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Lume Brando

05
Jun14

Festa na aldeia.






Aviso à navegação: este é um post sem receita.
Há já algumas semanas que não consigo cozinhar nem fotografar para o blog, o que deixa uma parte do meu coração vazio, porque trabalhar para este projecto é uma das coisas que mais prazer me dá.

O final do ano escolar é sempre uma altura com vários compromissos, incluindo alguns ligados à instituição onde faço voluntariado. Para além disso, estive a organizar e a orientar um workshop de cozinha privado, tenho os rapazes a terminar o ano lectivo e, na última semana, andei atarefada a organizar a Primeira Comunhão do mais velho.

Um momento importante para toda a família, que me deixou tão feliz quanto nostálgica e pensativa. Estava grávida do L. quando criei o Lume Brando, em 2004. Isto significa que o blog vai fazer 10 anos lá mais para o fim do ano.
Será que é desta que festejo a data?
Quem me conhece e me segue no facebook sabe que adoro festas, mas surpreendentemente nunca celebrei os aniversários do blog, talvez porque goste mais das festas reais do que das virtuais.

E é precisamente a 'real party' de domingo passado, que aqui vos trago.
Foi um almoço apenas para a família mais próxima, mas mesmo assim quis tornar o dia especial, com detalhes simples mas bonitos, com destaque para as flores naturais.
Costumo dizer que se fosse rica, permitia-me dois luxos: roupa de cama lavada todos os dias e flores naturais, frescas, em toda a casa, todos os dias. Como isso não é possível, pelo menos nas festas tento satisfazer esta minha paixão por flores, sobretudo pelas brancas e campestres.

O sol e o cenário - uma casa no campo dos avós paternos - ajudaram e muito à magia deste dia. Alguns elementos da decoração foram feitos de propósito, como a grinalda e os pompons de papel (que uma das minhas sobrinhas carinhosamente conseguiu fazer entre os seus momentos de estudo, obrigada, L.!), mas a maior parte das coisas eu já tinha: o prato do bolo, os castiçais, os dispensadores de sumo (um daqui, os outros daqui), a moldura da ementa, a lousa do bar (que é dos meus filhos), as bases de tronco, os frascos que usei para as flores, os toppers em ardósia dos arranjos, etc.

Deu trabalho? Sim (não só a mim, como aos avós e a todos os que colaboraram de alguma forma).
Mas ver o L. tão feliz e bem-disposto, diz-me que valeu a pena.





18
Mai14

Happy World Baking Day 2014!











Hoje é dia de ligar o forno, fazer um bolo e mimar alguém especial.
Quem diz um bolo, diz umas bolachas, uns queques ou uma tarte.
Claro que podemos fazer isto noutro dia qualquer, mas hoje, para além de ser domingo - dia em que normalmente temos mais tempo para a cozinha - é o World Baking Day.
Em Portugal, esta data é dinamizada pela Vaqueiro, que pretende reforçar a importância da comida caseira e da partilha. No âmbito desta iniciativa, recebi há uns tempos uma caixa muito engraçada em forma de forno. Lá dentro, muitas surpresas, entre as quais a Vaqueiro líquida, a farinha Maizena e o açúcar Moreno Sores, ingredientes que usei nesta receita: um bolo de banana, coco e caramelo, que há muito tinha marcado no livro da Leonor de Sousa Bastos. E só depois de fazer o bolo é que me lembrei que já o ano passado tinha celebrado este dia com uma receita do Flagrante Delícia, um dos meus blogs favoritos, que infelizmente tem estado parado (volta Leonor, temos saudades!).
Podem ver o meu post do ano passado aqui.

Este é um bolo algo diferente dos que eu costumo fazer, sobretudo ao nível da massa. Fiz umas pequenas alterações: substituí a quantidade de farinha normal por metade de farinha de espelta e metade de Maizena, e usei Vaqueiro líquida em vez de manteiga derretida. Mas pela fotografia do livro, o resultado foi muito idêntico ao original. A massa, apesar de densa e compacta, é húmida e a combinação de sabores funciona tão bem, que foi bastante apreciado pelo provador-mor, que normalmente só se deixa encantar por bolos de chocolate.

Seja com esta ou outra receita, não deixem de celebrar o World Baking Day.
Decidam quem vão mimar, escolham os ingredientes, liguem o forno e... façam mais um bolo!















BOLO DE BANANA E COCO COM COBERTURA DE CARAMELO
(adaptado do livro "Flagrante Delícia", de Leonor de Sousa Bastos)

75 g de farinha de espelta
75 g de farinha Maizena
1/2 colher de fermento em pó
75 g de açúcar moreno Sores
60 g de coco ralado
2 ovos
75 ml de leite
50 g de Vaqueiro líquida
150 de puré de banana

Para a cobertura - banana salteada:
4 bananas (não muito maduras, para que não se desfaçam no caramelo)
100 g de açúcar
40 ml de rum

Pré-aquecer o forno nos 180º. Untar com manteiga e polvilhar com farinha uma forma quadrada de 20 cm. Forrar o fundo da forma com papel vegetal e untar/polvilhar este também (ou usar spray desmoldante). Misturar a farinha, o açúcar, o coco e o fermento. Noutra taça, bater os ovos ligeiramente e misturar com o leite, a manteiga e a banana esmagada. Misturar os ingredientes secos com os líquidos sem mexer demasiado, só até a massa estar ligada. Verter para a forma preparada, e levar ao forno entre 20 a 30 minutos ou até que um palito saia limpo do seu interior. Retirar do forno, desenformar e deixar arrefecer.
Para a cobertura: levar ao lume um tachinho com o açúcar até este caramelizar (não cair na tentação de mexer o açúcar). Adicionar as rodelinhas de banana e deixar saltear durante alguns minutos. Juntar o rum e deixar ferver uns minutos. Retirar do lume e cobrir o bolo com as rodelas de banana e o caramelo.


05
Mai14

Dia da Mãe: a mesa e o bolo.




Para ambos podermos passar o Dia da Mãe com as nossas mães, este ano voltei a fazer o almoço cá em casa. "Fazer" é uma força de expressão, pois na verdade só pus a mesa, preparei uns salgadinhos para entrada e fiz o bolo preferido da minha mãe
(na verdade não é bem um bolo, é mais uma sobremesa às camadas de massa folhada e doce de ovos).

O prato principal foi cabrito assado com arroz de forno, batatinha assada e legumes. Veio tudo daqui e tudo estava delicioso. O creme de legumes, a fruta, a mousse de chocolate e o pão de ló, que completaram o menu, foram trazidos pelas especialistas da família em cada um desses itens, e está fácil de ver que foi um almoço que durou até tarde.
Nestes almoços de Primavera, em que o sol também se faz de convidado, gosto de caprichar na mesa, enchê-la de flores e de cores ligadas a esta época do ano.
As flores que comprei na feira deram o mote rosa e assim surgiu uma mesa algo diferente da do ano passado, que podem espreitar aqui.

Quanto ao bolo, vou deixar aqui as indicações, mas como vos disse não é um bolo no sentido tradicional do termo. De vez em quando, há nas festas da nossa família um bolo parecido com este, vindo de Guimarães, que a minha mãe adora, mas que basicamente é isso: massa folhada e doce de ovos. Podem fazer o doce de ovos com bastante antecedência, e no dia é só levar ao forno as placas de massa folhada, que podem cortar na forma que desejarem ou até usarem inteiras.
Acho que da próxima vez irei usar placas de massa folhadas redondas, para ficar com mais ar de bolo.

Uma sobremesa pecaminosa, só para dias especiais. Como o de ontem.














BOLO DE MASSA FOLHADA COM DOCE DE OVOS

2 placas de massa folhada refrigeradas
+
Doce de ovos:
12 gemas + 1 ovo inteiro (usei caseiros, faz toda a diferença)
500 g de açúcar
250 g de água
1 pedaço de casca de limão
1 pau de canela

Comece por fazer o doce de ovos: num tacho, levar ao lume a água, o açúcar e os aromatizantes (limão e canela). Sem mexer, deixar levantar fervura. Quando começar a borbulhar (bolhas grandes em toda a superfície da calda), contar 4 ou 5 minutos (normalmente deixo ferver 3 minutos, mas desta vez quis que o doce de ovos ficasse um nadinha mais espesso). Retirar do lume, descartar o limão e a canela e verter em fio sobre as gemas e o ovo previamente desfeitos numa taça de metal, mexendo sempre. Coar para o tacho e levar ao lume até engrossar, cerca de 15 minutos, mexendo sempre para não ganhar grumos e sem deixar ferver. Colocar num frasco, deixar arrefecer e conservar no frigorífico.


Cozer a massa folhada: pré-aqueça o forno nos 200º. Corte a massa folhada em quadrados ou rectângulos, se esta for rectangular, e leve ao forno pré-aquecido em tabuleiros forrados com papel vegetal (pode aproveitar o papel vegetal que vem com a massa). Deixe cozer cerca de 15 minutos ou até estar folhada e dourada. Talvez precise de usar dois tabuleiros em simultâneo. Retire e deixe arrefecer.

Montar: espalhe um pouco de doce de ovos no prato do bolo (isto vai fazer com que a massa folhada adira ao prato e não deslize quando for cortada), faça uma camada de massa folhada, espalhe livre e generosamente doce de ovos por cima, volte a fazer uma camada de massa folhada e assim sucessivamente. Convém cozer a massa folhada e montar o bolo só no dia em que é servido.
Se sobrar doce de ovos, guarde-o no frigorífico para outras utilizações, dura várias semanas.
30
Abr14

As escolhas de Sofia.















Sabem quando temos imensas receitas marcadas, dezenas de post-its coloridos a espreitarem das lombadas, pilhas de livros e revistas de cozinha com cantos de folha mentalmente dobrados na mesinha de cabeceira e, de repente, a vida dá-nos duas horas por nossa conta na cozinha, em que somos absolutamente livres de experimentar o que quisermos, e surge um bloqueio terrível?
Que receita escolher?
Quero acreditar que isto não me acontece só a mim.
A única vantagem é que quanto mais demorado o bloqueio, mais receitas vão ficando para trás, com o tempo de preparação e confecção a servir de primeiro critério de escolha.

Estas tartes resultaram de um desses momentos feitos de altos e baixos, que nem a clareza de ideias que a Primavera me costuma trazer conseguiu evitar: desde o êxtase de ter tempo para a cozinha, a angústia na escolha das receitas, o conforto da selecção final tendo em conta os ingredientes disponíveis e, por fim, o prazer da descoberta de uma nova conjugação de sabores, de texturas ou simplesmente de uma nova técnica de cozinha.

Gosto muito da revista Saveurs. Foi uma descoberta tardia, várias vezes adiada pelo medo que tinha das palavras gaulesas. Tive poucos anos de francês na escola, tenho reduzida ligação à língua e achava que não valia a pena comprar a revista se não ia perceber o que lá estava. Mas um dia não resisti à fotografia da capa e achei que o tradutor do google e a web me poderiam ajudar. De facto, tem sido mais fácil do que eu pensava. Depois da primeira, já comprei mais edições e aconselho sobretudo os números especiais: de aniversário, só de sobremesas, das melhores receitas do ano, etc. Para mim é daquelas revistas que valem mesmo a pena, tanto, ou mais, que muitos livros.

A receita para estas tartes encontrei-a precisamente na edição especial nº 200. Ao contrário da receita original, usei massa quebrada caseira, pêras frescas e não de conserva, e terminei com uma mistura de canela e açúcar em pó. Apesar de as ter feito para sobremesa, concluí que são mais indicadas para lanche, pois são bastante leves e pouco doces. Acho que lhes falta um certo power que gosto de sentir nas sobremesas, mas acho que isso se podia resolver com uma bola de gelado...

Ah, o título do post deve-se ao facto de eu ter Sofia no nome. Já agora, para as gerações mais novas, "A escolha de Sofia" é um filme do início dos anos 80, com Meryl Streep no papel principal.


Para 8/10 tartes pequenas

Para a base:
250 g de farinha sem fermento
125 de manteiga ou margarina fria (gosto de usar Vaqueiro)
2 ovos pequenos
1 pitada de sal fino

Para o recheio e cobertura:
65 g de manteiga amolecida
65 g de amêndoa moída
65 g de açúcar amarelo + 1 colher de sopa
1 ovo
3 pêras
1 limão pequeno - sumo
Uma colher de café de rum (opcional)
2 ou 3 gotas de extracto de baunilha
Açúcar e canela em pó qb

Pré-aqueça o forno nos 180º.
Descasque e corte as pêras em fatias finas para uma taça que possa ir ao microondas. Junte uma colher de sopa de açúcar amarelo, o sumo de limão e leve ao microondas dois ou três minutos na potência máxima. Retire e mexa suavemente, envolvendo a pêra na calda que se formou, e deixe arrefecer.

Faça a massa: numa taça, coloque a farinha e o sal, e adicione os ovos e a manteiga aos cubos.
Misture com as pontas dos dedos até obter uma massa uniforme. Se achar que está um pouco mole, junte um pouco mais de farinha e molde uma bola macia. Estique a massa numa superfície polvilhada com farinha, forre as formas de tarte (guarde a massa que sobrar para uma tarte salgada, por exemplo), pique o fundo da massa, coloque um quadrado de papel vegetal por cima e cubra de feijões ou pesos próprios e leve a cozer durante cerca de 10 minutos. Retire e deixe arrefecer.

Na taça da batedeira, junte a manteiga amolecida ao açúcar e bata durante cerca de dois minutos numa velocidade média. Junte a farinha de amêndoa, o ovo, o rum e a baunilha, e envolva tudo muito bem.
Quando a tarte e as pêras já estiverem frias, coloque uma camada generosa do recheio anterior em cada tarte e por cima coloque as fatias de pêra. Leve ao forno cerca de 25 minutos ou até estarem bem douradas e a massa bem cozida e estaladiça. Antes de servir, já mornas ou frias, polvilhe com uma mistura a gosto de açúcar em pó e canela.




25
Mar14

Agrião aos molhos.








Aos anos que andava para fazer este bolo.
Quem me deu a receita foi uma antiga colega de trabalho, que volta e meia o levava para a agência de publicidade onde trabalhávamos (obrigada, Sandra R.).
Lembrava-me do seu sabor doce e do leve travo ao agrião, mas já não me lembrava que a cor era assim tão intensa.
É mesmo uma experiência curiosa, o momento de abrir o bolo e descobrir o seu interior verde vivo.
Um bolo bonito por fora e verdadeiramente bonito por dentro, pois fiz algumas alterações que o tornam mais saudável: açúcar amarelo em vez de açúcar normal e azeite em vez de óleo vegetal.
Também em termos de sabor o resultado agradou bastante, tanto a mim como ao homem grande cá de casa.
No momento em que escrevo este post, os piratas ainda não o provaram.
Será que é desta que não vai haver fitas na hora de comer legumes?





















BOLO DE AGRIÃO E AZEITE

4 ovos
150 g de agrião (1 embalagem)
140 ml de azeite virgem extra (usei Gallo Frutado)
2 chávenas* mal cheias de açúcar amarelo
2 chávenas* de farinha
1 colher de sobremesa de fermento
Açúcar em pó (opcional)

*250 ml de capacidade

Pré-aquecer o forno nos 180º.
Untar com manteiga e polvilhar com farinha uma forma de buraco (ou outra).
Num robot ou processador de alimentos, triturar os agriões juntamente com as gemas e o azeite.
Juntar o açúcar e bater mais um pouco.
Transferir para uma taça grande e adicionar a farinha e o fermento.
Bater as claras em castelo e juntar ao preparado anterior.
Levar ao forno cerca de 50 minutos ou até um palito sair seco do seu interior.
Retirar, esperar alguns minutos e desenformar com cuidado.
Deixar arrefecer totalmente e, antes de servir, polvilhar com açúcar em pó.



11
Fev14

I'm in heaven...



















Esta é daquelas receitas que eu ainda não teria experimentado se não tivesse a minha rodolfa.
Bater uma quantidade gigantesca de claras com batedeira eléctrica sem apoio e depois ainda ter de incorporar, em seis vezes, a farinha naquela montanha de claras, é uma tarefa demorada e cansativa.
Este é por isso um bolo para fazer com calma e com tempo, do princípio ao fim.
Mas não se assustem nem desmotivem, porque vale cada minuto de dedicação!

A primeira vez que provei angel food cake ou 'bolo de anjo' foi através da minha amiga S., cuja cunhada é perita em doçaria e faz este bolo na perfeição. Em conversa, chegámos à conclusão de que a receita do Martha Stweart's Baking Handbook era muito parecida, e foi essa que eu segui.
A ideia do doce de ovos parece-me bem portuguesa e é assim que a cunhada da S. costuma servi-lo.
O que faz todo o sentido, pois desta forma dá-se uso às gemas que sobram.

Fica um bolo leve, macio, com uma textura muito diferente de qualquer outro bolo que já tenha comido. Faz-me lembrar miolo de pão de forma branco, mas em bom! Ou uma espécie de pão-de-ló de claras. É mesmo bom.

E como é uma massa neutra, é bastante versátil, podendo ser servido com diferentes coberturas. Já estou a imaginá-lo no Verão, decorado com coulis de framboesas e frutos vermelhos frescos... heaven.... I'm in heaven...















ANGEL FOOD CAKE (Bolo de Anjo)
Martha Stweart's Baking Handbook

1 chávena de farinha sem fermento
1 + 1/2 chávenas de açúcar 'superfino' (moí açúcar normal na Bimby)
13 claras L à temp. ambiente (eu usei 14 claras de ovos caseiros de tamanhos diferentes)
1 colher de sopa de água morna
1/2 colher de chá de sal
1 colher de chá de cremor tártaro*
1 colher de chá de extracto de baunilha

(chávena de 250 ml de capacidade)

Pré-aqueça o forno nos 180º.
Usando duas taças médias, peneire a farinha misturada com 3/4 de chávena de açúcar 4 vezes e reserve.
Na taça da batedeira eléctrica, bata as claras com a água morna em veloc. baixa, até ficar em espuma. Junte o sal, o cremor tártaro e a baunilha. Bater em velocidade média-alta, até surgirem picos macios, cerca de 3 minutos. Com a batedeira a trabalhar, junte o restante açúcar, colher a colher, até a mistura ficar bem espessa e brilhante, cerca de 2 minutos (não bata demasiado, não deve ficar seco).
Nessa taça, se for grande, ou transferindo as claras para uma taça maior, envolva a mistura da farinha e açúcar nas claras, com uma espátula de borracha, em 6 vezes.
Verta para uma forma grande de buraco não untada. Passe uma faca pela massa, para retirar bolsas de ar (se repararem, o meu bolo ficou com algumas), alise e leve ao forno cerca de 40 minutos, no nível médio do forno. Está pronto quando a massa estiver bem dourada e quando, se pressionar levemente com os dedos, voltar rapidamente à forma inicial.
Retire do forno e inverta a forma sobre uma garrafa ou frasco de gargalo estreito (apoiando a chaminé da forma na garrafa ou frasco), de forma a passar ar por baixo.
Deixe arrefecer completamente (cerca de 1h30/2 horas). Passe uma espátula fina à volta da forma para soltar o bolo. Para não correr riscos de o bolo ficar agarrado, passe também uma espátula estreita à volta da chaminé da forma (eu usei uma faca de manteiga). Desenforme para o prato de servir. Cubra com o doce de ovos já arrefecido e decore com amêndoa laminada torrada.

Para a cobertura:
Doce de ovos + amêndoa laminada torrada

Doce de ovos
(receita do chef Luís Francisco)

6 gemas + 1 ovo inteiro
250 g de açúcar
125 g de água
1 pedaço de casca de limão
1 pau de canela

Num tachinho,  levar ao lume a água, o açúcar e os aromatizantes (limão e canela).
Sem mexer, deixar levantar fervura. Quando começar a borbulhar (bolhas grandes em toda a superfície da calda), contar 3 minutos. Retirar do lume, descartar o limão e a canela e verter em fio sobre as gemas e o ovo previamente desfeitos numa taça de metal, mexendo sempre. Coar para o tacho e levar ao lume até engrossar, cerca de 10/15 minutos, mexendo sempre para não ganhar grumos e sem deixar ferver. Colocar num frasco, deixar arrefecer, tapar bem e conservar no frigorífico se não usar de imediato.


*O cremor tártaro é um ácido em pó resultante da fabricação do vinho. Permite estabilizar as claras, impede a cristalização do açúcar e tem um leve poder levedante. Antigamente só se encontrava à venda nas farmácias, mas agora é fácil encontrá-lo nas lojas de artigos para bolos. Comprei o meu aqui.




03
Fev14

Dar a volta aos dias cinzentos.




A semana passada trouxe do quintal dos meus pais um cesto cheio de tângeras.
Nunca vi tângeras à venda e durante muito tempo achei que era o nome que lá em casa se dava a uma espécie de laranja mais pequena, com sabor a lembrar a tangerina. Apesar de haver pouca informação na net, encontrei fontes que referem as tângeras como o cruzamento entre a tangerina e a laranja, de facto, outras dizem tratar-se de uma mistura entre a tangerina e a toranja.

São perfumadas, sumarentas e ácidas qb, como eu gosto, e apesar de perfeitas para comer ao natural ou em sumo, não resisti a fazer um bolo. Um bolo húmido, coberto com um glacé simples, que sabe mesmo bem por estes dias.

Já que não conseguimos vencer o frio húmido e a chuva, juntemo-nos a eles com uma chávena de chá quente numa mão, e uma fatia deste bolo na outra.



BOLO DE TÂNGERA E BAUNILHA
(adaptado daqui)

1/4 chávena de sumo de tângera
1 colher de sopa de raspa de tângera
3/4 de chávena de iogurte natural tipo grego
1 colher de sobremesa de extracto de baunilha
2 chávenas de farinha sem fermento
1/2 colher de chá fermento em pó
1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio
120 g de manteiga amolecida
1 chávena de açúcar
1 vagem de baunilha (só as sementes do interior)
2 ovos L

Pré-aquecer o forno nos 180º.
Untar e polvilhar uma forma de bolo inglês.
Numa taça, combine o sumo com o iogurte e o extracto debaunilha. Reserve.
Noutra taça, junte a farinha, o fermento e o bicarbonato de sódio.Reserve.
Na taça da batedeira eléctrica, coloque a manteiga, o interior da vagemda baunilha, a raspa das tângeras e o açúcar, e bata cerca de 4 minutos atéficar cremoso. Com a batedeira a trabalhar lentamente, junte 1 ovo de cada vez.De seguida, vá adicionando à taça da batedeira os líquidos, intercalando com ossecos. Não bata demasiado, só até obter uma massa uniforme.
Verta para a formae leve a cozer durante cerca de 1 hora. Esteja atento ao forno e por volta dos40 minutos tape com folha de alumínio ou papel vegetal.
Retire quando o palitosair seco. Ainda na forma, pode picar e regar com a calda (fria).

Calda (opcional)
Sumo de 1 ou 2 tângeras com açúcar a gosto (levar a aquecer, para derreter oaçúcar). Picar o bolo e regar com a calda quente o bolo já frio, ou fazer a caldacom antecedência e colocá-la fria no bolo quente.

Cobertura
Raspa de 1 tângera
Sumo de ½ tângera
175 g de açúcar em pó
Numa taça e com a ajuda de um batedor de varas, vá misturando o sumo (coado),aos poucos, com o açúcar. Pode ter de usar um pouco mais de sumo, ou um pouco mais de açúcar: o glacé deve ficar brilhante e macio, relativamentefluído. Junte as raspas de tângera e envolva bem. Cubra o bolo, ao seu gosto, depois de frio.

Nota: pode substituir-se as tângeras por tangerinas ou laranjas.


02
Jan14

Uma pavlova para começar bem o ano.

Primeiro post de 2014. Primeira experiência culinária do ano.
Não era por não ter uma batedeira boa, com apoio, que nunca tinha feito pavlova, mas é verdade que ter recebido uma KitchenAid vermelha, linda, no Natal (surpresa do meu provador-mor), incentivou-me a não adiar mais a experiência.

O ar festivo das pavlovas, que as tornam perfeitas para esta quadra, foi também um dos motivos que me empurraram para a cozinha na madrugada do dia 1. Assim poderia levar uma sobremesa vistosa e diferente para o almoço de Ano Novo em casa dos meus pais.
Apesar de obrigar a uma cozedura demorada (a receita que segui era especialmente lenta, com o forno a uma temperatura muito baixa, para garantir a brancura do suspiro), é muito fácil de fazer e o resultado superou as minhas expectativas: crocante por fora, húmida e macia por dentro, num equilíbrio bem mais interessante do que nos suspiros de compra que costumo usar para fazer a sobremesa de colher que podem espreitar aqui.

Outra coisa boa das pavlovas é que podem ser conjugadas com os sabores e as frutas de que mais gostarmos. As natas e os frutos vermelhos são um clássico, mas tenho visto pavlovas de chocolate com um aspecto igualmente delicioso e que quero em breve experimentar. Sim, porque uma das minhas resoluções para o novo ano é cozinhar mais, experimentar mais, mimar mais a família e os amigos...

Bom Ano para todos!








PAVLOVA DUPLA COM FRUTOS VERMELHOS

Para os merengues:
(adaptado da revista Good Food - Maio 2011)

8 claras de ovo (+-250 g de claras)
480 g de açúcar
1 colher de sopa de farinha de milho
1 colher de sopa de vinagre de sidra
1 pitada de sal

Para o recheio e cobertura:

400 g de frutos vermelhos (congelados ou um mix de frescos e congelados - usei morangos e framboesas congeladas)
3 colheres de sopa de açúcar amarelo
1/2 romã
400 ml de natas para bater
Algumas gotas de sumo de limão
3 colheres de sopa de açúcar em pó (ou a gosto) + algum para polvilhar
Folhinhas de hortelã

Pré-aqueça o forno nos 110º com a ventoinha ligada (liguei a ventoinha porque cozi os dois merengues ao mesmo tempo em dois níveis do forno).
Desenhe numa folha de papel vegetal um círculo com 26 cm de diâmetro e noutra folha um círculo de 20 cm de diâmetro. Coloque as folhas sobre tabuleiros de ir ao forno, com a marca do lápis virada para baixo.
Comece a bater as claras, que devem estar à temperatura ambiente, com uma pitada de sal. No início sem o açúcar, mas quando começarem a ganhar picos consistentes, junte o açúcar aos poucos, continuando a bater até estar firme e brilhante. Antes de juntar a última porção de açúcar, junte a farinha de milho e o vinagre.
Coloque colheradas de merengue dentro dos círculos desenhados, abatendo um pouco no centro e mantendo os lados mais altos e irregulares. Leve a cozer durante 30 minutos e depois reduza a temperatura para 90º/ventoinha e deixe cozer durante mais 1h30. Desligue o forno, entreabra ligeiramente a porta e deixe as pavlovas arrefecerem dentro do forno.
Depois de frias, se não for usar logo, guarde-as numa caixa hermética.

Montar/ decorar:
Com cerca de 2 ou 3 horas de antecedência, coloque os frutos congelados numa taça, envolva-os no açúcar amarelo e deixe descongelar (vão largar um sumo delicioso que vamos usar depois na decoração).
Bata as natas com o açúcar em pó até ficarem firmes (a meio do processo junte umas gotas de sumo de limão: vai ajudar a que fiquem mais espessas).
Num prato com rebordo, coloque o suspiro maior, espalhe colheradas de chantilly e metade dos frutos.
Coloque o outro suspiro por cima e repita a operação: camada de natas seguida de camada de frutos, salpicando com os bagos de romã. Regue com algum do sumo largado pelos frutos, espalhe algumas folhinhas de hortelã e polvilhe com açúcar em pó.
Está pronto a servir.
06
Dez13

Passatempo de Natal Vahiné & Lume Brando e uma doce receita.

 

Natal sem coisas doces e bonitas não é natal, certo?
Para que se inspirem e preparem algo especial nesta quadra, a Vahiné e o Lume Brando juntaram-se num passatempo doce e recheado.

São 10 packs de produtos Vahiné, a atribuir às 10 melhores receitas doces com um toque de natal.
Cada pack contém: Avental, Fermento em pó, Agar-agar, Chantifix, Cobertura de Framboesa, Cobertura de chocolate para fundir e ainda um conjunto decorativo Multi-Deco!

Para participar, basta partilhar uma receita, juntamente com uma fotografia, na página do facebook do Lume Brando e na página do facebook da Vahiné, até 23 de Dezembro, com o título "Passatempo de Natal Vahiné e Lume Brando". Têm também de ser fãs das referidas páginas. Para consultar o regulamento completo, é só clicar aqui.

E para celebrar o início do passatempo, aqui fica a receita destes pequenos bolinhos de iogurte e framboesa, onde utilizei produtos Vahiné.

O Lume Brando e a Vahiné ficam à espera das vossas participações. Boas receitas e boa sorte!

BOLINHOS DE IOGURTE E FRAMBOESA DECORADOS
(adaptado de uma receita daqui)

Para cerca de 10 bolinhos

125 ml de iogurte de framboesa (pode ser líquido)
100 g de açúcar
1 ovo L
40 ml de óleo vegetal
120 g de farinha sem fermento
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1 colher de café de fermento em pó (usei Vahiné)
Doce ou coulis de framboesa (usei cobertura de framboesa da Vahiné)

Decoração
Pasta de açúcar (usei esta da Vahiné)
Confeitos de açúcar (usei o conjunto Multi-Deco Fantasy da Vahiné)


Pré-aquecer o forno nos 180º.
Untar muito bem as formas com manteiga e polvilhar com farinha ou usar spray desmoldante.
Numa taça, com a ajuda de um batedor de varas, bater o iogurte com o açúcar.
Adicionar o ovo e por fim o óleo.
Noutra taça juntar a farinha, o bicarbonato de sódio e o fermento, e adicionar esta mistura seca aos líquidos. Misturar bem e distribuir pelas formas enchendo-as cerca de 3/4.
Colocar cerca de uma colher de café de cobertura de framboesa Vahiné (ou doce ou coulis caseiro de framboesa) sobre a massa de cada bolinho e, com um palito, espalhar por toda a base, fazendo uma espécie de swirl e empurrando algum doce de framboesa para dentro do bolo.
Levar ao forno e cozer durante cerca de 20/25 minutos ou até um palito sair seco do interior dos bolinhos.
Deixar arrefecer alguns minutos e desenformar.

Para decorar
Deixe os bolos arrefecerem por completo. Amasse um pouco a pasta de açúcar e estenda-a com a ajuda de um rolo, numa superfície polvilhada de açúcar em pó. Com um cortador redondo de bolachas, faça círculos e, com o dedo indicador e o polegar, vá puxando e esticando a pasta a intervalos mais ou menos regulares, para dar a forma de glacé a escorrer. Pouse sobre o bolo. Pincele o topo da pasta com água e cole os elementos decorativos.


06
Nov13

A primeira vez que cozinhei ruibarbo. // My first experience with rhubarb.


Se a vida te der ruibarbo faz... compota de ruibarbo.
Não! Faz tarte de ruibarbo. Ou melhor, crumble de ruibarbo. Não, não, não! Faz antes bolo de ruibarbo.






























































































Confesso que foi assim que fiquei, indecisa, quando recebi este lindo molho de caules de ruibarbo, cortesia da querida Naida, do Frango do Campo, que o cultiva no seu jardim.

Era a primeira vez que ia cozinhar com ruibarbo e apetecia-me fazer tudo.
A escolha acabou por recair numa receita de rhubarb crumb bars, do site da Martha Stewart, que adaptei ligeiramente, e numa compota de ruibarbo e morango que publicarei noutro post.

Gostei muito deste bolo. Adoro bolos com diferentes texturas e este faz quase o pleno: massa húmida e doce, frutos sumarentos e ácidos, cobertura crocante.

A acidez é a principal característica do ruibarbo, por isso é tão usado em sobremesas, garantindo esse alto contraste entre o ácido e o doce, que eu adoro.

Se um dia a vida vos der ruibarbo, não importa que tipo de receita vão seguir: larguem tudo e enfiem-se na cozinha...

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If life gives you rhubarb... make rhubarb jam.
No! Make rhubarb pie. Or rather, rhubarb crumble . No, no, no! Make rhubarb cake.

I confess I was feeling something like that, absolutely undecided, when I've received this lovely amount of rhubarb stalks. Courtesy of dear Naida, from Frango do Campo, who grows rhubarb in her garden.

It was the first time I was going to cook with rhubarb and I felt like doing everything. 
The choice turned out to lie in a rhubarb crumb bars recipe, from Martha Stewart's site, that I've adapted slightly, and rhubarb and strawberry jam, which I'll show you in another post.

I really enjoyed this cake. I love cakes with a lot of different textures and this one has almost everything: moist and sweet batter, juicy and acidic fruits, crunchy topping.

Acidity is the main feature of rhubarb, and this explains why is so used in desserts: because it ensures a delightful contrast between acid and sweet.

So, if one day life gives you rhubarb, no matter what kind of recipe you'll follow: just let go of everything and slip away to the kitchen...




























Bolo-crumble de ruibarbo
(adaptado daqui)

200 g de ruibarbo
70 g de frutos vermelhos congelados
100 g de manteiga
1 chávena* de farinha sem fermento
1/2 colher de chá de fermento para bolos
1 pitada de sal
1 chávena* de açúcar amarelo
1 colher de açúcar mascavado claro
2 ovos L
1 pitada de sal

Para crumble da cobertura:
70 g de manteiga
1 chávena* de farinha sem fermento (3/4 + 1/4)
1/2 chávena* de açúcar mascavado claro

*chávena de 250 ml de capacidade

Coloque os frutos vermelhos a descongelar.
Unte e polvilhe com farinha uma forma quadrada relativamente pequena (idealmente 18x18 ou 20x20), forre com papel vegetal e unte/polvilhe novamente.
Ligue o forno nos 180º.
Prepare a cobertura: misture a manteiga e o açúcar, junte a farinha e amasse com os dedos até obter uma textura de migalhas grossas. Reserve no frigorífico.
Lave e corte os caules de ruibarbo em cubos.
Numa taça, junte o ruibarbo e os frutos vermelhos, já praticamente descongelados. Junte 1/4 de farinha e a colher de sopa de açúcar mascavado e envolva.
Noutra taça, bata bem, com um batedor de varas ou batedeira eléctrica, a manteiga e o açúcar amarelo. Junte os ovos, um a um. Noutra taça misture a restante farinha, o sal e o fermento e junte estes secos, aos poucos, à mistura anterior.
Verta para a forma, espalhe por cima a fruta e termine com a massa de crumble que tinha reservado no frigorífico.
Leve ao forno cerca de 55 minutos ou até estar bem dourado e a fruta macia (se fizer o teste do palito, este não precisa de sair completamente limpo, pode trazer agarradas algumas migalhas de bolo...).

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Rhubarb crumb cake
(adapted from here)

200 g of rhubarb
70 g of frozen red fruit
100 g butter
1 cup plain flour
1/2 teaspoon baking powder
1 pinch of salt
1 cup of light brown sugar + 1 tablespoon
2 large eggs 
1 pinch of salt

For the crumble topping:
70 g butter
1 cup plain flour (3/ 4 + 1/4)
1/2 cup light brown sugar

Thaw the red fruit.
Grease and dust with flour a square mold ( ideally 18x18 or 20x20 ), line with parchment paper and grease/ dust again.
Preheat the oven to 350 ºF .
Prepare the topping: mix the butter and sugar, add the flour and knead with your fingers until you get a coarse crumb texture. Refrigerate.
Wash and cut the rhubarb stalks into cubes.
In a bowl, combine the rhubarb and red fruit. Add 1 /4 tablespoon flour and 1 tablespoon brown sugar and coat the fruit and the rhubarb with this mixture.
In another bowl, whisk (or use an electric mixer) butter and brown sugar. Add the eggs, one by one.
In another bowl, mix the remaining flour, salt and baking powder and add slowly these dry ingredientes to the butter/eggs mixture.
Pour into the mold, spread over the fruit and the rhubarb and top with the crumble dough you've refrigerated.
Bake about 55 minutes or until golden and the fruit is soft (if you do the toothpick test, this doesn't need to go out completely clean, it can bring some moist cake crumbs attached... ).



Teresa Rebelo

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