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Lume Brando

17
Jan20

Cupcakes de torradas com canela [Diz-me o que lês #25]

Cupcakes de torradas com canela

Cupcakes de torradas com canela

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #25

"O Livro dos Bolos & Cupcakes" - Cupcake Jemma/Jamie Oliver's Food Tube - Porto Editora

 

Este é o livro mais pequeno e fino - incluindo no preço - que até agora trouxe aqui à rubrica. O que não significa que seja aquele com menos valor. Apesar de ter vários livros com receitas de bolos e cupcakes, não tinha nenhum com a chancela do canal  Food Tube, de Jamie Oliver. E queria perceber se a qualidade editorial dos livros do Jamie se mantinha nestas edições mais modestas, de autores que colaboram com o chef no desenvolvimento de receitas e vídeos.

 

A resposta é: sim. O bom gosto e o cuidado no design do livro mantêm-se e as fotografias têm igualmente a assinatura de David Loftus, essa lenda viva da fotografia de comida, ainda que se trate de um livro mais simples: cento e poucas páginas, tamanho A5 e capa 'mole'.

 

Se precisávamos de mais um livro de receitas de bolos e cupcakes? Bem, eu acho que há sempre qualquer coisa de novo e interessante em cada livro. Na clara impossibilidade de os termos todos, a escolha deve refletir os nossos gostos, as nossas preferências na hora de irmos para a cozinha ou até as nossas intolerâncias ou regimes alimentares específicos.

 

Diria que "O Livro dos Bolos & Cupcakes" é para quem ainda não tem um preconceito em relação às receitas com elevadas quantidades de manteiga e açúcar... quase que me atrevo que é um livro politicamente incorreto para os dias de hoje, tais as receitas calóricas que apresenta.

 

O livro dos bolos & dos cupcakes

 

No entanto, conscientes de que estes ingredientes não são os mais saudáveis, podemos sempre guardar estas receitas para dias especiais, ou até partir delas e das combinações de sabores que propõem, para criarmos versões mais saudáveis (não é o caso dos cupcakes de torradas com canela cuja receita que segue mais abaixo, em que respeitei quase religiosamente a receita do livro!)

 

A autora do livro é Jemma Wilson, fundadora da Crumbs & Doilies e a cara do Cupcake Jemma, o canal de Jemma no YouTube. Jemma colabora ainda com o canal de YouTube de Jamie, o FoodTube, daí ter surgido o convite do chef inglês para que fizesse o livro.

 

Para além de um breve capítulo com truques e dicas e de outro com receitas básicas de massas e coberturas, que inclui receitas como a do 'molho de caramelo salgado', de 'ganache' e de 'merengue', entre outras, o livro apresenta as receitas divididas pelas 4 estações do ano. Assim, temos sugestões mais frutadas e frescas para o verão e primavera, e sabores mais reconfortantes para as estações frias. Algumas das sugestões que achei mais interessantes, são:

 

- Cupcakes de chá verde com caramelo crocante de sésamo

- Bolo de limão, pistácio e cardamomo

- Cupcakes vegan de fudge de baunilha

- Cupcakes de mojito

- Cupcakes de amêndoa e molho de cereja (na capa do livro)

- Cupcakes mexicanos de chocolate & malagueta

- Cupcakes de pipocas amanteigadas

- Bolo de Jaffa

- E os Cupcakes de torradas com canela, cuja receita deixo mais abaixo.

 

O livro dos bolos & dos cupcakes

 

No total, "O Livro dos bolos & cupcakes" oferece-nos 50 receitas bem doces, que se comem também com os olhos.

 

Resumindo: Este é um livro prático, com boas receitas para quem ainda não afastou definitivamente o açúcar branco e a manteiga da sua cozinha. Está bem escrito, apresenta um design cuidado, colorido e algo 'feminino'. Todas as receitas surgem fotografadas e ainda que a abordagem fotográfica seja um pouco diferente da dos livros de Jamie, menos depurada, nota-se o clique experiente de David Loftus.

 

Antes de passarmos à receita, relembro que a rubrica "Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes" conta com o apoio da livraria Bertrand 💛

Saber mais/comprar sobre "O Livro dos Bolos & Cupcakes" >>> livraria Bertrand online

 

Cupcakes de torradas com canela

CUPCAKES DE TORRADAS COM CANELA

Ligeiramente adaptado do livro "O Livro dos Bolos & Cupcakes", de Cupcake Jemma

 

Para cerca de 12 queques

3 fatias de pão rústico

130 g de manteiga sem sal amolecida

100 g de açúcar

15 g de açúcar mascavado escuro

100 g de farinha com fermento

1/4 de colher de chá de bicarbonato de sódio

1 colher de chá de canela em pó

2 ovos

1 colher de sopa de leite

 

Para a cobertura:

150 g de manteiga sem sal amolecida

300 g de açúcar em pó

Canela moída a gosto

2 colheres de sopa de leite

 

Ligue o forno nos 170ºC.

Torre as fatias de pão, barre-as com manteiga e volte a levá-las ao forno ou à torradeira até estarem bem tostatinhas e possam ser trituradas no robot de cozinha. Deixe arrefecê-las, triture-as e reserve.

Forre uma forma de queques com formas de papel.

Na taça da batedeira, junte os açúcares e bata pata desfazer eventuais grumos.

Adicione, peneirando, os restantes ingredientes secos.

Junto os ovos, a manteiga e 25 g das torradas e bata com a batedeira durante 1 minuto.

Adicione o leite e bata até estar bem integrado.

Distribua a massa pelas formas de papel - não encha demasiado, apenas até 1/3 da forma de papel (é capaz de obter mais do que 12 queques).

Leve ao forno durante cerca de 20 minutos.

Deixe arrefecer um pouco, retire da forma de queques e deixe arrefecer sobre uma rede.

 

Para a cobertura, bata a manteiga até estar lisa e brilhante e depois vá juntando o açúcar em pó e a canela, batendo bem. Junte o leite - veja se necessita de adicionar mais açúcar ou mais leite, até obter um creme macio, mas com firmeza para se usar o bico pasteleiro (opcional) e aguentar a forma.

 

Termine polvilhando os queques com o pão torrado triturado e, se desejar, um pouco da mistura de açúcar granulado com canela.

Descobri (depois de os fazer!), que a Jemma tem um vídeo com esta receita! Cliquem aqui para ver.

MAIS RECEITAS DE QUEQUES E CUPCAKES:

27
Dez19

Barritas de sésamo e cacau [Diz-me o que lês #22]

Barritas de sésamo e cacau

O livro de cozinha da Marta

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #22

"A Cozinha da Marta - Uma forma de amar" - Marta Horta Varatojo - Marcador

 

Este não é um livro recente. Foi lançado em 2015, já vai na 4ª edição, e há muito que o cobiçava quando o via nas livrarias. Quem me segue, sabe que não sigo a filosofia e o estilo de vida macrobiótico, que é o apresentado neste livro. No entanto, sou curiosa e gosto de saber mais sobre todos os tipos de regimes alimentares.

 

Sempre que passava pelo livro, ficava seduzida pela capa colorida e pela beleza da Marta, visível na pequena fotografia da capa. Por isso, quando criei esta rubrica, sabia que seria um dos que passariam por aqui.

 

"O Livro de Cozinha da Marta - Uma forma de amar" é um livro que tem tanto de técnico (com vários textos de Francisco Varatojo, pai da autora e fundador do Instituto Macrobiótico de Portugal, que infelizmente faleceu em 2017), como de empírico e pessoal, no sentido de nas suas páginas transparecerem o amor e a gratidão da autora pela cozinha, pela família e pelas pessoas que a rodeiam e também por partilhar connosco a sua história de vida.

 

O livro de cozinha da Marta

 

É impossível não gostar da Marta e deste livro, quando, logo no início, se pode ler "Sou macrobiótica desde que nasci, mas acima de tudo sou uma pessoa que gosta de comer! Os rótulos podem tornar-se perigosos em mentes mais inflexíveis, levando a uma abordagem rígida e pouco divertida. Eu sou completamente a favor de sermos sensatos e flexíveis. Não gosto de falar em alimentos proibidos; há alimentos que são bons para serem consumidos diariamente, outros para o serem mais ocasionalmente, e há ainda a categoria de alimentos para os dias de festa."

 

Não podia concordar mais. Mas, afinal, em que consiste a macrobiótica? No livro, é-nos explicado que é mais do que uma dieta ou um regime alimentar, ou seja, é um estilo de vida que pretende desenvolver o nosso potencial humano pela observância das leis da Natureza, dos pontos de vista biológico (alimentação), ecológico (ambiente), social e espiritual (amor e compaixão).

 

A palavra é de origem grega, com macro a significar "grande" e "bio" a significar "vida", remetendo então a macrobiótica para "a capacidade de vivermos a vida de uma forma grandiosa e magnífica". Também neste livro ficamos a saber que, na era moderna, o conceito da "macrobriótica" apareceu pela primeira vez no século XVIII, no livro "Macrobiótica ou a Arte de prolongar a vida", da autoria de Christoph Von Hufeland, médico de Goethe.

 

Um dos aspetos interessantes da macrobiótica é o entendimento de que este estilo de vida é flexível e versátil, adaptando-se às diferentes fases e diferentes necessidades de cada pessoa a cada momento. Um ponto comum e constante, no entanto, é o papel dos cereais integrais e dos vegetais, considerados os alimentos "mais adaptados à espécie humana e, consequentemente, aqueles que mais ajudam a criar e a manter a saúde".

 

Outro princípio fundamental da macrobiótica é a bipolaridade ou a teoria do yin e yang. Esta defende que "todos os fenómenos, alimentos incluídos, têm qualidades energéticas, metafísicas",  sendo apenas possível atingir a harmonia se equilibrarmos esses dois pólos - yin e yang - nas nossas vidas.

 

O livro de cozinha da Marta

 

O livro desenvolve estes conceitos com alguma profundidade, mostra-nos a "Pirâmide da alimentação macrobiótica", assinala a diferença entre macrobiótica e vegetarianismo, fala-nos do tipo de energia associado a cada tipo de alimentos, descreve alguns dos ingredientes mais usados (incluindo alguns 'medicinais') e elenca algumas técnicas culinárias, dicas e truques.

 

Tudo isto, antes de passarmos às receitas. Estas surgem agrupadas nos seguintes capítulos:

  • Pequenos-almoços
  • Lanches e Snacks
  • Sopas
  • Cereais Integrais
  • Leguminosas
  • Tofu/Seitan/Tempeh
  • Algas
  • Vegetais/Saladas/Pickles
  • Condimentos/Molhos/Maioneses
  • Sobremesas
  • Menus festivos
  • Chás e bebidas medicinais

 

Ao todo, são 106 receitas (se não me enganei a contá-las!) muito variadas dos pontos de vista do tipo de refeição e ingredientes utilizados, ainda que, na sua maioria, sejam receitas vegetarianas e vegan, uma vez que estas estão na base de uma alimentação macrobiótica, ainda que esta não exclua totalmente os alimentos de origem animal.

 

Gostei bastante do livro e fiquei com vontade de experimentar diversas receitas, a única falha que tenho a apontar é o facto das receitas não mencionarem o "rendimento", ou seja, o número de doses ou número de pessoas a que se destinam. Na verdade, as receitas do livro não apresentam qualquer ficha técnica (tempo necessário, nivel de dificuldade, etc.), mas para mim é do número de doses/pessoas a indicação de que sinto mais falta.

 

Resumindo: "O livro de cozinha da Marta" é um livro autêntico. Nota-se que foi feito com muito empenho e dedicação pela Marta, com a ajuda do pai. As fotos dos pratos são da própria Marta, que enriqueceu quase todas as receitas com notas pessoais ou sugestões. Para quem quiser saber mais sobre macrobiótica, este é, sem dúvida, um livro a ter em conta. 

 

Saber mais sobre o livro/comprar o livro >>> Livraria Bertrand

 

Barritas de sésamo e cacau

Barritas de sésamo e cacau

BARRITAS DE SÉSAMO E CACAU
Receita original no livro "A Cozinha da Marta - Uma forma de amar", de Marta Horta Varatojo

 

Rendeu-me cerca de 16 barritas

1 chávena* de sementes de sésamo

1 chávena* de arroz tufado (usei de chocolate)

1 colher de sopa de cacau em pó

50 g de chocolate negro

3 colheres de sopa de sultanas

1 colher de sopa de coco ralado

4 colheres de sopa de geleia de arroz (usei xarope de agave)

*chávena com 250 ml de capacidade

 

Lavar as sementes de sésamo (eu coloquei num coador de malha fina e passei por água corrente) e levá-las ao lume numa frigideira antiaderente em lume alto, para secar e tostar (deve demorar uns 10-15 minutos).

Numa frigideira grande, levar o xarope ao lume e, quando fervilhar, juntar todos os ingredientes à exceção do cacau e do chocolate negro.

Retirar do lume e adicionar o chocolate partido em pedacinhos e o cacau, envolvendo bem (o chocolate deverá derreter com o calor remanescente).

Espalhar esta mistura sobre uma folha de papel vegetal, colocar outra folha por cima e espalmar com um rolo de cozinha até obter uma espécie de retângulo com uma espessura uniforme (1 cm de altura ou um pouco menos).

Deixar arrefecer completamente.

Com uma faca bem afiada, cortar em barras.

Pode embrulhar-se individualmente em película aderente e temos um snack pronto a levar.

 

MAIS RECEITAS COM CHOCOLATE SAUDÁVEIS:

 

12
Dez19

Bolachas de banana e chocolate no micro-ondas [Diz-me o que lês #20]

Bolachas na caneca

Bolachas na caneca

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #20

"Bolachas na Caneca" - Christelle Huet-Gomez - Editorial Presença

 

Enquanto viciada em livros de cozinha, gosto de ter todo o género desta 'literatura' nas minhas prateleiras. Mas nem todos os livros têm a mesma importância nem exercem todos o mesmo fascínio sobre mim. Num ranking de utilidade e pertinência, este "Bolachas na Caneca", de Christelle Huet-Gomez, teria de ficar para trás.

 

O livro é bonito, gosto das fotografias e o conceito é original* (apesar de achar que, quando se pensa em bolachas, é impossível pensar numa só!). Acontece que depois de ver as receitas fiquei um pouco reticente. Parecem-me muito calóricas. Se não, vejamos: uma bolacha, que pode dar para duas pessoas, leva em média 1 fatia de manteiga com 1/2 cm de espessura, 1 gema, 2 colheres de sopa de açúcar e 3 colheres de sopa de farinha. São colheres rasas, é certo, mas mesmo assim parece-me too much, para comer assim de enfiada...

 

Bolacha na caneca

 

 

As conjugações de sabores são interessantes e variadas e vão do clássico chocolate + frutos secos ou limão + mirtilos, às bolachas de chá matcha, de maçã assada ou red velvet. E ainda há quatro receitas de bolachas salgadas. No total, são 35 receitas de "bolachas" para fazer numa caneca e cozer num minuto no micro-ondas. Não deixa de ser um conceito castiço e prometedor, mas tenho dúvidas de que haja muitas situações em que queiramos fazer uma bolacha na caneca. Se calhar em férias, se estamos num local sem forno, apenas com  micro-ondas; ou se quisermos dar alguma autonomia aos mais novos, que, tenho a certeza, são quem se irá divertir mais a fazer estas bolachas.

 

A ideia é comer as bolachas à colher, ainda mornas. Em todo o caso, depois de arrefecidas e apesar da textura ficar mais firme (parecida com um scone frio), continuam saborosas. Pelo menos estas, de banana, aveia e chocolate, cuja receita, que adaptei para torná-las (um pouco) menos pecaminosas, segue mais abaixo.

 

Resumindo: "Bolachas na Caneca" é um livro de receitas com um tema muito específico, que talvez tenha pouca utilidade numa cozinha de alguém experiente. Apresenta fotografias e design gráfico apelativo, podendo fazer as delícias de quem sofre desejos repentinos por doces: afinal, cada bolacha demora apenas 5 minutos a preparar e a ficar pronta.

 

Saber mais sobre o livro, incluindo o preço >>> Livraria Bertrand**

 

*Da mesma coleção, existe também o "Bolos na Caneca" e o "Bolos Salgados na Caneca", ambos de Lene Knudsen.

**Link afiliado

Bolacha na caneca

BOLACHAS DE BANANA E CHOCOLATE

Feitas em canecas, chávenas ou ramekins, no micro-ondas

Adaptado do livro "Bolachas na Caneca", de Christelle Huet-Gomez

 

Para 3

15 g de manteiga + alguma para untar

2 colheres de sopa de açúcar amarelo

2 gemas L

5 colheres de sopa de farinha sem fermento

3 colheres de sopa de flocos de aveia

1 banana pequena

3 colheres de sopa de pepitas de chocolate

 

Unte com manteiga 3 chávenas ou ramekins.

Numa taça, coloque a manteiga derretida e junte, sucessivamente, o açúcar, as gemas, a farinha e a aveia. Mexa.

Reserve 9 rodelas finas de banana e corte a restante banana em pedacinhos, misturando estes ao preparado anterior.

Por fim, junte as pepitas.

Com as mãos, forme uma espécie de rolo grosso de massa e divida em três.

Dê a forma de um disco a cada pedaço e insira-os nas respetivas chávenas, canecas ou ramekins.

Leve uma bolacha a cozer de cada vez no micro-ondas, programando 1 minuto a 800 watts ou 50 segundos a 1000 watts.

Coma-as à colher ainda mornas, ou desenforme passado alguns minutos e coma/sirva já frias.

 

MAIS RECEITAS COM CHOCOLATE:

 

 

29
Nov19

Chocolate quente espumoso [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #18]

Chocolate quente descomplicado

Livro Cozinha Descomplicada

 

À terceira tentativa, temos conteúdo para post. Este chocolate quente foi a terceira receita que testei deste livro. A primeira foi um tiramisù delicioso. Acontece que quando fui fotografá-lo, o tempo estava pior do que péssimo. Apesar de ser início da tarde, não havia praticamente luz, chovia desalmadamente. Ainda tirei algumas fotos, mas ficaram horríveis. Claro que podia ter tentado fotografar o tiramisù na manhã seguinte, mas... era demasiado bom para não o comermos de sobremesa ao jantar desse dia!

 

Na manhã seguinte, nova receita: galette des rois. Em vez de uma, decidi fazer várias mais pequenas. Nunca tinha feito esta receita natalícia francesa, mas tendo em conta a época, achei que seria perfeito. Parecia que iam ficar lindas... mas já no forno o recheio começou a sair furiosamente das empadas doces folhadas. Ficaram praticamente sem recheio. Provei-o: demasiado doce e a saber muito a manteiga.

 

Havia que escolher outra receita. Desta vez, a eleita foi o Chocolate quente espumoso. Uma receita descomplicada, a fazer jus ao título do livro (e eu simplifiquei-a ainda mais), deliciosa e mais saudável do que o chocolate quente tradicional, uma vez que é feito com bebida de coco e adoçado com geleia deste fruto.

 

Se vieram só pela receita, é fazer scroll e encontram-na mais abaixo. Se ficaram curiosos sobre este livro, está lançado o 18º #Dizmeoquelês - rubrica que conta, como sempre, com o apoio da livraria Bertrand.

 

Livro Cozinha Descomplicada

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #18

"Cozinha Descomplicada" - Larousse - Editora Bertrand

 

Este é o que se pode chamar um Senhor Livro. São mais de 400 páginas com 200 receitas, acompanhadas da promessa de conseguirmos pô-las em prática sem complicações. Desde logo pela forma como são apresentadas: em vez da habitual listagem de ingredientes seguida do método de confeção, ingredientes e indicações estão condensados numa espécie de esquema. Uma linguagem mais gráfica e visual, que ajuda a pôr de lado o receio e a preguiça que eventualmente uma receita possa provocar.

 

Mas não se pense que não é preciso olhar para o esquema mais do que uma vez, até porque não estamos habituados a que nos apresentem assim as receitas. Se é original? É! [Atenção: este não é o primeiro livro a seguir este caminho, nomeadamente os livros de cozinha infantis usam muitas vezes esta fórmula] Se é prático na hora de sabermos quais os ingredientes de que precisamos? Nem por isso. Mas a verdade é que é uma questão de nos habituarmos a percorrer o esquema com o olhar; à terceira ou quarta receita, fica mais fácil. E podemos sempre anotar os ingredientes num papelinho.

 

Livro Cozinha Descomplicada

Outra originalidade do livro é que as suas páginas não são numeradas, mas as receitas sim. Ou seja, no índice as receitas surgem por ordem alfabética e, à frente, em vez da indicação da página, surge o seu número de receita. Nada a opôr.

 

Quanto ao tipo de receitas, há de tudo um pouco:

  • Entradas
  • Carne 
  • Peixe
  • Legumes
  • Sobremesas
  • Bebidas

 

São receitas relativamente consensuais, que recorrem a uma grande variedade de ingredientes e tipos de confeção, notando-se em muitas delas o gosto francês - este livro é uma tradução do livro "La cuisine sans bla bla" das edições Larousse. Há pratos de massa e de arroz; há comida de tacho e de forno; há sopas e saladas; há opções vegetarianas, há cocktails e bebidas quentes. E há muitas sobremesas onde já colei post-its [quero acreditar que o azar que tive com a receita de galette de rois se deveu ao facto de eu não ter deixado um rebordo suficientemente largo, sem recheio, a toda a volta; é um facto que não gostei muito do sabor, mas também acho que não foi a melhor maneira de provar a receita, por isso não descarto a hipótese de lhe dar uma segunda oportunidade].

 

Resumindo: "Cozinha descomplicada" é um livro giro, com design e fotografias apelativas e receitas apetitosas, com uma abordagem que junta o clássico ao contemporâneo, mas todas simples e rápidas. Agora que vem aí o Natal, pode ser uma ótima prenda para aquela filha que foi estudar e viver para fora, para aquele sobrinho que acabou de casar ou para aquele amigo para quem, como eu, a expressão "demasiados livros de cozinha" não existe!

 

Saber mais / Comprar o livro >>> Livraria Bertrand*

 

Chocolate quente espumoso

CHOCOLATE QUENTE ESPUMOSO [E SAUDÁVEL]

A partir do livro "Cozinha Descomplicada" - Larousse

 

Para 2 copos/canecas

340 ml de bebida de coco ['leite vegetal' de coco e não 'leite de coco' em lata]

65 g de chocolate de culinária

1 colher sobremesa de geleia de coco [ou outro adoçante do género, tipo mel ou agave, a gosto]

4 ou 5 gotinhas de extrato de baunilha

 

Coloque no copo do processador de cozinha a bebida de coco e o chocolate partido em pedacinhos. Programe uns 5 minutos a 90ºC ou até o chocolate ter derretido.

Adicione os restantes ingredientes e pulse/triture durante uns bons segundos para que fique emulsionado e ganhe espuma.

Divida pelos copos e sirva.

 

Nota: a bebida de coco tem um sabor bastante neutro e discreto comparado com o leite de coco de lata; se gostar muito do sabor do coco, aconselho a seguir a receita original e usar leite de coco de lata e água de coco.

 

*Link afiliado

 

MAIS RECEITAS ACHOCOLATADAS

 

28
Nov19

Bolo de arroz [ou um regresso à infância]

Bolo de arroz

Bolo de arroz

 

É raro seguir uma receita de fio a pavio, sem omitir um ingrediente ou substituí-lo por outro, ou sem ignorar ou acrescentar um passo. É mais forte do que eu 🤷‍♀️

 

Mesmo na rubrica #Dizmeoquelês tenho alguma dificuldade em ser 100% fiel à receita do livro. Ou porque não tenho um ou outro ingrediente em casa, ou porque há um determinado procedimento que foge aos meus hábitos culinários. Mas nestes bolos de arroz, não mudei rigorosamente nada em relação à receita da Rita Nascimento, aka La Dolce Rita.

 

Por isso, não tinha pensado em publicá-la aqui. No entanto, como foram vários os pedidos que me fizeram no Instagram para partilhar a receita, aqui está ela: a receita dos bolos de arroz. Uma receita que me recuar aos lanches no café ou na pastelaria quando era pequena (que eram um pouco raros, na verdade, e talvez por isso me tenham marcado), com a minha mãe, a minha avó Maria ou com as minhas tias. E em que éramos aconselhados a evitar os bolos com creme (acho que a minha primeira bola de Berlim ou o meu primeiro Napoleão, comi-os já praticamente adulta) e a optar por uma torrada, um bico de pato com fiambre, um croissant simples ou... um bolo de arroz!

 

[Houve também muita gente que me perguntou onde tinha comprado as forminhas de papel. Foi aqui, no Cantinho dos Paladares, e compram-se em embalagens de 12 unidades].

 

Bolo de arroz

BOLOS DE ARROZ

Receita do livro "Uma pastelaria em casa", de La Dolce Rita

Para 8-10 bolos de arroz (nestas formas)

 

150 g manteiga

180 g de açúcar

3 ovos

150 g farinha T55 sem fermento

100 g de farinha de arroz

1 colher de chá de fermento em pó para bolos

100 ml de leite

Açúcar para polvilhar qb

 

Ligar o forno nos 180º.

Bater a manteiga amolecida com o açúcar até ficar em creme (usei a batedeira elétrica).

Juntar os ovos e incorporar bem (usei a batedeira elétrica).

Acrescentar as farinhas e o fermento e por fim, juntar o leite (usei a batedeira elétrica, numa velocidade baixa).

Verter para as formas - encher cerca de 3/4 de cada forma.

Polvilhar o topo de cada bolo com cerca de 1 colher de chá rasa de açúcar (para ganhar a capa crocante - no meu caso, houve algum açúcar que não derreteu/solidificou).

Levar a cozer entre 15 a 20 minutos - fazer o teste do palito, que deve sair limpo.

 

OUTRAS RECEITAS PARA REGRESSAR À INFÂNCIA:

30
Out19

Pãezinhos de abóbora e chocolate [Halloween 2019]

pao_abobora_halloween6.jpeg

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Boo! Preparados para a noite mais assustadora do ano?

 

Para os meus lados, as previsões da meteorologia não podiam ser mais desoladoras, com a chuva a marcar presença cerrada, sem esperança de abertas. As rusgas pelas ruas das redondezas, e as palavras mágicas "Doçura ou Travessura" - que deixam o meu rapaz mais novo bastante entusiasmado - vão ter que ficar para o próximo ano.

 

Isso não quer dizer que não se possa assinalar a data com algumas iguarias divertidas, como estes pãezinhos de abóbora, batata-doce e chocolate. São uma versão das famosas "arrufadas de batata-doce" que o ano passado fizeram furor na blogosfera e cuja receita podem encontrar aqui no blog.

A decoração não podia ser mais simples. O resultado? Horrivelmente delicioso 👻😁

Vamos à receita!

pao_abobora_halloween2.jpeg

PÃEZINHOS DE ABÓBORA E CHOCOLATE

Para 6

120 g de abóbora menina (pesada descascada antes de cozer)
80 g de batata-doce (pesada descascada antes de cozer)
90 ml de leite meio-gordo
40 g de manteiga à temperatura ambiente
10 g de fermento de padeiro desidratado (seco)
1 ovo
1 colher de chá de sal
30 g de açúcar amarelo
450 g de farinha
12 quadrados de chocolate (opcional)
1 ovo batido para pincelar
Chocolate de culinária e leite qb para decorar
12 quadrados de chocolate de culinária (mínimo 52% cacau)
Olhinhos de açúcar (opcional)
 
 
Comece por cozer a abóbora e a batata-doce (cozi ao vapor).
Escorra e esmague com um garfo.
Desfaça o fermento de padeiro seco num pouco de água morna (umas 2 colheres de sopa).
Numa bacia, misture o puré de abóbora e batata-doce, o leite, o açúcar, a manteiga e o fermento desfeito na água morna.
Junte o ovo, o sal e a farinha, misturando tudo muito bem.
 
Amasse um pouco até obter uma massa macia e uniforme [devido à abóbora, esta massa fica um pouco mais húmida do que a da receita original - se estiver a pegar, junte um pouco mais de farinha]. Dê-lhe a forma de uma bola, coloque-a na bacia, tape e deixe levedar cerca de 1 hora ou até duplicar de tamanho*.
 
Com as mãos enfarinhadas, forme seis bolas, colocando dois quadrados de chocolate no interior de cada bola, rodando e fechando completamente a massa.
Coloque os pãezinhos num tabuleiro forrado com papel vegetal.
Tape com um pano e deixe levedar mais 20 ou 30 minutos*.
 
Entretanto ligue o forno nos 180ºC.
Pincele os pãezinhos com ovo batido e leve ao forno durante cerca de 30 minutos ou até estarem bem dourados e cozidos. Se achar que estão a ficar escuros demasiado depressa, tape com folha de alumínio.

Deixe arrefecer. 

Derreta alguns quadrados de chocolate num pouco de leite e mexa até obter um creme fluído. Decore a gosto com um pincel e confeitos de açúcar.

 

*Por estes dias mais frios e húmidos, vai demorar mais a levedar. Embrulhar a bacia numa manta e deixar o tabuleiro tapado perto do forno já ligado, ajuda.

 

GOSTARAM DESTA RECEITA? SE SIM, ESPREITEM ESTAS TAMBÉM:

23
Jul19

Quadrados de aveia, pêssego e framboesa [e um forno que nunca para]

quadrados_aveia_pessego20.jpg

quadrados_aveia_pessego12.jpg

Adoro sobremesas de forno com fruta. Bolos, crumbles, galettes... E no verão há tanta fruta - e tanta fruta que se adapta a sobremesas - que o meu forno praticamente não tira férias.

 

É certo que o calor tem sido por estes dias suportável, mas acreditem que já me aconteceu estar com o forno ligado, com 35ºC lá fora e pouco menos dentro de casa... Vício. Gulodice. Ou disparate. Vocês escolhem 😅

 

Desta vez, resolvi fazer uns quadrados [os americanos chamam-lhes "bars"] de pêssego e framboesa com crumble, adaptando uma receita do blog Halfbaked Harvest que me tinha ficado debaixo de olho.

 

A variação de texturas - base e topo crocante, interior macio e húmido - é para mim o melhor destes quadrados, muito fáceis de fazer. Dêem-me meio quadrado destes e um café, e estarei no céu. Mesmo que o céu esteja a debitar mais de 30º à sombra.

 

quadrados_aveia_pessego6.jpg

QUADRADOS DE AVEIA, PÊSSEGO E FRAMBOESA

[Adaptado de Halfbaked Harvest]

 

Para cerca de 12 quadrados

1 chávena de flocos de aveia

3/4 de chávena de farinha

1/2 chávena de açúcar mascavado claro

1/2 colher de chá de fermento em pó para bolos

100 g de manteiga fria

+

1 chávena de pêssego partido em cubos (2 pêssegos grandes)

1 chávena de framboesas

1 a 2 colheres de sopa de açúcar mascavado claro (a depender da acidez da fruta)

3 colheres de sopa de doce de pêssego ou de framboesa

Raspa de 1/2 limão

1 colher de café de extrato ou baunilha

Chávena = 250 ml de capacidade

 

Forre com papel vegetal uma forma retangular com cerca de 16 cm x 24 cm.

Ligue o forno nos 180º.

Comece por preparar a massa da base e que vai servir também para o crumble: na taça do processador ou da batedeira, junte a aveia, a farinha, o fermento, açúcar e a manteiga.

Bata até se ter formado uma areia grossa, que se une quando pressionada.

Use cerca de 2/3 dessa massa para forrar a base da forma, calcando bem e formando uma base compacta. Reserve a massa sobrante.

Leve ao forno cerca de 10-12 minutos.

Entretanto, descasque e parta os pêssegos e lave as framboesas.

Coloque esta fruta numa taça e junte a farinha, o açúcar, o extrato de baunilha e a raspa de limão.

Retire a forma do forno e espalhe a fruta.

Distribua pedacinhos de doce de pêssego ou framboesa por todo.

Por fim, esfarele a massa sobrante por cima.

Leve ao forno durante cerca de 45 minutos (nos últimos minutos, talvez sinta necessidade de ligar a ventoinha, para fazer a fruta borbulhar e o crumble ganhar uma cor dourada bonita).

Retire do forno e deixe arrefecer bem, antes de partir e servir.

 

SE GOSTOU DESTE DOCE, TAMBÉM VAI GOSTAR DESTES:

 

16
Mai19

Tarte gelada de morango [pelo arrefecimento global]

tarte_gelada_morango8.jpeg

tarte_gelada_morango3.jpeg

 

Não sei como é possível ainda haver pessoas - com enormes responsabilidades políticas e elevado poder de decisão - que não acreditam nas alterações climáticas. Se outras provas e sinais, bem mais graves, não existissem, bastaria estar atento ao fluir atual das estações do ano.

 

Não sei se por aí decidiram o mesmo, mas eu já desisti de fazer as mudanças semestrais de roupa e calçado, preferindo manter um pouco de tudo no armário. Para não ser apanhada desprevenida: por estes dias, por exemplo, os termómetros parecem uma montanha-russa.

 

Se hoje já choveu, está um vento desagradável e quando o sol se esconde (a maior parte do tempo), precisamos do aconchego de um casaco, a verdade é que no fim de semana passado o mercúrio subiu aos 30ºC e o céu parecia uma piscina de tão límpido e azul que estava. 

 

E com dias quentes assim, o que é que apetece? Receitas frescas. E quem diz receitas frescas diz sobremesas geladas.

 

Esta tarte estava marcada há muito com um post-it numa revista Saveurs, feita com framboesas. Mas era morangos que eu tinha e foi com morangos que a fiz. E ficou ótima. O que eu mais gostei na receita foi o facto de (fora a base de bolacha, coco e manteiga), serem precisos apenas três ingredientes: fruta, claras de ovos e açúcar.

 

Tanto que em breve tenciono fazer apenas esta parte (triturar a fruta e batê-la com o açúcar e as claras), congelar num recipiente adequado e servir depois como gelado. E também vou querer experimentar com outra fruta e outro adoçante que não açúcar, ainda que desconfie que o açúcar foi importante para este resultado: uma espécie de merengue macio e cremoso, que se obtém após cerca de 8 minutos a bater os três ingredientes no robot de cozinha.

 

Uma sobremesa fácil, económica, que não precisa de forno, perfeita para dias quentes.

 

Mas da forma como o tempo está, não se admirem se a próxima receita do blog for algo mais pesado, que envolva forno e sabores mais invernosos...

 

tarte_gelada_morango.jpeg

 

TARTE GELADA DE MORANGO

Adaptado da revista Saveurs

 

Para a base de bolacha:

150 g de bolacha maria integral ou outra a gosto

40 g de coco ralado

90 g de manteiga derretida

 

Para a camada principal:

250 g de morangos limpos e sem pé + alguns para decorar

180 g de açúcar (ou ajustar de acordo com a acidez da fruta)

2 claras à temperatura ambiente

 

Colocar um pedaço de papel vegetal sobre o fundo amovível de uma forma circular de mola com cerca de 22 cm de diâmetro, e só depois encaixar o aro e fechar a forma (o papel deve sair um pouco do fundo da forma: assim será mais fácil descolar a tarte depois de pronta e passá-la para o prato de servir).

 

Para fazer a base de bolacha, triturar grosseiramente as bolachas no robot de cozinha. Juntar a manteiga e o coco e triturar mais um pouco até obter umas migalhas finas moldáveis.

Verter para a forma, calcar com os dedos ou uma colher, alisar bem e levar ao frigorífico.

 

Lavar o copo do robot de cozinha. Colocar aí os morangos, as claras e o açúcar. Bater numa velocidade alta ou média-alta durante cerca de 8 minutos. A mistura irá triplicar de volume, apresentando-se com um aspeto macio e brilhante.

Verter para a forma e levar ao congelador até solidificar - o ideal é fazer de véspera.

 

Retirar do congelador, decorar com mais morangos e servir (se estiver frio, tirar do congelador uns 10 minutos antes de servir, para conseguir parti-la; se o ambiente estiver quente, é normal que a superfície da tarte comece a derreter rapidamente, basta olhar para as fotos 🙈, mas tal não compromete em nada o sabor!).

 

MAIS RECEITAS GELADAS:

 

24
Abr19

Madalenas com pepitas de chocolate [das boas memórias]

madalenas_pepitas_chocolate3_bx.jpg

 

Madalena. Nome de mulher, de localidade, de bolo. E é nome de bolo - ou bolinho - por causa de uma mulher. Da mulher que criou estes pedaços de céu doces e esponjosos. Ainda que haja várias lendas sobre a origem desta especialidade francesa, uma das estórias mais vezes contada é a de que foi uma jovem chamada Madeleine, que trabalhava para o Duque de Lorena, ex-monarca polaco a viver em França nos inícios do século XVIII, que as começou a fazer seguindo uma receita da sua avó.

 

O sucesso dos bolinhos entretanto batizados de "madeleines" foi tal, que Luís XV teve que os provar numa visita à região, levando a receita consigo de volta a Versalhes. Rapidamente se popularizaram e hoje é um dos símbolos gastronómicos franceses. A história pode não ter ser sido exatamente assim, mas o certo é que o culto das madalenas em França se enraizou e internacionalizou definitivamente no princípio do século XX, quando Marcel Proust, na sua obra "Em busca do tempo perdido", descreve poeticamente como uma simples madalena que mergulhou no chá o fez regressar à infância, despertando-lhe as mais doces recordações dessa altura.

 

E boas memórias é também o que prometo que estas madalenas com pepitas de chocolate irão deixar em quem as comer. Muito fáceis e rápidas de fazer, têm ainda outra alteração em relação à receita tradicional: são feitas com azeite em vez de manteiga. Na verdade, estas pequenas conchas prestam-se a várias versões, incluindo salgadas, como é o caso destas madalenas de bacon e ervas (e no meu livro há uma receita de madalenas de tomate seco e manjericão).

 

Com ou sem pepitas, com ou sem frutos secos, com manteiga ou com azeite, doces ou salgadas: a sua forma única e delicada e o seu tamanho perfeito, fazem das madalenas uma daquelas confeções a que queremos voltar vezes sem conta. E com a primavera em pausa, nem sequer são precisas desculpas para ligar o forno e preparar uma fornada destas belezas...

 

madalenas_pepitas_chocolate5.jpg

 

MADALENAS COM PEPITAS DE CHOCOLATE

Adaptado da revista Saveurs - Spécial Desserts 2013

 

Para cerca de 27 madalenas

 

150 g de farinha sem fermento

140 g de açúcar

110 ml de azeite extravirgem suave

2 ovos

1/2 colher de café de extrato de baunilha

1 pitada de sal

100 g de pepitas de chocolate negro

Açúcar em pó para polvilhar (opcional)

 

Ligar o forno nos 180º e untar/polvilhar muito bem os tabuleiros de madalenas (normalmente cada tabuleiro tem 9 cavidades).

Bater os ovos com a baunilha, o açúcar e o sal até ficar esbranquiçado.

Peneirar a farinha diretamente para a taça da mistura anterior e envolver com cuidado.

Por fim, envolver o azeite e as pepitas de chocolate.

Dividir pelas cavidades das formas e levar a cozer durante cerca de 15 minutos - vá vigiando.

É opcional, mas pode-se polvilhá-las com açúcar em pó depois de arrefecidas.

 

MAIS RECEITAS DE MADALENAS E QUEQUES:

 

09
Abr19

Bolo Churro [e o desconsolo por não haver um sinónimo para "baking" em português]

bolo_churro_edited_LR.jpg

bolo_churro_edited_LR-3.jpg

 

"Fazer bolos". "Cozinhar no forno". "Cozinhar coisas de forno". "Cozer pão, bolos e similares". "Assados doces". E podia estar aqui eternamente, que não conseguiria chegar a um sinónimo satisfatório de baking. Dava mesmo jeito que houvesse um sinónimo em português, que fosse igualmente curto, objetivo e abrangente. Também sentem falta de uma palavra assim? Ou será apenas uma maluquice minha?

 

Eu gosto de cozinhar. Mas gosto ainda mais de... baking.  Se pudesse, estava sempre, não a cozinhar genericamente, mas a... baking.

 

Já tinha pensado nisto, mas a dificuldade voltou a surgir-me ao escrever este post, porque queria repetir que não preciso de grandes desculpas para ligar o forno. E que aquele tipo de receitas de forno são mesmo as minhas favoritas. Basta que as minhas outras tarefas me dêem umas horas de trégua e a minha reação é ir para a cozinha, ligar o forno e fazer um bolo, umas bolachas, uns queques, experimentar uma receita nova ou testar uma nova versão de algo que já tenha... baked antes (estão a ver? não era muito mais fácil se houvesse um sinónimo?)

 

Foi o que aconteceu mais do que uma vez a semana passada e numa dessas oportunidades quis experimentar uma receita de bolo diferente. Pesquisei em livros, revistas e blogues, mas nenhuma receita fazia soar o clique, até que dei de caras com o "Churro Bundt Cake" no Sweet Gula, o blog fantástico do Célio Cruz

 

Como fiz alguns ajustes e trocas de ingredientes, achei que fazia sentido partilhá-la, mas se quiserem seguir a versão do Célio, é só clicar aqui.

 

E por que é que o bolo se chama assim? Eu, ignorante, pensei que se devia só ao facto de levar uma boa camada de açúcar e canela por cima, como é o caso dos churros e das farturas que se vendem por cá. Mas a verdade é que a receita original, ou pelo menos aquela que o Célio seguiu, é brasileira e leva leite condensado cozido na massa (que eu omiti porque não tinha em casa) e não é que no Brasil se comem os churros com leite condensado cozido (que do outro lado do Atlântico se chama "doce de leite")? Daí o nome fazer bastante sentido.

 

Eu decidi servir o bolo com molho de chocolate - inspirada nos churros con chocolate dos nossos vizinhos espanhóis - e só vos digo: fica delicioso. Mas fiquei curiosa com o leite condensado cozido e para a próxima vou querer experimentar - ou "beikar" 🤣 - a versão original.

 

bolo_churro_edited_LR-1.jpg

 

BOLO CHURRO

[Adaptado do blog Sweet Gula]

 

A minha forma era relativamente pequena, por isso, a par de uma ou outra alteração, usei metade das quantidades da receita do Célio.

 

Ingredientes

 

250 g de farinha sem fermento

1/2 colher de café de bicarbonato de sódio

1/2 colher de chá de fermento em pó

1/2 colher de chá de canela em pó

90 g de azeite extravirgem

200 g de açúcar amarelo

2 ovos L

75 g de iogurte natural

100 g de natas

1 colher de café de extrato de baunilha

+

1 colher de sopa de manteiga derretida

50 g de açúcar

1 colher de chá de canela em pó

+

Molho de chocolate para servir (opcional)

 

Preparação

 

Untar muito bem a forma escolhida e polvilhar com farinha.

Ligar o forno nos 180º.

Numa taça, misturar a farinha peneirada com o bicarbonato, o fermento e a canela.

Noutra taça, misturar o iogurte e as natas.

Noutra, bater o açúcar com o azeite e adicionar os ovos, batendo novamente.

Adicionar a esta última taça, alternadamente e em três vezes, a mistura de natas/iogurte e a mistura dos secos (farinha/fermento...).

Verter a massa para a forma e levar ao forno durante cerca de 40-45 minutos (fazer o teste do palito para ver se está cozido).

Com o bolo ainda morno, pincelá-lo com a manteiga derretida e polvilhá-lo com a mistura de açúcar e canela.

 

Para o molho de chocolate, levar a derreter alguns quadrados de chocolate negro ou de culinária com um pouco leite. Mexer bem e conferir a consistência - deve ficar cremoso - e servir com o bolo.

 

MAIS RECEITAS DE BOLOS:

 

Teresa Rebelo

foto do autor

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