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Lume Brando

08
Mai17

Um salto a Melgaço [e um pão de ló húmido aldrabado]

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Créditos fotográficos: Daniel Luciano / Essência do Vinho 

 

A convite da Essência do Vinho, co-produtora, juntamente com a Câmara Municipal de Melgaço, da Festa do Alvarinho e do Fumeiro de Melgaço, no último fim de semana de abril integrei uma press tour por esta região, que para além da visita à Feira, incluiu uma série de outras experiências enogastronómicas.

 

Já confessei aqui no blogue o meu gosto pelo Minho. Apesar de fugir mais vezes para o Minho litoral, há alguns anos passei um excelente fim de semana em Melgaço, que ainda hoje recordo, e foi por isso com muito prazer que regressei a esta terra que tão bem sabe receber.

 

A Festa do Alvarinho e do Fumeiro de Melgaço é um evento que se realiza desde 1995, e que de uma pequena mostra local de produtos se transformou num grande certame com impacto nacional. Na edição deste ano, para além da presença de 32 produtores de vinho Alvarinho e mais de uma dezena de marcas de enchidos e outros produtos gastronómicos, houve também a habitual participação de restaurantes do concelho, provas comentadas, showcookings, concurso de produtos e animação musical, com diversos concertos de música popular.

 

O nosso roteiro começou, no entanto, não pela Festa mas por uma visita à Quinta de Soalheiro, a primeira marca de Alvarinho de Melgaço (as primeiras vinhas foram plantadas em 1974) e uma das mais importantes insígnias nacionais de vinho desta casta nobre. Aqui, pudemos provar diferentes vinhos da quinta e se alguns eu já conhecia, foi bom poder provar o Soalheiro Granit, o Oppaco e os vinhos biológicos da marca - o Terramater, já no mercado, e o Natur, que dentro em breve entrará na distribuição.

 

Os vinhos biológicos representam um desafio audacioso para a equipa técnica da Quinta do Soalheiro, não só pelas vinhas, que têm de ser cultivadas de acordo com as regras da agricultura biológica, mas pelos passos seguintes, nomeadamente a estabilização do vinho sem adição de sulfitos. Uma aposta que parece estar a dar, literalmente, bons frutos.

 

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Créditos fotográficos: Daniel Luciano / Essência do Vinho 

 

De seguida, rumámos à Quinta de Folga, um projeto igualmente ligado à família Cerdeira, da Quinta de Soalheiro, mas onde a especialidade não são os vinhos, mas sim o presunto e os enchidos de porco Bísaro, uma espécie animal autóctone e que os mentores do projeto ajudaram a recuperar. Foi aqui que almoçámos, numa mesa farta - tanto de comida caseira e típica da região, como de vinhos da marca Soalheiro, incluindo o seu espumante bruto de Alvarinho e o adocicado 9% Dócil, ideal para acompanhar a sobremesa. Claro que não podiam faltar o presunto e os enchidos da casa, feitos de porco Bísaro criado na quinta.

 

A qualidade é transversal a todos os produtos, mas os holofotes viraram-se para a alheira e para o presunto: irresistíveis. Estava tudo muito bom, incluindo as sobremesas, mas sobre isso - ou melhor, sobre o pão de ló da D. Palmira - falarei mais no final do post, junto da receita que vos trago.

 

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 Créditos fotográficos: Daniel Luciano / Essência do Vinho 

 

Se ficaram com água na boca, saibam que é possível almoçar na Quinta de Folga, basta fazerem a reserva com antecedência, para um grupo mínimo de 8 pessoas.

 

Para a parte da tarde, estava agendada a visita à Festa, bem como um showcooking com a Chef Justa Nobre, que nos cozinhou carne de cachena - bovino cujo habitat natural é a alta montanha e que apesar de ser criado um pouco por todo o país, é no Alto Minho que se encontra a maior concentração de produtores, bem como o selo "Carne da Cachena da Peneda DOP". Para acompanhar esta carne tenra e suculenta, a Chef Justa preparou 'cuscos' de Vinhais, uma especialidade que eu desconhecia, mas à qual fiquei rendida.

 

Ainda que a forma e a matéria-prima remeta para o vulgar cuscuz, o 'cusco' de Vinhais é feito manualmente de acordo com uma técnica antiga e rudimentar e com uma farinha de trigo específica. Ao ser cozinhado, larga uma espécie de goma, dando origem a um acompanhamento muito cremoso, uma espécie de risotto, de comer e chorar por mais.

 

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  Créditos fotográficos: Daniel Luciano / Essência do Vinho 

 

Mas não se pense que a ementa do primeiro dia ficou por aqui: por incrível que pareça, ainda teve de haver estômago para jantar num dos restaurantes mais conceituados de Melgaço, a Adega do Sossego, cuja mesa tivemos o prazer de partilhar com a Chef Justa e o seu simpático marido, José Nobre. Apesar do mais acertado ter sido fazer um passeio noturno por Melgaço, para mais facilmente se fazer a digestão de tantos repastos, após o jantar recolhemos ao Hotel Monte Prado, pois no dia seguinte esperava-nos mais uma série de visitas e provas.

 

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   Créditos fotográficos: Daniel Luciano / Essência do Vinho 

 

No dia seguinte, a primeira paragem foi no lugar de Vido, em Castro Laboreiro. Missão? Fazer pão castrejo com a ajuda de três senhoras da aldeia. Com paciência, simpatia e muitas histórias antigas pelo meio, a D. Isalina (na verdade chama-se Isolina, mas toda a gente a trata por Isalina), a D. Almerinda e a D. Rosa, mostraram-nos como se faz este pão, antigamente cozido nos fornos a lenha comunitários.

 

Uma experiência deliciosa, não só pelo pão, que trouxemos connosco, ainda quente, mas sobretudo pelo contacto com estas pessoas tão genuínas e bem-dispostas. Um verdadeiro exemplo de aceitação e gratidão, face às suas vidas duras e ao isolamento de viverem numa aldeia quase sem ninguém. Caso queiram conhecer estas senhoras e fazer um workshop de pão castrejo, contactem a empresa de animação turística Montes de Laboreiro. Se vos calhar a guia Safira, estarão bem entregues!

 

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   Créditos fotográficos: Daniel Luciano / Essência do Vinho 

 

Depois de um passeio pela aldeia de Castro Laboreiro e de um retemperador bacalhau com broa (confesso que já precisava de fazer uma pausa na carne), no restaurante panorâmico Miradouro do Castelo, partimos para a freguesia de Prado, para a última visita desta press tour: o objetivo era conhecer a Prados de Melgaço, uma empresa jovem mas já premiada, que combina a criação de cabras para obtenção de leite com a produção de queijos artesanais. Aqui, as cabras são criadas em excelentes condições, onde não falta música relaxante e um massajador, para que os animais se sintam felizes, produzam mais leite e de melhor qualidade.

 

Até os cães que por ali passeiam têm uma função: fazer com que as cabras se sintam protegidas. Este cuidado e dedicação são replicados na fase de produção, e o resultado só podia ser um queijo de cabra de qualidade superior, seja na versão fresca, creme para barrar, camembert ou nas versões curadas, com destaque para o 'Vinho Alvarinho e Pimentão', um queijo que durante a fase de maturação é mergulhado por diversas vezes numa massa de pimento vermelho e vinho Alvarinho. Para já, a produção é ainda limitada e não é fácil encontrar estes produtos fora da região do Minho, mas pode sempre dar um passeio até Melgaço e passar pela loja da queijaria.

 

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  Créditos fotográficos: Daniel Luciano / Essência do Vinho 

 

E depois deste longo relato, ainda têm barriga para uma receita de pão de ló? No almoço que nos foi servido na Quinta de Folga, a minha sobremesa favorita foi o pão de ló - era um pão de ló húmido diferente do habitual, pois parecia levar por cima um creme de ovos macio e espumoso. Tinha sido feito pela D. Palmira, a matriarca da família Cerdeira, e estava fantástico.

 

À falta de receita, decidi replicá-lo numa versão batoteira: peguei na receita da massa da torta de Viana, cozi-a numa forma redonda e - estão a ver aquela cavidade que os bolos com massa de pão de ló costumam ganhar depois de arrefecidos e que nos deixam tantas vezes desiludidos? Pois, preenchi-a com a 'minha' receita de doce de ovos todo-o-terreno. Não ficou igual ao da D. Palmira, mas deu uma rica sobremesa no almoço do domingo seguinte! Aqui vai a receita.

 

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PÃO DE LÓ HÚMIDO ALDRABADO

 

6 ovos, separados
Raspa de limão qb
125 g de açúcar
100 g de farinha sem fermento
Doce de ovos*


Pré-aqueça o forno nos 200º.
Forre uma forma redonda com cerca de 22 cm de diâmetro com papel vegetal e unte com manteiga ou spray desmoldante. Bata bem as gemas com o açúcar e a raspa de limão (usei colher de pau e bati cerca de 5 minutos).
Bata as claras em castelo e envolva-as na mistura das gemas.

Adicione a farinha e envolva bem para que fique integrada na massa.
Verta sobre a forma, alise e leve ao forno cerca de 25/30 minutos ou até o palito sair seco do seu interior.

Retire do forno, deixe arrefecer e ganhar a "cova". Antes de servir, espalhe o doce de ovos por cima.

 

*DOCE DE OVOS

(receita do chef Luís Francisco)

6 gemas + 1 ovo inteiro
250 g de açúcar
125 g de água
1 pedaço de casca de limão
1 pau de canela


Num tachinho,  levar ao lume a água, o açúcar e os aromatizantes (limão e canela).
Sem mexer, deixar levantar fervura. Quando começar a borbulhar (bolhas grandes em toda a superfície da calda), contar 3 minutos. Retirar do lume, descartar o limão e a canela e verter em fio sobre as gemas e o ovo previamente desfeitos numa taça de metal, mexendo sempre. Coar para o tacho e levar ao lume até engrossar, cerca de 10/15 minutos, mexendo sempre - uso um batedor de varas - para não ganhar grumos e sem deixar ferver. Colocar num frasco e deixar arrefecer antes de usar. Pode ser conservado no frigorífico durante várias semanas.

 

 

05
Jul13

No país dos gelados, parte II. // In ice cream land, part II.

 

























































A primeira paragem desta minha curta viagem a Itália foi Bérgamo, a pequena cidade do norte onde nasceu a polenta, e que fica apenas a 50 km de Milão.
É a cidade mais próxima da sede da empresa onde o G. trabalha e por isso muito dos seus colegas italianos são daqui. Alguns já se tornaram amigos e foi um verdadeiro luxo sermos guiados pela cidade por verdadeiros bergamascos, que a conhecem tão bem.

Passeámos pelas duas grandes zonas de Bérgamo: a 'cidade alta', com os seus monumentos medievais, praças e ruelas pitorescas, e a 'cidade baixa', mais cosmopolita, onde se situava o nosso simpático B&B.
Gostei da cidade: tranquila, limpa, onde é fácil encontrar gente atenciosa e boa comida (estamos em Itália, certo?).

De facto, foi aqui que fizemos as duas melhores refeições deste fim-de-semana comprido.
A primeira foi um jantar no restaurante Casanova, especializado em peixe e que apresenta imensos pratos com este ingrediente em cru (e não é que gostei? Digamos que achei o cru de inspiração mediterrânica bem diferente do cru oriental...).
Carpaccio de atum com burratina e molho pesto, gambas (cruas) da Sicília com ravioli de porcini e bacalhau da islândia cozido a baixa temperatura, foram algumas das coisas boas que vieram para a mesa, num jantar acompanhado por diversos tipos de espumante de uma cave italiana, que nessa noite dava a conhecer os seus produtos.
Foi um jantar tão delicioso quanto divertido, com dois casais amigos italianos, que no final me apresentaram ao talentoso chef Daniele Casanova (grazie Marco, Valentina, Ivan e Marina).

Para o dia seguinte, estava marcada a outra grande aventura gastronómica desta viagem: um almoço no Da Vittorio, considerado um dos melhores restaurantes de Itália e detentor de três estrelas Michelin (calma, não somos loucos nem milionários: o menu de degustação estava em promoção!).
Serviço impecável, pratos que pareciam obras de arte, muitas texturas e sabores para descobrir, com destaque para a esferificação de ginseng com pó de ouro, incluída na sobremesa.
Foi uma experiência memorável, a vários níveis, mas confesso que gostar, gostar, gosto de comida descomplicada, num ambiente menos clássico e mais descontraído.

Agora fica apenas a faltar uma 'mini-foto-reportagem' sobre a nossa passagem por Pádua, à ida e à vinda de Veneza.

E enquanto faço os posts sobre esta escapadinha, mais vontade ganho de voltar a Itália sem demora. Quero voltar a sentir no ar aquela língua cantada deliciosa, quero provar tudo aquilo que desta vez não consegui, quero consolar a vista com as paisagens do meu imaginário (o Lago Como desde que vi o "Amor à beira do Lago"; o litoral; a Toscânia rural; o sul), quero em Roma ser romana.

Italia, aspettami...

//


The first stop of these short trip to Italy was Bergamo, a small town on the north (the 'birthplace' of polenta), 50 km away from Milan.
It is the closest town to the headquarters of the company where G. works, so many of his Italian fellows  live here. Some have become friends and it was a real luxury to be guided around the city by real bergamascos who know it so well.

We walked through the two major areas of Bergamo: the upper town, with its medieval monuments, picturesque squares and old alleys, and the 'lower city', more cosmopolitan, and where was our friendly B & B.
I liked the city: quiet, clean, where is easy to find nice people and good food (we are in Italy, right?).

In fact, it was here that we had the two best meals of this long weekend.
The first was a dinner at Casanova restaurant, specialized in fish and presenting a lot of raw fish dishes (which, surprisingly, I loved. Let's say that the Mediterranean-inspired raw is very different from the oriental raw ...).
Tuna Carpaccio with burratina and pesto, (raw) Sicilian prawns with porcini ravioli, and Iceland cod cooked at low temperature, were some of the good things that came to the table for a great dinner that was accompanied by various types of sparkling wine from an Italian cellar, which was making a degustation of their products that night.
We had a lot of fun in this delicious dinner, in the company of two Italian couples, who at the end made me meet the talented chef Daniele Casanova (grazie Marco, Valentina, Ivan and Marina).

For the next day was scheduled another great culinary adventure: lunch at Da Vittorio, considered one of the best restaurants in Italy and home of three Michelin stars (keep calm, we are not crazy or millionaires: the degustation menu was on sale!).
Faultless service, dishes that looked like art, many textures and flavors to discover, especially the ginseng spherification with real gold powder, included in the dessert.
It was a memorable experience at various levels, but I confess that I prefer uncomplicated good food, in a less classical and more relaxed atmosphere.

Now is just missing a 'mini-photo-report' on our passage through Padua, when we was going to (and coming from) Venice.

And while I write the posts on this escapade, my desire to go back to Italy soon gets stronger.
I want to feel in the air that delicious language again, I want to taste everything this time I couldn't, I want to fulfil my view with the landscapes I have in my head since I was young (Lake Como, since I saw 'A month by the lake'; the coast; the rural Tuscany; the south), I want to be Roman in Rome.

Italia, aspettami...

12
Dez12

Viena e uma receita para o Natal.


 




































































Uma viagem de trabalho do G. a Viena, há umas semanas atrás, transformou-se numas miniférias a dois.
A altura não podia ter sido melhor, com a cidade já envolta numa alegre e colorida atmosfera natalícia.

Deu para perceber que esta é uma época muito importante para os austríacos, na sua maioria católicos. Nas ruas do centro não faltam iluminações, as coroas de advento vendem-se em todo o lado e os mercados de natal surpreendem-nos a cada esquina. Estes são uma espécie de feiras de artesanato, onde se destacam as bancas que vendem bolas e outros enfeites de natal - lindos mas caríssimos - e as bancas que servem os famosos punsch e glühwein, as bebidas quentes que ajudam os grupos de amigos e as famílias que se juntam nas praças ao fim da tarde, a afastar o frio.

Já não nos lembrávamos de andar tanto a pé. A cidade é bem maior do que imaginávamos e, apesar da excelente rede de transportes públicos, caminhar pareceu-nos a melhor maneira de ficar a conhecê-la.
O resultado, para além dos músculos cansados e da alma cheia de mundo, foram centenas de fotografias, que só agora consegui seleccionar.

Algumas ajudam a ilustrar o meu toptwelve desta visita a Viena:

1. Os mercados de natal e o ambiente mágico que neles se vive, com destaque para o da Rathaus;
2. Os cafés e o café (gostei especialmente do Kleines Café, com uma atmosfera muito informal e intimista e onde, só agora descobri, foi filmada uma cena do filme 'Antes do Amanhecer', com o Ethan Hawke e a Julie Delpy);
3. A missa de domingo na Capela Imperial do Palácio Hofburg, com um grupo de canto gregoriano, os Pequenos Cantores de Viena e um organista da Filarmónica de Viena;
4. A divertida visita guiada ao edifício da Ópera (acho que tivemos sorte com o guia);
5. Os mercados, especialmente o Naschmarkt;
6. A subida à cúpula da Karlskirche, onde se podem apreciar os frescos a muito pouca distância e ainda ter uma panorâmica sobre a cidade (ainda que seja aos quadradinhos, devido à rede de segurança);
7. O Museum Quartier, com vários museus, lojas e um ambiente cosmopolita fresco e moderno que contrasta com as clássicas atracções da cidade;
8. Os Palácios Schloss Schönbrunn e Belvedere, sobretudo pela forma como foram implantados, com espaço à volta e vista sobre a cidade (num dos Palácios Belvedere pode ver-se o beijo mais famoso do mundo, de Gustav Klimt e no Schönbrunn há esquilos simpáticos);
9. A simpatia dos austríacos, que fisicamente são mais parecidos connosco do aquilo que eu poderia imaginar;
10. As lojas Blaulicht e Kokon, onde me senti uma criança numa grande loja de brinquedos, com vontade de comprar tudo, mas onde comprei apenas duas singelas colheres de café e uma pequena rena prateada;
11. As castanhas que se vendem na rua, enormes e doces, que não sujam as mãos pois são assadas em fogareiros a gás;
12. O jantar inesperado no Zweitbester, um restaurante industrial chic que encontrámos por acaso e onde comemos muito bem sem pagar muito - o meu risotto de castanha estava delicioso e o peixe, de rio, que o G. escolheu, também.

E agora a receita. Inspirada nesta viagem.
Na segunda visita que fiz ao Naschmarkt, descobri uma banquinha liderada por dois rapazes novos que vendiam doces com aspecto caseiro. Os que mais me chamaram a atenção foram umas rodelas rústicas de chocolate cobertas com amêndoa caramelizada, o tamanho era pouco maior do que uma bolacha maria. Havia em todas as versões: chocolate preto, branco e de leite. Perguntei quanto custavam e disseram-me que era ao peso. Pegaram numa, como exemplo, e colocaram na balança, informando-me de que aquela passava dos 3 Euros. Sorri de olhos arregalados, agradeci, mas não comprei, decidida a tentar fazê-las eu, assim que voltasse.

Aqui estão elas: uma espécie de florentinas simplificadas, quem nem de forno precisam e que podem transformar-se num mimo de natal, com imensas variações.
Desta vez fiz só com chocolate preto e amêndoa, mas já estou a magicar usar pistáchios, sultanas e casca de laranja cristalizada...







'Pseudoflorentinas' de chocolate e amêndoa

Para cerca de 10

200 g de chocolate de culinária
50 g de miolo de amêndoa laminado (ou aos palitos)
1/2 colher de sopa de manteiga ou margarina
1 a 2 colheres de sopa de açúcar amarelo

Numa sertã, colocar o açúcar e a manteiga. Deixar derreter a manteiga, mexer bem e juntar a amêndoa.
Deixar cozinhar em lume médio, até a amêndoa começar a caramelizar e ganhar uma cor bonita, mexendo sempre com cuidado, para não partir as láminas de amêndoa e ficarem douradas por todo.
Retirar do lume e deixar arrefecer sobre uma folha de papel vegetal.
Levar o chocolate a derreter em banho-maria, tendo atenção para que a água do tacho não toque no recipiente do chocolate.
Quando o chocolate estiver bem derretido, verter colheradas sobre papel vegetal (usei uma colher de sopa, para círculos com cerca de  6 cm.
Espalhar por cima a amêndoa já arrefecida.
Se sobrar chocolate, passar uns fios sobre as bolachas para 'prender' melhor a amêndoa.
Deixar secar bem.
Destacar do papel vegetal com cuidado, embrulhar e oferecer!


02
Jul12

Mais perto do céu, parte II



Finalmente, os momentos mais apetitosos do fim-de-semana que passámos no Douro.

Logo no primeiro dia, e depois de um pequeno-almoço tardio, impunha-se a visita à adega, que vale a pena não só pelo evidente valor enológico, mas também pela componente arquitectónica.

A extensa prova no final da visita embalou-nos até à piscina, onde petiscámos queijos, pão, enchidos e, digamos, continuámos a prova ;)
E nem os miúdos reclamaram deste almoço leve e relaxado, que para eles incluiu sanduíches e limonada.

Dos jantares, também não nos podemos queixar: comida tradicional bem confeccionada e, claro, bom vinho a acompanhar. E houve uma sobremesa tão boa, que tentarei reproduzir em casa: carpaccio de laranja com redução de vinho do Porto e lascas de chocolate. Pena não haver registo fotográfico apresentável.

Mas a refeição mais especial destes dias foi, sem dúvida, o almoço na Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, onde já tínhamos estado o ano passado, e que agora dispõe de uma identidade e de uma filosofia próprias para o restaurante, baptizado de Conceitus.

As quatro últimas composições de imagens referem-se a esse repasto, onde houve não um, não dois, não três momentos vínicos... mas oito!
Em registo de prova, claro, que o caminho de volta apresentava muitas curvas...

Shot de melancia e gengibre, folhado de alheira em cama de grelos, infusão de videira para limpar o palato, bacalhau assado com batata gratinada (deliciosa!), crumble de frutos vermelhos com leite-creme de lúcia-lima e marshmallows caseiros... 

Que bem que se esteve ali debaixo da ramada, pela tarde fora, enquanto os miúdos se entretinham no providencial quarto das brincadeiras da quinta, mesmo ao nosso lado.

Nesse dia, Portugal venceria a Holanda, qualificando-se para os quartos-de-final do Europeu: mais uma coisa boa neste fim-de-semana memorável.


Mais sobre as escapadinhas de final de Primavera:



25
Jun12

Mais perto do céu, parte I




Todos os anos, por esta altura, costumamos fazer uma escapadinha de quatro ou cinco dias.
Vamos para fora, cá dentro: o Alentejo recebeu-nos dois anos seguidos, o ano passado foi o Douro e este ano voltámos a esta região que, merecidamente, está classificada como Património Mundial da Humanidade.

O Douro não é só paisagem e néctar dos deuses. Não que isto seja pouco: beber um copo de bom vinho a olhar os vários verdes dos socalcos é, só por si, uma experiência que nos reconcilia com a vida, normalmente demasiado buliçosa para que a apreciemos como deve ser.

Mas o Douro são também as pessoas, genuinamente simpáticas, a boa comida, o sossego e o clima, que no Inverno pode ser muito agreste, mas que nos finais da Primavera sabe comportar-se como gostamos: com sol e calor do bom, mesmo quando, num ano atípico, no resto do país faz frio e chove. 

Desta vez, a nossa casa durante quatro dias foi esta.
E uso o termo casa porque foi mesmo assim que nos sentimos: nós, o casal amigo que repetiu connosco este destino e as nossas crianças.

Vê-las felizes a descobrir os recantos da quinta ou a brincarem na piscina enquanto se punha a conversa em dia, foi uma das partes boas deste fim-de-semana prolongado, que incluiu ainda refeições suculentas e preguiçosas,
de que darei conta no próximo post...



27
Jun11

Boa vida no Douro.




Sol, boas leituras, pessoas simpáticas, bons vinhos, bons amigos, paisagem perfeita e crianças felizes: a semana que passou incluiu tudo isto em doses generosas.

Depois de nos últimos anos termos passado as nossas mini-férias de Junho no Alentejo (alguns detalhes aqui e aqui), optámos desta vez pelo Douro. E que boa escolha, esta.

Não foi a primeira vez que visitámos a região, de que somos absolutamente fãs, mas foi a primeira vez que ficámos aqui.

Um cenário de sonho - ainda que lá chegar não seja fácil! - e um atendimento extremamente simpático e disponível (um agradecimento especial à Maria, que até babysitting fez, para que pudéssemos ir jantar divinalmente, aqui), transformou estes dias na companhia de um casal amigo, em pausa maravilhosa num ano especialmente cansativo para os meus lados.

As crianças portaram-se muito bem, até porque não faltou a piscina nem uma sala cheia de brinquedos só para elas.
O passeio de barco a partir do Pinhão também fez sucesso junto dos mais novos, e os grandes gostaram de tudo, sobretudo dos dias praticamente sem relógio e dos brindes à boa vida.

Ontem, ao deitar, os miúdos só diziam "oh mãe, tenho saudades do hotel!"
Pois... Eu também...










15
Mar11

Pausa nas Astúrias.



No Carnaval, aproveitámos a ponte e fomos os quatro até às Astúrias.
Apesar das nuvens e da neve que encontrámos pelo caminho, o sol fez-nos depois companhia durante todo o fim-de-semana.

A cidade-destino foi Oviedo, com um salto a Gijón incluído.
Apesar de Gijón ficar na costa e ter praias, gostei mais de Oviedo, com o seu centro repleto de ruas e praças dedicadas exclusivamente aos peões.

Deu para experimentar a típica sidra (confesso que nem o ritual com que nos servem a bebida - vertendo-a do alto, com o copo bem afastado da garrafa, supostamente para não perder o gás - serviu para me tornar fã).

Deu para provar algumas especialidades da cozinha asturiana, como a "fabada", parecida com a nossa feijoada, mas feita de forma mais simples e com menos ingredientes. E deu, sobretudo, para passar quatro dias inteiros com os miúdos, sem relógio, stress ou preocupações. E ver como estão a ficar crescidos, quanto mais não seja pelas intensas caminhadas que fizeram sem pedir colo.

Dias deliciosos, para mais tarde recordar.


Rua do centro histórico com a catedral ao fundo


Escultura de Botero numa das mais importantes artérias comerciais da cidade


Uma das muitas praças do centro histórico



Em Oviedo, há todos os dias mercado ao ar livre


A "fabada asturiana"




A Camilo de Blas é uma espécie de 'mercearia fina' com quase 100 anos. Um autêntico paraíso gourmet!





O mercado El Fontán, bem no centro histórico, impressiona pela limpeza e organização das bancas.


Marina de Gijón


Medusas no Aquário de Gijón
17
Jun10

As férias, o blog e a preguiça.









Estas férias, passadas no Alentejo, na zona da Comporta, não fui refém da máquina fotográfica para o blog. Não tirei fotos a comida (apesar de ter comido muitíssimo bem!), nem a ementas, nem a restaurantes. Porque queria estar descontraída, dedicada só aos meus rapazes. E por preguiça, que as férias também são feitas disso.

Claro que agora estou um bocadinho arrependida, sobretudo quando me lembro do delicioso e suculento peixe grelhado do restaurante Dinis (Pescadores), na praia do Carvalhal, nas massinhas de cherne e de garoupa do Dona Bia, ou nos jantares em Álcacer do Sal, no "A Descoberta" e no "Retiro Sadino", onde adorei ver o pão servido no taleigo (saquinho de pano).

Mas nem tudo ficou sem registo. Deixo aqui algumas memórias desses dias, com destaque para o cais palafítico da Carrasqueira, cuja densidade de estacas irregulares e frágeis passadiços de madeira, criam um cenário único e surpreendente.
15
Jun09

Férias boas.



Há muito que as férias não me sabiam tão bem. Foi só uma semana, mas pareceu-me muito mais tempo. Os primeiros dias foram passados aqui. Em plena Serra do Cercal, no sudoeste alentejano, bem longe do bulício citadino.

À noite reinava o silêncio absoluto. Pela manhã, ouviam-se ao longe as campainhas que anunciavam a ida dos rebanhos para o monte. Era sinal de que o pequeno-almoço nos esperava. Pão cozido em forno de lenha, húmido por dentro e crocante por fora. Uma delícia. Manteiga, compotas, queijo, fruta fresca, sumo de laranja natural, cereais para os mais pequenos. E até ovos mexidos, presunto e tomate para quem quisesse.

Tudo vindo da cozinha de onde mais tarde sairiam pratos leves e aromáticos para o almoço e menus igualmente irresistíveis para o jantar, sem esquecer os pratos simples mas saborosos feitos de propósito para os mais novos (que jantavam antes, numa mesa só para crianças, para depois os papás poderem comer mais descansados!).

Tudo idealizado pela Mónica e pelo Alfredo, dois anfitriões com muito bom gosto. Ele é um portuense rendido ao Alentejo, artista das telas e dos pincéis com veia de cozinheiro, que nas suas tertúlias culinárias vai partilhando com os hóspedes saberes e sabores.

Salada de lulas, borrego estufado com arroz de laranja, bacalhau com gengibre e lima, curgete com molho de iogurte e queijo roquefort, creme frio de gengibre e laranja, carpaccio de vitela mertolenga com cuscuz, vieiras em caril de lima, arroz selvagem com legumes, cachaço de porco assado, carpaccio de laranja com gelado de lúcia-lima e molho de chocolate preto com pimenta, foram algumas das iguarias servidas por um staff muito simpático e atencioso, ora no alpendre, num cenário mais informal, ora na sala de jantar com abertura para a cozinha, decorada em estilo hippie chic, à semelhança do resto da Herdade.

Eu e o G. adorámos. Os miúdos também.

Teresa Rebelo

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