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Lume Brando

25
Jul19

Tarte de Natas [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #3]

 

Tarte de natas

Livro Jantamos Cá em Casa

Tarte de natas

E sai mais um livro de cozinha.

Ao terceiro "Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes", uma rubrica com o apoio da Livraria Bertrand, voltamos aos doces.

Não que o livro em destaque seja só de doces, nada disso. Mas já sabem que eu tenho um fraquinho por doces e sobremesas, por isso, na hora de escolher a receita, é difícil que não sejam os doces a levar a melhor.

Ao folhear o livro, esta tarte chamou-me a atenção por ser simples e por prometer ser deliciosa [o que veio a confirmar-se] ao assemelhar-se a um grande pastel de nata. Aliás, foi por isso que troquei a massa areada da receita original por massa folhada. Mas confesso que já tenho vários post-its colados no livro, tanto em sobremesas como em salgados e até numas barritas de cereais para pequeno-almoço.

Livro Hoje jantamos Cá em Casa

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #3

"Jantamos Cá em Casa" - Luís Machado - Verbo

 

Não conhecia o chef Luís Machado, até ter visto este livro na Feira do Livro de Lisboa. No subtítulo da capa podemos ler: "Receitas para partilhar com amigos". Ora, estas são palavras mágicas para o meus ouvidos 😁

 

Na breve descrição sobre o autor, na badana do livro, fiquei a saber que Luís Machado, de 41 anos, é chef numa das "mais conceituadas revistas de culinária nacionais". Fiquei curiosa, fui pesquisar e trata-se da Teleculinária. Para além disso, é licenciado em Cozinha e Produção Alimentar, trabalha como consultor para diversas marcas do setor, é formador em mais do que uma escola profissional, apresenta regularmente showcookings e é jurado em muitos concursos gastronómicos, incluindo em alguns programas televisivos. Tem ainda um blog, onde partilha receitas e dicas de culinária: www.luismachado.com 

Podem ainda seguir Luís Machado no facebook e no Instagram.

 

Quanto ao livro, não pensem que vão encontrar receitas de autor demasiado complexas e sofisticadas. Pelo contrário, são receitas simples e despretensiosas. E na verdade, o título engana um pouco, pois aqui irão encontrar muito mais do que apenas receitas apropriadas para um jantar. 

 

Se não me enganei a contar, são 74 receitas divididas em cinco capítulos: "Manhãs", "Almoço - Simples e Leve", "Ao fim da tarde", "Jantares" (onde são agrupados alguns menus com entrada, prato principal e sobremesa) e "Doces". Há um pouco de tudo. Vários clássicos, como "Peixinhos da Horta", "Amêijoas à Bulhão Pato", "Arroz de pato", "Tiramisu", "Molotof", "Pavlova", e também receitas mais contemporâneas, como "Sopa de Meloa com queijo-creme" ou "Snack de batata-doce crocante", sem esquecer algumas bebidas, incluindo uma "Sangria de Espumante e Frutos Vermelhos, perfeita para estes dias.

 

Resumindo: é um livro abrangente, que cobre os diferentes momentos de refeição ao longo do dia e várias tipos de convívio ou celebração. Ótimo para quem gosta de receber em casa e para quem quer estar munido de um bom leque de receitas de conforto, fáceis de preparar e de sucesso garantido [não testei todas as receitas, mas parecem estar bem escritas e detalhadas].

A fotografia não é o forte do livro [algumas imagens são bonitas, noutras a luz artificial faz-se notar], o que é compensado pelos pequenos textos introdutórios às receitas. Estes acrescentam valor, desvendando algumas facetas e hábitos do Chef Luís Machado e mostrando como para si, os amigos são uma parte fundamental dos seus dias. Como escreve o Chef Hernâni Hermida no prefácio, este "é um livro sobre o gosto e o prazer de cozinhar e também sobre a partilha de bons momentos onde se comemora a amizade."

 

Se quiser saber mais sobre o "Jantamos cá em casa", ou até comprá-lo, basta clicar aqui.

 

Segue a receita da Tarte de Natas, ligeiramente adaptada do livro.

Tarte de Natas

TARTE DE NATAS

[Ligeiramente adaptada do livro "Jantamos cá em casa"]

 

Para a base:

1 rolo de massa folhada (a receita original pede massa areada de compra)

 

Para o recheio:

200 g de açúcar

100 ml de água

6 gemas

200 ml de leite meio gordo

200 ml de natas para bater

50 g de farinha sem fermento

Canela em pó para servir (opcional - acrescento meu)

 

Colocar as gemas numa taça e batê-las com um garfo.

Num tacho, juntar o açúcar e a água e levar ao lume até obter um ponto de pérola fino (se têm dúvidas sobre os pontos de açúcar, sugiro que vejam este post com vídeo da Chef Rita Nascimento, aka La Dolce Rita).

Juntar a calda de açúcar, em fio, às gemas, mexendo sempre com um batedor de varas.

Entretanto, ligar o forno nos 200º.

No tacho, juntar o leite, as natas e a farinha, mexendo com o batedor de varas para dissolver bem. Levar ao lume, mexendo sempre, até engrossar, o que deve demorar, no máximo, uns 10 minutos.

Retirar do lume e juntar, em fio, à mistura das gemas, mexendo sempre. Reservar.

Forrar uma tarteira com a massa escolhida (usei uma tarteira com 24 cm de diâmetro e mantive o papel vegetal debaixo da massa). Picar o fundo.

Verter o recheio na tarteira e levar ao forno cerca de 40 minutos ou até estar bem dourada e o recheio firme.

 

Notas e dicas:

- No final da cozedura o meu recheio estava ainda claro e pouco "queimado" - na fotografia do livro, o topo da tarte faz lembrar o pastel de nata, com aquelas manchas escuras típicas; como não quis manté-la mais tempo no forno, com receio de que ficasse demasiado cozida e os rebordos de massa folhada demasiado escuros, acabei por fazer umas pequenas manchas já fora do forno, com um maçarico de cozinha;

- Quase no final da cozedura, a minha tarte empolou e abriu umas pequenas fendas no centro, talvez devido à massa folhada, que empurrou o recheio para cima; depois de sair do forno, ao arrefecer, a "bossa" acabou por desaparecer e as rachas ficaram discretas, como podem ver nas fotografias.

 

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23
Jul19

Quadrados de aveia, pêssego e framboesa [e um forno que nunca para]

quadrados_aveia_pessego20.jpg

quadrados_aveia_pessego12.jpg

Adoro sobremesas de forno com fruta. Bolos, crumbles, galettes... E no verão há tanta fruta - e tanta fruta que se adapta a sobremesas - que o meu forno praticamente não tira férias.

 

É certo que o calor tem sido por estes dias suportável, mas acreditem que já me aconteceu estar com o forno ligado, com 35ºC lá fora e pouco menos dentro de casa... Vício. Gulodice. Ou disparate. Vocês escolhem 😅

 

Desta vez, resolvi fazer uns quadrados [os americanos chamam-lhes "bars"] de pêssego e framboesa com crumble, adaptando uma receita do blog Halfbaked Harvest que me tinha ficado debaixo de olho.

 

A variação de texturas - base e topo crocante, interior macio e húmido - é para mim o melhor destes quadrados, muito fáceis de fazer. Dêem-me meio quadrado destes e um café, e estarei no céu. Mesmo que o céu esteja a debitar mais de 30º à sombra.

 

quadrados_aveia_pessego6.jpg

QUADRADOS DE AVEIA, PÊSSEGO E FRAMBOESA

[Adaptado de Halfbaked Harvest]

 

Para cerca de 12 quadrados

1 chávena de flocos de aveia

3/4 de chávena de farinha

1/2 chávena de açúcar mascavado claro

1/2 colher de chá de fermento em pó para bolos

100 g de manteiga fria

+

1 chávena de pêssego partido em cubos (2 pêssegos grandes)

1 chávena de framboesas

1 a 2 colheres de sopa de açúcar mascavado claro (a depender da acidez da fruta)

3 colheres de sopa de doce de pêssego ou de framboesa

Raspa de 1/2 limão

1 colher de café de extrato ou baunilha

Chávena = 250 ml de capacidade

 

Forre com papel vegetal uma forma retangular com cerca de 16 cm x 24 cm.

Ligue o forno nos 180º.

Comece por preparar a massa da base e que vai servir também para o crumble: na taça do processador ou da batedeira, junte a aveia, a farinha, o fermento, açúcar e a manteiga.

Bata até se ter formado uma areia grossa, que se une quando pressionada.

Use cerca de 2/3 dessa massa para forrar a base da forma, calcando bem e formando uma base compacta. Reserve a massa sobrante.

Leve ao forno cerca de 10-12 minutos.

Entretanto, descasque e parta os pêssegos e lave as framboesas.

Coloque esta fruta numa taça e junte a farinha, o açúcar, o extrato de baunilha e a raspa de limão.

Retire a forma do forno e espalhe a fruta.

Distribua pedacinhos de doce de pêssego ou framboesa por todo.

Por fim, esfarele a massa sobrante por cima.

Leve ao forno durante cerca de 45 minutos (nos últimos minutos, talvez sinta necessidade de ligar a ventoinha, para fazer a fruta borbulhar e o crumble ganhar uma cor dourada bonita).

Retire do forno e deixe arrefecer bem, antes de partir e servir.

 

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18
Jul19

Camarão com quiabos e chamuças vegetarianas [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #2]

 

camarão com quiabos e chamuças vegetarianas

Livro Cozinha Moçambicana

chamucas vegetarianas

Custa a acreditar que já passou uma semana desde o primeiro post da rubrica "Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes", em parceria com a livraria Bertrand. Parece que foi ontem que vos apresentei este bolo de chocolate (e este livro) apetitoso.

Mas, tal como prometido, aqui está um novo livro. E esta semana trago não uma, mas duas receitas: camarão com quiabos cozinhados num molho à base de leite de coco e tomate e chamuças vegetarianas. Sabores exóticos que nos chegam do Cantinho do Aziz  - "o mais antigo restaurante moçambicano em Portugal" , através do livro "Cozinha Moçambicana", cuja autora é a chef responsável pelo restaurante.


Preparados para viajar sem sair do lugar?

Livro Cozinha Moçambicana

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #2
"Cozinha Moçambicana" - Jeny Sulemange - ArtePlural Edições
 
Há já algum tempo que andava curiosa sobre este livro. Este ano, quando fui à Feira do Livro de Lisboa apresentar um showcooking Yämmi e dar a conhecer os livros de receitas deste robot de cozinha, o showcooking antes do meu foi precisamente o da Chef Jeny Sulemange. Não imaginam a fila que se formou para degustar os pratos que tinha cozinhado, notava-se que as pessoas estavam a adorar o que estavam a comer. Na altura, ocupada em preparar o showcooking, não pude provar as iguarias nem pude dar muita a atenção ao livro, em destaque na banquinha junto ao palco-cozinha da Feira do Livro. Mas adicionei-o à minha (interminável) wish list.
 
Cozinhar e provar pratos de outros países é uma forma maravilhosa de viajar e enriquecer a nossa cultura. Nas minhas estantes tenho uma prateleira dedicada à "cozinha do mundo" e é com o maior prazer que ali vou arranjar espaço para este livro colorido e "positivo".
 
Sim, este é um livro cheio de boas energias, que vale pelas receitas simples que nos dão a conhecer um pouco da gastronomia moçambicana, mas sobretudo pela história - ou histórias - que nos conta. Nunca estive no Cantinho do Aziz (Aziz é o apelido do marido de Jeny, filho dos fundadores do restaurante), mas gostei de saber que este restaurante existe em Lisboa desde 1983 e que foi, sobretudo nos primeiros tempos, um porto de abrigo, onde muitos moçambicanos iam para matar as saudades do seu país e para desabafarem sobre política. Hoje em dia é um restaurante procurado pelos comensais mais diversos, incluindo imensos turistas, atraídos pelas várias reportagens publicadas no estrangeiro.
 
Um sucesso tal, que hoje já existe um Cantinho do Aziz em Leeds, Inglaterra, e, depois de uma experiência em formato pop-up, é bem provável que o Cantinho do Aziz abra brevemente em Nova Iorque.

Livro Cozinha Moçambicana

 

Este não é um livro extenso, são pouco mais de 50 receitas, entre entradas, pratos principais, acompanhamentos, cocktails e sobremesas. São bastante simples de executar, sendo que algumas são muito parecidas, quase que variando apenas a proteína utilizada. Uma das coisas giras do livro é o facto de muitos pratos terem nomes vindos de dialetos moçambicanos. "Matapa de Amendoim", "Yuca Malaku", "Yuca Miamba", "Miamba Macua", "Ikala", etc. Muitos destes nomes remetem para os ingredientes: "miamba" é camarão e "ikala" é caranguejo, por exemplo.
 
Há um aspeto, comum a várias receitas, de que gostei bastante. A maior parte dos pratos principais são pratos "caldosos", ou seja, com os ingredientes principais (camarão, frango, legumes, etc.) envolvidos em molho, quase sempre feito à base de leite de coco, cebola e tomate. O curioso é que este molho se prepara, em quase todos os casos, sem refogado e sem qualquer gordura para além da naturalmente presente no leite de coco. É só ferver o leite de coco com a cebola e o tomate, triturar, e depois colocar aí a cozer os restantes ingredientes. Saudável, certo?
 
Não foi fácil escolher a primeira receita a experimentar, por isso, resolvi fazer duas. A verdade é que, se por um lado há várias receitas que pedem ingredientes básicos e fáceis de encontrar, outras há, mais exóticas, cujos ingredientes só se arranjam nos grandes hipermercados, como é o caso dos quiabos - que comprei e usei aqui pela primeira vez - os caranguejos ou a banana-pão.
 
Resumindo: é um livro que transmite autenticidade e que nos enriquece do ponto de vista gastronómico. Perfeito para quem adora leite de coco, amendoim e camarão - são várias as receitas que os incluem. Numa próxima edição talvez fosse interessante explicar onde se podem encontrar alguns ingredientes (como aguardente de caju ou massa para chamuças - nas chamuças deste post usei massa filo, mas fiquei a pensar se não haverá à venda uma massa específica para chamuças, apesar de uma pesquisa rápida não me ter elucidado).

As fotografias (já sabem que valorizo muito esta componente) não são extraordinárias, mas são honestas, mostrando o essencial do prato, e todas as receitas vêm acompanhadas de imagem, o que eu aprecio. As receitas são bastante simples e permitem-nos dar o nosso toque pessoal.
 
Vamos cozinhar?

camarão com quiabos e chamuças vegetarianas

CHAMUÇAS VEGETARIANAS [NO FORNO]
[adaptado do livro "Cozinha Moçambicana", de Jeny Sulemange]

Para cerca de 24 


65 ml de água
25 g de farinha de trigo
1 molho pequeno de coentros
1 cebola grande
200 g de milho cozido
200 g de queijo mozzarella ralado
8 folhas de massa filo
Óleo ou azeite qb

Numa tacinha, junte a farinha e a água, mexa bem e reserve (é a "cola" para fechar as chamuças).
Pique os coentros e a cebola. Coloque numa taça grande e junte o milho e o queijo.
Ligue o forno nos 180º
Desenrole as folhas de massa filo. Corte-as ao comprimento em 4 tiras cada folha.
Coloque um montinho de massa na ponta inferior de cada tira e vá dobrando em triângulo até terminar a massa - veja aqui o tutorial fantástico da Clara de Sousa. No final, cole a ponta de massa filo com a mistura de água e farinha.
Coloque-as num tabuleiro forrado com papel vegetal. Pincele-as levemente com um pouco de óleo ou azeite. Leve ao forno numa posição central - função ventoinha, se tiver - cerca de 20 minutos ou até estarem bem coradas e estaladiças.
Devem ser servidas ainda quentes, para o queijo não endurecer.

Camarão com quiabos

CAMARÃO COM QUIABOS
[do livro "Cozinha Moçambicana", de Jeny Sulemange]

Para 4 pessoas

5 tomates pequenos
1 cebola
800 ml de leite de coco
100 g de quiabos frescos
500 g de camarão sem casca (cerca de 1 kg de camarão com casca)
Sal qb
Pimenta preta acabada de moer (opcional)

Coloque o leite de coco numa panela (ou no copo do robot de cozinha), junte o tomate e a cebola partidos em quartos e deixe cozinhar uns cinco minutos.
Retire do lume e triture.
Nesse molho coloque os quiabos e deixe ferver 3 a 5 minutos.
Junte o camarão e cozinhe mais 2 a 3 minutos.
Prove e retifique o sal, à partida terá de adicionar bastante sal (para cortar com a doçura do leite de coco, também adicionei pimenta preta acabada de moer).
O livro sugere que se sirva com "shima de milho" (uma papa feita com farinha de milho e água) ou arroz de coco (arroz basmati cozido em leite de coco). Eu servi com arroz basmati simples.

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11
Jul19

Bolo denso de chocolate e doce de leite [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #1]

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Bem-vindos ao primeiro post da nova rubrica do Lume Brando "Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes"! Todas as semanas, com o apoio da Bertrand Livreiros, irei apresentar um livro de cozinha e uma receita desse mesmo livro.

 

A escolha será sempre um pouco aleatória, de entre os inúmeros livros de cozinha disponíveis na livraria Bertrand online. Às vezes irei escolhê-los pela capa (como foi o caso deste primeiro!), outras vezes pelo tema ou pelas fotos maravilhosas, por ser de um autor que admiro ou por ter ouvido falar muito do livro. Enfim: não há regras, apenas a vontade enorme de folhear, cozinhar e partilhar convosco o meu feedback sobre alguns [dos imensos!] livros de culinária que temos à nossa disposição. Vamos a isso?

 

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DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #1

"Bolos de Luxo" - Frida Skattberg - ArtePlural Edições

 

Quem consegue resistir ao bolo merengado de limão na capa? Eu não! 

Mas neste livro não é só a foto de capa que é bonita. Todas as receitas surgem acompanhadas de imagem e é uma imagem cuidada, a combinar com o design gráfico do livro.

 

Os protagonistas do livro são bolos "densos", nas palavras da autora, Frida Skattberg, uma food blogger sueca com mais de 132 mil seguidores no Instagram. Em termos de sabores, o destaque vai claramente para o chocolate: à exceção de um ou dois bolos, são todos de ou com chocolate, nem que seja na decoração.

 

Apesar de, na capa, o subtítulo nos dizer "3 receitas de base - mais de 70 bolos", a verdade é que as três receitas "base" (1 bolo de chocolate branco, 1 bolo de chocolate de leite e 1 bolo de chocolate negro) só são requisitadas em 5 receitas... é um pouco estranho, porque somos levados a crer que os 70 bolos partiriam sempre de uma destas três receitas. No entanto, não me parece que isto desvalorize o livro, na verdade, ficamos com um portfólio de receitas ainda maior.

 

Outro aspeto para o qual vos queria alertar prende-se com a forma como as quantidades de alguns ingredientes secos, nomeadamente a farinha e o açúcar, estão apresentadas: em dl - sim, leram bem, decilitros! Ora bem, quando comecei a ler as receitas pela primeira vez fiquei à toa. 2,5 dl de açúcar? Como assim? Decidi ir ao site da autora, mas este está apenas em sueco e mesmo traduzindo-o de forma automática, não cheguei a grandes revelações. Da primeira vez que experimentei esta receita, fiz uma conversão um pouco idiota: imaginei que se fosse água, 2,5 dl seriam 250 ml ou 250 g. Apesar da relação peso vs volume serem diferentes, sendo água ou açúcar ou outro ingrediente, segui aquela correspondência e usei, para dar um exemplo, 250 g de açúcar... o bolo ficou bom, mas havia algo que não batia certo, até porque as quantidades me pareciam exageradas.

 

Fui ao google novamente. Desta vez pesquisei em inglês sobre medidas suecas para pastelaria. E fez-se luz: os suecos usam como medidas umas colheres/chávenas que estão marcadas em dl (estão a ver este conjunto de medidores do IKEA? Por acaso estes estão em ml, mas as capacidades seguem a tradição sueca, com a maior a corresponder a 100 ml, ou seja, 1 dl). Assim, como na Suécia essas colheres são a forma habitual de medir os ingredientes, referem as quantidades de acordo com o que a colher "marcar". Era como se nas receitas em que usamos a medição por chávenas (sistema inglês e americano), em vez de dizermos 1 chávena de açúcar, disséssemos 240 ml de açúcar. Confuso, não é?

 

Muito confuso para a nossa cultura culinária e na tradução do livro deveriam ter tido isso em conta, optando por fazer a correspondente conversão para gramas. Para ajudar, e no caso de terem ou quererem comprar este livro e terem ficado assustados, fica aqui uma curta tabela de conversões:

Farinha: 1 dl = 60 g

Açúcar / Açúcar em pó: 1 dl = 80 g

Cacau: 1 dl = 30 g

 

Estes são os ingredientes que as receitas mais vezes pedem; para outros ingredientes que surjam, sugiro que usem como medida um recipiente que tenha a capacidade solicitada (os medidores do IKEA são o ideal).

 

Depois de esclarecida, voltei a fazer o bolo com as quantidades certas. E desta vez ficou mesmo delicioso! 

 

Resumindo: é um livro guloso, repleto de receitas de bolo tentadoras e originais e fotos muito bonitas. Não são bolos para fazer todos os dias (são receitas calóricas, com ingredientes tradicionais), mas são bolos para surpreender alguém que gostamos ou para tornar ainda mais especial uma festa ou celebração.

Podem saber mais sobre o livro aqui: Bolos de Luxo, de Frida Skattberg

 

Vamos à receita?

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BOLO DENSO DE CHOCOLATE E DOCE DE LEITE

[do livro "Bolos de Luxo" - Frida Skattberg]

 

200 g de manteiga

100 g de chocolate negro

120 g de açúcar

15 g de cacau em pó

3 ovos

150 g de farinha sem fermento

180 g de leite condensado cozido

1 colher de sopa de sal marinho (usei flor de sal qb)

 

Ligue o forno nos 180º.

Unte uma forma redonda de aro amovível com cerca de 20 cm de diâmetro (usei de 22 cm e ficou bem, mas se tiver mais diâmetro, o bolo irá ficar demasiado baixo).

Numa panela grande, leve a derreter o chocolate com a manteiga em lume brando. Mexa bem até ficar bem misturado e fluído.

Retire do lume e incorpore o açúcar e o cacau.

Junte os ovos, um a um - a massa vai espessar, é normal.

Por fim, envolva a farinha.

Verta para a forma, alise, e espalhe o leite condensado cozido - use um palito para espalhar e fazer as cornucópias. Polvilhe com o sal (da segunda vez que fiz o bolo, omiti esta parte e apenas adicionei o sal antes de servir; aconselho: assim o sal não derrete e o bolo fica mais bonito no final)

Leve ao forno cerca de 20-25 minutos - vá espreitando. Neste bolo, não vale a pena fazer o teste do palito, pois a ideia é que saia do forno com o centro ainda pouco firme.

Deixe arrefecer e leve ao frigorífico umas três horas antes de servir.

Antes de servir, caso ainda não o tenha feito, polvilhe com sal marinho grosso ou flor de sal.

 

08
Jul19

Fruta da época [receita de galette-crumble de ameixa]

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Verão tímido este. Será que o facto do tempo andar menos soalheiro e quente do que é habitual para esta altura, tem relação com a qualidade das ameixas deste ano?

 

De facto, o problema não é a quantidade. No quintal dos meus pais, as ameixoeiras [pela minha pesquisa também se pode dizer "ameixeiras" ou "ameixieiras"] mostraram-se, nos últimos dias, carregadíssimas de fruta. Tanto que um dos ramos até se partiu, devido ao peso. Mas as ameixas são pequeninas e o sabor e a textura estão um pouco distantes da maravilha de outras colheitas.

 

O prazer de comê-las à dentada fica assim um pouco comprometido, mas aqui em casa nada se perde. Em breve irei fazer doce - tenho uma receita de doce de ameixa aqui no blog - mas entretanto já comecei a escoá-las através desta tarte rústica. Indecisa entre fazer uma galette - o meu tipo favorito de tarte - ou um crumble, resolvi fazer os dois!

 

Suculenta e vibrante, atinge o auge acompanhada por uma bola de gelado...

 

[Escrevo este post quando já não tenho nem uma migalha desta coisa boa, por isso, passemos rápido à receita, para poder afastar-me destas imagens 🤪!]

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GALETTE - CRUMBLE DE AMEIXA

 

Para a massa:

120 g de farinha de espelta integral

30 g de farinha T55 sem fermento

50 g de manteiga fria partida em pedaços

1 colher de chá de açúcar amarelo

1 ovo pequeno

Leite para pincelar o rebordo antes de ir ao forno

 

Para o recheio:

800 g de ameixas

1,5 colheres de sopa de farinha

3 colheres de sopa de açúcar amarelo - ou a gosto

 

Para o crumble:

65 g de farinha T55 sem fermento

35 g de manteiga fria

40 g de açúcar

 

Começar por fazer a massa. Colocar todos os ingredientes numa taça grande e amassar com as pontas dos dedos até obter uma massa moldável. Formar uma bola achatada, envolver em película aderente e levar a frigorífico durante cerca de 30 minutos.

Lavar e descaroçar as ameixas (não descasquei). As minhas eram tão pequenas que não senti necessidade de partir em pedaços - quando muito parti a meio. Juntar o açúcar e a farinha e envolver bem.

Para o crumble, colocar todos os ingredientes numa taça e misturá-los com a ponta dos dedos até obter uma areia grossa. Reservar.

Ligar o forno nos 170º.

Retirar a massa do frio, esticar sobre uma superfície enfarinhada e dar-lhe uma forma arredondada.

Transferir a base de massa para um tabuleiro de forno forrado com papel vegetal.

Espalhar a fruta pela base de massa, deixando um rebordo livre com cerca de 2,5 cm a toda a volta. Dobrar o rebordo de forma a "fechar" a galette.

Espalhar o crumble por cima da fruta e pincelar o rebordo da galette com leite.

Levar ao forno durante cerca de 1 hora/ 1hora e 10 m ou até a massa estar bem dourada e firme e a fruta a borbulhar e a largar sumo.

 

MAIS RECEITAS DE GALETTE:

 

 

03
Jul19

Chegou o tempo bom! [Salada de pimentos e salsichas Primor em broa de milho]

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Estão aí os dias compridos, o sol e a vida ao ar livre. Mas mais do que bom tempo, o verão é tempo bom. Tempo bom é igual a momentos felizes, a tempo de qualidade, com menos rotinas e mais descobertas, menos horários e mais convívio. Combinam-se piqueniques, marcam-se patuscadas e está-se de forma mais descontraída com os amigos e com os miúdos, que estes já não têm TPC's nem precisam de estudar (suspiro de alívio).

 

E se o verão é tudo isto, em 'tudo isto' temos de incluir petiscos deliciosos, certo? Sobretudo aqueles que não dão grande trabalho a preparar. Afinal, ninguém quer ficar enfiado numa cozinha quando lá fora o tempo convida às conversas, aos brindes e ao dolce far niente, certo?

 

A pensar nisso, fui desafiada pela Primor Charcutaria a desenvolver uma sugestão que incluísse as suas salsichas de churrasco. Aqui está ela: salada de salsichas e pimentos. Mais simples, prática e colorida não podia ser. E apresentada dentro de uma broa de milho, vai fazer sucesso no vosso próximo encontro entre amigos ou festa de família.

 

Eu escolhi as salsichas picantes, mas estas estão disponíveis também numa versão menos apimentada. E se quiserem, podem misturar outros enchidos com a qualidade Primor - vejam aqui no site da Primor, como há muito por onde escolher. Mais abaixo, mostro como é fácil preparar este petisco, mesmo que não tenham grelhador de churrasco ou vivam num apartamento, como eu ;)

 

Bom apetite… e viva o tempo bom!

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SALADA DE PIMENTOS E SALSICHAS PRIMOR EM BROA DE MILHO

Para 6/8 pessoas, como entrada ou petisco

 

1 embalagem de salsichas Primor picantes para churrasco

1 broa de milho

1/2 pimento vermelho

1/2 pimento amarelo

1/2 pimento verde

 

Com uma faca de serrilha, retire uma tampa à broa de milho e “escave”, com cuidado para não furar o fundo (aproveite o miolo para depois servir com a salada).

Se tiver grelhador de churrasco, grelhe as salsichas e os pimentos e só depois parta em rodelas e pequenos pedaços (retirando a pele aos pimentos, se estiver chasmuscada).

Em alternativa, pode cozinhar os ingredientes num grelhador elétrico (tipo 'sanduicheira', foi o que eu usei)  ou numa frigideira antiaderente. Em qualquer um destes casos, corte as salsichas às rodelas (eu retirei a pele) e os pimentos em pequenos pedaços. Comece por grelhar ou saltear as salsichas e reservar. Depois, grelhe ou salteie os pimentos aproveitando a gordura das salsichas. Coloque dentro da broa e sirva com o miolo de broa e mais pão.

Esta entrada ou petisco pode ser preparada com alguma antecedência e ser levada ao forno para aquecer, já na broa, antes de servir.

 

Post patrocinado. No entanto, o conteúdo foi desenvolvido e escrito inteiramente por mim, expressando as minhas ideias e opiniões livres sobre o produto.

 

SE GOSTOU DESTA RECEITA, ESPREITE ESTA TAMBÉM:

 

27
Jun19

Antes que as cerejas acabem [doce de cereja fácil e rápido]

doce_cereja9.jpg

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Ora bem, antes que me acusem de escrever títulos enganosos, convém esclarecer que o adjetivo "rápido" remete apenas para as fases após o descaroçamento das cerejas. As cerejas são maravilhosas [são mesmo um dos meus frutos favoritos], mas caso queiramos cozinhar com elas dão um pouco de trabalho. Afinal, já diz o ditado que não há bela sem senão. No caso das cerejas até há dois senãos.

 

Sei que há quem faça tartes e bolos com cerejas sem as descaroçar, mas eu não consigo. Prefiro perder algum tempo com essa tarefa, do que depois andar a cuspir caroços e pôr em causa a experiência da degustação. Assim, recomendo que tenham um bom descaroçador [ eu uso o quebra-nozes da Tupperware, que tem essa função e fico sempre satisfeita com o resultado]. Depois, ponham a rodar a vossa música favorita, sentem-se confortavelmente à mesa da cozinha, ou fiquem em pé se forem baixos como eu, e [muito importante!] descarocem as cerejas para uma bacia grande e alta. Isto porque o segundo senão de cozinhar com cerejas e ter de descaroçá-las é que elas espirram muito sumo, que deixa nódoas difíceis. Mas se tiverem uma bacia grande e alta e manusearem o descaroçador e as cerejas lá dentro, vão ver que a cozinha e a vossa roupa continuará impecável no fim desta missão.

 

No princípio de junho, fomos presenteados cá em casa com vários quilos de cerejas. Eram deliciosas e comemos a maior parte ao natural, mas a quantidade exigia que lhes desse outro uso. Resolvi transformar algumas em doce. Foi a primeira vez que fiz doce de cereja e, na altura, no Instagram, prometi que se ficasse bom, partilhava a receita.

 

Aqui está ela, a tempo de poderem aproveitar as últimas cerejas deste ano! Para além de ser muito bom barrado simplesmente em pão e tostas, também fica ótimo num cheesecake, ou servido com iogurte ou queijo - nestas fotos, aparece acompanhado de queijo fresco de cabra. 

 

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DOCE DE CEREJA

[adaptado de uma receita que vi no Pinterest, mas que na altura não guardei!]

 

1 kg de cerejas

Sumo de 1 laranja

6 colheres de açúcar amarelo ou a gosto

 

Lave e descaroce as cerejas.

Coloque todos os ingredientes numa panela de fundo espesso [as panelas de ferro fundido, tipo Le Creuset funcionam na perfeição].

Leve ao lume, numa temperatura média/média-alta e deixe cozinhar, mexendo, até as cerejas começarem a amolecer, aí uns 15 minutos - a ideia é manter a forma das cerejas, mas que estas fiquem macias.

Com uma escumadeira, retire as cerejas para uma taça e deixe reduzir e engrossar um pouco os líquidos que ficaram na panela. Volte a colocar as cerejas na panela, deixe levantar fervura, verifique se está no ponto desejado [eu costumo colocar um pouco de doce num prato e passar sobre este as costas de uma colher: se se abrir um caminho nítido e o doce demorar a voltar a unir-se, está pronto [não esquecer que o doce vai espessar ao arrefecer e a ideia é que fique um doce algo fluído, por isso não o cozinhe demasiado].

Passe para frascos bem limpos ou esterilizados, tape, deixe arrefecer e guarde no frigorífico.

 

OUTRAS RECEITAS DE DOCES E COMPOTAS:

Doce de abóbora

Doce de ameixa

Doce de romã e maçã

19
Jun19

Curso online de fotografia de comida: o meu feedback [e um bolo delicioso]

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Se só vieram por causa da receita do bolo, é melhor fazerem scroll e apanhá-la ali em baixo. Mas se gostam de fotografia de comida tanto como eu, o que conto já a seguir talvez seja do vosso interesse ;)

 

Já aqui tinha falado, e quem me segue no Instagram tem acompanhado, que este ano decidi fazer um curso online de fotografia de comida e food styling. No final de 2018, descobri o blog The Little Plantation e comecei a seguir a sua autora, Kimberly Espinel, no Instagram e no Facebook. Apesar de eu ligar cada vez menos ao Facebook, é aqui que a Kimberly, que vive em Londres, dinamiza um grupo fechado, reunindo uma simpática comunidade à volta dos temas de food photography e food styling e de tópicos complementares, tais como dicas para crescer no Instagram, como cobrar um trabalho de fotografia, etc.

 

Gosto muito do trabalho consistente da Kimberly e da forma simpática, generosa e entusiástica com que partilha as suas ideias e o seu conhecimento sobre esta área. Quando me apercebi que ministrava cursos online, pedi mais informações e não demorei muito a inscrever-me. Sei que há muitos outros bloggers e fotógrafos a disponibilizar cursos online de fotografia de comida, mas sinceramente não pesquisei nem fiz comparativos. Gostei da abordagem da Kimberly, o preço pareceu-me razoável, estava decidido.

 

O curso está estruturado em 5 aulas + 1 aula opcional sobre Instagram. Os temas vão desde técnica fotográfica à composição e ao food styling, passando pela teoria da cor e pela edição em Lightroom (foi a minha aula favorita) e o mais interessante é que as aulas são "presenciais": através da app Zoom (tipo Skype), vemos e falamos com a Kimberly podendo ainda interagir com os outros alunos. Recebemos com antecedência o plano de cada aula, com a "teoria", e depois na aula a Kimberly fala mais detalhadamente sobre esses conteúdos e responde às nossas questões. Há trabalhos de casa e um trabalho maior, final, que é discutido depois numa sessão individual, sendo-nos dado bastante tempo para concretizar o projeto.

 

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As fotos deste post fazem parte desse "final assignment". Fazer o curso foi uma decisão acertada, uma experiência fantástica, que recomendo. Obrigou-me a fotografar coisas diferentes, de ângulos diferentes. Obrigou-me a praticar. Nunca foi tão fácil como hoje aprendermos o que quer que seja sozinhos. Há artigos, vídeos, tutoriais... não faltam recursos grátis na internet para aprender a fotografar melhor, mas eu adoro aprender com pessoas, gosto da interação direta, é mais enriquecedor. Ficamos mais comprometidos, dedicamo-nos mais. Fosse eu rica e inscrevia-me já noutro curso.

 

Voltando ao trabalho final, cada aluno teve de começar por apresentar um mood board (fiz o meu no Pinterest, podem vê-lo aqui.), este devia contemplar diferentes ângulos (de frente, de cima, 3/4) e imagens ao alto e ao baixo. Depois de feita a sessão, guiada pelo tal mood board, e editadas as fotos, selecionei as que queria apresentar à Kimberly, enviei-as e, na já referida sessão 1-2-1, falámos sobre elas, sobre as dificuldades e dúvidas que tive, e recebi o seu feedback sincero, que incluiu tanto elogios como várias críticas construtivas. Estas fotos ainda não estão no nível que eu gostaria, mas se olhar para imagens minhas antigas (e não é preciso recuar muito no tempo), sinto que tenho evoluído e isso deixa-me mais confiante.

 

Escolhi um bolo para "estrela" do projeto final, porque é das coisas que mais gosto de cozinhar e fotografar e é o tipo de receita que as pessoas mais associam ao Lume Brando. Um bolo de iogurte e limão, recheado e coberto com um creme de mascarpone, natas e framboesas. Espero que não só gostem das fotografias, como da receita, que partilho mais abaixo.

 

E se quiserem saber mais sobre fotografia de comida, food styling, food blogging, redes sociais, criatividade e outros tópicos associados, não deixem de ouvir o podcast da Kimberly, chamado Eat Capture Share, já com duas temporadas. Eat Capture Share é também o nome da sua comunidade no Facebook e a hashtag #EatCaptureShare é a que une as participações nos interessantes desafios de fotografia que costuma organizar no Instagram.

 

Vamos ao bolo?

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BOLO DE IOGURTE E LIMÃO COM COBERTURA E RECHEIO DE MASCARPONE E FRAMBOESAS

 

Para o bolo:

1 iogurte grego natural

130 g de açúcar amarelo

3 ovos

80 g de azeite extravirgem

Raspa e sumo de 1/2 limão

150 g de farinha peneirada

1 colher de sopa de fermento em pó

1 pitada de sal

 

Para a calda:

Sumo de dois limões

Açúcar amarelo a gosto

 

Para o recheio e cobertura:

2 embalagens de queijo mascarpone (deve estar bem frio)

1 embalagem de natas (devem estar bem frias - mínimo 12 horas no frigorífico)

Coulis de framboesa qb*

Cerca de 2 colheres de sopa de açúcar ou a gosto

Framboesas frescas  - cerca de 250 g

 

Untar bem e forrar o fundo de duas formas com 14 ou 16 cm de diâmetro com papel vegetal. Voltar a untar com manteiga/polvilhar com farinha.

Ligar o forno nos 180º

Separar as gemas das claras. Bater estas em castelo, com uma pitada de sal.

Juntar às gemas o açúcar e bater bem. Adicionar o iogurte, o azeite, o sumo e a raspa de limão. Mexer bem. Envolver as claras em castelo e, por fim, envolver a farinha e o fermento peneirados (eu costumo peneirar diretamente para a massa do bolo, ao mesmo tempo que vou envolvendo).

Dividir pelas formas e levar ao forno durante cerca de 25-30 minutos - vigiar e fazer o teste do palito para confirmar que estão cozidos.

Desenformar os bolos sobre uma rede forrada com papel vegetal e deixar arrefecer.

Para preparar o creme do recheio e cobertura, bater com a batedeira elétrica as natas, o mascarpone e o açúcar, até estar bem uniforme e macio. A meio do processo, juntar um pouco de sumo de limão, que ajudará a tornar o creme mais firme. Por fim, ir juntando umas colheres de sobremesa de coulis e continuar a bater, até atingir o tom de rosa pretendido e provando para ver se necessita de adoçar mais (eu acho que o mascarpone não pede muito açúcar, mas o ideal é provarem e ajustarem ao vosso gosto). O coulis que sobrar, podem servir depois com o bolo.

Entretanto fazer a calda com o sumo de limão e o açúcar. Deixar borbulhar lentamente até atingir um ponto fraco.

Colocar um dos bolos no prato de servir, picá-lo com um palito e regar com metade da calda. Colocar uma camada de creme de mascarpone e framboesa, espalhar algumas framboesas e tapá-las com mais creme, reservando framboesas para a decoração final. Colocar o outro bolo por cima. Picar e regar com a restante calda. Cubrir o bolo com o creme e acabar de decorá-lo ao vosso gosto. O bolo fica melhor no dia seguinte, por isso, o ideal é fazê-lo de véspera e guardá-lo no frigorífico.

 

*Leve ao lume cerca de 200 g de framboesas congeladas. Deixe cozinhar bem até ficarem desfeitas e largarem todo o sumo, deixando este reduzir um pouco. Passe por um coador, descarte as grainhas e reserve o coulis, que para esta receita deve ser usado frio.

 

MAIS RECEITAS DE BOLOS DE FESTA:

Bolo de banana, caramelo e chocolate

Bolo anjo de limão

Bolo de abóbora e especiarias

Bolo de chocolate e grão-de-bico

Bolo de chocolate e amêndoa

Bolo de Oreo

Bolo de cenoura e noz com cobertura de queijo-creme

Dobos Torte simplificado

 

24
Mai19

Galette de ruibarbo e maçã [ruibarbo: fruta ou legume?]

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Se perguntar à minha mãe se conhece ou já ouviu falar em ruibarbo, a resposta vai ser um não convicto, acompanhado daquele franzir de testa involuntário de quem reage a algo que lhe soa estranho. Julgo que, de uma forma geral, será assim com todas as mães, pais e avós da geração dos meus. Ou pelo menos aqui no norte, onde não se conhece qualquer tradição no cultivo deste legume, que por ser bastante ácido é mais usado em sobremesas do que em salgados.

Sim, o ruibarbo é um legume, originário da Ásia, muito utilizado para fins medicinais, destacando-se a sua riqueza vitamínica. Uma outra utilização comum é em chá, indicado para auxiliar a digestão.

Eu própria só há uns anos é que descobri o ruibarbo, ao ver receitas em livros e revistas estrangeiras que o incluíam. Por isso, não imaginam como fiquei feliz assim que o pude cozinhar pela primeira vez, quando a querida Naida Folgado*, do blog Frango do Campo, me ofereceu uns caules, da sua horta, e com os quais fiz este bolo (caso cliquem, peço desculpas pelo aspeto do post, é muito antigo e não consigo editá-lo).

Das mesmas mãos generosas, chegou-me nova remessa de ruibarbo no fim de semana que passou. Desta vez, experimentei fazer uma galette, o meu tipo de tarte favorito. E ficou tão boa! Combinado com a dose certa de açúcar, o ruibarbo oferece-nos um delicioso travo agridoce e a sua textura macia, após a cozedura, contrasta muito bem com o crocante da massa (a massa que usei aqui é uma receita que faço algumas vezes, com uma ou outra alteração; desta vez ficou ainda mais estaladiça, porque lhe juntei um pouco de farinha de polenta bergamasca.

Sei que não é fácil encontrar ruibarbo (ou então é muito caro), mas se tiverem a oportunidade de poder cozinhá-lo e prová-lo, aproveitem-na! Ah, e não se esqueçam de que as folhas têm de ser descartadas: com elevados índices de ácido oxálico, as folhas são tóxicas e podem mesmo matar se consumidas em grandes quantidades.

*Sabiam que a Naida tem um site novo, dedicado aos seus serviços de food photography e food styling? Espreitem! E se puderem, não percam o seu workshop do dia 2 de junho em Espinho, no bonito espaço Humor ao Lume.

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GALETTE DE RUIBARBO E MAÇÃ

Para a massa:

120 g de farinha s/ fermento

40 g de farinha de milho para polenta (não instantânea) ou sêmola de milho

50 g de manteiga fria partida em pedaços

1 colher de chá de açúcar amarelo + 1 pouco para polvilhar

1 ovo pequeno

Ovo batido para pincelar

 

Para o recheio:

450 g de caules de ruibarbo, limpos e partidos em cubos

150 g de maçã descascada e partida em cubos

3-4 colheres de sopa de açúcar amarelo

2 colheres de sopa de farinha sem fermento

Sumo de 1 laranja

Opcional: açúcar em pó para polvilhar antes de servir

 

Comece por fazer a massa: coloque todos os ingredientes numa taça grande e amasse com as pontas dos dedos até obter uma massa moldável (se achar que está muito dura ou pouco ligada pode juntar umas gotas de água fria). Forme uma bola achatada, envolva em película aderente e leve a frigorífico durante cerca de 30 minutos.

Numa taça, junte o ruibarbo, a maçã, o açúcar, e o sumo de laranja. Envolva bem e deixe "marinar" enquanto a massa está no frigorífico.

Entretanto ligue o forno nos 170º.

Estenda e estique a massa numa superfície enfarinhada dando-lhe uma forma arredondada.

Escorra e descarte o líquido que se tiver formado na taça do ruibarbo, junte 2 colheres de sopa rasas de farinha na taça e envolva bem o ruibarbo e a maçã.

Verta a mistura de ruibarbo e maçã no centro da massa, espalhando-a para os lados mas mantendo livre a toda a volta uma borda com cerca de 3 cm. Dobre essa borda para cima, para fechar a galette, fazendo umas "pregas" a toda a volta, para a massa assentar e colar melhor. Pincele o rebordo com ovo batido e polvilhe com açúcar amarelo. Leve ao forno entre 1h a 1h e 10 minutos ou até a massa estar bem firme e bem dourada.

 

MAIS RECEITAS DE GALETTE:

16
Mai19

Tarte gelada de morango [pelo arrefecimento global]

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Não sei como é possível ainda haver pessoas - com enormes responsabilidades políticas e elevado poder de decisão - que não acreditam nas alterações climáticas. Se outras provas e sinais, bem mais graves, não existissem, bastaria estar atento ao fluir atual das estações do ano.

 

Não sei se por aí decidiram o mesmo, mas eu já desisti de fazer as mudanças semestrais de roupa e calçado, preferindo manter um pouco de tudo no armário. Para não ser apanhada desprevenida: por estes dias, por exemplo, os termómetros parecem uma montanha-russa.

 

Se hoje já choveu, está um vento desagradável e quando o sol se esconde (a maior parte do tempo), precisamos do aconchego de um casaco, a verdade é que no fim de semana passado o mercúrio subiu aos 30ºC e o céu parecia uma piscina de tão límpido e azul que estava. 

 

E com dias quentes assim, o que é que apetece? Receitas frescas. E quem diz receitas frescas diz sobremesas geladas.

 

Esta tarte estava marcada há muito com um post-it numa revista Saveurs, feita com framboesas. Mas era morangos que eu tinha e foi com morangos que a fiz. E ficou ótima. O que eu mais gostei na receita foi o facto de (fora a base de bolacha, coco e manteiga), serem precisos apenas três ingredientes: fruta, claras de ovos e açúcar.

 

Tanto que em breve tenciono fazer apenas esta parte (triturar a fruta e batê-la com o açúcar e as claras), congelar num recipiente adequado e servir depois como gelado. E também vou querer experimentar com outra fruta e outro adoçante que não açúcar, ainda que desconfie que o açúcar foi importante para este resultado: uma espécie de merengue macio e cremoso, que se obtém após cerca de 8 minutos a bater os três ingredientes no robot de cozinha.

 

Uma sobremesa fácil, económica, que não precisa de forno, perfeita para dias quentes.

 

Mas da forma como o tempo está, não se admirem se a próxima receita do blog for algo mais pesado, que envolva forno e sabores mais invernosos...

 

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TARTE GELADA DE MORANGO

Adaptado da revista Saveurs

 

Para a base de bolacha:

150 g de bolacha maria integral ou outra a gosto

40 g de coco ralado

90 g de manteiga derretida

 

Para a camada principal:

250 g de morangos limpos e sem pé + alguns para decorar

180 g de açúcar (ou ajustar de acordo com a acidez da fruta)

2 claras à temperatura ambiente

 

Colocar um pedaço de papel vegetal sobre o fundo amovível de uma forma circular de mola com cerca de 22 cm de diâmetro, e só depois encaixar o aro e fechar a forma (o papel deve sair um pouco do fundo da forma: assim será mais fácil descolar a tarte depois de pronta e passá-la para o prato de servir).

 

Para fazer a base de bolacha, triturar grosseiramente as bolachas no robot de cozinha. Juntar a manteiga e o coco e triturar mais um pouco até obter umas migalhas finas moldáveis.

Verter para a forma, calcar com os dedos ou uma colher, alisar bem e levar ao frigorífico.

 

Lavar o copo do robot de cozinha. Colocar aí os morangos, as claras e o açúcar. Bater numa velocidade alta ou média-alta durante cerca de 8 minutos. A mistura irá triplicar de volume, apresentando-se com um aspeto macio e brilhante.

Verter para a forma e levar ao congelador até solidificar - o ideal é fazer de véspera.

 

Retirar do congelador, decorar com mais morangos e servir (se estiver frio, tirar do congelador uns 10 minutos antes de servir, para conseguir parti-la; se o ambiente estiver quente, é normal que a superfície da tarte comece a derreter rapidamente, basta olhar para as fotos 🙈, mas tal não compromete em nada o sabor!).

 

MAIS RECEITAS GELADAS:

 

Teresa Rebelo

foto do autor

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