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Lume Brando

30
Nov18

Galette ou tarte rústica de maçã [e a 1ª resolução para 2019]

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Esta tarte fez muito sucesso quando partilhei as fotos no Instagram, por isso, apesar de ter demorado um pouco, aqui está a receita. Foi uma experiência de impulso. Tinha muitas maçãs cá em casa, queria fazer algo bonito mas reconfortante, e lembrei-me de ir repescar uma receita de massa de galette que já andava aqui no blogue. Já tinha feito galettes com várias frutas mas nunca com maçã.

 

Na massa da que trago hoje, em vez de juntar à farinha "normal" (farinha de trigo sem fermento) farinha de amêndoa, como fiz na galette de morangos balsâmicos, resolvi juntar um pouco de farinha de trigo integral. Foi uma alteração pequena e ficou igualmente deliciosa.

 

E isso fez-me pensar que faço isto muitas vezes: partir de uma receita já testada e fazer-lhe ligeiras alterações. Digamos que é uma estratégia de minimização de riscos: uma maneira de variar, sem pôr em causa o resultado final. Porque se há dias em que me apetece ser mais ousada e experimentar algo realmente novo, há outros em que jogar pelo seguro me parece a decisão mais acertada (ainda que com maçãs, seja difícil alguma receita correr mal).

 

Resolução para 2019 (já podemos começar a enumerá-las, certo?): desafiar-me em termos culinários e experimentar novas receitas e pratos clássicos que até agora nunca me deu para fazer, tipo Bouef Bourguignon. Por acaso lembrei-me agora que cozinhei ossobuco há pouco tempo, pela primeira vez, mas não fotografei porque foi ao jantar. Também estão na lista: ceviche, dumplings, bife wellington, cannolis, Paris-Brest... e podia continuar ;)

 

E por aí? Gostam de inovar e pegar sempre em receitas diferentes, ou são fãs daquelas que já fazem de olhos fechados e nunca falham?

 

Bom fim de semana!

 

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GALETTE DE MAÇÃ

 

Para a massa:

120 g de farinha s/ fermento

30 g de farinha integral 

50 g de manteiga fria partida em pedaços

1 colher de chá de açúcar amarelo

1 ovo pequeno

 

Para o recheio:

5 maçãs ( mais uma, menos uma, dependendo do tamanho)

Sumo de 1/2 limão

4 colheres de sopa de açúcar amarelo

1 colher de sopa bem cheia de farinha s/ fermento

Uma boa pitada de canela

Uma pitada de noz moscada ou cardamomo (opcional)

1 colher de sopa de manteiga

1 colher de sopa de flocos de aveia grossos

Leite para pincelar a massa

Doce de pêssego ou geleia (opcional)

 

Comece por fazer a massa: coloque todos os ingredientes numa taça grande e amasse com as pontas dos dedos até obter uma massa moldável. Forme uma bola achatada, envolva em película aderente e leve a frigorífico durante cerca de 30 minutos.

Entretanto lave, descasque e fatie finamente as maçãs. Vá colocando as fatias numa taça, regando com o sumo de limão. Junte o açúcar, as especiarias, a aveia e a farinha (a farinha vai ajudar a engrossar os sucos das maçãs, conferindo cremosidade à tarte), envolva bem. 

Ligue o forno nos 170º.

Retire a massa do frio e estique sobre uma superfície enfarinhada, dando-lhe uma forma arredondada. Espalhe as fatias de maçã, deixando um rebordo livre de massa a toda a volta, de cerca de 2,5 cm. Vire o rebordo de massa de forma a selar a galette, pressionando um pouco. Espalhe pedacinhos de manteiga por toda a tarte. Pincele o rebordo da massa com leite.

Leve a cozer durante cerca de 45/50 minutos ou até a massa estar bem dourada e firme ao toque. Antes de servir, pode pincelar com geleia ou doce de pêssego, para ficar mais brilhante.

É boa de qualquer maneira: morna ou fria, sozinha ou com gelado de baunilha, ao lanche ou ao pequeno-almoço!

 

MAIS RECEITAS COM MAÇÃ:

12
Nov18

Bolo de maçã com molho de caramelo salgado [e o aconchego que o outono pede]

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Veio mais tarde do que se esperava, mas chegou. Começou algo tímido, mas este fim de semana mostrou a sua raça. Falo do outono, essa estação que faz a natureza vestir-se de mil tons de castanho, laranja e dourado.

 

Ainda que goste muito do verão, pela atmosfera descontraída e leve que traz, as minhas estações favoritas são as de transição, a primavera e o outono. Se por um lado costumam ser mais meigas no que à meteorologia diz respeito, por outro reservam para si as cores mais bonitas do ano, seja sob a forma de flores viçosas ou de folhas à merçê do vento.

 

E depois temos os frutos e legumes da época, aguardados com mais expectativa e emoção na primavera e no outono, por romperem com a estação que se despede.

 

Como acontece quase sempre por esta altura, também este ano me chegou cá a casa uma caixa de maçãs vindas de Trás-os-Montes. E por muito boas e doces que sejam para comer ao natural, a verdade é que o forno chama por mim e diz-me que o melhor é gastar algumas em bolos e sobremesas, não vá o diabo tecê-las (ler "apodrecê-las" - o que seria tão lamentável quanto altamente improvável).

 

Assim, com o forno ligado e um cheirinho bom a invadir a casa é mais fácil esquecer que o outono tem um lado b (e que o mundo podia ser um lugar bem mais bonito). Quando chove, faz frio ou o dia está da cor do chumbo, agarro-me ao aconchego das receitas de forno, seja um bolo, uma tarte ou um assado suculento.

 

E vocês? Qual a vossa receita favorita para quando bate aquele desconfortozinho dos dias cinzentos? Aposto que este bolo de maçã com molho de caramelo salgado podia ir para a vossa lista ;)

 

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BOLO DE MAÇÃ COM MOLHO DE CARAMELO SALGADO

Chávena = 250 ml de capacidade

 

2 maçãs grandes raladas em cru

3/4 de chávena de açúcar amarelo

1 chávena mal cheia de azeite extravirgem

4 ovos (de preferência caseiros ou biológicos - o bolo fica mais húmido)

1 colher de café de essência de baunilha

2 chávenas rasas de farinha sem fermento

2 colheres de chá de fermento em pó

1,5 colheres de chá de bicarbonato de sódio

1 boa pitada de canela

 

Pré-aqueça o forno nos 180º.

Unte muito bem/polvilhe com farinha uma forma de "bundt" (forma redonda com chaminé).

Numa taça, junte os ovos, o azeite, o açúcar amarelo, a maçã ralada e a baunilha.

Noutra taça, junte a farinha, o fermento, o bicarbonato e a canela.

Vá juntando, aos poucos, os secos à mistura de líquidos.

Verta na forma e leve a cozer durante cerca de 40 minutos ou até um palito sair seco.

Retire do forno e desenforme com cuidado (eu passo uma faca de manteiga pelas laterais da forma e pela chaminé, de forma a descolar o bolo e a garantir que sai direitinho. Leve a arrefecer sobre uma rede forrada com papel vegetal ou sobre o prato de servir. Deixe arrefecer.

 

Molho de caramelo salgado

(receitas no meu livro "Estava Tudo Ótimo!")

 

Versão rápida:

 12 caramelos de nata

Água qb

1 pitada de sal ou flor de sal

 

Leve os caramelos ao lume num tachinho de fundo espesso. Junte cerca de uma colher de sopa de água e vá mexendo com o batedor de varas, até os caramelos estarem derretidos. Se achar que está muito espesso, junte mais um pouco de água – a ideia é obter um molho de caramelo nem muito grosso, nem muito fluído. Tempere com o sal e está pronto a usar.

 

Versão normal:

3 colheres de sopa de açúcar (branco, amarelo ou de coco)

3 colheres de sopa de água

3 colheres de sopa de natas

1 pitada de sal ou flor de sal

 

Acrescentado em 20/11/2018: para este bolo, aconselho a dobrar a receita de caramelo.

 

Leve o açúcar e a água ao lume num tacho de fundo espesso. Tape, para manter a humidade e assim o açúcar não cristalizar. Passado cerca de 10 minutos, levante a tampa e vá vigiando a cor do caramelo, tapando e destapando, sem nunca cair na tenção de mexer. Desligue assim que tiver adquirido um tom dourado âmbar e sentir o cheiro bom do caramelo. Lembre-se que se deixar demasiado tempo ao lume e ficar demasiado escuro, vai ficar com sabor amargo. Junte as natas com cuidado (vai borbulhar bastante) e mexa bem com um batedor de varas. Junte o sal, volte a mexer, e está pronto a usar.

 

Notas:

- Qualquer um dos caramelos fica mais espesso com o passar do tempo. Se não for usá-lo de imediato, talvez necessite de o aquecer na hora e juntar mais um pouco de água ou de natas;

- Outra técnica para que o açúcar não cristalize quando está a caramelizar é manter ao pé do fogão uma taça com água e um pincel e ir pincelando com água as laterais internas do tacho, junto ao açúcar.

 

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MAIS RECEITAS COM MAÇÃ:

 

30
Out18

Bolo de abóbora e especiarias recheado e coberto com creme de mascarpone e chocolate [Halloween 2018]

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Sim, este é um post a propósito do Halloween. Mas vamos deixar de lado a polémica sobre esta ser uma tradição importada e demasiado ligada a fins comerciais, ok? Cada um, em sua casa, fará o que de melhor entender sobre a data. E não, infelizmente, aqui para os meus lados não se celebra o Pão por Deus, uma tradição de que só tive conhecimento há poucos anos e de que a maior parte das pessoas à minha volta nunca ouviu falar (o que não deixa de ser curioso e triste, visto ser uma tradição em muitas terras portuguesas, sobretudo da região do Oeste e até da Galiza, que não está longe).

 

Em relação ao Halloween, apenas posso dar o exemplo do que se passa por aqui: não celebramos a rigor (ou seja, não faço nenhum jantar temático, nem me fantasio, nem sequer encorajo os meus filhos a fazê-lo), mas se eles me pedirem para ir em rusga fazer o "Doçura e Travessura", eu acho piada e permito, até porque é mais um momento de brincadeira e convívio com os amigos (mas peço-lhes para não serem malvados com quem não abre a porta ou não se abasteceu de guloseimas!). E tento ter sempre alguns chocolates para oferecer aos grupos que me possam tocar à campainha.

 

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Também é verdade que gosto de assinalar o Halloween aqui no blogue, sobretudo porque serve de pretexto para cozinhar algo divertido. Este ano, decidi fazer um bolo. Um bolo com um ingrediente que faz todo o sentido tendo em conta a época e a ocasião, mas que nunca tinha experimentado num bolo: abóbora. Adorei o resultado e asseguro-vos de que não precisam de ser fãs do Halloween para o fazerem. A massa é húmida e saborosa, e a mistura do chocolate com o creme de natas e mascarpone - do recheio e da cobertura - eleva-o a outro nível. Não assustador, mas viciante!

 

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BOLO DE ABÓBORA E ESPECIARIAS COM COBERTURA E RECHEIO DE CHOCOLATE E MASCARPONE

 

Para a massa

(adaptado do blogue Broma Bakery)

Chávena = 250 ml de capacidade

 

1 chávena bem cheia de puré de abóbora menina

(para obter este puré cozi a vapor cerca de 750 g de abóbora - pesada com a casca - e escorri)

1 chávena bem cheia de açúcar amarelo

1 chávena rasa de azeite extravirgem

4 ovos (de preferência caseiros ou biológicos - o bolo fica mais húmido)

1 colher de café de essência de baunilha

2 chávenas rasas de farinha sem fermento

2 colheres de chá de fermento em pó

1,5 colheres de chá de bicarbonato de sódio

1 boa pitada de canela

1 boa pitada de noz-moscada

1 pitada de sal

 

Para o recheio e cobertura

1 emb. de mascarpone (250 g)

1 emb. de queijo quark (250 g)

1 emb. de natas para bater (200 ml)

2 colheres de sopa de açúcar amarelo (ou a gosto)

1 colher de café de essência de baunilha

Algumas gotas de sumo de limão

120 g de chocolate de culinária

Leite qb

 

Para a decoração (opcional)

100 g de sucedâneo de chocolate branco para fundir

Palitos médios

Confeitos "olhos" de açúcar

 

Se quiser fazer os fantasmas, o melhor é começar por aí.

Leve o sucedâneo de chocolate branco a derreter em banho-maria.

Estenda uma folha de papel vegetal sobre a bancada de trabalho e desenhe algumas figuras de fantasma com o tamanho pretendido (não é obrigatório, pois é muito fácil ir dando forma aos fantasmas com a colher). Se fizer os desenhos, vire a folha ao contrário.

Com o chocolate bem derretido e uniforme, e com a ajuda de uma colher, vá desenhado os fantasmas na folha de papel vegetal. Coloque um palito a meio de cada fantasma e cubra-o com mais chocolate. Decore com os olhos de açúcar e deixe solidificar (se estiver com pressa, coloque a folha de vegetal sobre um tabuleiro e leve ao frigorífico). No fundo, esta é a mesma técnica das nuvens que estão no meu livro - "Estava Tudo Ótimo!", na página 64.

 

 

Pré-aqueça o forno nos 180º.

Forre com papel vegetal o fundo de duas formas redondas com 18 cm de diâmetro e unte muito bem com manteiga, polvilhando com farinha.

Numa taça, junte os ovos, o azeite, o açúcar amarelo, o puré de abóbora e a baunilha.

Noutra taça, junte a farinha, o fermento, o bicarbonato e ainda o sal, a canela e a noz-moscada.

Vá juntando, aos poucos, os secos à mistura de líquidos.

Distribua pelas formas e leve a cozer durante cerca de 30 minutos ou até um palito sair seco.

Retire do forno e leve a arrefecer sobre uma rede (eu gosto de forrar a rede com papel vegetal, para impedir que os bolos fiquem agarrados nas reentrâncias da rede). Deixe arrefecer.

 

Entretanto prepare a cobertura e o recheio.

Leve a derreter o chocolate em banho-maria com um pouco de leite. Junte mais leite, aos poucos, até obter uma consistência espessa mas espalhável. Reserve.

Coloque na taça da batedeira, as natas (que devem estar bem frias), o mascarpone, o quark, a essência de baunilha e o açúcar. Bata bem e quando estiver a engrossar junte umas gotinhas de limão, para ajudar a "prender" ainda mais.

 

Para montar e decorar:

Corte cada bolo em duas metades.

Coloque uma metade no prato de servir, com a parte do miolo virado para cima, e espalhe um pouco da mistura de mascarpone. Tape com a outra metade (com a parte do miolo virado para baixo). Barre com uma camada do chocolate derretido com leite. Coloque por cima outra metade do bolo e volte a rechear com a mistura do mascarpone. Tape com a última metade de bolo e barre todo o bolo com o creme de mascarpone.

Leve ao frio cerca de 30 minutos e volte depois a barrar com o creme sobrante, para ficar mais perfeito.

Leve de novo ao frio, idealmente durante uma hora.

Se o creme de chocolate tiver endurecido, volte a aquecer em banho-maria e deixe-o amornar.

Retire o bolo do frio e espalhe uma boa camada de chocolate por cima, fazendo-o escorrer pelas laterais do bolo de forma alternada, com umas "lágrimas" mais compridas e outras mais curtas.

Deixe endurecer um pouco e decore com os fantasmas.

 

OUTRAS RECEITAS DE HALLOWEEN:

26
Out18

Waffles sem glúten, sem lactose e sem açúcar refinado [para ver se animo as estatísticas]

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Se é a primeira vez que passam por aqui e acham que este é um blogue só com receitas saudáveis, lamento desiludir-vos. Este é um blogue que tem um pouco de tudo, tal como a dieta que seguimos cá em casa.

 

Hoje calharam estes waffles super healthy, da próxima vou trazer um bolo assim para o pecaminoso, para assinalar o Halloween. Um blogue bipolar, portanto. Tal como a sua dona (em termos de comida, entenda-se). Tanto sou feliz a comer uma lasanha de quinoa e a terminar a refeição com fruta, como a espetar o garfo nestas almôndegas demoníacas e a rematar com uma colherada disto.

 

Mas calma, tento refrear os meus desejos pelo segundo menu. Até porque tenho dois rapazes pré-adolescentes em casa e sei o quão importante é dar-lhes bons exemplos à mesa.

 

Confesso que ao pequeno-almoço nem sempre consigo honrar a bipolaridade, ou seja, quebrar a rotina e alternar entre as opções favoritas (menos saudáveis) e as mais nutritivas. O hábito é uma coisa tramada, só vos digo. E quem me tira a meia de leite e o pãozinho com manteiga tira-me tudo.

 

Pode ser que a torradeira que a minha mãe me ofereceu a semana passada, que inclui moldes para waffles, ajude nesse processo (ainda que a trabalhadeira que tive a limpá-la depois desta primeira experiência me deixe desanimada). É que esta receita, que encontrei aqui, é mesmo rápida, fácil e, vejam só, saudável. Bingo!

 

Estes waffles não levam muito mais a não ser ovos, farinha de amêndoa e mel. No fundo, são uma espécie de omelete mais consistente. Ficaram muito fofos e gostosos (e lindos, não acham?).

 

E pronto, por alguns tempos, podemos fingir que este é um blogue muito bem comportado, só com com receitas saudáveis e fit, daquelas de que toda a gente anda à procura.

 

(Não digam a ninguém, mas a seguir vou testar a torradeira com uma receita de waffles belgas, daqueles de Liège, bem doces, amanteigados e com as pontas crocantes como os de compra 😄)

 

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WAFFLES LEVES E SAUDÁVEIS

Sem glúten, sem açúcar refinado e sem lactose

(Receita original no blogue 2 Cookin' Mamas)

 

Para 2 waffles

1/2 chávena de farinha de amêndoa (eu moí amêndoa sem pele na Bimby)

2 ovos

1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio

1,5 colheres de sopa de mel de rosmaninho (ou a gosto)

2 gotinhas de extrato ou essência de baunilha (opcional)

1 pitada de canela (opcional)

1 pitada de sal

Azeite qb para untar os moldes

 

Misture todos os ingredientes, à exceção do azeite, num robot de cozinha ou com a varinha mágica.

Aqueça a torradeira com os moldes para waffles ou a máquina de waffles. Quando estiver bem quente, pincele as placas com azeite.

Verta a massa para os moldes - atenção que se colocar demasiada massa vai acabar por sair por fora.

Feche a máquina e, ao fim de uns 4 minutos, confira o ponto de cozedura: esta é uma massa que coze muito depressa.

Retire e sirva ainda morno com fruta e um fio de mel ou outro topping a gosto.

 

OUTRAS RECEITAS PARA LANCHE E PEQUENO-ALMOÇO:

19
Out18

Pão de milho e espelta [para comer também com os olhos]

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Não sou especialista em pão caseiro, ainda que de vez em quando goste de fazer algumas experiências, inspirada sobretudo pelas imagens incríveis de pão com que às vezes me deparo no Instagram. Uma côdea dourada que indicie crocância, um desenho na massa que revele originalidade (e dotes artísticos), um cenário que me remeta para comida de verdade e para a partilha de momentos felizes: adoro fotografias bonitas de pão.

 

Como já não fazia pão há algum tempo, esta semana decidi fazer a receita de um pão de milho que há algum tempo desenvolvi para um show-cooking. A minha ideia era conseguir uns cortes bonitos e inspiradores na massa. Vi alguns vídeos e posts em que se usava farinha de arroz para polvilhar o pão antes de fazer os cortes e fiquei a saber que há instrumentos de corte específicos, uns parecidos com bisturis, outros que parecem láminas de barbear. Como não tinha nada disso, resolvi usar um x-ato.

 

Com a primeira dose que levei a cozer não correu bem: um contratempo fez com que não levasse a massa ao forno na altura ideal e acabou por levedar demasiado (acho eu que foi isso, mas não estou 100% segura). Para além disso, como esta massa tem elevado teor de água e é muito húmida (é um no-knead bread), os cortes são mais difíceis de fazer. Quem viu as minhas stories no IG apercebeu-se de que o primeiro pão, apesar de eu ter tentado fazer uns cortes bonitos, não tinha crescido como devia.

 

No dia seguinte, voltei à carga, cumprindo o tempo de descanso apropriado para a receita. Usei de novo a farinha de arroz para polvilhar - sim, concluí que a farinha de arroz faz toda a diferença, pois tem um ponto de cozedura mais alto, mantendo-se branca até ao fim do tempo de forno, e dá à côdea uma ótima textura areada - mas pus de lado o x-ato, utilizando uma faca afiada comprida de gume liso. Segui, no entanto, outra dica: molhar a lámina antes de fazer cada um dos cortes. E desta vez, para não fazer asneira, fiz apenas três cortes tradicionais.

 

Os cortes têm uma razão de ser: ajudam a massa a expandir de uma forma equilibrada, como que guiando a massa ao longo da cozedura. Sem cortes, a pressão iria fazer ceder a massa onde esta estivesse mais frágil e poderia comprometer a cozedura de uma maneira uniforme.

 

Levei o pão a cozer numa panela pré-aquecida de ferro fundido, como ultimamente tenho feito, e não é que saiu esta coisa linda? Encontram a receita no final do post!

 

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Pode não ter na côdea os desenhos mais arrojados, pode não ser ainda o pão de fermentação lenta e massa-mãe caseira que um dia quero vir a fazer, mas já me deixou orgulhosa. Ainda por cima, o meu rapaz mais velho adorou o pão e tive mesmo de o fazer parar de comer.

 

E por aí, somos entusiastas de fazer pão ou nem por isso? Que dicas seguem e que me poderiam ajudar a fazer pão ainda mais bonito e saboroso? Já agora, se gostam desta temática culinária, dêem uma espreitadela a estes feeds - tenho a certeza de que irão ficar derretidos, tal como um pedaço de manteiga a travar conhecimento com uma fatia ainda quente de uma sêmea ou de um cacete estaladiço 💛:

 

E ainda o nosso incrível Mário Rolando:

 

 

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PÃO DE MILHO E ESPELTA (SEM AMASSAR)

 

150 g de farinha de milho

150 g de farinha de espelta

200 g de farinha T65

375 ml de água morna

1 pacotinho de fermento de padeiro seco

1/2 colher de sopa bem cheia de sal marinho

1 colher de sobremesa de açúcar amarelo

Farinha de arroz para polvilhar

 

Coloque a água morna numa taça grande de plástico que tenha tampa. Junte o fermento e mexa bem, para que este se dissolva. Noutra taça, pese as farinhas, junte-lhes o sal e o açúcar. Adicione estes secos, aos poucos, à mistura de água e fermento, mexendo com uma colher, só até estar tudo ligado. Coloque a tampa por cima (sem fechar hermeticamente) e deixe repousar duas horas à temperatura ambiente. Após este tempo, guarde a massa no frigorífico, tapado com a tampa, mas esta apenas pousada. Dura cerca de 10 dias no frigorífico, podendo ser usada aos poucos.

 

Quando quiser fazer pão, polvilhe com farinha a superfície da massa e retire um pedaço do tamanho de uma toranja.

Volte a tapar e a guardar no frigorífico a massa restante.

Molde a massa em forma de bola, achate-a um pouco e deixe-a repousar sobre papel vegetal polvilhado com farinha e coberto com um pano, cerca de 40 minutos.

Entretanto ligue o forno nos 200º.

Se tiver uma panela de barro ou ferro fundido com tampa, coloque-a a aquecer, vazia e sem tampa. 

Polvilhe uniformemente a massa com farinha de arroz com a ajuda de uma peneira ou um coador.

Humidifique a lámina de uma faca bem afiada e faça um corte rápido na superfície da massa. Repita o gesto as vezes apropriadas (eu fiz três cortes).

Retire a panela do forno, e transfira para esta, com cuidado para não se queimar, a massa com o papel vegetal.

Tape a panela e leve a cozer durante cerca de 40 minutos. Ao fim deste tempo, retire a tampa e, se achar que ainda está um pouco branco, retire da panela e deixe cozer mais alguns minutos sobre o papel vegetal e numa posição superior do forno, para dourar. Faça o teste de bater no pão para ver se está cozido: estará perfeito quando se ouvir um som ‘oco’. Retire do forno e deixe arrefecer sobre uma rede.

 

Nota:

Pode também cozer o pão sobre uma pedra ou um tabuleiro tradicional, idealmente pré-aquecidos; neste caso, para criar humidade no forno (tal vai acontecer naturalmente na panela tapada), coloque um tabuleiro com água a ferver na parte de baixo do forno, uns 10/15 minutos antes de colocar o pão e enquanto o pão coze. Há também quem use toalhas de felpo húmidas e regadas com água a ferver.

 

MAIS RECEITAS DE PÃO:

 

 

 

 

 

16
Out18

Caldo verde de batata-doce [para o Dia Mundial da Alimentação]

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Hoje celebra-se o Dia Mundial da Alimentação. Esta é uma iniciativa organizada pela FAO - Food and Agriculture Organization, estrutura das Nações Unidas dedicada às questões da nutrição e da alimentação. O dia 16 de outubro não foi escolhido por acaso: é a data da fundação da FAO, em 1945. O programa "ZeroHunger World - by 2030 is possible" é o grande mote das celebrações deste ano. O objetivo é sensibilizar e unir esforços para que daqui a menos de 15 anos possamos receber a notícia de que a fome, mesmo no país mais pobre do mundo, foi finalmente erradicada.

 

Para nós, privilegiados, que temos tantos produtos e tanta abundância à nossa disposição, a alimentação é muito mais do que uma questão de sobrevivência. É uma componente social e cultural muito presente nas nossas vidas. É fonte de conforto, de saúde, e de indulgência também. É tradição e é saber que passa de geração em geração. E é criatividade e mudança.

 

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Para assinalar a data, resolvi fazer uma sopa. Porque a sopa é um prato simples mas com um poder nutritivo e de aconchego assinalável. E porque nós, portugueses, temos a confeção e o consumo de sopas no nosso ADN culinário. Eis então um caldo verde, que representa a tradição, mas feito com batata-doce, que simboliza a evolução e a mudança. O salpicão crocante, esse, não só homenageia os produtos regionais portugueses, como remete para aquele pequeno "pecado" que, cometido com moderação, torna o ato de comer um verdadeiro momento de felicidade.

 

Se quiserem participar neste movimento de dimensão global, usem nas vossas partilhas nas redes sociais as hashtags #ZeroHunger e #WFD2018.

 

Mais abaixo encontram a receita deste caldo verde. Feliz Dia Mundial da Alimentação! 

 

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CALDO VERDE DE BATATA-DOCE

A partir da receita de Caldo Verde à Minhota do livro "Cozinha Tradicional Portuguesa",

de Maria de Lourdes Modesto

 

Para 4 doses generosas

 

180 g de couve galega segada para Caldo Verde

1 cebola média

600 g de batata-doce*

2 dentes de alho

4 rodelas de salpicão

75 ml de azeite extravirgem + para servir

1,5 litros de água

Sal q.b.

Broa de milho para servir

 

Leve ao lume 1,5 litros de água com a batata-doce partida em pedaços, a cebola partida em quartos, os dentes de alho, sal e metade da quantidade do azeite.

Deixe cozinhar em lume médio cerca de 30 minutos ou até os ingredientes estarem bem cozidos.

Se achar que a couve é rija, dê-lhe uma cozedura num tacho à parte e reserve.

Entretanto, pique grosseiramente as rodelas de salpicão e leve-as ao lume numa frigideira antiaderente, de forma a salteá-lo e a torná-lo crocante. Retire e escorra sobre papel de cozinha.

Triture a sopa, obtendo um creme.

Junte a couve e, se esta já estiver cozinhada, deixe apenas ferver mais uns dois minutos.

Sirva quente com um fio generoso de azeite e pedacinhos de salpicão crocante, com fatias de broa a acompanhar.

 

* Usei batata-doce branca porque quis que o aspeto fosse idêntico ao do caldo verde tradiconal, mas pode usar-se batata-doce laranja.

 

11
Out18

Tarte de maçã escondida [ou a que sabe o outono?]

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Hoje choveu por aqui. Ontem fez bastante vento e já não consegui sair à rua sem casaco, ainda que continue de manga curta por baixo. Aos poucos, a meteorologia de outono vai ficando conforme os nossos livros da primária a pintavam, ainda que por períodos mais curtos ou intermitentes, com algumas situações atípicas pelo meio.

 

Eu, que em tempos gostei da ideia de ter uma família maior, confesso que às vezes fico aterrorizada em pensar no que a geração mais nova vai ter de enfrentar em termos de mudanças climáticas, e concluo que ter dois filhos a ter de lidar com isso é mais do que suficiente. E obviamente que penso que faço pouco para combater o problema.

 

Usar guardanapos de pano, levar um saco de casa para as compras (às vezes esqueço-me) ou evitar colocar os legumes e as frutas em sacos plásticos no supermercado (abacaxi, melão e curgetes, por exemplo, já não coloco em sacos, e por isso evito ir a hipermercados, para não ter de pesar as peças antes e colar-lhes uma etiqueta), não é muito para o estado em que as coisas estão e espero conseguir começar a contribuir com mais, ou melhor dizendo, com menos.

 

Mas falemos dos sabores do outono perfeito. Do outono que chega em tons castanhos e dourados e nos deixa a antecipar tardes no sofá, com o forno ligado. O meu outono perfeito sabe a castanhas assadas, a tangerinas (gosto das agrestes, ácidas), a dióspiros com canela, abóboras gratinadas e, claro, a tartes de maçã. Ou a várias coisas com maçã, desde crumbles a gelado de maçã assada, passando por bolos, tortas e até entradas originais. Mas há qualquer coisa de mágico nas tartes de maçã, não concordam? Fazem parte do meu imaginário de conforto, de comida caseira, de felicidade sonhada ao ler os livros de quadradinhos da Disney - quem se lembra das tartes da Vovó Donalda?

 

Esta versão que hoje trago é mais saudável que outras versões aqui do blog. Por quê? Porque leva menos massa e a massa é feita de farinha de aveia, farinha de espelta integral e azeite. No recheio não resisti a usar um pouco de manteiga, o que lhe dá aquele sabor irresistível. E leva um pouco de gengibre, para ajudar a combater e prevenir as constipações típicas desta época. Numa palavra: deliciosa.

 

E o vosso outono perfeito, a que sabe?

 

tarte_maca_escondida_bx.jpg

 

TARTE DE MAÇÃ ESCONDIDA

6/8 fatias

 

Para a massa:

80 g de farinha de aveia

80 g de farinha de espelta integral

35 g de azeite extravirgem

70 g de água fria

1 pitada de sal

 

Para o recheio:

5 maçãs descascadas e partidas em cubinhos

1 colher de açúcar mascavado escuro

3 colheres de sopa de açúcar amarelo

Um fio de limão para regar as maçãs descascadas

Canela em pó qb

Um pedacinho de gengibre fresco ralado

50 g de manteiga

Ovo batido para pincelar

Açúcar em pó para finalizar (opcional)

 

Começar por fazer a massa: juntar todos os ingredientes numa taça e amassar formando uma bola. Achatar em forma de disco, envolver em película e levar ao frigorífico durante cerca de 1 hora.

Entretanto preparar o recheio: adicionar aos cubos de maçã, para além do fio de limão, o açúcar, a canela e o gengibre.

Levar ao lume com a manteiga e deixar cozinhar até a maçã amolecer, cerca de 25 minutos (vai depender da maçã que utilizar, os cubos devem ficar soft, mas não desfeitos).

Pré-aquecer o forno nos 170º.

Colocar o recheio num prato de ir ao forno (o meu tem 20 cm de diâmetro na parte mais larga).

Numa superfície enfarinhada, esticar a massa até ficar relativamente fina, cerca de dois milímetros de espessura.

Cobrir o prato com a massa (e com as sobras fazer decorações, se o desejar).

Pincelar com ovo e levar a cozer cerca de uma hora ou até a massa ficar firme ao toque.

É boa morna ou fria e, se forem muito gulosos, já sabem que uma bola de gelado faz-lhe uma ótima companhia.

 

OUTRAS RECEITAS DELICIOSAS COM MAÇÃ:

03
Out18

Bolo invertido de figos [e um verão que parece não querer acabar]

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bolo_invertido_figos_7.jpg

 

Este foi o verão em que fiquei mais bronzeada. Não porque tenha feito mais praia, mas porque foram muitos os dias em que andei ao sol, de top e calções. Não me lembro de uma férias, nem de um verão, em que não houvesse uns dias de chuva ou uns dias mais nublados. Mas em 2018 esses dias cinzentos não apareceram. E a verdade é que já viramos a página de outubro no calendário, e os dias continuam bonitos, quentes, como se vivéssemos um verão interminável.

 

Se, por um lado, este cenário é assustador, porque ligado às transformações meteorológicas a que o aquecimento global obriga, por outro não consigo deixar de pensar que este tempo é muito mais agradável do que aquele que o outono e o inverno rigorosos costumam trazer. É tão bom não ter de andar encasacada e de guarda-chuva atrás! Mas, por mais que me custe, mais tarde ou mais cedo a meteorologia vai ter de entrar nos eixos, o outono vai impôr-se sem meiguice, e os seus sinais não se vão ficar pela fruta e pelos legumes da época.

 

Enquanto esperamos, vamos celebrar este solzinho bom com um bolo invertido de figos, chocolate e vinho do Porto, combinado? 

 

bolo_invertido_figos_4.jpg

 

BOLO INVERTIDO DE FIGOS, CHOCOLATE E VINHO DO PORTO

(para um bolo pequeno - cerca de 8 fatias)

5 ou 6 figos médios
85 g de açúcar amarelo
45 ml de azeite extravirgem 
2 ovos
50 ml de vinho do Porto

90 g de farinha

1 colher de chá bem cheia de fermento em pó
80 g de pepitas de chocolate negro ou o equivalente em chocolate picado

Mel para pincelar

Pré-aqueça o forno nos 180º.
Unte uma forma redonda de 16 cm, forre o fundo com papel vegetal e unte também este.
Lave com cuidado os figos, seque-os e corte-os em fatias, descartando as pontas e as bases.
Forre o fundo da forma com as fatias de figo.
Numa taça, bata o açúcar com o azeite e junte os ovos.

Adicione o vinho do Porto e mexa bem.

Envolva a farinha e o fermento e, por último, junte o chocolate.
Verta na forma e leve ao forno cerca de 30 minutos ou até estar bem dourado e um palito sair seco do interior do bolo.
Deixe arrefecer um pouco e desenforme com cuidado para o prato de servir.
Retire o papel vegetal e deixe arrefecer completamente.

Aqueça um pouco de mel (para torná-lo mais líquido) e pincele o topo do bolo antes de servir.

 

MAIS BOLOS INVERTIDOS COM FRUTA:

 

28
Set18

Pizza de uvas americanas assadas com queijo de cabra [e uma doce viagem à infância]

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Esta semana chegou-me cá a casa um cesto de uvas, da casta popularmente chamada de "americana". Estas uvas não se conseguem comprar nos supermercados ou nas frutarias e julgo que mesmo em muitas casas e quintas com vinhas, já quase não há esta variedade, pelas razões que explico mais à frente.

 

Estas uvas têm uma pele grossa, que sai facilmente (ainda que eu coma o bago completo) e um sabor característico, mais forte do que as uvas de mesa mais comuns. Mal levei uma à boca, lembrei-me de imediato dos finais de verão da minha infância, em que íamos vindimar a casa dos meus avós maternos. Era pequena, julgo que foi ainda antes de entrar na primária, idade que me vedava o acesso aos escadotes de madeira, periclitantemente encostados aos troncos das vides. Mas lembro-me de ajudar a carregar os canistréis e de andar por ali, entretidíssima com toda aquela animação. O ponto alto era quando me davam a provar o vinho doce. Isso é que era uma emoção, sentia-me uma rapariga crescida. Afinal, estava a beber vinho, certo?

 

Recordo-me de na altura ouvir qualquer coisa sobre ser proibido ter esta casta plantada ou pelo menos fazer vinho com estas uvas, uma vez que esse vinho, conhecido pelo nome de "morangueiro", fazia mal à saúde. Isso levou a que estas uvas fossem desaparecendo, até mesmo dos pequenos quintais. Depois de uma breve pesquisa, descobri que mais do que motivos sérios ligados à segurança alimentar, o que esteve por detrás da proibição foram interesses comerciais: a uva americana produzia-se mais facilmente e em maior quantidade do que as castas europeias, permitindo produzir a bebida em maiores quantidades e a preços mais competitivos, pese embora a sua qualidade não fosse extraordinária.

 

Mas deixemos as políticas económicas de parte e voltemos ao mais importante: esta espécie de pizza, ótima para servir como entrada ou petisco numa refeição informal. Podem usar outro tipo de uvas "tintas", mas se tiverem alguém que vos possa oferecer uns cachos de uva americana (estas estavam especialmente doces, perfeitas), não hesitem: o resultado da mistura destas uvas com o alecrim e o queijo de cabra é fenomenal. 

 

Podem também optar por não fazer pizza, mas servir as uvas assadas em tostas, com um pouco de queijo esfarelado por cima. Fica igualmente bom. Quanto à massa de pizza, adaptei ligeiramente a receita do livro base da Bimby, enriquecendo-a com sementes trituradas para lhe dar crocância, mas podem usar a vossa massa de pizza favorita ou até mesmo massa de compra, se estiverem sem tempo.

 

Espero que gostem tanto desta combinação como eu. E se experimentarem, deixem um comentário, adoraria poder ouvir o vosso feedback.

 

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PIZZA DE UVAS AMERICANAS ASSADAS COM QUEIJO DE CABRA

Para 2 pizzas/ 8 pessoas, como entrada

 

400 g de massa de pizza

375 g de bagos de uvas tintas, idealmente 'americanas'

4 ou 5 colheres de sopa de queijo ricotta, rqueijão ou queijo creme

100 g de queijo chèvre

Alecrim fresco qb (não é opcional, faz toda a diferença!)

Sal qb

Pimenta preta acabada de moer

Azeite qb

 

Ligue o forno nos 220º.

 

Lave bem os bagos de uva e coloque-os num tabuleiro de ir ao forno, temperados com um fio de azeite, sal e pimenta preta. Junte ainda algumas folhinhas de alecrim fresco e envolva bem. Leve ao forno durante cerca de 15 minutos ou até estarem murchas, a largar a pele e o tabuleiro já estiver com imenso sumo. Retire e deixe arrefecer.

 

Estenda a massa em duas pizzas médias ou faça minipizzas. Coloque nos tabuleiros apropriados e pincele-as com azeite.

Baixando a temperatura do forno para os 200º, leve-as ao forno para uma pré-cozedura (eu faço isto em todas as minhas pizzas, pois gosto da massa crocante), durante cerca de 8 minutos. Retire do forno, deixe arrefecer um pouco.

 

Barre as pizzas com o ricotta ou outro queijo similar.

Espalhe alguns pedacinhos de queijo chèvre.

Espalhe agora as uvas, deixando as "agulhas" do alecrim e a maior parte do sumo no tabuleiro.

Termine com mais chèvre esfarelado e leve ao forno durante cerca de 10-15 minutos ou até o queijo estar a borbulhar e a ficar dourado.

Parta em fatias e sirva.

Se desejar, pode acompanhar com rúcula: em salada ou como topping.

 

OUTRAS RECEITAS DE PIZZA:

 

20
Set18

Bolo mármore de claras e matcha [e a importância do tempo na fotografia de comida]

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Finalmente experimentei o pó matcha num bolo. Andava curiosa, desde que comecei a ver, nos feeds de Instagram ou do Pinterest, muitas sobremesas com um verde intenso, bem como chávenas de capuccino, que em vez do castanho do café exibiam um verde cremoso. Uma tendência que não é de agora, eu é que ando sempre atrasada.

 

Para quem anda distraído, o matcha é uma variante em pó do chá verde japonês, de cor e sabor mais intensos e concentrados do que o chá verde tradicional. Isto deve-se ao facto de ter origem nas folhas jovens do chá, cultivadas com muito cuidado e protegidas da luz solar de forma a manter a sua cor vibrante, sinónimo de elevadas doses de clorofila e antioxidantes. Depois de secas, as folhas são moídas em moinhos de pedra e dão origem a este pó incrível e versátil: tanto podemos fazer chá ou colocar no leite, como usar para aromatizar e colorir uma montanha de receitas, de panquecas a tortas e bolos.

 

O seu sabor, no entanto, não é consensual. Neste bolo, não sobressai de uma maneira especialmente marcante, em todo o caso, pode substituir-se o matcha por cacau ou chocolate em pó, para um bolo mármore mais tradicional. O facto de ser feito com claras, para além de garantir um maior contraste, confere ao bolo uma textura muito macia e fofa.

 

Agora sobre as fotografias deste post. Estas devem ser as minhas fotos favoritas dos últimos meses. A câmara fotográfica é a mesma de sempre, a lente também, os props não são novos e já tinha fotografado neste canto da minha cozinha. Então, o que é que fez estas imagens ficarem tão bonitas e especiais (pelo menos para mim)? Foi o facto de ter tido tempo para me dedicar a elas.

 

Nessa manhã, tive todo o tempo do mundo para experimentar ângulos e enquadramentos, para colocar e tirar elementos da mesa, para empurrar o prato um pouco mais para a direita ou um pouco mais para a esquerda, para me encavalitar na ilha da cozinha, para polvilhar o bolo pela enésima vez, para testar aberturas e velocidades. E isso fez toda a diferença. Que venham mais dias assim!

 

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BOLO MÁRMORE DE CLARAS E MATCHA

 

6 claras de ovos L (preferencialmente caseiros, pois conferem maior humidade ao bolo)

60 ml de azeite extravirgem suave

70 g de açúcar

110 g de farinha sem fermento

1 colher de chá de fermento em pó

2 colheres de chá de pó de matcha

3 colheres de sopa de sumo de lima ou limão

Açúcar em pó e matcha para decorar

 

Ligue o forno nos 180º.

Unte muito bem com manteiga ou azeite uma forma de buraco (a minha é pequena, tem cerca de 16 cm de diâmetro na parte mais larga), e polvilhe com farinha.

Numa taça, bata o açúcar com o azeite e o sumo de lima ou limão.

Peneire a farinha e o fermento para outra taça.

Bata as claras em castelo com uma pitada de sal até ficarem bem firmes.

Junte, de forma intercalada, a mistura de farinha e fermento e as claras em castelo, à taça dos líquidos, envolvendo com suavidade.

Por fim, passe metade da massa para outra taça e junte-lhe o pó matcha, envolvendo bem.

Verta as massas alternadamente para a forma previamente untada, de maneira a criar o marmoreado.

Leve ao forno durante cerca de 30 minutos. Confira com o palito o estado da cozedura, antes de retirar o bolo do forno.

Retire do forno, deixe arrefecer alguns minutos e passe delicadamente uma colher de manteiga pelas laterais do bolo para que este descole mais facilmente. Desenforme sobre uma rede ou sobre o prato de servir e deixe arrefecer completamente. Antes de servir, polvilhe com açúcar em pó e com mais um pouco de matcha.

 

Nota: se preferir, troque o matcha por cacau ou chocolate em pó (2 colheres de sopa ou a gosto).

 

MAIS RECEITAS DE BOLOS BUNDT:

Teresa Rebelo

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