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Lume Brando

11
Out18

Tarte de maçã escondida [ou a que sabe o outono?]

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Hoje choveu por aqui. Ontem fez bastante vento e já não consegui sair à rua sem casaco, ainda que continue de manga curta por baixo. Aos poucos, a meteorologia de outono vai ficando conforme os nossos livros da primária a pintavam, ainda que por períodos mais curtos ou intermitentes, com algumas situações atípicas pelo meio.

 

Eu, que em tempos gostei da ideia de ter uma família maior, confesso que às vezes fico aterrorizada em pensar no que a geração mais nova vai ter de enfrentar em termos de mudanças climáticas, e concluo que ter dois filhos a ter de lidar com isso é mais do que suficiente. E obviamente que penso que faço pouco para combater o problema.

 

Usar guardanapos de pano, levar um saco de casa para as compras (às vezes esqueço-me) ou evitar colocar os legumes e as frutas em sacos plásticos no supermercado (abacaxi, melão e curgetes, por exemplo, já não coloco em sacos, e por isso evito ir a hipermercados, para não ter de pesar as peças antes e colar-lhes uma etiqueta), não é muito para o estado em que as coisas estão e espero conseguir começar a contribuir com mais, ou melhor dizendo, com menos.

 

Mas falemos dos sabores do outono perfeito. Do outono que chega em tons castanhos e dourados e nos deixa a antecipar tardes no sofá, com o forno ligado. O meu outono perfeito sabe a castanhas assadas, a tangerinas (gosto das agrestes, ácidas), a dióspiros com canela, abóboras gratinadas e, claro, a tartes de maçã. Ou a várias coisas com maçã, desde crumbles a gelado de maçã assada, passando por bolos, tortas e até entradas originais. Mas há qualquer coisa de mágico nas tartes de maçã, não concordam? Fazem parte do meu imaginário de conforto, de comida caseira, de felicidade sonhada ao ler os livros de quadradinhos da Disney - quem se lembra das tartes da Vovó Donalda?

 

Esta versão que hoje trago é mais saudável que outras versões aqui do blog. Por quê? Porque leva menos massa e a massa é feita de farinha de aveia, farinha de espelta integral e azeite. No recheio não resisti a usar um pouco de manteiga, o que lhe dá aquele sabor irresistível. E leva um pouco de gengibre, para ajudar a combater e prevenir as constipações típicas desta época. Numa palavra: deliciosa.

 

E o vosso outono perfeito, a que sabe?

 

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TARTE DE MAÇÃ ESCONDIDA

6/8 fatias

 

Para a massa:

80 g de farinha de aveia

80 g de farinha de espelta integral

35 g de azeite extravirgem

70 g de água fria

1 pitada de sal

 

Para o recheio:

5 maçãs descascadas e partidas em cubinhos

1 colher de açúcar mascavado escuro

3 colheres de sopa de açúcar amarelo

Um fio de limão para regar as maçãs descascadas

Canela em pó qb

Um pedacinho de gengibre fresco ralado

50 g de manteiga

Ovo batido para pincelar

Açúcar em pó para finalizar (opcional)

 

Começar por fazer a massa: juntar todos os ingredientes numa taça e amassar formando uma bola. Achatar em forma de disco, envolver em película e levar ao frigorífico durante cerca de 1 hora.

Entretanto preparar o recheio: adicionar aos cubos de maçã, para além do fio de limão, o açúcar, a canela e o gengibre.

Levar ao lume com a manteiga e deixar cozinhar até a maçã amolecer, cerca de 25 minutos (vai depender da maçã que utilizar, os cubos devem ficar soft, mas não desfeitos).

Pré-aquecer o forno nos 170º.

Colocar o recheio num prato de ir ao forno (o meu tem 20 cm de diâmetro na parte mais larga).

Numa superfície enfarinhada, esticar a massa até ficar relativamente fina, cerca de dois milímetros de espessura.

Cobrir o prato com a massa (e com as sobras fazer decorações, se o desejar).

Pincelar com ovo e levar a cozer cerca de uma hora ou até a massa ficar firme ao toque.

É boa morna ou fria e, se forem muito gulosos, já sabem que uma bola de gelado faz-lhe uma ótima companhia.

 

Outras receitas deliciosas com Maçã:

 

Tarte de maçã Express

Rolo de maçã

Maçã assada com crumle de amêndoa

Gelado de Maçã com molho toffee

Tarte-bolo de maçã da minha mãe

03
Out18

Bolo invertido de figos [e um verão que parece não querer acabar]

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Este foi o verão em que fiquei mais bronzeada. Não porque tenha feito mais praia, mas porque foram muitos os dias em que andei ao sol, de top e calções. Não me lembro de uma férias, nem de um verão, em que não houvesse uns dias de chuva ou uns dias mais nublados. Mas em 2018 esses dias cinzentos não apareceram. E a verdade é que já viramos a página de outubro no calendário, e os dias continuam bonitos, quentes, como se vivéssemos um verão interminável.

 

Se, por um lado, este cenário é assustador, porque ligado às transformações meteorológicas a que o aquecimento global obriga, por outro não consigo deixar de pensar que este tempo é muito mais agradável do que aquele que o outono e o inverno rigorosos costumam trazer. É tão bom não ter de andar encasacada e de guarda-chuva atrás! Mas, por mais que me custe, mais tarde ou mais cedo a meteorologia vai ter de entrar nos eixos, o outono vai impôr-se sem meiguice, e os seus sinais não se vão ficar pela fruta e pelos legumes da época.

 

Enquanto esperamos, vamos celebrar este solzinho bom com um bolo invertido de figos, chocolate e vinho do Porto, combinado? 

 

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BOLO INVERTIDO DE FIGOS, CHOCOLATE E VINHO DO PORTO

(para um bolo pequeno - cerca de 8 fatias)

5 ou 6 figos médios
85 g de açúcar amarelo
45 ml de azeite extravirgem 
2 ovos
50 ml de vinho do Porto

90 g de farinha

1 colher de chá bem cheia de fermento em pó
80 g de pepitas de chocolate negro ou o equivalente em chocolate picado

Mel para pincelar

Pré-aqueça o forno nos 180º.
Unte uma forma redonda de 16 cm, forre o fundo com papel vegetal e unte também este.
Lave com cuidado os figos, seque-os e corte-os em fatias, descartando as pontas e as bases.
Forre o fundo da forma com as fatias de figo.
Numa taça, bata o açúcar com o azeite e junte os ovos.

Adicione o vinho do Porto e mexa bem.

Envolva a farinha e o fermento e, por último, junte o chocolate.
Verta na forma e leve ao forno cerca de 30 minutos ou até estar bem dourado e um palito sair seco do interior do bolo.
Deixe arrefecer um pouco e desenforme com cuidado para o prato de servir.
Retire o papel vegetal e deixe arrefecer completamente.

Aqueça um pouco de mel (para torná-lo mais líquido) e pincele o topo do bolo antes de servir.

 

Mais bolos invertidos com fruta:

Bolo de chocolate branco e framboesas

Bolo invertido de quivi e chocolate

Bolo invertido de ameixas

 

20
Set18

Bolo mármore de claras e matcha [e a importância do tempo na fotografia de comida]

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Finalmente experimentei o pó matcha num bolo. Andava curiosa, desde que comecei a ver, nos feeds de Instagram ou do Pinterest, muitas sobremesas com um verde intenso, bem como chávenas de capuccino, que em vez do castanho do café exibiam um verde cremoso. Uma tendência que não é de agora, eu é que ando sempre atrasada.

 

Para quem anda distraído, o matcha é uma variante em pó do chá verde japonês, de cor e sabor mais intensos e concentrados do que o chá verde tradicional. Isto deve-se ao facto de ter origem nas folhas jovens do chá, cultivadas com muito cuidado e protegidas da luz solar de forma a manter a sua cor vibrante, sinónimo de elevadas doses de clorofila e antioxidantes. Depois de secas, as folhas são moídas em moinhos de pedra e dão origem a este pó incrível e versátil: tanto podemos fazer chá ou colocar no leite, como usar para aromatizar e colorir uma montanha de receitas, de panquecas a tortas e bolos.

 

O seu sabor, no entanto, não é consensual. Neste bolo, não sobressai de uma maneira especialmente marcante, em todo o caso, pode substituir-se o matcha por cacau ou chocolate em pó, para um bolo mármore mais tradicional. O facto de ser feito com claras, para além de garantir um maior contraste, confere ao bolo uma textura muito macia e fofa.

 

Agora sobre as fotografias deste post. Estas devem ser as minhas fotos favoritas dos últimos meses. A câmara fotográfica é a mesma de sempre, a lente também, os props não são novos e já tinha fotografado neste canto da minha cozinha. Então, o que é que fez estas imagens ficarem tão bonitas e especiais (pelo menos para mim)? Foi o facto de ter tido tempo para me dedicar a elas.

 

Nessa manhã, tive todo o tempo do mundo para experimentar ângulos e enquadramentos, para colocar e tirar elementos da mesa, para empurrar o prato um pouco mais para a direita ou um pouco mais para a esquerda, para me encavalitar na ilha da cozinha, para polvilhar o bolo pela enésima vez, para testar aberturas e velocidades. E isso fez toda a diferença. Que venham mais dias assim!

 

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BOLO MÁRMORE DE CLARAS E MATCHA

 

6 claras de ovos L (preferencialmente caseiros, pois conferem maior humidade ao bolo)

60 ml de azeite extravirgem suave

70 g de açúcar

110 g de farinha sem fermento

1 colher de chá de fermento em pó

2 colheres de chá de pó de matcha

3 colheres de sopa de sumo de lima ou limão

Açúcar em pó e matcha para decorar

 

Ligue o forno nos 180º.

Unte muito bem com manteiga ou azeite uma forma de buraco (a minha é pequena, tem cerca de 16 cm de diâmetro na parte mais larga), e polvilhe com farinha.

Numa taça, bata o açúcar com o azeite e o sumo de lima ou limão.

Peneire a farinha e o fermento para outra taça.

Bata as claras em castelo com uma pitada de sal até ficarem bem firmes.

Junte, de forma intercalada, a mistura de farinha e fermento e as claras em castelo, à taça dos líquidos, envolvendo com suavidade.

Por fim, passe metade da massa para outra taça e junte-lhe o pó matcha, envolvendo bem.

Verta as massas alternadamente para a forma previamente untada, de maneira a criar o marmoreado.

Leve ao forno durante cerca de 30 minutos. Confira com o palito o estado da cozedura, antes de retirar o bolo do forno.

Retire do forno, deixe arrefecer alguns minutos e passe delicadamente uma colher de manteiga pelas laterais do bolo para que este descole mais facilmente. Desenforme sobre uma rede ou sobre o prato de servir e deixe arrefecer completamente. Antes de servir, polvilhe com açúcar em pó e com mais um pouco de matcha.

 

Nota: se preferir, troque o matcha por cacau ou chocolate em pó (2 colheres de sopa ou a gosto).

 

Mais receitas de bolos e sobremesas em forma de buraco:

Bolo de chocolate e grão de bico, sem manteiga nem farinha

Bolo de agrião

Bavaroise de chocolate e café

Bolo de chocolate e amêndoa

Bolo de citrinos e passas com glacé de limão

Bolo Anjo com cobertura de doce de ovos

Bolo invertido de ameixas

01
Set18

Pão de banana, amêndoa e abrunhos [Para uma rentrée perfeita]

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Não vinha cá há mais de um mês. Mas tinha saudades.

Trabalho, férias em família e, claro, as longas férias escolares dos rapazes, que alteram as rotinas e me afastam deste hobby que é ter um blogue de cozinha. Um hobby de que gosto muito, mas que às vezes me deixa desanimada, tal o nível de sofisticação a que esta atividade chegou, nomeadamente quanto ao ritmo e à qualidade de produção das publicações, a começar pelas redes sociais.

A fasquia está tão alta, que às vezes me pergunto se ainda faz sentido andar por aqui. Muitas vezes sonho que vou finalmente fazer um planeamento dos conteúdos e publicar mais, que finalmente me vou organizar para poder criar alguns vídeos - ainda que para tal precise da ajuda de alguém, que eu sou um zero na área - que vou tirar fotos mais bonitas, etc. e tal. Mas depois, uma série de circunstâncias se juntam à minha capacidade de procrastinação - nisso sou boa - e fico no ponto em que estava.

Mas se dantes, quando se passava muito tempo desde o último post, os sentimentos de culpa combinados com algum wishful thinking me levavam a prometer que ia ser mais regular, que ia cozinhar mais e fotografar melhor, que desta vez é que era, hoje vou ser mais comedida e realista.

Quem sabe não era essa pressão e essa exigência que impunha a mim própria (tenho várias receitas fotografadas que não viram a luz do dia, porque não gostei do resultado final das imagens), que acabava por me fazer desistir, muitas vezes ainda antes de começar?

Só sei que adoro cozinhar, fotografar e partilhar. E enquanto achar que há alguém desse lado que se revê e se identifica com aquilo que vou mostrando e enquanto retirar prazer daquilo que faço, irei continuar por aqui. Seja uma vez por semana, ou uma vez por mês. Que seja setembro a guiar-me neste recomeço. Com serenidade (ler 'sem grande stress dos mais novos no regresso às aulas') e coisas boas na mesa. Como este delicioso pão de banana, que leva ainda amêndoa e gomos de abrunhos como topping.

 

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PÃO DE BANANA, AMÊNDOA E ABRUNHOS

2 bananas maduras
3 ovos
60 g de azeite extravirgem
90 g de açúcar mascavado
130 g de farinha de trigo 55 sem fermento
70 g de farinha de amêndoa (ou 70 g miolo de amêndoa sem pele moído)
1 colher de sopa de fermento em pó
90 g de miolo de amêndoa com pele picado grosseiramente (pode tostar a amêndoa, para intensificar o sabor e a crocância)
2 abrunhos fatiados

Pré-aqueça o forno nos 180º.
Unte muito bem uma forma de bolo inglês com manteiga ou azeite e polvilhe com farinha (em alternativa use spray desmoldante).
Numa taça bata o açúcar com o azeite.
Junte os ovos e bata bem.

Junte as bananas entretanto desfeitas com um garfo e misture tudo muito bem.

Adicione as farinhas e o fermento, envolva bem sem bater.
Por fim, adicione e envolva a amêndoa picada.
Verta para a forma e disponha por cima da massa as fatias de abrunhos. Salpique com mais um pouco de açúcar e leve ao forno durante cerca de 45 minutos ou até um palito sair seco quando espetado no centro da massa.
Retire e deixe arrefecer antes de servir.
Embrulhado em papel de alumínio ou película aderente, dura vários dias. É húmido e delicioso!

Mais receitas de pão de banana:
Pão de banana, aveia e chocolate com topping crocante
Pão de banana com nozes, avelãs e chocolate
Pão de banana e frutos secos

 

01
Jun18

Mini-cheesecakes de cereja e framboesa [para celebrar o Dia da Criança]

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O Dia da Criança é celebrado em diferentes datas por todo o mundo. Gosto que em Portugal seja a 1 de junho porque o bom tempo costuma ser garantido (hoje, só para me deixar fica mal, a meteorologia já nos brindou com chuviscos e temperaturas pouco primaveris). Num dia de sol há mais possibilidades de oferecermos aos miúdos atividades ao ar livre e há uma atmosfera mais descontraída e brincalhona no ar.

 

Mas o Dia da Criança não é apenas um dia de brincadeira e pretexto para mimar os mais novos. É também uma data em que nos devemos lembrar que há milhões de crianças em todo o mundo que não vão poder celebrá-lo. Uma realidade que não é de agora e que levou à Declaração Universal dos Direitos das Crianças pela ONU, em novembro de 1959, mais tarde desenvolvida e aperfeiçada na Convenção sobre os Direitos das Crianças, assinada em 1989.

 

Os meus rapazes já são adolescente e pré-adolescente, mas espero que nunca abandonem algumas das melhores coisas de ser criança: a curiosidade, a capacidade de alimentar o sonho, a alegria genuína, a bondade, e até uma certa inocência, que ajuda a que o mundo pareça um lugar bem mais apetecível.

 

Apesar de não assinalarmos o Dia da Criança com pompa e circunstância - não lhes damos presentes, por exemplo - todos os anos costumo preparar uma receita diferente e partilhá-la aqui no blogue. Como esta semana me ofereceram uma caixa de deliciosas cerejas de Resende, desta vez foram elas o mote. Até porque são um dos frutos que mais associo à minha infância: quem não se lembra de brincar com as cerejas e pendurá-las nas orelhas a fazer de brincos? Eu adorava fazer isso. E a seguir comê-las, claro.

 

E depois as cerejas são tão fotogénicas, que deixam qualquer sobremesa irresistível. Estes cheesecake em versão mini, perfeitos para comer à colher, não são exceção. Vaidosos e gulosos, são uma ótima sobremesa para preparar este fim de semana. A pensar nos miúdos e não só...

 

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MINI-CHEESECAKES DE CEREJA E FRAMBOESA

Inspirados numa receita de Martha Stewart

 

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Para a base:

70 g de bolacha maria integral

30 g de manteiga derretida

 

Para o recheio

250 g de queijo creme

¾ de chávena de açúcar amarelo (ou a gosto, depende um pouco da acidez do queijo que usamos)

1 ovo L (usei um ovo caseiro e por isso ficaram tão amarelinhos ;)

1 colher de café de extrato de baunilha

1 pitada de sal

  

Para o coulis de cereja e framboesa:

70 g de cerejas descaroçadas e framboesas  (ou apenas um dos frutos)

1 colher de sobremesa rasa de açúcar amarelo (ou a gosto)

 

Pré-aqueça o forno nos 170º. Num robot de cozinha triture as bolachas e junte-lhes a manteiga derretida, formando uma espécie de areia fina húmida. Divida pelo fundo de 9 formas de papel colocadas num tabuleiro de queques – use o pilão de um almofariz para nivelar e comprimir esta base de bolacha.

Leve ao forno durante cerca de 5 minutos. Retire e deixe arrefecer.

Entretanto triture os frutos vermelhos e passe-os através de um coador fino, para obter um molho suave e homogéneo - talvez precise, a meio do processo, de empurrar o que fica agarrado na parede do copo e voltar a triturar. Junte a este coulis 1 colher de sobremesa de açúcar amarelo (ou a gosto). Reserve.

Com a ajuda de uma batedeira, misture o queijo creme com o açúcar e a pitada de sal. Junte a baunilha e o ovo e bata um pouco até estar homogéneo.

Distribua a mistura do queijo creme pelas formas de papel onde já colocou a base de bolacha. Com uma colher de café, verta algumas gotas do coulis de cereja e framboesa na superfície dos cheesecakes e, com a ponta de um palito, desenhe algumas espirais irregulares. Pode ser que não use o coulis todo, mas menos quantidade de fruta é difícil de triturar no robot).

Coloque o tabuleiro dos queques num tabuleiro de forno e encha o tabuleiro com água a ferver até cerca de metade da altura dos cheesecakes (eu prefiro encher o tabuleiro já no forno). Leve ao forno durante cerca de 30 minutos, rodando com cuidado os tabuleiros a meio da cozedura.

Retire do forno e com cuidado retire o tabuleiro de queques do tabuleiro com a água. Deixe arrefecer os cheesecake na forma sobre uma rede. Leve ao frio durante cerca de 4 horas antes de servir (a textura é muito suave e ainda que se possam comer à mão, retirando o papel, recomendo servir com uma colher.

 

Mais receitas giras para o Dia da Criança

24
Mai18

Bolo de banana, caramelo e chocolate [e a magia dos bolos bonitos]

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Há muito que não fazia um bolo alto, bonito, guloso. Normalmente faço-os para os aniversários da família, mas, ultimamente, ou não temos celebrado em casa ou outras pessoas têm ficado responsáveis pelo bolo da festa.

 

Já tinha saudades. Um bolo tem sempre algo de mágico. Símbolo de celebração, de gratidão, de mimo ou indulgência. E de desafio também. Há sobremesas vistosas, tentadoras e rebuscadas, mas o resultado final nunca me inquieta tanto como num bolo.

 

Fazer um bolo implica sempre um sentimento misto de excitação e ansiedade: será que untei bem a forma? Será que vai cozer por todo? E se fica seco? Será que vai desenformar bem e ficar perfeitinho? Depois vem a fase da escolha do prato, da decoração e dos detalhes, por mais simples que sejam. E apesar desta vez não haver nenhuma razão especial para fazer um bolo, ninguém a quem surpreender, soube-me bem olhar para o resultado final e ver que ficou tal como o tinha imaginado. Um orgulhinho bom, ainda que um pouco pateta: na verdade, é só um bolo!

 

Um bolo que comecei a magicar quando dei conta de que as bananas da fruteira estavam a ficar muito maduras (um dos sinais empíricos mais certeiros de que os dias estão mais quentes é as bananas amadurecerem a uma velocidade supersónica). Depois comecei a pensar nos sabores que tradicionalmente combinam com este fruto, como o chocolate, o caramelo, o coco... 

 

Para a massa peguei numa receita de cupcakes de caramelo do meu livro e decidi introduzir-lhe vários updates: a adição da banana e do chocolate negro, azeite em vez de manteiga, açúcar de coco em vez de açúcar normal... o recheio e a cobertura é uma mistura de mascarpone e crème fraîche adoçada apenas com o caramelo que sobrou de caramelizar as bananas, mas já explico tudo na receita.

 

Como quase todos os bolos - se não mesmo todos - este também fica melhor no dia seguinte, por isso façam-no e decorem-no de véspera, guardando-no frigorífico. Gostei tanto do aspeto final do bolo, entre o rústico e o sofisticado, que me custou imenso parti-lo. Mas valeu a pena espetar-lhe a faca: sei que sou suspeita, mas... ficou delicioso!

 

 

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BOLO DE BANANA, CARAMELO E CHOCOLATE COM RECHEIO DE MASCARPONE E BANANA CARAMELIZADA

 

Para a massa:

3 ovos caseiros

120 g de azeite extravirgem suave

1 banana madura esmagada

100 g de açúcar de coco

135 g de farinha sem fermento

1,5 colheres de chá de fermento em pó

50 g de chocolate negro picado grosseiramente

110 de açúcar de coco + água qb + 90 ml de leite morno (usei magro) - para fazer o molho de caramelo

 

Para o recheio e cobertura:

4 bananas maduras

1 fio de sumo de limão

1 colher de sobremesa de óleo de coco

2 colheres de sopa de açúcar de coco

1 ou 2 colheres de sopa de água

1 embalagem de mascarpone bem frio (250 g)

1 embalagem de crème fraîche ou natas p/ bater bem frias (200 g)

Lascas e raspas de chocolate e lascas de coco para decorar

 

Comece por preparar o caramelo para a massa dos bolos: leve o açúcar ao lume, junte um pouco de água, só para cobrir e ajudar a dissolver, e deixe caramelizar - o ideal é fazer isto num tachinho com tampa e deixar caramelizar tapado para manter a humidade; vá destapando e vigiando, sem mexer. Quando estiver a borbulhar e bem dourado, com cherinho a caramelo, retire do lume e junte com cuidado o leite morno, mexendo com um batedor de varas (vai borbulhar bastante, o tacho não deve ser muito baixo, para não se queimar).

 

Entretanto ligue o forno nos 180º e unte muito bem três formas de bolo redondas com 14 cm de diâmetro, forrando os fundos com papel vegetal e voltando a untar e a polvilhar com farinha (em alternativa, pode usar spray desmoldante).

 

Numa taça grande, bata o azeite com o açúcar e a banana esmagada. Junte os ovos, mexa bem e adicione a mistura de leite e caramelo. Envolva a farinha peneirada e o fermento. Por último, envolva o chocolate picado.

 

Divida pelas três formas e leve a cozer durante cerca de 30 minutos - vá vigiando e faça o teste do palito, para saber se estão cozidos. Passe uma faca pelas laterais das formas para soltar os bolos e desenforme sobre uma rede forrada com papel vegetal.

 

Para caramelizar as bananas, corte-as em rodelas e regue-as com um fio de limão para não oxidarem. Numa frigideira grande antiaderente, coloque o óleo de coco, o açúcar e um pouco de água, deixe derreter e caramelizar um pouco. Junte as rodelas de banana e deixe-as caramelizar, virando-as a meio do processo - a ideia é manterem-se inteiras. Retire as rodelas com cuidado, com um escorredor, para um prato forrado com papel vegetal e aproveite o líquido/caramelo que ficou na frigideira - deve obter cerca de 2 colheres de sopa bem cheias de caramelo líquido. Deixe arrefecer.

 

Para fazer as lascas de chocolate, derreta 30 g de chocolate negro em banho-maria e espalhe-o sobre papel vegetal, alisando com uma espátula. Leve ao frigorífico até endurecer.

 

Entretanto, bata o mascarpone com o crème fraîche ou as natas (que devem ter várias horas de frigorífico) num chantilly firme, sem açúcar. Quase no final, junte o caramelo que sobrou de caramelizar as bananas e volte a bater até estar bem ligado.

 

Para montar e decorar o bolo: coloque um dos bolos no prato de servir e espalhe uma boa camada do creme de mascarpone. Espalhe algumas rodelas de banana e coloque outro bolo em cima. Repita com uma camada de creme de mascarpone e outra de rodelas de banana. Coloque em cima o último bolo, faça uma camada generosa e relativamente uniforme com o creme de mascarpone e decore com mais algumas rodelas de banana, lascas de chocolate (parta o chocolate entretanto endurecido de forma irregular em pequenos estilhaços) e lascas de coco torrado.

 

Termine com raspas de chocolate feitas na hora (se não for para servir logo, pode deixar a decoração do topo para pouco tempo antes de servir - as raspas, sobretudo, faça-as e espalhe-as apenas antes de servir, para não serem absorvidas pelo creme).

 

Mais bolos de festa:

Bolo de Oreo

Bolo tipo Floresta Negra

Bolo de chocolate branco e framboesa

Bolo de chocolate decorado com fingers e smarties

Bolo de chocolate e grão-de-bico (sem farinha nem manteiga)

Bolo de iogurte, lima e limão

 

 

03
Mai18

Bolo de amêndoa [ou uma homenagem aos sabores mediterrânicos]

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Uma das coisas de que mais gosto de fazer - se calhar até mais do que cozinhar - é folhear e ler livros e revistas de cozinha. Se possível com tempo, com calma, enquanto tomo o pequeno-almoço ou tomo um café a seguir ao almoço.

 

Foi o que aconteceu no passado feriado de 1 de maio. Um dos livros em que peguei nesse dia foi um presente que recebi no último Natal, a que ainda não tinha dado a devida atenção. Falo do Nigellissima, da voluptuosa Nigella Lawson, dedicado a receitas inspiradas na gastronomia italiana, da qual Nigella é fã (já somos duas).

 

Foram várias as receitas que me ficaram debaixo de olho e este bolo - que mais parece uma tarte - só foi a primeira, porque tinha claras no frigorífico a precisar de serem usadas. Confesso que quando a provei fiquei um pouco desiludida. Algo na textura não me deixava rendida. Mas todas as outras pessoas que a comeram - e foram várias - disseram que era "deliciosa" e "viciante", por isso o problema era eu e não a tarte.

 

Na verdade, no dia seguinte comi outra fatia e já me agradou muito mais (estou em crer que quase todos os bolos e sobremesas ficam melhor no dia seguinte).

 

O bom deste bolo, para além de ser saboroso e bonito, é que é um doce relativamente saudável: a gordura é azeite, só leva farinha de amêndoa e não leva gemas, apenas claras. Claro que temos o açúcar, que usei amarelo (a receita original pede açúcar em pó), mas quem for mais radical poderá experimentar com outros adoçantes mais interessantes do ponto de vista nutritivo.

 

Ah! A Nigella usa laranja para aromatizar a tarte, mas eu preferi o limão, por adorar limão e achar que lhe dá um toque ainda mais mediterrânico. Também cortei um pouco ao açúcar...

 

Bom fim de semana!

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BOLO DE AMÊNDOA, AZEITE E LIMÃO

Adaptado do livro Nigellissima, de Nigella Lawson

 

8 claras

120 g de açúcar amarelo

Raspa de 1 limão

120 ml de azeite extravirgem suave

150 g de amêndoas moídas

1 colher de chá de fermento em pó

75 g de amêndoas laminadas

Açúcar em pó e canela em pó para polvilhar

 

Pré-aqueça o forno nos 180º.

Unte uma forma de fundo amovível com manteiga ou com azeite e polvilhe com farinha (ou com farinha de amêndoa/amêndoas moídas).

Bata as claras em castelo e quando começarem a ficar firmes junte o açúcar aos poucos, continuando a bater até obter uma mistura espessa e brilhante.

Junte a raspa de limão e de seguida vá intercalando a adição do azeite e da farinha de amêndoa/amêndoas moídas.

Verta para a forma e espalhe por cima as amêndoas laminadas.

Leve a cozer durante cerca de 35 minutos - vá vigiando, o palito deve sair seco ou apenas com algumas migalhas grossas agarradas.

Retire do forno e deixe arrefecer sobre uma rede.

Retire o aro e polvilhe com uma mistura a gosto de açúcar em pó e canela. Está pronta a servir.

 

 Mais receitas com amêndoa:

01
Mar18

O coração da casa [e uma receita de pão de banana e chocolate]

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Há alguns anos, quando estávamos a vender a nossa primeira casa e à procura desta, um dos vendedores imobiliários com quem falámos disse-nos que a divisão que mais peso tinha na decisão dos compradores era a cozinha. Não sei se será mesmo assim, mas o certo é que este é um espaço com um papel central na nossa vida diária e onde passamos muito do nosso tempo, por muito pouco que gostemos ou possamos cozinhar.

 

No caso desta casa, a cozinha original não era nada de especial, mas tinha uma grande qualidade: a dimensão. Era uma cozinha grande, à semelhança de todas as divisões da casa, aliás, foram as áreas dos espaços e a localização central que nos levaram a escolher este apartamento. Uma cozinha ampla, para alguém que gosta de cozinhar e que coleciona loiça, tachos, e gadgets culinários diversos, faz toda a diferença.

 

Acontece que, de facto, a cozinha não era nada de especial. Não nos identificávamos com o chão, nem com a bancada, nem com os azulejos (que pintámos de branco logo no início), nem com os armários da cor da madeira que se deterioraram com alguma rapidez. Isto, a somar à fraca qualidade do verniz do soalho da casa, que na sala ficou num estado lastimoso em três tempos, fez com que aos poucos fôssemos pensando numa remodelação.

 

Começámos a pensar nisso a sério em 2016, com a ajuda de um arquiteto. As obras começaram em 2017 e, como contei aqui, só este fevereiro é que ficaram prontas, após cinco meses a viver noutra casa. Desde sempre que a nossa ideia passava por unificar de alguma maneira a sala e a cozinha, porque como gosto muito de cozinhar e de receber, sentia que quando tinha convidados em casa, a parede entre a sala e a cozinha prejudicava o convívio.

 

Não queríamos propriamente um open space - até porque havia pilares que não permitiam essa solução, mas depois de muitas horas de Pinterest, o conceito da parede envidraçada deixou-nos completamente apaixonados e foi a partir daqui que o arquiteto trabalhou e desenhou todos os elementos, desde as novas portas aos armários que fizemos na sala. E como queríamos mais luz - o corredor da entrada era forrado a madeira na sua cor natural (como as portas e os roupeiros de toda a casa) e acabava por tornar o ambiente um pouco escuro - quisemos que o branco passasse a ser a cor dominante.

 

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Dizem que no fim de umas obras já se fazia tudo diferente, mas estranhamente (ainda) não sinto isso. Estou muito contente com o resultado, apesar de ainda ser necessário retificar alguns 'pormaiores' na pintura e ainda que faltem alguns detalhes de decoração, tanto na cozinha como na sala.

 

Agora tenho uma bancada de trabalho gigante - uma península, encostada ao painel envidraçado que separa a cozinha da sala - perfeita para esticar massa de pizza e para espalhar toda a parafernália que bolos e sobremesas mais sofisticados exijam. Mas ainda não é uma receita dessas, rebuscadas, que vos trago! Hoje é um apenas um simples pão de banana e chocolate, numa versão um pouco diferente das que já tinha aqui no blogue, e cujos links coloco no final do post.

 

Parte da farinha é de aveia, a gordura que leva é azeite e tem um topping crocante de chocolate e nozes. Uma delícia que distribuí por quatro formas pequenas, em vez de uma forma grande. Embrulhado em celofane e com um laçarote catita, é uma ótima opção para uma presente caseiro.

 

Deixo-vos com a receita, enquanto vou ali roubar uma fatia deste pão de banana e chocolate e derreto-me, uma vez mais, com a minha cozinha nova ❤️

 

Ah, para os mais curiosos: a cozinha é da empresa J.Dias (o tampo das bancadas é em Dekton, um material muito resistente ao calor, às manchas e aos riscos). O mosaico do chão é da Kerion e os azulejos são Primus vitória. Os eletrodomésticos são Siemens, todos da cozinha anterior: têm 12 anos e continuam impecáveis.

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PÃO DE BANANA E CHOCOLATE COM TOPPING CROCANTE

Para 1 bolo grande ou 4 bolos mais pequenos

 

1 chávena de farinha de trigo sem fermento

1 chávena de farinha de aveia integral (moí flocos de aveia integral na Bimby)

1/4 de chávena de açúcar amarelo

1 colher de chá de fermento em pó

1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio

1 pitada de sal

70 g de chocolate negro

2 ovos L

2 bananas bem maduras

1/2 chávena de leite magro

1/4 de chávena de azeite

 

Para o topping crocante:

Uma mão cheia de nozes picadas

1/4 de chávena de açúcar amarelo

1 colher de sopa bem cheia de manteiga derretida

2 colheres de sopa de farinha ou flocos de aveia

30 g de chocolate negro

 

Ligue o forno nos 180º. Unte uma forma grande de bolo inglês ou quatro mais pequenas - se usar formas de cartão descartáveis não precisa de untar. As minhas tinham 19 cm de comprimento por 7 cm de largura.

Comece por preparar o topo crocante (o famoso streusel, para os anglo-americanos), misturando numa taça todos os ingredientes com os dedos, menos o chocolate, até obter uma espécie de areia. Pique 100 g de chocolate e junte a esta mistura cerca de 30 g, reservando o restante para a massa.

Noutra taça, desfaça as bananas e junte os restantes ingredientes líquidos. Noutra, junte todos os ingredientes  secos, à exceção do chocolate. Misture os secos, com cuidado, na mistura líquida e, por fim, envolva o restante chocolate picado.

Distribua pela(s) forma(s) e espalhe por cima o streusel. Leve a cozer entre cerca de 25 minutos (formas pequenas) e 45 minutos (forma grande). Vá espreitando e faça o teste do palito para se certificar de que está cozido.

 

Outros posts com receitas de banana bread:

21
Fev18

Home sweet home [e uma receita de cheesecake banoffee]

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Já me tinham avisado. Fazer obras pode ser um teste à tua sanidade mental. À tua resistência psicológica. À tua capacidade de relativizar as contrariedades.

 

A remodelação de parte do nosso apartamento obrigava-nos a sair de casa. Hall de entrada, sala, cozinha, lavandaria. Partes de parede para deixar abaixo, revestimentos de madeira para alterar, portas para substituir, armários para embutir, soalho para renovar. Cozinha nova do chão ao teto. Era impossível ficar em casa. Coisa para demorar dois meses, no máximo três. Palavra de empreiteiro.

 

Saímos no dia 6 de setembro, após esvaziarmos meia casa e enchermos os quartos de caixas e eletrodomésticos. Regressámos dia 11 de fevereiro.

Cinco meses depois.

Após várias datas adiadas.

Ainda com detalhes de pintura e carpintaria por terminar.

Com vários episódios caricatos pelo meio. Típico deste meio, dizem.

 

Tivemos a sorte de um irmão meu estar a viver perto de nós. Foi a solução mais prática. Apesar do espaço reduzido que iríamos ter e de outras limitações, os miúdos não precisavam de alterar (muito) as suas rotinas. E eu podia continuar a trabalhar a partir de minha casa, no escritório, apesar do pó.

 

Ao longo destes cinco meses houve altos e baixos. Alturas em que estava confiante de que as obras estavam a correr bem e a avançar e semanas em que não via uma única alteração e a única coisa que me apetecia fazer era bater com a cabeça na parede, depois de exaltadas discussões com o empreiteiro. Não passar o Natal em casa foi um momento crítico. Ver os miúdos começarem o segundo período sem as condições ideais de estudo e brincadeira foi complicado. Sobretudo para eles, que têm sido uns heróis. Uns bravos.

 

Até meados de dezembro ainda fui publicando no blogue. Mas a vontade foi diminuindo, fui desanimando. No final do ano decidi que só voltava a postar quando regressasse a casa. Quando tivesse de novo os meus tachos, as minhas loiças, o meu espaço. Sempre a pensar que seria em janeiro, mas os dias iam passando e havia sempre ‘encrencas’, para usar uma expressão do meu pai.

 

Nestes últimos meses dei por mim a pensar nas pessoas que deixam de ter casa – não temporariamente, não por vontade própria e por bons motivos, como eu – mas devido a catástrofes naturais ou a outras circunstâncias infelizes. Imagino o sofrimento que é. Lembrar-me dessas situações foi uma maneira de relativizar as pequenas chatices que estar fora de casa tanto tempo me trouxe.

 

A nossa casa, o nosso espaço, as nossas pequenas coisas: é incrível como esta é uma componente fundamental para o nosso equilíbrio. É algo que damos como adquirido e a sua falta deixa-nos desorientados. A sensação de que a nossa vida fica de alguma forma em suspenso. Não é bom.

 

Apesar deste desabafo, quero dizer-vos que, depois desta saga, e apesar dos percalços, estou muito feliz com a remodelação que fizemos. Com a nossa entrada, sala e cozinha novas. E por falar na cozinha, devo dizer que não tenho nada a apontar ao fabricante de cozinhas que escolhemos. A cozinha, no que respeita a armários e bancadas, foi feita por outra empresa, escolhida e encomendada diretamente por nós e não pelo empreiteiro. Cumpriram tudo e só não montaram a cozinha mais cedo porque o resto das obras estava atrasado. Pronto, reconheço: nem tudo correu mal. Só ainda não vos posso mostrá-la, porque houve uns percalços com os eletrodomésticos e as portas dos armários ainda não estão todas montadas.

 

Agora, com a cabeça ainda a digerir todo o processo das obras e da mudança - que deu uma trabalheira gigantesca - há que aproveitar ao máximo esta luz, este ambiente que tanto idealizámos. Uma atmosfera inspiradora para a nossa família e que espero de alguma forma conseguir transmitir-vos nos próximos posts. Prometo que vou tentar publicar receitas de forma mais regular e que vos vou mostrando alguns apontamentos da nova decoração.

 

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Para assinalar este regresso, partilho uma receita de cheesecake de Jamie Oliver, que vem no seu livro Five Ingredients, prenda de natal de uma prima querida. A primeira receita preparada na cozinha nova. A primeira receita fotografada na “casa nova”.

 

Achei o ponto de partida para este cheesecake gelado genial: a tarte banoffee. E de sabor, está mais do que aprovada, no entanto fico com dúvidas sobre a sua textura, pois é muito difícil fazer com que todo o cheesecake 'descongele' de forma uniforme. Ou seja, quando as laterais começam a derreter, o interior ainda está sólido, notando-se alguns cristais de gelo. Talvez experimente um dia destes uma versão com gelatina e sem ir ao congelador. O seu sabor delicioso merece essa oportunidade.

 

Quanto à decoração de chocolate, eu bem tentei fazer lascas grandes e bonitas como se vê neste vídeo, mas não consegui, por isso, derreti o chocolate, espalhei-o sobre papel vegetal numa camada relativamente fina e levei ao frigorífico para endurecer. Depois, parti-o grosseiramente, espalhei-o pelo cheesecake e polvilhei com cacau em pó (e fiquei com vontade de decorar um bolo com estes pequenos estilhaços de chocolate!)

 

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CHEESECAKE BANOFFEE GELADO

Ligeiramente adaptado do livro ‘Five Ingredients’, de Jamie Oliver

 

150 g de chocolate negro

300 g de bolachas de aveia

7 bananas maduras

225 g de leite condensado cozido

500 g de queijo-creme light

Azeite extravirgem qb*

Cacau em pó para polvilhar*

 

Derreta 50 g do chocolate em banho-maria. Pique muito grosseiramente as bolachas num robot de cozinha com duas colheres de sopa de azeite. Adicione o chocolate derretido e pique mais uma vez. Forre o fundo de uma forma de fundo amovível com esta mistura, pressionando bem com os dedos.

Descasque as bananas e coloque-as juntamente com o leite condensado cozido e o queijo-creme no robot de cozinha. Triture tudo até obter um creme macio e homogéneo. Verta sobre a forma, alise e leve ao congelador.

Passe a forma para o frigorífico umas duas horas antes de servir, ou deixe-a à temperatura ambiente para um processo mais rápido.

Derreta o restante chocolate em banho-maria e verta-o sobre papel vegetal, espalhando e alisando com uma espátula até obter uma camada de chocolate uniforme. Leve ao frigorífico para endurecer.

Desenforme o cheesecake para o prato de servir. Parta o chocolate endurecido em pedaços irregulares e espalhe-os por cima do cheesecake. Termine com cacau em pó.

 

*Neste livro, o azeite é considerado um ingrediente básico, pelo que não entra para a soma dos "5 ingredientes". Já o cacau, foi um acrescento meu.

 

Mais receitas com chocolate:

11
Dez17

Sugestão de presente caseiro para o Natal [Alperces com chocolate negro]

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Parece-me incrível que faltem apenas duas semanas para o Natal. Normalmente, começo a entrar no espírito da quadra de cada ano fazendo muitos planos: de decoração, de receitas para as festas de família, de presentes comestíveis. Mas depois, os dias começam a atropelar-se e nunca consigo fazer tudo o que tinha idealizado.

 

Este ano, com o atraso das obras que estamos a fazer no nosso apartamento – era suposto já estarem prontas, mas ainda nem sequer sei se poderei acordar no dia de Natal em casa, o que me tem deixado os nervos em franja - os planos ficaram ainda mais em suspenso.

 

Estando a viver em casa de um dos meus irmãos, tenho uma cozinha à minha disposição, mas fazem-me falta as minhas coisas, o meu forno, as minhas formas, os meus utensílios. Digamos que trouxe comigo um kit de sobrevivência, mas estou limitada a receitas mais simples, sobretudo no que toca a bolos e sobremesas.

 

Fazer bolachas, por exemplo, não é muito prático, pois não tenho uma grande área de trabalho. Pelo que andei a pensar numa lembrança de Natal que não exigisse grande “produção”, mas que fosse deliciosa. E aqui está ela: alperces secos banhados em chocolate negro.

 

Aviso já de que são altamente viciantes, por isso sugiro que façam uma dose bem generosa, para poderem ficar com alguns. Pensando bem, nem é preciso o pretexto do Natal e dos presentes para experimentar esta coisa boa: estes alperces com chocolate funcionam na perfeição como um snack ou como um pequeno mimo para acompanhar o café. Yummy!

 

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ALPERCES SECOS COM CHOCOLATE NEGRO

Para 50

 

50 alperces secos – cerca de 400 g

160 g de chocolate negro

 

Forre um tabuleiro com papel vegetal. Leve a derreter o chocolate em banho-maria.

Mergulhe metade de cada alperce no chocolate e coloque a secar sobre o papel vegetal. Repita com os restantes alperces. Deixe secar bem o chocolate antes de guardá-los em frascos ou sacos de celofane.

 

Teresa Rebelo

foto do autor

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