Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Lume Brando

16
Out18

Caldo verde de batata-doce [para o Dia Mundial da Alimentação]

caldo_verde_batata_doce_3.jpg

caldo_verde_batata_doce+temp.jpg

 

 

Hoje celebra-se o Dia Mundial da Alimentação. Esta é uma iniciativa organizada pela FAO - Food and Agriculture Organization, estrutura das Nações Unidas dedicada às questões da nutrição e da alimentação. O dia 16 de outubro não foi escolhido por acaso: é a data da fundação da FAO, em 1945. O programa "ZeroHunger World - by 2030 is possible" é o grande mote das celebrações deste ano. O objetivo é sensibilizar e unir esforços para que daqui a menos de 15 anos possamos receber a notícia de que a fome, mesmo no país mais pobre do mundo, foi finalmente erradicada.

 

Para nós, privilegiados, que temos tantos produtos e tanta abundância à nossa disposição, a alimentação é muito mais do que uma questão de sobrevivência. É uma componente social e cultural muito presente nas nossas vidas. É fonte de conforto, de saúde, e de indulgência também. É tradição e é saber que passa de geração em geração. E é criatividade e mudança.

 

caldo_verde_batata_doce_14.jpg

 

Para assinalar a data, resolvi fazer uma sopa. Porque a sopa é um prato simples mas com um poder nutritivo e de aconchego assinalável. E porque nós, portugueses, temos a confeção e o consumo de sopas no nosso ADN culinário. Eis então um caldo verde, que representa a tradição, mas feito com batata-doce, que simboliza a evolução e a mudança. O salpicão crocante, esse, não só homenageia os produtos regionais portugueses, como remete para aquele pequeno "pecado" que, cometido com moderação, torna o ato de comer um verdadeiro momento de felicidade.

 

Se quiserem participar neste movimento de dimensão global, usem nas vossas partilhas nas redes sociais as hashtags #ZeroHunger e #WFD2018.

 

Mais abaixo encontram a receita deste caldo verde. Feliz Dia Mundial da Alimentação! 

 

caldo_verde_batata_doce+temp_3.jpg

  

CALDO VERDE DE BATATA-DOCE

A partir da receita de Caldo Verde à Minhota do livro "Cozinha Tradicional Portuguesa",

de Maria de Lourdes Modesto

 

Para 4 doses generosas

 

180 g de couve galega segada para Caldo Verde

1 cebola média

600 g de batata-doce*

2 dentes de alho

4 rodelas de salpicão

75 ml de azeite extravirgem + para servir

1,5 litros de água

Sal q.b.

Broa de milho para servir

 

Leve ao lume 1,5 litros de água com a batata-doce partida em pedaços, a cebola partida em quartos, os dentes de alho, sal e metade da quantidade do azeite.

Deixe cozinhar em lume médio cerca de 30 minutos ou até os ingredientes estarem bem cozidos.

Se achar que a couve é rija, dê-lhe uma cozedura num tacho à parte e reserve.

Entretanto, pique grosseiramente as rodelas de salpicão e leve-as ao lume numa frigideira antiaderente, de forma a salteá-lo e a torná-lo crocante. Retire e escorra sobre papel de cozinha.

Triture a sopa, obtendo um creme.

Junte a couve e, se esta já estiver cozinhada, deixe apenas ferver mais uns dois minutos.

Sirva quente com um fio generoso de azeite e pedacinhos de salpicão crocante, com fatias de broa a acompanhar.

 

* Usei batata-doce branca porque quis que o aspeto fosse idêntico ao do caldo verde tradiconal, mas pode usar-se batata-doce laranja.

 

11
Out18

Tarte de maçã escondida [ou a que sabe o outono?]

tarte_maca_escondida.jpg

tarte_de_maçã_escondida_raw_1.jpg

 

Hoje choveu por aqui. Ontem fez bastante vento e já não consegui sair à rua sem casaco, ainda que continue de manga curta por baixo. Aos poucos, a meteorologia de outono vai ficando conforme os nossos livros da primária a pintavam, ainda que por períodos mais curtos ou intermitentes, com algumas situações atípicas pelo meio.

 

Eu, que em tempos gostei da ideia de ter uma família maior, confesso que às vezes fico aterrorizada em pensar no que a geração mais nova vai ter de enfrentar em termos de mudanças climáticas, e concluo que ter dois filhos a ter de lidar com isso é mais do que suficiente. E obviamente que penso que faço pouco para combater o problema.

 

Usar guardanapos de pano, levar um saco de casa para as compras (às vezes esqueço-me) ou evitar colocar os legumes e as frutas em sacos plásticos no supermercado (abacaxi, melão e curgetes, por exemplo, já não coloco em sacos, e por isso evito ir a hipermercados, para não ter de pesar as peças antes e colar-lhes uma etiqueta), não é muito para o estado em que as coisas estão e espero conseguir começar a contribuir com mais, ou melhor dizendo, com menos.

 

Mas falemos dos sabores do outono perfeito. Do outono que chega em tons castanhos e dourados e nos deixa a antecipar tardes no sofá, com o forno ligado. O meu outono perfeito sabe a castanhas assadas, a tangerinas (gosto das agrestes, ácidas), a dióspiros com canela, abóboras gratinadas e, claro, a tartes de maçã. Ou a várias coisas com maçã, desde crumbles a gelado de maçã assada, passando por bolos, tortas e até entradas originais. Mas há qualquer coisa de mágico nas tartes de maçã, não concordam? Fazem parte do meu imaginário de conforto, de comida caseira, de felicidade sonhada ao ler os livros de quadradinhos da Disney - quem se lembra das tartes da Vovó Donalda?

 

Esta versão que hoje trago é mais saudável que outras versões aqui do blog. Por quê? Porque leva menos massa e a massa é feita de farinha de aveia, farinha de espelta integral e azeite. No recheio não resisti a usar um pouco de manteiga, o que lhe dá aquele sabor irresistível. E leva um pouco de gengibre, para ajudar a combater e prevenir as constipações típicas desta época. Numa palavra: deliciosa.

 

E o vosso outono perfeito, a que sabe?

 

tarte_maca_escondida_bx.jpg

 

TARTE DE MAÇÃ ESCONDIDA

6/8 fatias

 

Para a massa:

80 g de farinha de aveia

80 g de farinha de espelta integral

35 g de azeite extravirgem

70 g de água fria

1 pitada de sal

 

Para o recheio:

5 maçãs descascadas e partidas em cubinhos

1 colher de açúcar mascavado escuro

3 colheres de sopa de açúcar amarelo

Um fio de limão para regar as maçãs descascadas

Canela em pó qb

Um pedacinho de gengibre fresco ralado

50 g de manteiga

Ovo batido para pincelar

Açúcar em pó para finalizar (opcional)

 

Começar por fazer a massa: juntar todos os ingredientes numa taça e amassar formando uma bola. Achatar em forma de disco, envolver em película e levar ao frigorífico durante cerca de 1 hora.

Entretanto preparar o recheio: adicionar aos cubos de maçã, para além do fio de limão, o açúcar, a canela e o gengibre.

Levar ao lume com a manteiga e deixar cozinhar até a maçã amolecer, cerca de 25 minutos (vai depender da maçã que utilizar, os cubos devem ficar soft, mas não desfeitos).

Pré-aquecer o forno nos 170º.

Colocar o recheio num prato de ir ao forno (o meu tem 20 cm de diâmetro na parte mais larga).

Numa superfície enfarinhada, esticar a massa até ficar relativamente fina, cerca de dois milímetros de espessura.

Cobrir o prato com a massa (e com as sobras fazer decorações, se o desejar).

Pincelar com ovo e levar a cozer cerca de uma hora ou até a massa ficar firme ao toque.

É boa morna ou fria e, se forem muito gulosos, já sabem que uma bola de gelado faz-lhe uma ótima companhia.

 

Outras receitas deliciosas com Maçã:

 

Tarte de maçã Express

Rolo de maçã

Maçã assada com crumle de amêndoa

Gelado de Maçã com molho toffee

Tarte-bolo de maçã da minha mãe

03
Out18

Bolo invertido de figos [e um verão que parece não querer acabar]

bolo_invertido_figos_10.jpg

bolo_invertido_figos_7.jpg

 

Este foi o verão em que fiquei mais bronzeada. Não porque tenha feito mais praia, mas porque foram muitos os dias em que andei ao sol, de top e calções. Não me lembro de uma férias, nem de um verão, em que não houvesse uns dias de chuva ou uns dias mais nublados. Mas em 2018 esses dias cinzentos não apareceram. E a verdade é que já viramos a página de outubro no calendário, e os dias continuam bonitos, quentes, como se vivéssemos um verão interminável.

 

Se, por um lado, este cenário é assustador, porque ligado às transformações meteorológicas a que o aquecimento global obriga, por outro não consigo deixar de pensar que este tempo é muito mais agradável do que aquele que o outono e o inverno rigorosos costumam trazer. É tão bom não ter de andar encasacada e de guarda-chuva atrás! Mas, por mais que me custe, mais tarde ou mais cedo a meteorologia vai ter de entrar nos eixos, o outono vai impôr-se sem meiguice, e os seus sinais não se vão ficar pela fruta e pelos legumes da época.

 

Enquanto esperamos, vamos celebrar este solzinho bom com um bolo invertido de figos, chocolate e vinho do Porto, combinado? 

 

bolo_invertido_figos_4.jpg

 

BOLO INVERTIDO DE FIGOS, CHOCOLATE E VINHO DO PORTO

(para um bolo pequeno - cerca de 8 fatias)

5 ou 6 figos médios
85 g de açúcar amarelo
45 ml de azeite extravirgem 
2 ovos
50 ml de vinho do Porto

90 g de farinha

1 colher de chá bem cheia de fermento em pó
80 g de pepitas de chocolate negro ou o equivalente em chocolate picado

Mel para pincelar

Pré-aqueça o forno nos 180º.
Unte uma forma redonda de 16 cm, forre o fundo com papel vegetal e unte também este.
Lave com cuidado os figos, seque-os e corte-os em fatias, descartando as pontas e as bases.
Forre o fundo da forma com as fatias de figo.
Numa taça, bata o açúcar com o azeite e junte os ovos.

Adicione o vinho do Porto e mexa bem.

Envolva a farinha e o fermento e, por último, junte o chocolate.
Verta na forma e leve ao forno cerca de 30 minutos ou até estar bem dourado e um palito sair seco do interior do bolo.
Deixe arrefecer um pouco e desenforme com cuidado para o prato de servir.
Retire o papel vegetal e deixe arrefecer completamente.

Aqueça um pouco de mel (para torná-lo mais líquido) e pincele o topo do bolo antes de servir.

 

Mais bolos invertidos com fruta:

Bolo de chocolate branco e framboesas

Bolo invertido de quivi e chocolate

Bolo invertido de ameixas

 

28
Set18

Pizza de uvas americanas assadas com queijo de cabra [e uma doce viagem à infância]

pizza_uvas_5.jpg

pizza_uvas_6.jpg

 

Esta semana chegou-me cá a casa um cesto de uvas, da casta popularmente chamada de "americana". Estas uvas não se conseguem comprar nos supermercados ou nas frutarias e julgo que mesmo em muitas casas e quintas com vinhas, já quase não há esta variedade, pelas razões que explico mais à frente.

 

Estas uvas têm uma pele grossa, que sai facilmente (ainda que eu coma o bago completo) e um sabor característico, mais forte do que as uvas de mesa mais comuns. Mal levei uma à boca, lembrei-me de imediato dos finais de verão da minha infância, em que íamos vindimar a casa dos meus avós maternos. Era pequena, julgo que foi ainda antes de entrar na primária, idade que me vedava o acesso aos escadotes de madeira, periclitantemente encostados aos troncos das vides. Mas lembro-me de ajudar a carregar os canistréis e de andar por ali, entretidíssima com toda aquela animação. O ponto alto era quando me davam a provar o vinho doce. Isso é que era uma emoção, sentia-me uma rapariga crescida. Afinal, estava a beber vinho, certo?

 

Recordo-me de na altura ouvir qualquer coisa sobre ser proibido ter esta casta plantada ou pelo menos fazer vinho com estas uvas, uma vez que esse vinho, conhecido pelo nome de "morangueiro", fazia mal à saúde. Isso levou a que estas uvas fossem desaparecendo, até mesmo dos pequenos quintais. Depois de uma breve pesquisa, descobri que mais do que motivos sérios ligados à segurança alimentar, o que esteve por detrás da proibição foram interesses comerciais: a uva americana produzia-se mais facilmente e em maior quantidade do que as castas europeias, permitindo produzir a bebida em maiores quantidades e a preços mais competitivos, pese embora a sua qualidade não fosse extraordinária.

 

Mas deixemos as políticas económicas de parte e voltemos ao mais importante: esta espécie de pizza, ótima para servir como entrada ou petisco numa refeição informal. Podem usar outro tipo de uvas "tintas", mas se tiverem alguém que vos possa oferecer uns cachos de uva americana (estas estavam especialmente doces, perfeitas), não hesitem: o resultado da mistura destas uvas com o alecrim e o queijo de cabra é fenomenal. 

 

Podem também optar por não fazer pizza, mas servir as uvas assadas em tostas, com um pouco de queijo esfarelado por cima. Fica igualmente bom. Quanto à massa de pizza, adaptei ligeiramente a receita do livro base da Bimby, enriquecendo-a com sementes trituradas para lhe dar crocância, mas podem usar a vossa massa de pizza favorita ou até mesmo massa de compra, se estiverem sem tempo.

 

Espero que gostem tanto desta combinação como eu. E se experimentarem, deixem um comentário, adoraria poder ouvir o vosso feedback.

 

pizza_uvas_7.jpg

 

PIZZA DE UVAS AMERICANAS ASSADAS COM QUEIJO DE CABRA

Para 2 pizzas/ 8 pessoas, como entrada

 

400 g de massa de pizza

375 g de bagos de uvas tintas, idealmente 'americanas'

4 ou 5 colheres de sopa de queijo ricotta, rqueijão ou queijo creme

100 g de queijo chèvre

Alecrim fresco qb (não é opcional, faz toda a diferença!)

Sal qb

Pimenta preta acabada de moer

Azeite qb

 

Ligue o forno nos 220º.

 

Lave bem os bagos de uva e coloque-os num tabuleiro de ir ao forno, temperados com um fio de azeite, sal e pimenta preta. Junte ainda algumas folhinhas de alecrim fresco e envolva bem. Leve ao forno durante cerca de 15 minutos ou até estarem murchas, a largar a pele e o tabuleiro já estiver com imenso sumo. Retire e deixe arrefecer.

 

Estenda a massa em duas pizzas médias ou faça minipizzas. Coloque nos tabuleiros apropriados e pincele-as com azeite.

Baixando a temperatura do forno para os 200º, leve-as ao forno para uma pré-cozedura (eu faço isto em todas as minhas pizzas, pois gosto da massa crocante), durante cerca de 8 minutos. Retire do forno, deixe arrefecer um pouco.

 

Barre as pizzas com o ricotta ou outro queijo similar.

Espalhe alguns pedacinhos de queijo chèvre.

Espalhe agora as uvas, deixando as "agulhas" do alecrim e a maior parte do sumo no tabuleiro.

Termine com mais chèvre esfarelado e leve ao forno durante cerca de 10-15 minutos ou até o queijo estar a borbulhar e a ficar dourado.

Parta em fatias e sirva.

Se desejar, pode acompanhar com rúcula: em salada ou como topping.

 

Outras receitas de pizza:

Pizza fácil com abóbora e curgete

Minicalzones de espelta

 

20
Set18

Bolo mármore de claras e matcha [e a importância do tempo na fotografia de comida]

bolo-marmore-matcha_5.jpg

bolo-marmore-matcha_18.jpg

bolo-marmore-matcha-combi2.jpg

 

Finalmente experimentei o pó matcha num bolo. Andava curiosa, desde que comecei a ver, nos feeds de Instagram ou do Pinterest, muitas sobremesas com um verde intenso, bem como chávenas de capuccino, que em vez do castanho do café exibiam um verde cremoso. Uma tendência que não é de agora, eu é que ando sempre atrasada.

 

Para quem anda distraído, o matcha é uma variante em pó do chá verde japonês, de cor e sabor mais intensos e concentrados do que o chá verde tradicional. Isto deve-se ao facto de ter origem nas folhas jovens do chá, cultivadas com muito cuidado e protegidas da luz solar de forma a manter a sua cor vibrante, sinónimo de elevadas doses de clorofila e antioxidantes. Depois de secas, as folhas são moídas em moinhos de pedra e dão origem a este pó incrível e versátil: tanto podemos fazer chá ou colocar no leite, como usar para aromatizar e colorir uma montanha de receitas, de panquecas a tortas e bolos.

 

O seu sabor, no entanto, não é consensual. Neste bolo, não sobressai de uma maneira especialmente marcante, em todo o caso, pode substituir-se o matcha por cacau ou chocolate em pó, para um bolo mármore mais tradicional. O facto de ser feito com claras, para além de garantir um maior contraste, confere ao bolo uma textura muito macia e fofa.

 

Agora sobre as fotografias deste post. Estas devem ser as minhas fotos favoritas dos últimos meses. A câmara fotográfica é a mesma de sempre, a lente também, os props não são novos e já tinha fotografado neste canto da minha cozinha. Então, o que é que fez estas imagens ficarem tão bonitas e especiais (pelo menos para mim)? Foi o facto de ter tido tempo para me dedicar a elas.

 

Nessa manhã, tive todo o tempo do mundo para experimentar ângulos e enquadramentos, para colocar e tirar elementos da mesa, para empurrar o prato um pouco mais para a direita ou um pouco mais para a esquerda, para me encavalitar na ilha da cozinha, para polvilhar o bolo pela enésima vez, para testar aberturas e velocidades. E isso fez toda a diferença. Que venham mais dias assim!

 

bolo-marmore-matcha_23.jpg

bolo-marmore-matcha-combi3.jpg

 

BOLO MÁRMORE DE CLARAS E MATCHA

 

6 claras de ovos L (preferencialmente caseiros, pois conferem maior humidade ao bolo)

60 ml de azeite extravirgem suave

70 g de açúcar

110 g de farinha sem fermento

1 colher de chá de fermento em pó

2 colheres de chá de pó de matcha

3 colheres de sopa de sumo de lima ou limão

Açúcar em pó e matcha para decorar

 

Ligue o forno nos 180º.

Unte muito bem com manteiga ou azeite uma forma de buraco (a minha é pequena, tem cerca de 16 cm de diâmetro na parte mais larga), e polvilhe com farinha.

Numa taça, bata o açúcar com o azeite e o sumo de lima ou limão.

Peneire a farinha e o fermento para outra taça.

Bata as claras em castelo com uma pitada de sal até ficarem bem firmes.

Junte, de forma intercalada, a mistura de farinha e fermento e as claras em castelo, à taça dos líquidos, envolvendo com suavidade.

Por fim, passe metade da massa para outra taça e junte-lhe o pó matcha, envolvendo bem.

Verta as massas alternadamente para a forma previamente untada, de maneira a criar o marmoreado.

Leve ao forno durante cerca de 30 minutos. Confira com o palito o estado da cozedura, antes de retirar o bolo do forno.

Retire do forno, deixe arrefecer alguns minutos e passe delicadamente uma colher de manteiga pelas laterais do bolo para que este descole mais facilmente. Desenforme sobre uma rede ou sobre o prato de servir e deixe arrefecer completamente. Antes de servir, polvilhe com açúcar em pó e com mais um pouco de matcha.

 

Nota: se preferir, troque o matcha por cacau ou chocolate em pó (2 colheres de sopa ou a gosto).

 

Mais receitas de bolos e sobremesas em forma de buraco:

Bolo de chocolate e grão de bico, sem manteiga nem farinha

Bolo de agrião

Bavaroise de chocolate e café

Bolo de chocolate e amêndoa

Bolo de citrinos e passas com glacé de limão

Bolo Anjo com cobertura de doce de ovos

Bolo invertido de ameixas

01
Set18

Pão de banana, amêndoa e abrunhos [Para uma rentrée perfeita]

pao-banana-abrunho_6.JPG

pao-banana-abrunho.JPG

 

Não vinha cá há mais de um mês. Mas tinha saudades.

Trabalho, férias em família e, claro, as longas férias escolares dos rapazes, que alteram as rotinas e me afastam deste hobby que é ter um blogue de cozinha. Um hobby de que gosto muito, mas que às vezes me deixa desanimada, tal o nível de sofisticação a que esta atividade chegou, nomeadamente quanto ao ritmo e à qualidade de produção das publicações, a começar pelas redes sociais.

A fasquia está tão alta, que às vezes me pergunto se ainda faz sentido andar por aqui. Muitas vezes sonho que vou finalmente fazer um planeamento dos conteúdos e publicar mais, que finalmente me vou organizar para poder criar alguns vídeos - ainda que para tal precise da ajuda de alguém, que eu sou um zero na área - que vou tirar fotos mais bonitas, etc. e tal. Mas depois, uma série de circunstâncias se juntam à minha capacidade de procrastinação - nisso sou boa - e fico no ponto em que estava.

Mas se dantes, quando se passava muito tempo desde o último post, os sentimentos de culpa combinados com algum wishful thinking me levavam a prometer que ia ser mais regular, que ia cozinhar mais e fotografar melhor, que desta vez é que era, hoje vou ser mais comedida e realista.

Quem sabe não era essa pressão e essa exigência que impunha a mim própria (tenho várias receitas fotografadas que não viram a luz do dia, porque não gostei do resultado final das imagens), que acabava por me fazer desistir, muitas vezes ainda antes de começar?

Só sei que adoro cozinhar, fotografar e partilhar. E enquanto achar que há alguém desse lado que se revê e se identifica com aquilo que vou mostrando e enquanto retirar prazer daquilo que faço, irei continuar por aqui. Seja uma vez por semana, ou uma vez por mês. Que seja setembro a guiar-me neste recomeço. Com serenidade (ler 'sem grande stress dos mais novos no regresso às aulas') e coisas boas na mesa. Como este delicioso pão de banana, que leva ainda amêndoa e gomos de abrunhos como topping.

 

pao-banana-abrunho_3.JPG

 

PÃO DE BANANA, AMÊNDOA E ABRUNHOS

2 bananas maduras
3 ovos
60 g de azeite extravirgem
90 g de açúcar mascavado
130 g de farinha de trigo 55 sem fermento
70 g de farinha de amêndoa (ou 70 g miolo de amêndoa sem pele moído)
1 colher de sopa de fermento em pó
90 g de miolo de amêndoa com pele picado grosseiramente (pode tostar a amêndoa, para intensificar o sabor e a crocância)
2 abrunhos fatiados

Pré-aqueça o forno nos 180º.
Unte muito bem uma forma de bolo inglês com manteiga ou azeite e polvilhe com farinha (em alternativa use spray desmoldante).
Numa taça bata o açúcar com o azeite.
Junte os ovos e bata bem.

Junte as bananas entretanto desfeitas com um garfo e misture tudo muito bem.

Adicione as farinhas e o fermento, envolva bem sem bater.
Por fim, adicione e envolva a amêndoa picada.
Verta para a forma e disponha por cima da massa as fatias de abrunhos. Salpique com mais um pouco de açúcar e leve ao forno durante cerca de 45 minutos ou até um palito sair seco quando espetado no centro da massa.
Retire e deixe arrefecer antes de servir.
Embrulhado em papel de alumínio ou película aderente, dura vários dias. É húmido e delicioso!

Mais receitas de pão de banana:
Pão de banana, aveia e chocolate com topping crocante
Pão de banana com nozes, avelãs e chocolate
Pão de banana e frutos secos

 

19
Jul18

Vencedores do Passatempo Lume Brando & Margão

livro-margao_60_anos_6.JPG

 

O passatempo terminou e é hora de saber quem vai receber este bonito livro que assinala os 60 Anos da Margão! Foram 257 participações válidas através da página do Lume Brando no Facebook, e 326 na conta de Instagram.

 

Aqui estão os nomes dos participantes afortunados, obtidos via random.org, que irão ser contactados por mensagem privada. 

 

Vencedores Passatempo através do Facebook:

Captura de ecrã 2018-07-19, às 15.53.43.png 

Vencedores Passatempo através do Instagram:

Captura de ecrã 2018-07-19, às 15.45.35.png

Nota: nesta lista só conta o 1º nome à frente do número! Os nomes seguintes foram os amigos identificados. Nos resultados do facebook não aparecem, pois tem a ver com a forma como importei a lista de participantes de cada rede social para aplicação Random. 

 

Parabéns aos sortudos e obrigada a todos os que participaram! 

 

13
Jul18

Passatempo Lume Brando & Margão [8 livros para oferecer!]

livro-margao_60_anos_1.JPG

livro-margao_60_anos_4.JPG

livro-margao_60_anos_2.JPG

 

Hoje não trago uma receita. Na verdade, trago 60.

 

Sinónimo de qualidade em especiarias e ervas aromáticas, a Margão está a celebrar 60 anos. Para assinalar a data, decidiu fazer um livro bem apetitoso: são 60 receitas variadas, das entradas aos pratos de peixe e de carne, passando pelas sobremesas.

 

Um livro inspirador, com design gráfico cuidado e fotografias apetecíveis, que pode ser vosso, se participarem neste passatempo e forem contemplados com um dos 8 exemplares que tenho para oferecer. E como vai funcionar o passatempo? 

 

O passatempo irá decorrer em simultâneo na página de Facebook do Lume Brando e na minha conta do Instagram: irei oferecer 4 livros em cada uma destas redes sociais e as condições de participação serão idênticas:

 

No Facebook

- Ser fã da página do Lume Brando;

- Fazer like na publicação do passatempo;

- Identificar três pessoas num comentário a essa publicação.

 

No Instagram

- Ser seguidor da minha conta de Instagram;

- Fazer like na publicação do passatempo;

- Identificar três pessoas num comentário a essa publicação.

 

passatempo termina na próxima 4ª feira, 18 de julho, às 23h59.

 

Podem participar das duas maneiras e as vezes que quiserem, desde que identifiquem sempre amigos diferentes. A escolha dos felizardos será feita aleatoriamente entre todas as participações (o envio dos livros será feito apenas para moradas em Portugal).

 

Até já!

25
Jun18

Frozen yogurt de abacaxi [ou uma arma saudável contra o calor]

gelado-abacaxi3.jpg

 

gelado-abacaxi2.jpg

 

 

 

gelado-abacaxi_5.JPG

 

Cheguei há poucos dias de uma semana de férias em Itália (uma viagem recheada de coisas boas de que vos falarei num próximo post). Saímos daqui com um tempo miserável, um início de junho em que pouco faltou para ligar o aquecimento.

 

No regresso, somos recebidos, literalmente, de forma calorosa: os termómetros marcam acima dos 30º, mas eu sinto o bafo quente como se estivessem uns 40º à sombra. Sei que depois de uma primavera tão tímida devia agradecer este calor, mas eu e as altas temperaturas não nos damos muito bem. Sobretudo quando chegam assim, de repente, sem nos dar tempo para nos habituarmos.

 

Enquanto tento mentalizar-me de que, na verdade, já estamos no verão e por isso este é o tempo certo para esta altura do ano, procuro soluções para apaziguar o desejo por coisas leves e frescas. E foi assim que surgiu este gelado de abacaxi feito apenas com dois ingredientes: abacaxi e iogurte.

 

Antes de ir de férias, tinha na fruteira um abacaxi um pouco esquecido. Para evitar que se tornasse intragável - não gosto de fruta demasiado madura - resolvi descascá-lo, parti-lo em cubos e congelá-lo. Logo se veria o que iria fazer com ele.

 

E pronto, parte dele foi usado neste iogurte gelado: uma sobremesa ou lanche saudável, que se faz num minuto e se devora noutro (se esquecermos as gomas, que só estão aqui porque achei-as mesmo fofas e a condizer com esta época do calendário).

 

Que sejas bem-vindo, verão!

 

Nota: quando este post ficou pronto para ser publicado, os termómetros fizeram-me a vontade e a temperatura desceu um pouco. Uma maravilha, até porque as férias acabaram e não é fácil trabalhar com os neurónios a derreter.

 

gelado-abacaxi_7.JPG

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

FROZEN YOGURT DE ABACAXI

Para 8 copinhos (8 bolas de gelado)

 

300 g de abacaxi maduro congelado em cubos

125 de iogurte natural tipo grego (1 iogurte)

Lascas de coco e gomas para decorar (opcional)

8 copinhos de bolacha (opcional)

 

Colocar os cubos de abacaxi congelados no robot de cozinha e triturar.

Juntar o iogurte e  voltar a triturar até obter uma consistência suave (ao longo do processo poderá ser necessário parar e empurrar o que ficou agarrado às paredes do copo, voltando a triturar).

Servir de imediato ou levar de novo ao congelador.

 

Mais receitas "geladas":

 

01
Jun18

Mini-cheesecakes de cereja e framboesa [para celebrar o Dia da Criança]

mini-cheesecake-cereja-framboesa_4.JPG

 

 

mini-cheesecake-cereja-framboesa-2a.jpg

mini-cheesecake-cereja-framboesa_12.JPG

 

O Dia da Criança é celebrado em diferentes datas por todo o mundo. Gosto que em Portugal seja a 1 de junho porque o bom tempo costuma ser garantido (hoje, só para me deixar fica mal, a meteorologia já nos brindou com chuviscos e temperaturas pouco primaveris). Num dia de sol há mais possibilidades de oferecermos aos miúdos atividades ao ar livre e há uma atmosfera mais descontraída e brincalhona no ar.

 

Mas o Dia da Criança não é apenas um dia de brincadeira e pretexto para mimar os mais novos. É também uma data em que nos devemos lembrar que há milhões de crianças em todo o mundo que não vão poder celebrá-lo. Uma realidade que não é de agora e que levou à Declaração Universal dos Direitos das Crianças pela ONU, em novembro de 1959, mais tarde desenvolvida e aperfeiçada na Convenção sobre os Direitos das Crianças, assinada em 1989.

 

Os meus rapazes já são adolescente e pré-adolescente, mas espero que nunca abandonem algumas das melhores coisas de ser criança: a curiosidade, a capacidade de alimentar o sonho, a alegria genuína, a bondade, e até uma certa inocência, que ajuda a que o mundo pareça um lugar bem mais apetecível.

 

Apesar de não assinalarmos o Dia da Criança com pompa e circunstância - não lhes damos presentes, por exemplo - todos os anos costumo preparar uma receita diferente e partilhá-la aqui no blogue. Como esta semana me ofereceram uma caixa de deliciosas cerejas de Resende, desta vez foram elas o mote. Até porque são um dos frutos que mais associo à minha infância: quem não se lembra de brincar com as cerejas e pendurá-las nas orelhas a fazer de brincos? Eu adorava fazer isso. E a seguir comê-las, claro.

 

E depois as cerejas são tão fotogénicas, que deixam qualquer sobremesa irresistível. Estes cheesecake em versão mini, perfeitos para comer à colher, não são exceção. Vaidosos e gulosos, são uma ótima sobremesa para preparar este fim de semana. A pensar nos miúdos e não só...

 

mini-cheesecake-cereja-framboesa_5.JPG

 

MINI-CHEESECAKES DE CEREJA E FRAMBOESA

Inspirados numa receita de Martha Stewart

 

Para 9

 

Para a base:

70 g de bolacha maria integral

30 g de manteiga derretida

 

Para o recheio

250 g de queijo creme

¾ de chávena de açúcar amarelo (ou a gosto, depende um pouco da acidez do queijo que usamos)

1 ovo L (usei um ovo caseiro e por isso ficaram tão amarelinhos ;)

1 colher de café de extrato de baunilha

1 pitada de sal

  

Para o coulis de cereja e framboesa:

70 g de cerejas descaroçadas e framboesas  (ou apenas um dos frutos)

1 colher de sobremesa rasa de açúcar amarelo (ou a gosto)

 

Pré-aqueça o forno nos 170º. Num robot de cozinha triture as bolachas e junte-lhes a manteiga derretida, formando uma espécie de areia fina húmida. Divida pelo fundo de 9 formas de papel colocadas num tabuleiro de queques – use o pilão de um almofariz para nivelar e comprimir esta base de bolacha.

Leve ao forno durante cerca de 5 minutos. Retire e deixe arrefecer.

Entretanto triture os frutos vermelhos e passe-os através de um coador fino, para obter um molho suave e homogéneo - talvez precise, a meio do processo, de empurrar o que fica agarrado na parede do copo e voltar a triturar. Junte a este coulis 1 colher de sobremesa de açúcar amarelo (ou a gosto). Reserve.

Com a ajuda de uma batedeira, misture o queijo creme com o açúcar e a pitada de sal. Junte a baunilha e o ovo e bata um pouco até estar homogéneo.

Distribua a mistura do queijo creme pelas formas de papel onde já colocou a base de bolacha. Com uma colher de café, verta algumas gotas do coulis de cereja e framboesa na superfície dos cheesecakes e, com a ponta de um palito, desenhe algumas espirais irregulares. Pode ser que não use o coulis todo, mas menos quantidade de fruta é difícil de triturar no robot).

Coloque o tabuleiro dos queques num tabuleiro de forno e encha o tabuleiro com água a ferver até cerca de metade da altura dos cheesecakes (eu prefiro encher o tabuleiro já no forno). Leve ao forno durante cerca de 30 minutos, rodando com cuidado os tabuleiros a meio da cozedura.

Retire do forno e com cuidado retire o tabuleiro de queques do tabuleiro com a água. Deixe arrefecer os cheesecake na forma sobre uma rede. Leve ao frio durante cerca de 4 horas antes de servir (a textura é muito suave e ainda que se possam comer à mão, retirando o papel, recomendo servir com uma colher.

 

Mais receitas giras para o Dia da Criança

Teresa Rebelo

foto do autor

Sigam-me

TOP 100 Food Bloggers

TOP 15 Blogs de Culinária Portugueses

Featured on

Bloglovin

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2006
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2005
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2004
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D