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Lume Brando

13
Nov19

Pão de maçã [Uma receita com outono dentro]

Pão de maçã

Pão de maçã

 

Eu refilo com a chuva. Irrito-me com a mudança da hora. Desespero com a luz natural que acaba num abrir e fechar de olhos. Adio a mudança do guarda-roupa porque não gosto da roupa da época. Mas reconheço que o outono tem o seu charme.

 

O cenário que nos é dado pelas árvores vestidas de múltiplos castanhos e dourados é mágico.

E os ingredientes da época são deliciosos, fotogénicos, e reconfortantes: as castanhas, as abóboras, os diospiros, as romãs, a maçã...

 

Todos os anos, um primo oferece-me uma caixa enorme de maçãs vindas de Carrazeda de Ansiães. E são tão boas, firme e doces. Para além de comê-las ao natural - seria um pecado não fazê-lo - algumas são transformadas em doces e sobremesas. Como este 'apple bread' ou pão de maçã [na verdade é um bolo!]. Uma receita que grita outono por todos os lados e me faz reconciliar com esta altura do ano.

 

Pão de maçã

PÃO DE MAÇÃ

[rende bastante, a quantidade de bolos depende do tamanho da forma; no meu caso, consegui fazer 4 bolos relativamente pequenos]

 

4 maçãs grandes

1 chávena rasa de açúcar amarelo

2 ovos grandes

1/2 chávena de azeite

3 chávenas rasas de farinha sem fermento

1 chávena de frutos secos [nozes fica muito bem]

1 chávena de uvas passas ou sultanas

1 colher de sopa de fermento em pó

1 colher de chá de bicarbonato de sódio

1 colher de chá de canela em pó

1/2 colher de chá de noz moscada

1 pitada de sal

 

Chávena = 250 ml capacidade

 

Pré-aqueça o forno nos 180º.

Unte 2 formas de bolo inglês médias ou 4 pequenas.

Descasque as maçãs e rale-as grosseiramente num ralador (uso este ralador)

Junte o açúcar, envolva e reserve uns 10 ou 15 minutos até o açúcar dissolver e ter ganho líquido.

Junte os ovos, o azeite, os frutos secos e as sultanas ou as uvas passas (se usar passas, pique-as grosseiramente)

Adicione a farinha, o fermento, o bicarbonato, a canela, o sal e a noz moscada, envolvendo sem bater.

Verta para as formas e leve a cozer cerca de 45 minutos - irá demorar menos se as formas forem pequenas ou mais alguns minutos se forem maiores. Faça o teste do palito para conferir.

 

MAIS RECEITAS DELICIOSAS E FÁCEIS COM MAÇÃ:

 

08
Nov19

Croquetes do Barroso [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #16]

Croquetes do Barroso

Croquetes do Barroso

 

O livro que vos trago hoje foi um dos primeiros que escolhi para esta rubrica. Mas quando me vi com ele nas mãos, quando o folheei e lhe senti o pulso, vi que precisava de tempo para falar dele.

 

Esta rubrica existe porque adoro livros de cozinha, mas também porque gosto de me obrigar a experimentar receitas novas [e porque a Bertrand aderiu a esta ideia 💛].

 

Quando temos de cozinhar todos os dias para alimentar a família, é muito fácil cairmos na repetição, nas receitas que já sabemos que os miúdos gostam, naquelas que já lhes conhecemos as manhas, as versões e os atalhos.

 

O "Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes" só faz sentido se for mais do que uma apresentação ou crítica ao livro. Para mim, falar do livro é importante, até porque sei que muitos de vós partilham comigo esta paixão pelos livros de culinária, mas a receita é o ponto alto do post.

 

É através da replicação da receita que melhor percebo o estilo do autor, muitas vezes usando pela primeira vez determinados ingredientes. E sei que quem vem aqui, também vem pelas receitas, nem que seja para servirem de inspiração e ponto de partida. E, claro, é uma forma de ir diversificando os menus cá de casa, levando a família nesta saborosa viagem de descoberta.

 

Croquetes do Barroso

 

Neste livro, que é acima de tudo um inventário do fumeiro português, encontramos as receitas dos próprios enchidos e produtos de fumeiro [uma empreitada que não é para mim], mas também algumas receitas de autor, que recorrem a produtos de charcutaria genuínos, artesanais, de elevada qualidade. Decidi que não poderia testar nenhuma dessas receitas com produtos correntes, de supermercado. Seria uma heresia, perante o incrível trabalho de recolha do Chef Nuno Diniz.

 

Mas no livro, obrigatório para quem aprecia e tem orgulho na nossa gastronomia, o autor diz-nos onde podemos encontrar os produtos. Por isso, depois de escolher a receita [d-e-l-i-c-i-o-s-o-s 'Croquetes do Barroso' de que falo mais abaixo] contactei o produtor que me poderia fornecer a Farinhota e a Sangueira necessárias. E descobri que enviavam os produtos por correio [não é maravilhoso?]. Mas não podia ser naquela altura, tinha de esperar pelo tempo mais frio, pois só então poderiam confecionar os enchidos. Tinha de esperar pelas condições favoráveis aos ventos e aos fumos de que este livro trata, magistralmente.

 

Por isso, só agora, ao 16º post, é que entra no palco do #Dizmeoquelês o livro "Entre ventos e fumos", do Chef Nuno Diniz, professor da Escola Superior de Hotelaria e Turismo de Lisboa, consultor de diversos projetos gastronómicos, jurado de concursos televisivos e com um vasto curriculum na liderança de cozinhas de restaurantes, como o da York House, o Tágide ou o Volver. 

 

Croquetes do Barroso

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #16

"Entre ventos e fumos - Fumeiros e Enchidos de Portugal" - Nuno Diniz - Bertrand Editora

 

Não é fácil arranjar palavras para começar a falar deste livro. Confesso que fiquei emocionada depois de folheá-lo e lê-lo de uma ponta à outra. O livro resultou de um apurado e longo trabalho de pesquisa por parte do Chef Nuno Diniz, que quis inventariar o excecional património gastronómico português no que diz respeito aos enchidos e produtos de fumeiro.

 

Nuno Diniz viajou por Portugal inteiro, incluindo as ilhas, ao longo de catorze anos. Aprendeu com as pessoas das aldeias, assistiu aos processos tradicionais [incluindo a matança do porco, onde não há parte do animal que não seja aproveitada], assimilou as diferenças regionais, tomou notas e notas. Fez (e faz) uso dos melhores produtos em receitas e refeições memoráveis, como os seus famosos cozidos. E, felizmente, aceitou partilhar todo esse saber connosco.

 

Depois dos textos introdutórios, os capítulos vão abordando as diferentes regiões, listando os respetivos produtos e, sobre cada um deles, indicando os ingredientes, o modo de confeção e identificando quem os produz e comercializa:

  • Minho, Trás-os-Montes e Alto Douro
  • Entre o Douro e o Tejo
  • Ribatejo e Estremadura
  • O Sul e as Ilhas  - Alentejo/Algarve/Açores e Madeira

 

[Dentro dos capítulos, o Chef Nuno Diniz descreve ainda os seus três cozidos épicos, que organiza anualmente e que começam a ser preparados com dias de antecedência]

 

Aqui ficamos a saber o que são os Azedos, o Lombo Enguitado, a Peituga, a Moma, a Cupita e a Paiola. O Palaio e o Mangote. O Chabiano e o Plangaio. A Paiola e Painho. A Butifarra. A Sangueira e a Farinhota. E a lista de especialidades poderia continuar. E claro, aqui há também lugar para os produtos mais conhecidos como o chouriço e a chouriça, o salpicão, a alheira, a morcela, a farinheira e o presunto. São mais de 100 os produtos listados e descritos.

 

Croquetes do Barroso

 

Antes do capítulo final, com o sugestivo título "Um epílogo, a fechar, sem conclusões...", surgem "Os pratos do fumo e da névoa", onde estão descritas 40 receitas de autor. Algumas pareceram-me demasiado complexas [ainda que intrigantes e apetecíveis] para as minhas competências amadoras, por isso, escolhi para brilharem neste post os "Croquetes do Barroso", cuja receita não me assustou e que podem encontrar mais abaixo.

 

Resumindo: Este não é um livro de receitas, ainda que as tenha. É, acima de tudo, um livro sobre a nossa gastronomia tradicional e regional, um verdadeiro repositório de informação e conhecimento sobre a arte do fumeiro em Portugal. Uma verdadeira bíblia, merecedor de lugar de honra, ao lado de livros como o "Cozinha Tradicional Portuguesa", da Maria de Lourdes Modesto. Um contributo valioso para a preservação dos saberes associados a esta componente tão especial e única da nossa cozinha, que são os enchidos e os produtos de fumeiro. As fotografias do livro - há imagens para grande parte dos produtos - são da autoria de Marta Teixeira e são tão bonitas quanto simples, com uma luz fabulosa, a fazer brilhar os protagonistas.

 

Para saber mais sobre o livro "Entre ventos e fumos" >>> Livraria Bertrand

 

Entrevistas onde podem ficar a conhecer melhor este chef, de discurso assertivo e (potencialmente) polémico:

https://grandesescolhas.com/nuno-diniz-a-sustentabilidade-e-um-chavao-dos-chefs-para-tentar-impressionar/

https://observador.pt/2019/01/19/nuno-diniz-os-ignorantes-dizem-que-so-ha-quatro-ou-cinco-variedades-de-enchidos-nao-sao-quatro-ou-cinco-porra-nenhuma-ha-mais-de-100/

https://www.publico.pt/2019/01/05/fugas/noticia/cozidos-enchidos-fumeiro-nuno-diniz-1856100

 

E agora, sem mais demoras, entrem os croquetes!

Croquetes do Barroso

CROQUETES DO BARROSO

Receita do livro "Entre Ventos e Fumos", do Chef Nuno Diniz, que utiliza enchidos tradicionais da região do Barroso, formada pelos concelhos de Montalegre e Boticas, em Trás-os-Montes.

 

Para 26 croquetes

30 g de manteiga

30 g de farinha sem fermento

100 g de leite quente (aqueça mais leite, pode precisar)

1 cebola média bem picada

1 sangueira picada*

1 farinhota picada*

Azeite

3 folhas de gelatina

Sal e pimenta

1 ovo

Pão de centeio duro ralado

Óleo de milho para fritar

 

Começar a preparar a receita com pelo menos 6 horas de antecedência.

Colocar as folhas de gelatina a demolhar em água fria abundante, cerca de 10 minutos.

Pique bem os enchidos e reserve [não achei esta tarefa muito fácil, porque os enchidos eram bastante húmidos e desfaziam-se mais do que ficar picados, mas com paciência, consegue-se].

Fazer o bechamel: coloque a manteiga e a farinha num tacho e deixe cozinhar uns 5 minutos, mexendo sempre.

Juntar o leite quente aos poucos [tenha cuidado, pois vai espirrar] e ir mexendo até obter um bechamel bastante consistente, o que deve demorar aí uns 10 minutos.

Numa frigideira, saltear a cebola numa colher de sopa de azeite.

Temperar com um pouco de sal e pimenta.

Juntar a sangueira e a farinhota e cozinhar durante cerca de 5 minutos.

Juntar o bechamel e as folhas de gelatina bem escorridas.

Envolver tudo muito bem, verter para um tabuleiro, alisar e levar ao frio cerca de 6 horas antes de moldar os croquetes.

Antes de fritá-los, passe-os pelo ovo batido e pão ralado.

 

*Pode encomendar os enchidos diretamente à empresa Fumeiro do Barroso, que os enviará, à cobrança, pelo correio. Zona Industrial De Montalegre, Lt. 13, Montalegre, Vila Real - Tel.: 276 511 511 

 

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30
Out19

Pãezinhos de abóbora e chocolate [Halloween 2019]

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Boo! Preparados para a noite mais assustadora do ano?

 

Para os meus lados, as previsões da meteorologia não podiam ser mais desoladoras, com a chuva a marcar presença cerrada, sem esperança de abertas. As rusgas pelas ruas das redondezas, e as palavras mágicas "Doçura ou Travessura" - que deixam o meu rapaz mais novo bastante entusiasmado - vão ter que ficar para o próximo ano.

 

Isso não quer dizer que não se possa assinalar a data com algumas iguarias divertidas, como estes pãezinhos de abóbora, batata-doce e chocolate. São uma versão das famosas "arrufadas de batata-doce" que o ano passado fizeram furor na blogosfera e cuja receita podem encontrar aqui no blog.

A decoração não podia ser mais simples. O resultado? Horrivelmente delicioso 👻😁

Vamos à receita!

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PÃEZINHOS DE ABÓBORA E CHOCOLATE

Para 6

120 g de abóbora menina (pesada descascada antes de cozer)
80 g de batata-doce (pesada descascada antes de cozer)
90 ml de leite meio-gordo
40 g de manteiga à temperatura ambiente
10 g de fermento de padeiro desidratado (seco)
1 ovo
1 colher de chá de sal
30 g de açúcar amarelo
450 g de farinha
12 quadrados de chocolate (opcional)
1 ovo batido para pincelar
Chocolate de culinária e leite qb para decorar
12 quadrados de chocolate de culinária (mínimo 52% cacau)
Olhinhos de açúcar (opcional)
 
 
Comece por cozer a abóbora e a batata-doce (cozi ao vapor).
Escorra e esmague com um garfo.
Desfaça o fermento de padeiro seco num pouco de água morna (umas 2 colheres de sopa).
Numa bacia, misture o puré de abóbora e batata-doce, o leite, o açúcar, a manteiga e o fermento desfeito na água morna.
Junte o ovo, o sal e a farinha, misturando tudo muito bem.
 
Amasse um pouco até obter uma massa macia e uniforme [devido à abóbora, esta massa fica um pouco mais húmida do que a da receita original - se estiver a pegar, junte um pouco mais de farinha]. Dê-lhe a forma de uma bola, coloque-a na bacia, tape e deixe levedar cerca de 1 hora ou até duplicar de tamanho*.
 
Com as mãos enfarinhadas, forme seis bolas, colocando dois quadrados de chocolate no interior de cada bola, rodando e fechando completamente a massa.
Coloque os pãezinhos num tabuleiro forrado com papel vegetal.
Tape com um pano e deixe levedar mais 20 ou 30 minutos*.
 
Entretanto ligue o forno nos 180ºC.
Pincele os pãezinhos com ovo batido e leve ao forno durante cerca de 30 minutos ou até estarem bem dourados e cozidos. Se achar que estão a ficar escuros demasiado depressa, tape com folha de alumínio.

Deixe arrefecer. 

Derreta alguns quadrados de chocolate num pouco de leite e mexa até obter um creme fluído. Decore a gosto com um pincel e confeitos de açúcar.

 

*Por estes dias mais frios e húmidos, vai demorar mais a levedar. Embrulhar a bacia numa manta e deixar o tabuleiro tapado perto do forno já ligado, ajuda.

 

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25
Out19

Bolo de coco, manga e clementina [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #15 ]

Bolo de coco, manga e clementina

Bolo de coco, manga e clementinaBolo de coco, manga e clementina

 

O interesse e a curiosidade por uma alimentação à base de vegetais são cada vez mais comuns e, se dúvidas houvesse sobre a importância desta tendência, bastaria olhar para as prateleiras das livrarias. Nos últimos tempos, temos assistido ao lançamento em catadupa de livros dedicados à dieta vegetariana, nomeadamente ao regime 100% vegetariano ou vegan. Já falei de alguns deles aqui [no final do post, encontram os links para esses posts], e esta semana, na rubrica "Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes", trago mais um livro "verde" acabadinho de sair do forno!

 

[Por falar em forno, mais abaixo encontram o Bolo de coco, manga e clementina, a primeira receita do livro que escolhi e testei - na versão original, com laranja em vez de clementina.]

 

Bolo de coco, manga e clementina

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #15

"Cozinha Vegetariana Rápida e Prática" - Gabriela Oliveira - ArtePlural Edições

 

De acordo com a capa do livro, Gabriela Oliveira é a autora dos livros de receitas vegetarianas mais vendidos em Portugal, sendo este o seu 6º livro de culinária em cinco anos [o que eu acho um feito incrível, devo dizer].

 

Vegetariana há mais de 20 anos, Gabriela não só tem feito um trabalho notável no desenvolvimento de receitas, como tem partilhado o seu saber e experiência em muitos workshops e showcookings, tendo aberto recentemente a Academia Vegan - um espaço de formação totalmente dedicado à cozinha 100% vegetal, em Lisboa.

 

Se costumam passar por aqui, sabem que eu não sou vegan, nem sequer vegetariana. No entanto, tenho aumentado cá em casa o número de refeições sem proteína animal. E se é certo que me custaria seguir uma dieta vegan, não coloco de parte optar por um vegetarianismo que não exclua os ovos e os derivados do leite. 

 

É por isso que gosto tanto de livros de cozinha vegetariana como dos que versam sobre a dieta "omnívora", desde que estejam bem estruturados, bem escritos, sejam visualmente apelativos e prometam pratos deliciosos. Porque a verdade é que eu ADORO vegetais.

 

Bolo de coco, manga e clementina

 

Se há coisa que não falta neste livro são receitas: 100 receitas no total, divididas pelos seguintes capítulos:

  • Pequeno-almoço e lanche
  • Snacks e refeições ligeiras
  • Sopas e Saladas Nutritivas
  • Pratos principais (na frigideira e na caçarola)
  • Doces momentos

 

Nas páginas iniciais do livro, para além de se apresentar, Gabriela tece algumas considerações sobre alimentação e sustentabilidade e fornece informação sobre os diferentes tipos de vegetarianismo, ingredientes mais usados neste regime alimentar e respetivos perfis nutricionais e ainda dicas sobre preparação e conservação dos alimentos, sem esquecer um miniguia de como planear as refeições e evitar o desperdício.

 

As receitas são, de uma maneira geral, bastante apelativas e originais. Os "Croquetes de tremoço", a "Bolonhesa de couve-flor e noz", a "Omoleta de aveia" ou o "Fricassé de castanhas e espargos" são bons exemplos. No entanto, algumas incluem produtos processados como "chouriço de soja", "salsichas vegetais", "queijo vegan" ou "alheira de cogumelos" e confesso que estes produtos me fazem alguma confusão. Nunca os provei, há que referir, e por isso talvez esteja a ser preconceituosa (já agora, se tiverem alguma opinião ou feedback sobre a utilização destes produtos, digam coisas nos comentários 😉).

 

Já tenho várias receitas salgadas do livro marcadas, para experimentar em breve, mas os bolos despertaram de forma especial a minha atenção porque, apesar não levarem ovos, manteiga ou outros ingredientes típicos da pastelaria tradicional, têm um aspeto bastante semelhante [basta ver o bolo deste post - diriam que é um bolo sem ovos? 😉 ]

 

Curiosos sobre o livro? Saibam mais na Bertrand Livreiros Online, onde até ao final do dia de hoje [25/10/2019] encontram descontos de 20% a 40% em todos os livros, incluindo nas "novidades"!

 

Agora siga para a receita deste bolo vegan [Gabriela Oliveira prefere o termo 100% vegetal] de coco, manga e clementina, que ficou aprovadíssimo à primeira.

 

Bolo de coco, manga e clementina

Bolo de coco, manga e clementina

 

BOLO DE COCO, MANGA E CLEMENTINA [VEGAN]

Ligeiramente adaptado do livro "Cozinha vegetariana rápida e prática"

 

1 manga pequena e madura (200 g de polpa)

2 clementinas - raspa e sumo

1 colher de sopa de sumo de limão

1 chávena de leite de aveia (ou outro leite vegetal)

1/3 de chávena de azeite extravirgem (ou óleo de coco derretido ou óleo de girassol)

1 chávena de açúcar mascavado (150 g)

2 chávenas de farinha de espelta*

1 colher de sopa de linhaça moída

1 chávena de coco ralado

1 colher de sopa de fermento em pó

1/2 colher de café de bicarbonato de sódio

1 pitada de sal

Coco ralado e lascas de coco tostadas para decorar (opcional)

Molho de chocolate para servir (opcional)

 

Ligue o forno nos 180º.

Unte bem com azeite e polvilhe com farinha uma forma quadrada com cerca de 20 cm x 20 cm e forre o seu fundo com papel vegetal.

Triture a polpa da manga e coloque-a numa taça.

Junte a raspa e o sumo de clementina, o sumo de limão, o leite de aveia e o azeite, e mexa com o batedor de varas.

Adicione o açúcar, a farinha, o coco ralado, o sal, a linhaça, o fermento e o bicarbonato. Envolva bem e verta para a forma previamente preparada.

Leve a cozer entre 35 a 40 minutos (tenha em conta que se usar uma forma maior, o bolo vai ficar mais baixo e vai cozer mais depressa).

Desenforme, deixe arrefecer e cubra o topo com coco ralado e as lascas de coco tostadas.

Para uma experiência mais gulosa, sirva com molho de chocolate.

 

*Para uma versão sem glúten e de acordo com a receita original, substitua as 2 chávenas de farinha de espelta por 1/2 chávena de farinha de aveia, 1/2 chávena de farinha de milho, 1 chávena de farinha de arroz integral e 1 colher de sopa de psílio em pó (para ajudar a ligar).

 

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18
Out19

Trança de abóbora e nozes [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #14]

Trança de abóbora e nozes

Trança de abóbora e nozes

Trança de abóbora e nozes

 

E ao 14º livro da rubrica #Dizmeoquelês o escolhido é um livro dedicado aos mais novos. Mas querem saber a verdade? Eu gostei muito do livro e achei que as receitas eram perfeitas... para mim 😁  Se vieram só pela trança, é fazer scroll que encontram a receita mais abaixo, em todo o caso convido-vos a saber mais um pouco sobre o "Pequenos-almoços e Lanches saudáveis para Crianças", da chef Joana Byscaia.

 

Trança de abóbora e nozes

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #14

"Pequenos-almoços e Lanches saudáveis para Crianças" - Joana Byscaia - Manuscrito

 

Mãe de dois, sei bem a dor de cabeça que pode ser escolher o que dar aos mais novos ao pequeno-almoço e ao lanche. Até porque nem sempre é fácil conciliar as opções mais saudáveis com os desejos dos garotos.

 

Os meus já são adolescentes, por isso "o pior" já passou, mas gostaria de ter tido, quando eles eram mais pequenos, a oferta de livros e blogs que agora há acerca da alimentação infantil. Ideias, informação e inspiração, nunca são de mais quando precisamos de pôr comida na mesa - e nas lancheiras - todos os dias, para alimentar e nutrir os nossos filhos.

 

A Chef Joana Byscaia é a responsável pelo projeto Petit Chef e há muitos anos que se dedica a desenvolver receitas especialmente dirigidas aos mais novos e a promover junto destes o gosto pela cozinha e pela comida de verdade. E porque, para pais e cuidadores, é ao pequeno-almoço e ao lanche que o desafio é maior, este livro foca-se nestas duas refeições, apresentando 30 receitas para cada uma delas, ou seja, 60 receitas no total.

 

Trança de abóbora e nozes

 

O que salta logo à vista ao folhear o livro é a simplicidade das receitas, ainda que as fotos nos possam, num primeiro momento enganar. Sim, porque o empratamento das sugestões está tão cuidado, que podem parecer mais elaboradas do que são, na realidade. Mas esse é mesmo um dos objetivos: mostrar como com apenas alguns ingredientes e uma apresentação bonita, podemos cativar os mais novos. Um exemplo: "Manga com coco ralado e frutos vermelhos". É só fatiar a manga, espalhar por cima os frutos vermelhos e salpicar com coco ralado. Simples não é? Pois, mas nunca me tinha lembrado de servir a fruta assim e a verdade é que fica colorido e apelativo.

 

Sei que a receita do livro que escolhi replicar não parece assim tão simples, talvez seja a receita mais demorada e elaborada, pois muitas delas nem sequer exigem forno ou fogão, são sobretudo sugestões de combinações de ingredientes.

 

Para vos dar uma ideia, no capítulo "30 dias, 30 pequenos-almoços", há "Banana com manteiga de amendoim e frutos secos", "Cremoso de papaia com iogurte, mirtilos e sementes", "Iogurte de romã com flocos de aveia torrados", "Pão com puré de abacate e requeijão com romã e sementes", e ainda receitas rápidas de batidos, papas de aveia, scones, panquecas e sanduíches, sem esquecer um bolo , o"Bolo de água com sementes de papoila", e a "trança de abóbora e nozes".

 

Já na secção dos "30 dias, 30 lanches", iremos encontrar desde snacks como "Chips de maçã", a várias receitas de queques e muffins, bolachas saudáveis e até uns croquetes de atum, que para além de lanche podem servir para um almoço de piquenique.

 

Um dos aspetos de que gostei do livro é que não é fundamentalista nem recorre a ingredientes pouco vulgares. E algumas receitas incluem açúcar amarelo ou mascavado, farinha de trigo ou manteiga (em quantidades controladas),  porque o mais importante - tanto nas crianças como nos adultos - é o equilíbrio e combinar uma alimentação consciente com a prática de exercício físico e um estilo de vida ativo.

 

Se os miúdos vão adorar todas as receitas do livro? Tenho dúvidas, mas na verdade são boas sugestões para os adultos também: qual será a pessoa grande que resiste a uma fatia desta trança de abóbora e nozes?

Nas páginas iniciais, o livro apresenta listas de utensílios e ingredientes a ter sempre na despensa e dicas de "Como planear e organizar receitas para toda a semana".

 

Resumindo: "Pequenos-almoços e Lanches saudáveis para Crianças" é uma compilação simpática de ideias e receitas para nos ajudar a variar à hora destas importantes refeições (é nestas que é mais fácil cometer erros ou excessos). É um livro simples e colorido, de forma a que os mais novos possam, eles próprios, meter "mãos à obra". As fotos, de Ana Pereira da Costa, são cuidadas e apelativas. As receitas são descomplicadas, sem abdicar de um toque de criatividade.

 

E agora, vamos à trança?

Trança de abóbora e nozes

TRANÇA DE ABÓBORA E NOZES

Receita ligeiramente adaptada do livro "Pequenos-almoços e lanches saudáveis para Crianças"

 

250 g de farinha de trigo sem fermento

1 colher de café de sal fino

7 g de fermento de padeiro desidratado (tipo Fermipan)

180 ml de água morna

2 colheres de sopa de açúcar amarelo

Canela em pó qb

Sementes a gosto ou flocos de aveia (opcional)

1 ovo batido para pincelar

 

Para o recheio:

250 g de doce de abóbora*

75 g de nozes picadas

 

Em 30 ml da água morna, coloque o fermento e mexa.

Na taça da batedeira (se tiver uma batedeira com gancho de amassar), coloque a farinha, peneirada, e junte o sal, a canela, o açúcar, a água com o fermento e a restante água. Envolva até obter uma massa homogénea, veja se necessita de juntar um pouco mais de farinha.

Leve a bater numa velocidade média cerca de 8 minutos, devendo a massa ficar suave e macia ao toque.

Tape com um pano limpo e deixe levedar num local ameno (eu embrulhei a taça numa manta polar e demorou mais de uma hora a aumentar de volume, mas no tempo quente ou junto a um forno ou aquecedor, deve demorar cerca de 30 minutos).

Entretanto ligue o forno nos 180ºC.

Polvilhe a superfície de trabalho com farinha e estique com o rolo a massa até obter um retângulo grande.

Transfira este retângulo, com a ajuda do rolo de cozinha, para uma folha de papel vegetal.

Espalhe o doce de abóbora e salpique com as nozes.

Faça um rolo, a partir de um dos lados mais compridos.

Corte a meio este rolo, ao sentido do comprimento, e entrelace as duas pontas, formando uma trança.

Pincele com ovo batido e salpique com sementes ou flocos de aveia, se desejar.

Leve a cozer cerca de 25-30 minutos ou até estar bem dourado e firme ao toque.

 

*Eu usei doce de abóbora caseiro, feito pela minha mãe, mas no livro a autora dá a receita: 300 g de abóbora-menina aos cubos + 125 g de açúcar mascavado + 1 pau de canela. Levar a abóbora ao lume com o açúcar e a canela e deixar cozinhar uns 25 minutos; descartar o pau de canela, escorrer a abóbora, e triturar.

 

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16
Out19

Pão de alperces e nozes [Dia Mundial da Alimentação e do Pão]

Pão de alperces e noz

Pão de alperces e noz

 

Desde o ano 2000 que o 16 de outubro, para além de ser o Dia Mundial da Alimentação, é também o Dia Mundial do Pão, instituído pela "União Internacional de Padeiros e Afins". Este coletivo juntou-se assim à Organização das Nações Unidas, que em 1979, na 20ª Conferência da ONU para a Alimentação e a Agricultura, escolheu o 16 de outubro (precisamente a data da criação, em 1945, da agência da ONU dedicada à alimentação e agricultura) para celebrar anualmente esta componente essencial das nossas vidas.

 

E o que seria da nossa alimentação sem pão? Atualmente, há quem pratique regimes alimentares onde o pão praticamente não entra, pelo menos o pão tradicional, feito com cereais (caso da dieta paleo), mas confesso que não conseguiria viver sem pão tradicional. É verdade que a qualidade dos ingredientes, nomeadamente das farinhas que são vendidas em grande escala, tem piorado ao logo dos tempos, devido à enorme procura e à pressão económica.

 

Por consequência, o mesmo se aplica à qualidade do pão que encontramos na maioria das padarias, a começar pelas padarias dos supermercados. Mas, sabendo que há farinhas e outros ingredientes mais e menos saudáveis, sabendo que há técnicas mais e menos saudáveis, não vejo porque tenhamos que eliminar o pão das nossas refeições.

 

Pão é partilha. É a simplicidade à mesa. É muitas vezes o alimento que salva vidas, que conforta, que garante o dia seguinte. Tanta simbologia à volta do pão. Tanta história e tanta ciência, apenas com dois ingredientes básicos: água e farinha.

 

E se o fizermos em casa, mesmo que seja com farinhas comuns, não me parece que estejamos a cometer um grande pecado alimentar [comparado com tantos outros pecados possíveis!].

 

Pão de alperces e noz

 

Claro que, à semelhança da maioria das pessoas, a maior parte do pão que como não é caseiro. Mas gosto mesmo de fazer pão e estou sempre a pensar em fazer mais vezes, no entanto alguma falta de planeamento e de tempo acabam por atropelar este desejo. Que estas datas e "dias mundiais" me sirvam de lembrete!

 

Mas vamos ao pão que vos trago neste post. Este pão de alperces e nozes está há já algum tempo na minha grelha do Instagram, mas ao dar conta da data que se assinalava hoje, ocorreu-me que não tinha chegado a publicar a receita e que este seria o dia perfeito para fazê-lo.

 

Fui buscá-lo a um livro bonito, apenas com receitas de pão e derivados, chamado "Pão Caseiro" e que de já aqui falei, na rubrica #dizmeoquelês  -  na altura, repliquei outra receita do livro, uns apetitosos rolos de limão e baunilha, que podem ver aqui.

 

Eu gosto muito de "pão de coisas" e "pão com coisas", por isso adorei esta adição dos alperces secos e das nozes. Se são do meu clube e têm paciência para deixar o pão a levedar durante a noite, agendem já fazer esta receita, vão ver que não se arrependem 😉

 

Pão de alperces e nozes

PÃO DE ALPERCES E NOZES

Ligeiramente adaptado do livro "Pão Caseiro", de Maria Blohm

 

320 ml de água fria

3 g de fermento de padeiro fresco (tamanho de uma ervilha)

350 g de farinha de espelta

100 g de farinha de espelta integral

1,5 colheres de chá de sal

100 g de alperces secos

50 g de nozes

 

Coloque a água numa taça e incorpore nela o fermento (sim, a água é mesmo fria).

De seguida, junte os restantes ingredientes - se tiver uma balança com tara, pode ir colocando e pesando ao mesmo tempo.

Misture os ingredientes com a ajuda de uma espátula ou colher (ou à mão) até obter uma massa ligada.

Cubra a taça com película aderente e deixe repousar entre 12 a 14 horas à temperatura ambiente (no inverno talvez seja necessário embrulhar a taça numa manta).

Pré-aqueça o forno a 230º com ventoinha e coloque um tabuleiro a aquecer no forno.

Molde seis pães em forma de bola (talvez precise de juntar um pouco mais de farinha, para conseguir moldar as bolas, ou humedecer as mãos, o que também ajuda; esta é uma massa húmida, mas não desespere, pois irá conseguir moldá-las) e coloque-as sobre papel vegetal.

Retire o tabuleiro do forno quando este tiver atingido a temperatura mencionada e, com cuidado, transfira o papel com o pão para o tabuleiro.

Polvilhe o pão com farinha, se desejar.

Leve ao forno durante cerca de 15 minutos ou até o pão estar dourado e bem cozido (ao bater no pão deve sentir-se um som oco).

 

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10
Out19

Bolo de pastel de nata [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #13]

Bolo de pastel de nata

Bolo de pastel de nata

 

Quem me conhece sabe, que apesar de eu cozinhar de tudo e partilhar aqui receitas diversificadas, a minha paixão são os bolos. Por isso, quando dei conta de que a Rita Nascimento, aka La Dolce Rita, tinha lançado um livro novo só com receitas de bolos, pensei logo em trazê-lo ao #dizmeoquelês - esta rubrica de que gosto tanto e que só é possível graças a uma parceria com a Bertrand Livreiros 🧡

 

Vieram cá só pela receita de Bolo de pastel de nata? Então façam scroll, que vão encontrá-la mais abaixo. Mas aposto que se forem gulosos como eu, vão querer saber mais sobre o livro, certo? Vamos a isso.

 

Bolo de pastel de nata

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE_EI O QUE COMES #13

"Um bolo por semana - 52 receitas para um ano de bolos" - Rita Nascimento - ArtePlural

Este é já o quarto livro da Rita, que toda a gente conhece do seu canal de sucesso no Youtube, o "La Dolce Rita" onde, através de vídeos simpáticos e bastante elucidativos, partilha as mais variadas receitas de pastelaria.

 

Os livros da Rita são um êxito [para além deste, tenho o "Uma pastelaria em casa" e já folheei os outros dois] e percebe-se por quê: são bastante objetivos e claros, sem deixarem de ser apelativos. As fotos, por exemplo, não apresentam uma produção complexa ou composição elaborada, são sobretudo "close-ups" dos bolos e das sobremesas, mas são luminosas e deixam-nos invariavelmente de água na boca.

 

Este último tem apenas algumas semanas de prateleira (saiu para as livrarias a 4 de outubro), mas tenho a certeza de que vai ser mais um best-seller. Um dos segredos é a experiência da Rita, sustentada por formação específica na área. Munida de todo o saber teórico, a Rita tem uma capacidade incrível de transformar esse conhecimento em métodos e formulações mais simples, para que todos em casa possamos facilmente elaborar receitas supostamente complexas [a Rita não sabe, mas tem aqui uma grande fã ❤️]

 

Livro "Um bolo por semana"

 

O tom próximo, alegre e descontraído, que a Rita usa tanto nos vídeos como no livro, ajudam a compor esta fórmula de sucesso, agora espelhada numa edição dedicada apenas a essa trave mestra da pastelaria caseira: os bolos.

 

São 52 receitas de bolos, para que ao longo de um ano não tenhamos de repetir receitas. E para que os resultados saiam perfeitos, o livro inclui, para além das receitas, informação sobre ingredientes, utensílios e dicas a ter em conta na hora de meter a mão na massa [incluindo a "Palavra de boleira" da Rita: comentários e sugestões relativamente a cada receita].

 

Quanto ao tipo de bolos, estes dividem-se nas seguintes categorias:

  • Bolos básicos e simples
  • Bolos aromáticos e reconfortantes
  • Bolos gulosos e para dias de festa

 

Existe ainda um capítulo com receitas auxiliares: cremes e complementos para coberturas e recheios. Para que possam fazer as vossas combinações e assim, em vez de 52 bolos, terem quantas receitas a vossa imaginação ditar!

Livro "Um bolo por semana"

 

A par de alguns clássicos, como o 'Bundt de chocolate', o "Bolo inglês", o "Bolo de claras" ou o "Bolo de ananás caramelizado", a Rita propõe-nos receitas originais e outras menos conhecidas, como o "Bolo de pastel de nata" que vos trago hoje (receita mais abaixo), o "Bolo tiramisu", o "Bolo tecomaleco", o "Bolo três leches" ou o "Bolo de chocolate crocante sem forno".

 

Só vos digo uma coisa: no dia em que tiverem o livro na mão, garanto-vos que vão querer fazer TODAS as receitas!  Estão em pulgas por esse momento? Saibam mais sobre o livro aqui >>> na livraria Bertrand online.

 

Resumindo:  "Um bolo por semana" é daqueles livros que não pode faltar na prateleira de alguém que adora mimar a família e os amigos com um bolo, seja de vez em quando, seja todas as semanas. O design gráfico do livro é funcional e apelativo, com boas fotografias, tiradas pela Rita. As receitas parecem ser todas acessíveis e estão bem escritas e detalhadas. O que eu mudaria? Em vez de referir o 'volume da massa' obtida em cada receita, mencionaria o tamanho mais adequado das formas a utilizar. De resto, o livro está de se devorar "página a página"!

 

Agora, sem mais demoras, a receita do delicioso Bolo de pastel de nata.

Bolo de pastel de nata

BOLO DE PASTEL DE NATA

Receita original: livro "Um bolo por semana" de Rita Nascimento

 

Para o bolo

3 ovos

100 g de açúcar

75 g de farinha sem fermento

1/2 colher de chá de canela em pó

1 base redonda de massa folhada

Açúcar mascavado qb (e maçarico) para decorar no final*

 

Para o creme pasteleiro

300 ml de leite meio-gordo

3 gemas

50 g de açúcar

25 g de amido de milho

25 g de manteiga fria

1 pau de canela

1 pedaço grande de casca de limão

 

Para a calda

150 ml de água

150 ml de açúcar

1 pedaço grande de casca de limão

 

Comece por fazer o creme pasteleiro.

Coloque num pequeno tacho o leite, o pau de canela e a casca de limão e leve ao lume.

Numa taça, junte as gemas, o açúcar e o amido de milho e mexa bem com as varas.

Quando o leite começar a fervilhar, descarte a canela e o limão e verta-o, aos poucos, sobre o preparado anterior, mexendo bem com as varas.

Deite esta mistura no tacho e leve de novo ao lume, mexendo sempre até começar a engrossar. Continue a mexer com as varas cerca de dois minutos após já estar a engrossar e ter começado a fervilhar.

Retire do lume e incorpore a manteiga partida em pedaços. Mexa até a manteiga derreter e ficar homogéneo. Passe para uma taça limpa e tape com película aderente ("colando" esta à superfície do creme, para não entrar ar e assim evitar que ganhe uma crosta).

Deixe arrefecer um pouco e leve ao frigorífico. Ele vai endurecer no frigorífico, por isso, antes de usar, bata-o na batedeira elétrica até ficar com uma consistência cremosa e uniforme.

 

Entretanto faça o bolo.

Unte muito bem e polvilhe com farinha uma forma redonda (usei uma com 18 cm de diâmetro). Forre o fundo com papel vegetal e volte a untar/enfarinhar.

Ligue o forno nos 180º.

Com a batedeira elétrica, bata os ovos com o açúcar durante uns 5 minutos, ou até a mistura ficar esbranquiçada e com o dobro do volume.

Peneire a farinha e junte-a, com a canela, ao preparado anterior, em duas ou três adições, envolvendo suavemente.

Verta para a forma e leve ao forno durante cerca de 20 minutos ou até um palito sair seco do centro do bolo.

Solte a massa das laterais da forma com a ajuda de uma faca e desenforme sobre uma rede forrada com papel vegetal. Deixe arrefecer completamente antes de o abrir ao meio.

Não desligue o forno e leve a cozer a base de massa folhada sobre papel vegetal e picada com um garfo. Deve demorar uns 20-25 minutos a ficar folhada e douradinha. Deixe arrefecer.

 

Enquanto o bolo está no forno, faça a calda: leve a ferver a água com o açúcar e a casca de limão até o açúcar estar bem derretido. Deixe ferver durante alguns segundos e está pronto. Deixe que arrefeça.

 

Para montar o bolo:

- Coloque a forma do bolo que usou sobre a massa folhada, sem pressionar, e com uma faca corte um círculo a toda a volta; reserve o círculo e esfarele as sobras, reservando-as numa taça;

- Parta o bolo a meio e coloque a metade de baixo no prato de servir. Regue com metade da calda e espalhe uma camada de creme de pasteleiro (que deve ter sido batido com a batedeira elétrica depois de ter estado no frigorífico);

- Coloque o disco de massa folhada por cima e volte a fazer uma camada de creme pasteleiro (atenção: não usem demasiado creme nestas camadas de recheio, se não ficam sem creme para barrar todo o bolo);

- Tape com a outra metade do bolo e regue esta com a restante calda;

- Por fim, barre todo o bolo com o restante creme pasteleiro;

- Espalhe açúcar mascavado no topo do bolo e queime com um maçarico (opcional)*

- Decore as laterais com as aparas de massa folhada.

 

*A receita original fala em açúcar em pó, mas comigo não resultou; para conseguir o efeito "leite creme queimado", tive de usar açúcar mascavado; o creme pasteleiro vai ganhar umas fendas, devido ao calor do maçarico, mas é normal.

 

Nota final: este bolo deve ser comido no dia em que é feito, para garantir uma massa folhada seca e crocante; em todo o caso, guardei o que sobrou no frigorífico e comeu-se bem no dia seguinte ;)

 

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03
Out19

Hambúrgueres de tofu e ervas [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #12]

Hambúrgueres de Tofu [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #12]

Livro O Menu da Semana

 

Uma dúzia! Com o desta semana, já são 12 os livros [e as receitas] que passaram por aqui, desde que iniciei o #dizmeoquelês em parceria com a Bertrand Livreiros. E sabem qual a melhor parte deste projeto? É ficar a conhecer livros e experimentar receitas que, de outra forma, dificilmente se cruzariam no meu caminho.

 

O livro que vos trago hoje é disso exemplo. Ainda que goste e de vez em quando faça refeições vegetarianas/vegan, não sigo estes regimes alimentares e não são os livros com estas receitas aqueles que mais me tentam, salvo algumas exceções [como os livros de Yottam Ottolenghi, por exemplo]. Mas o objetivo desta rubrica é falar dos livros disponíveis no mercado, por isso, tenho tentado mostrar-vos de tudo um pouco. Assim, esta semana falo-vos de "O Menu da Semana", de Vânia Ribeiro, autora do blogue Made by Choices

 

Vieram cá só pela receita de hambúrgueres de tofu? Se sim, é fazer scroll, que ela aparece mais abaixo😉

Livro O Menu da Semana

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #12

"O Menu da Semana" - Vânia Ribeiro - Lua de Papel

 

A Vânia é formada em Naturopatia e concilia esta área com o blogue Made by Choices, criado em 2015 para "ajudar e inspirar outras pessoas a fazer escolhas conscientes e mais saudáveis". Neste âmbito, dinamiza regularmente workshops de cozinha.

 

Este não é o seu primeiro livro. Em 2017 lançou "As 5 cores da cozinha saudável -  Receitas simples, rápidas e deliciosas (e sem açúcar!)"

 

Neste segundo livro, "O Menu da Semana", para além de partilhar mais de 80 receitas, a autora foca-se no planeamento das refeições, na importância das escolhas ao nível dos ingredientes e na organização de despensa e da logística da compras, enquanto pilares de uma alimentação saudável.

Hambúrguer de tofu com molho de iogurte

 

A primeira coisa que me chamou a atenção ao pegar no livro, foi o facto de não encontrarmos na capa, contracapa ou folha de rosto, algo que nos diga que as receitas do livro recorrem apenas a produtos de origem vegetal. Ainda que haja uma ou outra referência à alimentação "vegetariana" nos textos introdutórios, não me parece suficiente. Percebo que se queira 'normalizar' este regime alimentar e que a intenção tenha sido não 'rotular' o livro como 'vegan'. Julgo, no entanto, que para a grande maioria dos consumidores, referir essa particularidade na capa ainda faz todo o sentido. 

 

Em todo o caso, "O Menu da Semana" é um livro bastante completo, dentro da especificidade referida, que junta teoria (informação) à prática (receitas). A primeira parte do livro é a mais teórica. Até à página 67, o que nos aparece são dicas da autora para uma alimentação mais saudável. Há informação nutricional sobre alguns ingredientes, informação sobre a melhor maneira de armazenar e preparar alguns alimentos e um calendário sazonal de frutas, hortícolas e oleaginosas (para se saber qual a época do ano de cada ingrediente).

 

Nesta parte, encontramos ainda os conteúdos que justificam o título: dicas para elaborar um menu semanal, com a inclusão de um plano já estruturado, onde receitas do livro foram distribuídas ao longo de quatro semanas (almoço e jantar) - um recurso muito útil, até porque inclui algumas anotações sobre tarefas de preparação prévia, essenciais para o sucesso de algumas das receitas.

 

Livro O Menu da Semana

Na segunda parte do livro vêm as receitas, divididas em cinco capítulos:

- Sopas

- Para acompanhar

- Vegetais (sobretudo saladas)

- Comida de conforto (muitos pratos de forno)

- Para levar (muitas sugestões para marmitas)

 

As receitas têm um ar muito apetitoso, com boas fotografias a acompanhar todas elas. Apesar do papel das páginas não ser o meu favorito - é um pouco brilhante - tenho de concluir que esta opção dá mais vida às imagens, tornando a comida mais apelativa.

 

As receitas estão bem escritas e apresentadas detalhadamente por passos numerados. Incluem uma 'ficha técnica' com número de doses, grau de dificuldade, tempo de confeção e tempo de conservação no frigorífico (e no congelador, se for adequado). Há ainda um textinho inicial a contextualizar cada receita, muitas vezes com informação extra sobre os ingredientes em destaque ou o modo de confeção.

 

Relativamente aos ingredientes utilizados, há alguns difíceis de encontrar num supermercado comum, como a levedura nutricional (ou levedura de cerveja), o tamari (molho de soja sem glúten), o miso (pasta de soja fermentada), o amaranto (cereal sem glúten) ou a farinha de araruta. Mas também é verdade que há cada vez mais lojas e mercearias especializadas nestes artigos e as secções dos produtos "saudáveis" dos hipermercados estão cada vez mais completas. Nem todas as receitas pedem produtos tão específicos, mas convém lembrar que estes também podem ser comprados online.

 

Resumindo: "O Menu da Semana" é um livro de cozinha, que para além de uma componente informativa sobre organização, planeamento e menus semanais, apresenta mais de 80 receitas para almoço ou jantar (não inclui doces ou sobremesas) apenas com produtos de origem vegetal. É um livro consistente, bem escrito e bem fotografado, especialmente útil para quem segue uma dieta vegetariana ou vegan.

 

Querem saber mais sobre a Vânia? Podem acompanhar o seu trabalho no blogue "Made by Choices", e ainda no facebook e no Instagram.

 

Querem saber mais sobre o livro? Espreitem aqui na Bertrand online.

 

Passemos agora à receita do livro que escolhi: hambúrgueres de tofu com ervas frescas [com molho de iogurte, também do livro] 😋

 

Hambúrguer de tofu com molho de iogurte

HAMBÚRGUERES DE TOFU COM ERVAS FRESCAS [E MOLHO DE IOGURTE]

Receita original: livro "O Menu da Semana" de Vânia Ribeiro

 

Para 4 hambúrgueres grandes

300 g de tofu firme

1/2 chávena de farinha de aveia

2 colheres de sopa de linhaça dourada moída

2 dentes de alho picados

Cerca de 8 hastes de coentros frescos picadas

Cerca de 6 folhas de hortelã fresca picadas

Cerca de 4 folhas grandes de manjericão fresco picadas

1 colher de chá bem-cheia de pimentão doce

1 colher de chá de ervas da Provença

2 colheres de sopa de molho de soja (ou um pouco mais)

1 colher de sopa de azeite extra-virgem

1 colher de sopa de água (se necessário)

Pimenta preta acabada de moer qb

Sal marinho (se necessário)

 

Passar o tofu por água e secar.

Num processador, picar grosseiramente o tofu.

Juntar os restantes ingredientes à exceção da água.

Verificar se está moldável: se estiver seco, junte uma colher de sopa de água ou mais um pouco de molho de soja (sem exagerar!). Se estiver demasiado húmido junte um pouco mais de farinha de aveia.

Faça bolas com a massa, achatando-as e dando-lhes a forma de hambúrgueres.

Pincele um grelhador com azeite e grelhe os hambúrgueres uns 6/7 minutos de cada lado (vai depender do tamanho dos hambúrgueres).

 

Para o molho de iogurte

Receita original: livro "O Menu da Semana" de Vânia Ribeiro

 

5 colheres de sopa de iogurte vegetal (usei iogurte natural)

5 folhas grandes de manjericão fresco picadas

5 hastes de coentros frescos picadas

1 colher de sobremesa de óregãos

1-2 colheres de sumo de limão

Sal marinho qb

 

Numa taça, juntar todos os ingredientes e misturar bem. Provar e retificar os temperos, se necessário.

Sirva a acompanhar os hambúrgueres no prato ou em pão, com palitos de batata doce assados no forno.

 

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30
Set19

Lava cakes de limão [#lemonloverforever]

Lava cake de limão

Lava cakes de limão

 

Eis a melhor experiência na cozinha das últimas semanas.

Há vários nomes para este tipo de sobremesa, que consiste num queque com o interior líquido, sendo de chocolate a versão mais comum. Bolinho de lava, vulcão, fondant, demi-cuit, petit gateau... é à escolha do guloso.

 

Quando vi esta versão de limão no livro "A Sentada", de Sandra Nobre, livro de que falei aqui recentemente, neste post, fiquei logo de olhos arregalados e com uma vontade gigantesca de experimentá-la. Realmente, por que nunca tinha pensado que era possível fazer uma versão assim, de limão? E logo eu que sou do team #lemonloverforever 💛

 

Não consegui adiar muito o teste e aqui está o resultado. Simplesmente maravilhoso. Mas atenção: os queques têm que ficar cozidos no ponto, ou seja, nem demasiados cozidos - o que significa não sobrar massa líquida para escorrer quando se abrem, nem demasiado crus, que se desfaçam ao desenformar... Um aspeto essencial, para que a receita corra bem, são as formas. Eu tenho umas parecidas com estas, compradas há já uns anos no Jumbo [agora Auchan] e portaram-se lindamente.

[Atualização: no Auchan podem encontrar umas formas parecidas com as minhas, espreitem aqui]

 

Atenção que não é uma receita meiga em termos calóricos: leva chocolate branco, manteiga, açúcar, lemon curd... Digamos que é daqueles casos em que se perdoa o mal que faz, pelo bem que sabe 🤪

 

Lava cakes de limão

Lava cakes de limão

LAVA CAKES DE LIMÃO
Adaptado do livro "A sentada", de Sandra Nobre

 

Para 6 unidades

120 g de chocolate branco

100 g de manteiga

85 g de farinha

50 g de açúcar em pó 

1 pitada de sal

4 ovos + 4 gemas

230 g de lemon curd*

1/2 chá de extrato de baunilha

Açúcar em pó, frutos vermelhos e hortelã para decorar e servir.

 

*Para o lemon curd  [esta é a minha receita]

2 ovos L

100 ml de sumo de limão

140 g de açúcar

50 g de manteiga à temperatura ambiente

1 colher de sopa de raspa de limão

 

Comece por fazer o lemon curd (que pode já estar feito de véspera ou até há mais tempo).

Num tachinho de fundo espesso, misture bem os ovos com o açúcar e o sumo de limão. Leve ao lume médio, mexendo sempre com um batedor de varas, para não ganhar grumos, até engrossar, o que deve demorar menos de 10 minutos (deve ficar um creme não demasiado espesso, uniforme e brilhante, que irá ficar mais consistente depois de arrefecido). Retire do lume e incorpore a manteiga e a raspa de limão. Espere um ou dois minutos e mexa com um batedor e varas, até a manteiga estar bem derretida e bem distribuída pelo creme. Verta para frascos limpos, deixe arrefecer, tape e guarde no frigorífico até usar. Conserva-se durante cerca de 15 dias, se bem tapado e guardado no frigorífico.

 

Para fazer os lava cakes, comece por ligar o forno nos 220º.

Unte muito bem e polvilhe com farinha 6 forminhas altas de queque ou pudim - idealmente, tipo estas -  ou aplique generosamente spray desmoldante. Coloque-as num tabuleiro de ir ao forno (assim vai ser mais prático transportá-las para o forno).

Numa taça grande sobre uma panela com água (mas sem a água tocar no recipiente de cima), leve ao lume a derreter o chocolate branco com a manteiga.

Adicione os restantes ingredientes: farinha, açúcar em pó, sal, ovos, gemas, lemon curd (que deve estar frio) e baunilha. Misture bem, sem bater demasiado.

Divida este preparado pelas formas até 3/4 e leve ao forno durante cerca de 10 minutos. Vá espreitando: os bolinhos devem ficar dourados nas bordas e a querer desenformar, notando-se ainda que o centro está fluído... Pensem como costuma funcionar o vosso forno e decidam se devem deixar mais ou menos do que os 10 minutos.

Retirar do forno e deixar arrefecer uns minutos antes de desenformar (soltando a massa da forma com a ajuda de uma faca) para os pratinhos de servir.

Sirva ainda mornos polvilhados com açúcar em pó e alguns frutos vermelhos a decorar.

Se sobrarem, guarde no frigorífico (aguentam uns 2-3 dias) e aqueça um pouco no microondas antes de servir. Não experimentei congelá-los, mas imagino que funcione: no dia em que os quisesse consumir, retirava-os com alguma antecedência do congelador e aquecia-os no microondas antes de servir.

 

#lemonloversforever COMO EU? SE SIM, VÃO ADORAR ESTAS RECEITAS:

 

26
Set19

Creme de cogumelos e castanhas [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #11]

Creme de cogumelos e castanhas

Livro Tempero da Argas

 

Quando, há quinze dias, falei aqui do livro "Novas receitas paleo", tinha estado a pesquisar sobre livros com este regime alimentar, e dei conta de que havia um livro novo no mercado, de uma autora portuguesa, que falava de uma variante desse regime: a alimentação primal. É esse o livro que vos trago hoje.

 

Confesso que nunca tinha ouvido falar em alimentação ou estilo de vida 'primal' ('Primal Blueprint', no original, um conceito criado por Louren Cordain) e pelo que fui lendo entretanto, as diferenças entre esta e a dieta Paleo estão agora bastante esbatidas. Pelo que percebi, a alimentação 'primal', ainda que também se inspire nas bases alimentares dos nossos antepassados pré-revolução agrícola, é mais inclusiva e abrangente em termos de ingredientes. Mas o melhor, é sabermos o que diz Márcia Patrício, a autora do livro e a blogger por detrás do Temperos da Argas  sobre isto. Está lançado o #dizmeoquelês 11!

 

Como sempre, este post conta com o apoio da Bertrand Livreiros 💛

 

Livro Tempero da Argas

Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #11

"Temperos da Argas" - Márcia Patrício - Chá das Cinco

 

"Gosto de pensar na alimentação primal como um regresso ao tempo dos nossos bisavós, onde a alimentação era maioritariamente proveniente das terras cultivadas pela família ou de trocas entre vizinhos. O que se pretende é uma alimentação mais natural, cozinhada maioritariamente por nós, evitando as embalagens, os pacotes com aditivos que pretendem a conservação dos produtos durante meses."

[...] O objetivo é otimizar os efeitos que os alimentos e o estilo de vida têm no nosso organismo, usando o exemplo do home do Paleolítico, com uma alimentação natural, utilizando, claro, os alimentos disponíveis e a culinária moderna."

 

É desta forma que Márcia nos apresenta o seu regime alimentar e introduz os seus princípios básicos:

- a presença de legumes e fruta

- a preferência por carne, peixe e ovos de boa origem

- a preferência por laticínios fermentados de animais de produção extensiva

- a (quase) eliminação do glúten

- a (quase) eliminação de alimentos processados e refinados

 

Assim, nas páginas do livro, iremos encontrar 100 receitas, que vão ao encontro deste estilo de cozinha, divididas por diferentes categorias: Pão; Bolos e Bolachas; Sobremesas e Snacks Doces (talvez os três capítulos mais interessantes do livro, uma vez que são o tipo de receitas mais difíceis de criar sem farinhas ou açúcares convencionais), Pequeno-almoço, Sopas; Carne; Peixe; Snacks Salgados e Marmitas e, ainda, um capítulo final dedicado aos 'Básicos', com receitas de molhos e compotas.

 

Livro Tempero da Argas

 

Desta vez, não escolhi uma receita doce para testar. Já entramos oficialmente no outono e achei que esta sopa de cogumelos seria perfeita para a época. Até porque adorei a sua simplicidade e, claro, os seus ingredientes (sou só louca por castanhas e adoro cogumelos ☺️).

 

Mas marquei outras receitas do livro, como por exemplo as 'Bolachas tipo Maria", os "Pastéis de nata", o "Pão de tâmaras", o "Bolo do caco", o "Paleopic" (chocapic versão mais saudável), a "Caldeirada cremosa de peixe" ou os "Rissóis de camarão" (cuja massa e recheio abdicam da tradicional farinha de trigo e onde até o pão ralado é substituído por farinha de mandioca torrada (a farinha que se usa para fazer farofa).

 

Resumindo: "Temperos da Argas" não é um daqueles livros que compramos porque só de olhar ficamos com água na boca, até porque a fotografia não é, definitivamente, o seu ponto forte. Diria que é um livro 'funcional' e prático. Não daqueles que levamos para o sofá para ler como se fosse um romance, mas daqueles que levamos para a cozinha para lhe darmos uso a sério, caso nos identifiquemos com este regime alimentar (muitas das receitas podem ser perfeitamente incluídas em dietas vegetarianas, veganas ou low-carb). Está bem escrito, num tom descontraído e simpático. Inclui alguma informação sobre alimentação e saúde. As receitas são variadas e adequadas aos diferentes momentos do dia e, de uma maneira geral, parecem de simples e rápida confeção.

 

Querem saber mais sobre o livro? É só espreitar aqui >>> na livraria Bertrand online.

Siga para a receita do creme de cogumelos!

 

Creme de cogumelos e castanhas

CREME DE COGUMELOS E CASTANHAS

Receita original: livro "Temperos da Argas", de Márcia Patrício

 

Para 4 doses em taças pequenas

400 g de água

100 g de cogumelos 

100 g de castantas sem pele

70 g de alho-francês

2 colheres de sopa de azeite extravirgem

1 dente de alho

Sal e pimenta preta qb

Creme ou leite de coco para servir (opcional)

Vinagre ou creme balsâmico para servir (opcional)*

Folhinhas de tomilho para decorar (opcional)

 

Numa panela ou num robot de cozinha, leve a saltear no azeite o alho laminado, os cogumelos limpos e fatiados e o alho-francês em rodelas.

Quando começarem a murchar, retire alguns cogumelos e reserve-os para decorar as taças ao servir.

Junte as castanhas e a água, tempere de sal e pimenta e deixe cozinhar cerca de 35/40 minutos ou até as castanhas estarem bem cozidas.

Triture e retifique os temperos, se necessário.

Sirva quente em tacinhas individuais, decoradas com folhinhas de tomilho e os cogumelos reservados, um fio de leite de coco e/ou outro fio de vinagre ou creme balsâmico*. Também pode servir com croutons, se preferir.

 

*Apesar de ter gostado da receita, ao provar senti falta de alguma acidez. Da próxima, irei juntar uma cebola pequena aos ingredientes iniciais, mas talvez mantenha o fio de vinagre balsâmico. Não aparece nas fotografias, mas coloquei um pouco deste vinagre no momento de servir e fez um contraste maravilhoso!

 

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Teresa Rebelo

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