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Lume Brando

19
Out18

Pão de milho e espelta [para comer também com os olhos]

pao_milho_6.jpg

 

Não sou especialista em pão caseiro, ainda que de vez em quando goste de fazer algumas experiências, inspirada sobretudo pelas imagens incríveis de pão com que às vezes me deparo no Instagram. Uma côdea dourada que indicie crocância, um desenho na massa que revele originalidade (e dotes artísticos), um cenário que me remeta para comida de verdade e para a partilha de momentos felizes: adoro fotografias bonitas de pão.

 

Como já não fazia pão há algum tempo, esta semana decidi fazer a receita de um pão de milho que há algum tempo desenvolvi para um show-cooking. A minha ideia era conseguir uns cortes bonitos e inspiradores na massa. Vi alguns vídeos e posts em que se usava farinha de arroz para polvilhar o pão antes de fazer os cortes e fiquei a saber que há instrumentos de corte específicos, uns parecidos com bisturis, outros que parecem láminas de barbear. Como não tinha nada disso, resolvi usar um x-ato.

 

Com a primeira dose que levei a cozer não correu bem: um contratempo fez com que não levasse a massa ao forno na altura ideal e acabou por levedar demasiado (acho eu que foi isso, mas não estou 100% segura). Para além disso, como esta massa tem elevado teor de água e é muito húmida (é um no-knead bread), os cortes são mais difíceis de fazer. Quem viu as minhas stories no IG apercebeu-se de que o primeiro pão, apesar de eu ter tentado fazer uns cortes bonitos, não tinha crescido como devia.

 

No dia seguinte, voltei à carga, cumprindo o tempo de descanso apropriado para a receita. Usei de novo a farinha de arroz para polvilhar - sim, concluí que a farinha de arroz faz toda a diferença, pois tem um ponto de cozedura mais alto, mantendo-se branca até ao fim do tempo de forno, e dá à côdea uma ótima textura areada - mas pus de lado o x-ato, utilizando uma faca afiada comprida de gume liso. Segui, no entanto, outra dica: molhar a lámina antes de fazer cada um dos cortes. E desta vez, para não fazer asneira, fiz apenas três cortes tradicionais.

 

Os cortes têm uma razão de ser: ajudam a massa a expandir de uma forma equilibrada, como que guiando a massa ao longo da cozedura. Sem cortes, a pressão iria fazer ceder a massa onde esta estivesse mais frágil e poderia comprometer a cozedura de uma maneira uniforme.

 

Levei o pão a cozer numa panela pré-aquecida de ferro fundido, como ultimamente tenho feito, e não é que saiu esta coisa linda? Encontram a receita no final do post!

 

pao_milho_2.jpg

 

Pode não ter na côdea os desenhos mais arrojados, pode não ser ainda o pão de fermentação lenta e massa-mãe caseira que um dia quero vir a fazer, mas já me deixou orgulhosa. Ainda por cima, o meu rapaz mais velho adorou o pão e tive mesmo de o fazer parar de comer.

 

E por aí, somos entusiastas de fazer pão ou nem por isso? Que dicas seguem e que me poderiam ajudar a fazer pão ainda mais bonito e saboroso? Já agora, se gostam desta temática culinária, dêem uma espreitadela a estes feeds - tenho a certeza de que irão ficar derretidos, tal como um pedaço de manteiga a travar conhecimento com uma fatia ainda quente de uma sêmea ou de um cacete estaladiço 💛:

 

E ainda o nosso incrível Mário Rolando:

 

 

pao_milho_4.jpg

 

PÃO DE MILHO E ESPELTA (SEM AMASSAR)

 

150 g de farinha de milho

150 g de farinha de espelta

200 g de farinha T65

375 ml de água morna

1 pacotinho de fermento de padeiro seco

1/2 colher de sopa bem cheia de sal marinho

1 colher de sobremesa de açúcar amarelo

Farinha de arroz para polvilhar

 

Coloque a água morna numa taça grande de plástico que tenha tampa. Junte o fermento e mexa bem, para que este se dissolva. Noutra taça, pese as farinhas, junte-lhes o sal e o açúcar. Adicione estes secos, aos poucos, à mistura de água e fermento, mexendo com uma colher, só até estar tudo ligado. Coloque a tampa por cima (sem fechar hermeticamente) e deixe repousar duas horas à temperatura ambiente. Após este tempo, guarde a massa no frigorífico, tapado com a tampa, mas esta apenas pousada. Dura cerca de 10 dias no frigorífico, podendo ser usada aos poucos.

 

Quando quiser fazer pão, polvilhe com farinha a superfície da massa e retire um pedaço do tamanho de uma toranja.

Volte a tapar e a guardar no frigorífico a massa restante.

Molde a massa em forma de bola, achate-a um pouco e deixe-a repousar sobre papel vegetal polvilhado com farinha e coberto com um pano, cerca de 40 minutos.

Entretanto ligue o forno nos 200º.

Se tiver uma panela de barro ou ferro fundido com tampa, coloque-a a aquecer, vazia e sem tampa. 

Polvilhe uniformemente a massa com farinha de arroz com a ajuda de uma peneira ou um coador.

Humidifique a lámina de uma faca bem afiada e faça um corte rápido na superfície da massa. Repita o gesto as vezes apropriadas (eu fiz três cortes).

Retire a panela do forno, e transfira para esta, com cuidado para não se queimar, a massa com o papel vegetal.

Tape a panela e leve a cozer durante cerca de 40 minutos. Ao fim deste tempo, retire a tampa e, se achar que ainda está um pouco branco, retire da panela e deixe cozer mais alguns minutos sobre o papel vegetal e numa posição superior do forno, para dourar. Faça o teste de bater no pão para ver se está cozido: estará perfeito quando se ouvir um som ‘oco’. Retire do forno e deixe arrefecer sobre uma rede.

 

Nota:

Pode também cozer o pão sobre uma pedra ou um tabuleiro tradicional, idealmente pré-aquecidos; neste caso, para criar humidade no forno (tal vai acontecer naturalmente na panela tapada), coloque um tabuleiro com água a ferver na parte de baixo do forno, uns 10/15 minutos antes de colocar o pão e enquanto o pão coze. Há também quem use toalhas de felpo húmidas e regadas com água a ferver.

 

 Mais receitas de pão aqui no blogue:

 

 

 

 

 

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Teresa Rebelo

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