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Lume Brando

11
Jul19

Bolo denso de chocolate e doce de leite [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #1]

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Bem-vindos ao primeiro post da nova rubrica do Lume Brando "Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes"! Todas as semanas, com o apoio da Bertrand Livreiros, irei apresentar um livro de cozinha e uma receita desse mesmo livro.

 

A escolha será sempre um pouco aleatória, de entre os inúmeros livros de cozinha disponíveis na livraria Bertrand online. Às vezes irei escolhê-los pela capa (como foi o caso deste primeiro!), outras vezes pelo tema ou pelas fotos maravilhosas, por ser de um autor que admiro ou por ter ouvido falar muito do livro. Enfim: não há regras, apenas a vontade enorme de folhear, cozinhar e partilhar convosco o meu feedback sobre alguns [dos imensos!] livros de culinária que temos à nossa disposição. Vamos a isso?

 

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DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #1

"Bolos de Luxo" - Frida Skattberg - ArtePlural Edições

 

Quem consegue resistir ao bolo merengado de limão na capa? Eu não! 

Mas neste livro não é só a foto de capa que é bonita. Todas as receitas surgem acompanhadas de imagem e é uma imagem cuidada, a combinar com o design gráfico do livro.

 

Os protagonistas do livro são bolos "densos", nas palavras da autora, Frida Skattberg, uma food blogger sueca com mais de 132 mil seguidores no Instagram. Em termos de sabores, o destaque vai claramente para o chocolate: à exceção de um ou dois bolos, são todos de ou com chocolate, nem que seja na decoração.

 

Apesar de, na capa, o subtítulo nos dizer "3 receitas de base - mais de 70 bolos", a verdade é que as três receitas "base" (1 bolo de chocolate branco, 1 bolo de chocolate de leite e 1 bolo de chocolate negro) só são requisitadas em 5 receitas... é um pouco estranho, porque somos levados a crer que os 70 bolos partiriam sempre de uma destas três receitas. No entanto, não me parece que isto desvalorize o livro, na verdade, ficamos com um portfólio de receitas ainda maior.

 

Outro aspeto para o qual vos queria alertar prende-se com a forma como as quantidades de alguns ingredientes secos, nomeadamente a farinha e o açúcar, estão apresentadas: em dl - sim, leram bem, decilitros! Ora bem, quando comecei a ler as receitas pela primeira vez fiquei à toa. 2,5 dl de açúcar? Como assim? Decidi ir ao site da autora, mas este está apenas em sueco e mesmo traduzindo-o de forma automática, não cheguei a grandes revelações. Da primeira vez que experimentei esta receita, fiz uma conversão um pouco idiota: imaginei que se fosse água, 2,5 dl seriam 250 ml ou 250 g. Apesar da relação peso vs volume serem diferentes, sendo água ou açúcar ou outro ingrediente, segui aquela correspondência e usei, para dar um exemplo, 250 g de açúcar... o bolo ficou bom, mas havia algo que não batia certo, até porque as quantidades me pareciam exageradas.

 

Fui ao google novamente. Desta vez pesquisei em inglês sobre medidas suecas para pastelaria. E fez-se luz: os suecos usam como medidas umas colheres/chávenas que estão marcadas em dl (estão a ver este conjunto de medidores do IKEA? Por acaso estes estão em ml, mas as capacidades seguem a tradição sueca, com a maior a corresponder a 100 ml, ou seja, 1 dl). Assim, como na Suécia essas colheres são a forma habitual de medir os ingredientes, referem as quantidades de acordo com o que a colher "marcar". Era como se nas receitas em que usamos a medição por chávenas (sistema inglês e americano), em vez de dizermos 1 chávena de açúcar, disséssemos 240 ml de açúcar. Confuso, não é?

 

Muito confuso para a nossa cultura culinária e na tradução do livro deveriam ter tido isso em conta, optando por fazer a correspondente conversão para gramas. Para ajudar, e no caso de terem ou quererem comprar este livro e terem ficado assustados, fica aqui uma curta tabela de conversões:

Farinha: 1 dl = 60 g

Açúcar / Açúcar em pó: 1 dl = 80 g

Cacau: 1 dl = 30 g

 

Estes são os ingredientes que as receitas mais vezes pedem; para outros ingredientes que surjam, sugiro que usem como medida um recipiente que tenha a capacidade solicitada (os medidores do IKEA são o ideal).

 

Depois de esclarecida, voltei a fazer o bolo com as quantidades certas. E desta vez ficou mesmo delicioso! 

 

Resumindo: é um livro guloso, repleto de receitas de bolo tentadoras e originais e fotos muito bonitas. Não são bolos para fazer todos os dias (são receitas calóricas, com ingredientes tradicionais), mas são bolos para surpreender alguém que gostamos ou para tornar ainda mais especial uma festa ou celebração.

Podem saber mais sobre o livro aqui: Bolos de Luxo, de Frida Skattberg

 

Vamos à receita?

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BOLO DENSO DE CHOCOLATE E DOCE DE LEITE

[do livro "Bolos de Luxo" - Frida Skattberg]

 

200 g de manteiga

100 g de chocolate negro

120 g de açúcar

15 g de cacau em pó

3 ovos

150 g de farinha sem fermento

180 g de leite condensado cozido

1 colher de sopa de sal marinho (usei flor de sal qb)

 

Ligue o forno nos 180º.

Unte uma forma redonda de aro amovível com cerca de 20 cm de diâmetro (usei de 22 cm e ficou bem, mas se tiver mais diâmetro, o bolo irá ficar demasiado baixo).

Numa panela grande, leve a derreter o chocolate com a manteiga em lume brando. Mexa bem até ficar bem misturado e fluído.

Retire do lume e incorpore o açúcar e o cacau.

Junte os ovos, um a um - a massa vai espessar, é normal.

Por fim, envolva a farinha.

Verta para a forma, alise, e espalhe o leite condensado cozido - use um palito para espalhar e fazer as cornucópias. Polvilhe com o sal (da segunda vez que fiz o bolo, omiti esta parte e apenas adicionei o sal antes de servir; aconselho: assim o sal não derrete e o bolo fica mais bonito no final)

Leve ao forno cerca de 20-25 minutos - vá espreitando. Neste bolo, não vale a pena fazer o teste do palito, pois a ideia é que saia do forno com o centro ainda pouco firme.

Deixe arrefecer e leve ao frigorífico umas três horas antes de servir.

Antes de servir, caso ainda não o tenha feito, polvilhe com sal marinho grosso ou flor de sal.

 

08
Jul19

Fruta da época [receita de galette-crumble de ameixa]

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Verão tímido este. Será que o facto do tempo andar menos soalheiro e quente do que é habitual para esta altura, tem relação com a qualidade das ameixas deste ano?

 

De facto, o problema não é a quantidade. No quintal dos meus pais, as ameixoeiras [pela minha pesquisa também se pode dizer "ameixeiras" ou "ameixieiras"] mostraram-se, nos últimos dias, carregadíssimas de fruta. Tanto que um dos ramos até se partiu, devido ao peso. Mas as ameixas são pequeninas e o sabor e a textura estão um pouco distantes da maravilha de outras colheitas.

 

O prazer de comê-las à dentada fica assim um pouco comprometido, mas aqui em casa nada se perde. Em breve irei fazer doce - tenho uma receita de doce de ameixa aqui no blog - mas entretanto já comecei a escoá-las através desta tarte rústica. Indecisa entre fazer uma galette - o meu tipo favorito de tarte - ou um crumble, resolvi fazer os dois!

 

Suculenta e vibrante, atinge o auge acompanhada por uma bola de gelado...

 

[Escrevo este post quando já não tenho nem uma migalha desta coisa boa, por isso, passemos rápido à receita, para poder afastar-me destas imagens 🤪!]

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GALETTE - CRUMBLE DE AMEIXA

 

Para a massa:

120 g de farinha de espelta integral

30 g de farinha T55 sem fermento

50 g de manteiga fria partida em pedaços

1 colher de chá de açúcar amarelo

1 ovo pequeno

Leite para pincelar o rebordo antes de ir ao forno

 

Para o recheio:

800 g de ameixas

1,5 colheres de sopa de farinha

3 colheres de sopa de açúcar amarelo - ou a gosto

 

Para o crumble:

65 g de farinha T55 sem fermento

35 g de manteiga fria

40 g de açúcar

 

Começar por fazer a massa. Colocar todos os ingredientes numa taça grande e amassar com as pontas dos dedos até obter uma massa moldável. Formar uma bola achatada, envolver em película aderente e levar a frigorífico durante cerca de 30 minutos.

Lavar e descaroçar as ameixas (não descasquei). As minhas eram tão pequenas que não senti necessidade de partir em pedaços - quando muito parti a meio. Juntar o açúcar e a farinha e envolver bem.

Para o crumble, colocar todos os ingredientes numa taça e misturá-los com a ponta dos dedos até obter uma areia grossa. Reservar.

Ligar o forno nos 170º.

Retirar a massa do frio, esticar sobre uma superfície enfarinhada e dar-lhe uma forma arredondada.

Transferir a base de massa para um tabuleiro de forno forrado com papel vegetal.

Espalhar a fruta pela base de massa, deixando um rebordo livre com cerca de 2,5 cm a toda a volta. Dobrar o rebordo de forma a "fechar" a galette.

Espalhar o crumble por cima da fruta e pincelar o rebordo da galette com leite.

Levar ao forno durante cerca de 1 hora/ 1hora e 10 m ou até a massa estar bem dourada e firme e a fruta a borbulhar e a largar sumo.

 

MAIS RECEITAS DE GALETTE:

 

 

19
Jun19

Curso online de fotografia de comida: o meu feedback [e um bolo delicioso]

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Se só vieram por causa da receita do bolo, é melhor fazerem scroll e apanhá-la ali em baixo. Mas se gostam de fotografia de comida tanto como eu, o que conto já a seguir talvez seja do vosso interesse ;)

 

Já aqui tinha falado, e quem me segue no Instagram tem acompanhado, que este ano decidi fazer um curso online de fotografia de comida e food styling. No final de 2018, descobri o blog The Little Plantation e comecei a seguir a sua autora, Kimberly Espinel, no Instagram e no Facebook. Apesar de eu ligar cada vez menos ao Facebook, é aqui que a Kimberly, que vive em Londres, dinamiza um grupo fechado, reunindo uma simpática comunidade à volta dos temas de food photography e food styling e de tópicos complementares, tais como dicas para crescer no Instagram, como cobrar um trabalho de fotografia, etc.

 

Gosto muito do trabalho consistente da Kimberly e da forma simpática, generosa e entusiástica com que partilha as suas ideias e o seu conhecimento sobre esta área. Quando me apercebi que ministrava cursos online, pedi mais informações e não demorei muito a inscrever-me. Sei que há muitos outros bloggers e fotógrafos a disponibilizar cursos online de fotografia de comida, mas sinceramente não pesquisei nem fiz comparativos. Gostei da abordagem da Kimberly, o preço pareceu-me razoável, estava decidido.

 

O curso está estruturado em 5 aulas + 1 aula opcional sobre Instagram. Os temas vão desde técnica fotográfica à composição e ao food styling, passando pela teoria da cor e pela edição em Lightroom (foi a minha aula favorita) e o mais interessante é que as aulas são "presenciais": através da app Zoom (tipo Skype), vemos e falamos com a Kimberly podendo ainda interagir com os outros alunos. Recebemos com antecedência o plano de cada aula, com a "teoria", e depois na aula a Kimberly fala mais detalhadamente sobre esses conteúdos e responde às nossas questões. Há trabalhos de casa e um trabalho maior, final, que é discutido depois numa sessão individual, sendo-nos dado bastante tempo para concretizar o projeto.

 

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As fotos deste post fazem parte desse "final assignment". Fazer o curso foi uma decisão acertada, uma experiência fantástica, que recomendo. Obrigou-me a fotografar coisas diferentes, de ângulos diferentes. Obrigou-me a praticar. Nunca foi tão fácil como hoje aprendermos o que quer que seja sozinhos. Há artigos, vídeos, tutoriais... não faltam recursos grátis na internet para aprender a fotografar melhor, mas eu adoro aprender com pessoas, gosto da interação direta, é mais enriquecedor. Ficamos mais comprometidos, dedicamo-nos mais. Fosse eu rica e inscrevia-me já noutro curso.

 

Voltando ao trabalho final, cada aluno teve de começar por apresentar um mood board (fiz o meu no Pinterest, podem vê-lo aqui.), este devia contemplar diferentes ângulos (de frente, de cima, 3/4) e imagens ao alto e ao baixo. Depois de feita a sessão, guiada pelo tal mood board, e editadas as fotos, selecionei as que queria apresentar à Kimberly, enviei-as e, na já referida sessão 1-2-1, falámos sobre elas, sobre as dificuldades e dúvidas que tive, e recebi o seu feedback sincero, que incluiu tanto elogios como várias críticas construtivas. Estas fotos ainda não estão no nível que eu gostaria, mas se olhar para imagens minhas antigas (e não é preciso recuar muito no tempo), sinto que tenho evoluído e isso deixa-me mais confiante.

 

Escolhi um bolo para "estrela" do projeto final, porque é das coisas que mais gosto de cozinhar e fotografar e é o tipo de receita que as pessoas mais associam ao Lume Brando. Um bolo de iogurte e limão, recheado e coberto com um creme de mascarpone, natas e framboesas. Espero que não só gostem das fotografias, como da receita, que partilho mais abaixo.

 

E se quiserem saber mais sobre fotografia de comida, food styling, food blogging, redes sociais, criatividade e outros tópicos associados, não deixem de ouvir o podcast da Kimberly, chamado Eat Capture Share, já com duas temporadas. Eat Capture Share é também o nome da sua comunidade no Facebook e a hashtag #EatCaptureShare é a que une as participações nos interessantes desafios de fotografia que costuma organizar no Instagram.

 

Vamos ao bolo?

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BOLO DE IOGURTE E LIMÃO COM COBERTURA E RECHEIO DE MASCARPONE E FRAMBOESAS

 

Para o bolo:

1 iogurte grego natural

130 g de açúcar amarelo

3 ovos

80 g de azeite extravirgem

Raspa e sumo de 1/2 limão

150 g de farinha peneirada

1 colher de sopa de fermento em pó

1 pitada de sal

 

Para a calda:

Sumo de dois limões

Açúcar amarelo a gosto

 

Para o recheio e cobertura:

2 embalagens de queijo mascarpone (deve estar bem frio)

1 embalagem de natas (devem estar bem frias - mínimo 12 horas no frigorífico)

Coulis de framboesa qb*

Cerca de 2 colheres de sopa de açúcar ou a gosto

Framboesas frescas  - cerca de 250 g

 

Untar bem e forrar o fundo de duas formas com 14 ou 16 cm de diâmetro com papel vegetal. Voltar a untar com manteiga/polvilhar com farinha.

Ligar o forno nos 180º

Separar as gemas das claras. Bater estas em castelo, com uma pitada de sal.

Juntar às gemas o açúcar e bater bem. Adicionar o iogurte, o azeite, o sumo e a raspa de limão. Mexer bem. Envolver as claras em castelo e, por fim, envolver a farinha e o fermento peneirados (eu costumo peneirar diretamente para a massa do bolo, ao mesmo tempo que vou envolvendo).

Dividir pelas formas e levar ao forno durante cerca de 25-30 minutos - vigiar e fazer o teste do palito para confirmar que estão cozidos.

Desenformar os bolos sobre uma rede forrada com papel vegetal e deixar arrefecer.

Para preparar o creme do recheio e cobertura, bater com a batedeira elétrica as natas, o mascarpone e o açúcar, até estar bem uniforme e macio. A meio do processo, juntar um pouco de sumo de limão, que ajudará a tornar o creme mais firme. Por fim, ir juntando umas colheres de sobremesa de coulis e continuar a bater, até atingir o tom de rosa pretendido e provando para ver se necessita de adoçar mais (eu acho que o mascarpone não pede muito açúcar, mas o ideal é provarem e ajustarem ao vosso gosto). O coulis que sobrar, podem servir depois com o bolo.

Entretanto fazer a calda com o sumo de limão e o açúcar. Deixar borbulhar lentamente até atingir um ponto fraco.

Colocar um dos bolos no prato de servir, picá-lo com um palito e regar com metade da calda. Colocar uma camada de creme de mascarpone e framboesa, espalhar algumas framboesas e tapá-las com mais creme, reservando framboesas para a decoração final. Colocar o outro bolo por cima. Picar e regar com a restante calda. Cubrir o bolo com o creme e acabar de decorá-lo ao vosso gosto. O bolo fica melhor no dia seguinte, por isso, o ideal é fazê-lo de véspera e guardá-lo no frigorífico.

 

*Leve ao lume cerca de 200 g de framboesas congeladas. Deixe cozinhar bem até ficarem desfeitas e largarem todo o sumo, deixando este reduzir um pouco. Passe por um coador, descarte as grainhas e reserve o coulis, que para esta receita deve ser usado frio.

 

MAIS RECEITAS DE BOLOS DE FESTA:

Bolo de banana, caramelo e chocolate

Bolo anjo de limão

Bolo de abóbora e especiarias

Bolo de chocolate e grão-de-bico

Bolo de chocolate e amêndoa

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Bolo de cenoura e noz com cobertura de queijo-creme

Dobos Torte simplificado

 

24
Mai19

Galette de ruibarbo e maçã [ruibarbo: fruta ou legume?]

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Se perguntar à minha mãe se conhece ou já ouviu falar em ruibarbo, a resposta vai ser um não convicto, acompanhado daquele franzir de testa involuntário de quem reage a algo que lhe soa estranho. Julgo que, de uma forma geral, será assim com todas as mães, pais e avós da geração dos meus. Ou pelo menos aqui no norte, onde não se conhece qualquer tradição no cultivo deste legume, que por ser bastante ácido é mais usado em sobremesas do que em salgados.

Sim, o ruibarbo é um legume, originário da Ásia, muito utilizado para fins medicinais, destacando-se a sua riqueza vitamínica. Uma outra utilização comum é em chá, indicado para auxiliar a digestão.

Eu própria só há uns anos é que descobri o ruibarbo, ao ver receitas em livros e revistas estrangeiras que o incluíam. Por isso, não imaginam como fiquei feliz assim que o pude cozinhar pela primeira vez, quando a querida Naida Folgado*, do blog Frango do Campo, me ofereceu uns caules, da sua horta, e com os quais fiz este bolo (caso cliquem, peço desculpas pelo aspeto do post, é muito antigo e não consigo editá-lo).

Das mesmas mãos generosas, chegou-me nova remessa de ruibarbo no fim de semana que passou. Desta vez, experimentei fazer uma galette, o meu tipo de tarte favorito. E ficou tão boa! Combinado com a dose certa de açúcar, o ruibarbo oferece-nos um delicioso travo agridoce e a sua textura macia, após a cozedura, contrasta muito bem com o crocante da massa (a massa que usei aqui é uma receita que faço algumas vezes, com uma ou outra alteração; desta vez ficou ainda mais estaladiça, porque lhe juntei um pouco de farinha de polenta bergamasca.

Sei que não é fácil encontrar ruibarbo (ou então é muito caro), mas se tiverem a oportunidade de poder cozinhá-lo e prová-lo, aproveitem-na! Ah, e não se esqueçam de que as folhas têm de ser descartadas: com elevados índices de ácido oxálico, as folhas são tóxicas e podem mesmo matar se consumidas em grandes quantidades.

*Sabiam que a Naida tem um site novo, dedicado aos seus serviços de food photography e food styling? Espreitem! E se puderem, não percam o seu workshop do dia 2 de junho em Espinho, no bonito espaço Humor ao Lume.

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GALETTE DE RUIBARBO E MAÇÃ

Para a massa:

120 g de farinha s/ fermento

40 g de farinha de milho para polenta (não instantânea) ou sêmola de milho

50 g de manteiga fria partida em pedaços

1 colher de chá de açúcar amarelo + 1 pouco para polvilhar

1 ovo pequeno

Ovo batido para pincelar

 

Para o recheio:

450 g de caules de ruibarbo, limpos e partidos em cubos

150 g de maçã descascada e partida em cubos

3-4 colheres de sopa de açúcar amarelo

2 colheres de sopa de farinha sem fermento

Sumo de 1 laranja

Opcional: açúcar em pó para polvilhar antes de servir

 

Comece por fazer a massa: coloque todos os ingredientes numa taça grande e amasse com as pontas dos dedos até obter uma massa moldável (se achar que está muito dura ou pouco ligada pode juntar umas gotas de água fria). Forme uma bola achatada, envolva em película aderente e leve a frigorífico durante cerca de 30 minutos.

Numa taça, junte o ruibarbo, a maçã, o açúcar, e o sumo de laranja. Envolva bem e deixe "marinar" enquanto a massa está no frigorífico.

Entretanto ligue o forno nos 170º.

Estenda e estique a massa numa superfície enfarinhada dando-lhe uma forma arredondada.

Escorra e descarte o líquido que se tiver formado na taça do ruibarbo, junte 2 colheres de sopa rasas de farinha na taça e envolva bem o ruibarbo e a maçã.

Verta a mistura de ruibarbo e maçã no centro da massa, espalhando-a para os lados mas mantendo livre a toda a volta uma borda com cerca de 3 cm. Dobre essa borda para cima, para fechar a galette, fazendo umas "pregas" a toda a volta, para a massa assentar e colar melhor. Pincele o rebordo com ovo batido e polvilhe com açúcar amarelo. Leve ao forno entre 1h a 1h e 10 minutos ou até a massa estar bem firme e bem dourada.

 

MAIS RECEITAS DE GALETTE:

04
Mai19

Profiteroles com recheio de limão e cobertura de chocolate branco [para o Dia da Mãe]

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Amanhã é o Dia da Mãe. Como acontece há já vários anos, o almoço será cá em casa, com as nossas mães e irmãos. 

 

Somos uns felizardos por ainda podermos juntar todos à mesa, sendo que a pessoa mais velha - o meu pai - já fez 80 anos este ano.

 

Gosto muito deste dia. Sendo eu mãe, poderia querer celebrá-lo de outra forma, indo almoçar fora, por exemplo, para não ter trabalho. Mas para mim faz mais sentido assim. Gosto de preparar uma mesa bonita, ter ser sempre jarras com flores naturais, apresentar uma sobremesa especial. Uma forma de mimar as mães da minha vida, que ainda hoje nos recebem mais vezes do que as vezes que as recebemos a elas.

 

Normalmente é a partir do Dia da Mãe que a primavera se instala definitivamente cá em casa. O bom tempo que costuma fazer-se sentir já não volta atrás (pelo menos já não voltamos aos casacos grossos), há uma energia boa no ar e na rua ouvem-se as vozes alegres de universitários trajados a caminho da Queima. Maio é um mês que começa bem e que segue em festa, com vários aniversários na família. E não há nada melhor do que ter motivos para celebrar.

 

Para o almoço de amanhã, pensei em fazer uns profiteroles mimosos, recheados com creme de lemon curd e mascarpone e uma cobertura simples de chocolate branco. Uma experiência que tinha tudo para dar certo e as expectativas confirmaram-se: combinação deliciosa (pelo menos para os fãs de sobremesas de limão, como eu).

 

E ficaram com um aspeto tão doce e delicado, não concordam? Sei que sou suspeita, mas acho-os perfeitos tendo em conta a ocasião. Feliz Dia da Mãe!

 

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PROFITEROLES COM RECHEIO DE LIMÃO E COBERTURA DE CHOCOLATE BRANCO

 

Para cerca de 30 profiteroles tamanho médio/normal

 

Para a massa:

180 ml de água

70 ml de azeite

100 g de farinha sem fermento

3 ovos

1 pedaço de casca de limão

1 pitada de sal

1 pitada de açúcar

 

Para o recheio:

200 g de queijo mascarpone

240 g de lemon curd (veja a receita aqui)

 

Para a cobertura:

120 g de chocolate branco

Óleo vegetal qb

Um pouco de corante rosa ou beterraba em pó

 

Se não tiver lemon curd feito, deve começar por aí, para que tenha tempo de refrigerar.

 

Para fazer os profiteroles, coloque num tacho a água, o azeite, o sal, o açúcar e a casca de limão e leve ao lume. Assim que ferver, descarte o limão e junte a farinha toda de uma vez. Mexa bem com a colher de pau, até a massa formar uma espécie de bola lisa e descolar-se das paredes do tacho, o que deve demorar uns dois ou três minutos. Retire do lume e passe para a taça da batedeira. Deixe arrefecer uns 10 minutos, ligue a batedeira numa velocidade média (se tiver, use a pá das massas e não a ‘pinha’ das claras em castelo) e vá acrescentando os ovos, um a um, continuando a bater para os incorporar bem. A massa estará pronta quando estiver uniforme, brilhante e macia.

 

Pré-aqueça o forno nos 210º (se for usar os dois níveis de forno ao mesmo tempo, reduza para 190º e coloque na função ventoinha).

 

Um tabuleiro não deve chegar, por isso forre dois tabuleiros de forno com papel vegetal (use um pouco de massa para colar as pontas do papel ao tabuleiro).

 

Coloque a massa num saco de pasteleiro equipado com um bico largo liso e faça os profiteroles. Com a ponta do dedo indicador molhada, pressione ligeiramente o centro dos profiteroles, para abater o eventual ‘bico’ com que tenham ficado.

 

Leve ao forno cerca de 20 minutos, sem abrir a porta durante a cozedura. Depois de cozidos, mantenha-os no forno até arrefecerem, com a porta entreaberta (use o cabo de uma colher de pau ou um pano de cozinha dobrado para criar a frincha na porta do forno). Guarde-os numa caixa hermética até serem recheados e cobertos.

 

Prepare a cobertura levando a derreter o chocolate branco em banho-maria. Junte um pouco de óleo vegetal e mexa bem, para torná-lo mais fluído. Se lhe quiser dar um tom rosado, junte umas gotinhas de corante rosa ou cerca de uma colher de café de beterraba em pó, mexendo bem (eu não tinha corante rosa em casa e então lembrei-me de um frasquinho de beterraba em pó que tinha comprado na Kinda Home; a cor não fica totalmente uniforme, mas acho consegui o efeito pretendido e o sabor não comprometeu; no entanto, se tivesse corante, teria usado o corante).

 

Prepare o recheio, batendo bem o mascarpone com o lemon curd.

 

Com uma faca de serrilha abra os profiteroles a meio (cuidado para que as partes não fiquem separadas). Com uma colher de chá encha a cavidade com creme de limão. Por fim coloque um pouco do chocolate branco em cima de cada profiterole.

 

Leve ao frigorífico umas duas horas antes de servir.

 

IMAGENS E RECEITAS DE OUTROS DIAS DA MÃE:

 

24
Abr19

Madalenas com pepitas de chocolate [das boas memórias]

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Madalena. Nome de mulher, de localidade, de bolo. E é nome de bolo - ou bolinho - por causa de uma mulher. Da mulher que criou estes pedaços de céu doces e esponjosos. Ainda que haja várias lendas sobre a origem desta especialidade francesa, uma das estórias mais vezes contada é a de que foi uma jovem chamada Madeleine, que trabalhava para o Duque de Lorena, ex-monarca polaco a viver em França nos inícios do século XVIII, que as começou a fazer seguindo uma receita da sua avó.

 

O sucesso dos bolinhos entretanto batizados de "madeleines" foi tal, que Luís XV teve que os provar numa visita à região, levando a receita consigo de volta a Versalhes. Rapidamente se popularizaram e hoje é um dos símbolos gastronómicos franceses. A história pode não ter ser sido exatamente assim, mas o certo é que o culto das madalenas em França se enraizou e internacionalizou definitivamente no princípio do século XX, quando Marcel Proust, na sua obra "Em busca do tempo perdido", descreve poeticamente como uma simples madalena que mergulhou no chá o fez regressar à infância, despertando-lhe as mais doces recordações dessa altura.

 

E boas memórias é também o que prometo que estas madalenas com pepitas de chocolate irão deixar em quem as comer. Muito fáceis e rápidas de fazer, têm ainda outra alteração em relação à receita tradicional: são feitas com azeite em vez de manteiga. Na verdade, estas pequenas conchas prestam-se a várias versões, incluindo salgadas, como é o caso destas madalenas de bacon e ervas (e no meu livro há uma receita de madalenas de tomate seco e manjericão).

 

Com ou sem pepitas, com ou sem frutos secos, com manteiga ou com azeite, doces ou salgadas: a sua forma única e delicada e o seu tamanho perfeito, fazem das madalenas uma daquelas confeções a que queremos voltar vezes sem conta. E com a primavera em pausa, nem sequer são precisas desculpas para ligar o forno e preparar uma fornada destas belezas...

 

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MADALENAS COM PEPITAS DE CHOCOLATE

Adaptado da revista Saveurs - Spécial Desserts 2013

 

Para cerca de 27 madalenas

 

150 g de farinha sem fermento

140 g de açúcar

110 ml de azeite extravirgem suave

2 ovos

1/2 colher de café de extrato de baunilha

1 pitada de sal

100 g de pepitas de chocolate negro

Açúcar em pó para polvilhar (opcional)

 

Ligar o forno nos 180º e untar/polvilhar muito bem os tabuleiros de madalenas (normalmente cada tabuleiro tem 9 cavidades).

Bater os ovos com a baunilha, o açúcar e o sal até ficar esbranquiçado.

Peneirar a farinha diretamente para a taça da mistura anterior e envolver com cuidado.

Por fim, envolver o azeite e as pepitas de chocolate.

Dividir pelas cavidades das formas e levar a cozer durante cerca de 15 minutos - vá vigiando.

É opcional, mas pode-se polvilhá-las com açúcar em pó depois de arrefecidas.

 

MAIS RECEITAS DE MADALENAS E QUEQUES:

 

09
Abr19

Bolo Churro [e o desconsolo por não haver um sinónimo para "baking" em português]

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"Fazer bolos". "Cozinhar no forno". "Cozinhar coisas de forno". "Cozer pão, bolos e similares". "Assados doces". E podia estar aqui eternamente, que não conseguiria chegar a um sinónimo satisfatório de baking. Dava mesmo jeito que houvesse um sinónimo em português, que fosse igualmente curto, objetivo e abrangente. Também sentem falta de uma palavra assim? Ou será apenas uma maluquice minha?

 

Eu gosto de cozinhar. Mas gosto ainda mais de... baking.  Se pudesse, estava sempre, não a cozinhar genericamente, mas a... baking.

 

Já tinha pensado nisto, mas a dificuldade voltou a surgir-me ao escrever este post, porque queria repetir que não preciso de grandes desculpas para ligar o forno. E que aquele tipo de receitas de forno são mesmo as minhas favoritas. Basta que as minhas outras tarefas me dêem umas horas de trégua e a minha reação é ir para a cozinha, ligar o forno e fazer um bolo, umas bolachas, uns queques, experimentar uma receita nova ou testar uma nova versão de algo que já tenha... baked antes (estão a ver? não era muito mais fácil se houvesse um sinónimo?)

 

Foi o que aconteceu mais do que uma vez a semana passada e numa dessas oportunidades quis experimentar uma receita de bolo diferente. Pesquisei em livros, revistas e blogues, mas nenhuma receita fazia soar o clique, até que dei de caras com o "Churro Bundt Cake" no Sweet Gula, o blog fantástico do Célio Cruz

 

Como fiz alguns ajustes e trocas de ingredientes, achei que fazia sentido partilhá-la, mas se quiserem seguir a versão do Célio, é só clicar aqui.

 

E por que é que o bolo se chama assim? Eu, ignorante, pensei que se devia só ao facto de levar uma boa camada de açúcar e canela por cima, como é o caso dos churros e das farturas que se vendem por cá. Mas a verdade é que a receita original, ou pelo menos aquela que o Célio seguiu, é brasileira e leva leite condensado cozido na massa (que eu omiti porque não tinha em casa) e não é que no Brasil se comem os churros com leite condensado cozido (que do outro lado do Atlântico se chama "doce de leite")? Daí o nome fazer bastante sentido.

 

Eu decidi servir o bolo com molho de chocolate - inspirada nos churros con chocolate dos nossos vizinhos espanhóis - e só vos digo: fica delicioso. Mas fiquei curiosa com o leite condensado cozido e para a próxima vou querer experimentar - ou "beikar" 🤣 - a versão original.

 

bolo_churro_edited_LR-1.jpg

 

BOLO CHURRO

[Adaptado do blog Sweet Gula]

 

A minha forma era relativamente pequena, por isso, a par de uma ou outra alteração, usei metade das quantidades da receita do Célio.

 

Ingredientes

 

250 g de farinha sem fermento

1/2 colher de café de bicarbonato de sódio

1/2 colher de chá de fermento em pó

1/2 colher de chá de canela em pó

90 g de azeite extravirgem

200 g de açúcar amarelo

2 ovos L

75 g de iogurte natural

100 g de natas

1 colher de café de extrato de baunilha

+

1 colher de sopa de manteiga derretida

50 g de açúcar

1 colher de chá de canela em pó

+

Molho de chocolate para servir (opcional)

 

Preparação

 

Untar muito bem a forma escolhida e polvilhar com farinha.

Ligar o forno nos 180º.

Numa taça, misturar a farinha peneirada com o bicarbonato, o fermento e a canela.

Noutra taça, misturar o iogurte e as natas.

Noutra, bater o açúcar com o azeite e adicionar os ovos, batendo novamente.

Adicionar a esta última taça, alternadamente e em três vezes, a mistura de natas/iogurte e a mistura dos secos (farinha/fermento...).

Verter a massa para a forma e levar ao forno durante cerca de 40-45 minutos (fazer o teste do palito para ver se está cozido).

Com o bolo ainda morno, pincelá-lo com a manteiga derretida e polvilhá-lo com a mistura de açúcar e canela.

 

Para o molho de chocolate, levar a derreter alguns quadrados de chocolate negro ou de culinária com um pouco leite. Mexer bem e conferir a consistência - deve ficar cremoso - e servir com o bolo.

 

MAIS RECEITAS DE BOLOS:

 

30
Jan19

Bolo formigueiro [e a minha grande resolução para 2019]

bolo_formigueiro_1.jpg

bolo_formigueiro_5.jpg

 

O bolo formigueiro é uma receita muito popular no Brasil. E sabem por que é que se chama assim? Aposto que muitos de vós sabem. O nome deve-se ao granulado de chocolate que se adiciona à massa, que depois de cozida fica sarapintada de "formigas". Apesar de eu achar imensa piada ao nome, acho que também se poderia batizar de bolo stracciatella. Mal parti o bolo e vi a massa, lembrei-me do gelado.

 

Esta não é a receita original (se é que existe uma). Fiz várias alterações a uma receita que vi no Pinterest e fiquei bastante satisfeita com o resultado. Pelas fotos, pode parecer que é um bolo demasiado seco, mas não. Ok, não é um bolo para sobremesa, mas é ótimo para o lanche ou para saciar aquele ratinho entre refeições, com um café ou um chá a acompanhar. Aviso: não é fácil ficar apenas por uma fatia ou duas, eu tive de partilhar o meu, se não, ia ser uma desgraça 😅.

 

Como quase sempre, substituí a manteiga por azeite extravirgem. Gosto muito de usar azeite em bolos, acho que funciona muito bem e não entendo por que em muitas receitas de bolos e sobremesas "saudáveis", nomeadamente portuguesas, o óleo de coco aparece mais vezes do que o azeite. Para além de ser mais caro, o óleo de coco não é um produto nosso, pressupondo, desde logo, uma maior pegada ecológica para chegar até nós. Atenção: eu gosto de experimentar produtos novos, de variar ingredientes e até tenho um frasco de óleo de coco cá em casa. Mas entre o azeite, que pode ser 100% português e cujos benefícios estão mais do que provados, e o óleo de coco,  gordura altamente saturada, cujo efeito na saúde ainda divide os especialistas, eu prefiro o primeiro.

 

Mas deixemos eventuais polémicas para trás e, antes de passarmos à receita, falemos da minha grande resolução para este ano: aprender o mais possível sobre fotografia de comida. E praticar, claro. Quero chegar ao final de 2019 e sentir que evoluí (muito) nesta área. Muitos poderão dizer que as minhas fotografias já são bonitas e, ainda que às vezes também goste delas, nos últimos tempos tenho-me sentido algo estagnada e quero fotografar ainda mais e melhor.

 

Adorava que me acompanhassem nesta jornada! Para isso, o melhor é seguirem-me no Instagram. Nas próximas semanas estarei a participar no Winter Challenge do blog The Little Plantation, de Kimberly Espinel - uma oportunidade para me obrigar a fotografar mais e a sair da minha zona de conforto, pois temos de fotografar de acordo com temas pré-definidos, três temas por semana durante quatro semanas. Logo de seguida irei fazer um curso online de Food Photography & Food Styling, também com a simpática e talentosa Kimberly.

 

Para além disso, tenho visto imensos vídeos e lido muitos artigos sobre fotografia de comida e prometo que vou fazer alguns posts sobre esta aventura, combinado?

 

Agora, vamos à receita do meu Bolo Formigueiro!

 

bolo_formigueiro_2.jpg

 

O MEU BOLO FORMIGUEIRO

 

170 g de açúcar

120 g de azeite extravirgem

3 ovos L

170 ml de leite

1/2 colher de café de extrato ou aroma de baunilha

250 g farinha sem fermento

1 colher de sopa de fermento em pó

40 g de coco ralado

60 g de granulado de chocolate (aquele usado para revestir brigadeiros)

 

Ligar o forno nos 180º

Untar muito bem/polvilhar com farinha uma forma de buraco "grandinha".

Numa taça bater o açúcar com o azeite e juntar os ovos, um a um.

Adicionar a baunilha ao leite. Juntar o fermento à farinha.

Adicionar estas misturas à taça da mistura de ovos/açúcar/azeite de forma intercalada, sendo que a última adição deve ser de farinha e fermento. 

Juntar por fim o granulado de chocolate e o coco e envolver bem.

Verter para a forma e levar a cozer durante cerca de 40/45 minutos - para saber que está pronto espete um palito no centro do bolo, que deve sair seco ou com migalhas grossas agarradas (neste caso, já pode tirar do forno, mas reforce os cuidados ao desenformar).

Deixar arrefecer e polvilhar com açúcar em pó antes de servir ou, se preferir, pode decorar com ganache ou chocolate derretido.

 

GOSTARAM DESTE BOLO? ENTÃO TAMBÉM VÃO GOSTAR DESTES:

 

23
Jan19

45 [e o bolo de limão mais fofo e húmido de sempre]

bolo_limao_more.jpg

 

Fiz anos a semana passada. Um número gordo que sempre associei às pessoas "mais velhas". Sinto isso desde que fiz quarenta. Parece que a idade não encaixa, não me sinto como sempre pensei que se sentiriam as pessoas com mais de quarenta: maduras, sérias, sábias.

 

Pelo contrário, sinto-me uma miúda, alguém que não se leva demasiado a sério, com muito para aprender. Que diabo, quarenta era a idade das mães, das tias, daquela vizinha já com filhos grandes. Como é que, de repente, eu própria já tenho 45?!

 

Bom, o cartão de cidadão não engana e foi já há uma semana que soprei essas velas todas. E na verdade, apesar do número custar um nadinha a engolir, não podia estar mais feliz. Tenho uma família fantástica, incluindo um marido e dois filhos maravilhosos, amigos, faço o que gosto, tenho o que preciso e, este ano, até a meteorologia resolveu dar-me um dia de sol (quando fiz quarenta, por exemplo, o tempo estava péssimo, chovia imenso). Não me posso queixar, pois não?

 

Para celebrar, fiz um bolo de limão diferente mas delicioso. Diferente porque decidi cozer a massa de bolo de anjo (ou angel food cake) numa forma alta normal, ou seja, sem buraco/ sem chaminé.

 

Adoro a textura e a humidade deste bolo, que a tradição manda cozer numa forma de alumínio com chaminé e com umas "patinhas", que servem para que, depois de cozido, ele fique a arrefecer na forma, virado ao contrário, mas com ar a circular por baixo. Como não tenho uma forma dessas, sempre fiz o bolo numa forma de chaminé tipo pão de ló e depois colocava a forma virada para baixo, com a chaminé apoiada num frasco estreito, para ficar acima da superfície (para verem o meu bolo de anjo coberto com doce de ovos e ver a receita original, cliquem aqui.)

 

Desta vez queria um bolo relativamente alto e liso e resolvi arriscar. Troquei ainda a baunilha da receita original por raspa de limão. Depois de frio e desenformado (mais abaixo, na descrição da receita, explico como fiz para que o ar circulasse debaixo da forma durante o arrefecimento), barreio-o todo com um creme de mascarpone e lemon curd. D-e-l-i-c-i-o--s-o!

 

bolo_limao_velas.jpg

 

 

A única desvantagem que senti ao usar esta forma foi que o bolo abate um pouco no topo, no centro. Mas como a ideia era decorar, enchi a cavidade de creme e não dá para notar ;)

 

Esta é uma receita para um bolo relativamente grande e não é muito fácil dividir em duas para fazer apenas metade, por isso o que fiz foi cozer dois bolos: o outro cobri-o com doce de ovos, na continuação dos festejos 🙈. Afinal, se o número é grande, que se celebre em grande também 😆.

 

Ah, se experimentarem este bolo, digam-me como correu. Podem deixar um comentário aqui, no facebook ou no Instagram, como preferirem ;)

 

bolo_limao_4.jpg

 

BOLO ANJO DE LIMÃO COM COBERTURA DE MASCARPONE E LEMON CURD

 

Para a massa:

Adaptado do livro "Martha Stweart's Baking Handbook"

 

Estas quantidades dão para 1 bolo grande ou 2 bolos pequenos (usei 1 forma com 16 cm de diâmetro e outra com 14 cm, ambas altas - 10 cm de altura)

 

1 chávena de farinha sem fermento
1 + 1/2 chávenas de açúcar 
13 claras L à temp. ambiente 
1 colher de sopa de água morna
1/2 colher de chá de sal
1 colher de chá de cremor tártaro
2 colheres de sopa de raspa de limão

(chávena de 250 ml de capacidade)

Pré-aqueça o forno nos 180º.

Se for usar formas normais, sem buraco, forre o fundo com papel vegetal (mas não unte - para este bolo não se deve untar as formas).

Usando duas taças, peneire a farinha umas duas ou três vezes e reserve.
Na taça da batedeira eléctrica, bata as claras com a água morna em veloc. baixa, até ficar em espuma. Junte o sal e o cremor tártaro. Bater em velocidade média-alta, até surgirem picos macios, cerca de 3 minutos. Com a batedeira a trabalhar, junte as raspas de limão e o açúcar, colher a colher, até a mistura ficar bem espessa e brilhante, cerca de 2 minutos (não bata demasiado, não deve ficar seco).
Nessa taça, se for grande, ou transferindo as claras para uma taça maior, envolva a farinha nas claras, com uma espátula de borracha, em 6 vezes.
Verta a massa para a(s) forma(s) e passe uma faca pela massa, para retirar bolsas de ar.

Alise e leve ao forno cerca de 25/30 minutos (formas pequenas) ou 40 minutos (forma grande de buraco), no nível médio do forno.

Está pronto quando a massa estiver bem dourada e quando, se pressionar levemente com os dedos, voltar rapidamente à forma inicial.
Retire do forno e inverta as formas sobre uma rede de arrefecimento, idealmente um pouco levantada da superfície, para permitir que o ar circule por baixo (eu coloquei a rede sobre duas taças. Se usar forma de buraco, apoie a chaminé sobre um frasco estreito.
Deixe arrefecer completamente (cerca de 1h30/2 horas). Passe uma espátula fina à volta da forma para soltar o bolo. Desenforme para o prato de servir. 

 

Para a cobertura:

1 emb. de queijo mascarpone

Lemon curd a gosto*

 

Bata o mascarpone em chantilly e junte lemon curd até obter o sabor desejado (aí umas 5 ou 6 colheres de sopa generosas).

Com a ajuda de uma espátula, barre o bolo com este creme. Se quiser, decore com rodelas de limão e sirva o bolo com mais lemon curd.

 

*LEMON CURD

2 ovos L

100 ml de sumo de limão

140 g de açúcar

50 g de manteiga à temperatura ambiente

1 colher de sopa de raspa de limão

 

Num tachinho de fundo espesso, misture bem os ovos com o açúcar e o sumo de limão. Leve ao lume médio, mexendo sempre com um batedor de varas, para não ganhar grumos, até engrossar, o que deve demorar menos de 10 minutos (deve ficar um creme não demasiado espesso, uniforme e brilhante, que irá ficar mais consistente depois de arrefecido). Retire do lume e incorpore a manteiga e a raspa de limão. Espere um ou dois minutos e mexa com um batedor e varas, até a manteiga estar bem derretida e bem distribuída pelo creme. Verta para frascos limpos, deixe arrefecer, tape e guarde no frigorífico até usar. Conserva-se bem tapado no frigorífico cerca de 15 dias.

 

MAIS RECEITAS DOCES COM LIMÃO:

21
Dez18

Receita de Tronco de Natal [e os meus desejos de Boas Festas]

tronco_natal_1.jpg

 

Faltam apenas três dias para o Natal e, por aqui, já se vive a quadra em pleno, alinhavando sobremesas e planeando um apetitoso recheio para o peru que este ano me toca a mim preparar.

 

Relativamente aos doces, confesso que não sou muito fã das sobremesas tradicionais de Natal, ainda que goste das rabanadas da minha mãe, da aletria com ovos da minha sogra e de bolo-rei torrado comido ao pequeno-almoço nos dias a seguir ao Natal.

 

Mas há uma sobremesa natalícia importada de que gosto bastante: o Tronco de Natal. Não só pelo chocolate (claro que ter chocolate faz este bolo ganhar muitos pontos na minha lista de favoritos), mas também pela sua forma tão rústica, um pouco infantil até. Na minha família é sempre uma tia que o faz, por isso nunca me tinha dado para meter as mãos na massa.

 

Mas andava curiosa, até para ver como me desenrascava com a decoração. Assim, este ano resolvi juntar duas receitas infalíveis: torta de Viana e ganache de chocolate e fazer o meu próprio Tronco de Natal. Sim, esta é uma receita de Tronco muito simples (há versões mais ricas, em que o recheio e a cobertura levam doce de castanha, ou em que a própria massa é de chocolate, por exemplo).

 

O resultado do primeiro teste foi este e acho que ficou bem catita. Uma dica que acho mesmo importante é aplicar a cobertura com saco e bico pasteleiro, para evitar levantar massa de bolo com a espátula (aproveitei e fiz 2 em 1: usei um bico serrilhado e fiz logo as estrias do tronco). Para a próxima, irei usar um bico pasteleiro para distribuir o creme, mas depois tentarei fazer uns desenhos mais orgânicos.

 

Também fiz uns cogumelos de suspiro, com umas claras que andavam perdidas no frigorífico, para decorar, mas é totalmente opcional. Aliás, com a humidade que anda no ar por estes dias, fazer suspiros não é uma tarefa fácil, pois ficam muito frágeis, desfazendo-se facilmente.

 

Antes de passarmos à receita, resta-me desejar-vos um Feliz Natal e um 2019 repleto de bons momentos à mesa (e fora dela!).

 

tronco_natal_best.jpg

 

O TRONCO DE NATAL DO LUME BRANDO

 

Para a massa:

6 ovos

125 g de açúcar

100 g farinha sem fermento

1 vagem de baunilha

Açúcar em pó qb

 

Para o recheio e cobertura:

300 g de natas para bater

300 g de chocolate de culinária

Açúcar em pó e/ou cacau para decorar

Outra decoração a gosto

 

Começe por preparar a ganache de chocolate: parta o chocolate em pedacinhos para uma taça resistente ao calor.

Leve as natas ao lume num tachinho e assim que começar a fervilhar, retire do lume e coe ao mesmo tempo que as verte para a taça do chocolate. Espere alguns minutos e mexa bem com um batedor de varas até obter um creme liso e brilhante. Reserve.

 

Entretanto, ligue o forno nos 200º.
Forre um tabuleiro com papel vegetal (usei o tabuleiro do forno, com cerca de 40 cm x 30 cm) e unte com manteiga/polvilhe com farinha ou aplique spray desmoldante.
Numa taça, junte as gemas, o açúcar e as sementes do interior de uma vagem de baunilha. Bata durante cerca de cinco minutos com colher de pau ou um batedor de varas.
Bata as claras em castelo e envolva-as na mistura das gemas.
Adicione a farinha peneirada aos poucos e envolve bem para que fique integrada na massa.
Verta sobre a forma, alise e leve ao forno cerca de 12-14 minutos ou até o palito sair seco do seu interior.
Desenforme sobre um pano de cozinha húmido e polvilhado com açúcar em pó.
Aguarde uns minutos e retire o papel vegetal com cuidado.

Espere mais uns três ou quatro minutos, para que arrefeça mais um pouco, e espalhe uma camada de ganache, alisando com uma espátula ou as costas de uma colher.
Enrole a placa de bolo a partir de um dos lados mais compridos, com a ajuda do pano.
Deixe que arrefeça completamente, ao mesmo tempo que a ganache sobrante, a usar na cobertura, vai ficando mais espessa.

 

Quando a ganache sobrante tiver adquirido a textura ideal (espessa mas moldável - pode acelerar o processo colocando-a no frigorífico, mas tenha atenção para que não fique demasiado dura), prepare um saco com bico pasteleiro e encha o saco com ganache.

Apare as pontas do rolo e corte ainda duas fatias grossas, mas de tamanho diferentes, para fazerem de "braços cortados" do tronco (ficam muito bem cortados de forma enviesada). Passe o rolo maior para o prato de servir e disponha as fatias grossas ao seu gosto.

Disponha a ganache por todo o bolo, dando-lhe o efeito pretendido (pode distribuir a ganache por todo e depois alisar e fazer desenhos com uma espátula ou um garfo).

Termine com açúcar e cacau em pó, azevinho, pinhas, ramos de pinheiro, cogumelos de suspiro ou outra decoração a gosto.

 

FELIZ NATAL!

 

Teresa Rebelo

foto do autor

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