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Lume Brando

08
Nov19

Croquetes do Barroso [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #16]

Croquetes do Barroso

Croquetes do Barroso

 

O livro que vos trago hoje foi um dos primeiros que escolhi para esta rubrica. Mas quando me vi com ele nas mãos, quando o folheei e lhe senti o pulso, vi que precisava de tempo para falar dele.

 

Esta rubrica existe porque adoro livros de cozinha, mas também porque gosto de me obrigar a experimentar receitas novas [e porque a Bertrand aderiu a esta ideia 💛].

 

Quando temos de cozinhar todos os dias para alimentar a família, é muito fácil cairmos na repetição, nas receitas que já sabemos que os miúdos gostam, naquelas que já lhes conhecemos as manhas, as versões e os atalhos.

 

O "Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes" só faz sentido se for mais do que uma apresentação ou crítica ao livro. Para mim, falar do livro é importante, até porque sei que muitos de vós partilham comigo esta paixão pelos livros de culinária, mas a receita é o ponto alto do post.

 

É através da replicação da receita que melhor percebo o estilo do autor, muitas vezes usando pela primeira vez determinados ingredientes. E sei que quem vem aqui, também vem pelas receitas, nem que seja para servirem de inspiração e ponto de partida. E, claro, é uma forma de ir diversificando os menus cá de casa, levando a família nesta saborosa viagem de descoberta.

 

Croquetes do Barroso

 

Neste livro, que é acima de tudo um inventário do fumeiro português, encontramos as receitas dos próprios enchidos e produtos de fumeiro [uma empreitada que não é para mim], mas também algumas receitas de autor, que recorrem a produtos de charcutaria genuínos, artesanais, de elevada qualidade. Decidi que não poderia testar nenhuma dessas receitas com produtos correntes, de supermercado. Seria uma heresia, perante o incrível trabalho de recolha do Chef Nuno Diniz.

 

Mas no livro, obrigatório para quem aprecia e tem orgulho na nossa gastronomia, o autor diz-nos onde podemos encontrar os produtos. Por isso, depois de escolher a receita [d-e-l-i-c-i-o-s-o-s 'Croquetes do Barroso' de que falo mais abaixo] contactei o produtor que me poderia fornecer a Farinhota e a Sangueira necessárias. E descobri que enviavam os produtos por correio [não é maravilhoso?]. Mas não podia ser naquela altura, tinha de esperar pelo tempo mais frio, pois só então poderiam confecionar os enchidos. Tinha de esperar pelas condições favoráveis aos ventos e aos fumos de que este livro trata, magistralmente.

 

Por isso, só agora, ao 16º post, é que entra no palco do #Dizmeoquelês o livro "Entre ventos e fumos", do Chef Nuno Diniz, professor da Escola Superior de Hotelaria e Turismo de Lisboa, consultor de diversos projetos gastronómicos, jurado de concursos televisivos e com um vasto curriculum na liderança de cozinhas de restaurantes, como o da York House, o Tágide ou o Volver. 

 

Croquetes do Barroso

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #16

"Entre ventos e fumos - Fumeiros e Enchidos de Portugal" - Nuno Diniz - Bertrand Editora

 

Não é fácil arranjar palavras para começar a falar deste livro. Confesso que fiquei emocionada depois de folheá-lo e lê-lo de uma ponta à outra. O livro resultou de um apurado e longo trabalho de pesquisa por parte do Chef Nuno Diniz, que quis inventariar o excecional património gastronómico português no que diz respeito aos enchidos e produtos de fumeiro.

 

Nuno Diniz viajou por Portugal inteiro, incluindo as ilhas, ao longo de catorze anos. Aprendeu com as pessoas das aldeias, assistiu aos processos tradicionais [incluindo a matança do porco, onde não há parte do animal que não seja aproveitada], assimilou as diferenças regionais, tomou notas e notas. Fez (e faz) uso dos melhores produtos em receitas e refeições memoráveis, como os seus famosos cozidos. E, felizmente, aceitou partilhar todo esse saber connosco.

 

Depois dos textos introdutórios, os capítulos vão abordando as diferentes regiões, listando os respetivos produtos e, sobre cada um deles, indicando os ingredientes, o modo de confeção e identificando quem os produz e comercializa:

  • Minho, Trás-os-Montes e Alto Douro
  • Entre o Douro e o Tejo
  • Ribatejo e Estremadura
  • O Sul e as Ilhas  - Alentejo/Algarve/Açores e Madeira

 

[Dentro dos capítulos, o Chef Nuno Diniz descreve ainda os seus três cozidos épicos, que organiza anualmente e que começam a ser preparados com dias de antecedência]

 

Aqui ficamos a saber o que são os Azedos, o Lombo Enguitado, a Peituga, a Moma, a Cupita e a Paiola. O Palaio e o Mangote. O Chabiano e o Plangaio. A Paiola e Painho. A Butifarra. A Sangueira e a Farinhota. E a lista de especialidades poderia continuar. E claro, aqui há também lugar para os produtos mais conhecidos como o chouriço e a chouriça, o salpicão, a alheira, a morcela, a farinheira e o presunto. São mais de 100 os produtos listados e descritos.

 

Croquetes do Barroso

 

Antes do capítulo final, com o sugestivo título "Um epílogo, a fechar, sem conclusões...", surgem "Os pratos do fumo e da névoa", onde estão descritas 40 receitas de autor. Algumas pareceram-me demasiado complexas [ainda que intrigantes e apetecíveis] para as minhas competências amadoras, por isso, escolhi para brilharem neste post os "Croquetes do Barroso", cuja receita não me assustou e que podem encontrar mais abaixo.

 

Resumindo: Este não é um livro de receitas, ainda que as tenha. É, acima de tudo, um livro sobre a nossa gastronomia tradicional e regional, um verdadeiro repositório de informação e conhecimento sobre a arte do fumeiro em Portugal. Uma verdadeira bíblia, merecedor de lugar de honra, ao lado de livros como o "Cozinha Tradicional Portuguesa", da Maria de Lourdes Modesto. Um contributo valioso para a preservação dos saberes associados a esta componente tão especial e única da nossa cozinha, que são os enchidos e os produtos de fumeiro. As fotografias do livro - há imagens para grande parte dos produtos - são da autoria de Marta Teixeira e são tão bonitas quanto simples, com uma luz fabulosa, a fazer brilhar os protagonistas.

 

Para saber mais sobre o livro "Entre ventos e fumos" >>> Livraria Bertrand

 

Entrevistas onde podem ficar a conhecer melhor este chef, de discurso assertivo e (potencialmente) polémico:

https://grandesescolhas.com/nuno-diniz-a-sustentabilidade-e-um-chavao-dos-chefs-para-tentar-impressionar/

https://observador.pt/2019/01/19/nuno-diniz-os-ignorantes-dizem-que-so-ha-quatro-ou-cinco-variedades-de-enchidos-nao-sao-quatro-ou-cinco-porra-nenhuma-ha-mais-de-100/

https://www.publico.pt/2019/01/05/fugas/noticia/cozidos-enchidos-fumeiro-nuno-diniz-1856100

 

E agora, sem mais demoras, entrem os croquetes!

Croquetes do Barroso

CROQUETES DO BARROSO

Receita do livro "Entre Ventos e Fumos", do Chef Nuno Diniz, que utiliza enchidos tradicionais da região do Barroso, formada pelos concelhos de Montalegre e Boticas, em Trás-os-Montes.

 

Para 26 croquetes

30 g de manteiga

30 g de farinha sem fermento

100 g de leite quente (aqueça mais leite, pode precisar)

1 cebola média bem picada

1 sangueira picada*

1 farinhota picada*

Azeite

3 folhas de gelatina

Sal e pimenta

1 ovo

Pão de centeio duro ralado

Óleo de milho para fritar

 

Começar a preparar a receita com pelo menos 6 horas de antecedência.

Colocar as folhas de gelatina a demolhar em água fria abundante, cerca de 10 minutos.

Pique bem os enchidos e reserve [não achei esta tarefa muito fácil, porque os enchidos eram bastante húmidos e desfaziam-se mais do que ficar picados, mas com paciência, consegue-se].

Fazer o bechamel: coloque a manteiga e a farinha num tacho e deixe cozinhar uns 5 minutos, mexendo sempre.

Juntar o leite quente aos poucos [tenha cuidado, pois vai espirrar] e ir mexendo até obter um bechamel bastante consistente, o que deve demorar aí uns 10 minutos.

Numa frigideira, saltear a cebola numa colher de sopa de azeite.

Temperar com um pouco de sal e pimenta.

Juntar a sangueira e a farinhota e cozinhar durante cerca de 5 minutos.

Juntar o bechamel e as folhas de gelatina bem escorridas.

Envolver tudo muito bem, verter para um tabuleiro, alisar e levar ao frio cerca de 6 horas antes de moldar os croquetes.

Antes de fritá-los, passe-os pelo ovo batido e pão ralado.

 

*Pode encomendar os enchidos diretamente à empresa Fumeiro do Barroso, que os enviará, à cobrança, pelo correio. Zona Industrial De Montalegre, Lt. 13, Montalegre, Vila Real - Tel.: 276 511 511 

 

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25
Out19

Bolo de coco, manga e clementina [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #15 ]

Bolo de coco, manga e clementina

Bolo de coco, manga e clementinaBolo de coco, manga e clementina

 

O interesse e a curiosidade por uma alimentação à base de vegetais são cada vez mais comuns e, se dúvidas houvesse sobre a importância desta tendência, bastaria olhar para as prateleiras das livrarias. Nos últimos tempos, temos assistido ao lançamento em catadupa de livros dedicados à dieta vegetariana, nomeadamente ao regime 100% vegetariano ou vegan. Já falei de alguns deles aqui [no final do post, encontram os links para esses posts], e esta semana, na rubrica "Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes", trago mais um livro "verde" acabadinho de sair do forno!

 

[Por falar em forno, mais abaixo encontram o Bolo de coco, manga e clementina, a primeira receita do livro que escolhi e testei - na versão original, com laranja em vez de clementina.]

 

Bolo de coco, manga e clementina

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #15

"Cozinha Vegetariana Rápida e Prática" - Gabriela Oliveira - ArtePlural Edições

 

De acordo com a capa do livro, Gabriela Oliveira é a autora dos livros de receitas vegetarianas mais vendidos em Portugal, sendo este o seu 6º livro de culinária em cinco anos [o que eu acho um feito incrível, devo dizer].

 

Vegetariana há mais de 20 anos, Gabriela não só tem feito um trabalho notável no desenvolvimento de receitas, como tem partilhado o seu saber e experiência em muitos workshops e showcookings, tendo aberto recentemente a Academia Vegan - um espaço de formação totalmente dedicado à cozinha 100% vegetal, em Lisboa.

 

Se costumam passar por aqui, sabem que eu não sou vegan, nem sequer vegetariana. No entanto, tenho aumentado cá em casa o número de refeições sem proteína animal. E se é certo que me custaria seguir uma dieta vegan, não coloco de parte optar por um vegetarianismo que não exclua os ovos e os derivados do leite. 

 

É por isso que gosto tanto de livros de cozinha vegetariana como dos que versam sobre a dieta "omnívora", desde que estejam bem estruturados, bem escritos, sejam visualmente apelativos e prometam pratos deliciosos. Porque a verdade é que eu ADORO vegetais.

 

Bolo de coco, manga e clementina

 

Se há coisa que não falta neste livro são receitas: 100 receitas no total, divididas pelos seguintes capítulos:

  • Pequeno-almoço e lanche
  • Snacks e refeições ligeiras
  • Sopas e Saladas Nutritivas
  • Pratos principais (na frigideira e na caçarola)
  • Doces momentos

 

Nas páginas iniciais do livro, para além de se apresentar, Gabriela tece algumas considerações sobre alimentação e sustentabilidade e fornece informação sobre os diferentes tipos de vegetarianismo, ingredientes mais usados neste regime alimentar e respetivos perfis nutricionais e ainda dicas sobre preparação e conservação dos alimentos, sem esquecer um miniguia de como planear as refeições e evitar o desperdício.

 

As receitas são, de uma maneira geral, bastante apelativas e originais. Os "Croquetes de tremoço", a "Bolonhesa de couve-flor e noz", a "Omoleta de aveia" ou o "Fricassé de castanhas e espargos" são bons exemplos. No entanto, algumas incluem produtos processados como "chouriço de soja", "salsichas vegetais", "queijo vegan" ou "alheira de cogumelos" e confesso que estes produtos me fazem alguma confusão. Nunca os provei, há que referir, e por isso talvez esteja a ser preconceituosa (já agora, se tiverem alguma opinião ou feedback sobre a utilização destes produtos, digam coisas nos comentários 😉).

 

Já tenho várias receitas salgadas do livro marcadas, para experimentar em breve, mas os bolos despertaram de forma especial a minha atenção porque, apesar não levarem ovos, manteiga ou outros ingredientes típicos da pastelaria tradicional, têm um aspeto bastante semelhante [basta ver o bolo deste post - diriam que é um bolo sem ovos? 😉 ]

 

Curiosos sobre o livro? Saibam mais na Bertrand Livreiros Online, onde até ao final do dia de hoje [25/10/2019] encontram descontos de 20% a 40% em todos os livros, incluindo nas "novidades"!

 

Agora siga para a receita deste bolo vegan [Gabriela Oliveira prefere o termo 100% vegetal] de coco, manga e clementina, que ficou aprovadíssimo à primeira.

 

Bolo de coco, manga e clementina

Bolo de coco, manga e clementina

 

BOLO DE COCO, MANGA E CLEMENTINA [VEGAN]

Ligeiramente adaptado do livro "Cozinha vegetariana rápida e prática"

 

1 manga pequena e madura (200 g de polpa)

2 clementinas - raspa e sumo

1 colher de sopa de sumo de limão

1 chávena de leite de aveia (ou outro leite vegetal)

1/3 de chávena de azeite extravirgem (ou óleo de coco derretido ou óleo de girassol)

1 chávena de açúcar mascavado (150 g)

2 chávenas de farinha de espelta*

1 colher de sopa de linhaça moída

1 chávena de coco ralado

1 colher de sopa de fermento em pó

1/2 colher de café de bicarbonato de sódio

1 pitada de sal

Coco ralado e lascas de coco tostadas para decorar (opcional)

Molho de chocolate para servir (opcional)

 

Ligue o forno nos 180º.

Unte bem com azeite e polvilhe com farinha uma forma quadrada com cerca de 20 cm x 20 cm e forre o seu fundo com papel vegetal.

Triture a polpa da manga e coloque-a numa taça.

Junte a raspa e o sumo de clementina, o sumo de limão, o leite de aveia e o azeite, e mexa com o batedor de varas.

Adicione o açúcar, a farinha, o coco ralado, o sal, a linhaça, o fermento e o bicarbonato. Envolva bem e verta para a forma previamente preparada.

Leve a cozer entre 35 a 40 minutos (tenha em conta que se usar uma forma maior, o bolo vai ficar mais baixo e vai cozer mais depressa).

Desenforme, deixe arrefecer e cubra o topo com coco ralado e as lascas de coco tostadas.

Para uma experiência mais gulosa, sirva com molho de chocolate.

 

*Para uma versão sem glúten e de acordo com a receita original, substitua as 2 chávenas de farinha de espelta por 1/2 chávena de farinha de aveia, 1/2 chávena de farinha de milho, 1 chávena de farinha de arroz integral e 1 colher de sopa de psílio em pó (para ajudar a ligar).

 

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18
Out19

Trança de abóbora e nozes [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #14]

Trança de abóbora e nozes

Trança de abóbora e nozes

Trança de abóbora e nozes

 

E ao 14º livro da rubrica #Dizmeoquelês o escolhido é um livro dedicado aos mais novos. Mas querem saber a verdade? Eu gostei muito do livro e achei que as receitas eram perfeitas... para mim 😁  Se vieram só pela trança, é fazer scroll que encontram a receita mais abaixo, em todo o caso convido-vos a saber mais um pouco sobre o "Pequenos-almoços e Lanches saudáveis para Crianças", da chef Joana Byscaia.

 

Trança de abóbora e nozes

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #14

"Pequenos-almoços e Lanches saudáveis para Crianças" - Joana Byscaia - Manuscrito

 

Mãe de dois, sei bem a dor de cabeça que pode ser escolher o que dar aos mais novos ao pequeno-almoço e ao lanche. Até porque nem sempre é fácil conciliar as opções mais saudáveis com os desejos dos garotos.

 

Os meus já são adolescentes, por isso "o pior" já passou, mas gostaria de ter tido, quando eles eram mais pequenos, a oferta de livros e blogs que agora há acerca da alimentação infantil. Ideias, informação e inspiração, nunca são de mais quando precisamos de pôr comida na mesa - e nas lancheiras - todos os dias, para alimentar e nutrir os nossos filhos.

 

A Chef Joana Byscaia é a responsável pelo projeto Petit Chef e há muitos anos que se dedica a desenvolver receitas especialmente dirigidas aos mais novos e a promover junto destes o gosto pela cozinha e pela comida de verdade. E porque, para pais e cuidadores, é ao pequeno-almoço e ao lanche que o desafio é maior, este livro foca-se nestas duas refeições, apresentando 30 receitas para cada uma delas, ou seja, 60 receitas no total.

 

Trança de abóbora e nozes

 

O que salta logo à vista ao folhear o livro é a simplicidade das receitas, ainda que as fotos nos possam, num primeiro momento enganar. Sim, porque o empratamento das sugestões está tão cuidado, que podem parecer mais elaboradas do que são, na realidade. Mas esse é mesmo um dos objetivos: mostrar como com apenas alguns ingredientes e uma apresentação bonita, podemos cativar os mais novos. Um exemplo: "Manga com coco ralado e frutos vermelhos". É só fatiar a manga, espalhar por cima os frutos vermelhos e salpicar com coco ralado. Simples não é? Pois, mas nunca me tinha lembrado de servir a fruta assim e a verdade é que fica colorido e apelativo.

 

Sei que a receita do livro que escolhi replicar não parece assim tão simples, talvez seja a receita mais demorada e elaborada, pois muitas delas nem sequer exigem forno ou fogão, são sobretudo sugestões de combinações de ingredientes.

 

Para vos dar uma ideia, no capítulo "30 dias, 30 pequenos-almoços", há "Banana com manteiga de amendoim e frutos secos", "Cremoso de papaia com iogurte, mirtilos e sementes", "Iogurte de romã com flocos de aveia torrados", "Pão com puré de abacate e requeijão com romã e sementes", e ainda receitas rápidas de batidos, papas de aveia, scones, panquecas e sanduíches, sem esquecer um bolo , o"Bolo de água com sementes de papoila", e a "trança de abóbora e nozes".

 

Já na secção dos "30 dias, 30 lanches", iremos encontrar desde snacks como "Chips de maçã", a várias receitas de queques e muffins, bolachas saudáveis e até uns croquetes de atum, que para além de lanche podem servir para um almoço de piquenique.

 

Um dos aspetos de que gostei do livro é que não é fundamentalista nem recorre a ingredientes pouco vulgares. E algumas receitas incluem açúcar amarelo ou mascavado, farinha de trigo ou manteiga (em quantidades controladas),  porque o mais importante - tanto nas crianças como nos adultos - é o equilíbrio e combinar uma alimentação consciente com a prática de exercício físico e um estilo de vida ativo.

 

Se os miúdos vão adorar todas as receitas do livro? Tenho dúvidas, mas na verdade são boas sugestões para os adultos também: qual será a pessoa grande que resiste a uma fatia desta trança de abóbora e nozes?

Nas páginas iniciais, o livro apresenta listas de utensílios e ingredientes a ter sempre na despensa e dicas de "Como planear e organizar receitas para toda a semana".

 

Resumindo: "Pequenos-almoços e Lanches saudáveis para Crianças" é uma compilação simpática de ideias e receitas para nos ajudar a variar à hora destas importantes refeições (é nestas que é mais fácil cometer erros ou excessos). É um livro simples e colorido, de forma a que os mais novos possam, eles próprios, meter "mãos à obra". As fotos, de Ana Pereira da Costa, são cuidadas e apelativas. As receitas são descomplicadas, sem abdicar de um toque de criatividade.

 

E agora, vamos à trança?

Trança de abóbora e nozes

TRANÇA DE ABÓBORA E NOZES

Receita ligeiramente adaptada do livro "Pequenos-almoços e lanches saudáveis para Crianças"

 

250 g de farinha de trigo sem fermento

1 colher de café de sal fino

7 g de fermento de padeiro desidratado (tipo Fermipan)

180 ml de água morna

2 colheres de sopa de açúcar amarelo

Canela em pó qb

Sementes a gosto ou flocos de aveia (opcional)

1 ovo batido para pincelar

 

Para o recheio:

250 g de doce de abóbora*

75 g de nozes picadas

 

Em 30 ml da água morna, coloque o fermento e mexa.

Na taça da batedeira (se tiver uma batedeira com gancho de amassar), coloque a farinha, peneirada, e junte o sal, a canela, o açúcar, a água com o fermento e a restante água. Envolva até obter uma massa homogénea, veja se necessita de juntar um pouco mais de farinha.

Leve a bater numa velocidade média cerca de 8 minutos, devendo a massa ficar suave e macia ao toque.

Tape com um pano limpo e deixe levedar num local ameno (eu embrulhei a taça numa manta polar e demorou mais de uma hora a aumentar de volume, mas no tempo quente ou junto a um forno ou aquecedor, deve demorar cerca de 30 minutos).

Entretanto ligue o forno nos 180ºC.

Polvilhe a superfície de trabalho com farinha e estique com o rolo a massa até obter um retângulo grande.

Transfira este retângulo, com a ajuda do rolo de cozinha, para uma folha de papel vegetal.

Espalhe o doce de abóbora e salpique com as nozes.

Faça um rolo, a partir de um dos lados mais compridos.

Corte a meio este rolo, ao sentido do comprimento, e entrelace as duas pontas, formando uma trança.

Pincele com ovo batido e salpique com sementes ou flocos de aveia, se desejar.

Leve a cozer cerca de 25-30 minutos ou até estar bem dourado e firme ao toque.

 

*Eu usei doce de abóbora caseiro, feito pela minha mãe, mas no livro a autora dá a receita: 300 g de abóbora-menina aos cubos + 125 g de açúcar mascavado + 1 pau de canela. Levar a abóbora ao lume com o açúcar e a canela e deixar cozinhar uns 25 minutos; descartar o pau de canela, escorrer a abóbora, e triturar.

 

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10
Out19

Bolo de pastel de nata [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #13]

Bolo de pastel de nata

Bolo de pastel de nata

 

Quem me conhece sabe, que apesar de eu cozinhar de tudo e partilhar aqui receitas diversificadas, a minha paixão são os bolos. Por isso, quando dei conta de que a Rita Nascimento, aka La Dolce Rita, tinha lançado um livro novo só com receitas de bolos, pensei logo em trazê-lo ao #dizmeoquelês - esta rubrica de que gosto tanto e que só é possível graças a uma parceria com a Bertrand Livreiros 🧡

 

Vieram cá só pela receita de Bolo de pastel de nata? Então façam scroll, que vão encontrá-la mais abaixo. Mas aposto que se forem gulosos como eu, vão querer saber mais sobre o livro, certo? Vamos a isso.

 

Bolo de pastel de nata

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE_EI O QUE COMES #13

"Um bolo por semana - 52 receitas para um ano de bolos" - Rita Nascimento - ArtePlural

Este é já o quarto livro da Rita, que toda a gente conhece do seu canal de sucesso no Youtube, o "La Dolce Rita" onde, através de vídeos simpáticos e bastante elucidativos, partilha as mais variadas receitas de pastelaria.

 

Os livros da Rita são um êxito [para além deste, tenho o "Uma pastelaria em casa" e já folheei os outros dois] e percebe-se por quê: são bastante objetivos e claros, sem deixarem de ser apelativos. As fotos, por exemplo, não apresentam uma produção complexa ou composição elaborada, são sobretudo "close-ups" dos bolos e das sobremesas, mas são luminosas e deixam-nos invariavelmente de água na boca.

 

Este último tem apenas algumas semanas de prateleira (saiu para as livrarias a 4 de outubro), mas tenho a certeza de que vai ser mais um best-seller. Um dos segredos é a experiência da Rita, sustentada por formação específica na área. Munida de todo o saber teórico, a Rita tem uma capacidade incrível de transformar esse conhecimento em métodos e formulações mais simples, para que todos em casa possamos facilmente elaborar receitas supostamente complexas [a Rita não sabe, mas tem aqui uma grande fã ❤️]

 

Livro "Um bolo por semana"

 

O tom próximo, alegre e descontraído, que a Rita usa tanto nos vídeos como no livro, ajudam a compor esta fórmula de sucesso, agora espelhada numa edição dedicada apenas a essa trave mestra da pastelaria caseira: os bolos.

 

São 52 receitas de bolos, para que ao longo de um ano não tenhamos de repetir receitas. E para que os resultados saiam perfeitos, o livro inclui, para além das receitas, informação sobre ingredientes, utensílios e dicas a ter em conta na hora de meter a mão na massa [incluindo a "Palavra de boleira" da Rita: comentários e sugestões relativamente a cada receita].

 

Quanto ao tipo de bolos, estes dividem-se nas seguintes categorias:

  • Bolos básicos e simples
  • Bolos aromáticos e reconfortantes
  • Bolos gulosos e para dias de festa

 

Existe ainda um capítulo com receitas auxiliares: cremes e complementos para coberturas e recheios. Para que possam fazer as vossas combinações e assim, em vez de 52 bolos, terem quantas receitas a vossa imaginação ditar!

Livro "Um bolo por semana"

 

A par de alguns clássicos, como o 'Bundt de chocolate', o "Bolo inglês", o "Bolo de claras" ou o "Bolo de ananás caramelizado", a Rita propõe-nos receitas originais e outras menos conhecidas, como o "Bolo de pastel de nata" que vos trago hoje (receita mais abaixo), o "Bolo tiramisu", o "Bolo tecomaleco", o "Bolo três leches" ou o "Bolo de chocolate crocante sem forno".

 

Só vos digo uma coisa: no dia em que tiverem o livro na mão, garanto-vos que vão querer fazer TODAS as receitas!  Estão em pulgas por esse momento? Saibam mais sobre o livro aqui >>> na livraria Bertrand online.

 

Resumindo:  "Um bolo por semana" é daqueles livros que não pode faltar na prateleira de alguém que adora mimar a família e os amigos com um bolo, seja de vez em quando, seja todas as semanas. O design gráfico do livro é funcional e apelativo, com boas fotografias, tiradas pela Rita. As receitas parecem ser todas acessíveis e estão bem escritas e detalhadas. O que eu mudaria? Em vez de referir o 'volume da massa' obtida em cada receita, mencionaria o tamanho mais adequado das formas a utilizar. De resto, o livro está de se devorar "página a página"!

 

Agora, sem mais demoras, a receita do delicioso Bolo de pastel de nata.

Bolo de pastel de nata

BOLO DE PASTEL DE NATA

Receita original: livro "Um bolo por semana" de Rita Nascimento

 

Para o bolo

3 ovos

100 g de açúcar

75 g de farinha sem fermento

1/2 colher de chá de canela em pó

1 base redonda de massa folhada

Açúcar mascavado qb (e maçarico) para decorar no final*

 

Para o creme pasteleiro

300 ml de leite meio-gordo

3 gemas

50 g de açúcar

25 g de amido de milho

25 g de manteiga fria

1 pau de canela

1 pedaço grande de casca de limão

 

Para a calda

150 ml de água

150 ml de açúcar

1 pedaço grande de casca de limão

 

Comece por fazer o creme pasteleiro.

Coloque num pequeno tacho o leite, o pau de canela e a casca de limão e leve ao lume.

Numa taça, junte as gemas, o açúcar e o amido de milho e mexa bem com as varas.

Quando o leite começar a fervilhar, descarte a canela e o limão e verta-o, aos poucos, sobre o preparado anterior, mexendo bem com as varas.

Deite esta mistura no tacho e leve de novo ao lume, mexendo sempre até começar a engrossar. Continue a mexer com as varas cerca de dois minutos após já estar a engrossar e ter começado a fervilhar.

Retire do lume e incorpore a manteiga partida em pedaços. Mexa até a manteiga derreter e ficar homogéneo. Passe para uma taça limpa e tape com película aderente ("colando" esta à superfície do creme, para não entrar ar e assim evitar que ganhe uma crosta).

Deixe arrefecer um pouco e leve ao frigorífico. Ele vai endurecer no frigorífico, por isso, antes de usar, bata-o na batedeira elétrica até ficar com uma consistência cremosa e uniforme.

 

Entretanto faça o bolo.

Unte muito bem e polvilhe com farinha uma forma redonda (usei uma com 18 cm de diâmetro). Forre o fundo com papel vegetal e volte a untar/enfarinhar.

Ligue o forno nos 180º.

Com a batedeira elétrica, bata os ovos com o açúcar durante uns 5 minutos, ou até a mistura ficar esbranquiçada e com o dobro do volume.

Peneire a farinha e junte-a, com a canela, ao preparado anterior, em duas ou três adições, envolvendo suavemente.

Verta para a forma e leve ao forno durante cerca de 20 minutos ou até um palito sair seco do centro do bolo.

Solte a massa das laterais da forma com a ajuda de uma faca e desenforme sobre uma rede forrada com papel vegetal. Deixe arrefecer completamente antes de o abrir ao meio.

Não desligue o forno e leve a cozer a base de massa folhada sobre papel vegetal e picada com um garfo. Deve demorar uns 20-25 minutos a ficar folhada e douradinha. Deixe arrefecer.

 

Enquanto o bolo está no forno, faça a calda: leve a ferver a água com o açúcar e a casca de limão até o açúcar estar bem derretido. Deixe ferver durante alguns segundos e está pronto. Deixe que arrefeça.

 

Para montar o bolo:

- Coloque a forma do bolo que usou sobre a massa folhada, sem pressionar, e com uma faca corte um círculo a toda a volta; reserve o círculo e esfarele as sobras, reservando-as numa taça;

- Parta o bolo a meio e coloque a metade de baixo no prato de servir. Regue com metade da calda e espalhe uma camada de creme de pasteleiro (que deve ter sido batido com a batedeira elétrica depois de ter estado no frigorífico);

- Coloque o disco de massa folhada por cima e volte a fazer uma camada de creme pasteleiro (atenção: não usem demasiado creme nestas camadas de recheio, se não ficam sem creme para barrar todo o bolo);

- Tape com a outra metade do bolo e regue esta com a restante calda;

- Por fim, barre todo o bolo com o restante creme pasteleiro;

- Espalhe açúcar mascavado no topo do bolo e queime com um maçarico (opcional)*

- Decore as laterais com as aparas de massa folhada.

 

*A receita original fala em açúcar em pó, mas comigo não resultou; para conseguir o efeito "leite creme queimado", tive de usar açúcar mascavado; o creme pasteleiro vai ganhar umas fendas, devido ao calor do maçarico, mas é normal.

 

Nota final: este bolo deve ser comido no dia em que é feito, para garantir uma massa folhada seca e crocante; em todo o caso, guardei o que sobrou no frigorífico e comeu-se bem no dia seguinte ;)

 

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03
Out19

Hambúrgueres de tofu e ervas [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #12]

Hambúrgueres de Tofu [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #12]

Livro O Menu da Semana

 

Uma dúzia! Com o desta semana, já são 12 os livros [e as receitas] que passaram por aqui, desde que iniciei o #dizmeoquelês em parceria com a Bertrand Livreiros. E sabem qual a melhor parte deste projeto? É ficar a conhecer livros e experimentar receitas que, de outra forma, dificilmente se cruzariam no meu caminho.

 

O livro que vos trago hoje é disso exemplo. Ainda que goste e de vez em quando faça refeições vegetarianas/vegan, não sigo estes regimes alimentares e não são os livros com estas receitas aqueles que mais me tentam, salvo algumas exceções [como os livros de Yottam Ottolenghi, por exemplo]. Mas o objetivo desta rubrica é falar dos livros disponíveis no mercado, por isso, tenho tentado mostrar-vos de tudo um pouco. Assim, esta semana falo-vos de "O Menu da Semana", de Vânia Ribeiro, autora do blogue Made by Choices

 

Vieram cá só pela receita de hambúrgueres de tofu? Se sim, é fazer scroll, que ela aparece mais abaixo😉

Livro O Menu da Semana

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #12

"O Menu da Semana" - Vânia Ribeiro - Lua de Papel

 

A Vânia é formada em Naturopatia e concilia esta área com o blogue Made by Choices, criado em 2015 para "ajudar e inspirar outras pessoas a fazer escolhas conscientes e mais saudáveis". Neste âmbito, dinamiza regularmente workshops de cozinha.

 

Este não é o seu primeiro livro. Em 2017 lançou "As 5 cores da cozinha saudável -  Receitas simples, rápidas e deliciosas (e sem açúcar!)"

 

Neste segundo livro, "O Menu da Semana", para além de partilhar mais de 80 receitas, a autora foca-se no planeamento das refeições, na importância das escolhas ao nível dos ingredientes e na organização de despensa e da logística da compras, enquanto pilares de uma alimentação saudável.

Hambúrguer de tofu com molho de iogurte

 

A primeira coisa que me chamou a atenção ao pegar no livro, foi o facto de não encontrarmos na capa, contracapa ou folha de rosto, algo que nos diga que as receitas do livro recorrem apenas a produtos de origem vegetal. Ainda que haja uma ou outra referência à alimentação "vegetariana" nos textos introdutórios, não me parece suficiente. Percebo que se queira 'normalizar' este regime alimentar e que a intenção tenha sido não 'rotular' o livro como 'vegan'. Julgo, no entanto, que para a grande maioria dos consumidores, referir essa particularidade na capa ainda faz todo o sentido. 

 

Em todo o caso, "O Menu da Semana" é um livro bastante completo, dentro da especificidade referida, que junta teoria (informação) à prática (receitas). A primeira parte do livro é a mais teórica. Até à página 67, o que nos aparece são dicas da autora para uma alimentação mais saudável. Há informação nutricional sobre alguns ingredientes, informação sobre a melhor maneira de armazenar e preparar alguns alimentos e um calendário sazonal de frutas, hortícolas e oleaginosas (para se saber qual a época do ano de cada ingrediente).

 

Nesta parte, encontramos ainda os conteúdos que justificam o título: dicas para elaborar um menu semanal, com a inclusão de um plano já estruturado, onde receitas do livro foram distribuídas ao longo de quatro semanas (almoço e jantar) - um recurso muito útil, até porque inclui algumas anotações sobre tarefas de preparação prévia, essenciais para o sucesso de algumas das receitas.

 

Livro O Menu da Semana

Na segunda parte do livro vêm as receitas, divididas em cinco capítulos:

- Sopas

- Para acompanhar

- Vegetais (sobretudo saladas)

- Comida de conforto (muitos pratos de forno)

- Para levar (muitas sugestões para marmitas)

 

As receitas têm um ar muito apetitoso, com boas fotografias a acompanhar todas elas. Apesar do papel das páginas não ser o meu favorito - é um pouco brilhante - tenho de concluir que esta opção dá mais vida às imagens, tornando a comida mais apelativa.

 

As receitas estão bem escritas e apresentadas detalhadamente por passos numerados. Incluem uma 'ficha técnica' com número de doses, grau de dificuldade, tempo de confeção e tempo de conservação no frigorífico (e no congelador, se for adequado). Há ainda um textinho inicial a contextualizar cada receita, muitas vezes com informação extra sobre os ingredientes em destaque ou o modo de confeção.

 

Relativamente aos ingredientes utilizados, há alguns difíceis de encontrar num supermercado comum, como a levedura nutricional (ou levedura de cerveja), o tamari (molho de soja sem glúten), o miso (pasta de soja fermentada), o amaranto (cereal sem glúten) ou a farinha de araruta. Mas também é verdade que há cada vez mais lojas e mercearias especializadas nestes artigos e as secções dos produtos "saudáveis" dos hipermercados estão cada vez mais completas. Nem todas as receitas pedem produtos tão específicos, mas convém lembrar que estes também podem ser comprados online.

 

Resumindo: "O Menu da Semana" é um livro de cozinha, que para além de uma componente informativa sobre organização, planeamento e menus semanais, apresenta mais de 80 receitas para almoço ou jantar (não inclui doces ou sobremesas) apenas com produtos de origem vegetal. É um livro consistente, bem escrito e bem fotografado, especialmente útil para quem segue uma dieta vegetariana ou vegan.

 

Querem saber mais sobre a Vânia? Podem acompanhar o seu trabalho no blogue "Made by Choices", e ainda no facebook e no Instagram.

 

Querem saber mais sobre o livro? Espreitem aqui na Bertrand online.

 

Passemos agora à receita do livro que escolhi: hambúrgueres de tofu com ervas frescas [com molho de iogurte, também do livro] 😋

 

Hambúrguer de tofu com molho de iogurte

HAMBÚRGUERES DE TOFU COM ERVAS FRESCAS [E MOLHO DE IOGURTE]

Receita original: livro "O Menu da Semana" de Vânia Ribeiro

 

Para 4 hambúrgueres grandes

300 g de tofu firme

1/2 chávena de farinha de aveia

2 colheres de sopa de linhaça dourada moída

2 dentes de alho picados

Cerca de 8 hastes de coentros frescos picadas

Cerca de 6 folhas de hortelã fresca picadas

Cerca de 4 folhas grandes de manjericão fresco picadas

1 colher de chá bem-cheia de pimentão doce

1 colher de chá de ervas da Provença

2 colheres de sopa de molho de soja (ou um pouco mais)

1 colher de sopa de azeite extra-virgem

1 colher de sopa de água (se necessário)

Pimenta preta acabada de moer qb

Sal marinho (se necessário)

 

Passar o tofu por água e secar.

Num processador, picar grosseiramente o tofu.

Juntar os restantes ingredientes à exceção da água.

Verificar se está moldável: se estiver seco, junte uma colher de sopa de água ou mais um pouco de molho de soja (sem exagerar!). Se estiver demasiado húmido junte um pouco mais de farinha de aveia.

Faça bolas com a massa, achatando-as e dando-lhes a forma de hambúrgueres.

Pincele um grelhador com azeite e grelhe os hambúrgueres uns 6/7 minutos de cada lado (vai depender do tamanho dos hambúrgueres).

 

Para o molho de iogurte

Receita original: livro "O Menu da Semana" de Vânia Ribeiro

 

5 colheres de sopa de iogurte vegetal (usei iogurte natural)

5 folhas grandes de manjericão fresco picadas

5 hastes de coentros frescos picadas

1 colher de sobremesa de óregãos

1-2 colheres de sumo de limão

Sal marinho qb

 

Numa taça, juntar todos os ingredientes e misturar bem. Provar e retificar os temperos, se necessário.

Sirva a acompanhar os hambúrgueres no prato ou em pão, com palitos de batata doce assados no forno.

 

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26
Set19

Creme de cogumelos e castanhas [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #11]

Creme de cogumelos e castanhas

Livro Tempero da Argas

 

Quando, há quinze dias, falei aqui do livro "Novas receitas paleo", tinha estado a pesquisar sobre livros com este regime alimentar, e dei conta de que havia um livro novo no mercado, de uma autora portuguesa, que falava de uma variante desse regime: a alimentação primal. É esse o livro que vos trago hoje.

 

Confesso que nunca tinha ouvido falar em alimentação ou estilo de vida 'primal' ('Primal Blueprint', no original, um conceito criado por Louren Cordain) e pelo que fui lendo entretanto, as diferenças entre esta e a dieta Paleo estão agora bastante esbatidas. Pelo que percebi, a alimentação 'primal', ainda que também se inspire nas bases alimentares dos nossos antepassados pré-revolução agrícola, é mais inclusiva e abrangente em termos de ingredientes. Mas o melhor, é sabermos o que diz Márcia Patrício, a autora do livro e a blogger por detrás do Temperos da Argas  sobre isto. Está lançado o #dizmeoquelês 11!

 

Como sempre, este post conta com o apoio da Bertrand Livreiros 💛

 

Livro Tempero da Argas

Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #11

"Temperos da Argas" - Márcia Patrício - Chá das Cinco

 

"Gosto de pensar na alimentação primal como um regresso ao tempo dos nossos bisavós, onde a alimentação era maioritariamente proveniente das terras cultivadas pela família ou de trocas entre vizinhos. O que se pretende é uma alimentação mais natural, cozinhada maioritariamente por nós, evitando as embalagens, os pacotes com aditivos que pretendem a conservação dos produtos durante meses."

[...] O objetivo é otimizar os efeitos que os alimentos e o estilo de vida têm no nosso organismo, usando o exemplo do home do Paleolítico, com uma alimentação natural, utilizando, claro, os alimentos disponíveis e a culinária moderna."

 

É desta forma que Márcia nos apresenta o seu regime alimentar e introduz os seus princípios básicos:

- a presença de legumes e fruta

- a preferência por carne, peixe e ovos de boa origem

- a preferência por laticínios fermentados de animais de produção extensiva

- a (quase) eliminação do glúten

- a (quase) eliminação de alimentos processados e refinados

 

Assim, nas páginas do livro, iremos encontrar 100 receitas, que vão ao encontro deste estilo de cozinha, divididas por diferentes categorias: Pão; Bolos e Bolachas; Sobremesas e Snacks Doces (talvez os três capítulos mais interessantes do livro, uma vez que são o tipo de receitas mais difíceis de criar sem farinhas ou açúcares convencionais), Pequeno-almoço, Sopas; Carne; Peixe; Snacks Salgados e Marmitas e, ainda, um capítulo final dedicado aos 'Básicos', com receitas de molhos e compotas.

 

Livro Tempero da Argas

 

Desta vez, não escolhi uma receita doce para testar. Já entramos oficialmente no outono e achei que esta sopa de cogumelos seria perfeita para a época. Até porque adorei a sua simplicidade e, claro, os seus ingredientes (sou só louca por castanhas e adoro cogumelos ☺️).

 

Mas marquei outras receitas do livro, como por exemplo as 'Bolachas tipo Maria", os "Pastéis de nata", o "Pão de tâmaras", o "Bolo do caco", o "Paleopic" (chocapic versão mais saudável), a "Caldeirada cremosa de peixe" ou os "Rissóis de camarão" (cuja massa e recheio abdicam da tradicional farinha de trigo e onde até o pão ralado é substituído por farinha de mandioca torrada (a farinha que se usa para fazer farofa).

 

Resumindo: "Temperos da Argas" não é um daqueles livros que compramos porque só de olhar ficamos com água na boca, até porque a fotografia não é, definitivamente, o seu ponto forte. Diria que é um livro 'funcional' e prático. Não daqueles que levamos para o sofá para ler como se fosse um romance, mas daqueles que levamos para a cozinha para lhe darmos uso a sério, caso nos identifiquemos com este regime alimentar (muitas das receitas podem ser perfeitamente incluídas em dietas vegetarianas, veganas ou low-carb). Está bem escrito, num tom descontraído e simpático. Inclui alguma informação sobre alimentação e saúde. As receitas são variadas e adequadas aos diferentes momentos do dia e, de uma maneira geral, parecem de simples e rápida confeção.

 

Querem saber mais sobre o livro? É só espreitar aqui >>> na livraria Bertrand online.

Siga para a receita do creme de cogumelos!

 

Creme de cogumelos e castanhas

CREME DE COGUMELOS E CASTANHAS

Receita original: livro "Temperos da Argas", de Márcia Patrício

 

Para 4 doses em taças pequenas

400 g de água

100 g de cogumelos 

100 g de castantas sem pele

70 g de alho-francês

2 colheres de sopa de azeite extravirgem

1 dente de alho

Sal e pimenta preta qb

Creme ou leite de coco para servir (opcional)

Vinagre ou creme balsâmico para servir (opcional)*

Folhinhas de tomilho para decorar (opcional)

 

Numa panela ou num robot de cozinha, leve a saltear no azeite o alho laminado, os cogumelos limpos e fatiados e o alho-francês em rodelas.

Quando começarem a murchar, retire alguns cogumelos e reserve-os para decorar as taças ao servir.

Junte as castanhas e a água, tempere de sal e pimenta e deixe cozinhar cerca de 35/40 minutos ou até as castanhas estarem bem cozidas.

Triture e retifique os temperos, se necessário.

Sirva quente em tacinhas individuais, decoradas com folhinhas de tomilho e os cogumelos reservados, um fio de leite de coco e/ou outro fio de vinagre ou creme balsâmico*. Também pode servir com croutons, se preferir.

 

*Apesar de ter gostado da receita, ao provar senti falta de alguma acidez. Da próxima, irei juntar uma cebola pequena aos ingredientes iniciais, mas talvez mantenha o fio de vinagre balsâmico. Não aparece nas fotografias, mas coloquei um pouco deste vinagre no momento de servir e fez um contraste maravilhoso!

 

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19
Set19

Mousse de chocolate em casca de laranja [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #10]

Mousse de chocolate em taça de laranja

Mousse de chocolate em taças de laranja

 

Mais uma semana, mais uma voltinha pelas prateleiras da secção de culinária da Livraria Bertrand. Este é já o 10º post no âmbito da rubrica #dizmeoquelês, dedicada a todos os que, como eu, adoram livros de cozinha.

 

E hoje, voltamos à culinária "convencional". Não sei se este é o termo mais apropriado, mas com tantas dietas e regimes alimentares na ordem do dia, às vezes fica difícil definir a cozinha e as receitas que se enquadram num regime sem restrições, à moda das nossas mães e avós, mas onde, a partir de uma base clássica, cabe uma pitada de fusão e criatividade. Que nome dariam a esta cozinha? Fica o desafio!

 

Mousse de chocolate em taças de laranja

Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #10

"A Sentada" - Sandra Nobre - Casa das Letras/24 Kitchen

 

Para mim, até ter apanhado um dos seus programas no canal 24 Kitchen, a Sandra Nobre era apenas a mulher do ex-jornalista Artur Albarran, informação obtida a folhear, há muitos anos, uma qualquer revista "do social".

 

De facto, foi com surpresa que, um dia, ao fazer zapping, a reconheci atrás de uma bancada de cozinha, a ser host de um programa de culinária chamado "A Sentada". Confesso que não foi amor à primeira vista. Deviam ser os primeiros programas e lembro-me de achar que estava pouco à vontade e de haver muitos momentos de silêncio. Mas, ainda que não tenha seguido o "A Sentada" de forma regular, sempre que apanhava um dos seus programas, não mudava de canal e ficava a assitir, sobretudo porque gostava das receitas. E com o tempo fui sentindo que a Sandra estava cada vez mais desenvolta - e feliz - em frente às câmaras.

 

Estava com curiosidade para conhecer o seu livro e ainda bem que o escolhi para a rubrica. Através dele, fiquei a saber imensas coisas sobre a autora, como por exemplo o facto de ser uma chef formada pela conceituada escola Le Cordon Bleu, primeiro na África do Sul e depois em Londres. Um percurso trilhado numa fase já 'madura' da sua vida, o que prova que nunca é tarde para seguirmos os nossos sonhos.

 

Ah! E fiquei finalmente a saber o que significava o nome do programa (não, nunca me deu para fazer uma pesquisa no Google, mas a verdade é que me intrigava). Uma "sentada" (termo luso-africano) é um convívio à mesa, uma refeição demorada e recheada de petiscos, uma jantarada entre amigos ou família, que se prolonga entre conversa e comida. Agora, faz todo o sentido, não? 😁

 

Mousse de chocolate em taças de laranja

 

Adianto já que gostei muito do livro. Está organizado por menus com três receitas cada um, agrupados de acordo com as estações do ano, com o bónus de quatro receitas de cocktail para brindarmos ao início de cada estação.

 

Percebe-se que Sandra - "angolana de gema, mas de origens portuguesas, cabo-verdianas e norueguesas" - é bastante viajada, e partilha connosco o saber e os sabores que foi descobrindo ao longo dessas vivências. Assim, no livro, há os menus "Holandês",  "Sueco", "Italiano, "Austríaco", "Grego", "Francês", "do Médio-Oriente", entre muitos outros, sem esquecer o "Menu Vegetariano", o "Menu de Natal" ou o inusitado "As receitas preferidas da família real britânica."

 

Este é, verdadeiramente, um livro de receitas. À exceção dos prefácios e de uma apresentação, na primeira pessoa, da autora, não há dicas, listas de utensílios, teorias sobre organização doméstica ou informação sobre ingredientes (o que agradecemos, porque já há muitos outros livros que têm estes conteúdos). Mas há um textinho que apresenta cada receita, através dos quais aprendemos imensas curiosidades, como uma lenda da sorte italiana associada aos Gnocchis, a origem da salada Niçoise ou a influência da cozinha flamenga e malaia na África do Sul.

 

As receitas são de uma maneira geral bastante apelativas e a mim deu-me vontade de colocar post-its em quase todas. Foi por isso difícil escolher a primeira. Queria um doce ou uma sobremesa porque, não só são as que mais gosto de testar e fotografar, como sei que também são as vossas receitas favoritas 😉 

 

Mousse de chocolate em taças de laranja

 

A escolha acabou por recair nesta mousse de chocolate, porque adorei a ideia de servi-la em metades de casca de laranja. Quando se fala tanto em reduzir o desperdício, em reutilizar e poupar recursos, esta receita é - apesar de pequeno ou apenas simbólico - um bom exemplo. Estas cascas foram de laranjas espremidas para o sumo do pequeno-almoço, e não foi preciso usar água para lavar as taças depois 😉

 

Para além desta, há outra receita no livro que me faz pô-lo já na prateleira dos favoritos, mesmo que ainda não a tenha experimentado (não vai demorar muito e irei dar-vos feedback, prometo). Curiosos? Então, reparem bem: no livro há uma receita de "Bolinhos de lava de... limão"! Imaginem um petit gateau de chocolate, com aquela massa ainda líquida a escorrer quando se parte, mas na versão chocolate branco e limão... OMG!

 

Resumindo: "A Sentada", de Sandra Nobre, é um livro apelativo, com uma encadernação diferente do habitual (tenho algum receio de que a lombada em argolas, tipo espiral, possa revelar-se pouco prática com o uso). Há fotografias bonitas, de Silvia Ramirez, para todas as receitas, que, pelas minhas contas, são 70, maioritariamente entradas, pratos principais e sobremesas. Apresentam variedade no que diz respeito a ingredientes e formas de confeção e seguem uma cozinha de base clássica, com alguns apontamentos mais contemporâneos e originais.

 

Saber mais e comprar o livro >>> Bertrand livreiros - loja online

Agora, a receita de mousse, aprovada cá em casa com distinção.

Mousse de chocolate em taças de laranja

MOUSSE DE CHOCOLATE EM CASCA DE LARANJA

Receita original: livro "A Sentada", de Sandra Nobre

 

Para 4 *

2 laranjas bonitas

2 ovos L

160 g de chocolate negro partido em pedaços

10 g de manteiga

1/2 chávena de café espresso

10 ml de licor de laranja (usei Cointreau)

1 colher de chá de açúcar amarelo (adição minha, não faz parte da receita original)

1 pitada de sal

 

Para decorar:

Raspas ou pepitas de chocolate negro qb

Folhinas de hortelã

 

Parta a meio as laranjas, esprema-as e aproveite o sumo para beber.

Com cuidado, retire as peles do interior da casca.

Leve ao lume em banho-maria o chocolate, a manteiga, o açúcar, o licor e a pitada de sal.

Entretanto, parta os ovos e separe as gemas das claras, colocando estas na taça da batedeira.

Quando o chocolate estiver bem derretido e os restantes ingredientes bem incorporados, retire do lume e junte uma gema de cada vez, mexendo bem. Reserve, até para que arrefeça um pouco.

Bata as claras em castelo.

Comece por juntar 1/3 das claras à mistura de chocolate e mexa. Depois, vá envolvendo, suavemente as restantes claras.

Se quiser usar bico pasteleiro para encher as cascas, leve ao frigorífico primeiro, para prender (a minha mousse ficou cerca de duas horas no frigorífico, antes de ser colocada nas cascas).

Retire a mousse do frio, coloque-a num saco de pasteleiro munido de um bico largo frisado e encha as cascas.

Leve ao frigorífico até ao momento de servir, altura em que pode salpicar com raspas de chocolate e decorar cada taça com uma folhinha de hortelã.

 

* Se usar bico pasteleiro, só vai conseguir, no máximo, 3 mousses. Eu fiz dose e meia da receita aqui apresentada e consegui 4 mousses com bico pasteleiro e uma mais pequena; julgo que dose e meia da receita teria dado para distribuir uniformemente, à colher, por 5 metades de casca de laranja de tamanho normal. Mas querem um conselho? Dobrem a receita, não se vão arrepender 😉

 

Post com o apoio da Bertrand.

 

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12
Set19

Parfaits de tarte banoffee [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #9]

Parfait de tarte banoffee

Livro "Novas Receitas Paleo" de Irena Macri

 

Livros de cozinha nunca são demasiados, certo? 😁

Como já devem ter dado conta, tenho vindo a aumentar a minha coleção de livros de culinária e, pelo caminho, vou partilhando convosco algumas conclusões sobre os livros que vou escolhendo. E claro, nesses posts partilho sempre uma receita retirada do livro em destaque.

É a rubrica "Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes", em parceria com a Livraria Bertrand, que já vai no 9º livro!

 

Partfait de tarte banoffee

 

Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #9

"Novas receitas paleo" - Irena Macri - ArtePlural Edições

Antes de avançar para a descrição e apreciação do livro, devo esclarecer que não sigo, nem defendo, uma dieta paleo. Aliás, já devem ter percebido que por aqui se come um pouco de tudo. Sinto que há argumentos e princípios interessantes em cada uma das dietas ou regimes alimentares mais conhecidos, mas continuo a achar, por agora, que ser flexível é o que faz mais sentido para mim e para a minha saúde.

 

No entanto, gosto de saber mais sobre os diferentes regimes e dietas. Se há umas semanas vos falei do veganismo, através do livro da Filipa Range - "Desafio Vegan em 15 dias", hoje trago-vos um livro que fala da 'dieta paleo', de Irena Macri.

 

De origem ucraniana, Irena vive há muitos anos na Austrália e este é já o seu segundo livro traduzido para português. Nele fala-nos de uma dieta paleo um pouco mais flexível do que aquela que apresentava no primeiro livro. Chama-lhe a dieta paleo 80/20, ou seja, com 80% de receitas especificamente paleo e 20% de receitas que incluem ingredientes que fogem ao âmbito restrito deste regime alimentar.

 

Mas afinal, o que é a dieta paleo? Na sua essência, e de acordo com as palavras da autora, "é um regime alimentar que baseia os seus princípios fundamentais nos hábitos dos nossos ancestrais caçadores-recoletores, que viveram antes das revoluções agrícola e industrial" (...).

 

A dieta paleo é "rica em proteína animal e gordura" (a autora sublinha mais à frente que estes alimentos devem ser de elevada qualidade e oriundos de produção biológica) e inclui também "legumes, fruta, bagas, frutos secos e sementes". (...) "Embora o regime paleo não implique reproduzir à risca a dieta do homem das cavernas, baseia-se na nossas raízes alimentares, combinando esses hábitos com outros que foram mais recentemente considerados benéficos, de acordo com os estudos atuais sobre saúde evolutiva, nutrição e estilo de vida holístico".

 

Parfait de tarte banoffee

 

Alguns aspetos do livro podem chocar ou surpreender. Quando Irena fala dos ingredientes nutritivos favoritos, há um que parece ir contra as tendências e os alertas de saúde mais recentes: a carne vermelha (ainda que a autora sublinhe que deve advir de animais criados em pastos, ao ar livre). E ao falar de "boas fontes de amido", diz que prefere o arroz branco ao integral (um ingrediente da parcela dos 20%): "Ao contrário do arroz integral, o arroz branco contém muito poucos antinutrientes prejudiciais à saúde, como as lectinas, os fitatos e os inibidores de tripsina que estão concentrados na casca e nas camadas de farelo dos grãos de arroz e que são removidos durante o processo de moagem e polimento."

 

Não digo que a autora esteja a dizer inverdades. Parece-me ter um discurso consistente (ainda que eu tenha algumas dúvidas e preocupações sobre os reais efeitos de uma dieta paleo seguida de forma estrita e leviana), e as suas receitas são apresentadas com informação nutricional detalhada. Julgo que o mais certo é todos terem razão: quem diz que o arroz integral tem benefícios porque tem um índice glicémico menor e mais nutrientes e quem diz que (paralelamente) este apresenta também um maior número de antinutrientes (compostos naturais ou sintéticos que interferem na absorção de nutrientes).

 

Com tanta informação a circular sobre comida e alimentação, com tantas opiniões diferentes - muitas vezes, pelo menos numa leitura superficial, contraditórias - é fácil ficarmos confusos. É uma das razões pelas quais o meu único lema em termos alimentares é VARIAR.

 

A autora diz também que evita os cereais - na 'dieta paleo' o pão, praticamente, não entra! - as leguminosas ("porque contém toxinas e proteínas que podem prejudicar a inflamação e a digestão), o açúcar refinado, as gorduras pouco saudáveis e alguns laticínios, nomeadamente os "magros", por terem normalmente "mais açúcar e aditivos nocivos".

 

Parfait de tarte banoffee

 

Apesar do "rótulo" paleo, gostei do livro, até porque a generalidade das receitas me parecem equilibradas e saudáveis, podendo ser integradas numa rotina alimentar 'não paleo' (ainda que, no meu caso, tencione substituir o óleo de coco, que aparece amiúde, pelo azeite).

 

São receitas muito variadas, na sua maioria salgadas (também não imagino os homens do paleolítico a deliciarem-se com bolos e doces 🤪). Há sugestões para pequenos-almoços,  menus temáticos incluindo refeições vegetarianas e veganas, bebidas, muitas saladas e acompanhamentos. Há receitas rápidas, outras reunidas por serem baratas (ainda que estes dois atributos sejam algo relativo) e ainda outras agrupadas na categoria dos "básicos".

E há até um plano quinzenal de refeições no final do livro, com sugestões para o pequeno-almoço, almoço, lanche e jantar.

 

Do que é que eu gostei mais? De haver muitas receitas com legumes e muita cor, em fotografias que nos deixam a babar.

 

Resumindo:  "Novas receitas paleo" é um livro bonito (não há dúvidas de que os australianos sabem fazer livros de cozinha - ver a minha crítica ao livro de Matt Preston neste post). As fotografias e o design gráfico são cativantes, ainda que haja uma ou outra receita sem fotografia. É um livro que tem perfeitamente lugar numa cozinha que não seja estritamente paleo. As receitas são criativas e estão descritas com razoável detalhe, incluindo doses, tempo e perfil nutricional. Alguns ingredientes são pouco comuns (existe inclusivamente um glossário), mas parece-me fácil omiti-los ou substituí-los por outros. 

 

Livro "Novas Receitas Paleo" de Irena Macri

Querem saber mais sobre o livro "Novas receitas paleo", de Irena Macri? Espreitem aqui, na Livraria Bertrand. 

Ah! E já me seguem no Instagram? Costumo mostrar o interior dos livros desta rubrica nas stories!

Parfait de tarte banoffee

PARFAITS DE TARTE BANOFFEE

(receita original: "Novas receitas paleo", de Irena Macri)

 

Para 4/6 copos, dependendo do tamanho

3 bananas médias

1/2 chávena de natas de coco (usei a parte sólida do leite de coco, depois de umas horas no frigorífico)

1/2 chávena de coco seco em flocos

1/3 chávena de avelãs torradas picadas

1/2 chávena de coco em lascas

1/3 chávena de amêndoa em palitos ou lascas

2/3 de chávena de creme-caramelo (receita mais abaixo)*

1 chávena de iogurte grego natural (ou iogurte vegetal)

4 colheres de sopa de pepitas de chocolate negro

 

Corte duas das bananas às rodelas, coloque-as num saco de congelação e leve-as ao congelador durante 30/45 minutos.

Numa frigideira antiaderente, toste a amêndoa e as lascas de coco (e a avelã se for caso disso). Reserve.

No processador ou robot de cozinha, triture as bananas semicongeladas com as natas de coco (não sei se existem natas de coco à venda cá ou se o equivalente é o creme de coco que já vi à venda; eu levei uma lata de coco ao frigorífico umas horas antes e, depois, usei a parte sólida que se formou na parte superior da lata), até obter um creme aveludado.

Corte a banana restante às rodelas (pode regar com sumo de limão para não oxidar)

Para montar os parfaits, comece por fazer, em cada copo, uma camada de frutos secos e coco tostado e uma camada generosa de creme de coco e banana; a seguir, disponha por camadas: creme-caramelo (ou leite condensado cozido, veja a minha nota mais abaixo), iogurte, frutos secos e coco, pepitas de chocolate, rodelas da banana. Termine com mais frutos secos e coco, pepitas de chocolate e mais um pouco de creme-caramelo ou leite condensado cozido.

Sirva de imediato.

 

CREME-CARAMELO

Para cerca de 250 g

3,5 colheres de sopa de ghee ou óleo de coco

1/3 de chávena de mel

1,5 chávenas de leite de coco bem agitado

1 colher de sopa de essência de baunilha

Uma pitada de sal marinho

 

Aqueça o ghee ou óleo de coco com o mel num tacho pequeno, até começar a fervilhar.

Nessa altura, junte o leite de coco, aos poucos e mexendo sempre.

Adicione a baunilha e deixe levantar fervura.

Reduza para lume brando e deixe cozinhar durante cerca de 30 minutos, mexendo com frequência. Cozinhe mais 15 minutos no mínimo. Vá mexendo até verificar que começou a engrossar, o que deve acontecer nos minutos finais. O creme deve ficar grosso, mas "mole" - vai espessar ao arrefecer. Retire do lume e guarde num frasco hermético. Conservar no frigorífico até um mês (a autora diz que o creme pode ser reaquecido suavemente para voltar à consistência inicial. Eu tentei requecer uma parte, mas não correu bem: a gordura separou-se do resto e ficou inutilizável. Aconselho antes a que retirem o creme do frigorífico com tempo ou... ainda mais prático, saltem a parte de fazer o creme-caramelo e usem leite condensado cozido, como explico a seguir).

 

*Eu segui a receita à risca, fazendo, inclusivamente, o creme-caramelo de mel e coco, que me demorou mais do que uma hora a fazer; se não seguem uma dieta vegana, aconselho a substituírem o creme-caramelo por leite condensado cozido.

 

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05
Set19

Panacota de lima e limão [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #8]

Panacota de lima e limão

Panacota de lima e limão

Panacota de lima e limão

 

Apesar do calendário o desmentir, as temperaturas dos últimos dias dizem-nos que estamos no pico do verão. As tartes e os crumbles de outono vão ter de esperar. A boa notícia é que o livro desta semana do "Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes" tem receitas para todas as estações do ano. 

 

Falo do livro "As receitas de Cristina Manso Preto", da popular colaboradora do programa Praça da Alegria da RTP, onde há vários anos apresenta uma rubrica de culinária.

 

Sabiam que este é já o 8º livro no âmbito do #dizmeoquelês, iniciativa que conta com apoio da Livraria Bertrand? Onde, aliás, podem encontrar todos os livros de que falo aqui [para saberem mais sobre os livros anteriores, é só clicar nos links no final deste post].

 

Livro de Cristina Manso Preto

Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #8

"As receitas de Cristina Manso Preto" - Cristina Manso Preto - Porto Editora

 

Mal comecei a folhear o livro, fiquei com a sensação de que se iria converter num dos meus favoritos. Porque adoro comida de conforto (quem não gosta?) e se tivesse de descrever o conteúdo do livro da Cristina numa só frase seria "comida de conforto à portuguesa". Porque mesmo que apresente alguns clássicos que vieram lá de fora, como os scones, a charlotte, o risotto ou o chilli, todos ganharam um toque português, seja nos ingredientes ou na confeção simplificada.

 

É um livro suculento, cheio daquelas receitas que só de ler sabemos que vão ser um "crowd-pleaser", com recurso aos ingredientes que tradicionalmente nos são familiares, incluindo aqueles que agora estão ausentes de muitos regimes: manteiga, natas, farinha de trigo, carne, peixe, enchidos. Apesar destes ingredientes estarem atualmente quase "demonizados", não se pense que o livro é um elogio à alimentação pouco saudável, nada disso. Se não tivermos qualquer impedimento de saúde ou ideológico e os consumirmos com equilíbrio, não há porque retirá-los da nossa dieta.

 

Estas são receitas que seguem o estilo de cozinha da maioria das nossas mães e que continuam a agradar a miúdos e graúdos que não tenham nenhum tipo de restrição alimentar. E há receitas simples e saudáveis, como a "Sopa fria de meloa com hortelã" ou as "Bolachas de requeijão e alecrim", e outras que nós e a Cristina sabemos que são apenas para dias especiais, como os "Jesuítas" ou a "Tarte merengada de frutos vermelhos". O livro inclui ainda algumas receitas "sem glúten".

 

São sete as categorias em que estão agrupadas: "Super fácil", "Para aquecer a alma", "Para refrescar os dias", "Para momentos de gula", "Mãos na massa", "As preferidas cá de casa" e ainda "Para nada desperdiçar", com sugestões para aproveitamento de sobras.

 

Panacota de limae limao

 

Se gosta de receber em casa, este livro é para si. Tenho a certeza de que começará logo a imaginar as festas e os jantares onde poderá servir estas propostas. E se as receitas salgadas prometem ser deliciosas, as doces são uma verdadeira tentação. Deixo aqui alguns exemplos: "Bolo merengue de chocolate", "Pudinzinhos de café", "Charlote de chocolate e frutos vermelhos", "Mousse de coco e lima", "Embrulhos de maçã caramelizada", "Tarte de damascos e amêndoas", "Panacota de limão" [cuja receita apresento mais abaixo, numa versão que inclui também lima], "Bolo de São Martinho", "Bolo de mil-camadas"... e a lista poderia continuar bem gulosa.

 

Resumindo: "As receitas da Cristina Manso Preto" é um daqueles livros que encaixa como uma luva nas prateleiras de uma cozinha familiar, onde a azáfama se instala não só em dia de celebrações maiores como num jantar de amigos. Um livro para quem come de tudo e gosta de cozinhar de tudo. São mais de 80 receitas, que vão desde pão para o pequeno-almoço a sobremesas vistosas, passando por pratos principais de substância. Tem fotografias para todas as receitas, de Rui Bandeira, e a descrição daquelas é clara e detalhada o suficiente para que as possamos confecionar com sucesso.

 

Saber mais sobre "As receitas de Cristina Manso Preto" >>>> Livraria Bertrand

 

De seguida, deixo-vos a receita de Panacota de [lima] limão, perfeita para este setembro quente e luminoso.

 

Panacota de lima e limão

PANACOTA DE LIMA E LIMÃO

Adaptado do livro "As receitas de Cristina Manso Preto"

Para 6

 

Para as panacotas:

600 ml de natas (3 embalagens)

100 g de açúcar

3 pedaços de casca de limão

3 pedaços de casca de lima

1 colher de sopa de sumo de limão

1 colher de sobremesa de sumo de lima

4,5 folhas de gelatina (use uma tesoura para cortar a folha)

Folhas de hortelã para decorar (opcional)

 

Para o curd de lima e limão da cobertura*:

2 ovos L

50 ml de sumo de limão

50 ml de sumo de lima

120 g de açúcar

50 g de manteiga à temperatura ambiente

1 colher de sopa de raspa de limão e lima

 

*O livro tem uma receita ligeiramente diferente para a cobertura, um pouco mais complexa, e por isso decidi seguir a minha receita infalível de lemon curd, numa variação com lima.

 

Comece por fazer o curd de lima e limão: num tachinho, leve ao lume os ovos bem batidos com o açúcar e o sumo de lima e limão. Vá mexendo até engrossar, o que deve demorar cerca de 10 minutos.

Junte as raspas de lima e limão e a manteiga. Mexa bem, verta para frascos bem limpos, tape, deixe arrefecer e leve ao frigorífico.

 

Para as panacotas, leve as natas ao lume com as cascas e o açúcar.

Deixe aquecer bem, mexendo com uma vara de arames, mas não deixe ferver.

Retire do lume, e deixe repousar com as cascas, para ganhar sabor, cerca de uma hora.

Entretanto demolhe a gelatina em água durante 5 a 8 minutos. Escorra e reserve.

Esprema o limão e a lima nas quantidades pedidas. Reserve.

Retire as cascas da mistura de natas e leve de novo ao lume até aquecer bem, mas sem atingir o ponto de fervura.

Desligue o lume e junte a gelatina escorrida e o sumo de lima e de limão. Mexa bem com as varas.

Verta para formas adequadas (usei umas formas de queque metálicas com revestimento anti-aderente) ou frasquinhos. Deixe amornar e leve ao frio para solidificar.

Quando for para servir, se tiver usado formas, mergulhe-as rapidamente em água quente e vire-as para um pratinho. Espere alguns minutos e abane, segurando bem no prato junto à forma, caso não tenha descido naturalmente.

Sirva com o curd de lima e limão e decore com folhas de hortelã.

Ah! Pode usar o curd que sobrar para rechear um bolo, comer com scones ou com iogurte [ou simplesmente comer às colheradas, mas vamos fazer de conta que eu não disse isto 😁].

 

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29
Ago19

Tarte de Amêndoa saudável [Diz-me o que lês #7]

Livro de receitas 'Mais Pitada do Pai'

Tarte de Amêndoa saudável

Com 110 mil fãs no Facebook, 77 mil seguidores no Instagram e um segundo livro que já vai na segunda edição, tendo chegado ao top das principais livrarias do país, Rui Marques e o projeto "A Pitada do Pai" dispensa apresentações.

 

Desconfio que não há ninguém [pelo menos nenhum pai ou mãe com crianças pequenas que se preocupem com a sua alimentação], que não conheça e não seja fã do Rui e das suas receitas simples e saudáveis. Receitas que não se restringem a um regime alimentar específico. Gosto da sua abordagem "abrangente" e identifico-me com ela. Na cozinha da Pitada do Pai come-se de tudo, sem fundamentalismos, mas com moderação e plena consciência da importância das boas escolhas. Pela nossa saúde e pela saúde do nosso planeta.

 

E assim está feita a introdução ao "Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes" desta semana, que como já deu para perceber é sobre o segundo livro do Rui, "Mais Pitada do Pai" . No entanto, se quiserem avançar já para a receita de tarte de amêndoa saudável - uma das receitas doces do livro -  é só fazer deslizar o rato ou o dedo até à parte final do post.

 

Como sempre, contei com o apoio da Livraria Bertrand online [onde podem comprar o livro com desconto em cartão e portes grátis!].

 

Livro "Mais Pitada do Pai"

Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #7

"Mais Pitada do Pai" - Rui Marques - Editora IN/Zero a Oito

 

O livro começa com alguns testemunhos sobre as receitas do Rui e o seu contributo para um dia a dia familiar descomplicado, seguindo-se o prefácio escrito pelo Chef Kiko. Depois, o autor fala-nos sobre a sua maneira de ver a cozinha e a alimentação, conta-nos um pouco sobre o seu percurso e de como surgiu o projeto [sabiam que antes de dar início ao blog, Rui Marques chegou a pesar 120 quilos?].

 

Há ainda algumas sugestões que ajudam a simplificar o ato de cozinhar todos os dias, como manter o frigorífico arrumado, evitar o desperdício e cozinhar de uma vez para várias refeições. Sem esquecer a importância de dar o exemplo aos mais novos, não desistindo de lhes ir mostrando novos sabores.

 

As receitas surgem agrupadas nas categorias de "Entradas", "Molhos", "Jantares", "Sobremesas", "Marmitas", "10 Minutos" e Pequeno-almoços". Os ingredientes utilizados são variados, desde os mais tradicionais (incluindo peixe e carne) a outros mais "alternativos", como as sementes de chia, a farinha de linhaça ou o xarope de tâmaras. Mas, na generalidade, são receitas com produtos comuns e económicos, que se encontram em qualquer mercearia ou supermercado.

 

Livro de receitas 'Mais Pitada do Pai'

 

O azeite, os legumes, a fruta, os cereais integrais, os frutos secos e as leguminosas são presença assídua ao longo das quase 200 páginas do livro, onde podemos encontrar versões mais saudáveis de pratos clássicos, como o Bacalhau com natas, a Açorda de marisco (feita com aveia em vez de pão), o Salame de chocolate ou a Tarte de amêndoa cuja receita encontram mais abaixo. Nas sobremesas, não há açúcares refinados, privilegiando-se o açúcar de coco e outros adoçantes menos 'vazios' de nutrientes do que o açúcar branco.

 

A maior parte das receitas contém dicas e propostas para aproveitar as sobras ou fazer variações, e no final do livro há um quadro com sugestões de receitas de pequeno-almoço, almoço e jantar para quinze dias. São dois menus semanais com receitas do livro, que ajudam quem gosta de planear as refeições sem perder muito tempo a pensar no que vai cozinhar. 

 

Acredito que quem esteja demasiado preso à cozinha convencional, onde são frequentes os refogados apurados ou as sobremesas calóricas, comece por estranhar estas receitas mais leves, mas o tom do livro é tudo menos fundamentalista e convida a ir-se experimentando e introduzindo aos poucos as opções mais saudáveis - se possível em família, para que todos possam usufruir e motivar-se mutuamente ao longo do processo.

 

Resumindo: o livro "Mais Pitada do Pai" é um livro prático e despretensioso, que reflete o estilo de cozinha a que o Rui já habituou os fãs do blog. Tem um design simples, mas funcional [ainda que lhe falte um índice completo das receitas e a indicação do rendimento/nº de doses ou pessoas para cada receita]. As receitas são fáceis e variadas, adequadas às diferentes refeições ao longo do dia. Há fotografias para todas as receitas, da autoria de Teresa Aires, e o tom da escrita é próximo, genuíno e descontraído.

 

Saber mais sobre o livro >>>> Bertrand Livreiros - Livraria online

E agora, vamos à tarte de amêndoa saudável do Rui? Bem, na verdade a minha ficou mais bolo...

 

Tarte de Amêndoa saudável

Tarte de Amêndoa saudável

TARTE DE AMÊNDOA [SAUDÁVEL]

Receita original no livro "Mais Pitada do Pai"

 

Para a base:

1/2 chávena de farinha de arroz

2 ovos

1 maçã ralada

Raspa de 1 laranja

 

Para o recheio:

1,5 chávenas de tâmaras (cerca de 200 g)

1/2 chávena de miolo de amêndoa aos palitos + algumas para decorar (opcional)

1 chávena de água a ferver

 

Ligar o forno nos 180º.

Para a base, triturar todos os ingredientes num robot de cozinha e verter sobre uma tarteira untada previamente (como a receita não tinha qualquer indicação sobre o tamanho das formas - na fotografia da receita original estão minitartes - acabei por usar uma forma redonda com aro amovível pequena, com 16 cm de diâmetro, e acabou por ficado mais alta do que uma tarte convencional).

Levar ao forno cerca de 10 a 12 minutos, consoante a altura da massa (que na verdade é mais parecida com massa de bolo do que com massa de tarte).

Entretanto, colocar as tâmaras no robot e adicionar uma chávena de água a ferver. Deixar repousar alguns minutos para que amoleçam e depois triturar.

Juntar a amêndoa e triturar.

Retirar a base do forno e verter por cima desta a mistura de tâmaras e amêndoa.

Alisar e levar ao forno durante cerca de 12 a 15 minutos (mais uma vez, irá depender da altura da camada, quanto mais alta, mais tempo de forno necessita).

A meio da cozedura, espalhar mais algumas amêndoas palitadas por cima, para que fiquem tostadas.

Retirar e deixar arrefecer antes de partir e servir.

 

Nota: não é uma tarte consensual; enquanto o provador-mor cá de casa adorou à primeira garfada, eu estranhei e só depois entranhei 😉

 

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Teresa Rebelo

foto do autor

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