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Lume Brando

31
Jan20

Bolo de ananás invertido [Diz-me o que lês #26]

Bolo de ananás

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #26

"Amor em fatias" - Gilberto Costa - A Esfera dos Livros*

 

 

Por mais que me esforce, não consigo resistir a livros com receitas de bolos. Nada a fazer.

Desta vez, quem me piscou o olho foi o Amor em fatias do chef Gilberto Costa.

[Curiosidade: descobri que no Porto há uma casa de chá com o mesmo nome, "Amor em Fatias", mas pelo que li não tem nada a ver com o Chef Gilberto Costa.]

Este é já o terceiro livro deste autor. Não conheço os anteriores, sei que um é de receitas de bolachas e biscoitos, outro de sobremesas 'equilibradas', intitulado Prazer sem Pecado.

Livro Amor em Fatias

Natural dos Açores, Gilberto Costa tem o Curso Profissional de Cozinha e Pastelaria da Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril, a par da licenciatura em Produção Alimentar na Restauração e do Mestrado em Segurança e Qualidade Alimentar na Restauração. Atualmente é docente na Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril, sendo convidado com frequência para eventos e programas televisivos.

No Amor em Fatias encontramos 70 receitas de bolos "das nossas avós que nos fazem viajar no tempo", organizadas pela sua origem:

  • Alemanha
  • Áustria
  • Bélgica
  • Brasil
  • França
  • Grécia
  • Inglaterra
  • Portugal - Açores
  • Portugal - Alentejo
  • Portugal - Algarve
  • Portugal - Beira
  • Portugal - Douro e Minho
  • Portugal - Estremadura
  • Portugal - Madeira
  • Portugal - Trás-os-Montes e Alto Douro
  • Suécia
  • Suiça

 

Algumas das receitas são já bastante conhecidas e comuns, outras são mais originais e apelativas, como o Bolo de Chocolate Suiço, feito com discos da massa de palitos La Reine, creme de chocolate e chantilly, ou o Bolo Mimoso, do Algarve, que leva fios de ovos e tangerina cristalizada na massa, ou ainda o Bolo de Maçã com Cerveja.

É um livro muito simples e apenas de receitas. Não há extras, como receitas de cremes, recheios ou outras preparações "de base", nem há capítulos mais teóricos ou técnicos sobre pastelaria. Mas, na verdade, também já há muitos livros que incluem esta componente, certo?

 

Bolo de ananás

 

Se é o melhor livro de receitas de bolos que já vi? Não. Até porque a descrição das receitas é muito sucinta, provavelmente por terem sido escritas por um chef de pastelaria, para quem a confeção dos bolos não tem segredo e sabe os detalhes de cor. As receitas não nos dizem, por exemplo, o tamanho das formas a utilizar.

 

Outro dos aspetos menos positivos é o facto das receitas serem bastante calóricas. Achei que, de uma maneira geral, as quantidades de açúcar poderiam ter sido reduzidas, sem comprometerem o resultado final. Aliás, no bolo de ananás que encontram mais abaixo, usei menos açúcar do que pedia a receita original e ficou ótimo. Acredito que o chef Gilberto Costa tenha querido manter-se fiel ao receituário original e, já se sabe, as nossas avós achavam que nos tinham de manter docinhos e rechonchudos.

 

Resumindo: Amor em Fatias é um livro simpático, especialmente dirigido a quem gosta de fazer bolos tradicionais e mimar os amigos e a família ao fim de semana ou nos dias de festa. Um livro para nos fazer viajar à infância e onde provavelmente vamos descobrir receitas que provámos em criança - ou os nossos pais  - e pensávamos perdidas para sempre. As fotografias são bonitas, mas por vezes o plano é tão aproximado que não nos permite apreciar o bolo da melhor maneira.

 

Como sempre, esta rubrica contou com o apoio da Livraria Bertrand, onde pode comprar e saber mais sobre o livro >>> Bertrand Online

 

*Este post contém links afiliados.

Bolo de ananás

BOLO DE ANANÁS

Ligeiramente adaptado do livro "Amor em fatias", Chef Gilberto Costa

 

Para 2 bolos com 16 cm de diâmetro

200 g de açúcar (para o caramelo)

Cerca de 14 rodelas de ananás em conserva (usei das latas pequenas do Lidl)

3 ovos (gemas + claras separadas)

180 g de açúcar 

110 ml de azeite extravirgem suave

50 ml de sumo de ananás

150 g farinha de trigo sem fermento

10 g de fermento em pó

 

Fazer o caramelo com 200 g de açúcar, num tacho de fundo espesso. Mantenha o tacho tapado, para ganhar humidade e o açúcar não cristalizar. Levantar a tampa de vez em quando, rodar o tacho, para uniformizar, e retirar do lume quando atingir uma cor de caramelo âmbar, não demasiado escuro.

Dividir o caramelo pelo fundo das formas. Precisa de ser um processo rápido, para o caramelo não solidificar - se preferir, faça 100 g de caramelo de cada vez. Untar as paredes das formas que não ficaram com caramelo, idealmente com spray desmoldante.

Distribuir as rodelas de ananás pelo fundo das formas e partir em pedacinhos o ananás restante.

Ligar o forno nos 180º.

Bater as gemas com o azeite e o açúcar. Juntar o sumo de ananás (aproveitado das latas) e o ananás em pedacinhos.

Adicionar a farinha e o fermento peneirados.

Bater as claras e e envolver suavemente no preparado anterior.

Distribuir pelas formas e levar a cozer durante cerca de 40 minutos - fazer o teste do palito para ve se está pronto.

 

NOTA: para dar aos bolos um aspeto ainda mais caramelizado, já depois dos bolos prontos fiz nova dose de caramelo e verti sobre os mesmos.

 

MAIS RECEITAS DE BOLOS INVERTIDOS DE FRUTA:

 

10
Jan20

Gnudi [ou almôndegas de requeijão - Diz-me o que lês #24]

Jamie e a Cozinha Italiana

Gnudi (almôndegas de requeijão)

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #24

"Jamie e a Cozinha Italiana - Uma viagem ao coração de Itália" - Jamie Oliver - Porto Editora

 

Ainda que já tenha sido mais popular - as notícias sobre o insucesso financeiro de alguns dos seus projetos contribuíram para essa 'queda' - Jamie Oliver dispensa apresentações. E se há alguém que sabe fazer livros de cozinha, é seguramente este chef inglês e a sua equipa.

 

Pelas minhas contas, este é já o 22º livro de Jamie. E não é o primeiro a abordar a cozinha italiana. A paixão de Jamie Oliver por esta gastronomia é conhecida, muito por influência da sua passagem pelo restaurante River Café, no início da sua carreira, e também pela sua longa e forte amizade com Gennaro Contaldo, com quem, aliás, viajou por toda a Itália para fazer este livro.

 

Ainda que os sabores e as técnicas culinárias italianas estejam, de alguma forma, presentes em todos os seus livros, nos volumes "Jamie Does...", onde surge um capítulo dedicado a Itália, e no "Jamie's Italy", o seu amor por esta cozinha tinha sido já destacado. Tanto que quando me apercebi do lançamento deste livro, o meu primeiro pensamento foi "O quê? Mais um sobre Itália?" 🤪

Jamie e a Cozinha Italiana

 

Mas se é verdade que Jamie e a sua equipa sabem baralhar e dar de novo como ninguém - são peritos em reaproveitar receitas, alterando-lhes pequenos detalhes e apresentando-as com novas roupagens, como se fossem inéditas - também é certo que a riqueza e a capacidade de sedução dos sabores italianos prestam-se a isso mesmo, sem nunca nos cansarem.

 

Este é um livro à Jamie: grande formato, capa dura, 410 páginas, fotos maravilhosas de David Loftus - um dos melhores fotógrafos de comida do mundo (cuja carreira e sucesso são indissociáveis da sua parceria de anos e anos com Jamie), mais de 200 receitas, bem escrito, design gráfico irrepreensível.

 

O índice divide-se pelos seguintes capítulos:

  • Introdução
  • Antipasti
  • Saladas
  • Sopas
  • Massas
  • Arroz e Dumplings
  • Carne
  • Peixe
  • Acompanhamentos
  • Pão & Afins
  • Sobremesas
  • As bases

 

Um dos aspetos mais bonitos do livro (ainda que noutros dos seus livros Jamie já o tenha feito), é o facto nos dar a conhecer várias "nonnas" - "avós" italianas que cozinham magistralmente e há anos para as suas famílias e/ou pequenos restaurantes, partilhando algumas das suas receitas e dicas.

 

Jamie e a Cozinha Italiana

A receita que escolhi para testar, e que segue mais abaixo, foi a de "gnudi", que no italiano da Toscana significa "nu". O nome deve-se ao facto de serem feitos apenas com ricotta (usei requeijão), um recheio clássico dos raviolli, ou seja, é como se fossem raviolli "nus", sem a massa 😉.

 

Resumindo: "Jamie e a Cozinha Italiana" não é um livro inovador, nem no tema, nem no tipo de receitas, a que o Jamie Oliver nos habituou nos seus livros anteriores. No entanto, nota-se uma certa simplicidade, sobretudo no número de ingredientes das receitas e nos métodos de confeção, que me agradou bastante. É um livro muito bem feito, daqueles que se folheia com muito prazer e onde se colam post-its em quase todas as páginas.

 

Como sempre, esta rubrica teve o apoio da Livraria Bertrand 💛 em cuja loja online podem saber mais e comprar o livro >>> Bertrand online*

 

*Link afiliado

Gnudi (almôndegas de requeijão)

GNUDI [Almôndegas de requeijão]

Ligeiramente adaptado do livro "Jamie e a Cozinha italiana", de Jamie Oliver

 

Para 3 - 4 pessoas

 

500 de requeijão

50 g de parmesão ralado + um pouco para polvilhar no final

500 g de sêmola de milho para polenta

1 pitada de sal

1 pitada de pimenta preta acabada de moer

750 ml de molho de tomate caseiro

100 g de nabiças ou brócolos

Noz moscada para ralar na altura

 

De véspera, fazer as bolinhas:

- Colocar a farinha para polenta num prato fundo

- Escorrer o requeijão, desfazê-lo e misturá-lo com o parmesão ralado finamente e um pouco de sal e pimenta preta acabada de moer

- Fazer bolinhas (um pouco mais pequenas do que as almôndegas tradicionais) e passâ-las pela polenta, colocando-as noutra assadeira.

- Verter a polenta sobre as almôndegas, para cobri-las

- Levar ao frigorífico - mínimo 8 horas - sem tapar

 

No dia seguinte:

- Ligar o forno nos 180ºC

- Dar uma fervura aos brócolos ou às nabiças (devem ficar al dente)

- Colocar o molho de tomate num prato relativamente fundo de ir ao forno

- Dispôr as almôndegas, sacudindo o excesso de polenta

- Dispor os brócolos ou as nabiças

- Polvilhar com noz moscada e queijo parmesão ralado

- Levar ao forno até borbulhar e as almôndegas ficarem crocantes e tostadinhas

 

Servir com umas boas fatias de pão rústico.

 

Nota: nas fotos, está o resultado dos gnudi seguindo a receita original, que diz para se cozerem os mesmos em água com sal e passá-los por manteiga e noz moscada antes de se levarem ao forno no molho de tomate. No entanto, achei difícil este processo (os meus gnudi - prefiro chamar-lhes almôndegas - começaram a desfazer-se). Como não cozi todos, resolvi levar alguns ao forno sem cozer antes mas igualmente numa cama de molho de tomate, mantendo a capa de polenta (que desaparece na água de cozedura). Ficaram deliciosos e ainda melhores do que os primeiros, pois a polenta dá ao prato um contraste de texturas fantástico.

Gnudi (almôndegas de requeijão)

OUTRAS RECEITAS COM INSPIRAÇÃO ITALIANA:

Teresa Rebelo

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