Rita são um êxito [para além deste, tenho o "Uma pastelaria em casa" e já folheei os outros dois] e percebe-se por quê: são bastante objetivos e claros, sem deixarem de ser apelativos. As fotos, por exemplo, não apresentam uma produção complexa ou composição elaborada, são sobretudo "close-ups" dos bolos e das sobremesas, mas são luminosas e deixam-nos invariavelmente de água na boca.

 

Este √ļltimo tem apenas algumas semanas de prateleira (saiu para as livrarias a 4 de outubro), mas tenho a certeza de que vai ser mais um best-seller. Um dos segredos √© a experi√™ncia da Rita, sustentada por forma√ß√£o espec√≠fica na √°rea. Munida de todo o saber te√≥rico, a Rita tem uma capacidade incr√≠vel de transformar esse conhecimento em m√©todos e formula√ß√Ķes mais simples, para que todos em casa possamos facilmente elaborar receitas supostamente complexas [a Rita n√£o sabe, mas tem aqui uma grande f√£ ‚̧ԳŹ]

 

Livro "Um bolo por semana"

 

O tom próximo, alegre e descontraído, que a Rita usa tanto nos vídeos como no livro, ajudam a compor esta fórmula de sucesso, agora espelhada numa edição dedicada apenas a essa trave mestra da pastelaria caseira: os bolos.

 

S√£o 52 receitas de bolos, para que ao longo de um ano n√£o tenhamos de repetir receitas. E para que os resultados saiam perfeitos, o livro inclui, para al√©m das receitas, informa√ß√£o sobre ingredientes, utens√≠lios e dicas a ter em conta na hora de meter a m√£o na massa [incluindo a "Palavra de boleira" da Rita: coment√°rios e sugest√Ķes relativamente a cada receita].

 

Quanto ao tipo de bolos, estes dividem-se nas seguintes categorias:

  • Bolos b√°sicos e simples
  • Bolos arom√°ticos e reconfortantes
  • Bolos gulosos e para dias de festa

 

Existe ainda um cap√≠tulo com receitas auxiliares: cremes e complementos para coberturas e recheios. Para que possam fazer as vossas combina√ß√Ķes e assim, em vez de 52 bolos, terem quantas receitas a vossa imagina√ß√£o ditar!

Livro "Um bolo por semana"

 

A par de alguns cl√°ssicos, como o 'Bundt de chocolate', o "Bolo ingl√™s", o "Bolo de claras" ou o "Bolo de anan√°s caramelizado", a Rita prop√Ķe-nos receitas originais e outras menos conhecidas, como o "Bolo de pastel de nata" que vos trago hoje (receita mais abaixo), o "Bolo tiramisu", o "Bolo tecomaleco", o "Bolo tr√™s leches" ou o "Bolo de chocolate crocante sem forno".

 

Só vos digo uma coisa: no dia em que tiverem o livro na mão, garanto-vos que vão querer fazer TODAS as receitas!  Estão em pulgas por esse momento? Saibam mais sobre o livro aqui >>> na livraria Bertrand online.

 

Resumindo:  "Um bolo por semana" é daqueles livros que não pode faltar na prateleira de alguém que adora mimar a família e os amigos com um bolo, seja de vez em quando, seja todas as semanas. O design gráfico do livro é funcional e apelativo, com boas fotografias, tiradas pela Rita. As receitas parecem ser todas acessíveis e estão bem escritas e detalhadas. O que eu mudaria? Em vez de referir o 'volume da massa' obtida em cada receita, mencionaria o tamanho mais adequado das formas a utilizar. De resto, o livro está de se devorar "página a página"!

 

Agora, sem mais demoras, a receita do delicioso Bolo de pastel de nata.

Bolo de pastel de nata

BOLO DE PASTEL DE NATA

Receita original: livro "Um bolo por semana" de Rita Nascimento

 

Para o bolo

3 ovos

100 g de a√ß√ļcar

75 g de farinha sem fermento

1/2 colher de chá de canela em pó

1 base redonda de massa folhada

A√ß√ļcar mascavado qb (e ma√ßarico) para decorar no final*

 

Para o creme pasteleiro

300 ml de leite meio-gordo

3 gemas

50 g de a√ß√ļcar

25 g de amido de milho

25 g de manteiga fria

1 pau de canela

1 pedaço grande de casca de limão

 

Para a calda

150 ml de √°gua

150 ml de a√ß√ļcar

1 pedaço grande de casca de limão

 

Comece por fazer o creme pasteleiro.

Coloque num pequeno tacho o leite, o pau de canela e a casca de lim√£o e leve ao lume.

Numa ta√ßa, junte as gemas, o a√ß√ļcar e o amido de milho e mexa bem com as varas.

Quando o leite começar a fervilhar, descarte a canela e o limão e verta-o, aos poucos, sobre o preparado anterior, mexendo bem com as varas.

Deite esta mistura no tacho e leve de novo ao lume, mexendo sempre até começar a engrossar. Continue a mexer com as varas cerca de dois minutos após já estar a engrossar e ter começado a fervilhar.

Retire do lume e incorpore a manteiga partida em pedaços. Mexa até a manteiga derreter e ficar homogéneo. Passe para uma taça limpa e tape com película aderente ("colando" esta à superfície do creme, para não entrar ar e assim evitar que ganhe uma crosta).

Deixe arrefecer um pouco e leve ao frigorífico. Ele vai endurecer no frigorífico, por isso, antes de usar, bata-o na batedeira elétrica até ficar com uma consistência cremosa e uniforme.

 

Entretanto faça o bolo.

Unte muito bem e polvilhe com farinha uma forma redonda (usei uma com 18 cm de di√Ęmetro). Forre o fundo com papel vegetal e volte a untar/enfarinhar.

Ligue o forno nos 180¬ļ.

Com a batedeira el√©trica, bata os ovos com o a√ß√ļcar durante uns 5 minutos, ou at√© a mistura ficar esbranqui√ßada e com o dobro do volume.

Peneire a farinha e junte-a, com a canela, ao preparado anterior, em duas ou tr√™s adi√ß√Ķes, envolvendo suavemente.

Verta para a forma e leve ao forno durante cerca de 20 minutos ou até um palito sair seco do centro do bolo.

Solte a massa das laterais da forma com a ajuda de uma faca e desenforme sobre uma rede forrada com papel vegetal. Deixe arrefecer completamente antes de o abrir ao meio.

N√£o desligue o forno e leve a cozer a base de massa folhada sobre papel vegetal e picada com um garfo. Deve demorar uns 20-25 minutos a ficar folhada e douradinha. Deixe arrefecer.

 

Enquanto o bolo est√° no forno, fa√ßa a calda: leve a ferver a √°gua com o a√ß√ļcar e a casca de lim√£o at√© o a√ß√ļcar estar bem derretido. Deixe ferver durante alguns segundos e est√° pronto. Deixe que arrefe√ßa.

 

Para montar o bolo:

- Coloque a forma do bolo que usou sobre a massa folhada, sem pressionar, e com uma faca corte um círculo a toda a volta; reserve o círculo e esfarele as sobras, reservando-as numa taça;

- Parta o bolo a meio e coloque a metade de baixo no prato de servir. Regue com metade da calda e espalhe uma camada de creme de pasteleiro (que deve ter sido batido com a batedeira elétrica depois de ter estado no frigorífico);

- Coloque o disco de massa folhada por cima e volte a fazer uma camada de creme pasteleiro (atenção: não usem demasiado creme nestas camadas de recheio, se não ficam sem creme para barrar todo o bolo);

- Tape com a outra metade do bolo e regue esta com a restante calda;

- Por fim, barre todo o bolo com o restante creme pasteleiro;

- Espalhe a√ß√ļcar mascavado no topo do bolo e queime com um ma√ßarico (opcional)*

- Decore as laterais com as aparas de massa folhada.

 

*A receita original fala em a√ß√ļcar em p√≥, mas comigo n√£o resultou; para conseguir o efeito "leite creme queimado", tive de usar a√ß√ļcar mascavado; o creme pasteleiro vai ganhar umas fendas, devido ao calor do ma√ßarico, mas √© normal.

 

Nota final: este bolo deve ser comido no dia em que é feito, para garantir uma massa folhada seca e crocante; em todo o caso, guardei o que sobrou no frigorífico e comeu-se bem no dia seguinte ;)

 

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30
Set19

Lava cakes de lim√£o [#lemonloverforever]

Lava cake de lim√£o

Lava cakes de lim√£o

 

Eis a melhor experi√™ncia na cozinha das √ļltimas semanas.

Há vários nomes para este tipo de sobremesa, que consiste num queque com o interior líquido, sendo de chocolate a versão mais comum. Bolinho de lava, vulcão, fondant, demi-cuit, petit gateau... é à escolha do guloso.

 

Quando vi esta vers√£o de lim√£o no livro "A Sentada", de Sandra Nobre, livro de que falei aqui recentemente, neste post, fiquei logo de olhos arregalados e com uma vontade gigantesca de experiment√°-la. Realmente, por que nunca tinha pensado que era poss√≠vel fazer uma vers√£o assim, de lim√£o? E logo eu que sou do team #lemonloverforever ūüíõ

 

Não consegui adiar muito o teste e aqui está o resultado. Simplesmente maravilhoso. Mas atenção: os queques têm que ficar cozidos no ponto, ou seja, nem demasiados cozidos - o que significa não sobrar massa líquida para escorrer quando se abrem, nem demasiado crus, que se desfaçam ao desenformar... Um aspeto essencial, para que a receita corra bem, são as formas. Eu tenho umas parecidas com estas, compradas há já uns anos no Jumbo [agora Auchan] e portaram-se lindamente.

[Atualização: no Auchan podem encontrar umas formas parecidas com as minhas, espreitem aqui]

 

Aten√ß√£o que n√£o √© uma receita meiga em termos cal√≥ricos: leva chocolate branco, manteiga, a√ß√ļcar, lemon curd... Digamos que √© daqueles casos em que se perdoa o mal que faz, pelo bem que sabe ūü§™

 

Lava cakes de lim√£o

Lava cakes de lim√£o

LAVA CAKES DE LIMÃO
Adaptado do livro "A sentada", de Sandra Nobre

 

Para 6 unidades

120 g de chocolate branco

100 g de manteiga

85 g de farinha

50 g de a√ß√ļcar em p√≥¬†

1 pitada de sal

4 ovos + 4 gemas

230 g de lemon curd*

1/2 ch√° de extrato de baunilha

A√ß√ļcar em p√≥, frutos vermelhos e hortel√£ para decorar e servir.

 

*Para o lemon curd  [esta é a minha receita]

2 ovos L

100 ml de sumo de lim√£o

140 g de a√ß√ļcar

50 g de manteiga à temperatura ambiente

1 colher de sopa de raspa de lim√£o

 

Comece por fazer o lemon curd (que pode já estar feito de véspera ou até há mais tempo).

Num tachinho de fundo espesso, misture bem os ovos com o a√ß√ļcar e o sumo de lim√£o. Leve ao lume m√©dio, mexendo sempre com um batedor de varas, para n√£o ganhar grumos, at√© engrossar, o que deve demorar menos de 10 minutos (deve ficar um creme n√£o demasiado espesso, uniforme e brilhante, que ir√° ficar mais consistente depois de arrefecido). Retire do lume e incorpore a manteiga e a raspa de lim√£o. Espere um ou dois minutos e mexa com um batedor e varas, at√© a manteiga estar bem derretida e bem distribu√≠da pelo creme. Verta para frascos limpos, deixe arrefecer, tape e guarde no frigor√≠fico at√© usar. Conserva-se durante cerca de 15 dias, se bem tapado e guardado no frigor√≠fico.

 

Para fazer os lava cakes, comece por ligar o forno nos 220¬ļ.

Unte muito bem e polvilhe com farinha 6 forminhas altas de queque ou pudim - idealmente, tipo estas -  ou aplique generosamente spray desmoldante. Coloque-as num tabuleiro de ir ao forno (assim vai ser mais prático transportá-las para o forno).

Numa taça grande sobre uma panela com água (mas sem a água tocar no recipiente de cima), leve ao lume a derreter o chocolate branco com a manteiga.

Adicione os restantes ingredientes: farinha, a√ß√ļcar em p√≥, sal, ovos, gemas, lemon curd (que deve estar frio) e baunilha. Misture bem, sem bater demasiado.

Divida este preparado pelas formas até 3/4 e leve ao forno durante cerca de 10 minutos. Vá espreitando: os bolinhos devem ficar dourados nas bordas e a querer desenformar, notando-se ainda que o centro está fluído... Pensem como costuma funcionar o vosso forno e decidam se devem deixar mais ou menos do que os 10 minutos.

Retirar do forno e deixar arrefecer uns minutos antes de desenformar (soltando a massa da forma com a ajuda de uma faca) para os pratinhos de servir.

Sirva ainda mornos polvilhados com a√ß√ļcar em p√≥ e alguns frutos vermelhos a decorar.

Se sobrarem, guarde no frigorífico (aguentam uns 2-3 dias) e aqueça um pouco no microondas antes de servir. Não experimentei congelá-los, mas imagino que funcione: no dia em que os quisesse consumir, retirava-os com alguma antecedência do congelador e aquecia-os no microondas antes de servir.

 

#lemonloversforever COMO EU? SE SIM, VÃO ADORAR ESTAS RECEITAS:

 

19
Set19

Mousse de chocolate em casca de laranja [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #10]

Mousse de chocolate em taça de laranja

Mousse de chocolate em taças de laranja

 

Mais uma semana, mais uma voltinha pelas prateleiras da sec√ß√£o de culin√°ria da Livraria Bertrand.¬†Este √© j√° o 10¬ļ post no √Ęmbito da rubrica #dizmeoquel√™s, dedicada a todos os que, como eu, adoram livros de cozinha.

 

E hoje, voltamos √† culin√°ria "convencional". N√£o sei se este √© o termo mais apropriado, mas com tantas dietas e regimes alimentares na ordem do dia, √†s vezes fica dif√≠cil definir a cozinha e as receitas que se enquadram num regime sem restri√ß√Ķes, √† moda das nossas m√£es e av√≥s, mas onde, a partir de uma base cl√°ssica, cabe uma pitada de fus√£o e criatividade. Que nome dariam a esta cozinha? Fica o desafio!

 

Mousse de chocolate em taças de laranja

Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #10

"A Sentada" - Sandra Nobre - Casa das Letras/24 Kitchen

 

Para mim, até ter apanhado um dos seus programas no canal 24 Kitchen, a Sandra Nobre era apenas a mulher do ex-jornalista Artur Albarran, informação obtida a folhear, há muitos anos, uma qualquer revista "do social".

 

De facto, foi com surpresa que, um dia, ao fazer zapping, a reconheci atr√°s de uma bancada de cozinha, a ser host de um programa de culin√°ria chamado "A Sentada". Confesso que n√£o foi amor √† primeira vista. Deviam ser os primeiros programas e lembro-me de achar que estava pouco √† vontade e de haver muitos momentos de sil√™ncio. Mas, ainda que n√£o tenha seguido o "A Sentada" de forma regular, sempre que apanhava um dos seus programas, n√£o mudava de canal e ficava a assitir, sobretudo porque gostava das receitas. E com o tempo fui sentindo que a Sandra estava cada vez mais desenvolta - e feliz - em frente √†s c√Ęmaras.

 

Estava com curiosidade para conhecer o seu livro e ainda bem que o escolhi para a rubrica. Atrav√©s dele, fiquei a saber imensas coisas sobre a autora, como por exemplo o facto de ser uma chef formada pela conceituada escola Le Cordon Bleu,¬†primeiro na √Āfrica do Sul e depois em Londres. Um percurso trilhado numa fase j√° 'madura' da sua vida, o que prova que nunca √© tarde para seguirmos os nossos sonhos.

 

Ah! E fiquei finalmente a saber o que significava o nome do programa (n√£o, nunca me deu para fazer uma pesquisa no Google, mas a verdade √© que me intrigava). Uma "sentada" (termo luso-africano) √© um conv√≠vio √† mesa, uma refei√ß√£o demorada e recheada de petiscos, uma jantarada entre amigos ou fam√≠lia, que se prolonga entre conversa e comida. Agora, faz todo o sentido, n√£o? ūüėĀ

 

Mousse de chocolate em taças de laranja

 

Adianto j√° que gostei muito do livro. Est√° organizado por menus com tr√™s receitas cada um, agrupados de acordo com as esta√ß√Ķes do ano, com o b√≥nus de quatro receitas de cocktail para brindarmos ao in√≠cio de cada esta√ß√£o.

 

Percebe-se que Sandra - "angolana de gema, mas de origens portuguesas, cabo-verdianas e norueguesas" - √© bastante viajada, e partilha connosco o saber e os sabores que foi descobrindo ao longo dessas viv√™ncias. Assim, no livro, h√° os menus "Holand√™s",¬† "Sueco", "Italiano, "Austr√≠aco", "Grego", "Franc√™s", "do M√©dio-Oriente", entre muitos outros, sem esquecer o "Menu Vegetariano", o "Menu de Natal" ou o inusitado "As receitas preferidas da fam√≠lia real brit√Ęnica."

 

Este √©, verdadeiramente, um livro de receitas. √Ä exce√ß√£o dos pref√°cios e de uma apresenta√ß√£o, na primeira pessoa, da autora, n√£o h√° dicas, listas de utens√≠lios, teorias sobre organiza√ß√£o dom√©stica ou informa√ß√£o sobre ingredientes (o que agradecemos, porque j√° h√° muitos outros livros que t√™m estes conte√ļdos). Mas h√° um textinho que apresenta cada receita, atrav√©s dos quais aprendemos imensas curiosidades, como uma lenda da sorte italiana associada aos Gnocchis, a origem da salada Ni√ßoise ou¬†a influ√™ncia da cozinha flamenga e malaia na √Āfrica do Sul.

 

As receitas s√£o de uma maneira geral bastante apelativas e a mim deu-me vontade de colocar post-its em quase todas. Foi por isso dif√≠cil escolher a primeira. Queria um doce ou uma sobremesa porque, n√£o s√≥ s√£o as que mais gosto de testar e fotografar, como sei que tamb√©m s√£o as vossas receitas favoritas ūüėȬ†

 

Mousse de chocolate em taças de laranja

 

A escolha acabou por recair nesta mousse de chocolate, porque adorei a ideia de servi-la em metades de casca de laranja. Quando se fala tanto em reduzir o desperd√≠cio, em reutilizar e poupar recursos, esta receita √© - apesar de pequeno ou apenas simb√≥lico - um bom exemplo. Estas cascas foram de laranjas espremidas para o sumo do pequeno-almo√ßo, e n√£o foi preciso usar √°gua para lavar as ta√ßas depois ūüėČ

 

Para al√©m desta, h√° outra receita no livro que me faz p√ī-lo j√° na prateleira dos favoritos, mesmo que ainda n√£o a tenha experimentado (n√£o vai demorar muito e irei dar-vos feedback, prometo). Curiosos? Ent√£o, reparem bem: no livro h√° uma receita de "Bolinhos de lava de... lim√£o"! Imaginem um petit gateau de chocolate, com aquela massa ainda l√≠quida a escorrer quando se parte, mas na vers√£o chocolate branco e lim√£o... OMG!

 

Resumindo: "A Sentada", de Sandra Nobre, √© um livro apelativo, com uma encaderna√ß√£o diferente do habitual (tenho algum receio de que a lombada em argolas, tipo espiral, possa revelar-se pouco pr√°tica com o uso). H√° fotografias bonitas, de Silvia Ramirez, para todas as receitas, que, pelas minhas contas, s√£o 70, maioritariamente entradas, pratos principais e sobremesas. Apresentam variedade no que diz respeito a ingredientes e formas de confe√ß√£o e seguem uma cozinha de base cl√°ssica, com alguns apontamentos mais contempor√Ęneos e originais.

 

Saber mais e comprar o livro >>> Bertrand livreiros - loja online

Agora, a receita de mousse, aprovada cá em casa com distinção.

Mousse de chocolate em taças de laranja

MOUSSE DE CHOCOLATE EM CASCA DE LARANJA

Receita original: livro "A Sentada", de Sandra Nobre

 

Para 4 *

2 laranjas bonitas

2 ovos L

160 g de chocolate negro partido em pedaços

10 g de manteiga

1/2 chávena de café espresso

10 ml de licor de laranja (usei Cointreau)

1 colher de ch√° de a√ß√ļcar amarelo (adi√ß√£o minha, n√£o faz parte da receita original)

1 pitada de sal

 

Para decorar:

Raspas ou pepitas de chocolate negro qb

Folhinas de hortel√£

 

Parta a meio as laranjas, esprema-as e aproveite o sumo para beber.

Com cuidado, retire as peles do interior da casca.

Leve ao lume em banho-maria o chocolate, a manteiga, o a√ß√ļcar, o licor e a pitada de sal.

Entretanto, parta os ovos e separe as gemas das claras, colocando estas na taça da batedeira.

Quando o chocolate estiver bem derretido e os restantes ingredientes bem incorporados, retire do lume e junte uma gema de cada vez, mexendo bem. Reserve, até para que arrefeça um pouco.

Bata as claras em castelo.

Comece por juntar 1/3 das claras à mistura de chocolate e mexa. Depois, vá envolvendo, suavemente as restantes claras.

Se quiser usar bico pasteleiro para encher as cascas, leve ao frigorífico primeiro, para prender (a minha mousse ficou cerca de duas horas no frigorífico, antes de ser colocada nas cascas).

Retire a mousse do frio, coloque-a num saco de pasteleiro munido de um bico largo frisado e encha as cascas.

Leve ao frigorífico até ao momento de servir, altura em que pode salpicar com raspas de chocolate e decorar cada taça com uma folhinha de hortelã.

 

* Se usar bico pasteleiro, s√≥ vai conseguir, no m√°ximo, 3 mousses. Eu fiz dose e meia da receita aqui apresentada e consegui 4 mousses com bico pasteleiro e uma mais pequena; julgo que dose e meia da receita teria dado para distribuir uniformemente, √† colher, por 5 metades de casca de laranja de tamanho normal. Mas querem um conselho? Dobrem a receita, n√£o se v√£o arrepender ūüėČ

 

Post com o apoio da Bertrand.

 

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12
Set19

Parfaits de tarte banoffee [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #9]

Parfait de tarte banoffee

Livro "Novas Receitas Paleo" de Irena Macri

 

Livros de cozinha nunca s√£o demasiados, certo? ūüėĀ

Como j√° devem ter dado conta, tenho vindo a aumentar a minha cole√ß√£o de livros de culin√°ria e, pelo caminho, vou partilhando convosco algumas conclus√Ķes sobre os livros que vou escolhendo. E claro, nesses posts partilho sempre uma receita retirada do livro em destaque.

√Č a rubrica "Diz-me o que l√™s, dir-te-ei o que comes", em parceria com a Livraria Bertrand, que j√° vai no 9¬ļ livro!

 

Partfait de tarte banoffee

 

Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #9

"Novas receitas paleo" - Irena Macri - ArtePlural Edi√ß√Ķes

Antes de avan√ßar para a descri√ß√£o e aprecia√ß√£o do livro, devo esclarecer que n√£o sigo, nem defendo, uma dieta paleo. Ali√°s, j√° devem ter percebido que por aqui se come um pouco de tudo. Sinto que h√° argumentos e princ√≠pios interessantes em cada uma das dietas ou regimes alimentares mais conhecidos, mas continuo a achar, por agora, que ser flex√≠vel √© o que faz mais sentido para mim e para a minha sa√ļde.

 

No entanto, gosto de saber mais sobre os diferentes regimes e dietas. Se há umas semanas vos falei do veganismo, através do livro da Filipa Range - "Desafio Vegan em 15 dias", hoje trago-vos um livro que fala da 'dieta paleo', de Irena Macri.

 

De origem ucraniana, Irena vive h√° muitos anos na Austr√°lia e este √© j√° o seu segundo livro traduzido para portugu√™s. Nele fala-nos de uma dieta paleo um pouco mais flex√≠vel do que aquela que apresentava no primeiro livro. Chama-lhe a dieta paleo 80/20, ou seja, com 80% de receitas especificamente paleo e 20% de receitas que incluem ingredientes que fogem ao √Ęmbito restrito deste regime alimentar.

 

Mas afinal, o que √© a dieta paleo? Na sua ess√™ncia, e de acordo com as palavras da autora, "√© um regime alimentar que baseia os seus princ√≠pios fundamentais nos h√°bitos dos nossos ancestrais ca√ßadores-recoletores, que viveram antes das revolu√ß√Ķes agr√≠cola e industrial" (...).

 

A dieta paleo √© "rica em prote√≠na animal e gordura" (a autora sublinha mais √† frente que estes alimentos devem ser de elevada qualidade e oriundos de produ√ß√£o biol√≥gica) e inclui tamb√©m "legumes, fruta, bagas, frutos secos e sementes". (...) "Embora o regime paleo n√£o implique reproduzir √† risca a dieta do homem das cavernas, baseia-se na nossas ra√≠zes alimentares, combinando esses h√°bitos com outros que foram mais recentemente considerados ben√©ficos, de acordo com os estudos atuais sobre sa√ļde evolutiva, nutri√ß√£o e estilo de vida hol√≠stico".

 

Parfait de tarte banoffee

 

Alguns aspetos do livro podem chocar ou surpreender. Quando Irena fala dos ingredientes nutritivos favoritos, h√° um que parece ir contra as tend√™ncias e os alertas de sa√ļde mais recentes: a carne vermelha (ainda que a autora sublinhe que deve advir de animais criados em pastos, ao ar livre). E ao falar de "boas fontes de amido", diz que prefere o arroz branco ao integral (um ingrediente da parcela dos 20%): "Ao contr√°rio do arroz integral, o arroz branco cont√©m muito poucos antinutrientes prejudiciais √† sa√ļde, como as lectinas, os fitatos e os inibidores de tripsina que est√£o concentrados na casca e nas camadas de farelo dos gr√£os de arroz e que s√£o removidos durante o processo de moagem e polimento."

 

N√£o digo que a autora esteja a dizer inverdades. Parece-me ter um discurso consistente (ainda que eu tenha algumas d√ļvidas e preocupa√ß√Ķes sobre os reais efeitos de uma dieta paleo seguida de forma estrita e leviana), e as suas receitas s√£o apresentadas com informa√ß√£o nutricional detalhada. Julgo que o mais certo √© todos terem raz√£o: quem diz que o arroz integral tem benef√≠cios porque tem um √≠ndice glic√©mico menor e mais nutrientes e quem diz que (paralelamente) este apresenta tamb√©m um maior n√ļmero de antinutrientes (compostos naturais ou sint√©ticos que interferem na absor√ß√£o de nutrientes).

 

Com tanta informa√ß√£o a circular sobre comida e alimenta√ß√£o, com tantas opini√Ķes diferentes - muitas vezes, pelo menos numa leitura superficial, contradit√≥rias - √© f√°cil ficarmos confusos. √Č uma das raz√Ķes pelas quais o meu √ļnico lema em termos alimentares √© VARIAR.

 

A autora diz tamb√©m que evita os cereais - na 'dieta paleo' o p√£o, praticamente, n√£o entra! - as leguminosas ("porque cont√©m toxinas e prote√≠nas que podem prejudicar a inflama√ß√£o e a digest√£o), o a√ß√ļcar refinado, as gorduras pouco saud√°veis e alguns latic√≠nios, nomeadamente os "magros", por terem normalmente "mais a√ß√ļcar e aditivos nocivos".

 

Parfait de tarte banoffee

 

Apesar do "r√≥tulo" paleo, gostei do livro, at√© porque a generalidade das receitas me parecem equilibradas e saud√°veis, podendo ser integradas numa rotina alimentar 'n√£o paleo' (ainda que, no meu caso, tencione substituir o √≥leo de coco, que aparece ami√ļde, pelo azeite).

 

S√£o receitas muito variadas, na sua maioria salgadas (tamb√©m n√£o imagino os homens do paleol√≠tico a deliciarem-se com bolos e doces ūü§™). H√° sugest√Ķes para pequenos-almo√ßos,¬† menus tem√°ticos incluindo refei√ß√Ķes vegetarianas e veganas, bebidas, muitas saladas e acompanhamentos. H√° receitas r√°pidas, outras reunidas por serem baratas (ainda que estes dois atributos sejam algo relativo) e ainda outras agrupadas na categoria dos "b√°sicos".

E h√° at√© um plano quinzenal de refei√ß√Ķes no final do livro, com sugest√Ķes para o pequeno-almo√ßo, almo√ßo, lanche e jantar.

 

Do que é que eu gostei mais? De haver muitas receitas com legumes e muita cor, em fotografias que nos deixam a babar.

 

Resumindo:¬† "Novas receitas paleo" √© um livro bonito (n√£o h√° d√ļvidas de que os australianos sabem fazer livros de cozinha - ver a minha cr√≠tica ao livro de Matt Preston neste post). As fotografias e o design gr√°fico s√£o cativantes, ainda que haja uma ou outra receita sem fotografia. √Č um livro que tem perfeitamente lugar numa cozinha que n√£o seja estritamente paleo. As receitas s√£o criativas e est√£o descritas com razo√°vel detalhe, incluindo doses, tempo e perfil nutricional. Alguns ingredientes s√£o pouco comuns (existe inclusivamente um gloss√°rio), mas parece-me f√°cil omiti-los ou substitu√≠-los por outros.¬†

 

Livro "Novas Receitas Paleo" de Irena Macri

Querem saber mais sobre o livro "Novas receitas paleo", de Irena Macri? Espreitem aqui, na Livraria Bertrand. 

Ah! E j√° me seguem no Instagram? Costumo mostrar o interior dos livros desta rubrica nas stories!

Parfait de tarte banoffee

PARFAITS DE TARTE BANOFFEE

(receita original: "Novas receitas paleo", de Irena Macri)

 

Para 4/6 copos, dependendo do tamanho

3 bananas médias

1/2 chávena de natas de coco (usei a parte sólida do leite de coco, depois de umas horas no frigorífico)

1/2 ch√°vena de coco seco em flocos

1/3 ch√°vena de avel√£s torradas picadas

1/2 ch√°vena de coco em lascas

1/3 chávena de amêndoa em palitos ou lascas

2/3 de ch√°vena de creme-caramelo (receita mais abaixo)*

1 ch√°vena de iogurte grego natural (ou iogurte vegetal)

4 colheres de sopa de pepitas de chocolate negro

 

Corte duas das bananas às rodelas, coloque-as num saco de congelação e leve-as ao congelador durante 30/45 minutos.

Numa frigideira antiaderente, toste a amêndoa e as lascas de coco (e a avelã se for caso disso). Reserve.

No processador ou robot de cozinha, triture as bananas semicongeladas com as natas de coco (não sei se existem natas de coco à venda cá ou se o equivalente é o creme de coco que já vi à venda; eu levei uma lata de coco ao frigorífico umas horas antes e, depois, usei a parte sólida que se formou na parte superior da lata), até obter um creme aveludado.

Corte a banana restante às rodelas (pode regar com sumo de limão para não oxidar)

Para montar os parfaits, comece por fazer, em cada copo, uma camada de frutos secos e coco tostado e uma camada generosa de creme de coco e banana; a seguir, disponha por camadas: creme-caramelo (ou leite condensado cozido, veja a minha nota mais abaixo), iogurte, frutos secos e coco, pepitas de chocolate, rodelas da banana. Termine com mais frutos secos e coco, pepitas de chocolate e mais um pouco de creme-caramelo ou leite condensado cozido.

Sirva de imediato.

 

CREME-CARAMELO

Para cerca de 250 g

3,5 colheres de sopa de ghee ou óleo de coco

1/3 de ch√°vena de mel

1,5 ch√°venas de leite de coco bem agitado

1 colher de sopa de essência de baunilha

Uma pitada de sal marinho

 

Aqueça o ghee ou óleo de coco com o mel num tacho pequeno, até começar a fervilhar.

Nessa altura, junte o leite de coco, aos poucos e mexendo sempre.

Adicione a baunilha e deixe levantar fervura.

Reduza para lume brando e deixe cozinhar durante cerca de 30 minutos, mexendo com frequência. Cozinhe mais 15 minutos no mínimo. Vá mexendo até verificar que começou a engrossar, o que deve acontecer nos minutos finais. O creme deve ficar grosso, mas "mole" - vai espessar ao arrefecer. Retire do lume e guarde num frasco hermético. Conservar no frigorífico até um mês (a autora diz que o creme pode ser reaquecido suavemente para voltar à consistência inicial. Eu tentei requecer uma parte, mas não correu bem: a gordura separou-se do resto e ficou inutilizável. Aconselho antes a que retirem o creme do frigorífico com tempo ou... ainda mais prático, saltem a parte de fazer o creme-caramelo e usem leite condensado cozido, como explico a seguir).

 

*Eu segui a receita à risca, fazendo, inclusivamente, o creme-caramelo de mel e coco, que me demorou mais do que uma hora a fazer; se não seguem uma dieta vegana, aconselho a substituírem o creme-caramelo por leite condensado cozido.

 

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07
Set19

O Lume Brando faz anos! [Um bolo e três livros para oferecer]

15¬ļ anivers√°rio do Lume Brando

Bolo de chocolate ruby com recheio de lemon curd e cobertura de mascarpone e natas

Livro Estava Tudo √ďtimo!

"Um blog. Tenho um blog, nem acredito. Achava que esta modernice n√£o tinha nada a ver comigo. E se calhar n√£o tem. Estive a pensar e cheguei √† conclus√£o que esta vontade s√ļbita de criar um blog √© uma esp√©cie de ‚Äúdesejo de gravidez‚ÄĚ. Como ainda nem sequer sei se √© um feij√£o ou uma ervilha, aquela coisa bonita que est√° a crescer na minha barriga, uma vozinha disse-me que o melhor era dar j√† √† luz qualquer coisa. E pronto: nasceu o lume brando, que √© como quem diz, um blog para ir cozinhando e digerindo sem grandes pressas."

 

O que acabaram de ler foi o meu primeiro post. O meu primeiro texto. Sem qualquer fotografia a acompanhar. Era o dia sete de setembro de 2004 e estava grávida pela primeira vez. Não sei muito bem por quê, mas nunca, ao longo destes 15 anos, celebrei o aniversário do blog. Ou porque quando me lembrava a data já tinha passado, ou porque, quando me lembrava a tempo, me dava uma certa preguiça e desvalorizava o facto.

 

Mas este ano apeteceu-me assinalar o momento. Quando dei início ao blog, não fazia ideia de que passado tanto tempo o projeto ainda estaria online. Na verdade, não tinha quaisquer expectativas, só queria ter um espaço onde pudesse escrever e falar sobre comida.

 

Quinze anos depois, a paix√£o pela culin√°ria¬†mant√©m-se e entretanto foi surgindo uma nova: pela fotografia de comida. Pelo meio, tive outro filho, conheci pessoas incr√≠veis com quem partilho o entusiasmo por estes temas, tornei-me redatora freelancer, provei ingredientes novos, nem tudo o que cozinhei saiu bem, fiz bolos decorados e cozinhei "para fora", escrevi e fotografei um livro de receitas, fui aluna de v√°rios workshops e dinamizei outros tantos, reuni uma consider√°vel cole√ß√£o de livros de cozinha, engordei alguns quilos ūü§™

Bolo de chocolate ruby com recheio de lemon curd e cobertura de mascarpone e natas

 

Apesar de quinze anos depois, o Lume Brando continuar a ser um projeto muito pessoal, a verdade √© que sem o feedback positivo de quem est√° do outro lado - voc√™s! -¬† hoje n√£o estaria aqui a celebrar o anivers√°rio do blog. Por isso, obrigada por cada visita, por cada um dos vossos coment√°rios aqui, por cada like e coment√°rio nas publica√ß√Ķes do Facebook e do Instagram, por cada mensagem a dizer que fizeram uma das minhas receitas e que gostaram, por cada dica partilhada, por cada palavra carinhosa e motivadora relativamente √†s minhas fotografias, ao longo desta d√©cada e meia.

O-B-R-I-G-A-D-A ūüíõ

 

E como n√£o h√° festa sem bolo (a receita segue mais abaixo) e sem presentes, estou a dinamizar dois passatempos: um na p√°gina do Lume Brando no Facebook e outro no Instagram, cujo pr√©mio em cada uma das plataformas √© um exemplar do meu livro "Estava tudo √≥timo!". √Č muito f√°cil participar e tentar ganhar! Mas enquanto fazia este post, resolvi oferecer um terceiro livro! Sabem a quem? √Ä primeira pessoa que aqui nos coment√°rios me disser o que est√° mal numa das imagens deste post ūüėČ [uma pista: a resposta n√£o √© um aspeto t√©cnico - n√£o √© a exposi√ß√£o exagerada ūüėÜ - mas sim uma, digamos, "incongru√™ncia"].

 

Uma vez mais, O-B-R-I-G-A-D-Aūüíõ por continuarem desse lado e terem tornado esta caminhada t√£o doce e colorida!

Bolo de chocolate ruby com recheio de lemon curd e cobertura de mascarpone e natas

Bolo de chocolate ruby com recheio de lemon curd e cobertura de mascarpone e natas

BOLO DE CHOCOLATE RUBY COM RECHEIO DE LEMON CURD E COBERTURA DE MASCARPONE E NATAS

[a partir da receita do bolo Yang do livro Estava tudo ótimo!]

 

4 ovos, separados

85 ml de azeite extravirgem suave

100 g de a√ß√ļcar branco

100 g de chocolate ruby picado (usei o novo da Pantagruel, mas também podem usar chocolate branco)

150 g de farinha sem fermento

1,5 colheres de chá de fermento em pó

1 colher de ch√° de extrato de baunilha

 

Para o recheio:

4 colheres de sopa de lemon curd (usei o que me tinha sobrado destas panacotas)

 

Para a calda:

3 colheres de sopa bem cheias de doce de pêssego

O mesmo peso em √°gua

 

Para a cobertura:

1 pacote de natas para bater bem frias

1 pacote de mascarpone bem frio

1 colher de sopa de a√ß√ļcar

1 colher de café de extrato de baunilha

Umas gotinhas de sumo de lim√£o

 

Ligue o forno nos 170¬ļ.

Unte muito bem uma forma alta de 14 cm de di√Ęmetro (ou duas mais baixas com este di√Ęmetro) e forre o fundo com papel vegetal, untando novamente.

Bata as gemas com o a√ß√ļcar, o azeite e a baunilha.

Junte o chocolate picado.

Bata as claras em castelo com uma pitada de sal e envolva no preparado anterior.

Por fim, junte aos poucos, sem mexer demasiado, a farinha e o fermento peneirados.

Verta para a(s) forma(s) e leve ao forno entre 30 a 45 minutos, dependendo das formas (se usar uma só, alta, vai demorar mais a cozer; fique atento e faça o teste do palito antes de retirar do forno, aquele deve sair limpo).

Passe uma faca de manteiga à volta da forma e desenforme sobre uma rede forrada com papel vegetal. Deixe arrefecer.

 

Entretanto faça a calda levando a ferver o doce de pêssego com a água. Coe e reserve.

Bata as natas e o mascarpone em chantilly com um pouco de a√ß√ļcar¬†(para mim uma colher de sopa √© mais do que suficiente) e o extrato de baunilha . Para ajudar a prender adicione a meio do processo umas gotinhas de lim√£o.

 

Para rechear e montar:

Corte o bolo em três (se fizer em duas formas, pode tentar partir cada bolo em dois e obter três camadas de recheio). Coloque a primeira camada no prato de servir, pique com um garfo e regue com um parte da calda. Recheie com o lemon curd.

Coloque a camada do meio e volte a picar/regar com a calda. Coloque uma camada de lemon curd e termine com a √ļltima camada de bolo, picando e regando.

Barre todo o bolo com uma primeira camada do chantilly de mascarpone. Leve ao frigorífico durante cerca de 25 minutos e volte a barrar, decorando ao seu gosto.

 

Nota: o ideal é fazer o bolo de véspera, fica melhor ;)

 

MAIS BOLOS DE FESTA? ESPREITEM AQUI:

Teresa Rebelo

foto do autor

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