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Lume Brando

28
Nov19

Bolo de arroz [ou um regresso à infância]

Bolo de arroz

Bolo de arroz

 

É raro seguir uma receita de fio a pavio, sem omitir um ingrediente ou substituí-lo por outro, ou sem ignorar ou acrescentar um passo. É mais forte do que eu 🤷‍♀️

 

Mesmo na rubrica #Dizmeoquelês tenho alguma dificuldade em ser 100% fiel à receita do livro. Ou porque não tenho um ou outro ingrediente em casa, ou porque há um determinado procedimento que foge aos meus hábitos culinários. Mas nestes bolos de arroz, não mudei rigorosamente nada em relação à receita da Rita Nascimento, aka La Dolce Rita.

 

Por isso, não tinha pensado em publicá-la aqui. No entanto, como foram vários os pedidos que me fizeram no Instagram para partilhar a receita, aqui está ela: a receita dos bolos de arroz. Uma receita que me recuar aos lanches no café ou na pastelaria quando era pequena (que eram um pouco raros, na verdade, e talvez por isso me tenham marcado), com a minha mãe, a minha avó Maria ou com as minhas tias. E em que éramos aconselhados a evitar os bolos com creme (acho que a minha primeira bola de Berlim ou o meu primeiro Napoleão, comi-os já praticamente adulta) e a optar por uma torrada, um bico de pato com fiambre, um croissant simples ou... um bolo de arroz!

 

[Houve também muita gente que me perguntou onde tinha comprado as forminhas de papel. Foi aqui, no Cantinho dos Paladares, e compram-se em embalagens de 12 unidades].

 

Bolo de arroz

BOLOS DE ARROZ

Receita do livro "Uma pastelaria em casa", de La Dolce Rita

Para 8-10 bolos de arroz (nestas formas)

 

150 g manteiga

180 g de açúcar

3 ovos

150 g farinha T55 sem fermento

100 g de farinha de arroz

1 colher de chá de fermento em pó para bolos

100 ml de leite

Açúcar para polvilhar qb

 

Ligar o forno nos 180º.

Bater a manteiga amolecida com o açúcar até ficar em creme (usei a batedeira elétrica).

Juntar os ovos e incorporar bem (usei a batedeira elétrica).

Acrescentar as farinhas e o fermento e por fim, juntar o leite (usei a batedeira elétrica, numa velocidade baixa).

Verter para as formas - encher cerca de 3/4 de cada forma.

Polvilhar o topo de cada bolo com cerca de 1 colher de chá rasa de açúcar (para ganhar a capa crocante - no meu caso, houve algum açúcar que não derreteu/solidificou).

Levar a cozer entre 15 a 20 minutos - fazer o teste do palito, que deve sair limpo.

 

OUTRAS RECEITAS PARA REGRESSAR À INFÂNCIA:

22
Nov19

Rahmschmarren a la Koschina - receita austríaca [Diz-me o que lês #17]

Receita austríaca rahm schmarren

Livro Casal Mistério

 

Após um inesperado e chato extravio de livros, o "Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes", rubrica que conta com o apoio da livraria Bertrand, está de volta com um livro muito apetitoso. Acreditam que este é já o 17º livro de cozinha a passar por aqui, desde que esta aventura começou, há pouco mais de quatro meses? Se me seguem no Instagram, sabem que de vez em quando lanço uns passatempos com livros da rubrica. Se gostavam de ter este livro, fiquem atentos: quem sabe não tenho um exemplar para oferecer?😉

 

Livro Casal Mistério

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #17

"As 99 Melhores Receitas do Casal Mistério" - Casal Mistério - Editora Manuscrito

 

Para quem gosta e procura informação sobre temas ligados à cozinha, às receitas e aos restaurantes, o site do Casal Mistério não é segredo [gostaram deste trocadilho? 🙈].

Ninguém sabe quem está por detrás deste projeto, mas sabe-se que o blog, criado há cinco anos, conta com milhares e milhares de visualizações, tem mais de 200 mil seguidores no Instagram e mais de 300 mil no Facebook, e recebeu por várias vezes o prémio de "Melhor blog de culinária" no concurso 'Blogs do Ano' da Media Capital.

 

Na verdade, o Casal Mistério não é um blog de culinária como a maioria dos blogs de culinária, sendo mais "curadores" de receitas do que "criadores". E isto leva-me a um dos aspetos que me intrigou neste livro (que é já o terceiro lançado pelo Casal Mistério). Muitas das receitas, se não mesmo a maioria, são receitas que foram publicadas no blog mas retiradas de outros sites e blogs e que no Casal Mistério surgem acompanhadas dos devidos créditos. Mas no livro isso não acontece. Nem na introdução, nem nos agradecimentos, nem nas páginas das receitas encontro qualquer referência à sua origem.

 

Sei que o Casal Mistério teve o trabalho de as traduzir e provavelmente adaptar, e foram magistralmente fotografadas pela talentosa Maria Midões. Mesmo assim, não seria de fazer uma referência às versões originais?

 

Deixando este pequeno "mistério" de lado, devo dizer-vos que o livro é já um dos meus favoritos desta rubrica. É bonito, está bem escrito - com os apontamentos de humor característicos do Casal Mistério - e as receitas, selecionadas por serem as mais populares do blog - são muito variadas e apelativas.

 

Livro Casal Mistério

 

Na verdade, são 99 receitas mais 16 receitas extra, generosamente disponibilizadas por 16 chefs de cozinha famosos, incluindo a da sobremesa do chef austríaco Dieter Koschina, responsável pelo restaurante algarvio Vila Joya, e que escolhi para experimentar e publicar aqui.

 

São 8 os capítulos em que as receitas estão agrupadas:

  • Para nos fazer levantar da cama
  • Para enganar a fome
  • Para partilhar com os amigos
  • Para comer em família
  • Para levar para o trabalho
  • Para não engordar
  • Para a desgraça [o meu capítulo preferido 😆]
  • As receitas que os chefs fazem em casa

 

Smoothies e panquecas. Brownies, cheesecakes e bolachas. Entradas fáceis e vistosas. Pratos reconfortantes. Sugestões rápidas e com poucos ingredientes. Sanduíches, saladas e outras propostas saudáveis. Bolos gulosos: há de tudo aqui.

 

E há ainda as imagens maravilhosas da Maria Midões. Tive a oportunidade de conhecer a simpática Maria há uns anos, num workshop de fotografia de comida na Clavel's Kitchen, e sou absolutamente fã do seu trabalho [já agora: uma das razões por que escolhi fazer o Rahmschmarren é que as receitas dos chefs não surgem fotografadas, e assim não tenho de comparar as minhas com as da Maria, ahahahah].

 

Resumindo: o livro "As 99 Melhores Receitas do Casal Mistério" é um valor seguro. A abordagem gráfica é simples mas 'eye-catching' e as receitas estão bem descritas. Apresenta receitas para os vários momentos do dia e para várias necessidades (receitas mais ou menos calóricas) sendo por isso um livro abrangente, que vamos querer ter sempre à mão. As fotografias da Maria Midões... essas são a cereja no topo do livro.

 

Saber mais e comprar "As 99 Melhores Receitas do Casal Mistério" >>> Livraria Bertrand*

Rahm schmarren - receita austríaca

RAHMSCHMARREN A LA KOSCHINA

Receita do Chef Dieter Koschina no livro "As 99 melhores receitas do Casal Mistério"

Esta é uma receita tradicional austríaca, aqui com o toque do chef, que sugere servi-la com puré de maçã. Tentei saber mais sobre esta sobremesa de conforto - uma espécie de panqueca fofa gigante - mas todos os sites que encontrei estavam em alemão e não me apeteceu ir ao google tradutor 🤪

 

Para o "bolo":

300 g de natas

50 g de açúcar em pó

60 g de gemas de ovo (4 ovos pequenos)

50 g de amido de milho

1 copo de shot de rum

Raspa de limão qb

90 g de claras de ovo

60 g de açúcar (+ algum para a caramelização final)

1 colher média de manteiga (+ alguma para a caramelização final)

 

Para o puré de maçã:

Maçãs (usei 3 grandes)

Açúcar qb (não usei)

Sumo de limão qb

Baunilha qb (usei umas gotinhas de essência)

Canela em pó qb

 

Começar por fazer o puré de maçã: cozer as maçãs lentamente num fundo de água. Triturar e juntar os restantes ingredientes a gosto.

Ligue o forno nos 180º.

Com um batedor de varas, misturar bem as natas, o açúcar em pó, as gemas, o amido, a raspa de limão e o rum.

Bater em castelo as claras com os 60 g de açúcar e juntar ao preparado anterior.

Levar ao lume uma frigideira grande que possa ir ao forno e derreter nela a manteiga, espalhando-a por toda a frigideira. Verter nela a massa do "bolo" e levar ao forno durante cerca de 30 minutos.

Assim que estiver bem dourado, retirar do forno e fazer um quadriculado na massa (schmarren significa algo como "desfeito" ).

De seguida, a receita diz para barrar com "manteiga e açúcar caramelizado". Confesso que não percebi bem como isto se fazia, mas depois de ver este vídeo percebi que deve colocar-se mais um pouco de manteiga e açúcar noutra frigideira e passar para aí os pedacinhos de "bolo", deixando caramelizar. Servir com o puré de maçã.

A romã é um acrescento meu, porque... torna qualquer qualquer prato mais fotogénico 😉

 

MAIS RECEITAS DOCES DA RUBRICA "DIZ-ME O QUE LÊS":

 

*Link afiliado

 

21
Nov19

Receita de jesuítas [versão 'seminaristas']

Jesuítas

Jesuítas

 

Quem resiste a um jesuíta? [não falo dos religiosos da Companhia de Jesus, que esses devem ser deixados sossegados na sua missão 😄]. Falo do clássico da pastelaria portuguesa, feito de camadas de massa folhada, doce de ovos e uma capa crocante de açúcar e canela.

 

Apesar de não ser consensual a sua origem, a teoria mais consistente situa-a na centenária Confeitaria Moura, em Santo Tirso, que continua a fabricar os jesuítas mais famosos do país, e que tem a receita original patenteada. Reza a história que a iguaria foi criada em 1892 por um pasteleiro espanhol, que havia sido contratado pela dita pastelaria tirsense, e que a terá batizado desta forma em homenagem aos monges para quem tinha trabalhado em Bilbau.

 

Lendas e teorias à parte, o certo é que o pastel depressa ganhou fama e começou a ser reproduzido em pastelarias um pouco por todo o país. E com variações quanto ao seu tamanho: o gigante dá pelo nome de "cardeal", e os pequenos, como os que vos trago aqui, são os "seminaristas". Faz sentido, certo? 

 

Durante muito tempo, achei que fazer os jesuítas em casa seria complicadíssimo, mas decobri que afinal é simples e rápido até. Claro, desde que usemos massa folhada de compra e já tenhamos o doce de ovos pronto (que se faz facilmente, mas que precisa de arrefecer antes de ser barrado na massa folhada).

 

Querem tirar a prova? A receita de jesuítas segue abaixo (e vão encontrá-la numa espécie de passo a passo nos meus stories no instagram >>> Lume Brando).

 

Jesuítas

 

JESUÍTAS - VERSÃO 'SEMINARISTAS' (MINI)

Para cerca de 26

 

1 placa de massa folhada retangular fresca

Cerca de 10 colheres de sopa de doce de ovos*

25 g de clara de ovo

130-150 g de açúcar em pó

Fio de sumo de limão

Canela em pó qb

 

Ligar o forno nos 190º.

Desenrolar a massa folhada e cortar ao meio no sentido do comprimento.

Barrar cada metade dessas tiras largas, no sentido do comprimento, com doce de ovos.

Dobrar a parte da massa sem doce sobre a parte com doce.

Cortar em trapézios (cerca de 12 ou 13 trapézios em cada tira) e passá-los para um tabuleiro forrado com papel vegetal.

Numa taça e com um batedor de varas, misturar a clara com o açúcar em pó -  juntar o açúcar aos poucos pois pode não ser necessário usar todo. Juntar um fio de sumo de limão e canela em pó a gosto (costumo adicionar cerca de uma colher de chá bem cheia). Deve obter-se um glacé grosso, espesso e pastoso, mas "espalhável". Adicionar um pouco mais de sumo de limão se achar que está demasiado pastoso, ou mais açúcar em pó se estiver demasiado fluído.

Cubrir cada trapézio com glacé, com a ajuda de uma colher pequena.

Levar ao forno durante uns 15/20 minutos - ir espreitando e retirar quando a massa tiver folhado e apresentarem uma cor ao seu gosto.

Se repararem, os meus ficaram um pouco pálidos (mas deliciosos, diga-se!), se gostarem deles um pouco mais escuros, basta deixarem mais um pouco no forno!

_______________________________________________________________________________________________

*DOCE DE OVOS

Adaptado de uma receita do Chef Luís Francisco

6 gemas + 1 ovo inteiro

250 g de açúcar

125 g de água

1 pedaço de casca de limão

1 pau de canela

 

Num tachinho,  levar ao lume a água, o açúcar e os aromatizantes (limão e canela). Sem mexer, deixar levantar fervura. Quando começar a borbulhar (bolhas grandes em toda a superfície da calda), contar 3 minutos. Retirar do lume, descartar o limão e a canela e verter em fio sobre as gemas e o ovo previamente desfeitos numa taça de metal, mexendo sempre. Coar para o tacho e levar ao lume até engrossar, cerca de 10 minutos, mexendo sempre para não ganhar grumos e sem deixar ferver. Colocar num frasco, deixar arrefecer e conservar no frigorífico (dura várias semanas, se não meses).

 

OUTRAS RECEITAS GULOSAS:

 

13
Nov19

Pão de maçã [Uma receita com outono dentro]

Pão de maçã

Pão de maçã

 

Eu refilo com a chuva. Irrito-me com a mudança da hora. Desespero com a luz natural que acaba num abrir e fechar de olhos. Adio a mudança do guarda-roupa porque não gosto da roupa da época. Mas reconheço que o outono tem o seu charme.

 

O cenário que nos é dado pelas árvores vestidas de múltiplos castanhos e dourados é mágico.

E os ingredientes da época são deliciosos, fotogénicos, e reconfortantes: as castanhas, as abóboras, os diospiros, as romãs, a maçã...

 

Todos os anos, um primo oferece-me uma caixa enorme de maçãs vindas de Carrazeda de Ansiães. E são tão boas, firme e doces. Para além de comê-las ao natural - seria um pecado não fazê-lo - algumas são transformadas em doces e sobremesas. Como este 'apple bread' ou pão de maçã [na verdade é um bolo!]. Uma receita que grita outono por todos os lados e me faz reconciliar com esta altura do ano.

 

Pão de maçã

PÃO DE MAÇÃ

[rende bastante, a quantidade de bolos depende do tamanho da forma; no meu caso, consegui fazer 4 bolos relativamente pequenos]

 

4 maçãs grandes

1 chávena rasa de açúcar amarelo

2 ovos grandes

1/2 chávena de azeite

3 chávenas rasas de farinha sem fermento

1 chávena de frutos secos [nozes fica muito bem]

1 chávena de uvas passas ou sultanas

1 colher de sopa de fermento em pó

1 colher de chá de bicarbonato de sódio

1 colher de chá de canela em pó

1/2 colher de chá de noz moscada

1 pitada de sal

 

Chávena = 250 ml capacidade

 

Pré-aqueça o forno nos 180º.

Unte 2 formas de bolo inglês médias ou 4 pequenas.

Descasque as maçãs e rale-as grosseiramente num ralador (uso este ralador)

Junte o açúcar, envolva e reserve uns 10 ou 15 minutos até o açúcar dissolver e ter ganho líquido.

Junte os ovos, o azeite, os frutos secos e as sultanas ou as uvas passas (se usar passas, pique-as grosseiramente)

Adicione a farinha, o fermento, o bicarbonato, a canela, o sal e a noz moscada, envolvendo sem bater.

Verta para as formas e leve a cozer cerca de 45 minutos - irá demorar menos se as formas forem pequenas ou mais alguns minutos se forem maiores. Faça o teste do palito para conferir.

 

MAIS RECEITAS DELICIOSAS E FÁCEIS COM MAÇÃ:

 

25
Out19

Bolo de coco, manga e clementina [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #15 ]

Bolo de coco, manga e clementina

Bolo de coco, manga e clementinaBolo de coco, manga e clementina

 

O interesse e a curiosidade por uma alimentação à base de vegetais são cada vez mais comuns e, se dúvidas houvesse sobre a importância desta tendência, bastaria olhar para as prateleiras das livrarias. Nos últimos tempos, temos assistido ao lançamento em catadupa de livros dedicados à dieta vegetariana, nomeadamente ao regime 100% vegetariano ou vegan. Já falei de alguns deles aqui [no final do post, encontram os links para esses posts], e esta semana, na rubrica "Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes", trago mais um livro "verde" acabadinho de sair do forno!

 

[Por falar em forno, mais abaixo encontram o Bolo de coco, manga e clementina, a primeira receita do livro que escolhi e testei - na versão original, com laranja em vez de clementina.]

 

Bolo de coco, manga e clementina

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #15

"Cozinha Vegetariana Rápida e Prática" - Gabriela Oliveira - ArtePlural Edições

 

De acordo com a capa do livro, Gabriela Oliveira é a autora dos livros de receitas vegetarianas mais vendidos em Portugal, sendo este o seu 6º livro de culinária em cinco anos [o que eu acho um feito incrível, devo dizer].

 

Vegetariana há mais de 20 anos, Gabriela não só tem feito um trabalho notável no desenvolvimento de receitas, como tem partilhado o seu saber e experiência em muitos workshops e showcookings, tendo aberto recentemente a Academia Vegan - um espaço de formação totalmente dedicado à cozinha 100% vegetal, em Lisboa.

 

Se costumam passar por aqui, sabem que eu não sou vegan, nem sequer vegetariana. No entanto, tenho aumentado cá em casa o número de refeições sem proteína animal. E se é certo que me custaria seguir uma dieta vegan, não coloco de parte optar por um vegetarianismo que não exclua os ovos e os derivados do leite. 

 

É por isso que gosto tanto de livros de cozinha vegetariana como dos que versam sobre a dieta "omnívora", desde que estejam bem estruturados, bem escritos, sejam visualmente apelativos e prometam pratos deliciosos. Porque a verdade é que eu ADORO vegetais.

 

Bolo de coco, manga e clementina

 

Se há coisa que não falta neste livro são receitas: 100 receitas no total, divididas pelos seguintes capítulos:

  • Pequeno-almoço e lanche
  • Snacks e refeições ligeiras
  • Sopas e Saladas Nutritivas
  • Pratos principais (na frigideira e na caçarola)
  • Doces momentos

 

Nas páginas iniciais do livro, para além de se apresentar, Gabriela tece algumas considerações sobre alimentação e sustentabilidade e fornece informação sobre os diferentes tipos de vegetarianismo, ingredientes mais usados neste regime alimentar e respetivos perfis nutricionais e ainda dicas sobre preparação e conservação dos alimentos, sem esquecer um miniguia de como planear as refeições e evitar o desperdício.

 

As receitas são, de uma maneira geral, bastante apelativas e originais. Os "Croquetes de tremoço", a "Bolonhesa de couve-flor e noz", a "Omoleta de aveia" ou o "Fricassé de castanhas e espargos" são bons exemplos. No entanto, algumas incluem produtos processados como "chouriço de soja", "salsichas vegetais", "queijo vegan" ou "alheira de cogumelos" e confesso que estes produtos me fazem alguma confusão. Nunca os provei, há que referir, e por isso talvez esteja a ser preconceituosa (já agora, se tiverem alguma opinião ou feedback sobre a utilização destes produtos, digam coisas nos comentários 😉).

 

Já tenho várias receitas salgadas do livro marcadas, para experimentar em breve, mas os bolos despertaram de forma especial a minha atenção porque, apesar não levarem ovos, manteiga ou outros ingredientes típicos da pastelaria tradicional, têm um aspeto bastante semelhante [basta ver o bolo deste post - diriam que é um bolo sem ovos? 😉 ]

 

Curiosos sobre o livro? Saibam mais na Bertrand Livreiros Online, onde até ao final do dia de hoje [25/10/2019] encontram descontos de 20% a 40% em todos os livros, incluindo nas "novidades"!

 

Agora siga para a receita deste bolo vegan [Gabriela Oliveira prefere o termo 100% vegetal] de coco, manga e clementina, que ficou aprovadíssimo à primeira.

 

Bolo de coco, manga e clementina

Bolo de coco, manga e clementina

 

BOLO DE COCO, MANGA E CLEMENTINA [VEGAN]

Ligeiramente adaptado do livro "Cozinha vegetariana rápida e prática"

 

1 manga pequena e madura (200 g de polpa)

2 clementinas - raspa e sumo

1 colher de sopa de sumo de limão

1 chávena de leite de aveia (ou outro leite vegetal)

1/3 de chávena de azeite extravirgem (ou óleo de coco derretido ou óleo de girassol)

1 chávena de açúcar mascavado (150 g)

2 chávenas de farinha de espelta*

1 colher de sopa de linhaça moída

1 chávena de coco ralado

1 colher de sopa de fermento em pó

1/2 colher de café de bicarbonato de sódio

1 pitada de sal

Coco ralado e lascas de coco tostadas para decorar (opcional)

Molho de chocolate para servir (opcional)

 

Ligue o forno nos 180º.

Unte bem com azeite e polvilhe com farinha uma forma quadrada com cerca de 20 cm x 20 cm e forre o seu fundo com papel vegetal.

Triture a polpa da manga e coloque-a numa taça.

Junte a raspa e o sumo de clementina, o sumo de limão, o leite de aveia e o azeite, e mexa com o batedor de varas.

Adicione o açúcar, a farinha, o coco ralado, o sal, a linhaça, o fermento e o bicarbonato. Envolva bem e verta para a forma previamente preparada.

Leve a cozer entre 35 a 40 minutos (tenha em conta que se usar uma forma maior, o bolo vai ficar mais baixo e vai cozer mais depressa).

Desenforme, deixe arrefecer e cubra o topo com coco ralado e as lascas de coco tostadas.

Para uma experiência mais gulosa, sirva com molho de chocolate.

 

*Para uma versão sem glúten e de acordo com a receita original, substitua as 2 chávenas de farinha de espelta por 1/2 chávena de farinha de aveia, 1/2 chávena de farinha de milho, 1 chávena de farinha de arroz integral e 1 colher de sopa de psílio em pó (para ajudar a ligar).

 

GOSTARAM DESTE POST? SE SIM, ESPREITEM ESTES TAMBÉM:

 

10
Out19

Bolo de pastel de nata [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #13]

Bolo de pastel de nata

Bolo de pastel de nata

 

Quem me conhece sabe, que apesar de eu cozinhar de tudo e partilhar aqui receitas diversificadas, a minha paixão são os bolos. Por isso, quando dei conta de que a Rita Nascimento, aka La Dolce Rita, tinha lançado um livro novo só com receitas de bolos, pensei logo em trazê-lo ao #dizmeoquelês - esta rubrica de que gosto tanto e que só é possível graças a uma parceria com a Bertrand Livreiros 🧡

 

Vieram cá só pela receita de Bolo de pastel de nata? Então façam scroll, que vão encontrá-la mais abaixo. Mas aposto que se forem gulosos como eu, vão querer saber mais sobre o livro, certo? Vamos a isso.

 

Bolo de pastel de nata

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE_EI O QUE COMES #13

"Um bolo por semana - 52 receitas para um ano de bolos" - Rita Nascimento - ArtePlural

Este é já o quarto livro da Rita, que toda a gente conhece do seu canal de sucesso no Youtube, o "La Dolce Rita" onde, através de vídeos simpáticos e bastante elucidativos, partilha as mais variadas receitas de pastelaria.

 

Os livros da Rita são um êxito [para além deste, tenho o "Uma pastelaria em casa" e já folheei os outros dois] e percebe-se por quê: são bastante objetivos e claros, sem deixarem de ser apelativos. As fotos, por exemplo, não apresentam uma produção complexa ou composição elaborada, são sobretudo "close-ups" dos bolos e das sobremesas, mas são luminosas e deixam-nos invariavelmente de água na boca.

 

Este último tem apenas algumas semanas de prateleira (saiu para as livrarias a 4 de outubro), mas tenho a certeza de que vai ser mais um best-seller. Um dos segredos é a experiência da Rita, sustentada por formação específica na área. Munida de todo o saber teórico, a Rita tem uma capacidade incrível de transformar esse conhecimento em métodos e formulações mais simples, para que todos em casa possamos facilmente elaborar receitas supostamente complexas [a Rita não sabe, mas tem aqui uma grande fã ❤️]

 

Livro "Um bolo por semana"

 

O tom próximo, alegre e descontraído, que a Rita usa tanto nos vídeos como no livro, ajudam a compor esta fórmula de sucesso, agora espelhada numa edição dedicada apenas a essa trave mestra da pastelaria caseira: os bolos.

 

São 52 receitas de bolos, para que ao longo de um ano não tenhamos de repetir receitas. E para que os resultados saiam perfeitos, o livro inclui, para além das receitas, informação sobre ingredientes, utensílios e dicas a ter em conta na hora de meter a mão na massa [incluindo a "Palavra de boleira" da Rita: comentários e sugestões relativamente a cada receita].

 

Quanto ao tipo de bolos, estes dividem-se nas seguintes categorias:

  • Bolos básicos e simples
  • Bolos aromáticos e reconfortantes
  • Bolos gulosos e para dias de festa

 

Existe ainda um capítulo com receitas auxiliares: cremes e complementos para coberturas e recheios. Para que possam fazer as vossas combinações e assim, em vez de 52 bolos, terem quantas receitas a vossa imaginação ditar!

Livro "Um bolo por semana"

 

A par de alguns clássicos, como o 'Bundt de chocolate', o "Bolo inglês", o "Bolo de claras" ou o "Bolo de ananás caramelizado", a Rita propõe-nos receitas originais e outras menos conhecidas, como o "Bolo de pastel de nata" que vos trago hoje (receita mais abaixo), o "Bolo tiramisu", o "Bolo tecomaleco", o "Bolo três leches" ou o "Bolo de chocolate crocante sem forno".

 

Só vos digo uma coisa: no dia em que tiverem o livro na mão, garanto-vos que vão querer fazer TODAS as receitas!  Estão em pulgas por esse momento? Saibam mais sobre o livro aqui >>> na livraria Bertrand online.

 

Resumindo:  "Um bolo por semana" é daqueles livros que não pode faltar na prateleira de alguém que adora mimar a família e os amigos com um bolo, seja de vez em quando, seja todas as semanas. O design gráfico do livro é funcional e apelativo, com boas fotografias, tiradas pela Rita. As receitas parecem ser todas acessíveis e estão bem escritas e detalhadas. O que eu mudaria? Em vez de referir o 'volume da massa' obtida em cada receita, mencionaria o tamanho mais adequado das formas a utilizar. De resto, o livro está de se devorar "página a página"!

 

Agora, sem mais demoras, a receita do delicioso Bolo de pastel de nata.

Bolo de pastel de nata

BOLO DE PASTEL DE NATA

Receita original: livro "Um bolo por semana" de Rita Nascimento

 

Para o bolo

3 ovos

100 g de açúcar

75 g de farinha sem fermento

1/2 colher de chá de canela em pó

1 base redonda de massa folhada

Açúcar mascavado qb (e maçarico) para decorar no final*

 

Para o creme pasteleiro

300 ml de leite meio-gordo

3 gemas

50 g de açúcar

25 g de amido de milho

25 g de manteiga fria

1 pau de canela

1 pedaço grande de casca de limão

 

Para a calda

150 ml de água

150 ml de açúcar

1 pedaço grande de casca de limão

 

Comece por fazer o creme pasteleiro.

Coloque num pequeno tacho o leite, o pau de canela e a casca de limão e leve ao lume.

Numa taça, junte as gemas, o açúcar e o amido de milho e mexa bem com as varas.

Quando o leite começar a fervilhar, descarte a canela e o limão e verta-o, aos poucos, sobre o preparado anterior, mexendo bem com as varas.

Deite esta mistura no tacho e leve de novo ao lume, mexendo sempre até começar a engrossar. Continue a mexer com as varas cerca de dois minutos após já estar a engrossar e ter começado a fervilhar.

Retire do lume e incorpore a manteiga partida em pedaços. Mexa até a manteiga derreter e ficar homogéneo. Passe para uma taça limpa e tape com película aderente ("colando" esta à superfície do creme, para não entrar ar e assim evitar que ganhe uma crosta).

Deixe arrefecer um pouco e leve ao frigorífico. Ele vai endurecer no frigorífico, por isso, antes de usar, bata-o na batedeira elétrica até ficar com uma consistência cremosa e uniforme.

 

Entretanto faça o bolo.

Unte muito bem e polvilhe com farinha uma forma redonda (usei uma com 18 cm de diâmetro). Forre o fundo com papel vegetal e volte a untar/enfarinhar.

Ligue o forno nos 180º.

Com a batedeira elétrica, bata os ovos com o açúcar durante uns 5 minutos, ou até a mistura ficar esbranquiçada e com o dobro do volume.

Peneire a farinha e junte-a, com a canela, ao preparado anterior, em duas ou três adições, envolvendo suavemente.

Verta para a forma e leve ao forno durante cerca de 20 minutos ou até um palito sair seco do centro do bolo.

Solte a massa das laterais da forma com a ajuda de uma faca e desenforme sobre uma rede forrada com papel vegetal. Deixe arrefecer completamente antes de o abrir ao meio.

Não desligue o forno e leve a cozer a base de massa folhada sobre papel vegetal e picada com um garfo. Deve demorar uns 20-25 minutos a ficar folhada e douradinha. Deixe arrefecer.

 

Enquanto o bolo está no forno, faça a calda: leve a ferver a água com o açúcar e a casca de limão até o açúcar estar bem derretido. Deixe ferver durante alguns segundos e está pronto. Deixe que arrefeça.

 

Para montar o bolo:

- Coloque a forma do bolo que usou sobre a massa folhada, sem pressionar, e com uma faca corte um círculo a toda a volta; reserve o círculo e esfarele as sobras, reservando-as numa taça;

- Parta o bolo a meio e coloque a metade de baixo no prato de servir. Regue com metade da calda e espalhe uma camada de creme de pasteleiro (que deve ter sido batido com a batedeira elétrica depois de ter estado no frigorífico);

- Coloque o disco de massa folhada por cima e volte a fazer uma camada de creme pasteleiro (atenção: não usem demasiado creme nestas camadas de recheio, se não ficam sem creme para barrar todo o bolo);

- Tape com a outra metade do bolo e regue esta com a restante calda;

- Por fim, barre todo o bolo com o restante creme pasteleiro;

- Espalhe açúcar mascavado no topo do bolo e queime com um maçarico (opcional)*

- Decore as laterais com as aparas de massa folhada.

 

*A receita original fala em açúcar em pó, mas comigo não resultou; para conseguir o efeito "leite creme queimado", tive de usar açúcar mascavado; o creme pasteleiro vai ganhar umas fendas, devido ao calor do maçarico, mas é normal.

 

Nota final: este bolo deve ser comido no dia em que é feito, para garantir uma massa folhada seca e crocante; em todo o caso, guardei o que sobrou no frigorífico e comeu-se bem no dia seguinte ;)

 

GOSTARAM DESTA RECEITA? SE SIM, ESPREITEM ESTAS TAMBÉM:

 

30
Set19

Lava cakes de limão [#lemonloverforever]

Lava cake de limão

Lava cakes de limão

 

Eis a melhor experiência na cozinha das últimas semanas.

Há vários nomes para este tipo de sobremesa, que consiste num queque com o interior líquido, sendo de chocolate a versão mais comum. Bolinho de lava, vulcão, fondant, demi-cuit, petit gateau... é à escolha do guloso.

 

Quando vi esta versão de limão no livro "A Sentada", de Sandra Nobre, livro de que falei aqui recentemente, neste post, fiquei logo de olhos arregalados e com uma vontade gigantesca de experimentá-la. Realmente, por que nunca tinha pensado que era possível fazer uma versão assim, de limão? E logo eu que sou do team #lemonloverforever 💛

 

Não consegui adiar muito o teste e aqui está o resultado. Simplesmente maravilhoso. Mas atenção: os queques têm que ficar cozidos no ponto, ou seja, nem demasiados cozidos - o que significa não sobrar massa líquida para escorrer quando se abrem, nem demasiado crus, que se desfaçam ao desenformar... Um aspeto essencial, para que a receita corra bem, são as formas. Eu tenho umas parecidas com estas, compradas há já uns anos no Jumbo [agora Auchan] e portaram-se lindamente.

[Atualização: no Auchan podem encontrar umas formas parecidas com as minhas, espreitem aqui]

 

Atenção que não é uma receita meiga em termos calóricos: leva chocolate branco, manteiga, açúcar, lemon curd... Digamos que é daqueles casos em que se perdoa o mal que faz, pelo bem que sabe 🤪

 

Lava cakes de limão

Lava cakes de limão

LAVA CAKES DE LIMÃO
Adaptado do livro "A sentada", de Sandra Nobre

 

Para 6 unidades

120 g de chocolate branco

100 g de manteiga

85 g de farinha

50 g de açúcar em pó 

1 pitada de sal

4 ovos + 4 gemas

230 g de lemon curd*

1/2 chá de extrato de baunilha

Açúcar em pó, frutos vermelhos e hortelã para decorar e servir.

 

*Para o lemon curd  [esta é a minha receita]

2 ovos L

100 ml de sumo de limão

140 g de açúcar

50 g de manteiga à temperatura ambiente

1 colher de sopa de raspa de limão

 

Comece por fazer o lemon curd (que pode já estar feito de véspera ou até há mais tempo).

Num tachinho de fundo espesso, misture bem os ovos com o açúcar e o sumo de limão. Leve ao lume médio, mexendo sempre com um batedor de varas, para não ganhar grumos, até engrossar, o que deve demorar menos de 10 minutos (deve ficar um creme não demasiado espesso, uniforme e brilhante, que irá ficar mais consistente depois de arrefecido). Retire do lume e incorpore a manteiga e a raspa de limão. Espere um ou dois minutos e mexa com um batedor e varas, até a manteiga estar bem derretida e bem distribuída pelo creme. Verta para frascos limpos, deixe arrefecer, tape e guarde no frigorífico até usar. Conserva-se durante cerca de 15 dias, se bem tapado e guardado no frigorífico.

 

Para fazer os lava cakes, comece por ligar o forno nos 220º.

Unte muito bem e polvilhe com farinha 6 forminhas altas de queque ou pudim - idealmente, tipo estas -  ou aplique generosamente spray desmoldante. Coloque-as num tabuleiro de ir ao forno (assim vai ser mais prático transportá-las para o forno).

Numa taça grande sobre uma panela com água (mas sem a água tocar no recipiente de cima), leve ao lume a derreter o chocolate branco com a manteiga.

Adicione os restantes ingredientes: farinha, açúcar em pó, sal, ovos, gemas, lemon curd (que deve estar frio) e baunilha. Misture bem, sem bater demasiado.

Divida este preparado pelas formas até 3/4 e leve ao forno durante cerca de 10 minutos. Vá espreitando: os bolinhos devem ficar dourados nas bordas e a querer desenformar, notando-se ainda que o centro está fluído... Pensem como costuma funcionar o vosso forno e decidam se devem deixar mais ou menos do que os 10 minutos.

Retirar do forno e deixar arrefecer uns minutos antes de desenformar (soltando a massa da forma com a ajuda de uma faca) para os pratinhos de servir.

Sirva ainda mornos polvilhados com açúcar em pó e alguns frutos vermelhos a decorar.

Se sobrarem, guarde no frigorífico (aguentam uns 2-3 dias) e aqueça um pouco no microondas antes de servir. Não experimentei congelá-los, mas imagino que funcione: no dia em que os quisesse consumir, retirava-os com alguma antecedência do congelador e aquecia-os no microondas antes de servir.

 

#lemonloversforever COMO EU? SE SIM, VÃO ADORAR ESTAS RECEITAS:

 

19
Set19

Mousse de chocolate em casca de laranja [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #10]

Mousse de chocolate em taça de laranja

Mousse de chocolate em taças de laranja

 

Mais uma semana, mais uma voltinha pelas prateleiras da secção de culinária da Livraria Bertrand. Este é já o 10º post no âmbito da rubrica #dizmeoquelês, dedicada a todos os que, como eu, adoram livros de cozinha.

 

E hoje, voltamos à culinária "convencional". Não sei se este é o termo mais apropriado, mas com tantas dietas e regimes alimentares na ordem do dia, às vezes fica difícil definir a cozinha e as receitas que se enquadram num regime sem restrições, à moda das nossas mães e avós, mas onde, a partir de uma base clássica, cabe uma pitada de fusão e criatividade. Que nome dariam a esta cozinha? Fica o desafio!

 

Mousse de chocolate em taças de laranja

Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #10

"A Sentada" - Sandra Nobre - Casa das Letras/24 Kitchen

 

Para mim, até ter apanhado um dos seus programas no canal 24 Kitchen, a Sandra Nobre era apenas a mulher do ex-jornalista Artur Albarran, informação obtida a folhear, há muitos anos, uma qualquer revista "do social".

 

De facto, foi com surpresa que, um dia, ao fazer zapping, a reconheci atrás de uma bancada de cozinha, a ser host de um programa de culinária chamado "A Sentada". Confesso que não foi amor à primeira vista. Deviam ser os primeiros programas e lembro-me de achar que estava pouco à vontade e de haver muitos momentos de silêncio. Mas, ainda que não tenha seguido o "A Sentada" de forma regular, sempre que apanhava um dos seus programas, não mudava de canal e ficava a assitir, sobretudo porque gostava das receitas. E com o tempo fui sentindo que a Sandra estava cada vez mais desenvolta - e feliz - em frente às câmaras.

 

Estava com curiosidade para conhecer o seu livro e ainda bem que o escolhi para a rubrica. Através dele, fiquei a saber imensas coisas sobre a autora, como por exemplo o facto de ser uma chef formada pela conceituada escola Le Cordon Bleu, primeiro na África do Sul e depois em Londres. Um percurso trilhado numa fase já 'madura' da sua vida, o que prova que nunca é tarde para seguirmos os nossos sonhos.

 

Ah! E fiquei finalmente a saber o que significava o nome do programa (não, nunca me deu para fazer uma pesquisa no Google, mas a verdade é que me intrigava). Uma "sentada" (termo luso-africano) é um convívio à mesa, uma refeição demorada e recheada de petiscos, uma jantarada entre amigos ou família, que se prolonga entre conversa e comida. Agora, faz todo o sentido, não? 😁

 

Mousse de chocolate em taças de laranja

 

Adianto já que gostei muito do livro. Está organizado por menus com três receitas cada um, agrupados de acordo com as estações do ano, com o bónus de quatro receitas de cocktail para brindarmos ao início de cada estação.

 

Percebe-se que Sandra - "angolana de gema, mas de origens portuguesas, cabo-verdianas e norueguesas" - é bastante viajada, e partilha connosco o saber e os sabores que foi descobrindo ao longo dessas vivências. Assim, no livro, há os menus "Holandês",  "Sueco", "Italiano, "Austríaco", "Grego", "Francês", "do Médio-Oriente", entre muitos outros, sem esquecer o "Menu Vegetariano", o "Menu de Natal" ou o inusitado "As receitas preferidas da família real britânica."

 

Este é, verdadeiramente, um livro de receitas. À exceção dos prefácios e de uma apresentação, na primeira pessoa, da autora, não há dicas, listas de utensílios, teorias sobre organização doméstica ou informação sobre ingredientes (o que agradecemos, porque já há muitos outros livros que têm estes conteúdos). Mas há um textinho que apresenta cada receita, através dos quais aprendemos imensas curiosidades, como uma lenda da sorte italiana associada aos Gnocchis, a origem da salada Niçoise ou a influência da cozinha flamenga e malaia na África do Sul.

 

As receitas são de uma maneira geral bastante apelativas e a mim deu-me vontade de colocar post-its em quase todas. Foi por isso difícil escolher a primeira. Queria um doce ou uma sobremesa porque, não só são as que mais gosto de testar e fotografar, como sei que também são as vossas receitas favoritas 😉 

 

Mousse de chocolate em taças de laranja

 

A escolha acabou por recair nesta mousse de chocolate, porque adorei a ideia de servi-la em metades de casca de laranja. Quando se fala tanto em reduzir o desperdício, em reutilizar e poupar recursos, esta receita é - apesar de pequeno ou apenas simbólico - um bom exemplo. Estas cascas foram de laranjas espremidas para o sumo do pequeno-almoço, e não foi preciso usar água para lavar as taças depois 😉

 

Para além desta, há outra receita no livro que me faz pô-lo já na prateleira dos favoritos, mesmo que ainda não a tenha experimentado (não vai demorar muito e irei dar-vos feedback, prometo). Curiosos? Então, reparem bem: no livro há uma receita de "Bolinhos de lava de... limão"! Imaginem um petit gateau de chocolate, com aquela massa ainda líquida a escorrer quando se parte, mas na versão chocolate branco e limão... OMG!

 

Resumindo: "A Sentada", de Sandra Nobre, é um livro apelativo, com uma encadernação diferente do habitual (tenho algum receio de que a lombada em argolas, tipo espiral, possa revelar-se pouco prática com o uso). Há fotografias bonitas, de Silvia Ramirez, para todas as receitas, que, pelas minhas contas, são 70, maioritariamente entradas, pratos principais e sobremesas. Apresentam variedade no que diz respeito a ingredientes e formas de confeção e seguem uma cozinha de base clássica, com alguns apontamentos mais contemporâneos e originais.

 

Saber mais e comprar o livro >>> Bertrand livreiros - loja online

Agora, a receita de mousse, aprovada cá em casa com distinção.

Mousse de chocolate em taças de laranja

MOUSSE DE CHOCOLATE EM CASCA DE LARANJA

Receita original: livro "A Sentada", de Sandra Nobre

 

Para 4 *

2 laranjas bonitas

2 ovos L

160 g de chocolate negro partido em pedaços

10 g de manteiga

1/2 chávena de café espresso

10 ml de licor de laranja (usei Cointreau)

1 colher de chá de açúcar amarelo (adição minha, não faz parte da receita original)

1 pitada de sal

 

Para decorar:

Raspas ou pepitas de chocolate negro qb

Folhinas de hortelã

 

Parta a meio as laranjas, esprema-as e aproveite o sumo para beber.

Com cuidado, retire as peles do interior da casca.

Leve ao lume em banho-maria o chocolate, a manteiga, o açúcar, o licor e a pitada de sal.

Entretanto, parta os ovos e separe as gemas das claras, colocando estas na taça da batedeira.

Quando o chocolate estiver bem derretido e os restantes ingredientes bem incorporados, retire do lume e junte uma gema de cada vez, mexendo bem. Reserve, até para que arrefeça um pouco.

Bata as claras em castelo.

Comece por juntar 1/3 das claras à mistura de chocolate e mexa. Depois, vá envolvendo, suavemente as restantes claras.

Se quiser usar bico pasteleiro para encher as cascas, leve ao frigorífico primeiro, para prender (a minha mousse ficou cerca de duas horas no frigorífico, antes de ser colocada nas cascas).

Retire a mousse do frio, coloque-a num saco de pasteleiro munido de um bico largo frisado e encha as cascas.

Leve ao frigorífico até ao momento de servir, altura em que pode salpicar com raspas de chocolate e decorar cada taça com uma folhinha de hortelã.

 

* Se usar bico pasteleiro, só vai conseguir, no máximo, 3 mousses. Eu fiz dose e meia da receita aqui apresentada e consegui 4 mousses com bico pasteleiro e uma mais pequena; julgo que dose e meia da receita teria dado para distribuir uniformemente, à colher, por 5 metades de casca de laranja de tamanho normal. Mas querem um conselho? Dobrem a receita, não se vão arrepender 😉

 

Post com o apoio da Bertrand.

 

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12
Set19

Parfaits de tarte banoffee [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #9]

Parfait de tarte banoffee

Livro "Novas Receitas Paleo" de Irena Macri

 

Livros de cozinha nunca são demasiados, certo? 😁

Como já devem ter dado conta, tenho vindo a aumentar a minha coleção de livros de culinária e, pelo caminho, vou partilhando convosco algumas conclusões sobre os livros que vou escolhendo. E claro, nesses posts partilho sempre uma receita retirada do livro em destaque.

É a rubrica "Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes", em parceria com a Livraria Bertrand, que já vai no 9º livro!

 

Partfait de tarte banoffee

 

Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #9

"Novas receitas paleo" - Irena Macri - ArtePlural Edições

Antes de avançar para a descrição e apreciação do livro, devo esclarecer que não sigo, nem defendo, uma dieta paleo. Aliás, já devem ter percebido que por aqui se come um pouco de tudo. Sinto que há argumentos e princípios interessantes em cada uma das dietas ou regimes alimentares mais conhecidos, mas continuo a achar, por agora, que ser flexível é o que faz mais sentido para mim e para a minha saúde.

 

No entanto, gosto de saber mais sobre os diferentes regimes e dietas. Se há umas semanas vos falei do veganismo, através do livro da Filipa Range - "Desafio Vegan em 15 dias", hoje trago-vos um livro que fala da 'dieta paleo', de Irena Macri.

 

De origem ucraniana, Irena vive há muitos anos na Austrália e este é já o seu segundo livro traduzido para português. Nele fala-nos de uma dieta paleo um pouco mais flexível do que aquela que apresentava no primeiro livro. Chama-lhe a dieta paleo 80/20, ou seja, com 80% de receitas especificamente paleo e 20% de receitas que incluem ingredientes que fogem ao âmbito restrito deste regime alimentar.

 

Mas afinal, o que é a dieta paleo? Na sua essência, e de acordo com as palavras da autora, "é um regime alimentar que baseia os seus princípios fundamentais nos hábitos dos nossos ancestrais caçadores-recoletores, que viveram antes das revoluções agrícola e industrial" (...).

 

A dieta paleo é "rica em proteína animal e gordura" (a autora sublinha mais à frente que estes alimentos devem ser de elevada qualidade e oriundos de produção biológica) e inclui também "legumes, fruta, bagas, frutos secos e sementes". (...) "Embora o regime paleo não implique reproduzir à risca a dieta do homem das cavernas, baseia-se na nossas raízes alimentares, combinando esses hábitos com outros que foram mais recentemente considerados benéficos, de acordo com os estudos atuais sobre saúde evolutiva, nutrição e estilo de vida holístico".

 

Parfait de tarte banoffee

 

Alguns aspetos do livro podem chocar ou surpreender. Quando Irena fala dos ingredientes nutritivos favoritos, há um que parece ir contra as tendências e os alertas de saúde mais recentes: a carne vermelha (ainda que a autora sublinhe que deve advir de animais criados em pastos, ao ar livre). E ao falar de "boas fontes de amido", diz que prefere o arroz branco ao integral (um ingrediente da parcela dos 20%): "Ao contrário do arroz integral, o arroz branco contém muito poucos antinutrientes prejudiciais à saúde, como as lectinas, os fitatos e os inibidores de tripsina que estão concentrados na casca e nas camadas de farelo dos grãos de arroz e que são removidos durante o processo de moagem e polimento."

 

Não digo que a autora esteja a dizer inverdades. Parece-me ter um discurso consistente (ainda que eu tenha algumas dúvidas e preocupações sobre os reais efeitos de uma dieta paleo seguida de forma estrita e leviana), e as suas receitas são apresentadas com informação nutricional detalhada. Julgo que o mais certo é todos terem razão: quem diz que o arroz integral tem benefícios porque tem um índice glicémico menor e mais nutrientes e quem diz que (paralelamente) este apresenta também um maior número de antinutrientes (compostos naturais ou sintéticos que interferem na absorção de nutrientes).

 

Com tanta informação a circular sobre comida e alimentação, com tantas opiniões diferentes - muitas vezes, pelo menos numa leitura superficial, contraditórias - é fácil ficarmos confusos. É uma das razões pelas quais o meu único lema em termos alimentares é VARIAR.

 

A autora diz também que evita os cereais - na 'dieta paleo' o pão, praticamente, não entra! - as leguminosas ("porque contém toxinas e proteínas que podem prejudicar a inflamação e a digestão), o açúcar refinado, as gorduras pouco saudáveis e alguns laticínios, nomeadamente os "magros", por terem normalmente "mais açúcar e aditivos nocivos".

 

Parfait de tarte banoffee

 

Apesar do "rótulo" paleo, gostei do livro, até porque a generalidade das receitas me parecem equilibradas e saudáveis, podendo ser integradas numa rotina alimentar 'não paleo' (ainda que, no meu caso, tencione substituir o óleo de coco, que aparece amiúde, pelo azeite).

 

São receitas muito variadas, na sua maioria salgadas (também não imagino os homens do paleolítico a deliciarem-se com bolos e doces 🤪). Há sugestões para pequenos-almoços,  menus temáticos incluindo refeições vegetarianas e veganas, bebidas, muitas saladas e acompanhamentos. Há receitas rápidas, outras reunidas por serem baratas (ainda que estes dois atributos sejam algo relativo) e ainda outras agrupadas na categoria dos "básicos".

E há até um plano quinzenal de refeições no final do livro, com sugestões para o pequeno-almoço, almoço, lanche e jantar.

 

Do que é que eu gostei mais? De haver muitas receitas com legumes e muita cor, em fotografias que nos deixam a babar.

 

Resumindo:  "Novas receitas paleo" é um livro bonito (não há dúvidas de que os australianos sabem fazer livros de cozinha - ver a minha crítica ao livro de Matt Preston neste post). As fotografias e o design gráfico são cativantes, ainda que haja uma ou outra receita sem fotografia. É um livro que tem perfeitamente lugar numa cozinha que não seja estritamente paleo. As receitas são criativas e estão descritas com razoável detalhe, incluindo doses, tempo e perfil nutricional. Alguns ingredientes são pouco comuns (existe inclusivamente um glossário), mas parece-me fácil omiti-los ou substituí-los por outros. 

 

Livro "Novas Receitas Paleo" de Irena Macri

Querem saber mais sobre o livro "Novas receitas paleo", de Irena Macri? Espreitem aqui, na Livraria Bertrand. 

Ah! E já me seguem no Instagram? Costumo mostrar o interior dos livros desta rubrica nas stories!

Parfait de tarte banoffee

PARFAITS DE TARTE BANOFFEE

(receita original: "Novas receitas paleo", de Irena Macri)

 

Para 4/6 copos, dependendo do tamanho

3 bananas médias

1/2 chávena de natas de coco (usei a parte sólida do leite de coco, depois de umas horas no frigorífico)

1/2 chávena de coco seco em flocos

1/3 chávena de avelãs torradas picadas

1/2 chávena de coco em lascas

1/3 chávena de amêndoa em palitos ou lascas

2/3 de chávena de creme-caramelo (receita mais abaixo)*

1 chávena de iogurte grego natural (ou iogurte vegetal)

4 colheres de sopa de pepitas de chocolate negro

 

Corte duas das bananas às rodelas, coloque-as num saco de congelação e leve-as ao congelador durante 30/45 minutos.

Numa frigideira antiaderente, toste a amêndoa e as lascas de coco (e a avelã se for caso disso). Reserve.

No processador ou robot de cozinha, triture as bananas semicongeladas com as natas de coco (não sei se existem natas de coco à venda cá ou se o equivalente é o creme de coco que já vi à venda; eu levei uma lata de coco ao frigorífico umas horas antes e, depois, usei a parte sólida que se formou na parte superior da lata), até obter um creme aveludado.

Corte a banana restante às rodelas (pode regar com sumo de limão para não oxidar)

Para montar os parfaits, comece por fazer, em cada copo, uma camada de frutos secos e coco tostado e uma camada generosa de creme de coco e banana; a seguir, disponha por camadas: creme-caramelo (ou leite condensado cozido, veja a minha nota mais abaixo), iogurte, frutos secos e coco, pepitas de chocolate, rodelas da banana. Termine com mais frutos secos e coco, pepitas de chocolate e mais um pouco de creme-caramelo ou leite condensado cozido.

Sirva de imediato.

 

CREME-CARAMELO

Para cerca de 250 g

3,5 colheres de sopa de ghee ou óleo de coco

1/3 de chávena de mel

1,5 chávenas de leite de coco bem agitado

1 colher de sopa de essência de baunilha

Uma pitada de sal marinho

 

Aqueça o ghee ou óleo de coco com o mel num tacho pequeno, até começar a fervilhar.

Nessa altura, junte o leite de coco, aos poucos e mexendo sempre.

Adicione a baunilha e deixe levantar fervura.

Reduza para lume brando e deixe cozinhar durante cerca de 30 minutos, mexendo com frequência. Cozinhe mais 15 minutos no mínimo. Vá mexendo até verificar que começou a engrossar, o que deve acontecer nos minutos finais. O creme deve ficar grosso, mas "mole" - vai espessar ao arrefecer. Retire do lume e guarde num frasco hermético. Conservar no frigorífico até um mês (a autora diz que o creme pode ser reaquecido suavemente para voltar à consistência inicial. Eu tentei requecer uma parte, mas não correu bem: a gordura separou-se do resto e ficou inutilizável. Aconselho antes a que retirem o creme do frigorífico com tempo ou... ainda mais prático, saltem a parte de fazer o creme-caramelo e usem leite condensado cozido, como explico a seguir).

 

*Eu segui a receita à risca, fazendo, inclusivamente, o creme-caramelo de mel e coco, que me demorou mais do que uma hora a fazer; se não seguem uma dieta vegana, aconselho a substituírem o creme-caramelo por leite condensado cozido.

 

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07
Set19

O Lume Brando faz anos! [Um bolo e três livros para oferecer]

15º aniversário do Lume Brando

Bolo de chocolate ruby com recheio de lemon curd e cobertura de mascarpone e natas

Livro Estava Tudo Ótimo!

"Um blog. Tenho um blog, nem acredito. Achava que esta modernice não tinha nada a ver comigo. E se calhar não tem. Estive a pensar e cheguei à conclusão que esta vontade súbita de criar um blog é uma espécie de “desejo de gravidez”. Como ainda nem sequer sei se é um feijão ou uma ervilha, aquela coisa bonita que está a crescer na minha barriga, uma vozinha disse-me que o melhor era dar jà à luz qualquer coisa. E pronto: nasceu o lume brando, que é como quem diz, um blog para ir cozinhando e digerindo sem grandes pressas."

 

O que acabaram de ler foi o meu primeiro post. O meu primeiro texto. Sem qualquer fotografia a acompanhar. Era o dia sete de setembro de 2004 e estava grávida pela primeira vez. Não sei muito bem por quê, mas nunca, ao longo destes 15 anos, celebrei o aniversário do blog. Ou porque quando me lembrava a data já tinha passado, ou porque, quando me lembrava a tempo, me dava uma certa preguiça e desvalorizava o facto.

 

Mas este ano apeteceu-me assinalar o momento. Quando dei início ao blog, não fazia ideia de que passado tanto tempo o projeto ainda estaria online. Na verdade, não tinha quaisquer expectativas, só queria ter um espaço onde pudesse escrever e falar sobre comida.

 

Quinze anos depois, a paixão pela culinária mantém-se e entretanto foi surgindo uma nova: pela fotografia de comida. Pelo meio, tive outro filho, conheci pessoas incríveis com quem partilho o entusiasmo por estes temas, tornei-me redatora freelancer, provei ingredientes novos, nem tudo o que cozinhei saiu bem, fiz bolos decorados e cozinhei "para fora", escrevi e fotografei um livro de receitas, fui aluna de vários workshops e dinamizei outros tantos, reuni uma considerável coleção de livros de cozinha, engordei alguns quilos 🤪

Bolo de chocolate ruby com recheio de lemon curd e cobertura de mascarpone e natas

 

Apesar de quinze anos depois, o Lume Brando continuar a ser um projeto muito pessoal, a verdade é que sem o feedback positivo de quem está do outro lado - vocês! -  hoje não estaria aqui a celebrar o aniversário do blog. Por isso, obrigada por cada visita, por cada um dos vossos comentários aqui, por cada like e comentário nas publicações do Facebook e do Instagram, por cada mensagem a dizer que fizeram uma das minhas receitas e que gostaram, por cada dica partilhada, por cada palavra carinhosa e motivadora relativamente às minhas fotografias, ao longo desta década e meia.

O-B-R-I-G-A-D-A 💛

 

E como não há festa sem bolo (a receita segue mais abaixo) e sem presentes, estou a dinamizar dois passatempos: um na página do Lume Brando no Facebook e outro no Instagram, cujo prémio em cada uma das plataformas é um exemplar do meu livro "Estava tudo ótimo!". É muito fácil participar e tentar ganhar! Mas enquanto fazia este post, resolvi oferecer um terceiro livro! Sabem a quem? À primeira pessoa que aqui nos comentários me disser o que está mal numa das imagens deste post 😉 [uma pista: a resposta não é um aspeto técnico - não é a exposição exagerada 😆 - mas sim uma, digamos, "incongruência"].

 

Uma vez mais, O-B-R-I-G-A-D-A💛 por continuarem desse lado e terem tornado esta caminhada tão doce e colorida!

Bolo de chocolate ruby com recheio de lemon curd e cobertura de mascarpone e natas

Bolo de chocolate ruby com recheio de lemon curd e cobertura de mascarpone e natas

BOLO DE CHOCOLATE RUBY COM RECHEIO DE LEMON CURD E COBERTURA DE MASCARPONE E NATAS

[a partir da receita do bolo Yang do livro Estava tudo ótimo!]

 

4 ovos, separados

85 ml de azeite extravirgem suave

100 g de açúcar branco

100 g de chocolate ruby picado (usei o novo da Pantagruel, mas também podem usar chocolate branco)

150 g de farinha sem fermento

1,5 colheres de chá de fermento em pó

1 colher de chá de extrato de baunilha

 

Para o recheio:

4 colheres de sopa de lemon curd (usei o que me tinha sobrado destas panacotas)

 

Para a calda:

3 colheres de sopa bem cheias de doce de pêssego

O mesmo peso em água

 

Para a cobertura:

1 pacote de natas para bater bem frias

1 pacote de mascarpone bem frio

1 colher de sopa de açúcar

1 colher de café de extrato de baunilha

Umas gotinhas de sumo de limão

 

Ligue o forno nos 170º.

Unte muito bem uma forma alta de 14 cm de diâmetro (ou duas mais baixas com este diâmetro) e forre o fundo com papel vegetal, untando novamente.

Bata as gemas com o açúcar, o azeite e a baunilha.

Junte o chocolate picado.

Bata as claras em castelo com uma pitada de sal e envolva no preparado anterior.

Por fim, junte aos poucos, sem mexer demasiado, a farinha e o fermento peneirados.

Verta para a(s) forma(s) e leve ao forno entre 30 a 45 minutos, dependendo das formas (se usar uma só, alta, vai demorar mais a cozer; fique atento e faça o teste do palito antes de retirar do forno, aquele deve sair limpo).

Passe uma faca de manteiga à volta da forma e desenforme sobre uma rede forrada com papel vegetal. Deixe arrefecer.

 

Entretanto faça a calda levando a ferver o doce de pêssego com a água. Coe e reserve.

Bata as natas e o mascarpone em chantilly com um pouco de açúcar (para mim uma colher de sopa é mais do que suficiente) e o extrato de baunilha . Para ajudar a prender adicione a meio do processo umas gotinhas de limão.

 

Para rechear e montar:

Corte o bolo em três (se fizer em duas formas, pode tentar partir cada bolo em dois e obter três camadas de recheio). Coloque a primeira camada no prato de servir, pique com um garfo e regue com um parte da calda. Recheie com o lemon curd.

Coloque a camada do meio e volte a picar/regar com a calda. Coloque uma camada de lemon curd e termine com a última camada de bolo, picando e regando.

Barre todo o bolo com uma primeira camada do chantilly de mascarpone. Leve ao frigorífico durante cerca de 25 minutos e volte a barrar, decorando ao seu gosto.

 

Nota: o ideal é fazer o bolo de véspera, fica melhor ;)

 

MAIS BOLOS DE FESTA? ESPREITEM AQUI:

Teresa Rebelo

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