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Lume Brando

04
Jul14

Plim, plam, plum.







As ameixas continuam a chegar e de várias origens generosas. Enquanto não me resolvo a fazer compota com elas, vou escoando-as com a ajuda de outras receitas doces.
Apesar de num post recente ter dito que as minhas estações favoritas eram a Primavera e o Outono, tenho de admitir que se há coisa boa que o Verão nos traz (para além das férias, do sol - quando resolve aparecer - e de um clima mais descontraído no ar), é a fruta. O Verão é a época da fruta por excelência e para quem, como eu, gosta de bolos e sobremesas com fruta, não há mãos a medir por estes dias.Depois do bolo invertido do último post, resolvi fazer estes queques. Um pouco improvisados, a partir de duas receitas: os queques de iogurte da Leonor de Sousa Bastos e este bolo de ameixa com crumble do Pratos &Travessas. O resultado foi um queque rico mas equilibrado, devido aos diferentes sabores e texturas, que numa só dentada nos dá o crocante do crumble, reforçado pelas sementes, a maciez ácida da fruta, e ainda a massa húmida e de travo caramelizado devido ao açúcar amarelo. Adorei.E ao contrário dos queques 'normais', estes não ficam secos no dia seguinte (aliás, no dia seguinte, estavam ainda melhores), o que é uma óptima dica para quem quiser levá-los para um piquenique e precisa de fazê-los com antecedência.(Sim, porque outra coisa boa do Verão, que esqueci de referir mais acima, são os piqueniques e as refeições ao ar livre!)



QUEQUES DE AMEIXA COM CRUMBLE DE SEMENTESPara 12, em formas de papel médias, das que cabem nas cavidades dos tabuleiros de queques



Cerca de 18 ameixas pequenas (usei das brancas e das vermelhas)1 fio de sumo de limão1 colher de sopa de açúcar amarelo

200 g de farinha T55?
7 g de fermento tipo Royal?
180 g de açúcar? amarelo
125 g de iogurte natural sem açúcar
(1 iogurte tamanho normal)
?100 g de manteiga derretida (usei Vaqueiro líquida)
1 ovo
1 gema

Crumble:

90 g de farinha
75 g de manteiga ou margarina fria, cortada em cubos
50 g de açúcar amarelo
3 colheres de sopa de mistura de sementes (pevides de abóbora, sementes de girassol, de linhaça, sésamo, etc,)
1 colher de café de canela

Descascar as ameixas, descaroçá-las, cortá-las em pedaços pequenos e colocá-las numa taça com o fio de limão e a colher de sopa de açúcar amarelo. Reservar.
Numa taça, juntar a farinha, o açúcar e a manteiga do crumble e misturar com os dedos até se obterem migalhas grossas. Junte as sementes e envolva com as mãos. Reservar
Distribuir as forminhas de papel pelo tabuleiro de queques.?
Numa taça, colocar a farinha e o fermento e juntar-lhes o açúcar, misturando bem com um garfo. Noutra taça, bater o ovo, a gema, a manteiga, e o iogurte, só até ter obtido uma mistura homogénea.
Juntar os ingredientes secos aos húmidos rapidamente, sem bater demasiado.?
Distribuir a massa pelas formas com uma colher de gelado - só até metade da forma de papel. 
Distribuir a fruta reservada (e o sumo) pelos queques e teminar com uma camada de crumble.
Cozer durante cerca de 35 minutos. Nos últimos 5 ou 10 minutos de cozedura ligue só a parte superior do forno, para cozinhar o crumble. Deixar arrefecer um pouco, retirar as forminhas do tabuleiro e deixar arrefecer completamente sobre uma grade de bolos.


30
Jun14

Bolo da Época.




As ameixas do quintal dos meus pais começaram a chegar.
Não estão tão doces nem tão grandes como em anos anteriores (tempo doido, queres dizer alguma coisas sobre isto?) mas, mesmo assim, comem-se bem ao natural.
Só que o cesto vinha carregado e decidi usar algumas num bolo.

Adoro bolos com fruta, em especial os 'upside down cakes' (bolo invertido? não sei se em português existe algum equivalente para designar este tipo de bolo, em que a fruta é colocada em primeiro lugar na forma, antes da massa), porque ficam sempre bonitos e vistosos, sem necessidade de decoração (acabei por polvilhar este com açúcar em pó, mas não se revelou muito boa ideia, pois a humidade da fruta absorveu imediatamente o açúcar).

Um bolo perfeito para o lanche, num destes dias em que apesar do calendário dizer Verão, o chá que mais apetece não é o gelado.

Para outro bolo invertido de fruta, espreitem esta receita com kiwi e chocolate.














BOLO INVERTIDO DE AMEIXAS

Cerca de 20 ameixas pequenas
170 g + 2 colheres de sopa de açúcar amarelo
90 g de Vaqueiro líquida
4 ovos
1 limão
180 g de farinha
2 colheres de chá de fermento em pó

Pré-aqueça o forno nos 180º. Unte uma forma redonda com ou sem buraco e unte-a muito bem com manteiga, polvilhando-a depois com farinha. Descasque, descaroce e fatie as ameixas, colocando-as numa taça juntamente com 2 colheres de sopa de açúcar amarelo. Obtenha a raspa do limão e reserve, juntando depois um fio de sumo de limão às ameixas.

Numa taça, bata o açúcar com a margarina. Junte os ovos, um a um.
Adicione a raspa de limão. Envolva a farinha e o fermento em pó.
Forre o fundo da forma com as ameixas e o suco entretanto criado.
Verta na forma a massa e leve ao forno cerca de 40 minutos ou até estar bem dourado e um palito sair seco do interior do bolo. Deixe arrefecer um pouco e desenforme com cuidado.

11
Jun14

Sweet green.





A passos de caracol, vou testando as receitas que mais curiosidade me despertam.
Usar curgete em bolo estava na lista há anos, talvez desde que conheço o Chocolate & Zucchini - um dos blogs de cozinha estrangeiros que sigo há mais tempo.
Na verdade, não consigo encontrar uma explicação para nunca ter experimentado, mas desta vez os astros alinharam-se a favor deste desejo antigo.

Recentemente, comecei a receber o cabaz semanal da Prove, um serviço de entrega em casa de legumes e fruta de agricultores locais. Estou bastante satisfeita com os produtos, mas nem sempre é fácil conseguir gastar todo o cabaz num semana (e o meu congelador é muito pequeno). Este bolo surgiu por isso como a solução ideal para dar uso a uma curgete grande (e as grandes só gosto de usar na sopa), que andava há já uns dias no frigorífico.

Confesso que fiquei na dúvida se havia de partilhar ou não esta experiência, porque não foi daquelas paixões à primeira fatia. Mas levei o bolo para a reunião da associação de pais da escola dos meus rapazes, e os meus colegas, que ao contrário de mim o apreciaram bastante, incentivaram-me a que o publicasse.

Em todo o caso, acho que o problema de eu não ter gostado muito do bolo não está na curgete, mas sim na baunilha. Nas raras vezes que usei baunilha em bolos de chocolate, eles ficaram com um certo travo a bolo 'de compra', a que costumo torcer o nariz.
Conclusão: vou ter de voltar a fazê-lo, mas sem a baunilha para tirar a teima...







BOLO DE CHOCOLATE E CURGETE
(receita daqui)

120 ml de azeite extra virgem (usei Gallo frutado)
240 farinha sem fermento
60 g cacau em pó
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1/2 colher de chá de fermento em pó
1/2 colher de sal de chá fino (usei um pouco menos)
180 g de açúcar amarelo
1 colher de chá de extracto de baunilha (para a próxima não vou usar!)
1 colher de chá de café solúvel (usei 1 pacotinho de Nescafé)
3 ovos
350 de curgete ralada com casca
160 de chocolate preto em pepitas (piquei grosseiramente esta quantidade de chocolate de culinária na Bimby)
Açúcar em pó para servir

Pré-aquecer o forno nos 180º.
Untar com manteiga uma forma grande (25 cm de diâmetro) e polvilhar com farinha. Forrar o fundo com papel vegetal e voltar a untar/polvilhar.
Ralar a curgete e pesar as pepitas de chocolate (ou picar o chocolate equivalente).
Numa taça grande juntar a farinha, o cacau, o fermento, o bicarbonato e o sal.
Noutra taça grande, bater o azeite com o açúcar. Adicionar a esta mistura o café solúvel, a baunilha e os ovos, mexendo bem entre cada adição.
Adicione grande parte da mistura de ingredientes 'secos' (farinha, cacau etc.) à taça dos 'líquidos' e mexa só até ficar uniforme. Adicionar a curgete e o chocolate à taça dos ingredientes 'secos' reservados e envolver bem. Juntar à restante massa, sem mexer demasiado.
Verter para a forma, alisar e levar a cozer cerca de 50 minutos ou até um palito sair seco do interior do bolo.
Desenformar, deixar arrefecer e polvilhar com açúcar em pó antes de servir.
Se gostar de contraste de texturas, sirva cada fatia com uma colherada de iogurte natural tipo grego sem açúcar, polvilhado de pistácios picados.




05
Jun14

Festa na aldeia.






Aviso à navegação: este é um post sem receita.
Há já algumas semanas que não consigo cozinhar nem fotografar para o blog, o que deixa uma parte do meu coração vazio, porque trabalhar para este projecto é uma das coisas que mais prazer me dá.

O final do ano escolar é sempre uma altura com vários compromissos, incluindo alguns ligados à instituição onde faço voluntariado. Para além disso, estive a organizar e a orientar um workshop de cozinha privado, tenho os rapazes a terminar o ano lectivo e, na última semana, andei atarefada a organizar a Primeira Comunhão do mais velho.

Um momento importante para toda a família, que me deixou tão feliz quanto nostálgica e pensativa. Estava grávida do L. quando criei o Lume Brando, em 2004. Isto significa que o blog vai fazer 10 anos lá mais para o fim do ano.
Será que é desta que festejo a data?
Quem me conhece e me segue no facebook sabe que adoro festas, mas surpreendentemente nunca celebrei os aniversários do blog, talvez porque goste mais das festas reais do que das virtuais.

E é precisamente a 'real party' de domingo passado, que aqui vos trago.
Foi um almoço apenas para a família mais próxima, mas mesmo assim quis tornar o dia especial, com detalhes simples mas bonitos, com destaque para as flores naturais.
Costumo dizer que se fosse rica, permitia-me dois luxos: roupa de cama lavada todos os dias e flores naturais, frescas, em toda a casa, todos os dias. Como isso não é possível, pelo menos nas festas tento satisfazer esta minha paixão por flores, sobretudo pelas brancas e campestres.

O sol e o cenário - uma casa no campo dos avós paternos - ajudaram e muito à magia deste dia. Alguns elementos da decoração foram feitos de propósito, como a grinalda e os pompons de papel (que uma das minhas sobrinhas carinhosamente conseguiu fazer entre os seus momentos de estudo, obrigada, L.!), mas a maior parte das coisas eu já tinha: o prato do bolo, os castiçais, os dispensadores de sumo (um daqui, os outros daqui), a moldura da ementa, a lousa do bar (que é dos meus filhos), as bases de tronco, os frascos que usei para as flores, os toppers em ardósia dos arranjos, etc.

Deu trabalho? Sim (não só a mim, como aos avós e a todos os que colaboraram de alguma forma).
Mas ver o L. tão feliz e bem-disposto, diz-me que valeu a pena.





18
Mai14

Happy World Baking Day 2014!











Hoje é dia de ligar o forno, fazer um bolo e mimar alguém especial.
Quem diz um bolo, diz umas bolachas, uns queques ou uma tarte.
Claro que podemos fazer isto noutro dia qualquer, mas hoje, para além de ser domingo - dia em que normalmente temos mais tempo para a cozinha - é o World Baking Day.
Em Portugal, esta data é dinamizada pela Vaqueiro, que pretende reforçar a importância da comida caseira e da partilha. No âmbito desta iniciativa, recebi há uns tempos uma caixa muito engraçada em forma de forno. Lá dentro, muitas surpresas, entre as quais a Vaqueiro líquida, a farinha Maizena e o açúcar Moreno Sores, ingredientes que usei nesta receita: um bolo de banana, coco e caramelo, que há muito tinha marcado no livro da Leonor de Sousa Bastos. E só depois de fazer o bolo é que me lembrei que já o ano passado tinha celebrado este dia com uma receita do Flagrante Delícia, um dos meus blogs favoritos, que infelizmente tem estado parado (volta Leonor, temos saudades!).
Podem ver o meu post do ano passado aqui.

Este é um bolo algo diferente dos que eu costumo fazer, sobretudo ao nível da massa. Fiz umas pequenas alterações: substituí a quantidade de farinha normal por metade de farinha de espelta e metade de Maizena, e usei Vaqueiro líquida em vez de manteiga derretida. Mas pela fotografia do livro, o resultado foi muito idêntico ao original. A massa, apesar de densa e compacta, é húmida e a combinação de sabores funciona tão bem, que foi bastante apreciado pelo provador-mor, que normalmente só se deixa encantar por bolos de chocolate.

Seja com esta ou outra receita, não deixem de celebrar o World Baking Day.
Decidam quem vão mimar, escolham os ingredientes, liguem o forno e... façam mais um bolo!















BOLO DE BANANA E COCO COM COBERTURA DE CARAMELO
(adaptado do livro "Flagrante Delícia", de Leonor de Sousa Bastos)

75 g de farinha de espelta
75 g de farinha Maizena
1/2 colher de fermento em pó
75 g de açúcar moreno Sores
60 g de coco ralado
2 ovos
75 ml de leite
50 g de Vaqueiro líquida
150 de puré de banana

Para a cobertura - banana salteada:
4 bananas (não muito maduras, para que não se desfaçam no caramelo)
100 g de açúcar
40 ml de rum

Pré-aquecer o forno nos 180º. Untar com manteiga e polvilhar com farinha uma forma quadrada de 20 cm. Forrar o fundo da forma com papel vegetal e untar/polvilhar este também (ou usar spray desmoldante). Misturar a farinha, o açúcar, o coco e o fermento. Noutra taça, bater os ovos ligeiramente e misturar com o leite, a manteiga e a banana esmagada. Misturar os ingredientes secos com os líquidos sem mexer demasiado, só até a massa estar ligada. Verter para a forma preparada, e levar ao forno entre 20 a 30 minutos ou até que um palito saia limpo do seu interior. Retirar do forno, desenformar e deixar arrefecer.
Para a cobertura: levar ao lume um tachinho com o açúcar até este caramelizar (não cair na tentação de mexer o açúcar). Adicionar as rodelinhas de banana e deixar saltear durante alguns minutos. Juntar o rum e deixar ferver uns minutos. Retirar do lume e cobrir o bolo com as rodelas de banana e o caramelo.


05
Mai14

Dia da Mãe: a mesa e o bolo.




Para ambos podermos passar o Dia da Mãe com as nossas mães, este ano voltei a fazer o almoço cá em casa. "Fazer" é uma força de expressão, pois na verdade só pus a mesa, preparei uns salgadinhos para entrada e fiz o bolo preferido da minha mãe
(na verdade não é bem um bolo, é mais uma sobremesa às camadas de massa folhada e doce de ovos).

O prato principal foi cabrito assado com arroz de forno, batatinha assada e legumes. Veio tudo daqui e tudo estava delicioso. O creme de legumes, a fruta, a mousse de chocolate e o pão de ló, que completaram o menu, foram trazidos pelas especialistas da família em cada um desses itens, e está fácil de ver que foi um almoço que durou até tarde.
Nestes almoços de Primavera, em que o sol também se faz de convidado, gosto de caprichar na mesa, enchê-la de flores e de cores ligadas a esta época do ano.
As flores que comprei na feira deram o mote rosa e assim surgiu uma mesa algo diferente da do ano passado, que podem espreitar aqui.

Quanto ao bolo, vou deixar aqui as indicações, mas como vos disse não é um bolo no sentido tradicional do termo. De vez em quando, há nas festas da nossa família um bolo parecido com este, vindo de Guimarães, que a minha mãe adora, mas que basicamente é isso: massa folhada e doce de ovos. Podem fazer o doce de ovos com bastante antecedência, e no dia é só levar ao forno as placas de massa folhada, que podem cortar na forma que desejarem ou até usarem inteiras.
Acho que da próxima vez irei usar placas de massa folhadas redondas, para ficar com mais ar de bolo.

Uma sobremesa pecaminosa, só para dias especiais. Como o de ontem.














BOLO DE MASSA FOLHADA COM DOCE DE OVOS

2 placas de massa folhada refrigeradas
+
Doce de ovos:
12 gemas + 1 ovo inteiro (usei caseiros, faz toda a diferença)
500 g de açúcar
250 g de água
1 pedaço de casca de limão
1 pau de canela

Comece por fazer o doce de ovos: num tacho, levar ao lume a água, o açúcar e os aromatizantes (limão e canela). Sem mexer, deixar levantar fervura. Quando começar a borbulhar (bolhas grandes em toda a superfície da calda), contar 4 ou 5 minutos (normalmente deixo ferver 3 minutos, mas desta vez quis que o doce de ovos ficasse um nadinha mais espesso). Retirar do lume, descartar o limão e a canela e verter em fio sobre as gemas e o ovo previamente desfeitos numa taça de metal, mexendo sempre. Coar para o tacho e levar ao lume até engrossar, cerca de 15 minutos, mexendo sempre para não ganhar grumos e sem deixar ferver. Colocar num frasco, deixar arrefecer e conservar no frigorífico.


Cozer a massa folhada: pré-aqueça o forno nos 200º. Corte a massa folhada em quadrados ou rectângulos, se esta for rectangular, e leve ao forno pré-aquecido em tabuleiros forrados com papel vegetal (pode aproveitar o papel vegetal que vem com a massa). Deixe cozer cerca de 15 minutos ou até estar folhada e dourada. Talvez precise de usar dois tabuleiros em simultâneo. Retire e deixe arrefecer.

Montar: espalhe um pouco de doce de ovos no prato do bolo (isto vai fazer com que a massa folhada adira ao prato e não deslize quando for cortada), faça uma camada de massa folhada, espalhe livre e generosamente doce de ovos por cima, volte a fazer uma camada de massa folhada e assim sucessivamente. Convém cozer a massa folhada e montar o bolo só no dia em que é servido.
Se sobrar doce de ovos, guarde-o no frigorífico para outras utilizações, dura várias semanas.
30
Abr14

As escolhas de Sofia.















Sabem quando temos imensas receitas marcadas, dezenas de post-its coloridos a espreitarem das lombadas, pilhas de livros e revistas de cozinha com cantos de folha mentalmente dobrados na mesinha de cabeceira e, de repente, a vida dá-nos duas horas por nossa conta na cozinha, em que somos absolutamente livres de experimentar o que quisermos, e surge um bloqueio terrível?
Que receita escolher?
Quero acreditar que isto não me acontece só a mim.
A única vantagem é que quanto mais demorado o bloqueio, mais receitas vão ficando para trás, com o tempo de preparação e confecção a servir de primeiro critério de escolha.

Estas tartes resultaram de um desses momentos feitos de altos e baixos, que nem a clareza de ideias que a Primavera me costuma trazer conseguiu evitar: desde o êxtase de ter tempo para a cozinha, a angústia na escolha das receitas, o conforto da selecção final tendo em conta os ingredientes disponíveis e, por fim, o prazer da descoberta de uma nova conjugação de sabores, de texturas ou simplesmente de uma nova técnica de cozinha.

Gosto muito da revista Saveurs. Foi uma descoberta tardia, várias vezes adiada pelo medo que tinha das palavras gaulesas. Tive poucos anos de francês na escola, tenho reduzida ligação à língua e achava que não valia a pena comprar a revista se não ia perceber o que lá estava. Mas um dia não resisti à fotografia da capa e achei que o tradutor do google e a web me poderiam ajudar. De facto, tem sido mais fácil do que eu pensava. Depois da primeira, já comprei mais edições e aconselho sobretudo os números especiais: de aniversário, só de sobremesas, das melhores receitas do ano, etc. Para mim é daquelas revistas que valem mesmo a pena, tanto, ou mais, que muitos livros.

A receita para estas tartes encontrei-a precisamente na edição especial nº 200. Ao contrário da receita original, usei massa quebrada caseira, pêras frescas e não de conserva, e terminei com uma mistura de canela e açúcar em pó. Apesar de as ter feito para sobremesa, concluí que são mais indicadas para lanche, pois são bastante leves e pouco doces. Acho que lhes falta um certo power que gosto de sentir nas sobremesas, mas acho que isso se podia resolver com uma bola de gelado...

Ah, o título do post deve-se ao facto de eu ter Sofia no nome. Já agora, para as gerações mais novas, "A escolha de Sofia" é um filme do início dos anos 80, com Meryl Streep no papel principal.


Para 8/10 tartes pequenas

Para a base:
250 g de farinha sem fermento
125 de manteiga ou margarina fria (gosto de usar Vaqueiro)
2 ovos pequenos
1 pitada de sal fino

Para o recheio e cobertura:
65 g de manteiga amolecida
65 g de amêndoa moída
65 g de açúcar amarelo + 1 colher de sopa
1 ovo
3 pêras
1 limão pequeno - sumo
Uma colher de café de rum (opcional)
2 ou 3 gotas de extracto de baunilha
Açúcar e canela em pó qb

Pré-aqueça o forno nos 180º.
Descasque e corte as pêras em fatias finas para uma taça que possa ir ao microondas. Junte uma colher de sopa de açúcar amarelo, o sumo de limão e leve ao microondas dois ou três minutos na potência máxima. Retire e mexa suavemente, envolvendo a pêra na calda que se formou, e deixe arrefecer.

Faça a massa: numa taça, coloque a farinha e o sal, e adicione os ovos e a manteiga aos cubos.
Misture com as pontas dos dedos até obter uma massa uniforme. Se achar que está um pouco mole, junte um pouco mais de farinha e molde uma bola macia. Estique a massa numa superfície polvilhada com farinha, forre as formas de tarte (guarde a massa que sobrar para uma tarte salgada, por exemplo), pique o fundo da massa, coloque um quadrado de papel vegetal por cima e cubra de feijões ou pesos próprios e leve a cozer durante cerca de 10 minutos. Retire e deixe arrefecer.

Na taça da batedeira, junte a manteiga amolecida ao açúcar e bata durante cerca de dois minutos numa velocidade média. Junte a farinha de amêndoa, o ovo, o rum e a baunilha, e envolva tudo muito bem.
Quando a tarte e as pêras já estiverem frias, coloque uma camada generosa do recheio anterior em cada tarte e por cima coloque as fatias de pêra. Leve ao forno cerca de 25 minutos ou até estarem bem douradas e a massa bem cozida e estaladiça. Antes de servir, já mornas ou frias, polvilhe com uma mistura a gosto de açúcar em pó e canela.




25
Mar14

Agrião aos molhos.








Aos anos que andava para fazer este bolo.
Quem me deu a receita foi uma antiga colega de trabalho, que volta e meia o levava para a agência de publicidade onde trabalhávamos (obrigada, Sandra R.).
Lembrava-me do seu sabor doce e do leve travo ao agrião, mas já não me lembrava que a cor era assim tão intensa.
É mesmo uma experiência curiosa, o momento de abrir o bolo e descobrir o seu interior verde vivo.
Um bolo bonito por fora e verdadeiramente bonito por dentro, pois fiz algumas alterações que o tornam mais saudável: açúcar amarelo em vez de açúcar normal e azeite em vez de óleo vegetal.
Também em termos de sabor o resultado agradou bastante, tanto a mim como ao homem grande cá de casa.
No momento em que escrevo este post, os piratas ainda não o provaram.
Será que é desta que não vai haver fitas na hora de comer legumes?





















BOLO DE AGRIÃO E AZEITE

4 ovos
150 g de agrião (1 embalagem)
140 ml de azeite virgem extra (usei Gallo Frutado)
2 chávenas* mal cheias de açúcar amarelo
2 chávenas* de farinha
1 colher de sobremesa de fermento
Açúcar em pó (opcional)

*250 ml de capacidade

Pré-aquecer o forno nos 180º.
Untar com manteiga e polvilhar com farinha uma forma de buraco (ou outra).
Num robot ou processador de alimentos, triturar os agriões juntamente com as gemas e o azeite.
Juntar o açúcar e bater mais um pouco.
Transferir para uma taça grande e adicionar a farinha e o fermento.
Bater as claras em castelo e juntar ao preparado anterior.
Levar ao forno cerca de 50 minutos ou até um palito sair seco do seu interior.
Retirar, esperar alguns minutos e desenformar com cuidado.
Deixar arrefecer totalmente e, antes de servir, polvilhar com açúcar em pó.



11
Fev14

I'm in heaven...



















Esta é daquelas receitas que eu ainda não teria experimentado se não tivesse a minha rodolfa.
Bater uma quantidade gigantesca de claras com batedeira eléctrica sem apoio e depois ainda ter de incorporar, em seis vezes, a farinha naquela montanha de claras, é uma tarefa demorada e cansativa.
Este é por isso um bolo para fazer com calma e com tempo, do princípio ao fim.
Mas não se assustem nem desmotivem, porque vale cada minuto de dedicação!

A primeira vez que provei angel food cake ou 'bolo de anjo' foi através da minha amiga S., cuja cunhada é perita em doçaria e faz este bolo na perfeição. Em conversa, chegámos à conclusão de que a receita do Martha Stweart's Baking Handbook era muito parecida, e foi essa que eu segui.
A ideia do doce de ovos parece-me bem portuguesa e é assim que a cunhada da S. costuma servi-lo.
O que faz todo o sentido, pois desta forma dá-se uso às gemas que sobram.

Fica um bolo leve, macio, com uma textura muito diferente de qualquer outro bolo que já tenha comido. Faz-me lembrar miolo de pão de forma branco, mas em bom! Ou uma espécie de pão-de-ló de claras. É mesmo bom.

E como é uma massa neutra, é bastante versátil, podendo ser servido com diferentes coberturas. Já estou a imaginá-lo no Verão, decorado com coulis de framboesas e frutos vermelhos frescos... heaven.... I'm in heaven...















ANGEL FOOD CAKE (Bolo de Anjo)
Martha Stweart's Baking Handbook

1 chávena de farinha sem fermento
1 + 1/2 chávenas de açúcar 'superfino' (moí açúcar normal na Bimby)
13 claras L à temp. ambiente (eu usei 14 claras de ovos caseiros de tamanhos diferentes)
1 colher de sopa de água morna
1/2 colher de chá de sal
1 colher de chá de cremor tártaro*
1 colher de chá de extracto de baunilha

(chávena de 250 ml de capacidade)

Pré-aqueça o forno nos 180º.
Usando duas taças médias, peneire a farinha misturada com 3/4 de chávena de açúcar 4 vezes e reserve.
Na taça da batedeira eléctrica, bata as claras com a água morna em veloc. baixa, até ficar em espuma. Junte o sal, o cremor tártaro e a baunilha. Bater em velocidade média-alta, até surgirem picos macios, cerca de 3 minutos. Com a batedeira a trabalhar, junte o restante açúcar, colher a colher, até a mistura ficar bem espessa e brilhante, cerca de 2 minutos (não bata demasiado, não deve ficar seco).
Nessa taça, se for grande, ou transferindo as claras para uma taça maior, envolva a mistura da farinha e açúcar nas claras, com uma espátula de borracha, em 6 vezes.
Verta para uma forma grande de buraco não untada. Passe uma faca pela massa, para retirar bolsas de ar (se repararem, o meu bolo ficou com algumas), alise e leve ao forno cerca de 40 minutos, no nível médio do forno. Está pronto quando a massa estiver bem dourada e quando, se pressionar levemente com os dedos, voltar rapidamente à forma inicial.
Retire do forno e inverta a forma sobre uma garrafa ou frasco de gargalo estreito (apoiando a chaminé da forma na garrafa ou frasco), de forma a passar ar por baixo.
Deixe arrefecer completamente (cerca de 1h30/2 horas). Passe uma espátula fina à volta da forma para soltar o bolo. Para não correr riscos de o bolo ficar agarrado, passe também uma espátula estreita à volta da chaminé da forma (eu usei uma faca de manteiga). Desenforme para o prato de servir. Cubra com o doce de ovos já arrefecido e decore com amêndoa laminada torrada.

Para a cobertura:
Doce de ovos + amêndoa laminada torrada

Doce de ovos
(receita do chef Luís Francisco)

6 gemas + 1 ovo inteiro
250 g de açúcar
125 g de água
1 pedaço de casca de limão
1 pau de canela

Num tachinho,  levar ao lume a água, o açúcar e os aromatizantes (limão e canela).
Sem mexer, deixar levantar fervura. Quando começar a borbulhar (bolhas grandes em toda a superfície da calda), contar 3 minutos. Retirar do lume, descartar o limão e a canela e verter em fio sobre as gemas e o ovo previamente desfeitos numa taça de metal, mexendo sempre. Coar para o tacho e levar ao lume até engrossar, cerca de 10/15 minutos, mexendo sempre para não ganhar grumos e sem deixar ferver. Colocar num frasco, deixar arrefecer, tapar bem e conservar no frigorífico se não usar de imediato.


*O cremor tártaro é um ácido em pó resultante da fabricação do vinho. Permite estabilizar as claras, impede a cristalização do açúcar e tem um leve poder levedante. Antigamente só se encontrava à venda nas farmácias, mas agora é fácil encontrá-lo nas lojas de artigos para bolos. Comprei o meu aqui.




03
Fev14

Dar a volta aos dias cinzentos.




A semana passada trouxe do quintal dos meus pais um cesto cheio de tângeras.
Nunca vi tângeras à venda e durante muito tempo achei que era o nome que lá em casa se dava a uma espécie de laranja mais pequena, com sabor a lembrar a tangerina. Apesar de haver pouca informação na net, encontrei fontes que referem as tângeras como o cruzamento entre a tangerina e a laranja, de facto, outras dizem tratar-se de uma mistura entre a tangerina e a toranja.

São perfumadas, sumarentas e ácidas qb, como eu gosto, e apesar de perfeitas para comer ao natural ou em sumo, não resisti a fazer um bolo. Um bolo húmido, coberto com um glacé simples, que sabe mesmo bem por estes dias.

Já que não conseguimos vencer o frio húmido e a chuva, juntemo-nos a eles com uma chávena de chá quente numa mão, e uma fatia deste bolo na outra.



BOLO DE TÂNGERA E BAUNILHA
(adaptado daqui)

1/4 chávena de sumo de tângera
1 colher de sopa de raspa de tângera
3/4 de chávena de iogurte natural tipo grego
1 colher de sobremesa de extracto de baunilha
2 chávenas de farinha sem fermento
1/2 colher de chá fermento em pó
1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio
120 g de manteiga amolecida
1 chávena de açúcar
1 vagem de baunilha (só as sementes do interior)
2 ovos L

Pré-aquecer o forno nos 180º.
Untar e polvilhar uma forma de bolo inglês.
Numa taça, combine o sumo com o iogurte e o extracto debaunilha. Reserve.
Noutra taça, junte a farinha, o fermento e o bicarbonato de sódio.Reserve.
Na taça da batedeira eléctrica, coloque a manteiga, o interior da vagemda baunilha, a raspa das tângeras e o açúcar, e bata cerca de 4 minutos atéficar cremoso. Com a batedeira a trabalhar lentamente, junte 1 ovo de cada vez.De seguida, vá adicionando à taça da batedeira os líquidos, intercalando com ossecos. Não bata demasiado, só até obter uma massa uniforme.
Verta para a formae leve a cozer durante cerca de 1 hora. Esteja atento ao forno e por volta dos40 minutos tape com folha de alumínio ou papel vegetal.
Retire quando o palitosair seco. Ainda na forma, pode picar e regar com a calda (fria).

Calda (opcional)
Sumo de 1 ou 2 tângeras com açúcar a gosto (levar a aquecer, para derreter oaçúcar). Picar o bolo e regar com a calda quente o bolo já frio, ou fazer a caldacom antecedência e colocá-la fria no bolo quente.

Cobertura
Raspa de 1 tângera
Sumo de ½ tângera
175 g de açúcar em pó
Numa taça e com a ajuda de um batedor de varas, vá misturando o sumo (coado),aos poucos, com o açúcar. Pode ter de usar um pouco mais de sumo, ou um pouco mais de açúcar: o glacé deve ficar brilhante e macio, relativamentefluído. Junte as raspas de tângera e envolva bem. Cubra o bolo, ao seu gosto, depois de frio.

Nota: pode substituir-se as tângeras por tangerinas ou laranjas.


Teresa Rebelo

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