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Lume Brando

14
Ago19

Bombons "Ferrero" saudáveis [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #5]

Bombons "Ferrero" saudáveis

Livro "Desafio Vegan em 15 dias"

 

Apesar de não estar nos meus planos mais próximos tornar-me vegetariana ou vegana, há algo que já tenho vindo a implementar nas refeições cá de casa: menor consumo de carne, sobretudo de carnes vermelhas. E fazemos muitas vezes refeições ovolactovegetarianas.

Tenho sérias dúvidas de que se conseguisse um equilíbrio sustentável se todos nos tornássemos vegetarianos ou veganos, mas reconheço que é preciso uma mudança no paradigma da alimentação ocidental.

A escolha do livro desta semana, "Desafio Vegan em 15 Dias", de Filipa Range, está relacionado com esta consciência e com a vontade de aprender mais sobre o veganismo (que é bastante mais do que uma dieta alimentar), mas também com o facto de gostar de experimentar receitas diferentes, que fujam da minha zona de conforto.

 

Livro "Desafio Vegan em 15 dias"

Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #5

"Desafio Vegan em 15 dias" - Filipa Range - Editora Influência

Este não é o primeiro livro de Filipa Range, autora do blogue "A Cozinha Verde", nome que serviu de título ao seu primeiro livro de receitas. Confesso que não conhecia a Filipa nem o seu trabalho (a não ser de ver os seus livros à venda), mas era uma tremenda falha minha. 

Nota-se que a Filipa acredita verdadeiramente nas suas escolhas e o livro está repleto de informação, validada pela nutricionista Sandra Gomes da Silva.

 

Apesar do conceito do livro assentar num "desafio", apresentando receitas para 15 dias de alimentação vegana, com cinco receitas por dia - pequeno-almoço, snack da manhã, almoço, snack da tarde e jantar - é perfeitamente possível escolher as receitas aleatoriamente ou de acordo com os ingredientes que mais apreciarmos ou quisermos introduzir, uma vez que o livro destaca vários alimentos, fala-nos das suas propriedades e da melhor forma de os utilizar, e indica-nos ainda que receitas do livro podemos confecionar com esses mesmos alimentos.

 

Bombons "Ferrero" saudáveis

Um dos aspetos de que mais gosto do livro é o facto de haver muitas receitas que são versões veganas de receitas tradicionais portuguesas ou de pratos 'internacionais' intemporais, como por exemplo o "Arroz do Mar" (feito obviamente sem peixe!), a "Carbonara de Abacate", os "Donuts", os "Hambúrgueres de Quinoa", o "Sushi", a "Canja de pleurotos e millet", a "Feijoada de três cogumelos", a "Omelete de grão" (sem ovos, claro!) e o "Bife de Seitan à Portuguesa", entre outros.

 

Acredito que estas versões ajudem bastante nos casos em que a ligação aos sabores tradicionais ou aos doces mais pecaminosos, estejam a impedir uma mudança a nível alimentar - seja ela ligeira, gradual ou definitiva.

 

O livro termina com 5 receitas extra, perfeitas para um brunch e desenvolvidas em parceria com a blogger Ana Gomes, aka "A melhor amiga da Barbie", que também assina o prefácio.

 

Resumindo: "Desafio Vegan em 15 dias" é um livro bem estruturado e bem escrito. Apresenta um design simples mas cuidado e funcional e, de uma maneira geral, boa fotografia (da autoria de Mário Cerdeira). As receitas, dentro da sua especificidade (veganas), são apelativas e estão bem descritas, para além de serem bastante variadas, quer em termos de ingredientes, quer em termos de "categorias", com opções para todos os momentos do dia.

Para saber mais, espreite o livro na livraria Bertrand online.

 

Ah! Quanto à receita escolhida para mostrar aqui - estas trufas que fazem lembrar os famosos "Ferrero Rocher" - ficaram aprovadíssimas. Na semana passada, no Instagram, perguntei se nesta edição do #dizmeoquelês queriam uma receita doce ou salgada, e quem venceu a sondagem foram os doces, por isso, aqui está ela!

Bombons "Ferrero" saudáveis

BOMBONS “FERRERO” SAUDÁVEIS

Ligeiramente adaptado do livro “Desafio Vegan em 15 dias”

 

Para cerca de 18

Avelãs: 1 chávena + 18 inteiras + cerca de 3/4 de chávena picadas

1/4 de chávena de cacau em pó (cacau ‘cru’ em pó na receita original)

1 pitada de sal marinho

1/4 de chávena de geleia de coco (xarope de ácer na receita original)

100 g de chocolate negro 70% cacau

 

Comece por retirar a pele às avelãs: leve-as a tostar no forno durante alguns minutos - ou ao lume numa sertã antiaderente - mexendo de vez em quando para não queimarem. Embrulhe-as num pano de cozinha limpo e esfregue o ‘embrulho’ na bancada da cozinha, para fazer soltar as peles.

 

Coloque uma chávena de avelãs no processador de alimentos e triture até obter uma manteiga, o que deve demorar entre 5 a 10 minutos, dependendo da potência do processador: vá baixando com a espátula as avelãs que ficam nas paredes do copo entre cada pulsar.

Junte o cacau, o sal e o adoçante (no meu caso, usei geleia de coco) e processe mais um pouco, envolvendo bem.

Se achar que a massa ficou um pouco mole, leve ao frigorífico para ganhar consistência (eu não necessitei, a minha massa ficou pronta a moldar).

Com as mãos húmidas, pegue em pedaços de massa e molde pequenas bolas do tamanho de brigadeiros (ou de Ferrero Rocher 😉), colocando uma avelã inteira no interior e fechando a bolinha.

Derreta o chocolate negro em banho-maria e mergulhe aí uma bolinha de cada vez, envolvendo-a em seguida na avelã picada. Coloque a secar sobre papel vegetal. Se a avelã picada não chegar, pode envolver em coco ralado.

Se for oferecê-los, coloque-os em forminhas de papel.

Conservam-se no frigorífico durante uma semana, podendo ainda congelá-los.

 

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01
Ago19

Rolos de limão e baunilha [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #4]

Rolos de limão e baunilha

Livro "Pão Caseiro"

Rolos de limão e baunilha

Mais uma semana, mais um livro, mais uma receita!

Esta é já a 4ª edição do "Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes", uma rubrica Lume Brando com o apoio da Livraria Bertrand [em cuja loja online podem encontrar todos os livros de que falo aqui!]

 

Apesar de não ser algo que faça com regularidade, gosto muito de cozer pão em casa. E os livros com receitas de pão exercem sobre mim um poder especial. Fico sempre a sonhar com o dia em que vou ter tempo para cozer fornadas e fornadas de pães maravilhosos. Ainda por cima, o livro de hoje, da autoria da sueca Maria Blohm, tem uma capa linda, que chama imenso a atenção. Tão difícil resistir a levá-lo para casa, como dizer 'não' a uma fatia de pão fresco barrada com manteiga...

 

Livro "Pão Caseiro"

"Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes" #4

"Pão Caseiro" - Maria Blohm - ArtePlural Edições

"Mas a receita nas fotos não é um pão!", exclamam vocês e com razão. É que o livro tem muito mais do que receitas variadas de pão: tem imensos pães "doces", como estes rolos de limão e baunilha, mais do que uma receita de croissants, tem alguns bolos suecos, focaccia e massas de pizza.

 

[Na verdade, também já experimentei uma receita de pão deste livro - "Bolas com Alperces e Nozes", que ontem partilhei no Instagram e que publicarei aqui noutro post].

 

Informação útil! O livro tem ainda um capítulo dedicado a receitas de pão e bolinhos sem glúten - de pão de hambúrguer a tortilhas, passando por rolinhos de canela - o que pode ser bastante útil, mesmo que não tenhamos necessidade de eliminar o glúten da nossa dieta.

 

Rolos de limão e baunilha

 

Se a ideia de fazer pão vos assusta devido ao tempo de repouso das massas, este livro abre uma nova e risonha perspetiva: é que apesar do livro tratar de fermentações lentas (o que permite acentuar os sabores e as texturas), o tempo de fermentação das receitas permite-nos inserir facilmente o hábito de cozer pão nas nossas rotinas: preparar a massa à noite para cozer de manhã ou preparar de manhã para cozer antes do jantar, por exemplo.

 

O único senão do livro é o facto de em Portugal as farinhas disponíveis nos supermercados serem um pouco diferentes das farinhas utilizadas pela autora. Na versão portuguesa do livro apenas surge o nome traduzido das farinhas, mas não nos é dito nada sobre como substituir essa farinhas.

 

Por exemplo: a farinha de trigo mais utilizada pela autora é "farinha especial". Ora, que eu tenha conhecimento, nós não temos nenhuma farinha com este designação a ser comercializada por cá. Maria Blohm explica que é uma mistura entre farinha proveniente do trigo do outono e farinha do trigo da primavera, mas isso não nos ajuda muito. Outra farinha pedida em algumas receitas, é a "farinha de trigo duro", que eu só conheço por ser o ingrediente das massas secas.

Rolos de limão e baunilha

Um pouco perdida na hora de pôr a mão na massa, resolvi enviar uma mensagem via IG à autora. Que foi muito simpática e me disse que a principal característica da "farinha especial" era ter um percentagem maior de proteína (11% a 12%), quando comparada com a farinha dos bolos (9-10%). Disse-me que poderia substituir por uma "strong flour" ("farinha forte", outra designação que não temos) ou, em último caso, para usar a farinha que eu já costumava usar para fazer pão. Por curiosidade, fui consultar o rótulo da farinha T65 que tinha em casa (a farinha que mais uso para pão e massas de pizza) e a percentagem de proteína era de 10% (exatamente igual à da farinha T55, a dos bolos...).

 

Ok, não há de ser nada, vamos a isso. Toca a fazer as receitas com as farinhas disponíveis.

E não é que apesar de ter achado que as massas ficaram um pouco pegajosas (tanto as destes rolos de limão, como a do pão de alperce e nozes que mostrei no Instagram), a coisa acabou por correr mesmo bem? Saíram ótimos, com textura e sabor aprovadíssimos.

 

Por isso, a minha mensagem para quem tem ou quer comprar este livro, é a de que as receitas valem a pena, mesmo que a coisa pareça que vá descarrilar... mantenham a calma e a confiança, continuem a receita mesmo que tenham de juntar um pouco mais de farinha (sem exagerar!) e vão ver que os pães e os bolos irão sair deliciosos.

[Atualização - a farinha de espelta que tenho em casa tem 12% de proteína. Acho que a partir de agora vou usar esta, sempre que as receitas do livro pedirem "farinha especial"].

Livro "Pão Caseiro"

 

Resumindo: "Pão Caseiro" é um livro com um design simples mas bastante atrativo, e fotografias (para todas as receitas) muito cuidadas e bonitas. É um livro sobre "fermentações lentas", ainda que as receitas peçam apenas fermento fresco ou seco e não "isco" ou "massa-mãe". No início a autora tece algumas considerações sobre os ingredientes e explica porque é importante darmos tempo às massas para levedar. São cerca de 50 receitas variadas, apelativas e relativamente bem descritas, incluindo algumas receitas sem glúten. Algumas farinhas e ingredientes poderão ser difíceis de encontrar, mas não me parece complicado adaptar e substituir por farinhas e ingredientes mais comuns.

Para saber mais sobre o livro "Pão Caseiro" >>>> Livraria Bertrand Online

 

Vamos à receita de rolos de limão e baunilha?

Rolos de limão e baunilha

ROLOS DE LIMÃO E BAUNILHA

[ligeiramente adaptado do livro "Pão Caseiro", de Maria Blohm]

 

Rende 12 rolos grandes - 10 a 12h de levedação

Para a massa:

250 ml de leite frio

1/4 de colher de chá de fermento seco de padeiro (granulado)

75 g de açúcar

50 g de queijo quark

25 g de manteiga à temp. ambiente

1/4 de colher de chá de sal

25 g de farinha de espelta

425 g de farinha T65

 

Para o recheio:

75 g de manteiga à temp. ambiente

1/2 colher de sopa de açúcar baunilhado

1 pitada de sal

50 g de açúcar

Raspas de meio limão

 

Para a cobertura:

75 g de açúcar em pó

Sumo de limão qb

 

De véspera, prepare a massa.

Pese o leite na taça da batedeira e incorpore nele o fermento.

De seguida, pese os restantes ingredientes diretamente para a taça, colocando a balança a zeros entre cada ingrediente.

Mexa a massa com o gancho da batedeira durante 5 minutos (ou amasse à mão durante 10 minutos).

Numa taça, misture bem os ingredientes do recheio.

Transfira a massa para uma superfície enfarinhada (polvilhe as mãos e junte um pouco mais de farinha na massa, sem exagerar, se achar que está pegajosa).

Polvilhe o rolo e estenda a massa num retângulo com cerca de 30 cm x 15 cm.

Barre a massa com o recheio, deixando um pouco de margem livre à volta.

Enrole a massa (ao comprimento) e divida em 12 rolos.

Coloque-os num tabuleiro forrado com papel vegetal não demasiado apertado (os rolos vão aumentar de volume).

Cubra os rolos com um pano e depois envolva o tabuleiro num saco plástico.

Aponte as horas num post-it e cole no saco: assim, no dia seguinte sabe a que horas pode pô-los no forno. Deixe a levedar à temperatura ambiente entre 10h a 12h.

______________

Na manhã seguinte, após as 10h-12 horas de fermentação (a margem de 2 horas está relacionada com a temperatura ambiente - se estiver ameno vai precisar de cerca de 10h, se estiver mais frio irá precisar das 12h), pré-aqueça o forno nos 230º com a ventoinha ligada.

Tire o tabuleiro do saco, retire o pano e leve ao forno durante cerca de 13 minutos.

Se achar que está a dourar muito depressa, cubra com vegetal ou alumínio (eu reparei um pouco tarde 😅).

Entretanto prepare o glacé da cobertura: coloque o açúcar em pó numa taça e vá regando com sumo de limão e mexendo, até obter um creme branco brilhante e sem grumos.

Retire os rolos do forno e deixe arrefecê-los durante algum tempo antes de espalhar o glacê.

 

Post realizado com o apoio da Livraria Bertrand.

 

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31
Jul19

Tarte de Limão e Manjericão [a importância do círculo cromático na fotografia]

Tarte de limão e manjericão

Tarte de limão e manjericão

As aulas de Educação Visual já lá vão e talvez seja a longa distância temporal a justificação para não me lembrar de ter estudado o "círculo cromático".

Lembro-me de aprender que o branco "não é uma cor, porque é a soma de todas as cores" e de fazer girar na aula um "disco de Newton" para, precisamente, comprovar aquela afirmação. Mas é só.

 

Agora que tenho lido mais sobre fotografia, especificamente sobre fotografia de comida, e depois de ter feito o curso online com a Kimberly do The Little Plantation, percebi que este é um recurso muito útil e amplamente utilizado pelos fotógrafos. E claro, fiquei mais sensibilizada para a importância da conjugação das cores numa composição.

 

Esta roda colorida ou "círculo cromático" mostra-nos como as cores se relacionam umas com as outras, apresentando a relação entre cores primárias, secundárias e terciárias e mostrando ainda a variação de tons dentro de cada cor:

circulo cromatico.jpg

Fonte: dulux.com.au

- As cores primárias são o vermelho, o amarelo e o azul;

- As cores secundárias são também três, formadas a partir da combinação das primárias: o verde (amarelo e azul), o laranja (vermelho e amarelo) e o roxo ou violeta (azul e vermelho);

- As cores terciárias são seis: o vermelho-arroxeado, o vermelho-alaranjado, o amarelo-esverdeado, o amarelo-alaranjado, o azul-arroxeado e o azul-esverdeado, ou seja, são combinações entre uma cor primária e uma cor secundária;

- A posição das cores no círculo mostra-nos a relação entre elas: cores análogas (vizinhas no círculo) ou cores complementares (cores contrastantes que estão em lados opostos do círculo).

 

Na prática, a escolha de um ou de outro esquema de cores numa fotografia pode alterar completamente o seu mood. Um mesmo prato pode transmitir sensações completamente diferentes caso estejamos a usar uma paleta análoga ou complementar, tanto na própria comida como nos fundos e nos adereços.

 

Confesso que, até agora, a escolha das cores nas minhas fotografias respondia a um instinto, claramente ligado ao meu gosto pessoal (escolhia os fundos, os pratos, os panos e os talheres de acordo com o que eu gostava e achava que resultaria). Mas aos poucos começo a planear as sessões fotográficas tendo presente a "colour wheel".

Tarte de limão e manjericão

As imagens deste post são já resultado dessa abordagem. Escolhi o rosa para complementar o verde da tarte (e o verde do fundo horizontal), depois de consultar o círculo. Na verdade, não sei se não teria escolhido o rosa, caso não tivesse olhado para o círculo antes, mas, provavelmente, teria ficado com dúvidas e teria demorado mais tempo a tomar a decisão. Assim, o "círculo cromático" pode, pelo menos, tornar o processo de planeamento de um shooting mais fácil e rápido. Se gostam de fotografar a vossa comida, já sabem: o "círculo cromático" é um amigo a manter por perto. E se quiserem, façam como eu: gravem a imagem de uma "colour wheel" na galeria do telemóvel, e assim têm esta ferramenta sempre à mão 😉

 

Mas chega de teoria. Vamos à receita: uma tarte de limão e manjericão deliciosa, que descobri numa edição especial da revista francesa Saveurs. Se nunca experimentaram limão e manjericão juntos numa sobremesa, este é o pretexto perfeito para não adiarem mais.

Tarte de limão e manjericão

TARTE DE LIMÃO E MANJERICÃO

[Adaptado da revista Saveurs]

 

Para a base:

200 g de bolacha maria

100 g de manteiga derretida

 

Para o recheio:

100 g de açúcar

90 g de manteiga

3 ovos grandes

1 folha de gelatina

Raspa de 1/2 limão

60 ml de sumo de limão

1 chávena bem cheia de folhas de manjericão (cerca de 15-20 g)

 

Pré-aqueça o forno nos 180º.

Triture a bolacha com a manteiga e forre o fundo de uma tarteira (cerca de 24 cm de diâmetro) com esta mistura, calcando bem.

Leve ao forno durante cerca de 10 minutos, para "prender".

Retire e deixe arrefecer.

Coloque a folha de gelatina a demolhar num prato fundo em água fria.

Numa taça, misture 50 g de açúcar com os ovos.

Num tachinho, leve ao lume o restante açúcar misturado com o sumo e a raspa de limão até levantar fervura.

Junte este preparado, em fio, à taça dos ovos, mexendo sempre com um batedor de varas.

Passe de novo para o tachinho e leve ao lume, mexendo sempre, até engrossar (como se fosse um lemon curd).

Junte a gelatina escorrida e envolva bem.

Adicione a manteiga em pedaços, deixe derreter e misture bem.

Deixe amornar e, por fim, junte o manjericão bem picado.

Envolva bem e verta sobre a tarte.

Leve ao frigorífico durante umas 4 horas, no mínimo, antes de servir.

 

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25
Jul19

Tarte de Natas [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #3]

 

Tarte de natas

Livro Jantamos Cá em Casa

Tarte de natas

E sai mais um livro de cozinha.

Ao terceiro "Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes", uma rubrica com o apoio da Livraria Bertrand, voltamos aos doces.

Não que o livro em destaque seja só de doces, nada disso. Mas já sabem que eu tenho um fraquinho por doces e sobremesas, por isso, na hora de escolher a receita, é difícil que não sejam os doces a levar a melhor.

Ao folhear o livro, esta tarte chamou-me a atenção por ser simples e por prometer ser deliciosa [o que veio a confirmar-se] ao assemelhar-se a um grande pastel de nata. Aliás, foi por isso que troquei a massa areada da receita original por massa folhada. Mas confesso que já tenho vários post-its colados no livro, tanto em sobremesas como em salgados e até numas barritas de cereais para pequeno-almoço.

Livro Hoje jantamos Cá em Casa

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #3

"Jantamos Cá em Casa" - Luís Machado - Verbo

 

Não conhecia o chef Luís Machado, até ter visto este livro na Feira do Livro de Lisboa. No subtítulo da capa podemos ler: "Receitas para partilhar com amigos". Ora, estas são palavras mágicas para o meus ouvidos 😁

 

Na breve descrição sobre o autor, na badana do livro, fiquei a saber que Luís Machado, de 41 anos, é chef numa das "mais conceituadas revistas de culinária nacionais". Fiquei curiosa, fui pesquisar e trata-se da Teleculinária. Para além disso, é licenciado em Cozinha e Produção Alimentar, trabalha como consultor para diversas marcas do setor, é formador em mais do que uma escola profissional, apresenta regularmente showcookings e é jurado em muitos concursos gastronómicos, incluindo em alguns programas televisivos. Tem ainda um blog, onde partilha receitas e dicas de culinária: www.luismachado.com 

Podem ainda seguir Luís Machado no facebook e no Instagram.

 

Quanto ao livro, não pensem que vão encontrar receitas de autor demasiado complexas e sofisticadas. Pelo contrário, são receitas simples e despretensiosas. E na verdade, o título engana um pouco, pois aqui irão encontrar muito mais do que apenas receitas apropriadas para um jantar. 

 

Se não me enganei a contar, são 74 receitas divididas em cinco capítulos: "Manhãs", "Almoço - Simples e Leve", "Ao fim da tarde", "Jantares" (onde são agrupados alguns menus com entrada, prato principal e sobremesa) e "Doces". Há um pouco de tudo. Vários clássicos, como "Peixinhos da Horta", "Amêijoas à Bulhão Pato", "Arroz de pato", "Tiramisu", "Molotof", "Pavlova", e também receitas mais contemporâneas, como "Sopa de Meloa com queijo-creme" ou "Snack de batata-doce crocante", sem esquecer algumas bebidas, incluindo uma "Sangria de Espumante e Frutos Vermelhos, perfeita para estes dias.

 

Resumindo: é um livro abrangente, que cobre os diferentes momentos de refeição ao longo do dia e várias tipos de convívio ou celebração. Ótimo para quem gosta de receber em casa e para quem quer estar munido de um bom leque de receitas de conforto, fáceis de preparar e de sucesso garantido [não testei todas as receitas, mas parecem estar bem escritas e detalhadas].

A fotografia não é o forte do livro [algumas imagens são bonitas, noutras a luz artificial faz-se notar], o que é compensado pelos pequenos textos introdutórios às receitas. Estes acrescentam valor, desvendando algumas facetas e hábitos do Chef Luís Machado e mostrando como para si, os amigos são uma parte fundamental dos seus dias. Como escreve o Chef Hernâni Hermida no prefácio, este "é um livro sobre o gosto e o prazer de cozinhar e também sobre a partilha de bons momentos onde se comemora a amizade."

 

Se quiser saber mais sobre o "Jantamos cá em casa", ou até comprá-lo, basta clicar aqui.

 

Segue a receita da Tarte de Natas, ligeiramente adaptada do livro.

Tarte de Natas

TARTE DE NATAS

[Ligeiramente adaptada do livro "Jantamos cá em casa"]

 

Para a base:

1 rolo de massa folhada (a receita original pede massa areada de compra)

 

Para o recheio:

200 g de açúcar

100 ml de água

6 gemas

200 ml de leite meio gordo

200 ml de natas para bater

50 g de farinha sem fermento

Canela em pó para servir (opcional - acrescento meu)

 

Colocar as gemas numa taça e batê-las com um garfo.

Num tacho, juntar o açúcar e a água e levar ao lume até obter um ponto de pérola fino (se têm dúvidas sobre os pontos de açúcar, sugiro que vejam este post com vídeo da Chef Rita Nascimento, aka La Dolce Rita).

Juntar a calda de açúcar, em fio, às gemas, mexendo sempre com um batedor de varas.

Entretanto, ligar o forno nos 200º.

No tacho, juntar o leite, as natas e a farinha, mexendo com o batedor de varas para dissolver bem. Levar ao lume, mexendo sempre, até engrossar, o que deve demorar, no máximo, uns 10 minutos.

Retirar do lume e juntar, em fio, à mistura das gemas, mexendo sempre. Reservar.

Forrar uma tarteira com a massa escolhida (usei uma tarteira com 24 cm de diâmetro e mantive o papel vegetal debaixo da massa). Picar o fundo.

Verter o recheio na tarteira e levar ao forno cerca de 40 minutos ou até estar bem dourada e o recheio firme.

 

Notas e dicas:

- No final da cozedura o meu recheio estava ainda claro e pouco "queimado" - na fotografia do livro, o topo da tarte faz lembrar o pastel de nata, com aquelas manchas escuras típicas; como não quis manté-la mais tempo no forno, com receio de que ficasse demasiado cozida e os rebordos de massa folhada demasiado escuros, acabei por fazer umas pequenas manchas já fora do forno, com um maçarico de cozinha;

- Quase no final da cozedura, a minha tarte empolou e abriu umas pequenas fendas no centro, talvez devido à massa folhada, que empurrou o recheio para cima; depois de sair do forno, ao arrefecer, a "bossa" acabou por desaparecer e as rachas ficaram discretas, como podem ver nas fotografias.

 

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23
Jul19

Quadrados de aveia, pêssego e framboesa [e um forno que nunca para]

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Adoro sobremesas de forno com fruta. Bolos, crumbles, galettes... E no verão há tanta fruta - e tanta fruta que se adapta a sobremesas - que o meu forno praticamente não tira férias.

 

É certo que o calor tem sido por estes dias suportável, mas acreditem que já me aconteceu estar com o forno ligado, com 35ºC lá fora e pouco menos dentro de casa... Vício. Gulodice. Ou disparate. Vocês escolhem 😅

 

Desta vez, resolvi fazer uns quadrados [os americanos chamam-lhes "bars"] de pêssego e framboesa com crumble, adaptando uma receita do blog Halfbaked Harvest que me tinha ficado debaixo de olho.

 

A variação de texturas - base e topo crocante, interior macio e húmido - é para mim o melhor destes quadrados, muito fáceis de fazer. Dêem-me meio quadrado destes e um café, e estarei no céu. Mesmo que o céu esteja a debitar mais de 30º à sombra.

 

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QUADRADOS DE AVEIA, PÊSSEGO E FRAMBOESA

[Adaptado de Halfbaked Harvest]

 

Para cerca de 12 quadrados

1 chávena de flocos de aveia

3/4 de chávena de farinha

1/2 chávena de açúcar mascavado claro

1/2 colher de chá de fermento em pó para bolos

100 g de manteiga fria

+

1 chávena de pêssego partido em cubos (2 pêssegos grandes)

1 chávena de framboesas

1 a 2 colheres de sopa de açúcar mascavado claro (a depender da acidez da fruta)

3 colheres de sopa de doce de pêssego ou de framboesa

Raspa de 1/2 limão

1 colher de café de extrato ou baunilha

Chávena = 250 ml de capacidade

 

Forre com papel vegetal uma forma retangular com cerca de 16 cm x 24 cm.

Ligue o forno nos 180º.

Comece por preparar a massa da base e que vai servir também para o crumble: na taça do processador ou da batedeira, junte a aveia, a farinha, o fermento, açúcar e a manteiga.

Bata até se ter formado uma areia grossa, que se une quando pressionada.

Use cerca de 2/3 dessa massa para forrar a base da forma, calcando bem e formando uma base compacta. Reserve a massa sobrante.

Leve ao forno cerca de 10-12 minutos.

Entretanto, descasque e parta os pêssegos e lave as framboesas.

Coloque esta fruta numa taça e junte a farinha, o açúcar, o extrato de baunilha e a raspa de limão.

Retire a forma do forno e espalhe a fruta.

Distribua pedacinhos de doce de pêssego ou framboesa por todo.

Por fim, esfarele a massa sobrante por cima.

Leve ao forno durante cerca de 45 minutos (nos últimos minutos, talvez sinta necessidade de ligar a ventoinha, para fazer a fruta borbulhar e o crumble ganhar uma cor dourada bonita).

Retire do forno e deixe arrefecer bem, antes de partir e servir.

 

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11
Jul19

Bolo denso de chocolate e doce de leite [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #1]

bolos_de_luxo4.jpg

bolos_de_luxo6.jpg

 

Bem-vindos ao primeiro post da nova rubrica do Lume Brando "Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes"! Todas as semanas, com o apoio da Bertrand Livreiros, irei apresentar um livro de cozinha e uma receita desse mesmo livro.

 

A escolha será sempre um pouco aleatória, de entre os inúmeros livros de cozinha disponíveis na livraria Bertrand online. Às vezes irei escolhê-los pela capa (como foi o caso deste primeiro!), outras vezes pelo tema ou pelas fotos maravilhosas, por ser de um autor que admiro ou por ter ouvido falar muito do livro. Enfim: não há regras, apenas a vontade enorme de folhear, cozinhar e partilhar convosco o meu feedback sobre alguns [dos imensos!] livros de culinária que temos à nossa disposição. Vamos a isso?

 

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DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #1

"Bolos de Luxo" - Frida Skattberg - ArtePlural Edições

 

Quem consegue resistir ao bolo merengado de limão na capa? Eu não! 

Mas neste livro não é só a foto de capa que é bonita. Todas as receitas surgem acompanhadas de imagem e é uma imagem cuidada, a combinar com o design gráfico do livro.

 

Os protagonistas do livro são bolos "densos", nas palavras da autora, Frida Skattberg, uma food blogger sueca com mais de 132 mil seguidores no Instagram. Em termos de sabores, o destaque vai claramente para o chocolate: à exceção de um ou dois bolos, são todos de ou com chocolate, nem que seja na decoração.

 

Apesar de, na capa, o subtítulo nos dizer "3 receitas de base - mais de 70 bolos", a verdade é que as três receitas "base" (1 bolo de chocolate branco, 1 bolo de chocolate de leite e 1 bolo de chocolate negro) só são requisitadas em 5 receitas... é um pouco estranho, porque somos levados a crer que os 70 bolos partiriam sempre de uma destas três receitas. No entanto, não me parece que isto desvalorize o livro, na verdade, ficamos com um portfólio de receitas ainda maior.

 

Outro aspeto para o qual vos queria alertar prende-se com a forma como as quantidades de alguns ingredientes secos, nomeadamente a farinha e o açúcar, estão apresentadas: em dl - sim, leram bem, decilitros! Ora bem, quando comecei a ler as receitas pela primeira vez fiquei à toa. 2,5 dl de açúcar? Como assim? Decidi ir ao site da autora, mas este está apenas em sueco e mesmo traduzindo-o de forma automática, não cheguei a grandes revelações. Da primeira vez que experimentei esta receita, fiz uma conversão um pouco idiota: imaginei que se fosse água, 2,5 dl seriam 250 ml ou 250 g. Apesar da relação peso vs volume serem diferentes, sendo água ou açúcar ou outro ingrediente, segui aquela correspondência e usei, para dar um exemplo, 250 g de açúcar... o bolo ficou bom, mas havia algo que não batia certo, até porque as quantidades me pareciam exageradas.

 

Fui ao google novamente. Desta vez pesquisei em inglês sobre medidas suecas para pastelaria. E fez-se luz: os suecos usam como medidas umas colheres/chávenas que estão marcadas em dl (estão a ver este conjunto de medidores do IKEA? Por acaso estes estão em ml, mas as capacidades seguem a tradição sueca, com a maior a corresponder a 100 ml, ou seja, 1 dl). Assim, como na Suécia essas colheres são a forma habitual de medir os ingredientes, referem as quantidades de acordo com o que a colher "marcar". Era como se nas receitas em que usamos a medição por chávenas (sistema inglês e americano), em vez de dizermos 1 chávena de açúcar, disséssemos 240 ml de açúcar. Confuso, não é?

 

Muito confuso para a nossa cultura culinária e na tradução do livro deveriam ter tido isso em conta, optando por fazer a correspondente conversão para gramas. Para ajudar, e no caso de terem ou quererem comprar este livro e terem ficado assustados, fica aqui uma curta tabela de conversões:

Farinha: 1 dl = 60 g

Açúcar / Açúcar em pó: 1 dl = 80 g

Cacau: 1 dl = 30 g

 

Estes são os ingredientes que as receitas mais vezes pedem; para outros ingredientes que surjam, sugiro que usem como medida um recipiente que tenha a capacidade solicitada (os medidores do IKEA são o ideal).

 

Depois de esclarecida, voltei a fazer o bolo com as quantidades certas. E desta vez ficou mesmo delicioso! 

 

Resumindo: é um livro guloso, repleto de receitas de bolo tentadoras e originais e fotos muito bonitas. Não são bolos para fazer todos os dias (são receitas calóricas, com ingredientes tradicionais), mas são bolos para surpreender alguém que gostamos ou para tornar ainda mais especial uma festa ou celebração.

Podem saber mais sobre o livro aqui: Bolos de Luxo, de Frida Skattberg

 

Vamos à receita?

bolos_de_luxo7.jpg

BOLO DENSO DE CHOCOLATE E DOCE DE LEITE

[do livro "Bolos de Luxo" - Frida Skattberg]

 

200 g de manteiga

100 g de chocolate negro

120 g de açúcar

15 g de cacau em pó

3 ovos

150 g de farinha sem fermento

180 g de leite condensado cozido

1 colher de sopa de sal marinho (usei flor de sal qb)

 

Ligue o forno nos 180º.

Unte uma forma redonda de aro amovível com cerca de 20 cm de diâmetro (usei de 22 cm e ficou bem, mas se tiver mais diâmetro, o bolo irá ficar demasiado baixo).

Numa panela grande, leve a derreter o chocolate com a manteiga em lume brando. Mexa bem até ficar bem misturado e fluído.

Retire do lume e incorpore o açúcar e o cacau.

Junte os ovos, um a um - a massa vai espessar, é normal.

Por fim, envolva a farinha.

Verta para a forma, alise, e espalhe o leite condensado cozido - use um palito para espalhar e fazer as cornucópias. Polvilhe com o sal (da segunda vez que fiz o bolo, omiti esta parte e apenas adicionei o sal antes de servir; aconselho: assim o sal não derrete e o bolo fica mais bonito no final)

Leve ao forno cerca de 20-25 minutos - vá espreitando. Neste bolo, não vale a pena fazer o teste do palito, pois a ideia é que saia do forno com o centro ainda pouco firme.

Deixe arrefecer e leve ao frigorífico umas três horas antes de servir.

Antes de servir, caso ainda não o tenha feito, polvilhe com sal marinho grosso ou flor de sal.

 

08
Jul19

Fruta da época [receita de galette-crumble de ameixa]

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Verão tímido este. Será que o facto do tempo andar menos soalheiro e quente do que é habitual para esta altura, tem relação com a qualidade das ameixas deste ano?

 

De facto, o problema não é a quantidade. No quintal dos meus pais, as ameixoeiras [pela minha pesquisa também se pode dizer "ameixeiras" ou "ameixieiras"] mostraram-se, nos últimos dias, carregadíssimas de fruta. Tanto que um dos ramos até se partiu, devido ao peso. Mas as ameixas são pequeninas e o sabor e a textura estão um pouco distantes da maravilha de outras colheitas.

 

O prazer de comê-las à dentada fica assim um pouco comprometido, mas aqui em casa nada se perde. Em breve irei fazer doce - tenho uma receita de doce de ameixa aqui no blog - mas entretanto já comecei a escoá-las através desta tarte rústica. Indecisa entre fazer uma galette - o meu tipo favorito de tarte - ou um crumble, resolvi fazer os dois!

 

Suculenta e vibrante, atinge o auge acompanhada por uma bola de gelado...

 

[Escrevo este post quando já não tenho nem uma migalha desta coisa boa, por isso, passemos rápido à receita, para poder afastar-me destas imagens 🤪!]

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GALETTE - CRUMBLE DE AMEIXA

 

Para a massa:

120 g de farinha de espelta integral

30 g de farinha T55 sem fermento

50 g de manteiga fria partida em pedaços

1 colher de chá de açúcar amarelo

1 ovo pequeno

Leite para pincelar o rebordo antes de ir ao forno

 

Para o recheio:

800 g de ameixas

1,5 colheres de sopa de farinha

3 colheres de sopa de açúcar amarelo - ou a gosto

 

Para o crumble:

65 g de farinha T55 sem fermento

35 g de manteiga fria

40 g de açúcar

 

Começar por fazer a massa. Colocar todos os ingredientes numa taça grande e amassar com as pontas dos dedos até obter uma massa moldável. Formar uma bola achatada, envolver em película aderente e levar a frigorífico durante cerca de 30 minutos.

Lavar e descaroçar as ameixas (não descasquei). As minhas eram tão pequenas que não senti necessidade de partir em pedaços - quando muito parti a meio. Juntar o açúcar e a farinha e envolver bem.

Para o crumble, colocar todos os ingredientes numa taça e misturá-los com a ponta dos dedos até obter uma areia grossa. Reservar.

Ligar o forno nos 170º.

Retirar a massa do frio, esticar sobre uma superfície enfarinhada e dar-lhe uma forma arredondada.

Transferir a base de massa para um tabuleiro de forno forrado com papel vegetal.

Espalhar a fruta pela base de massa, deixando um rebordo livre com cerca de 2,5 cm a toda a volta. Dobrar o rebordo de forma a "fechar" a galette.

Espalhar o crumble por cima da fruta e pincelar o rebordo da galette com leite.

Levar ao forno durante cerca de 1 hora/ 1hora e 10 m ou até a massa estar bem dourada e firme e a fruta a borbulhar e a largar sumo.

 

MAIS RECEITAS DE GALETTE:

 

 

27
Jun19

Antes que as cerejas acabem [doce de cereja fácil e rápido]

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Ora bem, antes que me acusem de escrever títulos enganosos, convém esclarecer que o adjetivo "rápido" remete apenas para as fases após o descaroçamento das cerejas. As cerejas são maravilhosas [são mesmo um dos meus frutos favoritos], mas caso queiramos cozinhar com elas dão um pouco de trabalho. Afinal, já diz o ditado que não há bela sem senão. No caso das cerejas até há dois senãos.

 

Sei que há quem faça tartes e bolos com cerejas sem as descaroçar, mas eu não consigo. Prefiro perder algum tempo com essa tarefa, do que depois andar a cuspir caroços e pôr em causa a experiência da degustação. Assim, recomendo que tenham um bom descaroçador [ eu uso o quebra-nozes da Tupperware, que tem essa função e fico sempre satisfeita com o resultado]. Depois, ponham a rodar a vossa música favorita, sentem-se confortavelmente à mesa da cozinha, ou fiquem em pé se forem baixos como eu, e [muito importante!] descarocem as cerejas para uma bacia grande e alta. Isto porque o segundo senão de cozinhar com cerejas e ter de descaroçá-las é que elas espirram muito sumo, que deixa nódoas difíceis. Mas se tiverem uma bacia grande e alta e manusearem o descaroçador e as cerejas lá dentro, vão ver que a cozinha e a vossa roupa continuará impecável no fim desta missão.

 

No princípio de junho, fomos presenteados cá em casa com vários quilos de cerejas. Eram deliciosas e comemos a maior parte ao natural, mas a quantidade exigia que lhes desse outro uso. Resolvi transformar algumas em doce. Foi a primeira vez que fiz doce de cereja e, na altura, no Instagram, prometi que se ficasse bom, partilhava a receita.

 

Aqui está ela, a tempo de poderem aproveitar as últimas cerejas deste ano! Para além de ser muito bom barrado simplesmente em pão e tostas, também fica ótimo num cheesecake, ou servido com iogurte ou queijo - nestas fotos, aparece acompanhado de queijo fresco de cabra. 

 

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DOCE DE CEREJA

[adaptado de uma receita que vi no Pinterest, mas que na altura não guardei!]

 

1 kg de cerejas

Sumo de 1 laranja

6 colheres de açúcar amarelo ou a gosto

 

Lave e descaroce as cerejas.

Coloque todos os ingredientes numa panela de fundo espesso [as panelas de ferro fundido, tipo Le Creuset funcionam na perfeição].

Leve ao lume, numa temperatura média/média-alta e deixe cozinhar, mexendo, até as cerejas começarem a amolecer, aí uns 15 minutos - a ideia é manter a forma das cerejas, mas que estas fiquem macias.

Com uma escumadeira, retire as cerejas para uma taça e deixe reduzir e engrossar um pouco os líquidos que ficaram na panela. Volte a colocar as cerejas na panela, deixe levantar fervura, verifique se está no ponto desejado [eu costumo colocar um pouco de doce num prato e passar sobre este as costas de uma colher: se se abrir um caminho nítido e o doce demorar a voltar a unir-se, está pronto [não esquecer que o doce vai espessar ao arrefecer e a ideia é que fique um doce algo fluído, por isso não o cozinhe demasiado].

Passe para frascos bem limpos ou esterilizados, tape, deixe arrefecer e guarde no frigorífico.

 

OUTRAS RECEITAS DE DOCES E COMPOTAS:

Doce de abóbora

Doce de ameixa

Doce de romã e maçã

19
Jun19

Curso online de fotografia de comida: o meu feedback [e um bolo delicioso]

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Se só vieram por causa da receita do bolo, é melhor fazerem scroll e apanhá-la ali em baixo. Mas se gostam de fotografia de comida tanto como eu, o que conto já a seguir talvez seja do vosso interesse ;)

 

Já aqui tinha falado, e quem me segue no Instagram tem acompanhado, que este ano decidi fazer um curso online de fotografia de comida e food styling. No final de 2018, descobri o blog The Little Plantation e comecei a seguir a sua autora, Kimberly Espinel, no Instagram e no Facebook. Apesar de eu ligar cada vez menos ao Facebook, é aqui que a Kimberly, que vive em Londres, dinamiza um grupo fechado, reunindo uma simpática comunidade à volta dos temas de food photography e food styling e de tópicos complementares, tais como dicas para crescer no Instagram, como cobrar um trabalho de fotografia, etc.

 

Gosto muito do trabalho consistente da Kimberly e da forma simpática, generosa e entusiástica com que partilha as suas ideias e o seu conhecimento sobre esta área. Quando me apercebi que ministrava cursos online, pedi mais informações e não demorei muito a inscrever-me. Sei que há muitos outros bloggers e fotógrafos a disponibilizar cursos online de fotografia de comida, mas sinceramente não pesquisei nem fiz comparativos. Gostei da abordagem da Kimberly, o preço pareceu-me razoável, estava decidido.

 

O curso está estruturado em 5 aulas + 1 aula opcional sobre Instagram. Os temas vão desde técnica fotográfica à composição e ao food styling, passando pela teoria da cor e pela edição em Lightroom (foi a minha aula favorita) e o mais interessante é que as aulas são "presenciais": através da app Zoom (tipo Skype), vemos e falamos com a Kimberly podendo ainda interagir com os outros alunos. Recebemos com antecedência o plano de cada aula, com a "teoria", e depois na aula a Kimberly fala mais detalhadamente sobre esses conteúdos e responde às nossas questões. Há trabalhos de casa e um trabalho maior, final, que é discutido depois numa sessão individual, sendo-nos dado bastante tempo para concretizar o projeto.

 

final_assignment19.jpg

As fotos deste post fazem parte desse "final assignment". Fazer o curso foi uma decisão acertada, uma experiência fantástica, que recomendo. Obrigou-me a fotografar coisas diferentes, de ângulos diferentes. Obrigou-me a praticar. Nunca foi tão fácil como hoje aprendermos o que quer que seja sozinhos. Há artigos, vídeos, tutoriais... não faltam recursos grátis na internet para aprender a fotografar melhor, mas eu adoro aprender com pessoas, gosto da interação direta, é mais enriquecedor. Ficamos mais comprometidos, dedicamo-nos mais. Fosse eu rica e inscrevia-me já noutro curso.

 

Voltando ao trabalho final, cada aluno teve de começar por apresentar um mood board (fiz o meu no Pinterest, podem vê-lo aqui.), este devia contemplar diferentes ângulos (de frente, de cima, 3/4) e imagens ao alto e ao baixo. Depois de feita a sessão, guiada pelo tal mood board, e editadas as fotos, selecionei as que queria apresentar à Kimberly, enviei-as e, na já referida sessão 1-2-1, falámos sobre elas, sobre as dificuldades e dúvidas que tive, e recebi o seu feedback sincero, que incluiu tanto elogios como várias críticas construtivas. Estas fotos ainda não estão no nível que eu gostaria, mas se olhar para imagens minhas antigas (e não é preciso recuar muito no tempo), sinto que tenho evoluído e isso deixa-me mais confiante.

 

Escolhi um bolo para "estrela" do projeto final, porque é das coisas que mais gosto de cozinhar e fotografar e é o tipo de receita que as pessoas mais associam ao Lume Brando. Um bolo de iogurte e limão, recheado e coberto com um creme de mascarpone, natas e framboesas. Espero que não só gostem das fotografias, como da receita, que partilho mais abaixo.

 

E se quiserem saber mais sobre fotografia de comida, food styling, food blogging, redes sociais, criatividade e outros tópicos associados, não deixem de ouvir o podcast da Kimberly, chamado Eat Capture Share, já com duas temporadas. Eat Capture Share é também o nome da sua comunidade no Facebook e a hashtag #EatCaptureShare é a que une as participações nos interessantes desafios de fotografia que costuma organizar no Instagram.

 

Vamos ao bolo?

final_assignment7.jpeg

 

BOLO DE IOGURTE E LIMÃO COM COBERTURA E RECHEIO DE MASCARPONE E FRAMBOESAS

 

Para o bolo:

1 iogurte grego natural

130 g de açúcar amarelo

3 ovos

80 g de azeite extravirgem

Raspa e sumo de 1/2 limão

150 g de farinha peneirada

1 colher de sopa de fermento em pó

1 pitada de sal

 

Para a calda:

Sumo de dois limões

Açúcar amarelo a gosto

 

Para o recheio e cobertura:

2 embalagens de queijo mascarpone (deve estar bem frio)

1 embalagem de natas (devem estar bem frias - mínimo 12 horas no frigorífico)

Coulis de framboesa qb*

Cerca de 2 colheres de sopa de açúcar ou a gosto

Framboesas frescas  - cerca de 250 g

 

Untar bem e forrar o fundo de duas formas com 14 ou 16 cm de diâmetro com papel vegetal. Voltar a untar com manteiga/polvilhar com farinha.

Ligar o forno nos 180º

Separar as gemas das claras. Bater estas em castelo, com uma pitada de sal.

Juntar às gemas o açúcar e bater bem. Adicionar o iogurte, o azeite, o sumo e a raspa de limão. Mexer bem. Envolver as claras em castelo e, por fim, envolver a farinha e o fermento peneirados (eu costumo peneirar diretamente para a massa do bolo, ao mesmo tempo que vou envolvendo).

Dividir pelas formas e levar ao forno durante cerca de 25-30 minutos - vigiar e fazer o teste do palito para confirmar que estão cozidos.

Desenformar os bolos sobre uma rede forrada com papel vegetal e deixar arrefecer.

Para preparar o creme do recheio e cobertura, bater com a batedeira elétrica as natas, o mascarpone e o açúcar, até estar bem uniforme e macio. A meio do processo, juntar um pouco de sumo de limão, que ajudará a tornar o creme mais firme. Por fim, ir juntando umas colheres de sobremesa de coulis e continuar a bater, até atingir o tom de rosa pretendido e provando para ver se necessita de adoçar mais (eu acho que o mascarpone não pede muito açúcar, mas o ideal é provarem e ajustarem ao vosso gosto). O coulis que sobrar, podem servir depois com o bolo.

Entretanto fazer a calda com o sumo de limão e o açúcar. Deixar borbulhar lentamente até atingir um ponto fraco.

Colocar um dos bolos no prato de servir, picá-lo com um palito e regar com metade da calda. Colocar uma camada de creme de mascarpone e framboesa, espalhar algumas framboesas e tapá-las com mais creme, reservando framboesas para a decoração final. Colocar o outro bolo por cima. Picar e regar com a restante calda. Cubrir o bolo com o creme e acabar de decorá-lo ao vosso gosto. O bolo fica melhor no dia seguinte, por isso, o ideal é fazê-lo de véspera e guardá-lo no frigorífico.

 

*Leve ao lume cerca de 200 g de framboesas congeladas. Deixe cozinhar bem até ficarem desfeitas e largarem todo o sumo, deixando este reduzir um pouco. Passe por um coador, descarte as grainhas e reserve o coulis, que para esta receita deve ser usado frio.

 

MAIS RECEITAS DE BOLOS DE FESTA:

Bolo de banana, caramelo e chocolate

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Bolo de abóbora e especiarias

Bolo de chocolate e grão-de-bico

Bolo de chocolate e amêndoa

Bolo de Oreo

Bolo de cenoura e noz com cobertura de queijo-creme

Dobos Torte simplificado

 

24
Mai19

Galette de ruibarbo e maçã [ruibarbo: fruta ou legume?]

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ruibarbo9.jpg

Se perguntar à minha mãe se conhece ou já ouviu falar em ruibarbo, a resposta vai ser um não convicto, acompanhado daquele franzir de testa involuntário de quem reage a algo que lhe soa estranho. Julgo que, de uma forma geral, será assim com todas as mães, pais e avós da geração dos meus. Ou pelo menos aqui no norte, onde não se conhece qualquer tradição no cultivo deste legume, que por ser bastante ácido é mais usado em sobremesas do que em salgados.

Sim, o ruibarbo é um legume, originário da Ásia, muito utilizado para fins medicinais, destacando-se a sua riqueza vitamínica. Uma outra utilização comum é em chá, indicado para auxiliar a digestão.

Eu própria só há uns anos é que descobri o ruibarbo, ao ver receitas em livros e revistas estrangeiras que o incluíam. Por isso, não imaginam como fiquei feliz assim que o pude cozinhar pela primeira vez, quando a querida Naida Folgado*, do blog Frango do Campo, me ofereceu uns caules, da sua horta, e com os quais fiz este bolo (caso cliquem, peço desculpas pelo aspeto do post, é muito antigo e não consigo editá-lo).

Das mesmas mãos generosas, chegou-me nova remessa de ruibarbo no fim de semana que passou. Desta vez, experimentei fazer uma galette, o meu tipo de tarte favorito. E ficou tão boa! Combinado com a dose certa de açúcar, o ruibarbo oferece-nos um delicioso travo agridoce e a sua textura macia, após a cozedura, contrasta muito bem com o crocante da massa (a massa que usei aqui é uma receita que faço algumas vezes, com uma ou outra alteração; desta vez ficou ainda mais estaladiça, porque lhe juntei um pouco de farinha de polenta bergamasca.

Sei que não é fácil encontrar ruibarbo (ou então é muito caro), mas se tiverem a oportunidade de poder cozinhá-lo e prová-lo, aproveitem-na! Ah, e não se esqueçam de que as folhas têm de ser descartadas: com elevados índices de ácido oxálico, as folhas são tóxicas e podem mesmo matar se consumidas em grandes quantidades.

*Sabiam que a Naida tem um site novo, dedicado aos seus serviços de food photography e food styling? Espreitem! E se puderem, não percam o seu workshop do dia 2 de junho em Espinho, no bonito espaço Humor ao Lume.

ruibarbo_VII.jpeg

GALETTE DE RUIBARBO E MAÇÃ

Para a massa:

120 g de farinha s/ fermento

40 g de farinha de milho para polenta (não instantânea) ou sêmola de milho

50 g de manteiga fria partida em pedaços

1 colher de chá de açúcar amarelo + 1 pouco para polvilhar

1 ovo pequeno

Ovo batido para pincelar

 

Para o recheio:

450 g de caules de ruibarbo, limpos e partidos em cubos

150 g de maçã descascada e partida em cubos

3-4 colheres de sopa de açúcar amarelo

2 colheres de sopa de farinha sem fermento

Sumo de 1 laranja

Opcional: açúcar em pó para polvilhar antes de servir

 

Comece por fazer a massa: coloque todos os ingredientes numa taça grande e amasse com as pontas dos dedos até obter uma massa moldável (se achar que está muito dura ou pouco ligada pode juntar umas gotas de água fria). Forme uma bola achatada, envolva em película aderente e leve a frigorífico durante cerca de 30 minutos.

Numa taça, junte o ruibarbo, a maçã, o açúcar, e o sumo de laranja. Envolva bem e deixe "marinar" enquanto a massa está no frigorífico.

Entretanto ligue o forno nos 170º.

Estenda e estique a massa numa superfície enfarinhada dando-lhe uma forma arredondada.

Escorra e descarte o líquido que se tiver formado na taça do ruibarbo, junte 2 colheres de sopa rasas de farinha na taça e envolva bem o ruibarbo e a maçã.

Verta a mistura de ruibarbo e maçã no centro da massa, espalhando-a para os lados mas mantendo livre a toda a volta uma borda com cerca de 3 cm. Dobre essa borda para cima, para fechar a galette, fazendo umas "pregas" a toda a volta, para a massa assentar e colar melhor. Pincele o rebordo com ovo batido e polvilhe com açúcar amarelo. Leve ao forno entre 1h a 1h e 10 minutos ou até a massa estar bem firme e bem dourada.

 

MAIS RECEITAS DE GALETTE:

Teresa Rebelo

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