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Lume Brando

16
Jan15

Uma espécie de Dobos Torte [ou o meu bolo de aniversário]






Eu sei, eu sei que este blog parece esquizofrénico: no post anterior partilho uma receita saudável, acompanhada de um queixume sobre os excessos da quadra natalícia, e logo de seguida, na mesma semana, aparece um bolo que é um pecado.
Mas dizer que fiz anos ontem serve de atenuante, não serve?

Nem sempre me apetece fazer o meu próprio bolo de aniversário, mas este ano a vontade de experimentar uma receita nova empurrou-me logo de véspera para a cozinha.
Aviso que este bolo tem bolinha vermelha no canto superior direito: a quantidade de manteiga [e açúcar] pode chocar os mais sensíveis.

Queria ter seguido mais de perto a versão do Martha Stewart's Baking Handbook, mas ontem, quando ia preparar o recheio/cobertura não encontrei o livro [que tinha usado na véspera para fazer a massa, por isso podem imaginar o caos que se vive nas minhas prateleiras da cozinha].
Ainda recorri à internet, mas não encontrei a receita exacta, pesquisei mais algumas receitas e fiz um mix, que acabou por correr muito bem - a meio do processo achei mesmo que ia ter de recheá-lo e cobri-lo com uma simples ganache de chocolate, mas a internet, esse oráculo dos tempos modernos, salvou-me do desgosto de não conseguir (ver receita).

Não é um bolo difícil, mas é preciso algum tempo para o preparar [o que acaba por ser uma vantagem, porque assim não caimos na tentação de o fazer muitas vezes].
Mas vale bem a pena todo o esforço: ontem levei-o para casa dos meus pais, onde fiz um jantar de aniversário em família, com os meus irmãos e sobrinhos, e garanto-vos que foi um sucesso.

[as fotografias do bolo inteiro e aberto estão muito diferentes: as do bolo inteiro foram tiradas ontem ao final da tarde e as do bolo aberto hoje de manhã, a prova de que a luz faz mesmo toda a diferença.]

Bom fim-de-semana!















DOBOS TORTE - SIMPLIFICADO
A partir da receita do Martha Stewart's Baking Handbook

Para o bolo:

350 g de manteiga à temperatura ambiente
3 chávenas de farinha sem fermento
1 colher de sopa de fermento em pó
1 pitada de sal
2 chávenas + 1/4 de chávena de açúcar
8 claras de ovos grandes
3 gemas de ovos grandes
1 chávena de leite meio-gordo

Chávena = 250 ml de capacidade

Pré-aquecer o forno nos 180º. Untar e polvilhar com farinha ou usar spray desmoldante duas formas de 22 cm de diâmetro (a receita original pede 3 formas de 20 cm), forrar o fundo das formas com papel vegetal e voltar a untar/polvilhar com farinha.
Na batedeira eléctrica (o ideal é ser uma batedeira com apoio, tipo Kitchenaid, bater a manteiga com 2 chávenas de açúcar até estar bem misturado e esbranquiçado, uns 3 ou 4 minutos. Juntar as gemas uma a uma, continuando a bater. Junte o fermento e o sal à farinha. Numa velocidade baixa, juntar a farinha e o leite em três vezes e de forma alternada, começando e acabando com farinha (a receita original diz para peneirar a farinha e o fermento, eu não o fiz). Noutra taça, bater as claras com a batedeira eléctrica e quando ficarem espumosas, junte 1/4 de chávena de açúcar. Continue a bater até ficarem bem firmes. Envolva as claras no outro preparado, em duas ou três vezes e com uma espátula de borracha. Divida pelas formas untadas e leve ao forno entre 30 a 40 minutos. Aos 30, espete um palito no centro e vá controlando: o palito deve sair limpo.
Desenforme e deixe arrefecer totalmente (eu fiz os bolos à noite, na véspera).


Para o recheio e cobertura:
[Merengue suiço amanteigado de chocolate - Chocolate swiss meringue buttercream]

1 dose de merengue suiço*
200 g de chocolate de culinária de boa qualidade
450 g de manteiga à temperatura ambiente

*Merengue suiço
4 claras L
180 g de açúcar


Leve ao lume em banho-maria numa taça metálica ou de vidro (o ideal é ser a taça da batedeira) as claras misturadas com o açúcar (a água não deve tocar na taça). Mexer continuamente, até o açúcar estar dissolvido e a mistura estiver quente ao toque (cerca de 4 minutos).
Retirar do lume e bater com a batedeira eléctrica, inicialmente a baixa velocidade e depois numa velocidade média-alta, no total cerca de 7 minutos, até ficar com uma consistência extra-firme e um aspecto macio e brilhante. Reservar.
Derreter o chocolate em banho-maria e reservar.
Com a batedeira numa velocidade média-baixa (e com a pá, em vez da pinha), juntar ao merengue a manteiga aos poucos - colher de sopa a colher de sopa. Contunue a bater até ficar um creme macio e uniforme. Se parecer que a mistura talhou e está aos grumos, bater mais um pouco numa velocidade maior. Se vir que não está a melhorar, não desespere e siga a dica do Cake Central: retire uma chávena do creme talhado e leve ao micro-ondas na potência máxima entre 5 a 10 segundos - deve ficar mais líquido, meio derretido, mas não quente. Junte à batedeira novamente e bata de novo a uma velocidade média-alta: verá que vai começar a ficar parecido com um creme de manteiga (comigo resultou!).
Quando estiver macio e uniforme, junte aos poucos o chocolate derretido, diminuindo a velocidade. Assim que o creme ficar com o chocolate completamente envolvido, está pronto para ser usado no bolo.

Rechear e cobrir o bolo:

Parta cada bolo em três (usei daquelas faca compridas de serrilha de pastelaria; enquanto cortava atendia telefonemas de parabéns, daí as camadas não terem ficado muito certinhas!).
Coloque a base de um dos bolos no prato de servir e barre com o creme, coloque outra parte de bolo e barre também com o creme e assim sucessivamente. Termine barrando todo o bolo com a ajuda de um espátula - usei uma destas.

Notas:
- No livro o bolo tem nove camadas, pois foram partidos três bolos em três partes; o recheio também é um pouco diferente - ao creme do recheio, que é ligeiramente diferente do meu, foram adicionadas natas batidas; 
- Para ser um verdadeiro 'Dobos Torte', bolo de origem húngara, deveria levar ainda uma cobertura ou decorações de caramelo;
- Como é inverno e está frio, não senti necessidade de manter o bolo no frigorífico, mas no tempo mais quente é aconselhável.
- Apesar de nas fotos, a massa do bolo poder indiciar um bolo seco, não é: é húmido e delicioso!



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Teresa Rebelo

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