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Lume Brando

30
Jan19

Bolo formigueiro [e a minha grande resolução para 2019]

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O bolo formigueiro é uma receita muito popular no Brasil. E sabem por que é que se chama assim? Aposto que muitos de vós sabem. O nome deve-se ao granulado de chocolate que se adiciona à massa, que depois de cozida fica sarapintada de "formigas". Apesar de eu achar imensa piada ao nome, acho que também se poderia batizar de bolo stracciatella. Mal parti o bolo e vi a massa, lembrei-me do gelado.

 

Esta não é a receita original (se é que existe uma). Fiz várias alterações a uma receita que vi no Pinterest e fiquei bastante satisfeita com o resultado. Pelas fotos, pode parecer que é um bolo demasiado seco, mas não. Ok, não é um bolo para sobremesa, mas é ótimo para o lanche ou para saciar aquele ratinho entre refeições, com um café ou um chá a acompanhar. Aviso: não é fácil ficar apenas por uma fatia ou duas, eu tive de partilhar o meu, se não, ia ser uma desgraça 😅.

 

Como quase sempre, substituí a manteiga por azeite extravirgem. Gosto muito de usar azeite em bolos, acho que funciona muito bem e não entendo por que em muitas receitas de bolos e sobremesas "saudáveis", nomeadamente portuguesas, o óleo de coco aparece mais vezes do que o azeite. Para além de ser mais caro, o óleo de coco não é um produto nosso, pressupondo, desde logo, uma maior pegada ecológica para chegar até nós. Atenção: eu gosto de experimentar produtos novos, de variar ingredientes e até tenho um frasco de óleo de coco cá em casa. Mas entre o azeite, que pode ser 100% português e cujos benefícios estão mais do que provados, e o óleo de coco,  gordura altamente saturada, cujo efeito na saúde ainda divide os especialistas, eu prefiro o primeiro.

 

Mas deixemos eventuais polémicas para trás e, antes de passarmos à receita, falemos da minha grande resolução para este ano: aprender o mais possível sobre fotografia de comida. E praticar, claro. Quero chegar ao final de 2019 e sentir que evoluí (muito) nesta área. Muitos poderão dizer que as minhas fotografias já são bonitas e, ainda que às vezes também goste delas, nos últimos tempos tenho-me sentido algo estagnada e quero fotografar ainda mais e melhor.

 

Adorava que me acompanhassem nesta jornada! Para isso, o melhor é seguirem-me no Instagram. Nas próximas semanas estarei a participar no Winter Challenge do blog The Little Plantation, de Kimberly Espinel - uma oportunidade para me obrigar a fotografar mais e a sair da minha zona de conforto, pois temos de fotografar de acordo com temas pré-definidos, três temas por semana durante quatro semanas. Logo de seguida irei fazer um curso online de Food Photography & Food Styling, também com a simpática e talentosa Kimberly.

 

Para além disso, tenho visto imensos vídeos e lido muitos artigos sobre fotografia de comida e prometo que vou fazer alguns posts sobre esta aventura, combinado?

 

Agora, vamos à receita do meu Bolo Formigueiro!

 

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O MEU BOLO FORMIGUEIRO

 

170 g de açúcar

120 g de azeite extravirgem

3 ovos L

170 ml de leite

1/2 colher de café de extrato ou aroma de baunilha

250 g farinha sem fermento

1 colher de sopa de fermento em pó

40 g de coco ralado

60 g de granulado de chocolate (aquele usado para revestir brigadeiros)

 

Ligar o forno nos 180º

Untar muito bem/polvilhar com farinha uma forma de buraco "grandinha".

Numa taça bater o açúcar com o azeite e juntar os ovos, um a um.

Adicionar a baunilha ao leite. Juntar o fermento à farinha.

Adicionar estas misturas à taça da mistura de ovos/açúcar/azeite de forma intercalada, sendo que a última adição deve ser de farinha e fermento. 

Juntar por fim o granulado de chocolate e o coco e envolver bem.

Verter para a forma e levar a cozer durante cerca de 40/45 minutos - para saber que está pronto espete um palito no centro do bolo, que deve sair seco ou com migalhas grossas agarradas (neste caso, já pode tirar do forno, mas reforce os cuidados ao desenformar).

Deixar arrefecer e polvilhar com açúcar em pó antes de servir ou, se preferir, pode decorar com ganache ou chocolate derretido.

 

GOSTARAM DESTE BOLO? ENTÃO TAMBÉM VÃO GOSTAR DESTES:

 

23
Jan19

45 [e o bolo de limão mais fofo e húmido de sempre]

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Fiz anos a semana passada. Um número gordo que sempre associei às pessoas "mais velhas". Sinto isso desde que fiz quarenta. Parece que a idade não encaixa, não me sinto como sempre pensei que se sentiriam as pessoas com mais de quarenta: maduras, sérias, sábias.

 

Pelo contrário, sinto-me uma miúda, alguém que não se leva demasiado a sério, com muito para aprender. Que diabo, quarenta era a idade das mães, das tias, daquela vizinha já com filhos grandes. Como é que, de repente, eu própria já tenho 45?!

 

Bom, o cartão de cidadão não engana e foi já há uma semana que soprei essas velas todas. E na verdade, apesar do número custar um nadinha a engolir, não podia estar mais feliz. Tenho uma família fantástica, incluindo um marido e dois filhos maravilhosos, amigos, faço o que gosto, tenho o que preciso e, este ano, até a meteorologia resolveu dar-me um dia de sol (quando fiz quarenta, por exemplo, o tempo estava péssimo, chovia imenso). Não me posso queixar, pois não?

 

Para celebrar, fiz um bolo de limão diferente mas delicioso. Diferente porque decidi cozer a massa de bolo de anjo (ou angel food cake) numa forma alta normal, ou seja, sem buraco/ sem chaminé.

 

Adoro a textura e a humidade deste bolo, que a tradição manda cozer numa forma de alumínio com chaminé e com umas "patinhas", que servem para que, depois de cozido, ele fique a arrefecer na forma, virado ao contrário, mas com ar a circular por baixo. Como não tenho uma forma dessas, sempre fiz o bolo numa forma de chaminé tipo pão de ló e depois colocava a forma virada para baixo, com a chaminé apoiada num frasco estreito, para ficar acima da superfície (para verem o meu bolo de anjo coberto com doce de ovos e ver a receita original, cliquem aqui.)

 

Desta vez queria um bolo relativamente alto e liso e resolvi arriscar. Troquei ainda a baunilha da receita original por raspa de limão. Depois de frio e desenformado (mais abaixo, na descrição da receita, explico como fiz para que o ar circulasse debaixo da forma durante o arrefecimento), barreio-o todo com um creme de mascarpone e lemon curd. D-e-l-i-c-i-o--s-o!

 

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A única desvantagem que senti ao usar esta forma foi que o bolo abate um pouco no topo, no centro. Mas como a ideia era decorar, enchi a cavidade de creme e não dá para notar ;)

 

Esta é uma receita para um bolo relativamente grande e não é muito fácil dividir em duas para fazer apenas metade, por isso o que fiz foi cozer dois bolos: o outro cobri-o com doce de ovos, na continuação dos festejos 🙈. Afinal, se o número é grande, que se celebre em grande também 😆.

 

Ah, se experimentarem este bolo, digam-me como correu. Podem deixar um comentário aqui, no facebook ou no Instagram, como preferirem ;)

 

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BOLO ANJO DE LIMÃO COM COBERTURA DE MASCARPONE E LEMON CURD

 

Para a massa:

Adaptado do livro "Martha Stweart's Baking Handbook"

 

Estas quantidades dão para 1 bolo grande ou 2 bolos pequenos (usei 1 forma com 16 cm de diâmetro e outra com 14 cm, ambas altas - 10 cm de altura)

 

1 chávena de farinha sem fermento
1 + 1/2 chávenas de açúcar 
13 claras L à temp. ambiente 
1 colher de sopa de água morna
1/2 colher de chá de sal
1 colher de chá de cremor tártaro
2 colheres de sopa de raspa de limão

(chávena de 250 ml de capacidade)

Pré-aqueça o forno nos 180º.

Se for usar formas normais, sem buraco, forre o fundo com papel vegetal (mas não unte - para este bolo não se deve untar as formas).

Usando duas taças, peneire a farinha umas duas ou três vezes e reserve.
Na taça da batedeira eléctrica, bata as claras com a água morna em veloc. baixa, até ficar em espuma. Junte o sal e o cremor tártaro. Bater em velocidade média-alta, até surgirem picos macios, cerca de 3 minutos. Com a batedeira a trabalhar, junte as raspas de limão e o açúcar, colher a colher, até a mistura ficar bem espessa e brilhante, cerca de 2 minutos (não bata demasiado, não deve ficar seco).
Nessa taça, se for grande, ou transferindo as claras para uma taça maior, envolva a farinha nas claras, com uma espátula de borracha, em 6 vezes.
Verta a massa para a(s) forma(s) e passe uma faca pela massa, para retirar bolsas de ar.

Alise e leve ao forno cerca de 25/30 minutos (formas pequenas) ou 40 minutos (forma grande de buraco), no nível médio do forno.

Está pronto quando a massa estiver bem dourada e quando, se pressionar levemente com os dedos, voltar rapidamente à forma inicial.
Retire do forno e inverta as formas sobre uma rede de arrefecimento, idealmente um pouco levantada da superfície, para permitir que o ar circule por baixo (eu coloquei a rede sobre duas taças. Se usar forma de buraco, apoie a chaminé sobre um frasco estreito.
Deixe arrefecer completamente (cerca de 1h30/2 horas). Passe uma espátula fina à volta da forma para soltar o bolo. Desenforme para o prato de servir. 

 

Para a cobertura:

1 emb. de queijo mascarpone

Lemon curd a gosto*

 

Bata o mascarpone em chantilly e junte lemon curd até obter o sabor desejado (aí umas 5 ou 6 colheres de sopa generosas).

Com a ajuda de uma espátula, barre o bolo com este creme. Se quiser, decore com rodelas de limão e sirva o bolo com mais lemon curd.

 

*LEMON CURD

2 ovos L

100 ml de sumo de limão

140 g de açúcar

50 g de manteiga à temperatura ambiente

1 colher de sopa de raspa de limão

 

Num tachinho de fundo espesso, misture bem os ovos com o açúcar e o sumo de limão. Leve ao lume médio, mexendo sempre com um batedor de varas, para não ganhar grumos, até engrossar, o que deve demorar menos de 10 minutos (deve ficar um creme não demasiado espesso, uniforme e brilhante, que irá ficar mais consistente depois de arrefecido). Retire do lume e incorpore a manteiga e a raspa de limão. Espere um ou dois minutos e mexa com um batedor e varas, até a manteiga estar bem derretida e bem distribuída pelo creme. Verta para frascos limpos, deixe arrefecer, tape e guarde no frigorífico até usar. Conserva-se bem tapado no frigorífico cerca de 15 dias.

 

MAIS RECEITAS DOCES COM LIMÃO:

21
Dez18

Receita de Tronco de Natal [e os meus desejos de Boas Festas]

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Faltam apenas três dias para o Natal e, por aqui, já se vive a quadra em pleno, alinhavando sobremesas e planeando um apetitoso recheio para o peru que este ano me toca a mim preparar.

 

Relativamente aos doces, confesso que não sou muito fã das sobremesas tradicionais de Natal, ainda que goste das rabanadas da minha mãe, da aletria com ovos da minha sogra e de bolo-rei torrado comido ao pequeno-almoço nos dias a seguir ao Natal.

 

Mas há uma sobremesa natalícia importada de que gosto bastante: o Tronco de Natal. Não só pelo chocolate (claro que ter chocolate faz este bolo ganhar muitos pontos na minha lista de favoritos), mas também pela sua forma tão rústica, um pouco infantil até. Na minha família é sempre uma tia que o faz, por isso nunca me tinha dado para meter as mãos na massa.

 

Mas andava curiosa, até para ver como me desenrascava com a decoração. Assim, este ano resolvi juntar duas receitas infalíveis: torta de Viana e ganache de chocolate e fazer o meu próprio Tronco de Natal. Sim, esta é uma receita de Tronco muito simples (há versões mais ricas, em que o recheio e a cobertura levam doce de castanha, ou em que a própria massa é de chocolate, por exemplo).

 

O resultado do primeiro teste foi este e acho que ficou bem catita. Uma dica que acho mesmo importante é aplicar a cobertura com saco e bico pasteleiro, para evitar levantar massa de bolo com a espátula (aproveitei e fiz 2 em 1: usei um bico serrilhado e fiz logo as estrias do tronco). Para a próxima, irei usar um bico pasteleiro para distribuir o creme, mas depois tentarei fazer uns desenhos mais orgânicos.

 

Também fiz uns cogumelos de suspiro, com umas claras que andavam perdidas no frigorífico, para decorar, mas é totalmente opcional. Aliás, com a humidade que anda no ar por estes dias, fazer suspiros não é uma tarefa fácil, pois ficam muito frágeis, desfazendo-se facilmente.

 

Antes de passarmos à receita, resta-me desejar-vos um Feliz Natal e um 2019 repleto de bons momentos à mesa (e fora dela!).

 

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O TRONCO DE NATAL DO LUME BRANDO

 

Para a massa:

6 ovos

125 g de açúcar

100 g farinha sem fermento

1 vagem de baunilha

Açúcar em pó qb

 

Para o recheio e cobertura:

300 g de natas para bater

300 g de chocolate de culinária

Açúcar em pó e/ou cacau para decorar

Outra decoração a gosto

 

Começe por preparar a ganache de chocolate: parta o chocolate em pedacinhos para uma taça resistente ao calor.

Leve as natas ao lume num tachinho e assim que começar a fervilhar, retire do lume e coe ao mesmo tempo que as verte para a taça do chocolate. Espere alguns minutos e mexa bem com um batedor de varas até obter um creme liso e brilhante. Reserve.

 

Entretanto, ligue o forno nos 200º.
Forre um tabuleiro com papel vegetal (usei o tabuleiro do forno, com cerca de 40 cm x 30 cm) e unte com manteiga/polvilhe com farinha ou aplique spray desmoldante.
Numa taça, junte as gemas, o açúcar e as sementes do interior de uma vagem de baunilha. Bata durante cerca de cinco minutos com colher de pau ou um batedor de varas.
Bata as claras em castelo e envolva-as na mistura das gemas.
Adicione a farinha peneirada aos poucos e envolve bem para que fique integrada na massa.
Verta sobre a forma, alise e leve ao forno cerca de 12-14 minutos ou até o palito sair seco do seu interior.
Desenforme sobre um pano de cozinha húmido e polvilhado com açúcar em pó.
Aguarde uns minutos e retire o papel vegetal com cuidado.

Espere mais uns três ou quatro minutos, para que arrefeça mais um pouco, e espalhe uma camada de ganache, alisando com uma espátula ou as costas de uma colher.
Enrole a placa de bolo a partir de um dos lados mais compridos, com a ajuda do pano.
Deixe que arrefeça completamente, ao mesmo tempo que a ganache sobrante, a usar na cobertura, vai ficando mais espessa.

 

Quando a ganache sobrante tiver adquirido a textura ideal (espessa mas moldável - pode acelerar o processo colocando-a no frigorífico, mas tenha atenção para que não fique demasiado dura), prepare um saco com bico pasteleiro e encha o saco com ganache.

Apare as pontas do rolo e corte ainda duas fatias grossas, mas de tamanho diferentes, para fazerem de "braços cortados" do tronco (ficam muito bem cortados de forma enviesada). Passe o rolo maior para o prato de servir e disponha as fatias grossas ao seu gosto.

Disponha a ganache por todo o bolo, dando-lhe o efeito pretendido (pode distribuir a ganache por todo e depois alisar e fazer desenhos com uma espátula ou um garfo).

Termine com açúcar e cacau em pó, azevinho, pinhas, ramos de pinheiro, cogumelos de suspiro ou outra decoração a gosto.

 

FELIZ NATAL!

 

12
Nov18

Bolo de maçã com molho de caramelo salgado [e o aconchego que o outono pede]

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Veio mais tarde do que se esperava, mas chegou. Começou algo tímido, mas este fim de semana mostrou a sua raça. Falo do outono, essa estação que faz a natureza vestir-se de mil tons de castanho, laranja e dourado.

 

Ainda que goste muito do verão, pela atmosfera descontraída e leve que traz, as minhas estações favoritas são as de transição, a primavera e o outono. Se por um lado costumam ser mais meigas no que à meteorologia diz respeito, por outro reservam para si as cores mais bonitas do ano, seja sob a forma de flores viçosas ou de folhas à merçê do vento.

 

E depois temos os frutos e legumes da época, aguardados com mais expectativa e emoção na primavera e no outono, por romperem com a estação que se despede.

 

Como acontece quase sempre por esta altura, também este ano me chegou cá a casa uma caixa de maçãs vindas de Trás-os-Montes. E por muito boas e doces que sejam para comer ao natural, a verdade é que o forno chama por mim e diz-me que o melhor é gastar algumas em bolos e sobremesas, não vá o diabo tecê-las (ler "apodrecê-las" - o que seria tão lamentável quanto altamente improvável).

 

Assim, com o forno ligado e um cheirinho bom a invadir a casa é mais fácil esquecer que o outono tem um lado b (e que o mundo podia ser um lugar bem mais bonito). Quando chove, faz frio ou o dia está da cor do chumbo, agarro-me ao aconchego das receitas de forno, seja um bolo, uma tarte ou um assado suculento.

 

E vocês? Qual a vossa receita favorita para quando bate aquele desconfortozinho dos dias cinzentos? Aposto que este bolo de maçã com molho de caramelo salgado podia ir para a vossa lista ;)

 

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BOLO DE MAÇÃ COM MOLHO DE CARAMELO SALGADO

Chávena = 250 ml de capacidade

 

2 maçãs grandes raladas em cru

3/4 de chávena de açúcar amarelo

1 chávena mal cheia de azeite extravirgem

4 ovos (de preferência caseiros ou biológicos - o bolo fica mais húmido)

1 colher de café de essência de baunilha

2 chávenas rasas de farinha sem fermento

2 colheres de chá de fermento em pó

1,5 colheres de chá de bicarbonato de sódio

1 boa pitada de canela

 

Pré-aqueça o forno nos 180º.

Unte muito bem/polvilhe com farinha uma forma de "bundt" (forma redonda com chaminé).

Numa taça, junte os ovos, o azeite, o açúcar amarelo, a maçã ralada e a baunilha.

Noutra taça, junte a farinha, o fermento, o bicarbonato e a canela.

Vá juntando, aos poucos, os secos à mistura de líquidos.

Verta na forma e leve a cozer durante cerca de 40 minutos ou até um palito sair seco.

Retire do forno e desenforme com cuidado (eu passo uma faca de manteiga pelas laterais da forma e pela chaminé, de forma a descolar o bolo e a garantir que sai direitinho. Leve a arrefecer sobre uma rede forrada com papel vegetal ou sobre o prato de servir. Deixe arrefecer.

 

Molho de caramelo salgado

(receitas no meu livro "Estava Tudo Ótimo!")

 

Versão rápida:

 12 caramelos de nata

Água qb

1 pitada de sal ou flor de sal

 

Leve os caramelos ao lume num tachinho de fundo espesso. Junte cerca de uma colher de sopa de água e vá mexendo com o batedor de varas, até os caramelos estarem derretidos. Se achar que está muito espesso, junte mais um pouco de água – a ideia é obter um molho de caramelo nem muito grosso, nem muito fluído. Tempere com o sal e está pronto a usar.

 

Versão normal:

3 colheres de sopa de açúcar (branco, amarelo ou de coco)

3 colheres de sopa de água

3 colheres de sopa de natas

1 pitada de sal ou flor de sal

 

Leve o açúcar e a água ao lume num tacho de fundo espesso. Tape, para manter a humidade e assim o açúcar não cristalizar. Passado cerca de 10 minutos, levante a tampa e vá vigiando a cor do caramelo, tapando e destapando, sem nunca cair na tenção de mexer. Desligue assim que tiver adquirido um tom dourado âmbar e sentir o cheiro bom do caramelo. Lembre-se que se deixar demasiado tempo ao lume e ficar demasiado escuro, vai ficar com sabor amargo. Junte as natas com cuidado (vai borbulhar bastante) e mexa bem com um batedor de varas. Junte o sal, volte a mexer, e está pronto a usar.

Acrescentado em 20/11/2018: para este bolo, aconselho a dobrar qualquer uma das receitas de caramelo.

Notas:

- Qualquer um dos caramelos fica mais espesso com o passar do tempo. Se não for usá-lo de imediato, talvez necessite de o aquecer na hora e juntar mais um pouco de água ou de natas;

- Outra técnica para que o açúcar não cristalize quando está a caramelizar é manter ao pé do fogão uma taça com água e um pincel e ir pincelando com água as laterais internas do tacho, junto ao açúcar.

 

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MAIS RECEITAS COM MAÇÃ:

 

30
Out18

Bolo de abóbora e especiarias recheado e coberto com creme de mascarpone e chocolate [Halloween 2018]

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Sim, este é um post a propósito do Halloween. Mas vamos deixar de lado a polémica sobre esta ser uma tradição importada e demasiado ligada a fins comerciais, ok? Cada um, em sua casa, fará o que de melhor entender sobre a data. E não, infelizmente, aqui para os meus lados não se celebra o Pão por Deus, uma tradição de que só tive conhecimento há poucos anos e de que a maior parte das pessoas à minha volta nunca ouviu falar (o que não deixa de ser curioso e triste, visto ser uma tradição em muitas terras portuguesas, sobretudo da região do Oeste e até da Galiza, que não está longe).

 

Em relação ao Halloween, apenas posso dar o exemplo do que se passa por aqui: não celebramos a rigor (ou seja, não faço nenhum jantar temático, nem me fantasio, nem sequer encorajo os meus filhos a fazê-lo), mas se eles me pedirem para ir em rusga fazer o "Doçura e Travessura", eu acho piada e permito, até porque é mais um momento de brincadeira e convívio com os amigos (mas peço-lhes para não serem malvados com quem não abre a porta ou não se abasteceu de guloseimas!). E tento ter sempre alguns chocolates para oferecer aos grupos que me possam tocar à campainha.

 

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Também é verdade que gosto de assinalar o Halloween aqui no blogue, sobretudo porque serve de pretexto para cozinhar algo divertido. Este ano, decidi fazer um bolo. Um bolo com um ingrediente que faz todo o sentido tendo em conta a época e a ocasião, mas que nunca tinha experimentado num bolo: abóbora. Adorei o resultado e asseguro-vos de que não precisam de ser fãs do Halloween para o fazerem. A massa é húmida e saborosa, e a mistura do chocolate com o creme de natas e mascarpone - do recheio e da cobertura - eleva-o a outro nível. Não assustador, mas viciante!

 

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BOLO DE ABÓBORA E ESPECIARIAS COM COBERTURA E RECHEIO DE CHOCOLATE E MASCARPONE

 

Para a massa

(adaptado do blogue Broma Bakery)

Chávena = 250 ml de capacidade

 

1 chávena bem cheia de puré de abóbora menina

(para obter este puré cozi a vapor cerca de 750 g de abóbora - pesada com a casca - e escorri)

1 chávena bem cheia de açúcar amarelo

1 chávena rasa de azeite extravirgem

4 ovos (de preferência caseiros ou biológicos - o bolo fica mais húmido)

1 colher de café de essência de baunilha

2 chávenas rasas de farinha sem fermento

2 colheres de chá de fermento em pó

1,5 colheres de chá de bicarbonato de sódio

1 boa pitada de canela

1 boa pitada de noz-moscada

1 pitada de sal

 

Para o recheio e cobertura

1 emb. de mascarpone (250 g)

1 emb. de queijo quark (250 g)

1 emb. de natas para bater (200 ml)

2 colheres de sopa de açúcar amarelo (ou a gosto)

1 colher de café de essência de baunilha

Algumas gotas de sumo de limão

120 g de chocolate de culinária

Leite qb

 

Para a decoração (opcional)

100 g de sucedâneo de chocolate branco para fundir

Palitos médios

Confeitos "olhos" de açúcar

 

Se quiser fazer os fantasmas, o melhor é começar por aí.

Leve o sucedâneo de chocolate branco a derreter em banho-maria.

Estenda uma folha de papel vegetal sobre a bancada de trabalho e desenhe algumas figuras de fantasma com o tamanho pretendido (não é obrigatório, pois é muito fácil ir dando forma aos fantasmas com a colher). Se fizer os desenhos, vire a folha ao contrário.

Com o chocolate bem derretido e uniforme, e com a ajuda de uma colher, vá desenhado os fantasmas na folha de papel vegetal. Coloque um palito a meio de cada fantasma e cubra-o com mais chocolate. Decore com os olhos de açúcar e deixe solidificar (se estiver com pressa, coloque a folha de vegetal sobre um tabuleiro e leve ao frigorífico). No fundo, esta é a mesma técnica das nuvens que estão no meu livro - "Estava Tudo Ótimo!", na página 64.

 

 

Pré-aqueça o forno nos 180º.

Forre com papel vegetal o fundo de duas formas redondas com 18 cm de diâmetro e unte muito bem com manteiga, polvilhando com farinha.

Numa taça, junte os ovos, o azeite, o açúcar amarelo, o puré de abóbora e a baunilha.

Noutra taça, junte a farinha, o fermento, o bicarbonato e ainda o sal, a canela e a noz-moscada.

Vá juntando, aos poucos, os secos à mistura de líquidos.

Distribua pelas formas e leve a cozer durante cerca de 30 minutos ou até um palito sair seco.

Retire do forno e leve a arrefecer sobre uma rede (eu gosto de forrar a rede com papel vegetal, para impedir que os bolos fiquem agarrados nas reentrâncias da rede). Deixe arrefecer.

 

Entretanto prepare a cobertura e o recheio.

Leve a derreter o chocolate em banho-maria com um pouco de leite. Junte mais leite, aos poucos, até obter uma consistência espessa mas espalhável. Reserve.

Coloque na taça da batedeira, as natas (que devem estar bem frias), o mascarpone, o quark, a essência de baunilha e o açúcar. Bata bem e quando estiver a engrossar junte umas gotinhas de limão, para ajudar a "prender" ainda mais.

 

Para montar e decorar:

Corte cada bolo em duas metades.

Coloque uma metade no prato de servir, com a parte do miolo virado para cima, e espalhe um pouco da mistura de mascarpone. Tape com a outra metade (com a parte do miolo virado para baixo). Barre com uma camada do chocolate derretido com leite. Coloque por cima outra metade do bolo e volte a rechear com a mistura do mascarpone. Tape com a última metade de bolo e barre todo o bolo com o creme de mascarpone.

Leve ao frio cerca de 30 minutos e volte depois a barrar com o creme sobrante, para ficar mais perfeito.

Leve de novo ao frio, idealmente durante uma hora.

Se o creme de chocolate tiver endurecido, volte a aquecer em banho-maria e deixe-o amornar.

Retire o bolo do frio e espalhe uma boa camada de chocolate por cima, fazendo-o escorrer pelas laterais do bolo de forma alternada, com umas "lágrimas" mais compridas e outras mais curtas.

Deixe endurecer um pouco e decore com os fantasmas.

 

OUTRAS RECEITAS DE HALLOWEEN:

03
Out18

Bolo invertido de figos [e um verão que parece não querer acabar]

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Este foi o verão em que fiquei mais bronzeada. Não porque tenha feito mais praia, mas porque foram muitos os dias em que andei ao sol, de top e calções. Não me lembro de uma férias, nem de um verão, em que não houvesse uns dias de chuva ou uns dias mais nublados. Mas em 2018 esses dias cinzentos não apareceram. E a verdade é que já viramos a página de outubro no calendário, e os dias continuam bonitos, quentes, como se vivéssemos um verão interminável.

 

Se, por um lado, este cenário é assustador, porque ligado às transformações meteorológicas a que o aquecimento global obriga, por outro não consigo deixar de pensar que este tempo é muito mais agradável do que aquele que o outono e o inverno rigorosos costumam trazer. É tão bom não ter de andar encasacada e de guarda-chuva atrás! Mas, por mais que me custe, mais tarde ou mais cedo a meteorologia vai ter de entrar nos eixos, o outono vai impôr-se sem meiguice, e os seus sinais não se vão ficar pela fruta e pelos legumes da época.

 

Enquanto esperamos, vamos celebrar este solzinho bom com um bolo invertido de figos, chocolate e vinho do Porto, combinado? 

 

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BOLO INVERTIDO DE FIGOS, CHOCOLATE E VINHO DO PORTO

(para um bolo pequeno - cerca de 8 fatias)

5 ou 6 figos médios
85 g de açúcar amarelo
45 ml de azeite extravirgem 
2 ovos
50 ml de vinho do Porto

90 g de farinha

1 colher de chá bem cheia de fermento em pó
80 g de pepitas de chocolate negro ou o equivalente em chocolate picado

Mel para pincelar

Pré-aqueça o forno nos 180º.
Unte uma forma redonda de 16 cm, forre o fundo com papel vegetal e unte também este.
Lave com cuidado os figos, seque-os e corte-os em fatias, descartando as pontas e as bases.
Forre o fundo da forma com as fatias de figo.
Numa taça, bata o açúcar com o azeite e junte os ovos.

Adicione o vinho do Porto e mexa bem.

Envolva a farinha e o fermento e, por último, junte o chocolate.
Verta na forma e leve ao forno cerca de 30 minutos ou até estar bem dourado e um palito sair seco do interior do bolo.
Deixe arrefecer um pouco e desenforme com cuidado para o prato de servir.
Retire o papel vegetal e deixe arrefecer completamente.

Aqueça um pouco de mel (para torná-lo mais líquido) e pincele o topo do bolo antes de servir.

 

MAIS BOLOS INVERTIDOS COM FRUTA:

 

20
Set18

Bolo mármore de claras e matcha [e a importância do tempo na fotografia de comida]

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Finalmente experimentei o pó matcha num bolo. Andava curiosa, desde que comecei a ver, nos feeds de Instagram ou do Pinterest, muitas sobremesas com um verde intenso, bem como chávenas de capuccino, que em vez do castanho do café exibiam um verde cremoso. Uma tendência que não é de agora, eu é que ando sempre atrasada.

 

Para quem anda distraído, o matcha é uma variante em pó do chá verde japonês, de cor e sabor mais intensos e concentrados do que o chá verde tradicional. Isto deve-se ao facto de ter origem nas folhas jovens do chá, cultivadas com muito cuidado e protegidas da luz solar de forma a manter a sua cor vibrante, sinónimo de elevadas doses de clorofila e antioxidantes. Depois de secas, as folhas são moídas em moinhos de pedra e dão origem a este pó incrível e versátil: tanto podemos fazer chá ou colocar no leite, como usar para aromatizar e colorir uma montanha de receitas, de panquecas a tortas e bolos.

 

O seu sabor, no entanto, não é consensual. Neste bolo, não sobressai de uma maneira especialmente marcante, em todo o caso, pode substituir-se o matcha por cacau ou chocolate em pó, para um bolo mármore mais tradicional. O facto de ser feito com claras, para além de garantir um maior contraste, confere ao bolo uma textura muito macia e fofa.

 

Agora sobre as fotografias deste post. Estas devem ser as minhas fotos favoritas dos últimos meses. A câmara fotográfica é a mesma de sempre, a lente também, os props não são novos e já tinha fotografado neste canto da minha cozinha. Então, o que é que fez estas imagens ficarem tão bonitas e especiais (pelo menos para mim)? Foi o facto de ter tido tempo para me dedicar a elas.

 

Nessa manhã, tive todo o tempo do mundo para experimentar ângulos e enquadramentos, para colocar e tirar elementos da mesa, para empurrar o prato um pouco mais para a direita ou um pouco mais para a esquerda, para me encavalitar na ilha da cozinha, para polvilhar o bolo pela enésima vez, para testar aberturas e velocidades. E isso fez toda a diferença. Que venham mais dias assim!

 

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BOLO MÁRMORE DE CLARAS E MATCHA

 

6 claras de ovos L (preferencialmente caseiros, pois conferem maior humidade ao bolo)

60 ml de azeite extravirgem suave

70 g de açúcar

110 g de farinha sem fermento

1 colher de chá de fermento em pó

2 colheres de chá de pó de matcha

3 colheres de sopa de sumo de lima ou limão

Açúcar em pó e matcha para decorar

 

Ligue o forno nos 180º.

Unte muito bem com manteiga ou azeite uma forma de buraco (a minha é pequena, tem cerca de 16 cm de diâmetro na parte mais larga), e polvilhe com farinha.

Numa taça, bata o açúcar com o azeite e o sumo de lima ou limão.

Peneire a farinha e o fermento para outra taça.

Bata as claras em castelo com uma pitada de sal até ficarem bem firmes.

Junte, de forma intercalada, a mistura de farinha e fermento e as claras em castelo, à taça dos líquidos, envolvendo com suavidade.

Por fim, passe metade da massa para outra taça e junte-lhe o pó matcha, envolvendo bem.

Verta as massas alternadamente para a forma previamente untada, de maneira a criar o marmoreado.

Leve ao forno durante cerca de 30 minutos. Confira com o palito o estado da cozedura, antes de retirar o bolo do forno.

Retire do forno, deixe arrefecer alguns minutos e passe delicadamente uma colher de manteiga pelas laterais do bolo para que este descole mais facilmente. Desenforme sobre uma rede ou sobre o prato de servir e deixe arrefecer completamente. Antes de servir, polvilhe com açúcar em pó e com mais um pouco de matcha.

 

Nota: se preferir, troque o matcha por cacau ou chocolate em pó (2 colheres de sopa ou a gosto).

 

MAIS RECEITAS DE BOLOS BUNDT:

01
Set18

Pão de banana, amêndoa e abrunhos [Para uma rentrée perfeita]

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Não vinha cá há mais de um mês. Mas tinha saudades.

Trabalho, férias em família e, claro, as longas férias escolares dos rapazes, que alteram as rotinas e me afastam deste hobby que é ter um blogue de cozinha. Um hobby de que gosto muito, mas que às vezes me deixa desanimada, tal o nível de sofisticação a que esta atividade chegou, nomeadamente quanto ao ritmo e à qualidade de produção das publicações, a começar pelas redes sociais.

A fasquia está tão alta, que às vezes me pergunto se ainda faz sentido andar por aqui. Muitas vezes sonho que vou finalmente fazer um planeamento dos conteúdos e publicar mais, que finalmente me vou organizar para poder criar alguns vídeos - ainda que para tal precise da ajuda de alguém, que eu sou um zero na área - que vou tirar fotos mais bonitas, etc. e tal. Mas depois, uma série de circunstâncias se juntam à minha capacidade de procrastinação - nisso sou boa - e fico no ponto em que estava.

Mas se dantes, quando se passava muito tempo desde o último post, os sentimentos de culpa combinados com algum wishful thinking me levavam a prometer que ia ser mais regular, que ia cozinhar mais e fotografar melhor, que desta vez é que era, hoje vou ser mais comedida e realista.

Quem sabe não era essa pressão e essa exigência que impunha a mim própria (tenho várias receitas fotografadas que não viram a luz do dia, porque não gostei do resultado final das imagens), que acabava por me fazer desistir, muitas vezes ainda antes de começar?

Só sei que adoro cozinhar, fotografar e partilhar. E enquanto achar que há alguém desse lado que se revê e se identifica com aquilo que vou mostrando e enquanto retirar prazer daquilo que faço, irei continuar por aqui. Seja uma vez por semana, ou uma vez por mês. Que seja setembro a guiar-me neste recomeço. Com serenidade (ler 'sem grande stress dos mais novos no regresso às aulas') e coisas boas na mesa. Como este delicioso pão de banana, que leva ainda amêndoa e gomos de abrunhos como topping.

 

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PÃO DE BANANA, AMÊNDOA E ABRUNHOS

2 bananas maduras
3 ovos
60 g de azeite extravirgem
90 g de açúcar mascavado
130 g de farinha de trigo 55 sem fermento
70 g de farinha de amêndoa (ou 70 g miolo de amêndoa sem pele moído)
1 colher de sopa de fermento em pó
90 g de miolo de amêndoa com pele picado grosseiramente (pode tostar a amêndoa, para intensificar o sabor e a crocância)
2 abrunhos fatiados

Pré-aqueça o forno nos 180º.
Unte muito bem uma forma de bolo inglês com manteiga ou azeite e polvilhe com farinha (em alternativa use spray desmoldante).
Numa taça bata o açúcar com o azeite.
Junte os ovos e bata bem.

Junte as bananas entretanto desfeitas com um garfo e misture tudo muito bem.

Adicione as farinhas e o fermento, envolva bem sem bater.
Por fim, adicione e envolva a amêndoa picada.
Verta para a forma e disponha por cima da massa as fatias de abrunhos. Salpique com mais um pouco de açúcar e leve ao forno durante cerca de 45 minutos ou até um palito sair seco quando espetado no centro da massa.
Retire e deixe arrefecer antes de servir.
Embrulhado em papel de alumínio ou película aderente, dura vários dias. É húmido e delicioso!

MAIS RECEITAS DE "BANANA BREAD":

01
Jun18

Mini-cheesecakes de cereja e framboesa [para celebrar o Dia da Criança]

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O Dia da Criança é celebrado em diferentes datas por todo o mundo. Gosto que em Portugal seja a 1 de junho porque o bom tempo costuma ser garantido (hoje, só para me deixar fica mal, a meteorologia já nos brindou com chuviscos e temperaturas pouco primaveris). Num dia de sol há mais possibilidades de oferecermos aos miúdos atividades ao ar livre e há uma atmosfera mais descontraída e brincalhona no ar.

 

Mas o Dia da Criança não é apenas um dia de brincadeira e pretexto para mimar os mais novos. É também uma data em que nos devemos lembrar que há milhões de crianças em todo o mundo que não vão poder celebrá-lo. Uma realidade que não é de agora e que levou à Declaração Universal dos Direitos das Crianças pela ONU, em novembro de 1959, mais tarde desenvolvida e aperfeiçada na Convenção sobre os Direitos das Crianças, assinada em 1989.

 

Os meus rapazes já são adolescente e pré-adolescente, mas espero que nunca abandonem algumas das melhores coisas de ser criança: a curiosidade, a capacidade de alimentar o sonho, a alegria genuína, a bondade, e até uma certa inocência, que ajuda a que o mundo pareça um lugar bem mais apetecível.

 

Apesar de não assinalarmos o Dia da Criança com pompa e circunstância - não lhes damos presentes, por exemplo - todos os anos costumo preparar uma receita diferente e partilhá-la aqui no blogue. Como esta semana me ofereceram uma caixa de deliciosas cerejas de Resende, desta vez foram elas o mote. Até porque são um dos frutos que mais associo à minha infância: quem não se lembra de brincar com as cerejas e pendurá-las nas orelhas a fazer de brincos? Eu adorava fazer isso. E a seguir comê-las, claro.

 

E depois as cerejas são tão fotogénicas, que deixam qualquer sobremesa irresistível. Estes cheesecake em versão mini, perfeitos para comer à colher, não são exceção. Vaidosos e gulosos, são uma ótima sobremesa para preparar este fim de semana. A pensar nos miúdos e não só...

 

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MINI-CHEESECAKES DE CEREJA E FRAMBOESA

Inspirados numa receita de Martha Stewart

 

Para 9

 

Para a base:

70 g de bolacha maria integral

30 g de manteiga derretida

 

Para o recheio

250 g de queijo creme

¾ de chávena de açúcar amarelo (ou a gosto, depende um pouco da acidez do queijo que usamos)

1 ovo L (usei um ovo caseiro e por isso ficaram tão amarelinhos ;)

1 colher de café de extrato de baunilha

1 pitada de sal

  

Para o coulis de cereja e framboesa:

70 g de cerejas descaroçadas e framboesas  (ou apenas um dos frutos)

1 colher de sobremesa rasa de açúcar amarelo (ou a gosto)

 

Pré-aqueça o forno nos 170º. Num robot de cozinha triture as bolachas e junte-lhes a manteiga derretida, formando uma espécie de areia fina húmida. Divida pelo fundo de 9 formas de papel colocadas num tabuleiro de queques – use o pilão de um almofariz para nivelar e comprimir esta base de bolacha.

Leve ao forno durante cerca de 5 minutos. Retire e deixe arrefecer.

Entretanto triture os frutos vermelhos e passe-os através de um coador fino, para obter um molho suave e homogéneo - talvez precise, a meio do processo, de empurrar o que fica agarrado na parede do copo e voltar a triturar. Junte a este coulis 1 colher de sobremesa de açúcar amarelo (ou a gosto). Reserve.

Com a ajuda de uma batedeira, misture o queijo creme com o açúcar e a pitada de sal. Junte a baunilha e o ovo e bata um pouco até estar homogéneo.

Distribua a mistura do queijo creme pelas formas de papel onde já colocou a base de bolacha. Com uma colher de café, verta algumas gotas do coulis de cereja e framboesa na superfície dos cheesecakes e, com a ponta de um palito, desenhe algumas espirais irregulares. Pode ser que não use o coulis todo, mas menos quantidade de fruta é difícil de triturar no robot).

Coloque o tabuleiro dos queques num tabuleiro de forno e encha o tabuleiro com água a ferver até cerca de metade da altura dos cheesecakes (eu prefiro encher o tabuleiro já no forno). Leve ao forno durante cerca de 30 minutos, rodando com cuidado os tabuleiros a meio da cozedura.

Retire do forno e com cuidado retire o tabuleiro de queques do tabuleiro com a água. Deixe arrefecer os cheesecake na forma sobre uma rede. Leve ao frio durante cerca de 4 horas antes de servir.

 

Nota: a textura é muito suave e ainda que se possam comer à mão, retirando o papel, recomendo servir com uma colher.

 

Mais receitas giras para o Dia da Criança

24
Mai18

Bolo de banana, caramelo e chocolate [e a magia dos bolos bonitos]

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Há muito que não fazia um bolo alto, bonito, guloso. Normalmente faço-os para os aniversários da família, mas, ultimamente, ou não temos celebrado em casa ou outras pessoas têm ficado responsáveis pelo bolo da festa.

 

Já tinha saudades. Um bolo tem sempre algo de mágico. Símbolo de celebração, de gratidão, de mimo ou indulgência. E de desafio também. Há sobremesas vistosas, tentadoras e rebuscadas, mas o resultado final nunca me inquieta tanto como num bolo.

 

Fazer um bolo implica sempre um sentimento misto de excitação e ansiedade: será que untei bem a forma? Será que vai cozer por todo? E se fica seco? Será que vai desenformar bem e ficar perfeitinho? Depois vem a fase da escolha do prato, da decoração e dos detalhes, por mais simples que sejam. E apesar desta vez não haver nenhuma razão especial para fazer um bolo, ninguém a quem surpreender, soube-me bem olhar para o resultado final e ver que ficou tal como o tinha imaginado. Um orgulhinho bom, ainda que um pouco pateta: na verdade, é só um bolo!

 

Um bolo que comecei a magicar quando dei conta de que as bananas da fruteira estavam a ficar muito maduras (um dos sinais empíricos mais certeiros de que os dias estão mais quentes é as bananas amadurecerem a uma velocidade supersónica). Depois comecei a pensar nos sabores que tradicionalmente combinam com este fruto, como o chocolate, o caramelo, o coco... 

 

Para a massa peguei numa receita de cupcakes de caramelo do meu livro e decidi introduzir-lhe vários updates: a adição da banana e do chocolate negro, azeite em vez de manteiga, açúcar de coco em vez de açúcar normal... o recheio e a cobertura é uma mistura de mascarpone e crème fraîche adoçada apenas com o caramelo que sobrou de caramelizar as bananas, mas já explico tudo na receita.

 

Como quase todos os bolos - se não mesmo todos - este também fica melhor no dia seguinte, por isso façam-no e decorem-no de véspera, guardando-no frigorífico. Gostei tanto do aspeto final do bolo, entre o rústico e o sofisticado, que me custou imenso parti-lo. Mas valeu a pena espetar-lhe a faca: sei que sou suspeita, mas... ficou delicioso!

 

 

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BOLO DE BANANA, CARAMELO E CHOCOLATE COM RECHEIO DE MASCARPONE E BANANA CARAMELIZADA

 

Para a massa:

3 ovos caseiros

120 g de azeite extravirgem suave

1 banana madura esmagada

100 g de açúcar de coco

135 g de farinha sem fermento

1,5 colheres de chá de fermento em pó

50 g de chocolate negro picado grosseiramente

110 de açúcar de coco + água qb + 90 ml de leite morno (usei magro) - para fazer o molho de caramelo

 

Para o recheio e cobertura:

4 bananas maduras

1 fio de sumo de limão

1 colher de sobremesa de óleo de coco

2 colheres de sopa de açúcar de coco

1 ou 2 colheres de sopa de água

1 embalagem de mascarpone bem frio (250 g)

1 embalagem de crème fraîche ou natas p/ bater bem frias (200 g)

Lascas e raspas de chocolate e lascas de coco para decorar

 

Comece por preparar o caramelo para a massa dos bolos: leve o açúcar ao lume, junte um pouco de água, só para cobrir e ajudar a dissolver, e deixe caramelizar - o ideal é fazer isto num tachinho com tampa e deixar caramelizar tapado para manter a humidade; vá destapando e vigiando, sem mexer. Quando estiver a borbulhar e bem dourado, com cherinho a caramelo, retire do lume e junte com cuidado o leite morno, mexendo com um batedor de varas (vai borbulhar bastante, o tacho não deve ser muito baixo, para não se queimar).

 

Entretanto ligue o forno nos 180º e unte muito bem três formas de bolo redondas com 14 cm de diâmetro, forrando os fundos com papel vegetal e voltando a untar e a polvilhar com farinha (em alternativa, pode usar spray desmoldante).

 

Numa taça grande, bata o azeite com o açúcar e a banana esmagada. Junte os ovos, mexa bem e adicione a mistura de leite e caramelo. Envolva a farinha peneirada e o fermento. Por último, envolva o chocolate picado.

 

Divida pelas três formas e leve a cozer durante cerca de 30 minutos - vá vigiando e faça o teste do palito, para saber se estão cozidos. Passe uma faca pelas laterais das formas para soltar os bolos e desenforme sobre uma rede forrada com papel vegetal.

 

Para caramelizar as bananas, corte-as em rodelas e regue-as com um fio de limão para não oxidarem. Numa frigideira grande antiaderente, coloque o óleo de coco, o açúcar e um pouco de água, deixe derreter e caramelizar um pouco. Junte as rodelas de banana e deixe-as caramelizar, virando-as a meio do processo - a ideia é manterem-se inteiras. Retire as rodelas com cuidado, com um escorredor, para um prato forrado com papel vegetal e aproveite o líquido/caramelo que ficou na frigideira - deve obter cerca de 2 colheres de sopa bem cheias de caramelo líquido. Deixe arrefecer.

 

Para fazer as lascas de chocolate, derreta 30 g de chocolate negro em banho-maria e espalhe-o sobre papel vegetal, alisando com uma espátula. Leve ao frigorífico até endurecer.

 

Entretanto, bata o mascarpone com o crème fraîche ou as natas (que devem ter várias horas de frigorífico) num chantilly firme, sem açúcar. Quase no final, junte o caramelo que sobrou de caramelizar as bananas e volte a bater até estar bem ligado.

 

Para montar e decorar o bolo: coloque um dos bolos no prato de servir e espalhe uma boa camada do creme de mascarpone. Espalhe algumas rodelas de banana e coloque outro bolo em cima. Repita com uma camada de creme de mascarpone e outra de rodelas de banana. Coloque em cima o último bolo, faça uma camada generosa e relativamente uniforme com o creme de mascarpone e decore com mais algumas rodelas de banana, lascas de chocolate (parta o chocolate entretanto endurecido de forma irregular em pequenos estilhaços) e lascas de coco torrado.

 

Termine com raspas de chocolate feitas na hora (se não for para servir logo, pode deixar a decoração do topo para pouco tempo antes de servir - as raspas, sobretudo, faça-as e espalhe-as apenas antes de servir, para não serem absorvidas pelo creme).

 

Mais bolos de festa:

Teresa Rebelo

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