Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Lume Brando

09
Abr19

Bolo Churro [e o desconsolo por não haver um sinónimo para "baking" em português]

bolo_churro_edited_LR.jpg

bolo_churro_edited_LR-3.jpg

 

"Fazer bolos". "Cozinhar no forno". "Cozinhar coisas de forno". "Cozer pão, bolos e similares". "Assados doces". E podia estar aqui eternamente, que não conseguiria chegar a um sinónimo satisfatório de baking. Dava mesmo jeito que houvesse um sinónimo em português, que fosse igualmente curto, objetivo e abrangente. Também sentem falta de uma palavra assim? Ou será apenas uma maluquice minha?

 

Eu gosto de cozinhar. Mas gosto ainda mais de... baking.  Se pudesse, estava sempre, não a cozinhar genericamente, mas a... baking.

 

Já tinha pensado nisto, mas a dificuldade voltou a surgir-me ao escrever este post, porque queria repetir que não preciso de grandes desculpas para ligar o forno. E que aquele tipo de receitas de forno são mesmo as minhas favoritas. Basta que as minhas outras tarefas me dêem umas horas de trégua e a minha reação é ir para a cozinha, ligar o forno e fazer um bolo, umas bolachas, uns queques, experimentar uma receita nova ou testar uma nova versão de algo que já tenha... baked antes (estão a ver? não era muito mais fácil se houvesse um sinónimo?)

 

Foi o que aconteceu mais do que uma vez a semana passada e numa dessas oportunidades quis experimentar uma receita de bolo diferente. Pesquisei em livros, revistas e blogues, mas nenhuma receita fazia soar o clique, até que dei de caras com o "Churro Bundt Cake" no Sweet Gula, o blog fantástico do Célio Cruz

 

Como fiz alguns ajustes e trocas de ingredientes, achei que fazia sentido partilhá-la, mas se quiserem seguir a versão do Célio, é só clicar aqui.

 

E por que é que o bolo se chama assim? Eu, ignorante, pensei que se devia só ao facto de levar uma boa camada de açúcar e canela por cima, como é o caso dos churros e das farturas que se vendem por cá. Mas a verdade é que a receita original, ou pelo menos aquela que o Célio seguiu, é brasileira e leva leite condensado cozido na massa (que eu omiti porque não tinha em casa) e não é que no Brasil se comem os churros com leite condensado cozido (que do outro lado do Atlântico se chama "doce de leite")? Daí o nome fazer bastante sentido.

 

Eu decidi servir o bolo com molho de chocolate - inspirada nos churros con chocolate dos nossos vizinhos espanhóis - e só vos digo: fica delicioso. Mas fiquei curiosa com o leite condensado cozido e para a próxima vou querer experimentar - ou "beikar" 🤣 - a versão original.

 

bolo_churro_edited_LR-1.jpg

 

BOLO CHURRO

[Adaptado do blog Sweet Gula]

 

A minha forma era relativamente pequena, por isso, a par de uma ou outra alteração, usei metade das quantidades da receita do Célio.

 

Ingredientes

 

250 g de farinha sem fermento

1/2 colher de café de bicarbonato de sódio

1/2 colher de chá de fermento em pó

1/2 colher de chá de canela em pó

90 g de azeite extravirgem

200 g de açúcar amarelo

2 ovos L

75 g de iogurte natural

100 g de natas

1 colher de café de extrato de baunilha

+

1 colher de sopa de manteiga derretida

50 g de açúcar

1 colher de chá de canela em pó

+

Molho de chocolate para servir (opcional)

 

Preparação

 

Untar muito bem a forma escolhida e polvilhar com farinha.

Ligar o forno nos 180º.

Numa taça, misturar a farinha peneirada com o bicarbonato, o fermento e a canela.

Noutra taça, misturar o iogurte e as natas.

Noutra, bater o açúcar com o azeite e adicionar os ovos, batendo novamente.

Adicionar a esta última taça, alternadamente e em três vezes, a mistura de natas/iogurte e a mistura dos secos (farinha/fermento...).

Verter a massa para a forma e levar ao forno durante cerca de 40-45 minutos (fazer o teste do palito para ver se está cozido).

Com o bolo ainda morno, pincelá-lo com a manteiga derretida e polvilhá-lo com a mistura de açúcar e canela.

 

Para o molho de chocolate, levar a derreter alguns quadrados de chocolate negro ou de culinária com um pouco leite. Mexer bem e conferir a consistência - deve ficar cremoso - e servir com o bolo.

 

MAIS RECEITAS DE BOLOS:

 

03
Abr19

Bacci di Dama [receita de biscoitos italianos para acordar o blog]

baci di dama_7.jpg

baci di dama_5.jpg

baci di dama_8.jpg

 

Olé, olé!

Sei que tenho andado desaparecida aqui pelo blog. Para me redimir, trago-vos uma receita doce, daquelas que não dão muito trabalho mas que fazem um brilharete. Uma receita italiana de biscoitos de avelã recheados com chocolate, curiosamente batizados de "Baci di Dama", ou seja, "Beijos de Dama".

 

Agora vou poucas vezes ao El Corte Inglés (cada vez mais tento fazer tudo - compras, médicos, etc. - o mais perto de casa possível e se o puder fazer a pé, tanto melhor), mas quando vou àquele templo da tentação, acho que já sabem que não resisto a passar pela tabacaria, onde encontramos revistas impossíveis de arranjar noutros locais. Da última vez, trouxe uma GoodFood e uma FoodToLove e foi nesta última, num especial sobre comida italiana, que encontrei a receita.

 

No post que fiz no Instagram em que partilhei uma foto destas bolachas, contei que elas não tinham sido consensuais. Eu fiquei apaixonada à primeira trinca e tive de esconder o frasco, ou teriam sido todas comidas no próprio dia  - e olhem que a receita rende bastante.

 

Mas houve quem as tivesse achado "estranhas". Mas sabem o que é curioso? É que mesmo no caso do sabor e da textura começarem por "estranhar", é quase certo que depois irão "entranhar": no dia seguinte, o provado-mor voltou a comer uma e concluiu que, afinal, "até eram boas". E comeu outra, e a seguir outra... E não foi a única pessoa a ter esta reação!

 

É verdade que sabem imenso a avelã e que a textura é bastante areada e um pouco quebradiça, mas eu achei-as deliciosas. Digo-vos que é com o maior dos desconsolos que neste momento olho para o frasco vazio. Podia fazer outra dose? Podia, mas esta é uma receita calórica, por isso, não quero abusar e vou deixar passar uns tempos até voltar à carga.

 

Mas se desse lado não houver sentimentos de culpa ou dietas rigorosas a decorrer, toca a experimentar estes beijos o quanto antes. Não se irão arrepender!

 

CURIOSIDADE

Consta que a receita original destes biscoitos nasceu na cidade de Tortona, pertencente à região do Piemonte, no Norte de Itália.

 

baci_di_dama_lr-10.jpg

 

BACCI DI DAMA - Biscoitos de avelã recheados com chocolate

 

[ligeiramente adaptado da revista Food to Love - March 2019]

Rende entre 45 a 50 bolachinhas - cerca de 25 recheadas

 

Ingredientes

 

100 g de manteiga amolecida

75 g de açúcar amarelo

100 g de miolo de avelã moído

100 g de farinha sem fermento

+

100 g de chocolate negro de culinária (entre 52% a 70% de cacau)

40 g de manteiga

15 g de miolo de avelã moído ou finamente picado

 

Preparação

 

Ligue o forno nos 180º.

Forre dois tabuleiros de forno com papel vegetal.

Com a batedeira elétrica, bata a manteiga e o açúcar até ficar macio.

Junte a avelã e a farinha e ligue tudo até obter uma massa moldável.

Faça bolinhas um pouco mais pequenas do que brigadeiros e distribua-as pelos tabuleiros, deixando um certo espaço entre elas.

Com o indicador, achate-as ligeiramente a partir do centro e corrija alguma rachadela que possa surgir à volta.

Leve a cozer durante cerca de 10 minutos, mas vá vigiando, até ganharem uma cor dourada suave no rebordo. Retire, aguarde uns cinco minutos e com uma espátula transfira-as para um rede.

 

Enquanto os biscoitos estão no forno, prepare o recheio (a receita original pede o dobro destas quantidades, mas a mim sobrou-me imenso recheio, pelo que sugiro que sigam as medidas que coloquei ali em cima).

 

Leve a manteiga e o chocolate partido em pedaços ao lume, em banho-maria. Quando estiver tudo ligado e macio, retire e deixe arrefecer. Junte a avelã moída e reserve até ficar com uma consistência mais firme (se estiver com pressa e a temperatura ambiente estiver um pouco elevada, leve o creme de chocolate ao frigorífico durante alguns minutos para ganhar consistência).

 

Para montar os biscoitos, barre o fundo de um biscoito com o creme de chocolate e cole outro biscoito pelo fundo, fazendo uma sanduíche. Eu usei saco e bico pasteleiro para dispor o chocolate, mas pode usar uma faca de manteiga ou uma colher pequena.

Depois de prontos, conserve-os bem fechados num frasco hermético.

 

 

OUTRAS RECEITAS DE BOLACHAS E BISCOITOS:

 

23
Jan19

45 [e o bolo de limão mais fofo e húmido de sempre]

bolo_limao_more.jpg

 

Fiz anos a semana passada. Um número gordo que sempre associei às pessoas "mais velhas". Sinto isso desde que fiz quarenta. Parece que a idade não encaixa, não me sinto como sempre pensei que se sentiriam as pessoas com mais de quarenta: maduras, sérias, sábias.

 

Pelo contrário, sinto-me uma miúda, alguém que não se leva demasiado a sério, com muito para aprender. Que diabo, quarenta era a idade das mães, das tias, daquela vizinha já com filhos grandes. Como é que, de repente, eu própria já tenho 45?!

 

Bom, o cartão de cidadão não engana e foi já há uma semana que soprei essas velas todas. E na verdade, apesar do número custar um nadinha a engolir, não podia estar mais feliz. Tenho uma família fantástica, incluindo um marido e dois filhos maravilhosos, amigos, faço o que gosto, tenho o que preciso e, este ano, até a meteorologia resolveu dar-me um dia de sol (quando fiz quarenta, por exemplo, o tempo estava péssimo, chovia imenso). Não me posso queixar, pois não?

 

Para celebrar, fiz um bolo de limão diferente mas delicioso. Diferente porque decidi cozer a massa de bolo de anjo (ou angel food cake) numa forma alta normal, ou seja, sem buraco/ sem chaminé.

 

Adoro a textura e a humidade deste bolo, que a tradição manda cozer numa forma de alumínio com chaminé e com umas "patinhas", que servem para que, depois de cozido, ele fique a arrefecer na forma, virado ao contrário, mas com ar a circular por baixo. Como não tenho uma forma dessas, sempre fiz o bolo numa forma de chaminé tipo pão de ló e depois colocava a forma virada para baixo, com a chaminé apoiada num frasco estreito, para ficar acima da superfície (para verem o meu bolo de anjo coberto com doce de ovos e ver a receita original, cliquem aqui.)

 

Desta vez queria um bolo relativamente alto e liso e resolvi arriscar. Troquei ainda a baunilha da receita original por raspa de limão. Depois de frio e desenformado (mais abaixo, na descrição da receita, explico como fiz para que o ar circulasse debaixo da forma durante o arrefecimento), barreio-o todo com um creme de mascarpone e lemon curd. D-e-l-i-c-i-o--s-o!

 

bolo_limao_velas.jpg

 

 

A única desvantagem que senti ao usar esta forma foi que o bolo abate um pouco no topo, no centro. Mas como a ideia era decorar, enchi a cavidade de creme e não dá para notar ;)

 

Esta é uma receita para um bolo relativamente grande e não é muito fácil dividir em duas para fazer apenas metade, por isso o que fiz foi cozer dois bolos: o outro cobri-o com doce de ovos, na continuação dos festejos 🙈. Afinal, se o número é grande, que se celebre em grande também 😆.

 

Ah, se experimentarem este bolo, digam-me como correu. Podem deixar um comentário aqui, no facebook ou no Instagram, como preferirem ;)

 

bolo_limao_4.jpg

 

BOLO ANJO DE LIMÃO COM COBERTURA DE MASCARPONE E LEMON CURD

 

Para a massa:

Adaptado do livro "Martha Stweart's Baking Handbook"

 

Estas quantidades dão para 1 bolo grande ou 2 bolos pequenos (usei 1 forma com 16 cm de diâmetro e outra com 14 cm, ambas altas - 10 cm de altura)

 

1 chávena de farinha sem fermento
1 + 1/2 chávenas de açúcar 
13 claras L à temp. ambiente 
1 colher de sopa de água morna
1/2 colher de chá de sal
1 colher de chá de cremor tártaro
2 colheres de sopa de raspa de limão

(chávena de 250 ml de capacidade)

Pré-aqueça o forno nos 180º.

Se for usar formas normais, sem buraco, forre o fundo com papel vegetal (mas não unte - para este bolo não se deve untar as formas).

Usando duas taças, peneire a farinha umas duas ou três vezes e reserve.
Na taça da batedeira eléctrica, bata as claras com a água morna em veloc. baixa, até ficar em espuma. Junte o sal e o cremor tártaro. Bater em velocidade média-alta, até surgirem picos macios, cerca de 3 minutos. Com a batedeira a trabalhar, junte as raspas de limão e o açúcar, colher a colher, até a mistura ficar bem espessa e brilhante, cerca de 2 minutos (não bata demasiado, não deve ficar seco).
Nessa taça, se for grande, ou transferindo as claras para uma taça maior, envolva a farinha nas claras, com uma espátula de borracha, em 6 vezes.
Verta a massa para a(s) forma(s) e passe uma faca pela massa, para retirar bolsas de ar.

Alise e leve ao forno cerca de 25/30 minutos (formas pequenas) ou 40 minutos (forma grande de buraco), no nível médio do forno.

Está pronto quando a massa estiver bem dourada e quando, se pressionar levemente com os dedos, voltar rapidamente à forma inicial.
Retire do forno e inverta as formas sobre uma rede de arrefecimento, idealmente um pouco levantada da superfície, para permitir que o ar circule por baixo (eu coloquei a rede sobre duas taças. Se usar forma de buraco, apoie a chaminé sobre um frasco estreito.
Deixe arrefecer completamente (cerca de 1h30/2 horas). Passe uma espátula fina à volta da forma para soltar o bolo. Desenforme para o prato de servir. 

 

Para a cobertura:

1 emb. de queijo mascarpone

Lemon curd a gosto*

 

Bata o mascarpone em chantilly e junte lemon curd até obter o sabor desejado (aí umas 5 ou 6 colheres de sopa generosas).

Com a ajuda de uma espátula, barre o bolo com este creme. Se quiser, decore com rodelas de limão e sirva o bolo com mais lemon curd.

 

*LEMON CURD

2 ovos L

100 ml de sumo de limão

140 g de açúcar

50 g de manteiga à temperatura ambiente

1 colher de sopa de raspa de limão

 

Num tachinho de fundo espesso, misture bem os ovos com o açúcar e o sumo de limão. Leve ao lume médio, mexendo sempre com um batedor de varas, para não ganhar grumos, até engrossar, o que deve demorar menos de 10 minutos (deve ficar um creme não demasiado espesso, uniforme e brilhante, que irá ficar mais consistente depois de arrefecido). Retire do lume e incorpore a manteiga e a raspa de limão. Espere um ou dois minutos e mexa com um batedor e varas, até a manteiga estar bem derretida e bem distribuída pelo creme. Verta para frascos limpos, deixe arrefecer, tape e guarde no frigorífico até usar. Conserva-se bem tapado no frigorífico cerca de 15 dias.

 

MAIS RECEITAS DOCES COM LIMÃO:

30
Out18

Bolo de abóbora e especiarias recheado e coberto com creme de mascarpone e chocolate [Halloween 2018]

bolo_halloween_best_1.jpg

bolo_halloween_best.jpg

 

Sim, este é um post a propósito do Halloween. Mas vamos deixar de lado a polémica sobre esta ser uma tradição importada e demasiado ligada a fins comerciais, ok? Cada um, em sua casa, fará o que de melhor entender sobre a data. E não, infelizmente, aqui para os meus lados não se celebra o Pão por Deus, uma tradição de que só tive conhecimento há poucos anos e de que a maior parte das pessoas à minha volta nunca ouviu falar (o que não deixa de ser curioso e triste, visto ser uma tradição em muitas terras portuguesas, sobretudo da região do Oeste e até da Galiza, que não está longe).

 

Em relação ao Halloween, apenas posso dar o exemplo do que se passa por aqui: não celebramos a rigor (ou seja, não faço nenhum jantar temático, nem me fantasio, nem sequer encorajo os meus filhos a fazê-lo), mas se eles me pedirem para ir em rusga fazer o "Doçura e Travessura", eu acho piada e permito, até porque é mais um momento de brincadeira e convívio com os amigos (mas peço-lhes para não serem malvados com quem não abre a porta ou não se abasteceu de guloseimas!). E tento ter sempre alguns chocolates para oferecer aos grupos que me possam tocar à campainha.

 

bolo_halloween_best_3.jpg

 

Também é verdade que gosto de assinalar o Halloween aqui no blogue, sobretudo porque serve de pretexto para cozinhar algo divertido. Este ano, decidi fazer um bolo. Um bolo com um ingrediente que faz todo o sentido tendo em conta a época e a ocasião, mas que nunca tinha experimentado num bolo: abóbora. Adorei o resultado e asseguro-vos de que não precisam de ser fãs do Halloween para o fazerem. A massa é húmida e saborosa, e a mistura do chocolate com o creme de natas e mascarpone - do recheio e da cobertura - eleva-o a outro nível. Não assustador, mas viciante!

 

receita_bolo_halloween_.jpg

 

BOLO DE ABÓBORA E ESPECIARIAS COM COBERTURA E RECHEIO DE CHOCOLATE E MASCARPONE

 

Para a massa

(adaptado do blogue Broma Bakery)

Chávena = 250 ml de capacidade

 

1 chávena bem cheia de puré de abóbora menina

(para obter este puré cozi a vapor cerca de 750 g de abóbora - pesada com a casca - e escorri)

1 chávena bem cheia de açúcar amarelo

1 chávena rasa de azeite extravirgem

4 ovos (de preferência caseiros ou biológicos - o bolo fica mais húmido)

1 colher de café de essência de baunilha

2 chávenas rasas de farinha sem fermento

2 colheres de chá de fermento em pó

1,5 colheres de chá de bicarbonato de sódio

1 boa pitada de canela

1 boa pitada de noz-moscada

1 pitada de sal

 

Para o recheio e cobertura

1 emb. de mascarpone (250 g)

1 emb. de queijo quark (250 g)

1 emb. de natas para bater (200 ml)

2 colheres de sopa de açúcar amarelo (ou a gosto)

1 colher de café de essência de baunilha

Algumas gotas de sumo de limão

120 g de chocolate de culinária

Leite qb

 

Para a decoração (opcional)

100 g de sucedâneo de chocolate branco para fundir

Palitos médios

Confeitos "olhos" de açúcar

 

Se quiser fazer os fantasmas, o melhor é começar por aí.

Leve o sucedâneo de chocolate branco a derreter em banho-maria.

Estenda uma folha de papel vegetal sobre a bancada de trabalho e desenhe algumas figuras de fantasma com o tamanho pretendido (não é obrigatório, pois é muito fácil ir dando forma aos fantasmas com a colher). Se fizer os desenhos, vire a folha ao contrário.

Com o chocolate bem derretido e uniforme, e com a ajuda de uma colher, vá desenhado os fantasmas na folha de papel vegetal. Coloque um palito a meio de cada fantasma e cubra-o com mais chocolate. Decore com os olhos de açúcar e deixe solidificar (se estiver com pressa, coloque a folha de vegetal sobre um tabuleiro e leve ao frigorífico). No fundo, esta é a mesma técnica das nuvens que estão no meu livro - "Estava Tudo Ótimo!", na página 64.

 

 

Pré-aqueça o forno nos 180º.

Forre com papel vegetal o fundo de duas formas redondas com 18 cm de diâmetro e unte muito bem com manteiga, polvilhando com farinha.

Numa taça, junte os ovos, o azeite, o açúcar amarelo, o puré de abóbora e a baunilha.

Noutra taça, junte a farinha, o fermento, o bicarbonato e ainda o sal, a canela e a noz-moscada.

Vá juntando, aos poucos, os secos à mistura de líquidos.

Distribua pelas formas e leve a cozer durante cerca de 30 minutos ou até um palito sair seco.

Retire do forno e leve a arrefecer sobre uma rede (eu gosto de forrar a rede com papel vegetal, para impedir que os bolos fiquem agarrados nas reentrâncias da rede). Deixe arrefecer.

 

Entretanto prepare a cobertura e o recheio.

Leve a derreter o chocolate em banho-maria com um pouco de leite. Junte mais leite, aos poucos, até obter uma consistência espessa mas espalhável. Reserve.

Coloque na taça da batedeira, as natas (que devem estar bem frias), o mascarpone, o quark, a essência de baunilha e o açúcar. Bata bem e quando estiver a engrossar junte umas gotinhas de limão, para ajudar a "prender" ainda mais.

 

Para montar e decorar:

Corte cada bolo em duas metades.

Coloque uma metade no prato de servir, com a parte do miolo virado para cima, e espalhe um pouco da mistura de mascarpone. Tape com a outra metade (com a parte do miolo virado para baixo). Barre com uma camada do chocolate derretido com leite. Coloque por cima outra metade do bolo e volte a rechear com a mistura do mascarpone. Tape com a última metade de bolo e barre todo o bolo com o creme de mascarpone.

Leve ao frio cerca de 30 minutos e volte depois a barrar com o creme sobrante, para ficar mais perfeito.

Leve de novo ao frio, idealmente durante uma hora.

Se o creme de chocolate tiver endurecido, volte a aquecer em banho-maria e deixe-o amornar.

Retire o bolo do frio e espalhe uma boa camada de chocolate por cima, fazendo-o escorrer pelas laterais do bolo de forma alternada, com umas "lágrimas" mais compridas e outras mais curtas.

Deixe endurecer um pouco e decore com os fantasmas.

 

OUTRAS RECEITAS DE HALLOWEEN:

26
Out18

Waffles sem glúten, sem lactose e sem açúcar refinado [para ver se animo as estatísticas]

waffles_2.jpg

waffles_3.jpg

 

Se é a primeira vez que passam por aqui e acham que este é um blogue só com receitas saudáveis, lamento desiludir-vos. Este é um blogue que tem um pouco de tudo, tal como a dieta que seguimos cá em casa.

 

Hoje calharam estes waffles super healthy, da próxima vou trazer um bolo assim para o pecaminoso, para assinalar o Halloween. Um blogue bipolar, portanto. Tal como a sua dona (em termos de comida, entenda-se). Tanto sou feliz a comer uma lasanha de quinoa e a terminar a refeição com fruta, como a espetar o garfo nestas almôndegas demoníacas e a rematar com uma colherada disto.

 

Mas calma, tento refrear os meus desejos pelo segundo menu. Até porque tenho dois rapazes pré-adolescentes em casa e sei o quão importante é dar-lhes bons exemplos à mesa.

 

Confesso que ao pequeno-almoço nem sempre consigo honrar a bipolaridade, ou seja, quebrar a rotina e alternar entre as opções favoritas (menos saudáveis) e as mais nutritivas. O hábito é uma coisa tramada, só vos digo. E quem me tira a meia de leite e o pãozinho com manteiga tira-me tudo.

 

Pode ser que a torradeira que a minha mãe me ofereceu a semana passada, que inclui moldes para waffles, ajude nesse processo (ainda que a trabalhadeira que tive a limpá-la depois desta primeira experiência me deixe desanimada). É que esta receita, que encontrei aqui, é mesmo rápida, fácil e, vejam só, saudável. Bingo!

 

Estes waffles não levam muito mais a não ser ovos, farinha de amêndoa e mel. No fundo, são uma espécie de omelete mais consistente. Ficaram muito fofos e gostosos (e lindos, não acham?).

 

E pronto, por alguns tempos, podemos fingir que este é um blogue muito bem comportado, só com com receitas saudáveis e fit, daquelas de que toda a gente anda à procura.

 

(Não digam a ninguém, mas a seguir vou testar a torradeira com uma receita de waffles belgas, daqueles de Liège, bem doces, amanteigados e com as pontas crocantes como os de compra 😄)

 

waffles_4.jpg

 

WAFFLES LEVES E SAUDÁVEIS

Sem glúten, sem açúcar refinado e sem lactose

(Receita original no blogue 2 Cookin' Mamas)

 

Para 2 waffles

1/2 chávena de farinha de amêndoa (eu moí amêndoa sem pele na Bimby)

2 ovos

1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio

1,5 colheres de sopa de mel de rosmaninho (ou a gosto)

2 gotinhas de extrato ou essência de baunilha (opcional)

1 pitada de canela (opcional)

1 pitada de sal

Azeite qb para untar os moldes

 

Misture todos os ingredientes, à exceção do azeite, num robot de cozinha ou com a varinha mágica.

Aqueça a torradeira com os moldes para waffles ou a máquina de waffles. Quando estiver bem quente, pincele as placas com azeite.

Verta a massa para os moldes - atenção que se colocar demasiada massa vai acabar por sair por fora.

Feche a máquina e, ao fim de uns 4 minutos, confira o ponto de cozedura: esta é uma massa que coze muito depressa.

Retire e sirva ainda morno com fruta e um fio de mel ou outro topping a gosto.

 

OUTRAS RECEITAS PARA LANCHE E PEQUENO-ALMOÇO:

01
Jun18

Mini-cheesecakes de cereja e framboesa [para celebrar o Dia da Criança]

mini-cheesecake-cereja-framboesa_4.JPG

 

 

mini-cheesecake-cereja-framboesa-2a.jpg

mini-cheesecake-cereja-framboesa_12.JPG

 

O Dia da Criança é celebrado em diferentes datas por todo o mundo. Gosto que em Portugal seja a 1 de junho porque o bom tempo costuma ser garantido (hoje, só para me deixar fica mal, a meteorologia já nos brindou com chuviscos e temperaturas pouco primaveris). Num dia de sol há mais possibilidades de oferecermos aos miúdos atividades ao ar livre e há uma atmosfera mais descontraída e brincalhona no ar.

 

Mas o Dia da Criança não é apenas um dia de brincadeira e pretexto para mimar os mais novos. É também uma data em que nos devemos lembrar que há milhões de crianças em todo o mundo que não vão poder celebrá-lo. Uma realidade que não é de agora e que levou à Declaração Universal dos Direitos das Crianças pela ONU, em novembro de 1959, mais tarde desenvolvida e aperfeiçada na Convenção sobre os Direitos das Crianças, assinada em 1989.

 

Os meus rapazes já são adolescente e pré-adolescente, mas espero que nunca abandonem algumas das melhores coisas de ser criança: a curiosidade, a capacidade de alimentar o sonho, a alegria genuína, a bondade, e até uma certa inocência, que ajuda a que o mundo pareça um lugar bem mais apetecível.

 

Apesar de não assinalarmos o Dia da Criança com pompa e circunstância - não lhes damos presentes, por exemplo - todos os anos costumo preparar uma receita diferente e partilhá-la aqui no blogue. Como esta semana me ofereceram uma caixa de deliciosas cerejas de Resende, desta vez foram elas o mote. Até porque são um dos frutos que mais associo à minha infância: quem não se lembra de brincar com as cerejas e pendurá-las nas orelhas a fazer de brincos? Eu adorava fazer isso. E a seguir comê-las, claro.

 

E depois as cerejas são tão fotogénicas, que deixam qualquer sobremesa irresistível. Estes cheesecake em versão mini, perfeitos para comer à colher, não são exceção. Vaidosos e gulosos, são uma ótima sobremesa para preparar este fim de semana. A pensar nos miúdos e não só...

 

mini-cheesecake-cereja-framboesa_5.JPG

 

MINI-CHEESECAKES DE CEREJA E FRAMBOESA

Inspirados numa receita de Martha Stewart

 

Para 9

 

Para a base:

70 g de bolacha maria integral

30 g de manteiga derretida

 

Para o recheio

250 g de queijo creme

¾ de chávena de açúcar amarelo (ou a gosto, depende um pouco da acidez do queijo que usamos)

1 ovo L (usei um ovo caseiro e por isso ficaram tão amarelinhos ;)

1 colher de café de extrato de baunilha

1 pitada de sal

  

Para o coulis de cereja e framboesa:

70 g de cerejas descaroçadas e framboesas  (ou apenas um dos frutos)

1 colher de sobremesa rasa de açúcar amarelo (ou a gosto)

 

Pré-aqueça o forno nos 170º. Num robot de cozinha triture as bolachas e junte-lhes a manteiga derretida, formando uma espécie de areia fina húmida. Divida pelo fundo de 9 formas de papel colocadas num tabuleiro de queques – use o pilão de um almofariz para nivelar e comprimir esta base de bolacha.

Leve ao forno durante cerca de 5 minutos. Retire e deixe arrefecer.

Entretanto triture os frutos vermelhos e passe-os através de um coador fino, para obter um molho suave e homogéneo - talvez precise, a meio do processo, de empurrar o que fica agarrado na parede do copo e voltar a triturar. Junte a este coulis 1 colher de sobremesa de açúcar amarelo (ou a gosto). Reserve.

Com a ajuda de uma batedeira, misture o queijo creme com o açúcar e a pitada de sal. Junte a baunilha e o ovo e bata um pouco até estar homogéneo.

Distribua a mistura do queijo creme pelas formas de papel onde já colocou a base de bolacha. Com uma colher de café, verta algumas gotas do coulis de cereja e framboesa na superfície dos cheesecakes e, com a ponta de um palito, desenhe algumas espirais irregulares. Pode ser que não use o coulis todo, mas menos quantidade de fruta é difícil de triturar no robot).

Coloque o tabuleiro dos queques num tabuleiro de forno e encha o tabuleiro com água a ferver até cerca de metade da altura dos cheesecakes (eu prefiro encher o tabuleiro já no forno). Leve ao forno durante cerca de 30 minutos, rodando com cuidado os tabuleiros a meio da cozedura.

Retire do forno e com cuidado retire o tabuleiro de queques do tabuleiro com a água. Deixe arrefecer os cheesecake na forma sobre uma rede. Leve ao frio durante cerca de 4 horas antes de servir.

 

Nota: a textura é muito suave e ainda que se possam comer à mão, retirando o papel, recomendo servir com uma colher.

 

Mais receitas giras para o Dia da Criança

10
Mai18

Massa fresca de espinafres caseira [e as coisas cronicamente adiadas]

massa-fresca-espinafres.JPG

massa-fresca-espinafres-duo.jpg

massa-fresca-espinafres_8.JPG

 

Conhecem bem esta maquineta, certo? Pois bem, tenho uma cá em casa. Ainda com o plástico protetor e na caixa original. Por estrear, portanto. Há quanto anos? Há uns oito, bem à vontade.

 

Quantas vezes pensei em fazer massa fresca? Várias.

Quantas vezes fiz? Nenhuma. Ou melhor, nenhuma até à semana passada e descontando o workshop de massas frescas que fiz há uns anos na Escola de Hotelaria do Porto.

 

Em todo o caso ainda não foi desta que fiz massa fresca à séria. Ainda não foi desta que estreei a máquina.

 

Infelizmente isto não me aconteceu só com a massa fresca. Há inúmeras receitas que volta e meia penso em experimentar, mas depois acabo por cair na rotina e cozinhar muitas vezes a mesma coisa. Uma vergonha para quem se diz ser viciada em livros e revistas de cozinha. Digam-me por favor que não estou sozinha! 

 

A epifania da semana passada foi fruto de ter visto um episódio do Jamie em que ele fez estes "pici" (há quem diga que não são "pici" mas sim "trofie"). Estão no livro "Receitas Saudáveis para toda a família", que eu gostava de ter, mas não tenho (pode ser que o meu Pai Natal leia este post).

 

Antes de passarmos à receita, devo dizer que a textura desta pasta que parece feijão-verde não é perfeita, fica um pouco chewy, mas é tão simples e está tão carregada de espinafres, que isso passa a ser um detalhe com pouca importância. Mas a melhor prova de que vale a pena fazê-la e repeti-la é o facto dos meus dois adolescentes a terem devorado e a terem elogiado, sendo eles atualmente os meus comensais mais exigentes.

 

A versão das fotos, servida com um salteado de legumes, foi o meu almoço no dia em que fiz a massa. À noite, servi-a com molho de tomate caseiro e foi mesmo um sucesso.

 

Agora que ganhei um pouco de alento, acho que já não falta muito tempo para desembrulhar a máquina...

massa-fresca-espinafres_7.JPG

 

MASSA FRESCA DE ESPINAFRES FÁCIL C/ LEGUMES SALTEADOS

 

Para a massa (receita de Jamie Oliver):

300 de farinha T55 sem fermento (se tiver acesso a farinha italiana 00, ainda melhor)

200 g de espinafres baby (1 saco + 1 pouco)

 

Para o salteado de legumes:

(usei quantidades a olho, para cerca de 1/4 da massa obtida)

 

Alho

Cebola

Courgete

Pimento vermelho e amarelo

Tomate cereja

Azeite extravirgem

Vinho branco (opcional)

Piripiri em pó

Sal

Para servir: queijo parmesão, nozes/pinhões e manjericão (não tinha manjericão mas teria sido um ótimo acrescento) 

 

Para fazer a massa vai precisar de um robot de cozinha ou de um processador de alimentos, tipo liquidificador, potente.

Coloque a farinha no robot, junte as folhas de espinafres e triture até obter uma massa moldável: já está!

Retire e forme uma bola com a massa.

Enfarinhe a superfície de trabalho e vá tirando pedacinhos de massa de tamanho de berlindes: comece por fazer uma bolinha e depois estique-as até obter uma espécie de "minhoca", o que vai demorar pelo menos meia hora - se tiver ajudantes para esta tarefa, melhor!

 

Para o salteado de legumes, leve um fio de azeite a aquecer numa frigideira.

Junte a cebola e depois o dente de alho. Deixe cozinhar um pouco e junte a courgete e os pimentos cortados em cubos. De seguida adicione o tomate cereja cortado em metades. Tempere com um pouco de sal e piripiri.

Refresque com um pouco de vinho branco e deixe que os tomates comecem a murchar e a largar os sucos.

Entretanto, coloque ao lume uma panela com água e sal. Quando estiver a ferver, insira a massa e coza durante uns 10-15 minutos (achei o tempo que a receita original menciona - 5 minutos - insuficiente).

Se achar que o salteado está a ficar seco, junte-lhe um pouco de água da cozedura da massa. Prove e retifique os temperos.

Escorra bem a massa (reservando alguma água) e junte-a ao salteado, envolvendo bem e juntando um pouco mais de água da cozedura se achar necessário.

Junte um pouco de quejo parmesão ralado, envolva bem e sirva sapicado com o manjericão, os frutos secos e mais parmesão para quem quiser.

 

Mais receitas com legumes:

15
Mar18

Dos meus livros de cozinha favoritos [e a melhor receita de massa de brioche]

brioche-chocolate_3.JPG

 

Tenho um livro de cozinha, já com muitos anos, a cujas páginas regresso regularmente com prazer. E é curioso porque nem sequer é dos livros mais bonitos que tenho. Confesso que às vezes julgo os livros pela capa e pelo seu design interior, mas este é um livro muito simples e básico a esse nível, quase não tem imagens. Mas o seu conteúdo é um verdadeiro tesouro no que diz respeito a receitas de pão e derivados. É o Artisan Bread in 5 minutes a day, que parte do conceito da massa de pão que não é amassada, o famoso no-knead bread.

 

Já por várias vezes repliquei receitas do livro - estão linkadas no final do post -  e nunca saí desapontada. Mas a verdade é que nunca tinha experimentado as versões mais "adocicadas", como o brioche. E coloco "adocicadas" entre aspas, porque uma das coisas que me surpreendeu nesta receita é que não leva açúcar enquanto ingrediente, apenas uma pequena quantidade de mel.

 

De entre os meus guilty pleasures - sim, tenho vários, shame on me! - estão os pães de leite e croissants, que como só muito de vez em quando por razões óbvias. Sempre que me deparo com uma receita destas iguarias, encho-me de vontade de ir para a cozinha, mas quando acabo de ler todos os passos, fico desanimada e acabo por desistir. Esta semana, deu-me para tirar o livro da prateleira e, um pouco à sorte, fui parar à página da receita de brioche.

 

Mais uma vez, a receita não desiludiu. Pelo contrário, superou as minhas expectativas. E é tão simples, mas tão simples de fazer, que vai passar a clássico cá em casa, na hora de dar de lanchar - ou brunchar - à família e aos amigos.

 

A única coisa que a massa exige, e nem sequer é muito, é tempo de espera. Quase nada de trabalho manual, nada de amassar, nada de ganchos e batedeira, apenas 5 minutos a preparar e a misturar os ingredientes.

 

À semelhança das outras receitas do livro, depois das duas horas iniciais em que a massa fica a levedar à temperatura ambiente, guarda-se no frigorífico. Esta pode usar-se nos próximos cinco dias, uma massa de pão sem ovos, dura até 15 dias. Se preferir, pode depois do repouso inicial congelar a massa - aconselho que o faça em porções do tamanho de uma toranja - descongelando-a com antecedência no frigorífico quando for usá-la.

 

Quando quiser cozer, e partindo do princípio que tem a sua massa no frigorífico, só tem de retirar uma porção do recipiente, dar-lhe a forma pretendida e deixá-la levedar entre 1h30 a 2h30, dependendo da temperatura ambiente. 

 

Depois é só levar ao forno e voilá: brioche caseiro à sua mesa. Quem diz brioche, diz croissants, regueifa doce, rolinhos de canela ou até pão de hambúrguer: as possibilidades são infinitas! Como ainda tenho massa no frigorífico, nos próximos posts mostrarei outras formas de usar esta receita todo-o-terreno. Se por acaso experimentarem-na, digam-me como correu!

 

brioche-chocolate_6.JPG

brioche-chocolate_2.JPG

 

MASSA DE BRIOCHE SEM AMASSAR - TRANÇA DE BRIOCHE COM CHOCOLATE

Ligeiramente adaptado do livro Artisan Bread in Five Minutes a Day

 

Massa base:

500 g de farinha de trigo 55 sem fermento

1 pacotinho de fermento Fermipan

185 ml de água morna

1 pitada de sal

4 ovos ligeiramente batidos

1/4 de chávena* de mel de rosmaninho (ou de um mel de sabor neutro)

180 g de manteiga derretida

 

*250 ml de capacidade

 

Para a trança de brioche com chocolate

1 porção do tamanho de uma toranja de massa de brioche

50 g de chocolate negro picado ou de pepitas de chocolate

Farinha para trabalhar a massa

Leite ou ovo batido para pincelar

Açúcar mascavado para polvilhar por cima (opcional)

 

Numa taça que tenha tampa, junte à água morna o fermento, o sal, os ovos, o mel e a manteiga derretida.

Junte a farinha aos poucos, com a ajuda de uma colher de metal.

Não mexa demasiado, só até a farinha estar toda incorporada.

Coloque a tampa do recipiente, mas sem fechar hermeticamente e reserve à temperatura ambiente durante duas horas.

A partir daqui, pode colocar toda a massa no frigorífico, mantendo o recipiente tapado (com a tampa apenas pousada e não fechado hermeticamente); congelar em porções, ou fazer logo um pão, como o que se segue.

 

Para a trança de brioche com chocolate (descrição atualizada!)

Polvilhe a superfície da massa reservada com farinha, para que seja mais fácil retirar uma porção com a dimensão aproximada de uma toranja.

Com as mãos enfarinhadas, dê-lhe a forma de uma bola, alisando a superfície e empurrando a massa para o fundo a toda a volta, rodando a massa.

Polvilhe com bastante farinha a superfície de trabalho e estique a massa num retângulo, pode ter que ir polvilhando para a massa não agarrar ao rolo. Corte em duas partes ao comprimento e divida o chocolate pelos dois pedaços de massa, deixando margens à volta. Enrole cada um dos retângulos, una-os em forma de trança dupla, una bem as pontas e coloque-a num tabuleiro forrado com papel vegetal e polvilhado com farinha.

Tape com um pano de cozinha e deixe levedar num local ameno até ficar com cerca do dobro do volume, o que deve demorar de 1h30 a 2h30.

Perto do final da levedura, ligue o forno nos 180º.

Pincele a trança com leite (eu polvilhei depois com açúcar mascavado mas concluí que se não o tivesse feito teria ficado ainda mais bonito, não acrescenta muito).

Leve ao forno durante cerca de 35 minutos, a uma altura média, acompanhado de uma panela ou tabuleiro com água a ferver, que deverá colocar na base do forno. Se achar que a trança está a dourar muito depressa, cubra com alumínio.

Retire do forno, deixe arrefecer um pouco e delicie-se!

 

Notas:

- Esta é uma adaptação da receita original para metade da dose, que pede, por exemplo, 8 ovos. Mesmo assim, rende bastante e uma dose como a que descrevo acima deve dar para, no mínimo, três pães como este.

- Normalmente as receitas de brioche pedem mais manteiga e açúcar, por isso acho esta receita bastante equilibrada: o adoçante é mel e a quantidade de manteiga, se pensarmos na quantidade de pães e porções individuais que uma dose destas permite fazer, é bastante comedida.

- Apesar das 2 horas iniciais para levedar, mais o tempo final de repouso, parecer muito, é muito menos do que as receitas de brioche tradicionais pedem: algumas chegam a pedir que a massa repouse 24 horas!

- O recipiente com água a ferver no forno não faz parte da receita original mas é o truque que eu costumo usar quando cozo pão, para garantir humidade e uma crosta deliciosa. Neste tipo de pão não é algo essencial, mas eu acho que ajudou a uma crosta mais saborosa.

 

Mais receitas de pão sem amassar:

09
Mar18

Cook for Syria [Receita de almôndegas de frango e amêndoa no forno]

cook-for-syria_11.JPG

 

Nos últimos dias, as notícias sobre a terrível situação que se vive na Síria foram particularmente chocantes. Segundo um balanço noticiado no início desta semana, os ataques que têm assolado Ghouta Oriental desde o dia 22 de fevereiro já mataram 800 civis, sendo que 177 eram crianças. A somar às centenas de milhares de mortos e refugiados desde que o conflito começou. A somar aos que morreram ontem e que vão continuar a morrer amanhã. Uma guerra hedionda que parece impossível estar a acontecer em pleno século XXI.

 

É impossível ficar indiferente a este drama, ainda que o sentimento seja de impotência. E de alívio egoísta: que sortudos somos em ter nascido num país pacífico. Nem sequer ouso imaginar o sofrimento das famílias sírias ao longo dos últimos sete anos. Famílias para quem o simples ato de cozinhar e partilhar uma refeição tornou-se um luxo inacessível: por falta de condições, por falta de alimentos ou porque simplesmente já não há família.

 

Apesar de só os políticos e os diretamente envolvidos no conflito sírio poderem pôr-lhe um fim, há pequenos gestos de solidariedade que podem contribuir para apoiar as vitimas e foi nisso que pensaram Clerkenwell Boy - um famoso foodie e instagrammer australiano a viver em Londres, e Serena Guen, fundadora da revista Suitcase. Juntos idealizaram o projeto #cookforsyria, tendo mobilizado para a causa uma montanha de chefs e bloggers de cozinha. O livro Cook for Syria é a face mais visível dessa iniciativa, cujo resultado das vendas reverte para o programa de ajuda humanitária na Síria da Unicef.

 

Quando estive em Londres, em novembro passado, tive a sorte de passar pelo Old Spitalfileds Market no momento em que estava a decorrer um evento ligado ao projeto, com venda de bolos e do livro. Comprei um exemplar e achei que por estes dias fazia todo o sentido explorá-lo e homenagear a cozinha síria, que é tão rica e aromática, com tantos ingredientes de que eu gosto.

 

As receitas do livro não são necessariamente receitas tradicionais sírias, mas sim receitas inspiradas na gastronomia síria e nos seus ingredientes, criadas por dezenas de bloggers de cozinha e chefs - há até uma receita do chef português radicado em Londres Nuno Mendes.

 

Escolhi para primeira experiência umas almôndegas de frango e amêndoa, servidas com um molho feito com manteiga de amêndoa - que fiz pela primeira vez - e caldo de galinha. Um contributo para o livro de Ameelia Freer, que foi um sucesso cá em casa.

 

Antes de passarmos à receita, queria só deixar mais duas sugestões de como apoiar o povo sírio: comprando outro livro solidário, este disponível em português: "Uma Sopa para a Síria" ou indo ao restaurante Mezze, em Lisboa, um interessante projeto da Associação Pão a Pão que visa a integração de refugiados sírios e do Médio Oriente no nosso país.

 

cook-for-syria_5.JPG

 

cook-for-syria_2.JPG

cook-for-syria_10.JPG

 

ALMÔNDEGAS DE FRANGO E AMÊNDOA NO FORNO [COM MOLHO DE MANTEIGA DE AMÊNDOA]

Ligeiramente adaptado do livro #CookForSyria

 

Para o molho de amêndoa

150 ml de caldo de galinha quente*

100 g de manteiga de amêndoa**

Raspa de 1 limão

Sal qb

 

Para as almôndegas (25-30 unidades)

500 g de carne de coxas e pernas de frango*** picadas no robot de cozinha

(equivalente a umas 4 pernas completas)

1 ovo batido

1/2 talo fino de alho francês picado 

4 colheres de sopa de farinha de amêndoa (moí miolo de amêndoa, parte dela com pele, na Bimby)

2 colheres de sopa de coentros frescos picados

1 colher de chá de coentros secos

1 colher de chá de cominhos moídos

Pimenta preta acabada de moer qb

Sal qb

Azeite para pincelar

 

Comece por preparar o molho: junte lentamente o caldo quente à manteiga de amêndoa. No início vai parecer que a manteiga está a engrossar, mas continue a adicionar caldo e a mexer com um batedor de varas, até ficar com a consistência macia de natas espesssas. Junte-lhe a raspa do limão, retifique o sal se achar necessário e reserve.

 

Para as almôndegas, ligue o forno nos 200º e forre um tabuleiro com papel vegetal.

Junte todos os ingredientes numa taça grande. Humedeça as mãos e faça bolinhas do tamanho de brigadeiros.

Disponha-as no tabuleiro e pincele-as com azeite.

Leve ao forno durante cerca de 15-20 minutos.

Entretanto aqueça de novo o molho, mas lentamente: se aquecer rapidamente a alta temperatura, o molho irá transformar-se numa pasta!

Sirva bem quente com uma salada de alfaces ou legumes verdes cozidos e arroz branco.

 

* Eu usei os ossos das pernas e das coxas do frango para fazer o caldo, juntando numa panela grande 2 cenouras partidas aos pedaços, 1 folha de louro, 1/2 talo de alho-francês, 1 cebola, 2 dentes de alho, um raminho de salsa, um fio de azeite, pimenta preta qb, sal e sal de aipo qb. Cobri com água e deixei cozer lentamente até ter reduzido bastante, aí umas duas horas. Coei e guardei num frasco - com o que sobrou vou fazer um risotto.

 

** Para fazer a manteiga de amênda, coloque no robot de cozinha duas chávenas de miolo de amêndoa sem pele, levemente tostado. Triture, empurrando de vez em quando para baixo o que ficar agarrado às paredes do copo. O processo deve demorar uns 15-20 minutos. Está pronto quando atingir uma textura bem macia. Pode juntar um pouco de azeite ou óleo vegetal, para ajudar a triturar melhor e ficar mais cremoso. Tempere com sal, volte a triturar, retire e reserve. 

 

*** Pode fazer as almôndegas com peitos de frango em vez de pernas completas, no entanto, para além da carne destas ser mais suculenta, pode aproveitar os ossos para fazer o caldo, como expliquei em cima; para não ter o trabalho que eu tive de desossar as pernas, peça no talho para o fazerem e não se esqueça de pedir os ossos ;)

 

Mais receitas inspiradas na gastronomia de outros países:

 

11
Dez17

Sugestão de presente caseiro para o Natal [Alperces com chocolate negro]

alperce-mix2.jpg

 

alperce-chocolate_2.JPG

alperce-chocolate_1.JPG

 

Parece-me incrível que faltem apenas duas semanas para o Natal. Normalmente, começo a entrar no espírito da quadra de cada ano fazendo muitos planos: de decoração, de receitas para as festas de família, de presentes comestíveis. Mas depois, os dias começam a atropelar-se e nunca consigo fazer tudo o que tinha idealizado.

 

Este ano, com o atraso das obras que estamos a fazer no nosso apartamento – era suposto já estarem prontas, mas ainda nem sequer sei se poderei acordar no dia de Natal em casa, o que me tem deixado os nervos em franja - os planos ficaram ainda mais em suspenso.

 

Estando a viver em casa de um dos meus irmãos, tenho uma cozinha à minha disposição, mas fazem-me falta as minhas coisas, o meu forno, as minhas formas, os meus utensílios. Digamos que trouxe comigo um kit de sobrevivência, mas estou limitada a receitas mais simples, sobretudo no que toca a bolos e sobremesas.

 

Fazer bolachas, por exemplo, não é muito prático, pois não tenho uma grande área de trabalho. Pelo que andei a pensar numa lembrança de Natal que não exigisse grande “produção”, mas que fosse deliciosa. E aqui está ela: alperces secos banhados em chocolate negro.

 

Aviso já de que são altamente viciantes, por isso sugiro que façam uma dose bem generosa, para poderem ficar com alguns. Pensando bem, nem é preciso o pretexto do Natal e dos presentes para experimentar esta coisa boa: estes alperces com chocolate funcionam na perfeição como um snack ou como um pequeno mimo para acompanhar o café. Yummy!

 

alperces-mix.jpg

 

ALPERCES SECOS COM CHOCOLATE NEGRO

Para 50

 

50 alperces secos – cerca de 400 g

160 g de chocolate negro

 

Forre um tabuleiro com papel vegetal. Leve a derreter o chocolate em banho-maria.

Mergulhe metade de cada alperce no chocolate e coloque a secar sobre o papel vegetal. Repita com os restantes alperces. Deixe secar bem o chocolate antes de guardá-los em frascos ou sacos de celofane.

 

Teresa Rebelo

foto do autor

Sigam-me

TOP 100 Food Bloggers

TOP 15 Blogs de Culinária Portugueses

Featured on

Bloglovin

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2006
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2005
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2004
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D