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Lume Brando

21
Dez18

Receita de Tronco de Natal [e os meus desejos de Boas Festas]

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Faltam apenas três dias para o Natal e, por aqui, já se vive a quadra em pleno, alinhavando sobremesas e planeando um apetitoso recheio para o peru que este ano me toca a mim preparar.

 

Relativamente aos doces, confesso que não sou muito fã das sobremesas tradicionais de Natal, ainda que goste das rabanadas da minha mãe, da aletria com ovos da minha sogra e de bolo-rei torrado comido ao pequeno-almoço nos dias a seguir ao Natal.

 

Mas há uma sobremesa natalícia importada de que gosto bastante: o Tronco de Natal. Não só pelo chocolate (claro que ter chocolate faz este bolo ganhar muitos pontos na minha lista de favoritos), mas também pela sua forma tão rústica, um pouco infantil até. Na minha família é sempre uma tia que o faz, por isso nunca me tinha dado para meter as mãos na massa.

 

Mas andava curiosa, até para ver como me desenrascava com a decoração. Assim, este ano resolvi juntar duas receitas infalíveis: torta de Viana e ganache de chocolate e fazer o meu próprio Tronco de Natal. Sim, esta é uma receita de Tronco muito simples (há versões mais ricas, em que o recheio e a cobertura levam doce de castanha, ou em que a própria massa é de chocolate, por exemplo).

 

O resultado do primeiro teste foi este e acho que ficou bem catita. Uma dica que acho mesmo importante é aplicar a cobertura com saco e bico pasteleiro, para evitar levantar massa de bolo com a espátula (aproveitei e fiz 2 em 1: usei um bico serrilhado e fiz logo as estrias do tronco). Para a próxima, irei usar um bico pasteleiro para distribuir o creme, mas depois tentarei fazer uns desenhos mais orgânicos.

 

Também fiz uns cogumelos de suspiro, com umas claras que andavam perdidas no frigorífico, para decorar, mas é totalmente opcional. Aliás, com a humidade que anda no ar por estes dias, fazer suspiros não é uma tarefa fácil, pois ficam muito frágeis, desfazendo-se facilmente.

 

Antes de passarmos à receita, resta-me desejar-vos um Feliz Natal e um 2019 repleto de bons momentos à mesa (e fora dela!).

 

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O TRONCO DE NATAL DO LUME BRANDO

 

Para a massa:

6 ovos

125 g de açúcar

100 g farinha sem fermento

1 vagem de baunilha

Açúcar em pó qb

 

Para o recheio e cobertura:

300 g de natas para bater

300 g de chocolate de culinária

Açúcar em pó e/ou cacau para decorar

Outra decoração a gosto

 

Começe por preparar a ganache de chocolate: parta o chocolate em pedacinhos para uma taça resistente ao calor.

Leve as natas ao lume num tachinho e assim que começar a fervilhar, retire do lume e coe ao mesmo tempo que as verte para a taça do chocolate. Espere alguns minutos e mexa bem com um batedor de varas até obter um creme liso e brilhante. Reserve.

 

Entretanto, ligue o forno nos 200º.
Forre um tabuleiro com papel vegetal (usei o tabuleiro do forno, com cerca de 40 cm x 30 cm) e unte com manteiga/polvilhe com farinha ou aplique spray desmoldante.
Numa taça, junte as gemas, o açúcar e as sementes do interior de uma vagem de baunilha. Bata durante cerca de cinco minutos com colher de pau ou um batedor de varas.
Bata as claras em castelo e envolva-as na mistura das gemas.
Adicione a farinha peneirada aos poucos e envolve bem para que fique integrada na massa.
Verta sobre a forma, alise e leve ao forno cerca de 12-14 minutos ou até o palito sair seco do seu interior.
Desenforme sobre um pano de cozinha húmido e polvilhado com açúcar em pó.
Aguarde uns minutos e retire o papel vegetal com cuidado.

Espere mais uns três ou quatro minutos, para que arrefeça mais um pouco, e espalhe uma camada de ganache, alisando com uma espátula ou as costas de uma colher.
Enrole a placa de bolo a partir de um dos lados mais compridos, com a ajuda do pano.
Deixe que arrefeça completamente, ao mesmo tempo que a ganache sobrante, a usar na cobertura, vai ficando mais espessa.

 

Quando a ganache sobrante tiver adquirido a textura ideal (espessa mas moldável - pode acelerar o processo colocando-a no frigorífico, mas tenha atenção para que não fique demasiado dura), prepare um saco com bico pasteleiro e encha o saco com ganache.

Apare as pontas do rolo e corte ainda duas fatias grossas, mas de tamanho diferentes, para fazerem de "braços cortados" do tronco (ficam muito bem cortados de forma enviesada). Passe o rolo maior para o prato de servir e disponha as fatias grossas ao seu gosto.

Disponha a ganache por todo o bolo, dando-lhe o efeito pretendido (pode distribuir a ganache por todo e depois alisar e fazer desenhos com uma espátula ou um garfo).

Termine com açúcar e cacau em pó, azevinho, pinhas, ramos de pinheiro, cogumelos de suspiro ou outra decoração a gosto.

 

FELIZ NATAL!

 

18
Dez18

Paris-Brest de castanha e mascarpone [e a história desta sobremesa francesa]

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No post anterior, falei no meu desejo de em 2019 experimentar receitas que tenho listadas há muito, como alguns pratos clássicos que por um ou outro motivo nunca cozinhei. Uma delas era o Paris-Brest, uma sobremesa francesa elaborada com massa choux. Com esta massa já fiz profiteroles (tenho uma receita no meu livro, "Estava tudo ótimo!") e já fiz éclairs. Mas nunca tinha experimentado fazer o Paris-Brest. 

 

Sempre que ouvia falar neste clássico da pastelaria francesa, achava que o nome se devia a um qualquer itinerário de comboio, entre Paris e uma cidade russa, talvez porque associasse a sua forma circular a uma pista de comboio de brincar. Mas sabem uma coisa? Estava redondamente enganada (trocadilho 100% acidental ;)!

 

Afinal, a forma da sobremesa pretende lembrar a roda de uma bicicleta, tendo sido criada por um pasteleiro chamado Louis Durand, em 1910, a pedido do fundador e organizador de uma importante prova de ciclismo entre Paris e a cidade francesa de Brest. A sobremesa fez imenso sucesso logo na altura, nomeadamente entre os ciclistas, devido ao aporte calórico que lhes oferecia. O recheio original terá sido um creme praliné, uma espécie de creme pasteleiro com amêndoas ou avelãs, mas depressa começaram a surgir variações.

 

Aliás, o Paris-Brest que me fez antecipar este projeto foi o incrível Paris-Brest de framboesa que vi no Instagram da Zoë François. Quando o vi, pensei: parece uma coroa, por que não transformá-lo numa sobremesa natalícia? Daí a chegar ao recheio de castanha, não demorou muito. E pronto, a minha primeira resolução para 2019 começou a ser cumprida ainda em 2018. E parece que bem cumprida: fez bastante sucesso e desconfio que até ao réveillon ainda vão sair mais Paris-Brests desta cozinha...

 

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PARIS-BREST COM RECHEIO DE CASTANHA E MASCARPONE

 

Para a massa:

(Segui a receita da massa de profiteroles do meu livro, que é feita com água e azeite, sem leite ou manteiga, mas podem usar qualquer outra receita de massa choux)

 

180 ml de água

70 ml de azeite

100 g de farinha sem fermento

3 ovos à temp. ambiente

1 pitada de sal

1 pitada de açúcar

Ovo para pincelar

Amêndoas laminadas ou palitadas

 

Para o recheio:

200 g de creme/doce de castanha (usei da marca Bonne Maman)

200 g de mascarpone bem frio

140 g de natas para bater bem frias

1 fio de sumo de limão

 

Açúcar em pó para decorar

Molho de chocolate para servir (opcional mas recomendável!)

 

Comece por fazer a massa: leve um tacho ao lume com a água, o azeite, o sal e o açúcar.

Assim que começar a fervilhar, adicione a farinha toda de uma vez e mexa bem com uma colher de pau. Vá mexendo até se formar uma bola de massa uniforme que se descola do tacho, o que deve demorar poucos minutos.

Retire do lume e passe a massa para a taça da batedeira elétrica, deixando-a arrefecer durante cerca de 10 minutos.

Pré-aqueça o forno nos 210º.

Numa folha de papel vegetal, marque bem, com um lápis, um círculo com cerca de 16 cm de diâmetro. Forre um tabuleiro com esta folha virada ao contrário.

Ligue a batedeira numa velocidade média (preferencialmente com o acessório das massas e não das claras em castelo), e vá juntando os ovos, um a um, batendo sempre até obter uma massa macia, brilhante e uniforme.

Coloque a massa num saco munido de um bico pasteleiro liso (o meu bico tinha 1 cm de diâmetro) e faça um círculo de massa sobre a marcação do papel. De seguida, faça um novo círculo de massa no interior do círculo e colado a este. Termine com um círculo por cima da união dos dois primeiros (podem ver como se faz nos destaques das stories da Zoë François, ou então num dos muitos vídeos que há no YouTube).

 

Com a massa sobrante pode fazer um Paris-Brest mais pequeno ou alguns profiteroles.

 

Pincele a massa com ovo batido, salpique com amêndoas laminadas ou palitadas e leve ao forno durante cerca de 20-22 minutos ou até se aperceber que está bem insuflado e que descola bem do papel (sinal de que está bem cozido).

Entreabra a porta do forno (coloque um pano de cozinha dobrado ou o cabo de uma colher de pau para criar uma frincha) e deixe arrefecer lá dentro.

 

Para o recheio, coloque na taça da batedeira o queijo mascarpone e as natas e comece a bater para obter chantilly. A meio, adicione um fio de sumo de limão (ajuda a prender). Quando estiver bem firme, junte aos poucos o doce de castanha e continue a bater (vá provando e ajustando a quantidade de doce de castanha ao seu gosto). Deve obter um creme macio mas espesso.

Entretanto, corte o Paris-Brest a meio com uma faca de serrilha (corte pela união do círculo de cima aos de baixo).

Coloque o creme de castanha numa saco munido de um bico pasteleiro em estrela e disponha creme por toda a base do Paris-Brest. Coloque a tampa de massa e polvilhe com açúcar em pó. Repita o processo com os profiteroles ou a outra coroa.

 

Eu servi com molho de chocolate e aconselho (basta derreter no microondas alguns quadrados de chocolate preto ou de culinária com um pouco de leite, mexer bem e já está!).

 

Nota: esta é uma sobremesa que se deve comer no próprio dia; se pretender cozer a massa de véspera, guarde-a depois numa caixa hermética e no dia leve-a de novo ao forno durante alguns minutos; o ideal é rechear apenas antes de servir, para que a massa se mantenha seca e crocante. Caso esteja recheado e não vá servir logo,  guarde no frigorífico.

 

Receita atualizada em 22/12/2018.

 

OUTRAS SOBREMESAS E DOCES BONITOS PARA O NATAL:

Bavaroise de chocolate e café

Coroa de Bolo Inglês

Alperces com chocolate negro

Minipavlovas de café

Pavlova tradicional

Bolo de chocolate, gengibre e especiarias

30
Out18

Bolo de abóbora e especiarias recheado e coberto com creme de mascarpone e chocolate [Halloween 2018]

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Sim, este é um post a propósito do Halloween. Mas vamos deixar de lado a polémica sobre esta ser uma tradição importada e demasiado ligada a fins comerciais, ok? Cada um, em sua casa, fará o que de melhor entender sobre a data. E não, infelizmente, aqui para os meus lados não se celebra o Pão por Deus, uma tradição de que só tive conhecimento há poucos anos e de que a maior parte das pessoas à minha volta nunca ouviu falar (o que não deixa de ser curioso e triste, visto ser uma tradição em muitas terras portuguesas, sobretudo da região do Oeste e até da Galiza, que não está longe).

 

Em relação ao Halloween, apenas posso dar o exemplo do que se passa por aqui: não celebramos a rigor (ou seja, não faço nenhum jantar temático, nem me fantasio, nem sequer encorajo os meus filhos a fazê-lo), mas se eles me pedirem para ir em rusga fazer o "Doçura e Travessura", eu acho piada e permito, até porque é mais um momento de brincadeira e convívio com os amigos (mas peço-lhes para não serem malvados com quem não abre a porta ou não se abasteceu de guloseimas!). E tento ter sempre alguns chocolates para oferecer aos grupos que me possam tocar à campainha.

 

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Também é verdade que gosto de assinalar o Halloween aqui no blogue, sobretudo porque serve de pretexto para cozinhar algo divertido. Este ano, decidi fazer um bolo. Um bolo com um ingrediente que faz todo o sentido tendo em conta a época e a ocasião, mas que nunca tinha experimentado num bolo: abóbora. Adorei o resultado e asseguro-vos de que não precisam de ser fãs do Halloween para o fazerem. A massa é húmida e saborosa, e a mistura do chocolate com o creme de natas e mascarpone - do recheio e da cobertura - eleva-o a outro nível. Não assustador, mas viciante!

 

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BOLO DE ABÓBORA E ESPECIARIAS COM COBERTURA E RECHEIO DE CHOCOLATE E MASCARPONE

 

Para a massa

(adaptado do blogue Broma Bakery)

Chávena = 250 ml de capacidade

 

1 chávena bem cheia de puré de abóbora menina

(para obter este puré cozi a vapor cerca de 750 g de abóbora - pesada com a casca - e escorri)

1 chávena bem cheia de açúcar amarelo

1 chávena rasa de azeite extravirgem

4 ovos (de preferência caseiros ou biológicos - o bolo fica mais húmido)

1 colher de café de essência de baunilha

2 chávenas rasas de farinha sem fermento

2 colheres de chá de fermento em pó

1,5 colheres de chá de bicarbonato de sódio

1 boa pitada de canela

1 boa pitada de noz-moscada

1 pitada de sal

 

Para o recheio e cobertura

1 emb. de mascarpone (250 g)

1 emb. de queijo quark (250 g)

1 emb. de natas para bater (200 ml)

2 colheres de sopa de açúcar amarelo (ou a gosto)

1 colher de café de essência de baunilha

Algumas gotas de sumo de limão

120 g de chocolate de culinária

Leite qb

 

Para a decoração (opcional)

100 g de sucedâneo de chocolate branco para fundir

Palitos médios

Confeitos "olhos" de açúcar

 

Se quiser fazer os fantasmas, o melhor é começar por aí.

Leve o sucedâneo de chocolate branco a derreter em banho-maria.

Estenda uma folha de papel vegetal sobre a bancada de trabalho e desenhe algumas figuras de fantasma com o tamanho pretendido (não é obrigatório, pois é muito fácil ir dando forma aos fantasmas com a colher). Se fizer os desenhos, vire a folha ao contrário.

Com o chocolate bem derretido e uniforme, e com a ajuda de uma colher, vá desenhado os fantasmas na folha de papel vegetal. Coloque um palito a meio de cada fantasma e cubra-o com mais chocolate. Decore com os olhos de açúcar e deixe solidificar (se estiver com pressa, coloque a folha de vegetal sobre um tabuleiro e leve ao frigorífico). No fundo, esta é a mesma técnica das nuvens que estão no meu livro - "Estava Tudo Ótimo!", na página 64.

 

 

Pré-aqueça o forno nos 180º.

Forre com papel vegetal o fundo de duas formas redondas com 18 cm de diâmetro e unte muito bem com manteiga, polvilhando com farinha.

Numa taça, junte os ovos, o azeite, o açúcar amarelo, o puré de abóbora e a baunilha.

Noutra taça, junte a farinha, o fermento, o bicarbonato e ainda o sal, a canela e a noz-moscada.

Vá juntando, aos poucos, os secos à mistura de líquidos.

Distribua pelas formas e leve a cozer durante cerca de 30 minutos ou até um palito sair seco.

Retire do forno e leve a arrefecer sobre uma rede (eu gosto de forrar a rede com papel vegetal, para impedir que os bolos fiquem agarrados nas reentrâncias da rede). Deixe arrefecer.

 

Entretanto prepare a cobertura e o recheio.

Leve a derreter o chocolate em banho-maria com um pouco de leite. Junte mais leite, aos poucos, até obter uma consistência espessa mas espalhável. Reserve.

Coloque na taça da batedeira, as natas (que devem estar bem frias), o mascarpone, o quark, a essência de baunilha e o açúcar. Bata bem e quando estiver a engrossar junte umas gotinhas de limão, para ajudar a "prender" ainda mais.

 

Para montar e decorar:

Corte cada bolo em duas metades.

Coloque uma metade no prato de servir, com a parte do miolo virado para cima, e espalhe um pouco da mistura de mascarpone. Tape com a outra metade (com a parte do miolo virado para baixo). Barre com uma camada do chocolate derretido com leite. Coloque por cima outra metade do bolo e volte a rechear com a mistura do mascarpone. Tape com a última metade de bolo e barre todo o bolo com o creme de mascarpone.

Leve ao frio cerca de 30 minutos e volte depois a barrar com o creme sobrante, para ficar mais perfeito.

Leve de novo ao frio, idealmente durante uma hora.

Se o creme de chocolate tiver endurecido, volte a aquecer em banho-maria e deixe-o amornar.

Retire o bolo do frio e espalhe uma boa camada de chocolate por cima, fazendo-o escorrer pelas laterais do bolo de forma alternada, com umas "lágrimas" mais compridas e outras mais curtas.

Deixe endurecer um pouco e decore com os fantasmas.

 

OUTRAS RECEITAS DE HALLOWEEN:

03
Out18

Bolo invertido de figos [e um verão que parece não querer acabar]

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Este foi o verão em que fiquei mais bronzeada. Não porque tenha feito mais praia, mas porque foram muitos os dias em que andei ao sol, de top e calções. Não me lembro de uma férias, nem de um verão, em que não houvesse uns dias de chuva ou uns dias mais nublados. Mas em 2018 esses dias cinzentos não apareceram. E a verdade é que já viramos a página de outubro no calendário, e os dias continuam bonitos, quentes, como se vivéssemos um verão interminável.

 

Se, por um lado, este cenário é assustador, porque ligado às transformações meteorológicas a que o aquecimento global obriga, por outro não consigo deixar de pensar que este tempo é muito mais agradável do que aquele que o outono e o inverno rigorosos costumam trazer. É tão bom não ter de andar encasacada e de guarda-chuva atrás! Mas, por mais que me custe, mais tarde ou mais cedo a meteorologia vai ter de entrar nos eixos, o outono vai impôr-se sem meiguice, e os seus sinais não se vão ficar pela fruta e pelos legumes da época.

 

Enquanto esperamos, vamos celebrar este solzinho bom com um bolo invertido de figos, chocolate e vinho do Porto, combinado? 

 

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BOLO INVERTIDO DE FIGOS, CHOCOLATE E VINHO DO PORTO

(para um bolo pequeno - cerca de 8 fatias)

5 ou 6 figos médios
85 g de açúcar amarelo
45 ml de azeite extravirgem 
2 ovos
50 ml de vinho do Porto

90 g de farinha

1 colher de chá bem cheia de fermento em pó
80 g de pepitas de chocolate negro ou o equivalente em chocolate picado

Mel para pincelar

Pré-aqueça o forno nos 180º.
Unte uma forma redonda de 16 cm, forre o fundo com papel vegetal e unte também este.
Lave com cuidado os figos, seque-os e corte-os em fatias, descartando as pontas e as bases.
Forre o fundo da forma com as fatias de figo.
Numa taça, bata o açúcar com o azeite e junte os ovos.

Adicione o vinho do Porto e mexa bem.

Envolva a farinha e o fermento e, por último, junte o chocolate.
Verta na forma e leve ao forno cerca de 30 minutos ou até estar bem dourado e um palito sair seco do interior do bolo.
Deixe arrefecer um pouco e desenforme com cuidado para o prato de servir.
Retire o papel vegetal e deixe arrefecer completamente.

Aqueça um pouco de mel (para torná-lo mais líquido) e pincele o topo do bolo antes de servir.

 

MAIS BOLOS INVERTIDOS COM FRUTA:

 

24
Mai18

Bolo de banana, caramelo e chocolate [e a magia dos bolos bonitos]

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Há muito que não fazia um bolo alto, bonito, guloso. Normalmente faço-os para os aniversários da família, mas, ultimamente, ou não temos celebrado em casa ou outras pessoas têm ficado responsáveis pelo bolo da festa.

 

Já tinha saudades. Um bolo tem sempre algo de mágico. Símbolo de celebração, de gratidão, de mimo ou indulgência. E de desafio também. Há sobremesas vistosas, tentadoras e rebuscadas, mas o resultado final nunca me inquieta tanto como num bolo.

 

Fazer um bolo implica sempre um sentimento misto de excitação e ansiedade: será que untei bem a forma? Será que vai cozer por todo? E se fica seco? Será que vai desenformar bem e ficar perfeitinho? Depois vem a fase da escolha do prato, da decoração e dos detalhes, por mais simples que sejam. E apesar desta vez não haver nenhuma razão especial para fazer um bolo, ninguém a quem surpreender, soube-me bem olhar para o resultado final e ver que ficou tal como o tinha imaginado. Um orgulhinho bom, ainda que um pouco pateta: na verdade, é só um bolo!

 

Um bolo que comecei a magicar quando dei conta de que as bananas da fruteira estavam a ficar muito maduras (um dos sinais empíricos mais certeiros de que os dias estão mais quentes é as bananas amadurecerem a uma velocidade supersónica). Depois comecei a pensar nos sabores que tradicionalmente combinam com este fruto, como o chocolate, o caramelo, o coco... 

 

Para a massa peguei numa receita de cupcakes de caramelo do meu livro e decidi introduzir-lhe vários updates: a adição da banana e do chocolate negro, azeite em vez de manteiga, açúcar de coco em vez de açúcar normal... o recheio e a cobertura é uma mistura de mascarpone e crème fraîche adoçada apenas com o caramelo que sobrou de caramelizar as bananas, mas já explico tudo na receita.

 

Como quase todos os bolos - se não mesmo todos - este também fica melhor no dia seguinte, por isso façam-no e decorem-no de véspera, guardando-no frigorífico. Gostei tanto do aspeto final do bolo, entre o rústico e o sofisticado, que me custou imenso parti-lo. Mas valeu a pena espetar-lhe a faca: sei que sou suspeita, mas... ficou delicioso!

 

 

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BOLO DE BANANA, CARAMELO E CHOCOLATE COM RECHEIO DE MASCARPONE E BANANA CARAMELIZADA

 

Para a massa:

3 ovos caseiros

120 g de azeite extravirgem suave

1 banana madura esmagada

100 g de açúcar de coco

135 g de farinha sem fermento

1,5 colheres de chá de fermento em pó

50 g de chocolate negro picado grosseiramente

110 de açúcar de coco + água qb + 90 ml de leite morno (usei magro) - para fazer o molho de caramelo

 

Para o recheio e cobertura:

4 bananas maduras

1 fio de sumo de limão

1 colher de sobremesa de óleo de coco

2 colheres de sopa de açúcar de coco

1 ou 2 colheres de sopa de água

1 embalagem de mascarpone bem frio (250 g)

1 embalagem de crème fraîche ou natas p/ bater bem frias (200 g)

Lascas e raspas de chocolate e lascas de coco para decorar

 

Comece por preparar o caramelo para a massa dos bolos: leve o açúcar ao lume, junte um pouco de água, só para cobrir e ajudar a dissolver, e deixe caramelizar - o ideal é fazer isto num tachinho com tampa e deixar caramelizar tapado para manter a humidade; vá destapando e vigiando, sem mexer. Quando estiver a borbulhar e bem dourado, com cherinho a caramelo, retire do lume e junte com cuidado o leite morno, mexendo com um batedor de varas (vai borbulhar bastante, o tacho não deve ser muito baixo, para não se queimar).

 

Entretanto ligue o forno nos 180º e unte muito bem três formas de bolo redondas com 14 cm de diâmetro, forrando os fundos com papel vegetal e voltando a untar e a polvilhar com farinha (em alternativa, pode usar spray desmoldante).

 

Numa taça grande, bata o azeite com o açúcar e a banana esmagada. Junte os ovos, mexa bem e adicione a mistura de leite e caramelo. Envolva a farinha peneirada e o fermento. Por último, envolva o chocolate picado.

 

Divida pelas três formas e leve a cozer durante cerca de 30 minutos - vá vigiando e faça o teste do palito, para saber se estão cozidos. Passe uma faca pelas laterais das formas para soltar os bolos e desenforme sobre uma rede forrada com papel vegetal.

 

Para caramelizar as bananas, corte-as em rodelas e regue-as com um fio de limão para não oxidarem. Numa frigideira grande antiaderente, coloque o óleo de coco, o açúcar e um pouco de água, deixe derreter e caramelizar um pouco. Junte as rodelas de banana e deixe-as caramelizar, virando-as a meio do processo - a ideia é manterem-se inteiras. Retire as rodelas com cuidado, com um escorredor, para um prato forrado com papel vegetal e aproveite o líquido/caramelo que ficou na frigideira - deve obter cerca de 2 colheres de sopa bem cheias de caramelo líquido. Deixe arrefecer.

 

Para fazer as lascas de chocolate, derreta 30 g de chocolate negro em banho-maria e espalhe-o sobre papel vegetal, alisando com uma espátula. Leve ao frigorífico até endurecer.

 

Entretanto, bata o mascarpone com o crème fraîche ou as natas (que devem ter várias horas de frigorífico) num chantilly firme, sem açúcar. Quase no final, junte o caramelo que sobrou de caramelizar as bananas e volte a bater até estar bem ligado.

 

Para montar e decorar o bolo: coloque um dos bolos no prato de servir e espalhe uma boa camada do creme de mascarpone. Espalhe algumas rodelas de banana e coloque outro bolo em cima. Repita com uma camada de creme de mascarpone e outra de rodelas de banana. Coloque em cima o último bolo, faça uma camada generosa e relativamente uniforme com o creme de mascarpone e decore com mais algumas rodelas de banana, lascas de chocolate (parta o chocolate entretanto endurecido de forma irregular em pequenos estilhaços) e lascas de coco torrado.

 

Termine com raspas de chocolate feitas na hora (se não for para servir logo, pode deixar a decoração do topo para pouco tempo antes de servir - as raspas, sobretudo, faça-as e espalhe-as apenas antes de servir, para não serem absorvidas pelo creme).

 

Mais bolos de festa:

15
Mar18

Dos meus livros de cozinha favoritos [e a melhor receita de massa de brioche]

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Tenho um livro de cozinha, já com muitos anos, a cujas páginas regresso regularmente com prazer. E é curioso porque nem sequer é dos livros mais bonitos que tenho. Confesso que às vezes julgo os livros pela capa e pelo seu design interior, mas este é um livro muito simples e básico a esse nível, quase não tem imagens. Mas o seu conteúdo é um verdadeiro tesouro no que diz respeito a receitas de pão e derivados. É o Artisan Bread in 5 minutes a day, que parte do conceito da massa de pão que não é amassada, o famoso no-knead bread.

 

Já por várias vezes repliquei receitas do livro - estão linkadas no final do post -  e nunca saí desapontada. Mas a verdade é que nunca tinha experimentado as versões mais "adocicadas", como o brioche. E coloco "adocicadas" entre aspas, porque uma das coisas que me surpreendeu nesta receita é que não leva açúcar enquanto ingrediente, apenas uma pequena quantidade de mel.

 

De entre os meus guilty pleasures - sim, tenho vários, shame on me! - estão os pães de leite e croissants, que como só muito de vez em quando por razões óbvias. Sempre que me deparo com uma receita destas iguarias, encho-me de vontade de ir para a cozinha, mas quando acabo de ler todos os passos, fico desanimada e acabo por desistir. Esta semana, deu-me para tirar o livro da prateleira e, um pouco à sorte, fui parar à página da receita de brioche.

 

Mais uma vez, a receita não desiludiu. Pelo contrário, superou as minhas expectativas. E é tão simples, mas tão simples de fazer, que vai passar a clássico cá em casa, na hora de dar de lanchar - ou brunchar - à família e aos amigos.

 

A única coisa que a massa exige, e nem sequer é muito, é tempo de espera. Quase nada de trabalho manual, nada de amassar, nada de ganchos e batedeira, apenas 5 minutos a preparar e a misturar os ingredientes.

 

À semelhança das outras receitas do livro, depois das duas horas iniciais em que a massa fica a levedar à temperatura ambiente, guarda-se no frigorífico. Esta pode usar-se nos próximos cinco dias, uma massa de pão sem ovos, dura até 15 dias. Se preferir, pode depois do repouso inicial congelar a massa - aconselho que o faça em porções do tamanho de uma toranja - descongelando-a com antecedência no frigorífico quando for usá-la.

 

Quando quiser cozer, e partindo do princípio que tem a sua massa no frigorífico, só tem de retirar uma porção do recipiente, dar-lhe a forma pretendida e deixá-la levedar entre 1h30 a 2h30, dependendo da temperatura ambiente. 

 

Depois é só levar ao forno e voilá: brioche caseiro à sua mesa. Quem diz brioche, diz croissants, regueifa doce, rolinhos de canela ou até pão de hambúrguer: as possibilidades são infinitas! Como ainda tenho massa no frigorífico, nos próximos posts mostrarei outras formas de usar esta receita todo-o-terreno. Se por acaso experimentarem-na, digam-me como correu!

 

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MASSA DE BRIOCHE SEM AMASSAR - TRANÇA DE BRIOCHE COM CHOCOLATE

Ligeiramente adaptado do livro Artisan Bread in Five Minutes a Day

 

Massa base:

500 g de farinha de trigo 55 sem fermento

1 pacotinho de fermento Fermipan

185 ml de água morna

1 pitada de sal

4 ovos ligeiramente batidos

1/4 de chávena* de mel de rosmaninho (ou de um mel de sabor neutro)

180 g de manteiga derretida

 

*250 ml de capacidade

 

Para a trança de brioche com chocolate

1 porção do tamanho de uma toranja de massa de brioche

50 g de chocolate negro picado ou de pepitas de chocolate

Farinha para trabalhar a massa

Leite ou ovo batido para pincelar

Açúcar mascavado para polvilhar por cima (opcional)

 

Numa taça que tenha tampa, junte à água morna o fermento, o sal, os ovos, o mel e a manteiga derretida.

Junte a farinha aos poucos, com a ajuda de uma colher de metal.

Não mexa demasiado, só até a farinha estar toda incorporada.

Coloque a tampa do recipiente, mas sem fechar hermeticamente e reserve à temperatura ambiente durante duas horas.

A partir daqui, pode colocar toda a massa no frigorífico, mantendo o recipiente tapado (com a tampa apenas pousada e não fechado hermeticamente); congelar em porções, ou fazer logo um pão, como o que se segue.

 

Para a trança de brioche com chocolate (descrição atualizada!)

Polvilhe a superfície da massa reservada com farinha, para que seja mais fácil retirar uma porção com a dimensão aproximada de uma toranja.

Com as mãos enfarinhadas, dê-lhe a forma de uma bola, alisando a superfície e empurrando a massa para o fundo a toda a volta, rodando a massa.

Polvilhe com bastante farinha a superfície de trabalho e estique a massa num retângulo, pode ter que ir polvilhando para a massa não agarrar ao rolo. Corte em duas partes ao comprimento e divida o chocolate pelos dois pedaços de massa, deixando margens à volta. Enrole cada um dos retângulos, una-os em forma de trança dupla, una bem as pontas e coloque-a num tabuleiro forrado com papel vegetal e polvilhado com farinha.

Tape com um pano de cozinha e deixe levedar num local ameno até ficar com cerca do dobro do volume, o que deve demorar de 1h30 a 2h30.

Perto do final da levedura, ligue o forno nos 180º.

Pincele a trança com leite (eu polvilhei depois com açúcar mascavado mas concluí que se não o tivesse feito teria ficado ainda mais bonito, não acrescenta muito).

Leve ao forno durante cerca de 35 minutos, a uma altura média, acompanhado de uma panela ou tabuleiro com água a ferver, que deverá colocar na base do forno. Se achar que a trança está a dourar muito depressa, cubra com alumínio.

Retire do forno, deixe arrefecer um pouco e delicie-se!

 

Notas:

- Esta é uma adaptação da receita original para metade da dose, que pede, por exemplo, 8 ovos. Mesmo assim, rende bastante e uma dose como a que descrevo acima deve dar para, no mínimo, três pães como este.

- Normalmente as receitas de brioche pedem mais manteiga e açúcar, por isso acho esta receita bastante equilibrada: o adoçante é mel e a quantidade de manteiga, se pensarmos na quantidade de pães e porções individuais que uma dose destas permite fazer, é bastante comedida.

- Apesar das 2 horas iniciais para levedar, mais o tempo final de repouso, parecer muito, é muito menos do que as receitas de brioche tradicionais pedem: algumas chegam a pedir que a massa repouse 24 horas!

- O recipiente com água a ferver no forno não faz parte da receita original mas é o truque que eu costumo usar quando cozo pão, para garantir humidade e uma crosta deliciosa. Neste tipo de pão não é algo essencial, mas eu acho que ajudou a uma crosta mais saborosa.

 

Mais receitas de pão sem amassar:

01
Mar18

O coração da casa [e uma receita de pão de banana e chocolate]

cozinha-nova-final.JPG

cozinha-best_1.JPG

 

Há alguns anos, quando estávamos a vender a nossa primeira casa e à procura desta, um dos vendedores imobiliários com quem falámos disse-nos que a divisão que mais peso tinha na decisão dos compradores era a cozinha. Não sei se será mesmo assim, mas o certo é que este é um espaço com um papel central na nossa vida diária e onde passamos muito do nosso tempo, por muito pouco que gostemos ou possamos cozinhar.

 

No caso desta casa, a cozinha original não era nada de especial, mas tinha uma grande qualidade: a dimensão. Era uma cozinha grande, à semelhança de todas as divisões da casa, aliás, foram as áreas dos espaços e a localização central que nos levaram a escolher este apartamento. Uma cozinha ampla, para alguém que gosta de cozinhar e que coleciona loiça, tachos, e gadgets culinários diversos, faz toda a diferença.

 

Acontece que, de facto, a cozinha não era nada de especial. Não nos identificávamos com o chão, nem com a bancada, nem com os azulejos (que pintámos de branco logo no início), nem com os armários da cor da madeira que se deterioraram com alguma rapidez. Isto, a somar à fraca qualidade do verniz do soalho da casa, que na sala ficou num estado lastimoso em três tempos, fez com que aos poucos fôssemos pensando numa remodelação.

 

Começámos a pensar nisso a sério em 2016, com a ajuda de um arquiteto. As obras começaram em 2017 e, como contei aqui, só este fevereiro é que ficaram prontas, após cinco meses a viver noutra casa. Desde sempre que a nossa ideia passava por unificar de alguma maneira a sala e a cozinha, porque como gosto muito de cozinhar e de receber, sentia que quando tinha convidados em casa, a parede entre a sala e a cozinha prejudicava o convívio.

 

Não queríamos propriamente um open space - até porque havia pilares que não permitiam essa solução, mas depois de muitas horas de Pinterest, o conceito da parede envidraçada deixou-nos completamente apaixonados e foi a partir daqui que o arquiteto trabalhou e desenhou todos os elementos, desde as novas portas aos armários que fizemos na sala. E como queríamos mais luz - o corredor da entrada era forrado a madeira na sua cor natural (como as portas e os roupeiros de toda a casa) e acabava por tornar o ambiente um pouco escuro - quisemos que o branco passasse a ser a cor dominante.

 

cozinha-coracao-da-casa.jpg

 

Dizem que no fim de umas obras já se fazia tudo diferente, mas estranhamente (ainda) não sinto isso. Estou muito contente com o resultado, apesar de ainda ser necessário retificar alguns 'pormaiores' na pintura e ainda que faltem alguns detalhes de decoração, tanto na cozinha como na sala.

 

Agora tenho uma bancada de trabalho gigante - uma península, encostada ao painel envidraçado que separa a cozinha da sala - perfeita para esticar massa de pizza e para espalhar toda a parafernália que bolos e sobremesas mais sofisticados exijam. Mas ainda não é uma receita dessas, rebuscadas, que vos trago! Hoje é um apenas um simples pão de banana e chocolate, numa versão um pouco diferente das que já tinha aqui no blogue, e cujos links coloco no final do post.

 

Parte da farinha é de aveia, a gordura que leva é azeite e tem um topping crocante de chocolate e nozes. Uma delícia que distribuí por quatro formas pequenas, em vez de uma forma grande. Embrulhado em celofane e com um laçarote catita, é uma ótima opção para uma presente caseiro.

 

Deixo-vos com a receita, enquanto vou ali roubar uma fatia deste pão de banana e chocolate e derreto-me, uma vez mais, com a minha cozinha nova ❤️

 

Ah, para os mais curiosos: a cozinha é da empresa J.Dias (o tampo das bancadas é em Dekton, um material muito resistente ao calor, às manchas e aos riscos). O mosaico do chão é da Kerion e os azulejos são Primus vitória. Os eletrodomésticos são Siemens, todos da cozinha anterior: têm 12 anos e continuam impecáveis.

banana-bread-mini_5.JPG

 

banana-bread-mini_16.JPG

 

PÃO DE BANANA E CHOCOLATE COM TOPPING CROCANTE

Para 1 bolo grande ou 4 bolos mais pequenos

 

1 chávena de farinha de trigo sem fermento

1 chávena de farinha de aveia integral (moí flocos de aveia integral na Bimby)

1/4 de chávena de açúcar amarelo

1 colher de chá de fermento em pó

1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio

1 pitada de sal

70 g de chocolate negro

2 ovos L

2 bananas bem maduras

1/2 chávena de leite magro

1/4 de chávena de azeite

 

Para o topping crocante:

Uma mão cheia de nozes picadas

1/4 de chávena de açúcar amarelo

1 colher de sopa bem cheia de manteiga derretida

2 colheres de sopa de farinha ou flocos de aveia

30 g de chocolate negro

 

Ligue o forno nos 180º. Unte uma forma grande de bolo inglês ou quatro mais pequenas - se usar formas de cartão descartáveis não precisa de untar. As minhas tinham 19 cm de comprimento por 7 cm de largura.

Comece por preparar o topo crocante (o famoso streusel, para os anglo-americanos), misturando numa taça todos os ingredientes com os dedos, menos o chocolate, até obter uma espécie de areia. Pique 100 g de chocolate e junte a esta mistura cerca de 30 g, reservando o restante para a massa.

Noutra taça, desfaça as bananas e junte os restantes ingredientes líquidos. Noutra, junte todos os ingredientes  secos, à exceção do chocolate. Misture os secos, com cuidado, na mistura líquida e, por fim, envolva o restante chocolate picado.

Distribua pela(s) forma(s) e espalhe por cima o streusel. Leve a cozer entre cerca de 25 minutos (formas pequenas) e 45 minutos (forma grande). Vá espreitando e faça o teste do palito para se certificar de que está cozido.

 

Outros posts com receitas de banana bread:

21
Fev18

Home sweet home [e uma receita de cheesecake banoffee]

decor-sala-nova_1.JPG

 

Já me tinham avisado. Fazer obras pode ser um teste à tua sanidade mental. À tua resistência psicológica. À tua capacidade de relativizar as contrariedades.

 

A remodelação de parte do nosso apartamento obrigava-nos a sair de casa. Hall de entrada, sala, cozinha, lavandaria. Partes de parede para deixar abaixo, revestimentos de madeira para alterar, portas para substituir, armários para embutir, soalho para renovar. Cozinha nova do chão ao teto. Era impossível ficar em casa. Coisa para demorar dois meses, no máximo três. Palavra de empreiteiro.

 

Saímos no dia 6 de setembro, após esvaziarmos meia casa e enchermos os quartos de caixas e eletrodomésticos. Regressámos dia 11 de fevereiro.

Cinco meses depois.

Após várias datas adiadas.

Ainda com detalhes de pintura e carpintaria por terminar.

Com vários episódios caricatos pelo meio. Típico deste meio, dizem.

 

Tivemos a sorte de um irmão meu estar a viver perto de nós. Foi a solução mais prática. Apesar do espaço reduzido que iríamos ter e de outras limitações, os miúdos não precisavam de alterar (muito) as suas rotinas. E eu podia continuar a trabalhar a partir de minha casa, no escritório, apesar do pó.

 

Ao longo destes cinco meses houve altos e baixos. Alturas em que estava confiante de que as obras estavam a correr bem e a avançar e semanas em que não via uma única alteração e a única coisa que me apetecia fazer era bater com a cabeça na parede, depois de exaltadas discussões com o empreiteiro. Não passar o Natal em casa foi um momento crítico. Ver os miúdos começarem o segundo período sem as condições ideais de estudo e brincadeira foi complicado. Sobretudo para eles, que têm sido uns heróis. Uns bravos.

 

Até meados de dezembro ainda fui publicando no blogue. Mas a vontade foi diminuindo, fui desanimando. No final do ano decidi que só voltava a postar quando regressasse a casa. Quando tivesse de novo os meus tachos, as minhas loiças, o meu espaço. Sempre a pensar que seria em janeiro, mas os dias iam passando e havia sempre ‘encrencas’, para usar uma expressão do meu pai.

 

Nestes últimos meses dei por mim a pensar nas pessoas que deixam de ter casa – não temporariamente, não por vontade própria e por bons motivos, como eu – mas devido a catástrofes naturais ou a outras circunstâncias infelizes. Imagino o sofrimento que é. Lembrar-me dessas situações foi uma maneira de relativizar as pequenas chatices que estar fora de casa tanto tempo me trouxe.

 

A nossa casa, o nosso espaço, as nossas pequenas coisas: é incrível como esta é uma componente fundamental para o nosso equilíbrio. É algo que damos como adquirido e a sua falta deixa-nos desorientados. A sensação de que a nossa vida fica de alguma forma em suspenso. Não é bom.

 

Apesar deste desabafo, quero dizer-vos que, depois desta saga, e apesar dos percalços, estou muito feliz com a remodelação que fizemos. Com a nossa entrada, sala e cozinha novas. E por falar na cozinha, devo dizer que não tenho nada a apontar ao fabricante de cozinhas que escolhemos. A cozinha, no que respeita a armários e bancadas, foi feita por outra empresa, escolhida e encomendada diretamente por nós e não pelo empreiteiro. Cumpriram tudo e só não montaram a cozinha mais cedo porque o resto das obras estava atrasado. Pronto, reconheço: nem tudo correu mal. Só ainda não vos posso mostrá-la, porque houve uns percalços com os eletrodomésticos e as portas dos armários ainda não estão todas montadas.

 

Agora, com a cabeça ainda a digerir todo o processo das obras e da mudança - que deu uma trabalheira gigantesca - há que aproveitar ao máximo esta luz, este ambiente que tanto idealizámos. Uma atmosfera inspiradora para a nossa família e que espero de alguma forma conseguir transmitir-vos nos próximos posts. Prometo que vou tentar publicar receitas de forma mais regular e que vos vou mostrando alguns apontamentos da nova decoração.

 

receita-de-cheesecake-banoffee.JPG

 

Para assinalar este regresso, partilho uma receita de cheesecake de Jamie Oliver, que vem no seu livro Five Ingredients, prenda de natal de uma prima querida. A primeira receita preparada na cozinha nova. A primeira receita fotografada na “casa nova”.

 

Achei o ponto de partida para este cheesecake gelado genial: a tarte banoffee. E de sabor, está mais do que aprovada, no entanto fico com dúvidas sobre a sua textura, pois é muito difícil fazer com que todo o cheesecake 'descongele' de forma uniforme. Ou seja, quando as laterais começam a derreter, o interior ainda está sólido, notando-se alguns cristais de gelo. Talvez experimente um dia destes uma versão com gelatina e sem ir ao congelador. O seu sabor delicioso merece essa oportunidade.

 

Quanto à decoração de chocolate, eu bem tentei fazer lascas grandes e bonitas como se vê neste vídeo, mas não consegui, por isso, derreti o chocolate, espalhei-o sobre papel vegetal numa camada relativamente fina e levei ao frigorífico para endurecer. Depois, parti-o grosseiramente, espalhei-o pelo cheesecake e polvilhei com cacau em pó (e fiquei com vontade de decorar um bolo com estes pequenos estilhaços de chocolate!)

 

receita-de-cheesecake-banoffee_4.JPG

 

CHEESECAKE BANOFFEE GELADO

Ligeiramente adaptado do livro ‘Five Ingredients’, de Jamie Oliver

 

150 g de chocolate negro

300 g de bolachas de aveia

7 bananas maduras

225 g de leite condensado cozido

500 g de queijo-creme light

Azeite extravirgem qb*

Cacau em pó para polvilhar*

 

Derreta 50 g do chocolate em banho-maria. Pique muito grosseiramente as bolachas num robot de cozinha com duas colheres de sopa de azeite. Adicione o chocolate derretido e pique mais uma vez. Forre o fundo de uma forma de fundo amovível com esta mistura, pressionando bem com os dedos.

Descasque as bananas e coloque-as juntamente com o leite condensado cozido e o queijo-creme no robot de cozinha. Triture tudo até obter um creme macio e homogéneo. Verta sobre a forma, alise e leve ao congelador.

Passe a forma para o frigorífico umas duas horas antes de servir, ou deixe-a à temperatura ambiente para um processo mais rápido.

Derreta o restante chocolate em banho-maria e verta-o sobre papel vegetal, espalhando e alisando com uma espátula até obter uma camada de chocolate uniforme. Leve ao frigorífico para endurecer.

Desenforme o cheesecake para o prato de servir. Parta o chocolate endurecido em pedaços irregulares e espalhe-os por cima do cheesecake. Termine com cacau em pó.

 

*Neste livro, o azeite é considerado um ingrediente básico, pelo que não entra para a soma dos "5 ingredientes". Já o cacau, foi um acrescento meu.

 

Mais receitas com chocolate:

09
Ago17

Saboreia a vida [Cheesecake de caramelo, chocolate e coco]

cheesecake_nestle_14.jpg

cheesecake_nestle_mix1.jpg

 

Na minha família celebram-se sempre os aniversários. No caso dos miúdos, a festa é alargada e chegamos a ser quase quarenta cá em casa. No meu caso e no do Gonçalo, nem sempre fazemos algo tão grande, mas há pelo menos um almoço com pais, irmãos e sobrinhos.

 

Nestas alturas, e apesar de gostar muito de cozinhar, escolho sempre receitas que respeitem três critérios: serem fáceis e rápidas de confecionar, renderem bastante e serem consensuais, ou seja, que os sabores agradem ao maior número de pessoas possível.

 

Desafiada pela Nestlé para desenvolver uma receita com o seu Leite Condensado Cozido Magro, no âmbito do seu conceito #saboreiavida, aproveitei o mais recente aniversário da família para fazer um cheesecake que já andava na minha cabeça há muito tempo. A ideia era juntar chocolate ao sabor caramelizado do leite condensado e dar-lhe ainda o toque subtil do coco: três sabores que julgo combinar e agradar à maioria.

 

Quando a Nestlé me enviou o produto, não resisti e abri logo uma lata, pois nunca tinha provado o leite condensado magro. Surpreendentemente, não notei nenhuma diferença no sabor, é igualmente delicioso!

 

No entanto, a primeira versão que fiz não me convenceu: para além de queijo quark, usei iogurte natural, mas os iogurtes deixaram uma acidez na sobremesa que para mim não combinava com o caramelo do leite condensado. Experimentei então usar queijo mascarpone. E não é que ficou perfeito?

 

Uma receita que cumpriu de forma exemplar os requisitos para entrar na minha lista de sobremesas para festa ou, simplesmente, para um “dia doce”: para além de ser muito prática (é preparada com antecedência, o que me deixa livre para fazer outras coisas mais próximo do grande momento), rende muitas fatias e, last but not least, tem um ótimo sabor e uma textura maravilhosa.

 

Na próxima festa ou convívio que tiverem, experimentem servir este cheesecake de caramelo, chocolate e coco. Tenho a certeza de que também aí em casa vai ser um sucesso!

cheesecake_nestle_2.jpg

 

cheesecake_nestle_10.jpg

 

CHEESECAKE DE CARAMELO, CHOCOLATE E COCO

 

240 g de bolacha Maria integral

130 g de manteiga derretida

2 colheres de sopa de coco ralado

1 lata de Leite Condensado Cozido da Nestlé

500 g de queijo Mascarpone

250 g de queijo Quark

5 folhas de gelatina

1 pitada de sal

40 g de chocolate negro

Leite q.b.

Raspas de chocolate negro e lascas de coco para decorar/servir

  

Comece por preparar a base de bolacha: pique grosseiramente as bolachas, junte-lhes a manteiga derretida e o coco ralado e envolva bem.

Forre com esta mistura o fundo de uma forma redonda de fundo amovível com cerca de 26 cm de diâmetro (se usar uma forma mais pequena, pode reduzir um pouco as quantidades da base de bolacha).

Coloque a gelatina a hidratar num prato fundo com água.

Com a batedeira elétrica, bata bem o leite condensado cozido. Junte os queijos e bata bem até obter uma mistura uniforme e macia.

Junte uma pitada de sal e, por fim, a gelatina entretanto escorrida e derretida. Misture bem.

Verta para a forma e alise com uma espátula.

Parta o chocolate aos pedaços e leve a derreter numa tacinha no micro-ondas com cerca de 2 colheres de sopa de leite. Mexa bem e se achar que está muito espesso junte mais um pouco de leite.

Verta o chocolate de forma livre no topo do cheesecake – use um palito para espalhar o chocolate e dar-lhe umas formas irregulares.

Tape a forma com película aderente ou papel de alumínio e leve ao frio, idealmente de um dia para o outro. Retire do frio imediatamente antes de servir.

Pode decorar o cheesecake, ou cada fatia, com raspas de chocolate e lascas de coco.

 

 

Post em parceria com a Nestlé

 

01
Jun17

Olá criançada! [Bolo de chocolate e grão-de-bico, sem farinha nem manteiga]

bolo de chocolate e grao de bico sem farinha e sem manteiga

 

Gosto do Dia Mundial da Criança. Mesmo que não me lembre desta ter sido uma data festejada de forma efusiva em minha casa ou até na escola, quando era mais nova. Nunca tive presentes dos meus pais neste dia - pensando bem, talvez tivesse direito a um gelado - e não me lembro de grandes privilégios nesse dia na escola, mas talvez fosse o dia do passeio anual, pois a minha memória é algo em que eu própria tenho dificuldade em confiar.

 

Desde que fui mãe, o Dia da Criança ganhou um colorido especial, ainda que os meus filhos também não recebam presentes (pelo menos dos pais, que os avós e a nossa querida C. são pessoas para os mimar ao de leve). Quando muito faço-lhes um bolo ou uns queques decorados, mas na escola há sempre muitas atividades e se o mais velho já não liga, está no 6º ano, o mais novo vem sempre feliz e suado de tanto pular.

 

A receita desta ano é um bolo de chocolate perfeito para a criançada, pois é bem mais saudável do que a maioria das receitas de bolo de chocolate: não leva farinha nem manteiga e é feito com grão-de-bico. Original, não acham? Não sei se acontece o mesmo convosco, mas quando me falam bem de uma receita ou de uma receita fora do comum, as minhas antenas ficam automaticamente sintonizadas e passo logo para o modo 'pedincha-receitas', não descansando enquanto não a conseguir.

 

Foi o que se passou há uns dias, quando em conversa com a mãe de um colega do meu mais novo, ela me falou do bolo que o filho tinha levado para a venda de bolos da escola, no âmbito da angariação de fundos para a viagem de final de ano. "Bolo de chocolate que leva grão-de-bico? Sem farinha? Sem manteiga? E os miúdos adoram? Mmmmm, parece-me interessante! Podes arranjar-me a receita?".

 

A resposta foi um simpático "sim" e eu, que não gosto de guardar as coisas boas só para mim, resolvi partilhá-la hoje, Dia Mundial da Criança, relembrando que diversos estudos mostram que há cada vez mais crianças com excesso de peso no nosso país (na verdade, nem eram precisos estudos, basta andar atento na rua). Uma realidade que temos de conseguir inverter urgentemente, para bem delas e de todos nós.

 

É verdade que há dias especiais e que proibir não leva a lado nenhum, devendo nós, pais e educadores, sermos os primeiros a dar o exemplo, no dia a dia, com opções alimentares conscientes e a prática de exercício físico. Mas mesmo nestas datas de festa, se pudermos ter opções mais saudáveis e que as crianças apreciem, todos ficamos a ganhar. Cá em casa, o bolo foi um sucesso. Espero que na vossa também!

bolo de chocolate sem farinha nem manteiga

 

bolo de chocolate saudavel

bolo chocolate grao de bico sem manteiga

 
BOLO DE CHOCOLATE E GRÃO-DE-BICO [SEM FARINHA E SEM MANTEIGA]
 
1 frasco de grão-de-bico cozido e escorrido (cerca de 400 g)
4 ovos L
120 g de açúcar amarelo ou mascavado
200 g de chocolate de culinária
1 colher de chá de fermento
 
Para a cobertura:
100 g de chocolate de culinária
4 ou 5 colheres de sopa de leite
Sprinkles coloridos
 
 
Pré-aqueça o forno nos 170º/função ventoinha (se não tiver ventilação, pré-aqueça nos 180º).
Unte muito bem uma forma - eu usei uma forma de bundt, mas pode usar outra, tendo o cuidado de ajustar o tempo de cozedura: se for mais larga e mais baixa, cozerá em menos tempo.
Derreta o chocolate em banho-maria.
No liquidificador ou robot de cozinha, triture o grão-de-bico com os ovos e o açúcar.
Junte o chocolate derretido, mexa bem e, por fim, envolva o fermento. Verta para a forma e leve a cozer durante cerca de 45 minutos (no caso de usar uma forma do género da que eu usei). Use um palito para confirmar a cozedura: se sair seco ou apenas com umas migalhas secas agarradas, está pronto. Desenforme com cuidado e deixe arrefecer.
 
Para a cobertura, leve a derreter o chocolate com o leite. Mexa bem. Se achar que está um pouco espesso, junte mais um fio de leite. Cubra o bolo a gosto e termine com os sprinkles coloridos.
 
 
Outras receitas giras para os mais novos:
 
Queques simples
Panquecas
Caixinhas de pão com tomate e ovo
Gratinado de pescada e couve-flor
Geladinhos de caramelo
Geladinhos de iogurte stracciatella
Bolo de Oreo
 
  

Teresa Rebelo

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