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Lume Brando

27
Fev20

A minha receita de hummus de pimento [E o vinho do Lidl]

O vinho do Lidl

O vinho do Lidl

 

"Não julgues o vinho pelo rótulo!", "Não julgues o vinho pelo rótulo!"

Este tem sido o meu mantra desde que no fim de semana passado fui à Essência do Vinho, a convite do Lidl e do seu projeto Casa do Vinho.

 

De facto, não sendo especialista na matéria, mas sendo consumidora ocasional, em contexto de festa ou num jantar mais caprichado, muitas vezes escolhi o vinho pelo rótulo e pelo nome, de forma apressada, a meio das compras. Ou seja, não sou daquelas pessoas que vão a uma garrafeira para se aconselharem ou têm uma app instalada no telemóvel com críticas e pontuações a vinho. E como não gosto de gastar fortunas, também presto atenção ao preço das garrafas.

 

No entanto, confesso que até agora olhava para muitos dos vinhos à venda no Lidl com alguma desconfiança. Porque não os conhecia e achava os preços (mesmo para mim, que olho para os preços e sou um pouco forreta, incrivelmente baixos). Too good to be true, conhecem a sensação?

 

O vinho do Lidl

 

Foi por isso uma agradável notícia, saber pela voz da especialista Maria João Almeida, que as marcas próprias e exclusivas do Lidl são vinhos com uma excecional relação qualidade-preço, sendo criados e produzidos por enólogos e quintas de referência.

 

Tanto na Essência do Vinho, evento que decorreu no Palácio da Bolsa, no Porto, como no jantar que se seguiu, pudemos provar vários dos vinhos Lidl e confirmar que não é preciso gastar muito dinheiro para servir um bom vinho aos nossos amigos e familiares, existindo opções adequadas aos mais diversos pratos e momentos.

 

Um exemplo é o Azinhaga de Ouro da região do Douro. Na versão 'branco' é um vinho leve e fresco, de acidez equilibrada. Combina as castas Malvasia Fina, Viosinho e Gouveio e, sendo um vinho seco, apresenta no entanto alguma doçura. Custa €2,29 a garrafa.

 

Já o Azinhaga de Ouro 'tinto reserva', feito de uvas Touriga Nacional, Touriga Francesa e Tinta Roriz apresenta uma intensidade média, mostrando-se seco e equilibrado. Cada garrafa custa €2,99.

 

São vinhos simples, para todos os dias, que podemos servir com pratos e petiscos leves, sendo o Azinhaga de Ouro Branco adequado, por exemplo, para acompanhar queijos suaves ou marisco cozido (ou o meu hummus de pimento), e o Azinhaga de Ouro Tinto Reserva apropriado para fazer companhia a umas espetadas de peru (ou a uma paleta de porco preto, digo eu).

 

O vinho do Lidl

 

Para além dos vinhos do Douro, nas prateleiras do Lidl há vinhos próprios e exclusivos igualmente económicos e 'corretos' de outras regiões: Dão, Alentejo, Setúbal, incluindo vinhos licorosos. Para saberem mais, espreitem aqui.

 

E antes de passarmos à minha receita de hummus de pimento e brindarmos com Azinhaga de Ouro aos dias mais luminosos que aí vêm, queria só partilhar algumas dicas que nos foram passadas pela Maria João no evento do Lidl, e que ajudam a decidir que vinho servir com os nossos pratos e receitas:

 

  • Um prato leve pede um vinho simples e fresco e um prato mais complexo e condimentado pede um vinho mais encorpado; isto para que o sabor da comida não anule o sabor do vinho nem vice-versa;
  • Os pratos mais fortes em gordura ficam bem acompanhados de um vinho com uma boa acidez, para ajudar a 'cortar' a gordura - exemplo: leitão e espumante;
  • O vinho que acompanha a sobremesa deve ser mais doce do que esta, caso contrário irá parecer amargo e sem sabor.

 

De seguida deixo-vos o meu hummus de pimento vermelho (na verdade, não sei se posso chamá-lo de hummus porque não leva tahini, a pasta de sésamo típica desta receita árabe), receita bastante pedida quando partilhei uma outra foto no IG.

Cheers!

O vinho do Lidl

 

HUMMUS DE PIMENTO VERMELHO [SEM TAHINI]

 

1 frasco de grão de bico cozido

130 g de pimento vermelho assado em conserva, bem escorrido

2 dentes de alho

75 g de azeite

1 fio de sumo de limão

Pimenta preta qb 

Opcional: azeite, paprika e sementes de sésamo para decorar

 

Passar o grão por água e escorrer bem.

Colocar todos os ingredientes num robot de cozinha (à exceção dos ingredientes opcionais/para decorar), e pulsar até obter uma pasta espalhável.

Verificar a textura, provar e retificar algum ingrediente, se for necessário.

Notas:

- Normalmente não adiciono sal, mas é uma questão de provarem e verem se é necessário acrescentar.

- Aguenta bem até três ou quatro dias, bem fechado, no frigorífico.

 

MAIS RECEITAS PARA PETISCAR:

21
Fev20

Salame de chocolate saudável [para comer quase sem culpa]

Salame de chocolate saudável

 

Cá em casa todos gostamos de salame de chocolate. Mas a verdade é que as receitas clássicas são um atentado a qualquer tentativa de levar uma alimentação equilibrada e sem asneiras. Sim, porque quem é que consegue comer uma só fatia?!

 

Já testei várias receitas mais saudáveis, mas nunca fiquei tão satisfeita como com esta, que descobri no livro da cadeia de restaurantes Go Natural (um livro fantástico btw).

 

Confesso que fiz o salame a medo, tão inovadora me pareceu a receita, sem manteiga, sem ovos e sem açúcar. Como não podia deixar de ser, fiz algumas alterações ao original, mas foram mínimas: usei bolacha maria integral, dobrei as quantidades, troquei a maçã pela pêra e envolvi-o em açúcar em pó, para lhe dar um aspeto mais "credível" 🤣

 

Se fizerem este salame, digam-me se gostaram tanto dele como eu!

Salame de chocolate saudável

SALAME DE CHOCOLATE SAUDÁVEL

Adaptado ligeiramente a partir de uma receita do livro "Let's Go Natural"

 

220 g de bolacha maria integral (compro no Lidl)

100 g de pêra ralada

90 g de chocolate em pó

90 g de queijo creme (usei Philadelphia)

Açúcar em pó para envolver (opcional)

 

Triture a bolacha grosseiramente.

Junte a pêra ralada, o chocolate em pó e o queijo creme.

Molde em forma de salame e embrulhe em papel vegetal.

Leve ao frigorífico para ganhar consistência.

Se quiser, passe por açúcar em pó e ate o salame com um fio, para fingir que é um salame de carne.

 

Notas:

- Usei o robot de cozinha para triturar a bolacha e depois introduzi os restantes ingredientes e pulsei aos poucos até obter uma mistura moldável;

- Ralei a pêra num ralador manual;

- Não aconselho a trocarem o chocolate em pó por cacau: uma vez que não leva açúcar, poderia ficar amargo.

 

OUTRAS RECEITAS SAUDÁVEIS COM CHOCOLATE:

 

14
Fev20

Almôndegas vegetarianas [Diz-me o que lês #27]

Almôndegas vegetarianas

Livro Vegetariano em part-time

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #27

"Vegetariano em part-time" - Jo Pratt - ArtePlural Edições*

 

Quando vi o título deste livro, identifiquei-me de imediato.

"Vegetariano em part-time" é uma forma bem mais criativa de designar o 'flexitariano', ou seja, aquele que nos seus hábitos alimentares inclui a carne (e o peixe), de vez em quando, mas privilegia os ingredientes de origem vegetal e as refeições vegetarianas. Parabéns, por isso, para quem traduziu para português o título do livro, que no original é "The flexible vegetarian".

Se aí desse lado estão também a fazer este caminho flexitariano, vão adorar este livro.

 

Livro Vegetariano em part-time

 

Aviso à navegação: este livro, com grande pena minha, não tem receitas de sobremesas.

Pelas minhas contas, são quase 90 receitas 'salgadas', distribuídas por diferentes tipos e momentos de refeição como podem ver no índice:

 

  • Introdução
  • A despensa de um vegetariano flexível
  • Pequenos-almoços e brunches
  • Sopas/caldos
  • Pratos simples
  • Pratos elaborados
  • Molhos/petiscos
  • Carne/Peixe cozinhados no ponto
  • Índice remissivo
  • Agradecimentos

 

São receitas desempoeiradas, modernas e criativas, que pometem ter bastante sabor. Foi difícil escolher a receita para trazer a este post. Acabei por optar pelas almôndegas, cujo nome original é 'almôndegas de beringela e quinoa com molho de tomate', porque tinha encontrado umas beringelas ótimas na feira e assim já tinha uma das refeições da semana decidida (ainda que tivesse algum receio de que os rapazes não fossem gostar).

 

Não posso dizer que estas são as melhores almôndegas vegetarianas que já comi, mas não ficaram nada mal e os rapazes aderiram facilmente a esta opção sem proteína de origem animal. Serviram-se mais do que uma vez, e o mais velho, no início um pouco reticente, terminou a mencionar a célebre frase "Primeiro estranha-se, depois entranha-se" 😆

 

No livro, de destacar que, à exceção das receitas do capítulo "Carne/peixe", todas as receitas são vegetarianas. A componente 'flexível' é dada como comentário ou sugestão de rodapé, em que a autora nos diz como podemos incluir ingredientes de origem animal na receita, de forma a torná-la um pouco diferente ou mais substancial.

 

Quanto à autora, Jo Pratt, é uma chef e food stylist inglesa, autora de livros de cozinha premiada, sendo o "Vegetariano em part-time" o seu terceiro e penúltimo livro. O mais recente dá pelo título "The flexible pescatarian".

 

Almôndegas vegetarianas

 

Resumindo: graficamente, "Vegetariano em part-time" é dos livros mais simples e simultaneamente mais bonitos de que já falei aqui. As fotografias são lindas, com um styling minimalista mas perfeito. Está bem escrito e as receitas parecem estar bem detalhadas. Definitivamente, um livro de cozinha vegetariana que dá vontade de folhear vezes sem conta e fica bem em qualquer cozinha.

 

Como sempre, esta rubrica contou com o apoio da Livraria Bertrand, onde pode comprar e saber mais sobre o livro >>> Bertrand Online

 

*Este post contém links afiliados

Almôndegas vegetarianas

ALMÔNDEGAS VEGETARIANAS

Ligeiramente adaptado da receita de beringela e quinoa do livro "Vegetariano em part-time", de Jo Pratt

 

Para cerca de 32 almôndegas

100 g de quinoa cozida

Azeite qb

1 cebola finamente picada

2 dentes de alho picados

2 beringelas médias em cubos (cerca de 450 g, pesadas inteiras)

200 g de cogumelos marron em cubos

75 g de pão ralado (usei caseiro)

50 g de queijo parmesão em lascas

50 g de azeitonas pretas descaroçadas

1 ovo

4 colheres de sopa de chia

6 colheres de sopa de flocos de aveia grossos

1 mão-cheia de folhas de manjericão

Sal e pimenta preta

 

Molho de tomate para servir

 

Numa frigideira, coloque um bom fio de azeite e refoque a cebola até começar a querer ganhar cor. Junte o alho, deixe cozinhar um pouco e adicione as beringelas.

Quando começarem a amolecer, junte os cogumelos e deixe cozinhar até estar tudo bem macio, o que deve demorar uns 20 minutos.

Tempere com sal e pimenta e deixe arrefecer uns 10, 15 minutos.

Coloque esta mistura no robot de cozinha, junte todos os outros ingredientes, coloque um pouco mais de sal e pimenta preta e triture até obter uma mistura moldável.

Faça bolinhas, coloque-as num tabuleiro forrado com papel vegetal e leve ao frigorífico para ficarem mais firmes (eu fiz as minhas de véspera).

Quando for cozinhar, unte com azeite uma frigideira grande antiaderente, aqueça bem e cozinhe as almôndegas (sem as sobrepor, se não couberem todas na frigideira, faça em duas vezes), rodando-as com cuidado, até ficarem tostadinhas por todo.

Sirva com molho de tomate bem quente e couscous ou massa cozida.

Pode decorar com folhas de manjericão e lascas de parmesão.

 

MAIS RECEITAS VEGETARIANAS:

 

12
Fev20

Pound cake de mirtilos e framboesas [com azeite e farinha de espelta]

Pound cake de mirtilos e framboesas

 

O 'pound cake' é uma receita antiga inglesa - descobri que há referências a este bolo que datam do século XVIII -  cujo nome se deve à quantidade, em pounds (lb), ou seja, em libras, dos ingredientes, sendo que uma libra equivale a cerca de 450 gramas.

 

Assim, a receita original de pound cake pedia 1 libra de farinha, 1 libra de manteiga, 1 libra de ovos e 1 libra de açúcar (de referir que a origem do nome da moeda inglesa também está ligada a esta unidade de medida, devendo-se ao facto de, há muitos séculos, se usar o peso das moedas como sinónimo do seu valor). 

 

Quanto ao facto de, tradicionalmente, se usar uma forma de bolo retangular para este bolo, não consegui encontrar nenhuma explicação, mas é curioso que, para nós, esta forma se chame "de bolo inglês".

Pound cake de mirtilos e framboesas

 

Agora, a boa notícia, caso se tenham assustado com a quantidade dos ingredientes referida acima: este não é um verdadeiro pound cake!

 

Na verdade, com o tempo, passou a designar-se como 'pound cake' este tipo de bolo, independentemente da proporção dos ingredientes ou da inclusão de ingredientes adicionais ou alternativos. Este pound cake de mirtilos e framboesas que hoje vos trago, por exemplo, é feito com azeite em vez de manteiga e farinha de espelta em vez da farinha de trigo tradicional (e um pouco de sêmola de milho ou farinha de polenta, para conferir à massa uma textura especial).

 

Enriquecido com um glacé de limão guloso, este bolo ficou uma delícia. A única coisa que me enervou foi o facto dos frutos terem ido parar todos ao fundo da forma, apesar de os ter envolvido em farinha antes de os adicionar à massa, e apesar de ter reservado alguns que introduzi na massa apenas quando esta já estava na forma... se tiverem alguma dica infalível para que fiquem uniformemente espalhados pelo bolo, por favor partilhem!

Pound cake de mirtilos e framboesas

 

POUND CAKE DE MIRTILOS E FRAMBOESAS

 

Para o bolo

4 ovos (usei caseiros)

190 ml de azeite extravirgem suave

180 g de açúcar

Raspa de 1 limão

30 g de sêmola de milho (ou farinha para polenta)

170 g de farinha de espelta

1 colher de chá cheia de fermento em pó

1 colher de café de bicarbonato de sódio

175 g de framboesas e mirtilos (ou outros frutos vermelhos)

 

Para o glacé

1,5 chávenas* de açúcar em pó

Sumo de limão qb

*250 ml de capacidade

 

Ligue o forno nos 180º.

Unte muito bem uma forma de bolo inglês com cerca de 12 cm x 26 cm.

Numa taça, bate bem os ovos com o açúcar, o azeite e a raspa de limão.

Junte a sêmola de milho e depois, peneirando, envolva a farinha, o fermento e o bicarbonato.

Envolva os frutos em farinha (uma tentativa para que não se afundem) e junte a maior parte à massa, reservando alguns para espalhar por cima da massa já na forma (outra tentativa, algo inglória, para que não vão todos parar ao fundo).

Verta a massa para a forma, espalhe os frutos que deixou para o fim e leve a cozer cerca de 1 hora (faça o teste do palito para ver se está pronto, este deve sair limpo quando espetado no centro do bolo).

 

Para o glacé, coloque o açúcar em pó numa taça, junte um bom fio de sumo de limão e mexa com um batedor de varas. Junte mais sumo se achar que precisa, mas apenas a quantidade estritamente necessária para obter um glacé macio e brilhante, mas ainda assim grosso e opaco. Verta por cima do bolo já arrefecido. Se desejar, termine com raspas de limão.

 

GOSTARAM DESTE BOLO? ENTÃO, TAMBÉM VÃO GOSTAR DESTES:

 

31
Jan20

Bolo de ananás invertido [Diz-me o que lês #26]

Bolo de ananás

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #26

"Amor em fatias" - Gilberto Costa - A Esfera dos Livros*

 

 

Por mais que me esforce, não consigo resistir a livros com receitas de bolos. Nada a fazer.

Desta vez, quem me piscou o olho foi o Amor em fatias do chef Gilberto Costa.

[Curiosidade: descobri que no Porto há uma casa de chá com o mesmo nome, "Amor em Fatias", mas pelo que li não tem nada a ver com o Chef Gilberto Costa.]

Este é já o terceiro livro deste autor. Não conheço os anteriores, sei que um é de receitas de bolachas e biscoitos, outro de sobremesas 'equilibradas', intitulado Prazer sem Pecado.

Livro Amor em Fatias

Natural dos Açores, Gilberto Costa tem o Curso Profissional de Cozinha e Pastelaria da Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril, a par da licenciatura em Produção Alimentar na Restauração e do Mestrado em Segurança e Qualidade Alimentar na Restauração. Atualmente é docente na Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril, sendo convidado com frequência para eventos e programas televisivos.

No Amor em Fatias encontramos 70 receitas de bolos "das nossas avós que nos fazem viajar no tempo", organizadas pela sua origem:

  • Alemanha
  • Áustria
  • Bélgica
  • Brasil
  • França
  • Grécia
  • Inglaterra
  • Portugal - Açores
  • Portugal - Alentejo
  • Portugal - Algarve
  • Portugal - Beira
  • Portugal - Douro e Minho
  • Portugal - Estremadura
  • Portugal - Madeira
  • Portugal - Trás-os-Montes e Alto Douro
  • Suécia
  • Suiça

 

Algumas das receitas são já bastante conhecidas e comuns, outras são mais originais e apelativas, como o Bolo de Chocolate Suiço, feito com discos da massa de palitos La Reine, creme de chocolate e chantilly, ou o Bolo Mimoso, do Algarve, que leva fios de ovos e tangerina cristalizada na massa, ou ainda o Bolo de Maçã com Cerveja.

É um livro muito simples e apenas de receitas. Não há extras, como receitas de cremes, recheios ou outras preparações "de base", nem há capítulos mais teóricos ou técnicos sobre pastelaria. Mas, na verdade, também já há muitos livros que incluem esta componente, certo?

 

Bolo de ananás

 

Se é o melhor livro de receitas de bolos que já vi? Não. Até porque a descrição das receitas é muito sucinta, provavelmente por terem sido escritas por um chef de pastelaria, para quem a confeção dos bolos não tem segredo e sabe os detalhes de cor. As receitas não nos dizem, por exemplo, o tamanho das formas a utilizar.

 

Outro dos aspetos menos positivos é o facto das receitas serem bastante calóricas. Achei que, de uma maneira geral, as quantidades de açúcar poderiam ter sido reduzidas, sem comprometerem o resultado final. Aliás, no bolo de ananás que encontram mais abaixo, usei menos açúcar do que pedia a receita original e ficou ótimo. Acredito que o chef Gilberto Costa tenha querido manter-se fiel ao receituário original e, já se sabe, as nossas avós achavam que nos tinham de manter docinhos e rechonchudos.

 

Resumindo: Amor em Fatias é um livro simpático, especialmente dirigido a quem gosta de fazer bolos tradicionais e mimar os amigos e a família ao fim de semana ou nos dias de festa. Um livro para nos fazer viajar à infância e onde provavelmente vamos descobrir receitas que provámos em criança - ou os nossos pais  - e pensávamos perdidas para sempre. As fotografias são bonitas, mas por vezes o plano é tão aproximado que não nos permite apreciar o bolo da melhor maneira.

 

Como sempre, esta rubrica contou com o apoio da Livraria Bertrand, onde pode comprar e saber mais sobre o livro >>> Bertrand Online

 

*Este post contém links afiliados.

Bolo de ananás

BOLO DE ANANÁS

Ligeiramente adaptado do livro "Amor em fatias", Chef Gilberto Costa

 

Para 2 bolos com 16 cm de diâmetro

200 g de açúcar (para o caramelo)

Cerca de 14 rodelas de ananás em conserva (usei das latas pequenas do Lidl)

3 ovos (gemas + claras separadas)

180 g de açúcar 

110 ml de azeite extravirgem suave

50 ml de sumo de ananás

150 g farinha de trigo sem fermento

10 g de fermento em pó

 

Fazer o caramelo com 200 g de açúcar, num tacho de fundo espesso. Mantenha o tacho tapado, para ganhar humidade e o açúcar não cristalizar. Levantar a tampa de vez em quando, rodar o tacho, para uniformizar, e retirar do lume quando atingir uma cor de caramelo âmbar, não demasiado escuro.

Dividir o caramelo pelo fundo das formas. Precisa de ser um processo rápido, para o caramelo não solidificar - se preferir, faça 100 g de caramelo de cada vez. Untar as paredes das formas que não ficaram com caramelo, idealmente com spray desmoldante.

Distribuir as rodelas de ananás pelo fundo das formas e partir em pedacinhos o ananás restante.

Ligar o forno nos 180º.

Bater as gemas com o azeite e o açúcar. Juntar o sumo de ananás (aproveitado das latas) e o ananás em pedacinhos.

Adicionar a farinha e o fermento peneirados.

Bater as claras e e envolver suavemente no preparado anterior.

Distribuir pelas formas e levar a cozer durante cerca de 40 minutos - fazer o teste do palito para ve se está pronto.

 

NOTA: para dar aos bolos um aspeto ainda mais caramelizado, já depois dos bolos prontos fiz nova dose de caramelo e verti sobre os mesmos.

 

MAIS RECEITAS DE BOLOS INVERTIDOS DE FRUTA:

 

27
Jan20

Oficina "Nas Asas do Cacau" [Festival IndieJúnior - Porto]

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Hoje não trago uma receita, mas um convite com sabor a chocolate!

No próximo dia 1 de fevereiro, sábado, às 14h30, irei dinamizar uma oficina de culinária para os mais novos, inserida na programação do 4º Festival Internacional de Cinema Infantil e Juvenil do Porto - IndieJúnior Allianz.

 

"Nas Asas do Cacau - uma oficina com sabor a chocolate" terá lugar no Hotel Zero Box Lodge, na Rua do Ateneu Comercial do Porto, nº13, muito perto do Teatro Rivoli, onde o festival tem o seu epicentro.

 

Durante cerca de uma hora, falaremos sobre este ingrediente mágico chamado chocolate, contarei uma história alusiva da autoria de José Jorge Letria e iremos decorar queques de chocolate em forma de borboleta, que os participantes poderão levar consigo - para comerem, ou para oferecerem a quem mais gostam, tal como a personagem da curta-metragem "Bolo de Coração Derretido", de Benoît Chieux, em exibição no festival, na sessão de curtas-metragem "Todos a Bordo".

 

A Oficina "Nas Asas do Cacau" é especialmente indicada para crianças dos 3 aos 10 anos, acompanhadas de um adulto. Os bilhetes estão à venda aqui >>> Bilheteira Online

Quem se junta a mim nesta viagem achocolatada? 😋

 

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RECEITAS DELICIOSAS COM CHOCOLATE:

 

17
Jan20

Cupcakes de torradas com canela [Diz-me o que lês #25]

Cupcakes de torradas com canela

Cupcakes de torradas com canela

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #25

"O Livro dos Bolos & Cupcakes" - Cupcake Jemma/Jamie Oliver's Food Tube - Porto Editora

 

Este é o livro mais pequeno e fino - incluindo no preço - que até agora trouxe aqui à rubrica. O que não significa que seja aquele com menos valor. Apesar de ter vários livros com receitas de bolos e cupcakes, não tinha nenhum com a chancela do canal  Food Tube, de Jamie Oliver. E queria perceber se a qualidade editorial dos livros do Jamie se mantinha nestas edições mais modestas, de autores que colaboram com o chef no desenvolvimento de receitas e vídeos.

 

A resposta é: sim. O bom gosto e o cuidado no design do livro mantêm-se e as fotografias têm igualmente a assinatura de David Loftus, essa lenda viva da fotografia de comida, ainda que se trate de um livro mais simples: cento e poucas páginas, tamanho A5 e capa 'mole'.

 

Se precisávamos de mais um livro de receitas de bolos e cupcakes? Bem, eu acho que há sempre qualquer coisa de novo e interessante em cada livro. Na clara impossibilidade de os termos todos, a escolha deve refletir os nossos gostos, as nossas preferências na hora de irmos para a cozinha ou até as nossas intolerâncias ou regimes alimentares específicos.

 

Diria que "O Livro dos Bolos & Cupcakes" é para quem ainda não tem um preconceito em relação às receitas com elevadas quantidades de manteiga e açúcar... quase que me atrevo que é um livro politicamente incorreto para os dias de hoje, tais as receitas calóricas que apresenta.

 

O livro dos bolos & dos cupcakes

 

No entanto, conscientes de que estes ingredientes não são os mais saudáveis, podemos sempre guardar estas receitas para dias especiais, ou até partir delas e das combinações de sabores que propõem, para criarmos versões mais saudáveis (não é o caso dos cupcakes de torradas com canela cuja receita que segue mais abaixo, em que respeitei quase religiosamente a receita do livro!)

 

A autora do livro é Jemma Wilson, fundadora da Crumbs & Doilies e a cara do Cupcake Jemma, o canal de Jemma no YouTube. Jemma colabora ainda com o canal de YouTube de Jamie, o FoodTube, daí ter surgido o convite do chef inglês para que fizesse o livro.

 

Para além de um breve capítulo com truques e dicas e de outro com receitas básicas de massas e coberturas, que inclui receitas como a do 'molho de caramelo salgado', de 'ganache' e de 'merengue', entre outras, o livro apresenta as receitas divididas pelas 4 estações do ano. Assim, temos sugestões mais frutadas e frescas para o verão e primavera, e sabores mais reconfortantes para as estações frias. Algumas das sugestões que achei mais interessantes, são:

 

- Cupcakes de chá verde com caramelo crocante de sésamo

- Bolo de limão, pistácio e cardamomo

- Cupcakes vegan de fudge de baunilha

- Cupcakes de mojito

- Cupcakes de amêndoa e molho de cereja (na capa do livro)

- Cupcakes mexicanos de chocolate & malagueta

- Cupcakes de pipocas amanteigadas

- Bolo de Jaffa

- E os Cupcakes de torradas com canela, cuja receita deixo mais abaixo.

 

O livro dos bolos & dos cupcakes

 

No total, "O Livro dos bolos & cupcakes" oferece-nos 50 receitas bem doces, que se comem também com os olhos.

 

Resumindo: Este é um livro prático, com boas receitas para quem ainda não afastou definitivamente o açúcar branco e a manteiga da sua cozinha. Está bem escrito, apresenta um design cuidado, colorido e algo 'feminino'. Todas as receitas surgem fotografadas e ainda que a abordagem fotográfica seja um pouco diferente da dos livros de Jamie, menos depurada, nota-se o clique experiente de David Loftus.

 

Antes de passarmos à receita, relembro que a rubrica "Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes" conta com o apoio da livraria Bertrand 💛

Saber mais/comprar sobre "O Livro dos Bolos & Cupcakes" >>> livraria Bertrand online

 

Cupcakes de torradas com canela

CUPCAKES DE TORRADAS COM CANELA

Ligeiramente adaptado do livro "O Livro dos Bolos & Cupcakes", de Cupcake Jemma

 

Para cerca de 12 queques

3 fatias de pão rústico

130 g de manteiga sem sal amolecida

100 g de açúcar

15 g de açúcar mascavado escuro

100 g de farinha com fermento

1/4 de colher de chá de bicarbonato de sódio

1 colher de chá de canela em pó

2 ovos

1 colher de sopa de leite

 

Para a cobertura:

150 g de manteiga sem sal amolecida

300 g de açúcar em pó

Canela moída a gosto

2 colheres de sopa de leite

 

Ligue o forno nos 170ºC.

Torre as fatias de pão, barre-as com manteiga e volte a levá-las ao forno ou à torradeira até estarem bem tostatinhas e possam ser trituradas no robot de cozinha. Deixe arrefecê-las, triture-as e reserve.

Forre uma forma de queques com formas de papel.

Na taça da batedeira, junte os açúcares e bata pata desfazer eventuais grumos.

Adicione, peneirando, os restantes ingredientes secos.

Junto os ovos, a manteiga e 25 g das torradas e bata com a batedeira durante 1 minuto.

Adicione o leite e bata até estar bem integrado.

Distribua a massa pelas formas de papel - não encha demasiado, apenas até 1/3 da forma de papel (é capaz de obter mais do que 12 queques).

Leve ao forno durante cerca de 20 minutos.

Deixe arrefecer um pouco, retire da forma de queques e deixe arrefecer sobre uma rede.

 

Para a cobertura, bata a manteiga até estar lisa e brilhante e depois vá juntando o açúcar em pó e a canela, batendo bem. Junte o leite - veja se necessita de adicionar mais açúcar ou mais leite, até obter um creme macio, mas com firmeza para se usar o bico pasteleiro (opcional) e aguentar a forma.

 

Termine polvilhando os queques com o pão torrado triturado e, se desejar, um pouco da mistura de açúcar granulado com canela.

Descobri (depois de os fazer!), que a Jemma tem um vídeo com esta receita! Cliquem aqui para ver.

MAIS RECEITAS DE QUEQUES E CUPCAKES:

15
Jan20

Bolo de limão merengado [porque hoje quem manda sou eu 😁]

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O ano passado foi assim.

Este ano, voltei a dar ao meu aniversário o sabor do limão. Afinal, é o meu ingrediente favorito para bolos e sobremesas. E hoje, quem manda sou eu 🤩

 

A-D-O-R-O esta forma de bolo [modelo 'Charlotte' da Nordic Ware], que me veio parar às mãos através da loja lecuine.com No instagram já tinha partilhado uma foto de um bolo de laranja, cenoura e chocolate em que a tinha usado e, depois da versão que vos trago hoje, continuo com imensas ideias para outras combinações vistosas nesta forma incrível.

 

Para a massa, adaptei [ou melhor, simplifiquei ainda mais] a receita de bolo de limão merengado do livro "Um bolo por semana" de Rita Nascimento, aka La Dolce Rita. Depois, reguei-o com uma calda  de limão e açúcar, enchi a cavidade da forma com lemon curd*, fazendo com que escorresse pelas laterais, e por fim decorei com uma camada generosa de merengue suiço* que queimei com o maçarico.

 

Pode parecer complicado, mas não é! Se forem fãs de limão, como eu, guardem esta receita e ponham-na em prática assim que conseguirem: prometo que não se irão arrepender.

 

*Também encontram estas receitas no meu livro "Estava tudo ótimo!".

bolo_charlotte1.jpg

O MEU BOLO DE LIMÃO MERENGADO

 

Para o bolo:

200 g de açúcar

Raspas de 1 limão grande

4 ovos

1 iogurte natural

120 ml de azeite extravirgem

180 g de farinha sem fermento

1 colher de chá de fermento em pó

 

Para a calda:

Sumo de 1 limão + a mesma quantidade de água

4 colheres de sopa de açúcar 

 

Para o lemon curd:

2 ovos L
100 ml de sumo de limão
140 g de açúcar
50 g de manteiga à temperatura ambiente
1 colher de sopa de raspa de limão

 

Para o merengue suiço

2 claras de ovos L

90 g de açúcar

 

Comece por fazer o lemon curd (pode fazê-lo com alguns vários dias de antecedência e mantê-lo guardado bem fechado no frigorífico): num tachinho de fundo espesso, misture bem os ovos com o açúcar e o sumo de limão. Leve ao lume médio, mexendo sempre com um batedor de varas, para não ganhar grumos, até engrossar, o que deve demorar menos de 10 minutos (deve ficar um creme não demasiado espesso, uniforme e brilhante, que irá ficar mais consistente depois de arrefecido). Retire do lume e incorpore a manteiga e a raspa de limão. Espere um ou dois minutos e mexa com um batedor e varas, até a manteiga estar bem derretida e bem distribuída pelo creme. Verta para frascos limpos, deixe arrefecer, tape e guarde no frigorífico até usar. Conserva-se bem tapado no frigorífico cerca de 15 dias.

 

Para o bolo, comece por ligar o forno nos 180ºC.

Unte muito bem a forma (idealmente, deve usar-se a forma 'Charlotte' da Nordic Ware, no entanto, pode usar-se uma forma redonda normal, com 20 cm de diâmetro e, depois de cozido e arrefecido, abre-se uma cavidade no bolo, retirando massa e criando espaço para o lemon curd).

Numa taça, bata o açúcar com o iogurte e as raspas de limão

Junte os ovos e bata bem.

Adicione o azeite e mexa bem.

Peneire a farinha e o fermento para a taça e envolva com cuidado.

Verta para a forma e deixe cozer cerca de 40 minutos ou até um palito sair limpo.

Retire, deixe arrefecer um pouco e desenforme.

 

Faça a calda, misturando o açúcar com o sumo de limão e a água e levando ao lume uns 5 minutos, até engrossar um pouco.

Pique o bolo já frio e regue com a calda quente. Deixe arrefecer.

Entretanto, prepare o merengue suiço: na taça da batedeira junte as claras e o açúcar e leve ao lume em banho-maria (a taça das claras não deve tocar na água da panela). Vá mexendo sempre até o açúcar se ter dissolvido e a mistura estar quente ao toque.

Leve a taça para a batedeira e comece a bater, primeiro numa velocidade baixa e depois em velocidade média alta, até o merengue ter quase arrefecido e ficar brilhante, uniforme e bastante firme - no total serão cerca de 7 minutos a bater.

Para decorar o bolo, espalhe uma dose generosa de lemon curd na cavidade do bolo (é provável que lhe sobre lemon curd), fazendo escorrer pelas laterais, e espalhe por cima o merengue, dando-lhe uma forma algo rústica (se preferir, pode usar bico pasteleiro, como fiz com o chocolate aqui).

Queime a gosto com o maçarico.

 

Pode fazer o bolo e regá-lo com a calda de véspera (fica ainda melhor). No dia, faça o merengue e siga os passos descritos acima.

bolo_charlotte5.jpg

MAIS RECEITAS - DELICIOSAS! - COM LIMÃO:

 

 

10
Jan20

Gnudi [ou almôndegas de requeijão - Diz-me o que lês #24]

Jamie e a Cozinha Italiana

Gnudi (almôndegas de requeijão)

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #24

"Jamie e a Cozinha Italiana - Uma viagem ao coração de Itália" - Jamie Oliver - Porto Editora

 

Ainda que já tenha sido mais popular - as notícias sobre o insucesso financeiro de alguns dos seus projetos contribuíram para essa 'queda' - Jamie Oliver dispensa apresentações. E se há alguém que sabe fazer livros de cozinha, é seguramente este chef inglês e a sua equipa.

 

Pelas minhas contas, este é já o 22º livro de Jamie. E não é o primeiro a abordar a cozinha italiana. A paixão de Jamie Oliver por esta gastronomia é conhecida, muito por influência da sua passagem pelo restaurante River Café, no início da sua carreira, e também pela sua longa e forte amizade com Gennaro Contaldo, com quem, aliás, viajou por toda a Itália para fazer este livro.

 

Ainda que os sabores e as técnicas culinárias italianas estejam, de alguma forma, presentes em todos os seus livros, nos volumes "Jamie Does...", onde surge um capítulo dedicado a Itália, e no "Jamie's Italy", o seu amor por esta cozinha tinha sido já destacado. Tanto que quando me apercebi do lançamento deste livro, o meu primeiro pensamento foi "O quê? Mais um sobre Itália?" 🤪

Jamie e a Cozinha Italiana

 

Mas se é verdade que Jamie e a sua equipa sabem baralhar e dar de novo como ninguém - são peritos em reaproveitar receitas, alterando-lhes pequenos detalhes e apresentando-as com novas roupagens, como se fossem inéditas - também é certo que a riqueza e a capacidade de sedução dos sabores italianos prestam-se a isso mesmo, sem nunca nos cansarem.

 

Este é um livro à Jamie: grande formato, capa dura, 410 páginas, fotos maravilhosas de David Loftus - um dos melhores fotógrafos de comida do mundo (cuja carreira e sucesso são indissociáveis da sua parceria de anos e anos com Jamie), mais de 200 receitas, bem escrito, design gráfico irrepreensível.

 

O índice divide-se pelos seguintes capítulos:

  • Introdução
  • Antipasti
  • Saladas
  • Sopas
  • Massas
  • Arroz e Dumplings
  • Carne
  • Peixe
  • Acompanhamentos
  • Pão & Afins
  • Sobremesas
  • As bases

 

Um dos aspetos mais bonitos do livro (ainda que noutros dos seus livros Jamie já o tenha feito), é o facto nos dar a conhecer várias "nonnas" - "avós" italianas que cozinham magistralmente e há anos para as suas famílias e/ou pequenos restaurantes, partilhando algumas das suas receitas e dicas.

 

Jamie e a Cozinha Italiana

A receita que escolhi para testar, e que segue mais abaixo, foi a de "gnudi", que no italiano da Toscana significa "nu". O nome deve-se ao facto de serem feitos apenas com ricotta (usei requeijão), um recheio clássico dos raviolli, ou seja, é como se fossem raviolli "nus", sem a massa 😉.

 

Resumindo: "Jamie e a Cozinha Italiana" não é um livro inovador, nem no tema, nem no tipo de receitas, a que o Jamie Oliver nos habituou nos seus livros anteriores. No entanto, nota-se uma certa simplicidade, sobretudo no número de ingredientes das receitas e nos métodos de confeção, que me agradou bastante. É um livro muito bem feito, daqueles que se folheia com muito prazer e onde se colam post-its em quase todas as páginas.

 

Como sempre, esta rubrica teve o apoio da Livraria Bertrand 💛 em cuja loja online podem saber mais e comprar o livro >>> Bertrand online*

 

*Link afiliado

Gnudi (almôndegas de requeijão)

GNUDI [Almôndegas de requeijão]

Ligeiramente adaptado do livro "Jamie e a Cozinha italiana", de Jamie Oliver

 

Para 3 - 4 pessoas

 

500 de requeijão

50 g de parmesão ralado + um pouco para polvilhar no final

500 g de sêmola de milho para polenta

1 pitada de sal

1 pitada de pimenta preta acabada de moer

750 ml de molho de tomate caseiro

100 g de nabiças ou brócolos

Noz moscada para ralar na altura

 

De véspera, fazer as bolinhas:

- Colocar a farinha para polenta num prato fundo

- Escorrer o requeijão, desfazê-lo e misturá-lo com o parmesão ralado finamente e um pouco de sal e pimenta preta acabada de moer

- Fazer bolinhas (um pouco mais pequenas do que as almôndegas tradicionais) e passâ-las pela polenta, colocando-as noutra assadeira.

- Verter a polenta sobre as almôndegas, para cobri-las

- Levar ao frigorífico - mínimo 8 horas - sem tapar

 

No dia seguinte:

- Ligar o forno nos 180ºC

- Dar uma fervura aos brócolos ou às nabiças (devem ficar al dente)

- Colocar o molho de tomate num prato relativamente fundo de ir ao forno

- Dispôr as almôndegas, sacudindo o excesso de polenta

- Dispor os brócolos ou as nabiças

- Polvilhar com noz moscada e queijo parmesão ralado

- Levar ao forno até borbulhar e as almôndegas ficarem crocantes e tostadinhas

 

Servir com umas boas fatias de pão rústico.

 

Nota: nas fotos, está o resultado dos gnudi seguindo a receita original, que diz para se cozerem os mesmos em água com sal e passá-los por manteiga e noz moscada antes de se levarem ao forno no molho de tomate. No entanto, achei difícil este processo (os meus gnudi - prefiro chamar-lhes almôndegas - começaram a desfazer-se). Como não cozi todos, resolvi levar alguns ao forno sem cozer antes mas igualmente numa cama de molho de tomate, mantendo a capa de polenta (que desaparece na água de cozedura). Ficaram deliciosos e ainda melhores do que os primeiros, pois a polenta dá ao prato um contraste de texturas fantástico.

Gnudi (almôndegas de requeijão)

OUTRAS RECEITAS COM INSPIRAÇÃO ITALIANA:

09
Jan20

Tarte de leite-creme e tângeras [Feliz Vinte-vinte!]

tarte_leite_creme_laranja_4.jpegtarte_leite_creme_laranja_7.jpeg

Feliz Ano Novo!

Por aqui, o começo de 2020 faz-se com fruta da época.

 

No fim de semana passado, trouxe do pomar dos meus pais um cesto cheio de tângeras. Por muito que goste de comê-las ao natural (apesar de terem muitas sementes) ou beber o seu sumo, é impossível não querer usar algumas em bolos ou sobremesas.

 

Já agora, e por que sei que não é uma variedade muito comum, cito o que a Infopédia diz sobre a tângera: "citrino de cor laranja e polpa cor de laranja, forma achatada, sumarento e adocicado, de tamanho maior do que a tangerina e menor do que a laranja vulgar, resultante de hibridação da tangerineira (Citrus retuclata) com a laranjeira-doce (Citrus sinensis)."

 

tarte_leite_creme_laranja_5.jpeg

 

Não foi fácil escolher a receita. Ou melhor, foi difícil fugir do típico bolo, que é o que nos vem logo à cabeça quando temos esta fartura de citrinos. Mas queria experimentar algo diferente e lembrei-me da receita de Tarte de leite-creme com baunilha e citrinos do livro "Tartes Caseiras", de Linda Lomelino.

 

Repliquei a receita com alguns ajustes (a receita original leva laranjas sanguíneas e toranjas, por exemplo) e partilho-a de seguida, com os votos de um feliz e doce vinte-vinte!

 

tarte_leite_creme_laranja_11.jpeg

TARTE DE LEITE-CREME E TÂNGERAS

Ligeiramente adaptado do livro "Tarte Caseiras" de Linda Lomelino

 

Para a massa:

1 chávena de farinha de trigo sem fermento (cerca de 140 g)

2 colheres de sopa de açúcar (usei mascavado)

1/4 de colher de chá de sal

100 g de manteiga derretida

 

Para o recheio:

1 vagem de baunilha (não usei)

3 colheres de sopa de açúcar (usei 1,5 colheres de mascavado e 1,5 colheres de açúcar baunilhado*)

1 + 1/4 de chávenas de natas (de preferência das mais líquidas, que não são para bater)

1 colher de chá de raspa de tângeras

6 colheres de sopa de sumo de tângeras

4 gemas

4 colheres de sopa de açúcar mascavado

12 - 16  rodelas de tângera, sem casca e sem sementes.

 

Ligue o forno nos 175ºC.

Prepare uma forma de tarte retangular com cerca de 10 cm x 35 cm.

Coloque numa taça a farinha, o açúcar, o sal e a manteiga derretida.

Primeiro mexa com um garfo e depois trabalhe a massa com as pontas dos dedos até ficar suave e uniforme.

Com esta massa, forre o fundo e os lados de uma forma de fundo amovível retangular, com cerca de 10 cm x 35 cm, espalhando bem e calcando com os dedos.

Pique com um garfo e leve a cozer durante cerca de 22 minutos. Retire do forno e reduza a temperatura deste para os 150ºC.

Entretanto, prepare o recheio.

Abra a vagem de baunilha (se for usar) no sentido do comprimento e raspe as sementes.

Coloque as sementes e a vagem num tacho, juntamente com as natas, metade do açúcar e a raspa das tângeras.

Leve ao lume até fervilhar.

Adicione o sumo de tângera e junte as gemas, previamente batidas com o restante açúcar.

Deixe arrefecer.

Quando a base e o recheio estiverem praticamente frios, coloque a tarteira na prateleira central do forno, coe a mistura das natas e verta-a sobre a tarteira.

Deixe cozer durante cerca de 35 minutos. 

Retire do forno (o centro ainda deve estar pouco firme), deixe arrefecer e leve ao frigorífico pelo menos duas horas.

Entretanto descasque e parta as tângeras (ou os citrinos que está a usar), retirando-lhes as sementes com cuidado.

Espalhe duas colheres de sopa de açúcar sobre a tarte e queime com um maçarico.

Disponha as rodelas de tângera, polvilhe com o restante açúcar e volte a queimar.

Está pronta a servir.

 

*Como não tinha baunilha em vagem, substituí parte do açúcar por açúcar baunilhado (de compra, que me tinha sido oferecido), no entanto achei que o sabor ficou um nadinha artificial, pelo que aconselho a não usarem, caso também não tenham a baunilha.

tarte_leite_creme_laranja_8.jpg

OUTRAS RECEITAS COM CITRINOS:

 

Teresa Rebelo

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