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Lume Brando

15
Jan20

Bolo de lim√£o merengado [porque hoje quem manda sou eu ūüėĀ]

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O ano passado foi assim.

Este ano, voltei a dar ao meu anivers√°rio o sabor do lim√£o. Afinal, √© o meu ingrediente favorito para bolos e sobremesas. E hoje, quem manda sou eu ūü§©

 

A-D-O-R-O esta forma de bolo [modelo 'Charlotte' da Nordic Ware], que me veio parar √†s m√£os atrav√©s da loja lecuine.com¬†No instagram j√° tinha partilhado uma foto de um bolo de laranja, cenoura e chocolate em que a tinha usado e, depois da vers√£o que vos trago hoje, continuo com imensas ideias para outras combina√ß√Ķes vistosas nesta forma incr√≠vel.

 

Para a massa, adaptei [ou melhor, simplifiquei ainda mais] a receita de bolo de lim√£o merengado do livro "Um bolo por semana" de Rita Nascimento, aka La Dolce Rita. Depois, reguei-o com uma calda¬† de lim√£o e a√ß√ļcar, enchi a cavidade da forma com lemon curd*, fazendo com que escorresse pelas laterais, e por fim decorei com uma camada generosa de merengue sui√ßo* que queimei com o ma√ßarico.

 

Pode parecer complicado, mas não é! Se forem fãs de limão, como eu, guardem esta receita e ponham-na em prática assim que conseguirem: prometo que não se irão arrepender.

 

*Também encontram estas receitas no meu livro "Estava tudo ótimo!".

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O MEU BOLO DE LIMÃO MERENGADO

 

Para o bolo:

200 g de a√ß√ļcar

Raspas de 1 lim√£o grande

4 ovos

1 iogurte natural

120 ml de azeite extravirgem

180 g de farinha sem fermento

1 colher de chá de fermento em pó

 

Para a calda:

Sumo de 1 lim√£o + a mesma quantidade de √°gua

4 colheres de sopa de a√ß√ļcar¬†

 

Para o lemon curd:

2 ovos L
100 ml de sumo de lim√£o
140 g de a√ß√ļcar
50 g de manteiga à temperatura ambiente
1 colher de sopa de raspa de lim√£o

 

Para o merengue suiço

2 claras de ovos L

90 g de a√ß√ļcar

 

Comece por fazer o lemon curd (pode faz√™-lo com alguns v√°rios dias de anteced√™ncia e mant√™-lo guardado bem fechado no frigor√≠fico): num tachinho de fundo espesso, misture bem os ovos com o a√ß√ļcar e o sumo de lim√£o. Leve ao lume m√©dio, mexendo sempre com um batedor de varas, para n√£o ganhar grumos, at√© engrossar, o que deve demorar menos de 10 minutos (deve ficar um creme n√£o demasiado espesso, uniforme e brilhante, que ir√° ficar mais consistente depois de arrefecido). Retire do lume e incorpore a manteiga e a raspa de lim√£o. Espere um ou dois minutos e mexa com um batedor e varas, at√© a manteiga estar bem derretida e bem distribu√≠da pelo creme. Verta para frascos limpos, deixe arrefecer, tape e guarde no frigor√≠fico at√© usar. Conserva-se bem tapado no frigor√≠fico cerca de 15 dias.

 

Para o bolo, comece por ligar o forno nos 180¬ļC.

Unte muito bem a forma (idealmente, deve usar-se a forma 'Charlotte' da Nordic Ware, no entanto, pode usar-se uma forma redonda normal, com 20 cm de di√Ęmetro e, depois de cozido e arrefecido, abre-se uma cavidade no bolo, retirando massa e criando espa√ßo para o lemon curd).

Numa ta√ßa, bata o a√ß√ļcar com o iogurte e as raspas de lim√£o

Junte os ovos e bata bem.

Adicione o azeite e mexa bem.

Peneire a farinha e o fermento para a taça e envolva com cuidado.

Verta para a forma e deixe cozer cerca de 40 minutos ou até um palito sair limpo.

Retire, deixe arrefecer um pouco e desenforme.

 

Fa√ßa a calda, misturando o a√ß√ļcar com o sumo de lim√£o e a √°gua e levando ao lume uns 5 minutos, at√© engrossar um pouco.

Pique o bolo j√° frio e regue com a calda quente. Deixe arrefecer.

Entretanto, prepare o merengue sui√ßo: na ta√ßa da batedeira junte as claras e o a√ß√ļcar e leve ao lume em banho-maria (a ta√ßa das claras n√£o deve tocar na √°gua da panela). V√° mexendo sempre at√© o a√ß√ļcar se ter dissolvido e a mistura estar quente ao toque.

Leve a taça para a batedeira e comece a bater, primeiro numa velocidade baixa e depois em velocidade média alta, até o merengue ter quase arrefecido e ficar brilhante, uniforme e bastante firme - no total serão cerca de 7 minutos a bater.

Para decorar o bolo, espalhe uma dose generosa de lemon curd na cavidade do bolo (√© prov√°vel que lhe sobre lemon curd), fazendo escorrer pelas laterais, e espalhe por cima o merengue, dando-lhe uma forma algo r√ļstica (se preferir, pode usar bico pasteleiro, como fiz com o chocolate aqui).

Queime a gosto com o maçarico.

 

Pode fazer o bolo e regá-lo com a calda de véspera (fica ainda melhor). No dia, faça o merengue e siga os passos descritos acima.

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MAIS RECEITAS - DELICIOSAS! - COM LIMÃO:

 

 

10
Jan20

Gnudi [ou alm√īndegas de requeij√£o - Diz-me o que l√™s #24]

Jamie e a Cozinha Italiana

Gnudi (alm√īndegas de requeij√£o)

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #24

"Jamie e a Cozinha Italiana - Uma viagem ao coração de Itália" - Jamie Oliver - Porto Editora

 

Ainda que j√° tenha sido mais popular - as not√≠cias sobre o insucesso financeiro de alguns dos seus projetos contribu√≠ram para essa 'queda' - Jamie Oliver dispensa apresenta√ß√Ķes. E se h√° algu√©m que sabe fazer livros de cozinha, √© seguramente este chef ingl√™s e a sua equipa.

 

Pelas minhas contas, este √© j√° o 22¬ļ livro de Jamie. E n√£o √© o primeiro a abordar a cozinha italiana. A paix√£o de Jamie Oliver por esta gastronomia √© conhecida, muito por influ√™ncia da sua passagem pelo restaurante River Caf√©, no in√≠cio da sua carreira, e tamb√©m pela sua longa e forte amizade com Gennaro Contaldo, com quem, ali√°s, viajou por toda a It√°lia para fazer este livro.

 

Ainda que os sabores e as t√©cnicas culin√°rias italianas estejam, de alguma forma, presentes em todos os seus livros, nos volumes "Jamie Does...",¬†onde surge um cap√≠tulo dedicado a It√°lia, e no "Jamie's Italy", o seu amor por esta cozinha tinha sido j√° destacado. Tanto que quando me apercebi do lan√ßamento deste livro, o meu primeiro pensamento foi "O qu√™? Mais um sobre It√°lia?" ūü§™

Jamie e a Cozinha Italiana

 

Mas se é verdade que Jamie e a sua equipa sabem baralhar e dar de novo como ninguém - são peritos em reaproveitar receitas, alterando-lhes pequenos detalhes e apresentando-as com novas roupagens, como se fossem inéditas - também é certo que a riqueza e a capacidade de sedução dos sabores italianos prestam-se a isso mesmo, sem nunca nos cansarem.

 

Este é um livro à Jamie: grande formato, capa dura, 410 páginas, fotos maravilhosas de David Loftus - um dos melhores fotógrafos de comida do mundo (cuja carreira e sucesso são indissociáveis da sua parceria de anos e anos com Jamie), mais de 200 receitas, bem escrito, design gráfico irrepreensível.

 

O índice divide-se pelos seguintes capítulos:

  • Introdu√ß√£o
  • Antipasti
  • Saladas
  • Sopas
  • Massas
  • Arroz e Dumplings
  • Carne
  • Peixe
  • Acompanhamentos
  • P√£o & Afins
  • Sobremesas
  • As bases

 

Um dos aspetos mais bonitos do livro (ainda que noutros dos seus livros Jamie já o tenha feito), é o facto nos dar a conhecer várias "nonnas" - "avós" italianas que cozinham magistralmente e há anos para as suas famílias e/ou pequenos restaurantes, partilhando algumas das suas receitas e dicas.

 

Jamie e a Cozinha Italiana

A receita que escolhi para testar, e que segue mais abaixo, foi a de "gnudi", que no italiano da Toscana significa "nu". O nome deve-se ao facto de serem feitos apenas com ricotta (usei requeij√£o), um recheio cl√°ssico dos raviolli, ou seja, √© como se fossem raviolli "nus", sem a massa ūüėČ.

 

Resumindo: "Jamie e a Cozinha Italiana" n√£o √© um livro inovador, nem no tema, nem no tipo de receitas, a que o Jamie Oliver nos habituou nos seus livros anteriores. No entanto, nota-se uma certa simplicidade, sobretudo no n√ļmero de ingredientes das receitas e nos m√©todos de confe√ß√£o, que me agradou bastante. √Č um livro muito bem feito, daqueles que se folheia com muito prazer e onde se colam post-its em quase todas as p√°ginas.

 

Como sempre, esta rubrica teve o apoio da Livraria Bertrand ūüíõ em cuja loja online podem saber mais e comprar o livro >>> Bertrand online*

 

*Link afiliado

Gnudi (alm√īndegas de requeij√£o)

GNUDI [Alm√īndegas de requeij√£o]

Ligeiramente adaptado do livro "Jamie e a Cozinha italiana", de Jamie Oliver

 

Para 3 - 4 pessoas

 

500 de requeij√£o

50 g de parmes√£o ralado + um pouco para polvilhar no final

500 g de sêmola de milho para polenta

1 pitada de sal

1 pitada de pimenta preta acabada de moer

750 ml de molho de tomate caseiro

100 g de nabiças ou brócolos

Noz moscada para ralar na altura

 

De véspera, fazer as bolinhas:

- Colocar a farinha para polenta num prato fundo

- Escorrer o requeijão, desfazê-lo e misturá-lo com o parmesão ralado finamente e um pouco de sal e pimenta preta acabada de moer

- Fazer bolinhas (um pouco mais pequenas do que as alm√īndegas tradicionais) e pass√Ę-las pela polenta, colocando-as noutra assadeira.

- Verter a polenta sobre as alm√īndegas, para cobri-las

- Levar ao frigorífico - mínimo 8 horas - sem tapar

 

No dia seguinte:

- Ligar o forno nos 180¬ļC

- Dar uma fervura aos brócolos ou às nabiças (devem ficar al dente)

- Colocar o molho de tomate num prato relativamente fundo de ir ao forno

- Disp√īr as alm√īndegas, sacudindo o excesso de polenta

- Dispor os brócolos ou as nabiças

- Polvilhar com noz moscada e queijo parmes√£o ralado

- Levar ao forno at√© borbulhar e as alm√īndegas ficarem crocantes e tostadinhas

 

Servir com umas boas fatias de p√£o r√ļstico.

 

Nota: nas fotos, est√° o resultado dos gnudi seguindo a receita original, que diz para se cozerem os mesmos em √°gua com sal e pass√°-los por manteiga e noz moscada antes de se levarem ao forno no molho de tomate. No entanto, achei dif√≠cil este processo (os meus gnudi - prefiro chamar-lhes alm√īndegas - come√ßaram a desfazer-se). Como n√£o cozi todos, resolvi levar alguns ao forno sem cozer antes mas igualmente numa cama de molho de tomate, mantendo a capa de polenta (que desaparece na √°gua de cozedura). Ficaram deliciosos e ainda melhores do que os primeiros, pois a polenta d√° ao prato um contraste de texturas fant√°stico.

Gnudi (alm√īndegas de requeij√£o)

OUTRAS RECEITAS COM INSPIRAÇÃO ITALIANA:

09
Jan20

Tarte de leite-creme e t√Ęngeras [Feliz Vinte-vinte!]

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Feliz Ano Novo!

Por aqui, o começo de 2020 faz-se com fruta da época.

 

No fim de semana passado, trouxe do pomar dos meus pais um cesto cheio de t√Ęngeras. Por muito que goste de com√™-las ao natural (apesar de terem muitas sementes) ou beber o seu sumo, √© imposs√≠vel n√£o querer usar algumas em bolos ou sobremesas.

 

J√° agora, e por que sei que n√£o √© uma variedade muito comum, cito o que a Infop√©dia diz sobre a¬†t√Ęngera: "citrino de cor laranja e polpa cor de laranja, forma achatada, sumarento e adocicado, de tamanho maior do que a tangerina e menor do que a laranja vulgar, resultante de hibrida√ß√£o da tangerineira (Citrus retuclata) com a laranjeira-doce (Citrus sinensis)."

 

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Não foi fácil escolher a receita. Ou melhor, foi difícil fugir do típico bolo, que é o que nos vem logo à cabeça quando temos esta fartura de citrinos. Mas queria experimentar algo diferente e lembrei-me da receita de Tarte de leite-creme com baunilha e citrinos do livro "Tartes Caseiras", de Linda Lomelino.

 

Repliquei a receita com alguns ajustes (a receita original leva laranjas sanguíneas e toranjas, por exemplo) e partilho-a de seguida, com os votos de um feliz e doce vinte-vinte!

 

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TARTE DE LEITE-CREME E T√āNGERAS

Ligeiramente adaptado do livro "Tarte Caseiras" de Linda Lomelino

 

Para a massa:

1 ch√°vena de farinha de trigo sem fermento (cerca de 140 g)

2 colheres de sopa de a√ß√ļcar (usei mascavado)

1/4 de colher de ch√° de sal

100 g de manteiga derretida

 

Para o recheio:

1 vagem de baunilha (n√£o usei)

3 colheres de sopa de a√ß√ļcar (usei 1,5 colheres de mascavado e 1,5 colheres de a√ß√ļcar baunilhado*)

1 + 1/4 de chávenas de natas (de preferência das mais líquidas, que não são para bater)

1 colher de ch√° de raspa de t√Ęngeras

6 colheres de sopa de sumo de t√Ęngeras

4 gemas

4 colheres de sopa de a√ß√ļcar mascavado

12 - 16¬† rodelas de t√Ęngera, sem casca e sem sementes.

 

Ligue o forno nos 175¬ļC.

Prepare uma forma de tarte retangular com cerca de 10 cm x 35 cm.

Coloque numa ta√ßa a farinha, o a√ß√ļcar, o sal e a manteiga derretida.

Primeiro mexa com um garfo e depois trabalhe a massa com as pontas dos dedos até ficar suave e uniforme.

Com esta massa, forre o fundo e os lados de uma forma de fundo amovível retangular, com cerca de 10 cm x 35 cm, espalhando bem e calcando com os dedos.

Pique com um garfo e leve a cozer durante cerca de 22 minutos. Retire do forno e reduza a temperatura deste para os 150¬ļC.

Entretanto, prepare o recheio.

Abra a vagem de baunilha (se for usar) no sentido do comprimento e raspe as sementes.

Coloque as sementes e a vagem num tacho, juntamente com as natas, metade do a√ß√ļcar e a raspa das t√Ęngeras.

Leve ao lume até fervilhar.

Adicione o sumo de t√Ęngera e junte as gemas, previamente batidas com o restante a√ß√ļcar.

Deixe arrefecer.

Quando a base e o recheio estiverem praticamente frios, coloque a tarteira na prateleira central do forno, coe a mistura das natas e verta-a sobre a tarteira.

Deixe cozer durante cerca de 35 minutos. 

Retire do forno (o centro ainda deve estar pouco firme), deixe arrefecer e leve ao frigorífico pelo menos duas horas.

Entretanto descasque e parta as t√Ęngeras (ou os citrinos que est√° a usar), retirando-lhes as sementes com cuidado.

Espalhe duas colheres de sopa de a√ß√ļcar sobre a tarte e queime com um ma√ßarico.

Disponha as rodelas de t√Ęngera, polvilhe com o restante a√ß√ļcar e volte a queimar.

Est√° pronta a servir.

 

*Como n√£o tinha baunilha em vagem, substitu√≠ parte do a√ß√ļcar por a√ß√ļcar baunilhado (de compra, que me tinha sido oferecido), no entanto achei que o sabor ficou um nadinha artificial, pelo que aconselho a n√£o usarem, caso tamb√©m n√£o tenham a baunilha.

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OUTRAS RECEITAS COM CITRINOS:

 

27
Dez19

Barritas de sésamo e cacau [Diz-me o que lês #22]

Barritas de sésamo e cacau

O livro de cozinha da Marta

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #22

"A Cozinha da Marta - Uma forma de amar" - Marta Horta Varatojo - Marcador

 

Este não é um livro recente. Foi lançado em 2015, já vai na 4ª edição, e há muito que o cobiçava quando o via nas livrarias. Quem me segue, sabe que não sigo a filosofia e o estilo de vida macrobiótico, que é o apresentado neste livro. No entanto, sou curiosa e gosto de saber mais sobre todos os tipos de regimes alimentares.

 

Sempre que passava pelo livro, ficava seduzida pela capa colorida e pela beleza da Marta, visível na pequena fotografia da capa. Por isso, quando criei esta rubrica, sabia que seria um dos que passariam por aqui.

 

"O Livro de Cozinha da Marta - Uma forma de amar" é um livro que tem tanto de técnico (com vários textos de Francisco Varatojo, pai da autora e fundador do Instituto Macrobiótico de Portugal, que infelizmente faleceu em 2017), como de empírico e pessoal, no sentido de nas suas páginas transparecerem o amor e a gratidão da autora pela cozinha, pela família e pelas pessoas que a rodeiam e também por partilhar connosco a sua história de vida.

 

O livro de cozinha da Marta

 

√Č imposs√≠vel n√£o gostar da Marta e deste livro, quando, logo no in√≠cio, se pode ler "Sou macrobi√≥tica desde que nasci, mas acima de tudo sou uma pessoa que gosta de comer! Os r√≥tulos podem tornar-se perigosos em mentes mais inflex√≠veis, levando a uma abordagem r√≠gida e pouco divertida. Eu sou completamente a favor de sermos sensatos e flex√≠veis. N√£o gosto de falar em alimentos proibidos; h√° alimentos que s√£o bons para serem consumidos diariamente, outros para o serem mais ocasionalmente, e h√° ainda a categoria de alimentos para os dias de festa."

 

N√£o podia concordar mais. Mas, afinal, em que consiste a macrobi√≥tica? No livro, √©-nos explicado que √© mais do que uma dieta ou um regime alimentar, ou seja, √© um estilo de vida que pretende desenvolver o nosso potencial humano pela observ√Ęncia das leis da Natureza, dos pontos de vista biol√≥gico (alimenta√ß√£o), ecol√≥gico (ambiente), social e espiritual (amor e compaix√£o).

 

A palavra é de origem grega, com macro a significar "grande" e "bio" a significar "vida", remetendo então a macrobiótica para "a capacidade de vivermos a vida de uma forma grandiosa e magnífica". Também neste livro ficamos a saber que, na era moderna, o conceito da "macrobriótica" apareceu pela primeira vez no século XVIII, no livro "Macrobiótica ou a Arte de prolongar a vida", da autoria de Christoph Von Hufeland, médico de Goethe.

 

Um dos aspetos interessantes da macrobi√≥tica √© o entendimento de que este estilo de vida √© flex√≠vel e vers√°til, adaptando-se √†s diferentes fases e diferentes necessidades de cada pessoa a cada momento. Um ponto comum e constante, no entanto, √© o papel dos cereais integrais e dos vegetais, considerados os alimentos "mais adaptados √† esp√©cie humana e, consequentemente, aqueles que mais ajudam a criar e a manter a sa√ļde".

 

Outro princípio fundamental da macrobiótica é a bipolaridade ou a teoria do yin e yang. Esta defende que "todos os fenómenos, alimentos incluídos, têm qualidades energéticas, metafísicas",  sendo apenas possível atingir a harmonia se equilibrarmos esses dois pólos - yin e yang - nas nossas vidas.

 

O livro de cozinha da Marta

 

O livro desenvolve estes conceitos com alguma profundidade, mostra-nos a "Pir√Ęmide da alimenta√ß√£o macrobi√≥tica", assinala a diferen√ßa entre macrobi√≥tica e vegetarianismo, fala-nos do tipo de energia associado a cada tipo de alimentos, descreve alguns dos ingredientes mais usados (incluindo alguns 'medicinais') e elenca algumas t√©cnicas culin√°rias, dicas e truques.

 

Tudo isto, antes de passarmos às receitas. Estas surgem agrupadas nos seguintes capítulos:

  • Pequenos-almo√ßos
  • Lanches e Snacks
  • Sopas
  • Cereais Integrais
  • Leguminosas
  • Tofu/Seitan/Tempeh
  • Algas
  • Vegetais/Saladas/Pickles
  • Condimentos/Molhos/Maioneses
  • Sobremesas
  • Menus festivos
  • Ch√°s e bebidas medicinais

 

Ao todo, são 106 receitas (se não me enganei a contá-las!) muito variadas dos pontos de vista do tipo de refeição e ingredientes utilizados, ainda que, na sua maioria, sejam receitas vegetarianas e vegan, uma vez que estas estão na base de uma alimentação macrobiótica, ainda que esta não exclua totalmente os alimentos de origem animal.

 

Gostei bastante do livro e fiquei com vontade de experimentar diversas receitas, a √ļnica falha que tenho a apontar √© o facto das receitas n√£o mencionarem o "rendimento", ou seja, o n√ļmero de doses ou n√ļmero de pessoas a que se destinam. Na verdade, as receitas do livro n√£o apresentam qualquer ficha t√©cnica (tempo necess√°rio, nivel de dificuldade, etc.), mas para mim √© do n√ļmero de doses/pessoas a indica√ß√£o de que sinto mais falta.

 

Resumindo: "O livro de cozinha da Marta" √© um livro aut√™ntico. Nota-se que foi feito com muito empenho e dedica√ß√£o pela Marta, com a ajuda do pai. As fotos dos pratos s√£o da pr√≥pria Marta, que enriqueceu quase todas as receitas com notas pessoais ou sugest√Ķes. Para quem quiser saber mais sobre macrobi√≥tica, este √©, sem d√ļvida, um livro a ter em conta.¬†

 

Saber mais sobre o livro/comprar o livro >>> Livraria Bertrand

 

Barritas de sésamo e cacau

Barritas de sésamo e cacau

BARRITAS DE S√ČSAMO E CACAU
Receita original no livro "A Cozinha da Marta - Uma forma de amar", de Marta Horta Varatojo

 

Rendeu-me cerca de 16 barritas

1 chávena* de sementes de sésamo

1 ch√°vena* de arroz tufado (usei de chocolate)

1 colher de sopa de cacau em pó

50 g de chocolate negro

3 colheres de sopa de sultanas

1 colher de sopa de coco ralado

4 colheres de sopa de geleia de arroz (usei xarope de agave)

*ch√°vena com 250 ml de capacidade

 

Lavar as sementes de sésamo (eu coloquei num coador de malha fina e passei por água corrente) e levá-las ao lume numa frigideira antiaderente em lume alto, para secar e tostar (deve demorar uns 10-15 minutos).

Numa frigideira grande, levar o xarope ao lume e, quando fervilhar, juntar todos os ingredientes à exceção do cacau e do chocolate negro.

Retirar do lume e adicionar o chocolate partido em pedacinhos e o cacau, envolvendo bem (o chocolate dever√° derreter com o calor remanescente).

Espalhar esta mistura sobre uma folha de papel vegetal, colocar outra folha por cima e espalmar com um rolo de cozinha at√© obter uma esp√©cie de ret√Ęngulo com uma espessura¬†uniforme (1 cm de altura ou um pouco menos).

Deixar arrefecer completamente.

Com uma faca bem afiada, cortar em barras.

Pode embrulhar-se individualmente em película aderente e temos um snack pronto a levar.

 

MAIS RECEITAS COM CHOCOLATE SAUD√ĀVEIS:

 

23
Dez19

Boas Festas! [com Folhadinhos Cremosos de Camar√£o]

 

Folhados cremosos de camar√£o

Folhados cremosos de camar√£o

O meu postal de Boas Festas este ano tem o carimbo da Parmalat.

Para esta marca, desenvolvi uma receita ótima para dias de festa e convívios com muita gente: estes Folhadinhos cremosos de camarão, feitos com o Béchamel Clássico Parmalat. Uma receita que rende imenso e que agrada a todos os que gostam de marisco.

Convido-vos a conhecer a receita aqui - no site de receitas Parmalat - e desejo a todos um Feliz Natal e um excelente 2020!

Folhadinhos cremosos de camar√£o

 

OUTRAS RECEITAS BOAS PARA FESTAS:

20
Dez19

Leite-creme do Cantinho do Avillez [Diz-me o que lês #21]

Leite-creme do Cantinho do Avillez

Livro "Cantinho do Avillez - As receitas"

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #21

"Cantinho do Avillez - As receitas" - José Avillez - Esfera dos Livros

 

Ser√° que quando v√™em um livro de um chef, de receitas de pratos servidos no seu restaurante, ficam com a mesma d√ļvida que eu? A de que as receitas que fazem no restaurante podem n√£o ser exatamente iguais √†s que est√£o no livro? Bem, nunca saberemos ūüėÜ At√© porque a mesm√≠ssima receita, feita por duas pessoas diferentes, sobretudo se uma dessas pessoas √© um profissional, nunca vai sair igual. E √© por isso que tenho d√ļvidas de que o meu leite-creme tenha sa√≠do t√£o bom como o do restaurante...

 

O Cantinho do Avillez ( o do Chiado), foi o primeiro restaurante em nome pr√≥prio de Jos√© Avillez, o mais consagrado dos chefs portugueses, tendo aberto as suas portas em setembro de 2011. Hoje s√£o j√° quatro os Cantinhos: Chiado, Parque das Na√ß√Ķes, Porto e Cascais. Que se juntam numa extensa lista a outros projetos de Jos√© Avillez, como o duplamente estrelado Belcanto, a Cantina Peruana, o Bairro ou o Mini Bar [que tamb√©m j√° se estendeu ao Porto], passando pela Tasca, no Dubai.

 

Livro "Cantinho do Avillez - As receitas"

 

O Jos√© Avillez talvez seja um dos meus chefs portugueses preferidos [logo a seguir ao Vasco Coelho Santos, do Euskalduna ūüėČ]. Primeiro, porque o acho genuinamente simp√°tico. Quando fui a primeira vez ao Cantinho do Avillez do Porto, foi o chef que nos abriu a porta, recebendo-nos com um sorriso, entusiasmo e amabilidade surpreendentes. Depois, porque j√° li e ouvi muitas das suas entrevistas - como esta, no podcast "Cada um sabe de si" - e gosto do seu discurso, da sua forma de encarar o trabalho de equipa, da sua hist√≥ria de vida.

 

Apesar deste meu apreço, ainda não tinha nenhum livro dele. Para esta rubrica, que como sempre conta com o apoio da Bertrand, optei pelo "Cantinho do Avillez - As Receitas", já na sexta edição. Para além de ser um dos seus primeiros livros (se não mesmo o primeiro, mas não posso precisar), o tipo de cozinha praticada no Cantinho não me parece demasiado rebuscada para replicar em casa, sendo um livro a que facilmente podemos dar uso.

 

Este é um livro bilingue - português e inglês. As receitas fazem ou fizeram parte da carta do restaurante e estão agrupadas nos capítulos:

  • Cocktails
  • Entradas
  • Pregos
  • Pratos
  • Sobremesas

N√£o s√£o muitas: apenas 40 receitas, no total.

 

Em termos gráficos, o livro é do mais simples que há. Acho até a encadernação demasiado básica, sem qualquer badana (aquela tira extra da capa e da contracapa que dobra para dentro, normalmente com informação sobre o autor), o que o torna frágil, sobretudo se tivermos em conta que é um livro para ser manuseado numa cozinha.

Livro "Cantinho do Avillez - As receitas"

 

Quanto √†s receitas, parecem-me bem descritas e entre elas podemos encontrar as famosas 'Lascas de bacalhau, migas soltas, ovo a baixa temperatura e azeitonas explosivas', os 'Camar√Ķes √† Bulh√£o Pato', as 'Vieiras na frigideira com cogumelos e batata-doce de Aljezur', o 'Bife √† Cantinho', a ic√≥nica sobremesa 'Avel√£ ao cubo'¬†ou o 'Leite-creme de laranja e baunilha' cuja receita partilho mais abaixo.

 

Resumindo: "Cantinho do Avillez - As receitas" n√£o √© um livro extraordin√°rio, diria at√© que √© um livro modesto, tanto em termos de conte√ļdo, como em termos de produ√ß√£o gr√°fica. √Č um livro que vale pelas receitas em si e pela carga simb√≥lica associada, conferida pelo prest√≠gio do chef Avillez e deste seu restaurante. As fotos s√£o bonitas, mas um pouco ba√ßas, devido ao papel escolhido, de cor creme. Este livro √©, no entanto, um √≥timo aliado para os foodies e todos aqueles que gostam de surpreender os convidados em casa, com receitas ao mesmo tempo simples mas com um toque de sofistica√ß√£o.

 

Querem saber mais sobre o livro? Espreitem aqui >>> Livraria Bertrand

Leite-creme do Cantinho do Avillez

Leite-creme do Cantinho do Avillez

LEITE-CREME DO CANTINHO DO AVILLEZ - COM LARANJA E BAUNILHA

Receita de José Avillez no livro "Cantinho do Avillez - As receitas"

[A receita é supostamente para 4 doses, mas eu consegui apenas 3]

 

50 ml de leite

300 ml de natas

55 g de a√ß√ļcar demerara (usei mascavado)

4 gemas de ovo

2 colheres de sopa de sumo de laranja

1 a 2 vagens de baunilha

Casca de laranja (sem a parte branca) qb

A√ß√ļcar demerara para polvilhar e queimar (usei a√ß√ļcar mascavado)

 

Ligar o forno nos 150¬ļC.

Num tacho, levar o leite ao lume com 100 ml de natas e a casca de laranja.

Abrir a vagem de baunilha, raspar as sementes e adicionar tudo ao tacho do leite e natas.

Deixar esta mistura fervilhar.

Numa ta√ßa, bater as gemas com o a√ß√ļcar.

Retirar o tacho do lume, juntar as restantes natas e o sumo de laranja.

Adicionar esta mistura, aos poucos, √† ta√ßa das gemas e a√ß√ļcar.

Distribuir pelas taças e levar ao lume num tabuleiro ou assadeira, que deve encher com água quente até metade da altura das taças.

Cozer durante cerca de 40 minutos (o creme deve sair ainda pouco firme no centro, ir√° solidificar ao arrefecer).

Depois de frias, guarde as taças no frigorífico até 3 dias.

Antes de servir, polvilhe com a√ß√ļcar e queime com um ma√ßarico de cozinha.

Leite-creme do Cantinho do Avillez

 

Nota: apesar de ter seguido a receita à risca, fiquei com a impressão de que a textura não ficou perfeita, achei que devia ter ficado mais cremoso (será que cozeu demasiado?). Em todo o caso, de sabor ficou bastante agradável.

 

MAIS SOBREMESAS DO #DIZMEOQUELÊS:

 

12
Dez19

Bolachas de banana e chocolate no micro-ondas [Diz-me o que lês #20]

Bolachas na caneca

Bolachas na caneca

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #20

"Bolachas na Caneca" - Christelle Huet-Gomez - Editorial Presença

 

Enquanto viciada em livros de cozinha, gosto de ter todo o g√©nero desta 'literatura' nas minhas prateleiras. Mas nem todos os livros t√™m a mesma import√Ęncia nem exercem todos o mesmo fasc√≠nio sobre mim. Num ranking de utilidade e pertin√™ncia, este "Bolachas na Caneca", de Christelle Huet-Gomez, teria de ficar para tr√°s.

 

O livro √© bonito, gosto das fotografias e o conceito √© original* (apesar de achar que, quando se pensa em bolachas, √© imposs√≠vel pensar numa s√≥!). Acontece que depois de ver as receitas fiquei um pouco reticente. Parecem-me muito cal√≥ricas. Se n√£o, vejamos: uma bolacha, que pode dar para duas pessoas, leva em m√©dia 1 fatia de manteiga com 1/2 cm de espessura, 1 gema, 2 colheres de sopa de a√ß√ļcar e 3 colheres de sopa de farinha. S√£o colheres rasas, √© certo, mas mesmo assim parece-me too much, para comer assim de enfiada...

 

Bolacha na caneca

 

 

As conjuga√ß√Ķes de sabores s√£o interessantes e variadas e v√£o do cl√°ssico chocolate + frutos secos ou lim√£o + mirtilos, √†s bolachas de ch√° matcha, de ma√ß√£ assada ou red velvet. E ainda h√° quatro receitas de bolachas salgadas. No total, s√£o 35 receitas de "bolachas" para fazer numa caneca e cozer num minuto no micro-ondas. N√£o deixa de ser um conceito casti√ßo e prometedor, mas tenho d√ļvidas de que haja muitas situa√ß√Ķes em que queiramos fazer uma bolacha na caneca. Se calhar em f√©rias, se estamos num local sem forno, apenas com¬† micro-ondas; ou se quisermos dar alguma autonomia aos mais novos, que, tenho a certeza, s√£o quem se ir√° divertir mais a fazer estas bolachas.

 

A ideia é comer as bolachas à colher, ainda mornas. Em todo o caso, depois de arrefecidas e apesar da textura ficar mais firme (parecida com um scone frio), continuam saborosas. Pelo menos estas, de banana, aveia e chocolate, cuja receita, que adaptei para torná-las (um pouco) menos pecaminosas, segue mais abaixo.

 

Resumindo: "Bolachas na Caneca" é um livro de receitas com um tema muito específico, que talvez tenha pouca utilidade numa cozinha de alguém experiente. Apresenta fotografias e design gráfico apelativo, podendo fazer as delícias de quem sofre desejos repentinos por doces: afinal, cada bolacha demora apenas 5 minutos a preparar e a ficar pronta.

 

Saber mais sobre o livro, incluindo o preço >>> Livraria Bertrand**

 

*Da mesma coleção, existe também o "Bolos na Caneca" e o "Bolos Salgados na Caneca", ambos de Lene Knudsen.

**Link afiliado

Bolacha na caneca

BOLACHAS DE BANANA E CHOCOLATE

Feitas em canecas, ch√°venas ou ramekins, no micro-ondas

Adaptado do livro "Bolachas na Caneca", de Christelle Huet-Gomez

 

Para 3

15 g de manteiga + alguma para untar

2 colheres de sopa de a√ß√ļcar amarelo

2 gemas L

5 colheres de sopa de farinha sem fermento

3 colheres de sopa de flocos de aveia

1 banana pequena

3 colheres de sopa de pepitas de chocolate

 

Unte com manteiga 3 ch√°venas ou ramekins.

Numa ta√ßa, coloque a manteiga derretida e junte, sucessivamente, o a√ß√ļcar, as gemas, a farinha e a aveia. Mexa.

Reserve 9 rodelas finas de banana e corte a restante banana em pedacinhos, misturando estes ao preparado anterior.

Por fim, junte as pepitas.

Com as mãos, forme uma espécie de rolo grosso de massa e divida em três.

Dê a forma de um disco a cada pedaço e insira-os nas respetivas chávenas, canecas ou ramekins.

Leve uma bolacha a cozer de cada vez no micro-ondas, programando 1 minuto a 800 watts ou 50 segundos a 1000 watts.

Coma-as à colher ainda mornas, ou desenforme passado alguns minutos e coma/sirva já frias.

 

MAIS RECEITAS COM CHOCOLATE:

 

 

06
Dez19

Panquecas de trigo-sarraceno [Diz-me o que lês #19]

Panquecas de trigo-sarraceno

Livro Sabores do Viajante

Mais uma semana, mais um livro para descobrir. E 'descobrir' √© mesmo a palavra certa, uma vez que o #Dizmeoquel√™s desta semana √© sobre um livro que, para al√©m de receitas, oferece-nos miniguias de viagem sobre v√°rios destinos. √Č o "Sabores do Viajante", da autoria de Daniela Ricardo.

Livro Sabores do Viajante

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #19

"Sabores do Viajante" - Daniela Ricardo - Edi√ß√Ķes Ch√° das Cinco

 

Este é já o terceiro livro de Daniela Ricardo, uma enfermeira que se tornou chef, professora e consultora de alimentação consciente e natural. Juntamente com Luís Baião [seu marido e mentor do projeto Zen Family] Daniela organiza viagens de grupo a várias partes do mundo, ficando a seu cargo a confeção e a logística da alimentação dos participantes. Regularmente, também organiza retiros e workshops em Portugal sobre a temática da alimentação saudável.

 

Este livro resulta do que Daniela aprendeu e visitou nas viagens que tem feito, viagens essas que se destacam por uma forte componente espiritual. Ap√≥s as p√°ginas introdut√≥rias, em que a autora contextualiza este livro e exp√Ķe a sua filosofia alimentar, fornecendo informa√ß√£o nutricional e dando algumas no√ß√Ķes de t√©cnica culin√°ria, o livro apresenta a seguinte estrutura:

 

- As Viagens

  • But√£o
  • Argentina
  • Jap√£o
  • Indon√©sia/Bali
  • It√°lia
  • Portugal

- Benefícios de viajar

- Dicas de viagem

- A minha mala de viagem - os indispens√°veis

 

Livro Sabores do Viajante

 

Para cada destino do cap√≠tulo 'As viagens', Daniela faz uma introdu√ß√£o ao pa√≠s, destaca localidades ou monumentos imperd√≠veis, diz-nos "Quando ir", mostra-nos algumas "Palavras e express√Ķes √ļteis" na respetiva l√≠ngua, introduz-nos na gastronomia desse destino e, por fim, apresenta uma s√©rie de receitas locais, adaptadas em termos de ingredientes e tipo de confe√ß√£o, de forma a cumprirem a sua vis√£o de alimenta√ß√£o consciente e sustent√°vel.

 

Assim, no livro iremos encontrar os Sabores Butaneses (capítulo de onde foi retirada a receita destas panquecas), os Sabores Argentinos, os Sabores Nipónicos, os Sabores Balineses, os Sabores Italianos e os Sabores Portugueses

Livro Sabores do Viajante

 

Confesso que gostei mais do livro pelo que nos ensina sobre os destinos - Daniela fala de acordo com a sua experiência, contando algumas histórias e factos curiosos - do que pelas receitas. No entanto, reconheço o seu mérito em adaptar as receitas e torná-las mais acessíveis e mais 'conscientes' para nós, portugueses, ao utilizar ingredientes que nos são mais familiares, pelo menos nos casos em que isso é possível. Algo que apreciei, por exemplo, foi o uso do azeite como gordura de eleição, quando em muitos livros de receitas a opção teria sido, por certo, o óleo de coco.

 

Resumindo: "Sabores do Viajante" √© um livro enriquecedor, que vale para l√° das receitas que apresenta. O design gr√°fico e as fotografias n√£o s√£o especialmente marcantes, mas cumprem a sua fun√ß√£o e as receitas est√£o bem escritas. √Č um livro que agrada sobretudo a quem gosta de viajar e de saber mais sobre gastronomia e para quem n√£o tem medo de se aventurar por sabores que fogem ao tradicinal.

 

Como sempre, este post contou com o apoio da Livraria Bertrand*, onde podem saber mais sobre o livro [que ganhou o prémio Gourmand em Portugal na categoria Health & Food] e até adquiri-lo, com 10% de desconto.

 

Querem saber mais sobre a Daniela e os seus projetos? √Č s√≥ segui-la no Instagram¬†¬†

 

*Link afiliado

Panquecas de trigo-sarraceno

PANQUECAS DE TRIGO-SARRACENO [KHUR-LE]

Receita butanesa no livro "Sabores do viajante", de Daniela Ricardo

 

Nota: o sabor da farinha de trigo-sarraceno não é consensual. Costumo usar os grãos na granola e gosto, mas achei que nas panquecas fica um pouco forte. No entanto, a textura das panquecas, feitas basicamente de farinha e água é ótima, parece quase massa de bolo!

 

1 ch√°vena e meia de farinha de trigo-sarraceno

1 ch√°vena de √°gua [eu precisei de adicionar mais 1/4 de ch√°vena]

1 pitada de sal

1 colher de café de bicarbonato de sódio

 

Coloque todos os ingredientes num liquidificador, processador ou copo da varinha mágica e bata até obter uma mistura homogénea densa mas 'espalhável'.

Deixe a massa repousar uns cinco minutos.

Pincele uma frigideira antiaderente com azeite, aqueça bem e verta uma colherada de massa. Deixe cozinhar um pouco e, quando já se soltar, vire com a ajuda de uma espátula e cozinhe mais um pouco (no meu caso não demorou mais do que três minutos no total, para cada panqueca). Repita até terminar a massa.

Sirva com fruta e adoçante a gosto, ou então com algum topping salgado, à maneira do Butão.

 

OUTRAS RECEITAS SAUD√ĀVEIS DA RUBRICA #DIZMEOQUEL√äS:

 

29
Nov19

Chocolate quente espumoso [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #18]

Chocolate quente descomplicado

Livro Cozinha Descomplicada

 

√Ä terceira tentativa, temos conte√ļdo para post. Este chocolate quente¬†foi a terceira receita que testei deste livro. A primeira foi um tiramis√Ļ delicioso. Acontece que quando fui fotograf√°-lo, o tempo estava pior do que p√©ssimo. Apesar de ser in√≠cio da tarde, n√£o havia praticamente luz, chovia desalmadamente. Ainda tirei algumas fotos, mas ficaram horr√≠veis. Claro que podia ter tentado fotografar o tiramis√Ļ na manh√£ seguinte, mas... era demasiado bom para n√£o o comermos de sobremesa ao jantar desse dia!

 

Na manhã seguinte, nova receita: galette des rois. Em vez de uma, decidi fazer várias mais pequenas. Nunca tinha feito esta receita natalícia francesa, mas tendo em conta a época, achei que seria perfeito. Parecia que iam ficar lindas... mas já no forno o recheio começou a sair furiosamente das empadas doces folhadas. Ficaram praticamente sem recheio. Provei-o: demasiado doce e a saber muito a manteiga.

 

Havia que escolher outra receita. Desta vez, a eleita foi o Chocolate quente espumoso. Uma receita descomplicada, a fazer jus ao título do livro (e eu simplifiquei-a ainda mais), deliciosa e mais saudável do que o chocolate quente tradicional, uma vez que é feito com bebida de coco e adoçado com geleia deste fruto.

 

Se vieram s√≥ pela receita, √© fazer scroll e encontram-na mais abaixo. Se ficaram curiosos sobre este livro, est√° lan√ßado o 18¬ļ #Dizmeoquel√™s - rubrica que conta, como sempre, com o apoio da livraria Bertrand.

 

Livro Cozinha Descomplicada

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #18

"Cozinha Descomplicada" - Larousse - Editora Bertrand

 

Este √© o que se pode chamar um Senhor Livro. S√£o mais de 400 p√°ginas com 200 receitas, acompanhadas da promessa de conseguirmos p√ī-las em pr√°tica sem complica√ß√Ķes. Desde logo pela forma como s√£o apresentadas: em vez da habitual listagem de ingredientes seguida do m√©todo de confe√ß√£o, ingredientes e indica√ß√Ķes est√£o condensados numa esp√©cie de esquema. Uma linguagem mais gr√°fica e visual, que ajuda a p√īr de lado o receio e a pregui√ßa que eventualmente uma receita possa provocar.

 

Mas n√£o se pense que n√£o √© preciso olhar para o esquema mais do que uma vez, at√© porque n√£o estamos habituados a que nos apresentem assim as receitas. Se √© original? √Č! [Aten√ß√£o: este n√£o √© o primeiro livro a seguir este caminho, nomeadamente os livros de cozinha infantis usam muitas vezes esta f√≥rmula] Se √© pr√°tico na hora de sabermos quais os ingredientes de que precisamos? Nem por isso. Mas a verdade √© que √© uma quest√£o de nos habituarmos a percorrer o esquema com o olhar; √† terceira ou quarta receita, fica mais f√°cil. E podemos sempre anotar os ingredientes num papelinho.

 

Livro Cozinha Descomplicada

Outra originalidade do livro √© que as suas p√°ginas n√£o s√£o numeradas, mas as receitas sim. Ou seja, no √≠ndice as receitas surgem por ordem alfab√©tica e, √† frente, em vez da indica√ß√£o da p√°gina, surge o seu n√ļmero de receita. Nada a op√īr.

 

Quanto ao tipo de receitas, h√° de tudo um pouco:

  • Entradas
  • Carne¬†
  • Peixe
  • Legumes
  • Sobremesas
  • Bebidas

 

S√£o receitas relativamente consensuais, que recorrem a uma grande variedade de ingredientes e tipos de confe√ß√£o, notando-se em muitas delas o gosto franc√™s - este livro √© uma tradu√ß√£o do livro "La cuisine sans bla bla" das edi√ß√Ķes Larousse. H√° pratos de massa e de arroz; h√° comida de tacho e de forno; h√° sopas e saladas; h√° op√ß√Ķes vegetarianas, h√° cocktails e bebidas quentes. E h√° muitas sobremesas onde j√° colei post-its [quero acreditar que o azar que tive com a receita de galette de rois¬†se deveu ao facto de eu n√£o ter deixado um rebordo suficientemente largo, sem recheio, a toda a volta; √© um facto que n√£o gostei muito do sabor, mas tamb√©m acho que n√£o foi a melhor maneira de provar a receita, por isso n√£o descarto a hip√≥tese de lhe dar uma segunda oportunidade].

 

Resumindo:¬†"Cozinha descomplicada" √© um livro giro, com design e fotografias apelativas e receitas apetitosas, com uma abordagem que junta o cl√°ssico ao contempor√Ęneo, mas todas simples e r√°pidas. Agora que vem a√≠ o Natal, pode ser uma √≥tima prenda para aquela filha que foi estudar e viver para fora, para aquele sobrinho que acabou de casar ou para aquele amigo para quem, como eu, a express√£o "demasiados livros de cozinha" n√£o existe!

 

Saber mais / Comprar o livro >>> Livraria Bertrand*

 

Chocolate quente espumoso

CHOCOLATE QUENTE ESPUMOSO [E SAUD√ĀVEL]

A partir do livro "Cozinha Descomplicada" - Larousse

 

Para 2 copos/canecas

340 ml de bebida de coco ['leite vegetal' de coco e n√£o 'leite de coco' em lata]

65 g de chocolate de culin√°ria

1 colher sobremesa de geleia de coco [ou outro adoçante do género, tipo mel ou agave, a gosto]

4 ou 5 gotinhas de extrato de baunilha

 

Coloque no copo do processador de cozinha a bebida de coco e o chocolate partido em pedacinhos. Programe uns 5 minutos a 90¬ļC ou at√© o chocolate ter derretido.

Adicione os restantes ingredientes e pulse/triture durante uns bons segundos para que fique emulsionado e ganhe espuma.

Divida pelos copos e sirva.

 

Nota: a bebida de coco tem um sabor bastante neutro e discreto comparado com o leite de coco de lata; se gostar muito do sabor do coco, aconselho a seguir a receita original e usar leite de coco de lata e √°gua de coco.

 

*Link afiliado

 

MAIS RECEITAS ACHOCOLATADAS

 

28
Nov19

Bolo de arroz [ou um regresso √† inf√Ęncia]

Bolo de arroz

Bolo de arroz

 

√Č raro seguir uma receita de fio a pavio, sem omitir um ingrediente ou substitu√≠-lo por outro, ou sem ignorar ou acrescentar um passo. √Č mais forte do que eu ūü§∑‚Äć‚ôÄÔłŹ

 

Mesmo na rubrica #Dizmeoquelês tenho alguma dificuldade em ser 100% fiel à receita do livro. Ou porque não tenho um ou outro ingrediente em casa, ou porque há um determinado procedimento que foge aos meus hábitos culinários. Mas nestes bolos de arroz, não mudei rigorosamente nada em relação à receita da Rita Nascimento, aka La Dolce Rita.

 

Por isso, não tinha pensado em publicá-la aqui. No entanto, como foram vários os pedidos que me fizeram no Instagram para partilhar a receita, aqui está ela: a receita dos bolos de arroz. Uma receita que me recuar aos lanches no café ou na pastelaria quando era pequena (que eram um pouco raros, na verdade, e talvez por isso me tenham marcado), com a minha mãe, a minha avó Maria ou com as minhas tias. E em que éramos aconselhados a evitar os bolos com creme (acho que a minha primeira bola de Berlim ou o meu primeiro Napoleão, comi-os já praticamente adulta) e a optar por uma torrada, um bico de pato com fiambre, um croissant simples ou... um bolo de arroz!

 

[Houve também muita gente que me perguntou onde tinha comprado as forminhas de papel. Foi aqui, no Cantinho dos Paladares, e compram-se em embalagens de 12 unidades].

 

Bolo de arroz

BOLOS DE ARROZ

Receita do livro "Uma pastelaria em casa", de La Dolce Rita

Para 8-10 bolos de arroz (nestas formas)

 

150 g manteiga

180 g de a√ß√ļcar

3 ovos

150 g farinha T55 sem fermento

100 g de farinha de arroz

1 colher de chá de fermento em pó para bolos

100 ml de leite

A√ß√ļcar para polvilhar qb

 

Ligar o forno nos 180¬ļ.

Bater a manteiga amolecida com o a√ß√ļcar at√© ficar em creme (usei a batedeira el√©trica).

Juntar os ovos e incorporar bem (usei a batedeira elétrica).

Acrescentar as farinhas e o fermento e por fim, juntar o leite (usei a batedeira elétrica, numa velocidade baixa).

Verter para as formas - encher cerca de 3/4 de cada forma.

Polvilhar o topo de cada bolo com cerca de 1 colher de ch√° rasa de a√ß√ļcar (para ganhar a capa crocante - no meu caso, houve algum a√ß√ļcar que n√£o derreteu/solidificou).

Levar a cozer entre 15 a 20 minutos - fazer o teste do palito, que deve sair limpo.

 

OUTRAS RECEITAS PARA REGRESSAR √Ä INF√āNCIA:

Teresa Rebelo

foto do autor

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