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Lume Brando

09
Abr19

Bolo Churro [e o desconsolo por não haver um sinónimo para "baking" em português]

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"Fazer bolos". "Cozinhar no forno". "Cozinhar coisas de forno". "Cozer pão, bolos e similares". "Assados doces". E podia estar aqui eternamente, que não conseguiria chegar a um sinónimo satisfatório de baking. Dava mesmo jeito que houvesse um sinónimo em português, que fosse igualmente curto, objetivo e abrangente. Também sentem falta de uma palavra assim? Ou será apenas uma maluquice minha?

 

Eu gosto de cozinhar. Mas gosto ainda mais de... baking.  Se pudesse, estava sempre, não a cozinhar genericamente, mas a... baking.

 

Já tinha pensado nisto, mas a dificuldade voltou a surgir-me ao escrever este post, porque queria repetir que não preciso de grandes desculpas para ligar o forno. E que aquele tipo de receitas de forno são mesmo as minhas favoritas. Basta que as minhas outras tarefas me dêem umas horas de trégua e a minha reação é ir para a cozinha, ligar o forno e fazer um bolo, umas bolachas, uns queques, experimentar uma receita nova ou testar uma nova versão de algo que já tenha... baked antes (estão a ver? não era muito mais fácil se houvesse um sinónimo?)

 

Foi o que aconteceu mais do que uma vez a semana passada e numa dessas oportunidades quis experimentar uma receita de bolo diferente. Pesquisei em livros, revistas e blogues, mas nenhuma receita fazia soar o clique, até que dei de caras com o "Churro Bundt Cake" no Sweet Gula, o blog fantástico do Célio Cruz

 

Como fiz alguns ajustes e trocas de ingredientes, achei que fazia sentido partilhá-la, mas se quiserem seguir a versão do Célio, é só clicar aqui.

 

E por que é que o bolo se chama assim? Eu, ignorante, pensei que se devia só ao facto de levar uma boa camada de açúcar e canela por cima, como é o caso dos churros e das farturas que se vendem por cá. Mas a verdade é que a receita original, ou pelo menos aquela que o Célio seguiu, é brasileira e leva leite condensado cozido na massa (que eu omiti porque não tinha em casa) e não é que no Brasil se comem os churros com leite condensado cozido (que do outro lado do Atlântico se chama "doce de leite")? Daí o nome fazer bastante sentido.

 

Eu decidi servir o bolo com molho de chocolate - inspirada nos churros con chocolate dos nossos vizinhos espanhóis - e só vos digo: fica delicioso. Mas fiquei curiosa com o leite condensado cozido e para a próxima vou querer experimentar - ou "beikar" 🤣 - a versão original.

 

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BOLO CHURRO

[Adaptado do blog Sweet Gula]

 

A minha forma era relativamente pequena, por isso, a par de uma ou outra alteração, usei metade das quantidades da receita do Célio.

 

Ingredientes

 

250 g de farinha sem fermento

1/2 colher de café de bicarbonato de sódio

1/2 colher de chá de fermento em pó

1/2 colher de chá de canela em pó

90 g de azeite extravirgem

200 g de açúcar amarelo

2 ovos L

75 g de iogurte natural

100 g de natas

1 colher de café de extrato de baunilha

+

1 colher de sopa de manteiga derretida

50 g de açúcar

1 colher de chá de canela em pó

+

Molho de chocolate para servir (opcional)

 

Preparação

 

Untar muito bem a forma escolhida e polvilhar com farinha.

Ligar o forno nos 180º.

Numa taça, misturar a farinha peneirada com o bicarbonato, o fermento e a canela.

Noutra taça, misturar o iogurte e as natas.

Noutra, bater o açúcar com o azeite e adicionar os ovos, batendo novamente.

Adicionar a esta última taça, alternadamente e em três vezes, a mistura de natas/iogurte e a mistura dos secos (farinha/fermento...).

Verter a massa para a forma e levar ao forno durante cerca de 40-45 minutos (fazer o teste do palito para ver se está cozido).

Com o bolo ainda morno, pincelá-lo com a manteiga derretida e polvilhá-lo com a mistura de açúcar e canela.

 

Para o molho de chocolate, levar a derreter alguns quadrados de chocolate negro ou de culinária com um pouco leite. Mexer bem e conferir a consistência - deve ficar cremoso - e servir com o bolo.

 

MAIS RECEITAS DE BOLOS:

 

03
Abr19

Bacci di Dama [receita de biscoitos italianos para acordar o blog]

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Olé, olé!

Sei que tenho andado desaparecida aqui pelo blog. Para me redimir, trago-vos uma receita doce, daquelas que não dão muito trabalho mas que fazem um brilharete. Uma receita italiana de biscoitos de avelã recheados com chocolate, curiosamente batizados de "Baci di Dama", ou seja, "Beijos de Dama".

 

Agora vou poucas vezes ao El Corte Inglés (cada vez mais tento fazer tudo - compras, médicos, etc. - o mais perto de casa possível e se o puder fazer a pé, tanto melhor), mas quando vou àquele templo da tentação, acho que já sabem que não resisto a passar pela tabacaria, onde encontramos revistas impossíveis de arranjar noutros locais. Da última vez, trouxe uma GoodFood e uma FoodToLove e foi nesta última, num especial sobre comida italiana, que encontrei a receita.

 

No post que fiz no Instagram em que partilhei uma foto destas bolachas, contei que elas não tinham sido consensuais. Eu fiquei apaixonada à primeira trinca e tive de esconder o frasco, ou teriam sido todas comidas no próprio dia  - e olhem que a receita rende bastante.

 

Mas houve quem as tivesse achado "estranhas". Mas sabem o que é curioso? É que mesmo no caso do sabor e da textura começarem por "estranhar", é quase certo que depois irão "entranhar": no dia seguinte, o provado-mor voltou a comer uma e concluiu que, afinal, "até eram boas". E comeu outra, e a seguir outra... E não foi a única pessoa a ter esta reação!

 

É verdade que sabem imenso a avelã e que a textura é bastante areada e um pouco quebradiça, mas eu achei-as deliciosas. Digo-vos que é com o maior dos desconsolos que neste momento olho para o frasco vazio. Podia fazer outra dose? Podia, mas esta é uma receita calórica, por isso, não quero abusar e vou deixar passar uns tempos até voltar à carga.

 

Mas se desse lado não houver sentimentos de culpa ou dietas rigorosas a decorrer, toca a experimentar estes beijos o quanto antes. Não se irão arrepender!

 

CURIOSIDADE

Consta que a receita original destes biscoitos nasceu na cidade de Tortona, pertencente à região do Piemonte, no Norte de Itália.

 

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BACCI DI DAMA - Biscoitos de avelã recheados com chocolate

 

[ligeiramente adaptado da revista Food to Love - March 2019]

Rende entre 45 a 50 bolachinhas - cerca de 25 recheadas

 

Ingredientes

 

100 g de manteiga amolecida

75 g de açúcar amarelo

100 g de miolo de avelã moído

100 g de farinha sem fermento

+

100 g de chocolate negro de culinária (entre 52% a 70% de cacau)

40 g de manteiga

15 g de miolo de avelã moído ou finamente picado

 

Preparação

 

Ligue o forno nos 180º.

Forre dois tabuleiros de forno com papel vegetal.

Com a batedeira elétrica, bata a manteiga e o açúcar até ficar macio.

Junte a avelã e a farinha e ligue tudo até obter uma massa moldável.

Faça bolinhas um pouco mais pequenas do que brigadeiros e distribua-as pelos tabuleiros, deixando um certo espaço entre elas.

Com o indicador, achate-as ligeiramente a partir do centro e corrija alguma rachadela que possa surgir à volta.

Leve a cozer durante cerca de 10 minutos, mas vá vigiando, até ganharem uma cor dourada suave no rebordo. Retire, aguarde uns cinco minutos e com uma espátula transfira-as para um rede.

 

Enquanto os biscoitos estão no forno, prepare o recheio (a receita original pede o dobro destas quantidades, mas a mim sobrou-me imenso recheio, pelo que sugiro que sigam as medidas que coloquei ali em cima).

 

Leve a manteiga e o chocolate partido em pedaços ao lume, em banho-maria. Quando estiver tudo ligado e macio, retire e deixe arrefecer. Junte a avelã moída e reserve até ficar com uma consistência mais firme (se estiver com pressa e a temperatura ambiente estiver um pouco elevada, leve o creme de chocolate ao frigorífico durante alguns minutos para ganhar consistência).

 

Para montar os biscoitos, barre o fundo de um biscoito com o creme de chocolate e cole outro biscoito pelo fundo, fazendo uma sanduíche. Eu usei saco e bico pasteleiro para dispor o chocolate, mas pode usar uma faca de manteiga ou uma colher pequena.

Depois de prontos, conserve-os bem fechados num frasco hermético.

 

 

OUTRAS RECEITAS DE BOLACHAS E BISCOITOS:

 

06
Fev19

Bolo simples de tângera [ou uma receita para aquecer o inverno]

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Não é que precisasse de ter um blog para isso, mas a verdade é que cozinhar e escrever para o Lume Brando me fez ficar mais atenta às estações do ano e aos produtos que cada uma delas nos traz, valorizando e privilegiando os ingredientes de cada época.

 

De todas as estações, o inverno é aquela que menos me atrai. O frio (da chuva nem se fala) deixa-me de mau humor, não gosto da roupa de inverno e sinto-me sempre pior vestida do que no resto do ano. Sou "friorenta", ando sempre com várias camisolas interiores e casacos e mesmo assim sinto quase sempre um desconforto. Nada menos sexy do que isto, certo?

 

Mas tenho de reconhecer que nem tudo é mau nesta época do ano. Adoro as frutas e os legumes desta altura, e tenho a sorte de muitos dos que me vêm parar à mesa serem de quintais e pomares de família, cultivados de forma natural. Como é o caso das tângeras que usei para fazer este bolo. São do pomar dos meus pais e se há anos em que alguma coisa não corre tão bem e as árvores ficam quase despidas, este ano é vê-las carregadinhas de esferas laranjas bem vibrantes.

 

Tenho várias receitas de bolos de laranja aqui no blog e até um bolo de tângeras um pouco parecido com este, que podem espreitar aqui, mas este é ainda mais simples. Adaptei uma receita do livro "Tesouro das Cozinheiras" - que foi um dos primeiros livros de cozinha que recebi de presente num aniversário, há mais de vinte anos - e ficou ótimo: húmido e fofo ao mesmo tempo.

 

Não têm tângeras? Não faz mal, substituam-nas por laranjas, tangerinas, clementinas... tenho a certeza de que qualquer citrino doce desta família fará o bolo brilhar. Vamos à receita?

 

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BOLO DE TÂNGERAS 

110 ml de azeite

130 g de açúcar amarelo

3 ovos

140 g de farinha sem fermento

1/2 de sopa de fermento em pó

2 tângeras - sumo e raspa

 

Para a calda:

2 tângeras

Açúcar amarelo qb

 

Para a cobertura:

1/2 chávena de açúcar em pó

Sumo de tângera qb (1/2 tângera)

 

Pré-aqueça o forno nos 180º.

Unte/polvilhe muito bem uma forma retangular.

Bata o azeite com o açúcar e o sumo de tângera.

Junte os ovos, um a um, mexendo bem. 

Adicione a raspa das tângeras e por fim a farinha e o fermento - estes de preferência peneirados, para não criar grumos.

Verta para a forma e leve a cozer durante cerca de 30-40 minutos - vá espreitando, o tempo de cozedura vai variar não só de acordo com cada forno ou até a humidade que estiver nesse dia, como com a forma que se utilizar, mais baixa ou mais alta, por exemplo. Faça o teste do palito para saber se está pronto: espete um palito no centro do bolo, se sair seco, o bolo está cozido.

Desenforme e deixe arrefecer.

 

Para a calda, obtenha o sumo de duas tângeras, adoçe com açúcar amarelo a gosto (eu usei 1 colher de sopa de açúcar) e leve ao lume para aquecer e o açúcar derreter. Verta sobre o bolo já arrefecido.

 

Para a cobertura: vá juntando sumo de tângera ao açúcar e mexendo bem com uma vara de arames até obter o glacê que pretende: o meu ficou relativamente fluído. Verta por cima do bolo e sirva.

 

MAIS BOLOS COM CITRINOS:

30
Jan19

Bolo formigueiro [e a minha grande resolução para 2019]

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O bolo formigueiro é uma receita muito popular no Brasil. E sabem por que é que se chama assim? Aposto que muitos de vós sabem. O nome deve-se ao granulado de chocolate que se adiciona à massa, que depois de cozida fica sarapintada de "formigas". Apesar de eu achar imensa piada ao nome, acho que também se poderia batizar de bolo stracciatella. Mal parti o bolo e vi a massa, lembrei-me do gelado.

 

Esta não é a receita original (se é que existe uma). Fiz várias alterações a uma receita que vi no Pinterest e fiquei bastante satisfeita com o resultado. Pelas fotos, pode parecer que é um bolo demasiado seco, mas não. Ok, não é um bolo para sobremesa, mas é ótimo para o lanche ou para saciar aquele ratinho entre refeições, com um café ou um chá a acompanhar. Aviso: não é fácil ficar apenas por uma fatia ou duas, eu tive de partilhar o meu, se não, ia ser uma desgraça 😅.

 

Como quase sempre, substituí a manteiga por azeite extravirgem. Gosto muito de usar azeite em bolos, acho que funciona muito bem e não entendo por que em muitas receitas de bolos e sobremesas "saudáveis", nomeadamente portuguesas, o óleo de coco aparece mais vezes do que o azeite. Para além de ser mais caro, o óleo de coco não é um produto nosso, pressupondo, desde logo, uma maior pegada ecológica para chegar até nós. Atenção: eu gosto de experimentar produtos novos, de variar ingredientes e até tenho um frasco de óleo de coco cá em casa. Mas entre o azeite, que pode ser 100% português e cujos benefícios estão mais do que provados, e o óleo de coco,  gordura altamente saturada, cujo efeito na saúde ainda divide os especialistas, eu prefiro o primeiro.

 

Mas deixemos eventuais polémicas para trás e, antes de passarmos à receita, falemos da minha grande resolução para este ano: aprender o mais possível sobre fotografia de comida. E praticar, claro. Quero chegar ao final de 2019 e sentir que evoluí (muito) nesta área. Muitos poderão dizer que as minhas fotografias já são bonitas e, ainda que às vezes também goste delas, nos últimos tempos tenho-me sentido algo estagnada e quero fotografar ainda mais e melhor.

 

Adorava que me acompanhassem nesta jornada! Para isso, o melhor é seguirem-me no Instagram. Nas próximas semanas estarei a participar no Winter Challenge do blog The Little Plantation, de Kimberly Espinel - uma oportunidade para me obrigar a fotografar mais e a sair da minha zona de conforto, pois temos de fotografar de acordo com temas pré-definidos, três temas por semana durante quatro semanas. Logo de seguida irei fazer um curso online de Food Photography & Food Styling, também com a simpática e talentosa Kimberly.

 

Para além disso, tenho visto imensos vídeos e lido muitos artigos sobre fotografia de comida e prometo que vou fazer alguns posts sobre esta aventura, combinado?

 

Agora, vamos à receita do meu Bolo Formigueiro!

 

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O MEU BOLO FORMIGUEIRO

 

170 g de açúcar

120 g de azeite extravirgem

3 ovos L

170 ml de leite

1/2 colher de café de extrato ou aroma de baunilha

250 g farinha sem fermento

1 colher de sopa de fermento em pó

40 g de coco ralado

60 g de granulado de chocolate (aquele usado para revestir brigadeiros)

 

Ligar o forno nos 180º

Untar muito bem/polvilhar com farinha uma forma de buraco "grandinha".

Numa taça bater o açúcar com o azeite e juntar os ovos, um a um.

Adicionar a baunilha ao leite. Juntar o fermento à farinha.

Adicionar estas misturas à taça da mistura de ovos/açúcar/azeite de forma intercalada, sendo que a última adição deve ser de farinha e fermento. 

Juntar por fim o granulado de chocolate e o coco e envolver bem.

Verter para a forma e levar a cozer durante cerca de 40/45 minutos - para saber que está pronto espete um palito no centro do bolo, que deve sair seco ou com migalhas grossas agarradas (neste caso, já pode tirar do forno, mas reforce os cuidados ao desenformar).

Deixar arrefecer e polvilhar com açúcar em pó antes de servir ou, se preferir, pode decorar com ganache ou chocolate derretido.

 

GOSTARAM DESTE BOLO? ENTÃO TAMBÉM VÃO GOSTAR DESTES:

 

23
Jan19

45 [e o bolo de limão mais fofo e húmido de sempre]

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Fiz anos a semana passada. Um número gordo que sempre associei às pessoas "mais velhas". Sinto isso desde que fiz quarenta. Parece que a idade não encaixa, não me sinto como sempre pensei que se sentiriam as pessoas com mais de quarenta: maduras, sérias, sábias.

 

Pelo contrário, sinto-me uma miúda, alguém que não se leva demasiado a sério, com muito para aprender. Que diabo, quarenta era a idade das mães, das tias, daquela vizinha já com filhos grandes. Como é que, de repente, eu própria já tenho 45?!

 

Bom, o cartão de cidadão não engana e foi já há uma semana que soprei essas velas todas. E na verdade, apesar do número custar um nadinha a engolir, não podia estar mais feliz. Tenho uma família fantástica, incluindo um marido e dois filhos maravilhosos, amigos, faço o que gosto, tenho o que preciso e, este ano, até a meteorologia resolveu dar-me um dia de sol (quando fiz quarenta, por exemplo, o tempo estava péssimo, chovia imenso). Não me posso queixar, pois não?

 

Para celebrar, fiz um bolo de limão diferente mas delicioso. Diferente porque decidi cozer a massa de bolo de anjo (ou angel food cake) numa forma alta normal, ou seja, sem buraco/ sem chaminé.

 

Adoro a textura e a humidade deste bolo, que a tradição manda cozer numa forma de alumínio com chaminé e com umas "patinhas", que servem para que, depois de cozido, ele fique a arrefecer na forma, virado ao contrário, mas com ar a circular por baixo. Como não tenho uma forma dessas, sempre fiz o bolo numa forma de chaminé tipo pão de ló e depois colocava a forma virada para baixo, com a chaminé apoiada num frasco estreito, para ficar acima da superfície (para verem o meu bolo de anjo coberto com doce de ovos e ver a receita original, cliquem aqui.)

 

Desta vez queria um bolo relativamente alto e liso e resolvi arriscar. Troquei ainda a baunilha da receita original por raspa de limão. Depois de frio e desenformado (mais abaixo, na descrição da receita, explico como fiz para que o ar circulasse debaixo da forma durante o arrefecimento), barreio-o todo com um creme de mascarpone e lemon curd. D-e-l-i-c-i-o--s-o!

 

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A única desvantagem que senti ao usar esta forma foi que o bolo abate um pouco no topo, no centro. Mas como a ideia era decorar, enchi a cavidade de creme e não dá para notar ;)

 

Esta é uma receita para um bolo relativamente grande e não é muito fácil dividir em duas para fazer apenas metade, por isso o que fiz foi cozer dois bolos: o outro cobri-o com doce de ovos, na continuação dos festejos 🙈. Afinal, se o número é grande, que se celebre em grande também 😆.

 

Ah, se experimentarem este bolo, digam-me como correu. Podem deixar um comentário aqui, no facebook ou no Instagram, como preferirem ;)

 

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BOLO ANJO DE LIMÃO COM COBERTURA DE MASCARPONE E LEMON CURD

 

Para a massa:

Adaptado do livro "Martha Stweart's Baking Handbook"

 

Estas quantidades dão para 1 bolo grande ou 2 bolos pequenos (usei 1 forma com 16 cm de diâmetro e outra com 14 cm, ambas altas - 10 cm de altura)

 

1 chávena de farinha sem fermento
1 + 1/2 chávenas de açúcar 
13 claras L à temp. ambiente 
1 colher de sopa de água morna
1/2 colher de chá de sal
1 colher de chá de cremor tártaro
2 colheres de sopa de raspa de limão

(chávena de 250 ml de capacidade)

Pré-aqueça o forno nos 180º.

Se for usar formas normais, sem buraco, forre o fundo com papel vegetal (mas não unte - para este bolo não se deve untar as formas).

Usando duas taças, peneire a farinha umas duas ou três vezes e reserve.
Na taça da batedeira eléctrica, bata as claras com a água morna em veloc. baixa, até ficar em espuma. Junte o sal e o cremor tártaro. Bater em velocidade média-alta, até surgirem picos macios, cerca de 3 minutos. Com a batedeira a trabalhar, junte as raspas de limão e o açúcar, colher a colher, até a mistura ficar bem espessa e brilhante, cerca de 2 minutos (não bata demasiado, não deve ficar seco).
Nessa taça, se for grande, ou transferindo as claras para uma taça maior, envolva a farinha nas claras, com uma espátula de borracha, em 6 vezes.
Verta a massa para a(s) forma(s) e passe uma faca pela massa, para retirar bolsas de ar.

Alise e leve ao forno cerca de 25/30 minutos (formas pequenas) ou 40 minutos (forma grande de buraco), no nível médio do forno.

Está pronto quando a massa estiver bem dourada e quando, se pressionar levemente com os dedos, voltar rapidamente à forma inicial.
Retire do forno e inverta as formas sobre uma rede de arrefecimento, idealmente um pouco levantada da superfície, para permitir que o ar circule por baixo (eu coloquei a rede sobre duas taças. Se usar forma de buraco, apoie a chaminé sobre um frasco estreito.
Deixe arrefecer completamente (cerca de 1h30/2 horas). Passe uma espátula fina à volta da forma para soltar o bolo. Desenforme para o prato de servir. 

 

Para a cobertura:

1 emb. de queijo mascarpone

Lemon curd a gosto*

 

Bata o mascarpone em chantilly e junte lemon curd até obter o sabor desejado (aí umas 5 ou 6 colheres de sopa generosas).

Com a ajuda de uma espátula, barre o bolo com este creme. Se quiser, decore com rodelas de limão e sirva o bolo com mais lemon curd.

 

*LEMON CURD

2 ovos L

100 ml de sumo de limão

140 g de açúcar

50 g de manteiga à temperatura ambiente

1 colher de sopa de raspa de limão

 

Num tachinho de fundo espesso, misture bem os ovos com o açúcar e o sumo de limão. Leve ao lume médio, mexendo sempre com um batedor de varas, para não ganhar grumos, até engrossar, o que deve demorar menos de 10 minutos (deve ficar um creme não demasiado espesso, uniforme e brilhante, que irá ficar mais consistente depois de arrefecido). Retire do lume e incorpore a manteiga e a raspa de limão. Espere um ou dois minutos e mexa com um batedor e varas, até a manteiga estar bem derretida e bem distribuída pelo creme. Verta para frascos limpos, deixe arrefecer, tape e guarde no frigorífico até usar. Conserva-se bem tapado no frigorífico cerca de 15 dias.

 

MAIS RECEITAS DOCES COM LIMÃO:

28
Dez18

Lasanha de bacalhau com béchamel de coentros [Feliz 2019!]

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Depois de um excelente Natal em família, pelo qual estou profundamente agradecida, e ainda antes de começar os preparativos para o Ano Novo, estou de volta para vos mostrar um prato de bacalhau diferente, que desenvolvi a convite da Parmalat.

 

Em casa dos meus pais, na noite do dia 31 de dezembro, sempre se repetiu o menu da noite de consoada: bacalhau cozido com todos. Ora, este não é dos pratos favoritos das gerações mais novas. Sensível ao torcer de narizes, a minha mãe começou a ter sempre um prato alternativo, tanto no Natal como na passagem de ano: o seu famoso bacalhau coberto.

 

Mas a verdade é que este peixe tão apreciado pelos portugueses é tão versátil, que não precisamos de o apresentar sempre da mesma maneira. Aliás, já diz a frase popular que há mil e uma maneiras de cozinhar bacalhau.

 

A minha lasanha de bacalhau com béchamel de coentros é mais uma opção para essa comprida lista. Para além do fiel amigo, leva imensos legumes, unidos pela cremosidade do béchamel Parmalat, ao qual juntei os aromáticos coentros. Uma sugestão que podem já pôr em prática no jantar de réveillon, no caso de serem anfitriões nessa grande noite.

 

Resta-me desejar-vos que 2019 seja um ano verdadeiramente ímpar, que no final valha a pena recordar. Vamos fazer por isso?

 

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LASANHA DE BACALHAU COM BÉCHAMEL DE COENTROS

Para 6 pessoas

 

3 lombos de bacalhau demolhado

1 cebola pequena

1 cebola grande

4 dentes de alho

1 folha de louro

1 cenoura grande

1 talo de alho francês

1 curgete pequena

5-6 tomates chucha maduros

750 ml de molho béchamel Parmalat

20 g de coentros (cerca de uma mão-cheia)

6 a 8 placas de lasanha frescas

Azeite q.b.

Sal q.b.

Pimenta preta q.b.

Noz-moscada q.b.

 

Comece por cozer os lombos de bacalhau em água abundante, juntamente com a cebola mais pequena, um dente de alho e a folha de louro.

Num tacho grande, coloque um fundo de azeite e adicione a outra cebola, picada. Deixe alourar um pouco e junte os restantes dentes de alho, picados. Passados alguns minutos, junte o alho francês partido às rodelas finas, a cenoura ralada e a curgete sem casca e partida em cubinhos. Tempere com sal, pimenta preta acabada de moer e noz moscada. Tape e deixe cozinhar até ficar bem macio, mexendo de vez em quando. Se achar que está a ficar seco, pode juntar um pouco de água (ou de vinho branco).

Depois de escorridos e arrefecidos, lasque os lombos de bacalhau e junte as lascas ao preparado de legumes, envolvendo bem e retificando os temperos, se necessário.

Pique bem os coentros e junte-os ao molho béchamel Parmalat (se preferir, pode colocar o béchamel e os coentros num robot de cozinha ou no copo da varinha mágica e triturar).

Corte os tomates em rodelas finas.

Ligue o forno nos 160º - função ventoinha.

 

Para montar:

Escolha uma assadeira de tamanho apropriado e coloque um pouco do molho béchamel com coentros no fundo. Cubra com uma ou mais placas de lasanha. Espalhe por cima 1/3 da mistura de bacalhau e legumes e disponha por cima rodelas de tomate. Espalhe um pouco de molho béchamel por todo. Volte a fazer uma camada de placas de lasanha, seguida de uma camada da mistura de bacalhau e legumes, de uma camada de tomate e cubra mais uma vez com béchamel. Repita a sequência, uma vez mais (se estiver muito alto, abdique da camada de rodelas de tomate). Termine com placas de lasanha e o restante molho béchamel por cima. Leve ao forno durante cerca de 25/30 minutos. Nos minutos finais, se lhe quiser dar mais cor, coloque a assadeira num nível superior e ligue alguns minutos a função grill. Sirva com uma salada de alface e rúcula ou com legumes verdes cozidos.

 

Nota: o tempo de cozedura e a temperatura do forno variam consoante a marca e o tipo de placas de lasanha que utilizar. Se for fresca, o cozimento é normalmente rápido, tal como descrito na receita; se usar das secas, mesmo que pré-cozidas, vai demorar mais tempo e talvez seja melhor aumentar a temperatura de forno e usar mais um pouco de molho béchamel.

 

Post desenvolvido em parceria com a Parmalat.

 

21
Dez18

Receita de Tronco de Natal [e os meus desejos de Boas Festas]

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Faltam apenas três dias para o Natal e, por aqui, já se vive a quadra em pleno, alinhavando sobremesas e planeando um apetitoso recheio para o peru que este ano me toca a mim preparar.

 

Relativamente aos doces, confesso que não sou muito fã das sobremesas tradicionais de Natal, ainda que goste das rabanadas da minha mãe, da aletria com ovos da minha sogra e de bolo-rei torrado comido ao pequeno-almoço nos dias a seguir ao Natal.

 

Mas há uma sobremesa natalícia importada de que gosto bastante: o Tronco de Natal. Não só pelo chocolate (claro que ter chocolate faz este bolo ganhar muitos pontos na minha lista de favoritos), mas também pela sua forma tão rústica, um pouco infantil até. Na minha família é sempre uma tia que o faz, por isso nunca me tinha dado para meter as mãos na massa.

 

Mas andava curiosa, até para ver como me desenrascava com a decoração. Assim, este ano resolvi juntar duas receitas infalíveis: torta de Viana e ganache de chocolate e fazer o meu próprio Tronco de Natal. Sim, esta é uma receita de Tronco muito simples (há versões mais ricas, em que o recheio e a cobertura levam doce de castanha, ou em que a própria massa é de chocolate, por exemplo).

 

O resultado do primeiro teste foi este e acho que ficou bem catita. Uma dica que acho mesmo importante é aplicar a cobertura com saco e bico pasteleiro, para evitar levantar massa de bolo com a espátula (aproveitei e fiz 2 em 1: usei um bico serrilhado e fiz logo as estrias do tronco). Para a próxima, irei usar um bico pasteleiro para distribuir o creme, mas depois tentarei fazer uns desenhos mais orgânicos.

 

Também fiz uns cogumelos de suspiro, com umas claras que andavam perdidas no frigorífico, para decorar, mas é totalmente opcional. Aliás, com a humidade que anda no ar por estes dias, fazer suspiros não é uma tarefa fácil, pois ficam muito frágeis, desfazendo-se facilmente.

 

Antes de passarmos à receita, resta-me desejar-vos um Feliz Natal e um 2019 repleto de bons momentos à mesa (e fora dela!).

 

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O TRONCO DE NATAL DO LUME BRANDO

 

Para a massa:

6 ovos

125 g de açúcar

100 g farinha sem fermento

1 vagem de baunilha

Açúcar em pó qb

 

Para o recheio e cobertura:

300 g de natas para bater

300 g de chocolate de culinária

Açúcar em pó e/ou cacau para decorar

Outra decoração a gosto

 

Começe por preparar a ganache de chocolate: parta o chocolate em pedacinhos para uma taça resistente ao calor.

Leve as natas ao lume num tachinho e assim que começar a fervilhar, retire do lume e coe ao mesmo tempo que as verte para a taça do chocolate. Espere alguns minutos e mexa bem com um batedor de varas até obter um creme liso e brilhante. Reserve.

 

Entretanto, ligue o forno nos 200º.
Forre um tabuleiro com papel vegetal (usei o tabuleiro do forno, com cerca de 40 cm x 30 cm) e unte com manteiga/polvilhe com farinha ou aplique spray desmoldante.
Numa taça, junte as gemas, o açúcar e as sementes do interior de uma vagem de baunilha. Bata durante cerca de cinco minutos com colher de pau ou um batedor de varas.
Bata as claras em castelo e envolva-as na mistura das gemas.
Adicione a farinha peneirada aos poucos e envolve bem para que fique integrada na massa.
Verta sobre a forma, alise e leve ao forno cerca de 12-14 minutos ou até o palito sair seco do seu interior.
Desenforme sobre um pano de cozinha húmido e polvilhado com açúcar em pó.
Aguarde uns minutos e retire o papel vegetal com cuidado.

Espere mais uns três ou quatro minutos, para que arrefeça mais um pouco, e espalhe uma camada de ganache, alisando com uma espátula ou as costas de uma colher.
Enrole a placa de bolo a partir de um dos lados mais compridos, com a ajuda do pano.
Deixe que arrefeça completamente, ao mesmo tempo que a ganache sobrante, a usar na cobertura, vai ficando mais espessa.

 

Quando a ganache sobrante tiver adquirido a textura ideal (espessa mas moldável - pode acelerar o processo colocando-a no frigorífico, mas tenha atenção para que não fique demasiado dura), prepare um saco com bico pasteleiro e encha o saco com ganache.

Apare as pontas do rolo e corte ainda duas fatias grossas, mas de tamanho diferentes, para fazerem de "braços cortados" do tronco (ficam muito bem cortados de forma enviesada). Passe o rolo maior para o prato de servir e disponha as fatias grossas ao seu gosto.

Disponha a ganache por todo o bolo, dando-lhe o efeito pretendido (pode distribuir a ganache por todo e depois alisar e fazer desenhos com uma espátula ou um garfo).

Termine com açúcar e cacau em pó, azevinho, pinhas, ramos de pinheiro, cogumelos de suspiro ou outra decoração a gosto.

 

FELIZ NATAL!

 

18
Dez18

Paris-Brest de castanha e mascarpone [e a história desta sobremesa francesa]

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No post anterior, falei no meu desejo de em 2019 experimentar receitas que tenho listadas há muito, como alguns pratos clássicos que por um ou outro motivo nunca cozinhei. Uma delas era o Paris-Brest, uma sobremesa francesa elaborada com massa choux. Com esta massa já fiz profiteroles (tenho uma receita no meu livro, "Estava tudo ótimo!") e já fiz éclairs. Mas nunca tinha experimentado fazer o Paris-Brest. 

 

Sempre que ouvia falar neste clássico da pastelaria francesa, achava que o nome se devia a um qualquer itinerário de comboio, entre Paris e uma cidade russa, talvez porque associasse a sua forma circular a uma pista de comboio de brincar. Mas sabem uma coisa? Estava redondamente enganada (trocadilho 100% acidental ;)!

 

Afinal, a forma da sobremesa pretende lembrar a roda de uma bicicleta, tendo sido criada por um pasteleiro chamado Louis Durand, em 1910, a pedido do fundador e organizador de uma importante prova de ciclismo entre Paris e a cidade francesa de Brest. A sobremesa fez imenso sucesso logo na altura, nomeadamente entre os ciclistas, devido ao aporte calórico que lhes oferecia. O recheio original terá sido um creme praliné, uma espécie de creme pasteleiro com amêndoas ou avelãs, mas depressa começaram a surgir variações.

 

Aliás, o Paris-Brest que me fez antecipar este projeto foi o incrível Paris-Brest de framboesa que vi no Instagram da Zoë François. Quando o vi, pensei: parece uma coroa, por que não transformá-lo numa sobremesa natalícia? Daí a chegar ao recheio de castanha, não demorou muito. E pronto, a minha primeira resolução para 2019 começou a ser cumprida ainda em 2018. E parece que bem cumprida: fez bastante sucesso e desconfio que até ao réveillon ainda vão sair mais Paris-Brests desta cozinha...

 

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PARIS-BREST COM RECHEIO DE CASTANHA E MASCARPONE

 

Para a massa:

(Segui a receita da massa de profiteroles do meu livro, que é feita com água e azeite, sem leite ou manteiga, mas podem usar qualquer outra receita de massa choux)

 

180 ml de água

70 ml de azeite

100 g de farinha sem fermento

3 ovos à temp. ambiente

1 pitada de sal

1 pitada de açúcar

Ovo para pincelar

Amêndoas laminadas ou palitadas

 

Para o recheio:

200 g de creme/doce de castanha (usei da marca Bonne Maman)

200 g de mascarpone bem frio

140 g de natas para bater bem frias

1 fio de sumo de limão

 

Açúcar em pó para decorar

Molho de chocolate para servir (opcional mas recomendável!)

 

Comece por fazer a massa: leve um tacho ao lume com a água, o azeite, o sal e o açúcar.

Assim que começar a fervilhar, adicione a farinha toda de uma vez e mexa bem com uma colher de pau. Vá mexendo até se formar uma bola de massa uniforme que se descola do tacho, o que deve demorar poucos minutos.

Retire do lume e passe a massa para a taça da batedeira elétrica, deixando-a arrefecer durante cerca de 10 minutos.

Pré-aqueça o forno nos 210º.

Numa folha de papel vegetal, marque bem, com um lápis, um círculo com cerca de 16 cm de diâmetro. Forre um tabuleiro com esta folha virada ao contrário.

Ligue a batedeira numa velocidade média (preferencialmente com o acessório das massas e não das claras em castelo), e vá juntando os ovos, um a um, batendo sempre até obter uma massa macia, brilhante e uniforme.

Coloque a massa num saco munido de um bico pasteleiro liso (o meu bico tinha 1 cm de diâmetro) e faça um círculo de massa sobre a marcação do papel. De seguida, faça um novo círculo de massa no interior do círculo e colado a este. Termine com um círculo por cima da união dos dois primeiros (podem ver como se faz nos destaques das stories da Zoë François, ou então num dos muitos vídeos que há no YouTube).

 

Com a massa sobrante pode fazer um Paris-Brest mais pequeno ou alguns profiteroles.

 

Pincele a massa com ovo batido, salpique com amêndoas laminadas ou palitadas e leve ao forno durante cerca de 20-22 minutos ou até se aperceber que está bem insuflado e que descola bem do papel (sinal de que está bem cozido).

Entreabra a porta do forno (coloque um pano de cozinha dobrado ou o cabo de uma colher de pau para criar uma frincha) e deixe arrefecer lá dentro.

 

Para o recheio, coloque na taça da batedeira o queijo mascarpone e as natas e comece a bater para obter chantilly. A meio, adicione um fio de sumo de limão (ajuda a prender). Quando estiver bem firme, junte aos poucos o doce de castanha e continue a bater (vá provando e ajustando a quantidade de doce de castanha ao seu gosto). Deve obter um creme macio mas espesso.

Entretanto, corte o Paris-Brest a meio com uma faca de serrilha (corte pela união do círculo de cima aos de baixo).

Coloque o creme de castanha numa saco munido de um bico pasteleiro em estrela e disponha creme por toda a base do Paris-Brest. Coloque a tampa de massa e polvilhe com açúcar em pó. Repita o processo com os profiteroles ou a outra coroa.

 

Eu servi com molho de chocolate e aconselho (basta derreter no microondas alguns quadrados de chocolate preto ou de culinária com um pouco de leite, mexer bem e já está!).

 

Nota: esta é uma sobremesa que se deve comer no próprio dia; se pretender cozer a massa de véspera, guarde-a depois numa caixa hermética e no dia leve-a de novo ao forno durante alguns minutos; o ideal é rechear apenas antes de servir, para que a massa se mantenha seca e crocante. Caso esteja recheado e não vá servir logo,  guarde no frigorífico.

 

Receita atualizada em 22/12/2018.

 

OUTRAS SOBREMESAS E DOCES BONITOS PARA O NATAL:

Bavaroise de chocolate e café

Coroa de Bolo Inglês

Alperces com chocolate negro

Minipavlovas de café

Pavlova tradicional

Bolo de chocolate, gengibre e especiarias

30
Nov18

Galette ou tarte rústica de maçã [e a 1ª resolução para 2019]

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Esta tarte fez muito sucesso quando partilhei as fotos no Instagram, por isso, apesar de ter demorado um pouco, aqui está a receita. Foi uma experiência de impulso. Tinha muitas maçãs cá em casa, queria fazer algo bonito mas reconfortante, e lembrei-me de ir repescar uma receita de massa de galette que já andava aqui no blogue. Já tinha feito galettes com várias frutas mas nunca com maçã.

 

Na massa da que trago hoje, em vez de juntar à farinha "normal" (farinha de trigo sem fermento) farinha de amêndoa, como fiz na galette de morangos balsâmicos, resolvi juntar um pouco de farinha de trigo integral. Foi uma alteração pequena e ficou igualmente deliciosa.

 

E isso fez-me pensar que faço isto muitas vezes: partir de uma receita já testada e fazer-lhe ligeiras alterações. Digamos que é uma estratégia de minimização de riscos: uma maneira de variar, sem pôr em causa o resultado final. Porque se há dias em que me apetece ser mais ousada e experimentar algo realmente novo, há outros em que jogar pelo seguro me parece a decisão mais acertada (ainda que com maçãs, seja difícil alguma receita correr mal).

 

Resolução para 2019 (já podemos começar a enumerá-las, certo?): desafiar-me em termos culinários e experimentar novas receitas e pratos clássicos que até agora nunca me deu para fazer, tipo Bouef Bourguignon. Por acaso lembrei-me agora que cozinhei ossobuco há pouco tempo, pela primeira vez, mas não fotografei porque foi ao jantar. Também estão na lista: ceviche, dumplings, bife wellington, cannolis, Paris-Brest... e podia continuar ;)

 

E por aí? Gostam de inovar e pegar sempre em receitas diferentes, ou são fãs daquelas que já fazem de olhos fechados e nunca falham?

 

Bom fim de semana!

 

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GALETTE DE MAÇÃ

 

Para a massa:

120 g de farinha s/ fermento

30 g de farinha integral 

50 g de manteiga fria partida em pedaços

1 colher de chá de açúcar amarelo

1 ovo pequeno

 

Para o recheio:

5 maçãs ( mais uma, menos uma, dependendo do tamanho)

Sumo de 1/2 limão

4 colheres de sopa de açúcar amarelo

1 colher de sopa bem cheia de farinha s/ fermento

Uma boa pitada de canela

Uma pitada de noz moscada ou cardamomo (opcional)

1 colher de sopa de manteiga

1 colher de sopa de flocos de aveia grossos

Leite para pincelar a massa

Doce de pêssego ou geleia (opcional)

 

Comece por fazer a massa: coloque todos os ingredientes numa taça grande e amasse com as pontas dos dedos até obter uma massa moldável. Forme uma bola achatada, envolva em película aderente e leve a frigorífico durante cerca de 30 minutos.

Entretanto lave, descasque e fatie finamente as maçãs. Vá colocando as fatias numa taça, regando com o sumo de limão. Junte o açúcar, as especiarias, a aveia e a farinha (a farinha vai ajudar a engrossar os sucos das maçãs, conferindo cremosidade à tarte), envolva bem. 

Ligue o forno nos 170º.

Retire a massa do frio e estique sobre uma superfície enfarinhada, dando-lhe uma forma arredondada. Espalhe as fatias de maçã, deixando um rebordo livre de massa a toda a volta, de cerca de 2,5 cm. Vire o rebordo de massa de forma a selar a galette, pressionando um pouco. Espalhe pedacinhos de manteiga por toda a tarte. Pincele o rebordo da massa com leite.

Leve a cozer durante cerca de 45/50 minutos ou até a massa estar bem dourada e firme ao toque. Antes de servir, pode pincelar com geleia ou doce de pêssego, para ficar mais brilhante.

É boa de qualquer maneira: morna ou fria, sozinha ou com gelado de baunilha, ao lanche ou ao pequeno-almoço!

 

MAIS RECEITAS COM MAÇÃ:

12
Nov18

Bolo de maçã com molho de caramelo salgado [e o aconchego que o outono pede]

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Veio mais tarde do que se esperava, mas chegou. Começou algo tímido, mas este fim de semana mostrou a sua raça. Falo do outono, essa estação que faz a natureza vestir-se de mil tons de castanho, laranja e dourado.

 

Ainda que goste muito do verão, pela atmosfera descontraída e leve que traz, as minhas estações favoritas são as de transição, a primavera e o outono. Se por um lado costumam ser mais meigas no que à meteorologia diz respeito, por outro reservam para si as cores mais bonitas do ano, seja sob a forma de flores viçosas ou de folhas à merçê do vento.

 

E depois temos os frutos e legumes da época, aguardados com mais expectativa e emoção na primavera e no outono, por romperem com a estação que se despede.

 

Como acontece quase sempre por esta altura, também este ano me chegou cá a casa uma caixa de maçãs vindas de Trás-os-Montes. E por muito boas e doces que sejam para comer ao natural, a verdade é que o forno chama por mim e diz-me que o melhor é gastar algumas em bolos e sobremesas, não vá o diabo tecê-las (ler "apodrecê-las" - o que seria tão lamentável quanto altamente improvável).

 

Assim, com o forno ligado e um cheirinho bom a invadir a casa é mais fácil esquecer que o outono tem um lado b (e que o mundo podia ser um lugar bem mais bonito). Quando chove, faz frio ou o dia está da cor do chumbo, agarro-me ao aconchego das receitas de forno, seja um bolo, uma tarte ou um assado suculento.

 

E vocês? Qual a vossa receita favorita para quando bate aquele desconfortozinho dos dias cinzentos? Aposto que este bolo de maçã com molho de caramelo salgado podia ir para a vossa lista ;)

 

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BOLO DE MAÇÃ COM MOLHO DE CARAMELO SALGADO

Chávena = 250 ml de capacidade

 

2 maçãs grandes raladas em cru

3/4 de chávena de açúcar amarelo

1 chávena mal cheia de azeite extravirgem

4 ovos (de preferência caseiros ou biológicos - o bolo fica mais húmido)

1 colher de café de essência de baunilha

2 chávenas rasas de farinha sem fermento

2 colheres de chá de fermento em pó

1,5 colheres de chá de bicarbonato de sódio

1 boa pitada de canela

 

Pré-aqueça o forno nos 180º.

Unte muito bem/polvilhe com farinha uma forma de "bundt" (forma redonda com chaminé).

Numa taça, junte os ovos, o azeite, o açúcar amarelo, a maçã ralada e a baunilha.

Noutra taça, junte a farinha, o fermento, o bicarbonato e a canela.

Vá juntando, aos poucos, os secos à mistura de líquidos.

Verta na forma e leve a cozer durante cerca de 40 minutos ou até um palito sair seco.

Retire do forno e desenforme com cuidado (eu passo uma faca de manteiga pelas laterais da forma e pela chaminé, de forma a descolar o bolo e a garantir que sai direitinho. Leve a arrefecer sobre uma rede forrada com papel vegetal ou sobre o prato de servir. Deixe arrefecer.

 

Molho de caramelo salgado

(receitas no meu livro "Estava Tudo Ótimo!")

 

Versão rápida:

 12 caramelos de nata

Água qb

1 pitada de sal ou flor de sal

 

Leve os caramelos ao lume num tachinho de fundo espesso. Junte cerca de uma colher de sopa de água e vá mexendo com o batedor de varas, até os caramelos estarem derretidos. Se achar que está muito espesso, junte mais um pouco de água – a ideia é obter um molho de caramelo nem muito grosso, nem muito fluído. Tempere com o sal e está pronto a usar.

 

Versão normal:

3 colheres de sopa de açúcar (branco, amarelo ou de coco)

3 colheres de sopa de água

3 colheres de sopa de natas

1 pitada de sal ou flor de sal

 

Leve o açúcar e a água ao lume num tacho de fundo espesso. Tape, para manter a humidade e assim o açúcar não cristalizar. Passado cerca de 10 minutos, levante a tampa e vá vigiando a cor do caramelo, tapando e destapando, sem nunca cair na tenção de mexer. Desligue assim que tiver adquirido um tom dourado âmbar e sentir o cheiro bom do caramelo. Lembre-se que se deixar demasiado tempo ao lume e ficar demasiado escuro, vai ficar com sabor amargo. Junte as natas com cuidado (vai borbulhar bastante) e mexa bem com um batedor de varas. Junte o sal, volte a mexer, e está pronto a usar.

Acrescentado em 20/11/2018: para este bolo, aconselho a dobrar qualquer uma das receitas de caramelo.

Notas:

- Qualquer um dos caramelos fica mais espesso com o passar do tempo. Se não for usá-lo de imediato, talvez necessite de o aquecer na hora e juntar mais um pouco de água ou de natas;

- Outra técnica para que o açúcar não cristalize quando está a caramelizar é manter ao pé do fogão uma taça com água e um pincel e ir pincelando com água as laterais internas do tacho, junto ao açúcar.

 

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MAIS RECEITAS COM MAÇÃ:

 

Teresa Rebelo

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