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Lume Brando

08
Mai17

Um salto a Melgaço [e um pão de ló húmido aldrabado]

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Créditos fotográficos: Daniel Luciano / Essência do Vinho 

 

A convite da Essência do Vinho, co-produtora, juntamente com a Câmara Municipal de Melgaço, da Festa do Alvarinho e do Fumeiro de Melgaço, no último fim de semana de abril integrei uma press tour por esta região, que para além da visita à Feira, incluiu uma série de outras experiências enogastronómicas.

 

Já confessei aqui no blogue o meu gosto pelo Minho. Apesar de fugir mais vezes para o Minho litoral, há alguns anos passei um excelente fim de semana em Melgaço, que ainda hoje recordo, e foi por isso com muito prazer que regressei a esta terra que tão bem sabe receber.

 

A Festa do Alvarinho e do Fumeiro de Melgaço é um evento que se realiza desde 1995, e que de uma pequena mostra local de produtos se transformou num grande certame com impacto nacional. Na edição deste ano, para além da presença de 32 produtores de vinho Alvarinho e mais de uma dezena de marcas de enchidos e outros produtos gastronómicos, houve também a habitual participação de restaurantes do concelho, provas comentadas, showcookings, concurso de produtos e animação musical, com diversos concertos de música popular.

 

O nosso roteiro começou, no entanto, não pela Festa mas por uma visita à Quinta de Soalheiro, a primeira marca de Alvarinho de Melgaço (as primeiras vinhas foram plantadas em 1974) e uma das mais importantes insígnias nacionais de vinho desta casta nobre. Aqui, pudemos provar diferentes vinhos da quinta e se alguns eu já conhecia, foi bom poder provar o Soalheiro Granit, o Oppaco e os vinhos biológicos da marca - o Terramater, já no mercado, e o Natur, que dentro em breve entrará na distribuição.

 

Os vinhos biológicos representam um desafio audacioso para a equipa técnica da Quinta do Soalheiro, não só pelas vinhas, que têm de ser cultivadas de acordo com as regras da agricultura biológica, mas pelos passos seguintes, nomeadamente a estabilização do vinho sem adição de sulfitos. Uma aposta que parece estar a dar, literalmente, bons frutos.

 

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Créditos fotográficos: Daniel Luciano / Essência do Vinho 

 

De seguida, rumámos à Quinta de Folga, um projeto igualmente ligado à família Cerdeira, da Quinta de Soalheiro, mas onde a especialidade não são os vinhos, mas sim o presunto e os enchidos de porco Bísaro, uma espécie animal autóctone e que os mentores do projeto ajudaram a recuperar. Foi aqui que almoçámos, numa mesa farta - tanto de comida caseira e típica da região, como de vinhos da marca Soalheiro, incluindo o seu espumante bruto de Alvarinho e o adocicado 9% Dócil, ideal para acompanhar a sobremesa. Claro que não podiam faltar o presunto e os enchidos da casa, feitos de porco Bísaro criado na quinta.

 

A qualidade é transversal a todos os produtos, mas os holofotes viraram-se para a alheira e para o presunto: irresistíveis. Estava tudo muito bom, incluindo as sobremesas, mas sobre isso - ou melhor, sobre o pão de ló da D. Palmira - falarei mais no final do post, junto da receita que vos trago.

 

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 Créditos fotográficos: Daniel Luciano / Essência do Vinho 

 

Se ficaram com água na boca, saibam que é possível almoçar na Quinta de Folga, basta fazerem a reserva com antecedência, para um grupo mínimo de 8 pessoas.

 

Para a parte da tarde, estava agendada a visita à Festa, bem como um showcooking com a Chef Justa Nobre, que nos cozinhou carne de cachena - bovino cujo habitat natural é a alta montanha e que apesar de ser criado um pouco por todo o país, é no Alto Minho que se encontra a maior concentração de produtores, bem como o selo "Carne da Cachena da Peneda DOP". Para acompanhar esta carne tenra e suculenta, a Chef Justa preparou 'cuscos' de Vinhais, uma especialidade que eu desconhecia, mas à qual fiquei rendida.

 

Ainda que a forma e a matéria-prima remeta para o vulgar cuscuz, o 'cusco' de Vinhais é feito manualmente de acordo com uma técnica antiga e rudimentar e com uma farinha de trigo específica. Ao ser cozinhado, larga uma espécie de goma, dando origem a um acompanhamento muito cremoso, uma espécie de risotto, de comer e chorar por mais.

 

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  Créditos fotográficos: Daniel Luciano / Essência do Vinho 

 

Mas não se pense que a ementa do primeiro dia ficou por aqui: por incrível que pareça, ainda teve de haver estômago para jantar num dos restaurantes mais conceituados de Melgaço, a Adega do Sossego, cuja mesa tivemos o prazer de partilhar com a Chef Justa e o seu simpático marido, José Nobre. Apesar do mais acertado ter sido fazer um passeio noturno por Melgaço, para mais facilmente se fazer a digestão de tantos repastos, após o jantar recolhemos ao Hotel Monte Prado, pois no dia seguinte esperava-nos mais uma série de visitas e provas.

 

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   Créditos fotográficos: Daniel Luciano / Essência do Vinho 

 

No dia seguinte, a primeira paragem foi no lugar de Vido, em Castro Laboreiro. Missão? Fazer pão castrejo com a ajuda de três senhoras da aldeia. Com paciência, simpatia e muitas histórias antigas pelo meio, a D. Isalina (na verdade chama-se Isolina, mas toda a gente a trata por Isalina), a D. Almerinda e a D. Rosa, mostraram-nos como se faz este pão, antigamente cozido nos fornos a lenha comunitários.

 

Uma experiência deliciosa, não só pelo pão, que trouxemos connosco, ainda quente, mas sobretudo pelo contacto com estas pessoas tão genuínas e bem-dispostas. Um verdadeiro exemplo de aceitação e gratidão, face às suas vidas duras e ao isolamento de viverem numa aldeia quase sem ninguém. Caso queiram conhecer estas senhoras e fazer um workshop de pão castrejo, contactem a empresa de animação turística Montes de Laboreiro. Se vos calhar a guia Safira, estarão bem entregues!

 

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   Créditos fotográficos: Daniel Luciano / Essência do Vinho 

 

Depois de um passeio pela aldeia de Castro Laboreiro e de um retemperador bacalhau com broa (confesso que já precisava de fazer uma pausa na carne), no restaurante panorâmico Miradouro do Castelo, partimos para a freguesia de Prado, para a última visita desta press tour: o objetivo era conhecer a Prados de Melgaço, uma empresa jovem mas já premiada, que combina a criação de cabras para obtenção de leite com a produção de queijos artesanais. Aqui, as cabras são criadas em excelentes condições, onde não falta música relaxante e um massajador, para que os animais se sintam felizes, produzam mais leite e de melhor qualidade.

 

Até os cães que por ali passeiam têm uma função: fazer com que as cabras se sintam protegidas. Este cuidado e dedicação são replicados na fase de produção, e o resultado só podia ser um queijo de cabra de qualidade superior, seja na versão fresca, creme para barrar, camembert ou nas versões curadas, com destaque para o 'Vinho Alvarinho e Pimentão', um queijo que durante a fase de maturação é mergulhado por diversas vezes numa massa de pimento vermelho e vinho Alvarinho. Para já, a produção é ainda limitada e não é fácil encontrar estes produtos fora da região do Minho, mas pode sempre dar um passeio até Melgaço e passar pela loja da queijaria.

 

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  Créditos fotográficos: Daniel Luciano / Essência do Vinho 

 

E depois deste longo relato, ainda têm barriga para uma receita de pão de ló? No almoço que nos foi servido na Quinta de Folga, a minha sobremesa favorita foi o pão de ló - era um pão de ló húmido diferente do habitual, pois parecia levar por cima um creme de ovos macio e espumoso. Tinha sido feito pela D. Palmira, a matriarca da família Cerdeira, e estava fantástico.

 

À falta de receita, decidi replicá-lo numa versão batoteira: peguei na receita da massa da torta de Viana, cozi-a numa forma redonda e - estão a ver aquela cavidade que os bolos com massa de pão de ló costumam ganhar depois de arrefecidos e que nos deixam tantas vezes desiludidos? Pois, preenchi-a com a 'minha' receita de doce de ovos todo-o-terreno. Não ficou igual ao da D. Palmira, mas deu uma rica sobremesa no almoço do domingo seguinte! Aqui vai a receita.

 

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PÃO DE LÓ HÚMIDO ALDRABADO

 

6 ovos, separados
Raspa de limão qb
125 g de açúcar
100 g de farinha sem fermento
Doce de ovos*


Pré-aqueça o forno nos 200º.
Forre uma forma redonda com cerca de 22 cm de diâmetro com papel vegetal e unte com manteiga ou spray desmoldante. Bata bem as gemas com o açúcar e a raspa de limão (usei colher de pau e bati cerca de 5 minutos).
Bata as claras em castelo e envolva-as na mistura das gemas.

Adicione a farinha e envolva bem para que fique integrada na massa.
Verta sobre a forma, alise e leve ao forno cerca de 25/30 minutos ou até o palito sair seco do seu interior.

Retire do forno, deixe arrefecer e ganhar a "cova". Antes de servir, espalhe o doce de ovos por cima.

 

*DOCE DE OVOS

(receita do chef Luís Francisco)

6 gemas + 1 ovo inteiro
250 g de açúcar
125 g de água
1 pedaço de casca de limão
1 pau de canela


Num tachinho,  levar ao lume a água, o açúcar e os aromatizantes (limão e canela).
Sem mexer, deixar levantar fervura. Quando começar a borbulhar (bolhas grandes em toda a superfície da calda), contar 3 minutos. Retirar do lume, descartar o limão e a canela e verter em fio sobre as gemas e o ovo previamente desfeitos numa taça de metal, mexendo sempre. Coar para o tacho e levar ao lume até engrossar, cerca de 10/15 minutos, mexendo sempre - uso um batedor de varas - para não ganhar grumos e sem deixar ferver. Colocar num frasco e deixar arrefecer antes de usar. Pode ser conservado no frigorífico durante várias semanas.

 

 

22
Mar17

As várias teorias da mousse [Mousse de chocolate com caramelo de amendoim salgado]

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Mousse. Assim, escrito à francesa. No meu livro, cuja escrita seguiu o Acordo Ortográfico e privilegiou as palavras portuguesas, está escrito 'musse', por uma questão de coerência. Mas gosto mais de mousse.

 

Mousse de chocolate. Uma sobremesa tão simples e unânime, mas capaz de gerar enormes e acesas discussões: sobre a sua textura, sobre o tipo e marca de chocolate a utilizar, sobre se é melhor na versão básica ou quando ganha ingredientes extra em camadas.

 

Mousse dura, que fica com uma cratera bem marcada quando se serve? Ou mousse fluída que escorre pela colher? Chocolate negro ou chocolate de culinária normal? Só mousse? Ou mousse com camadas de chantilly, camadas de mousse de chocolates diferentes ou toppings crocantes de frutos secos? Mousse só com ovos ou mousse com natas?

 

Bem que podia haver um livro de mousses (se calhar já existe, mas em caso negativo, aqui fica uma ideia para quem a quiser agarrar!), tal a quantidade de variantes e interpretações a que esta sobremesa de origem francesa se presta. Confesso que sou democrática e bastante tolerante em relação aos diferentes tipos de mousse, se calhar porque não é das minhas sobremesas favoritas. Gosto e como com prazer, mas não sou fanática. Talvez por isso não fique fiel a uma só receita de mousse, gosto de experimentar e variar.

 

A receita 'oficial' de mousse de chocolate da minha família é a receita que vem há anos na embalagem do chocolate Pantagruel - 1 tablete, 6 ovos, 6 colheres de sopa de açúcar, 1 colher de sopa manteiga. E com uns ligeiros ajustes, essa é a receita que a minha cunhada R. segue e que faz muito sucesso nas nossas festas. Como a versão tradicional está mais do que testada e assegurada, de vez em quando gosto de fazer variações, como por exemplo a mousse de chocolate e azeite com chantilly de mascarpone, que incluí no livro e que o Célio, do blog Sweet Gula, tão bem reproduziu aqui.

 

Ou então esta versão que vos trago hoje, do Livro de Cozinha, de Matt Preston, o carismático jurado do Masterchef Austrália. É uma mousse que, para além das claras batidas em castelo, leva natas batidas, ficando por isso muito macia e consistente. Não leva açúcar e, sinceramente, comida sem as natas não senti falta de doçura. É verdade que temos o caramelo de amendoim no fundo, que ajuda a contrastar, ainda que o caramelo não seja doce por aí além. As natas não levam açúcar na receita original, mas aqui já confesso a minha gula: senti necessidade de adoçá-las.

 

Em todo o caso, o veredicto do provador-mor - o maior apreciador de chocolate e de mousse cá em casa - foi o de que as natas não eram minimamente necessárias, e eu sou rapariga para concordar. O caramelo, esse sim, é um acrescento maravilhoso e uma ideia genial. Do género, porque não me lembrei de fazer isto antes?!

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MOUSSE DE CHOCOLATE COM CARAMELO DE AMENDOIM SALGADO

Ligeiramente adaptado do "Livro de Cozinha" de Matt Preston

 

Para cerca de 6 taças

 

Mousse:

100 g de chocolate negro

100 g de chocolate de culinária

30 g de manteiga

250 ml de natas

3 ovos, separados

 

Caramelo de amendoim:

155 g de açúcar

125 ml de água

150 ml de natas gordas

80 g de amendoins torrados salgados

 

 

Cobertura (opcional):

200 ml de natas

2 colheres de sopa de açúcar amarelo

Raspas de chocolate

 

Comece por preparar o caramelo de amendoim. Coloque o açúcar e a água num tachinho e deixe ao lume, sem mexer, até o açúcar se dissolver e começar a ficar em ponto de caramelo claro - não deixe o caramelo escurecer, pois para além de ficar amargo, vai depois endurecer demasiado. De vez em quando, passe um pincel com água fria nas paredes do tacho, para evitar a cristalização. Retire do lume e junte com cuidado as natas - vai borbulhar bastante. Envolva bem e misture os amendoins. Deixe arrefecer.

Derreta o chocolate com a manteiga e 50 ml de natas numa taça resistente ao calor, em banho-maria. Deixe arrefecer um pouco e junte as gemas, uma a uma. Entretanto, bata 200 ml natas até obter picos suaves e junte ao chocolate. Por fim, bata as claras em castelo firme e envolva no preparado anterior. Divida pelas taças com a ajuda de um saco de pasteleiro e leve ao frio. Pode fazer de véspera.

 

Se quiser servir com as natas, antes de servir bata-as com o açúcar até ficarem bem firmes, aplique-as no topo das taças, usando saco e bico de pasteleiro, e termine com raspas de chocolate.

14
Mar17

Um bolo de meia-estação [Bolo de chocolate branco com framboesas]

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Lembram-se do meu último post, em que falava que andava preguiçosa para cozinhar? Pois bem, parece que a coisa melhorou. Não sei se é do sol, que me deixa mais bem-disposta e com mais energia, ou se é apenas o evoluir cíclico da minha relação com a cozinha.

 

Sei que dessa vontade boa de pôr as mãos na massa, saiu este bolo de chocolate branco com framboesas.

 

Há uns tempos, comprei esta forma de A Metalúrgica Bakeware (não a comprei diretamente na fábrica, mas numa IPSS a quem a marca doou formas como forma de angariarem donativos, por isso não sei se ainda existe à venda, eu acho-a linda!), e andava ansiosa por experimentá-la.

 

Gosto muito de bolos com fruta e como queria que o bolo piscasse o olho à primavera, que está quase a chegar, resolvi usar framboesas, que por acaso é a fruta favorita do pirata mais novo, prestes a fazer anos. No final, a minha intenção ficou um pouco pelo caminho: o bolo acabou por me parecer um pouco invernoso, devido ao açúcar em pó. Mas, lembre mais o inverno ou a primavera, uma coisa é certa: ficou delicioso!

 

A receita da massa está no meu livro - Estava Tudo Ótimo! / Yang - Bolo de Chocolate Branco na pág. 162 - só aumentei ligeiramente às quantidades e alterei a temperatura e o tempo de forno, pois esta forma é mais alta. Em vez da cobertura de chocolate, esta versão leva uma primeira camada de compota de framboesas na massa, e framboesas frescas na decoração. É um bolo macio, fofo e húmido ao mesmo tempo, uma receita ótima para gastar claras que andem esquecidas no frigorífico.

 

Confesso que estava cheia de medo que o bolo não desenformasse ou que a camada da fruta ficasse agarrada à forma, mas não: saiu direitinho. Acho que o truque foi untar generosamente - e quando digo generosamente, é mesmo ser mãos largas com a manteiga. Costumo usar spray desmoldante, por ser mais rápido e prático, mas neste caso achei que seria mais eficaz criar uma boa barreira de manteiga e farinha.

 

Se, como eu, gostarem de bolos com fruta, espreitem também estas receitas:

 

Bolo invertido de kiwi

Bolo invertido de ameixa

Bolo de banana e coco

Bolo crumble de ruibarbo e frutos vermelhos

 

 

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BOLO DE CHOCOLATE BRANCO COM FRAMBOESAS

 

125 g de framboesas

1 colher de sobremesa de açúcar mascavado

1 colher de sopa de água

240 g de claras (cerca de 8)

80 g de azeite extravirgem suave

85 g de açúcar

125 g de farinha sem fermento

1 colher de sobremesa de fermento em pó

75 g de chocolate branco picado

Framboesas e açúcar em pó para decorar

 

Comece por levar as framboesas num tachinho ao lume, com uma colher de sobremesa de açúcar mascavado e e um pouco de água, cerca de 1 colher de sopa. Vá mexendo e retire do lume quando o açúcar tiver derretido e as framboesas tiverem amolecido e começado a largar sumo. Deixe arrefecer.

Pré-aqueça o forno nos 170º. Unte muito bem com manteiga e polvilhe com farinha uma forma tipo pudim pequena - a que usei neste post não tem buraco e mede 12 cm de altura e 16 cm de diâmetro na parte mais larga.

Peneire a farinha e o fermento para uma taça e reserve. Bata as claras em castelo e reserve.

Noutra taça, bata o açúcar com o azeite. Aos poucos e de forma intercalada, vá adicionando a farinha e o fermento peneirados e as claras em castelo. Por fim, envolva o chocolate branco.

Coloque no fundo da forma a compota de framboesa preparada anteriormente, mas descartando o excesso de líquido (pode guardá-lo para servir com o bolo, por exemplo - a ideia é que não escorra sumo quando desenformar o bolo).

Verta a massa para a forma e leve a cozer durante cerca de 55 minutos. Faça o teste do palito e retire o bolo do forno se aquele sair limpo. Antes de desenformar, abane a forma e veja se o bolo está descolado. Se não estiver, passe uma faca de manteiga, ou um pau de gelado, entre o bolo e a lateral da forma. Abane um pouco para verificar se já está solto e desenforme.

Deixe arrefecer. Espalhe algumas framboesas no topo e polvilhe com açúcar em pó antes de servir.

 

 

28
Fev17

Uma receita rara [Bolo de festa adequado a crianças com PKU]

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Hoje assinala-se o Dia das Doenças Raras. Na verdade, a data oficial é o dia 29 de fevereiro, precisamente por ser um dia 'raro', mas como 2017 é um ano comum, antecipa-se para o dia 28.

 

São imensas as patologias que cabem na definição lata de "doenças raras" e que colocam enormes desafios às crianças e aos adultos portadores dessas doenças, bem como às suas famílias e cuidadores. Uma dessas condições dá pelo nome abreviado de PKU ou, em bom português, fenilcetonúria.

 

No Estava Tudo Ótimo! quis incluir uma receita adequada a crianças com fenilcetonúria. Tinha contactado recentemente com a doença - que limita imenso a alimentação de quem é portador - e ficado extremamente sensibilizada com o esforço feito pelas famílias, sobretudo pelas mães destas crianças, no sentido de proporcionarem uma alimentação completa, variada e saborosa aos seus filhos, sem colocar em causa a sua saúde. 

 

Tal como explico no livro, a PKU - do inglês PhenylKetonUria - é uma doença genética grave, causada pela não produção ou funcionamento insuficiente da enzima capaz de metabolizar a fenilalanina - o aminoácido presente nas proteínas. Isto significa que as pessoas com PKU não podem ingerir proteínas de nenhum tipo ou apenas o podem fazer em quantidades mínimas e controladas. Se a sua alimentação não for clínica e rigorosamente supervisionada, podem surgir danos cerebrais graves e irrecuperáveis.

 

Leite e derivados, pão, carne, peixe, ovos, leguminosas, soja: todos estes alimentos, entre muitos outros, têm de estar ausentes ou praticamente ausentes da dieta das crianças com PKU. Como devem imaginar, o desafio para os pais e para as famílias de crianças com PKU é tremendo. Esta é uma doença rastreada no famoso ‘teste do pezinho’, à nascença, o que tem permitido que estas crianças, com o apoio de médicos especializados e o já referido empenho admirável dos seus pais e familiares, tenham hoje em dia uma vida normal e sem consequências a nível intelectual.

 

Existem alguns produtos que são disponibilizados a estas famílias, nomeadamente suplementos alimentares, massa e farinhas hipoproteicas, mas há toda uma ginástica obrigatória de quantidades de ingredientes e pesagem de produtos, para não falar da limitação que se coloca quando se pretende viajar ou fazer uma refeição fora.

 

Em conversa com mães de crianças com PKU dei conta de que as festas de anos dos outros miúdos podem ser também uma situação crítica, devido ao leque restritivo daquilo que as primeiras podem comer. Mas em diálogo com os pais, podemos encontrar soluções para que não se sintam excluídas. Por exemplo: pipocas (simples), batatas fritas, gelatinas vegetais, gomas, chupa-chupas e rebuçados de fruta, são guloseimas que os miúdos com PKU podem comer, para além de qualquer tipo de fruta fresca.

 

No livro, optei por incluir um bolo que todos pudessem comer. Afinal, o bolo é o rei da mesa e convém que seja adequado a todos os convidados. Uma receita que me foi passada com muito carinho por duas mães de crianças com esta patologia, por quem tenho a mais profunda admiração, e à qual apenas fiz umas ligeiras adaptações, sob a sua supervisão.

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BOLO DE ANIVERSÁRIO ESPECIAL

Do livro Estava Tudo Ótimo!

 

Para o bolo de laranja e baunilha

 

175 g de açúcar

100 g de margarina ou manteiga amolecida

60 g de maionese de compra (c/ovo na sua composição)

1 colher de chá de extrato de baunilha

Raspa de 1 laranja

160 g de farinha hipoproteica

160 g de amido de milho

1 pacote de pudim ‘Boca Doce’ de baunilha

1 colher de sobremesa de fermento em pó

300 ml de leite de arroz

 

Para a cobertura e recheio de creme de manteiga achocolatado

 

420 g de açúcar em pó

160 g de manteiga ou margarina

60 ml de água a ferver

10 g de cacau em pó

10 g de Nesquick

Raspa de ½ laranja

 

Para a decoração:

Jelly beans e velas coloridas

 

Pré-aqueça o forno nos 180º

Unta bem com manteiga e polvilhe com farinha hipoproteica ou amido de milho duas formas redondas com 18 cm de diâmetro. Forre o fundo com papel vegetal e volte a untar/polvilhar.

Numa taça grande, bata o açúcar com a manteiga, a maionese, a raspa de laranja e o extrato de baunilha. Noutra taça, misture a farinha com o amido de milho, o pudim e o fermento. Alternadamente, vá juntando esta mistura e a bebida de arroz à mistura anterior, de forma a que a última adição seja de farinha. Divida pelas duas formas e leve a cozer durante cerca de 40 minutos. Vá vigiando e faça o teste do palito antes de retirar do forno: se sair seco depois de espetado no centro, está pronto.

Retire, deixe arrefecer um pouco e desenforme com cuidado sobre papel vegetal.

 

Prepare a cobertura e o recheio: dilua o cacau em pó e o Nesquick na água quente, mexendo bem. Deixe arrefecer. Bata a manteiga com a batedeira até estar bem macia e vá juntando o açúcar em pó (pode fazer isto num processador de cozinha numa velocidade média alta, sem a borboleta). Junte o molho de chocolate aos poucos e continue a bater até estar bem uniforme. Por fim, junte a raspa de laranja. Confirme a consistência: deve estar um creme macio e consistente, mas fácil de barrar. Se achar que está demasiado espesso, junte um pouco de leite de arroz e volte a bater.

Coloque um pouco de creme no centro do prato de servir e coloque por cima um dos bolos, recheie com creme e coloque em cima o outro bolo (faça de modo a que os lados mais perfeitos dos bolos fiquem na base e no topo). Espalhe o creme com uma espátula por todo o bolo, retirando o excesso com uma espátula ‘raspadora’. Com o creme que sobrar, faça um decoração simples com saco e bico pasteleiro. Termine com os jelly beans e as velas coloridas.

 

 

Notas:

 

- Pode parecer estranho o uso da maionese com ovo na massa do bolo, mas a quantidade de proteína vai ser tão reduzida por fatia de bolo, que é aceitável, sendo um elemento importante na receita. Use maionese de compra, pois nesta as quantidades dos ingredientes estão parametrizadas;

 

- A farinha hipoproteica tem um sabor característico, que para quem não conhece pode não ser o mais agradável, mas nesta receita esse risco está diminuído pela presença do amido de milho, que aqui substitui metade da farinha da receita original; os bolos com este tipo de farinhas, sem glúten, têm alguma tendência a rachar, por isso desenforme com cuidado e manuseie o bolo o menos possível.

 

 Ah! No livro, encontram mais receitas para compor uma mesa catita de lanche infantil!

 

22
Nov16

Amor ao lume [Doce de romã e maçã]

 

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O fim de semana que passou foi um típico fim de semana de outono. Frio, chuva e, inevitavelmente, aquela humidade típica do Porto que por mais casacos que uma pessoa vista, entranha-se por todo o lado. Liguei o aquecimento em casa, pela primeira vez, e aproveitei a tarde preguiçosa de domingo para dar uso às romãs que tinha apanhado na quinta dos meus sogros no outro fim de semana.

 

Estas romãs são muito ácidas. Eu não me importo nada com isso, dão um sumo delicioso, para os meus gostos, mas a verdade é que sou a única cá em casa capaz de as comer. Decidi então cozinhar qualquer coisa com elas e pedi sugestões no Instagram.

 

Fazer vinagre, fazer doce, fazer chutney, servir com açúcar e vinho de Porto à sobremesa: foram várias as dicas recebidas, mas acabei por escolher o doce, seguindo o conselho de juntar maçãs, por causa da pectina. O resultado? Um doce perfeito, que superou completamente as minhas expectativas: apesar de fazer doces e compotas de vez em quando, não sou nenhuma especialista e penso sempre que não vai ficar tão bom como eu gostaria.

 

Claro que houve vários fatores que ajudaram a que o doce tenha saído no ponto, desde logo ter sido feito numa panela de ferro fundido. Julgo que foi a primeira vez que usei uma Le Creuset para fazer doce e fiquei rendida. Costumo fazer na Bimby, que é uma ótima solução quando não queremos ou não podemos estar sempre a vigiar.

 

Depois, o facto de ter sido feito com tempo. Fazer com tempo significa fazer com amor. Nos últimos tempos, não tenho tido muitas oportunidades para cozinhar com esta entrega e soube-me bem ter a panela destapada ao lume e, sem pressa, ir vigiando, ir mexendo, ir sentindo o aroma que se espalhava na cozinha.

 

Depois, foi só casar o doce com um pouco de requeijão. E o meu humor reconciliou-se de imediato com o tempo lá fora. Como uma amiga minha diz, na sua hashtag preferida, #nocéuhádisto.

 

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DOCE DE ROMÃ E MAÇÃ

 

350 ml de sumo de romã*

580 g de maçãs, pesadas já descascadas e sem caroço

480 g de açúcar

1 tira de casca de limão

1 pau de canela

Cascas e caroços de duas ou três maçãs

 

Embrulhe as cascas e os caroços de maçã num pedaço de gaze ou mousseline, atando bem e formando uma espécie de saquinho.

Junte todos os outros ingredientes numa panela de fundo espesso e leve ao lume médio.

Mexa bem e junte o saquinho com as cascas e os caroços de maçã - pode, por exemplo, atá-lo numa colher de pau e pousar a colher na panela, de forma a que o saco fique mergulhado no doce. É nas cascas e nos caroços da maçã que há mais pectina e isto vai ajudar a que o doce espesse e fique com melhor textura. Reduza para o mínimo e deixe cozinhar, mexendo de vez em quando. Deve demorar entre 1h30 a 2 horas a ficar no ponto.

Ao fim deste tempo, achei que estava pronto mas que ainda havia ainda pedaços notórios de maçã. Como gosto de doces mais uniformes, descartei a casca de limão e o pau de canela e ralei grosseiramente com a varinha mágica. Deixei ferver novamente e passei para frascos limpos.

 

*Retirei os bagos às romãs, triturei-os na Bimby e coei o sumo; para 350 ml de sumo, deve precisar de duas a três romãs.

09
Out16

Gulodice pura [Minipavlovas de café]




 
































Mil e uma revisões feitas, detalhes de última hora acertados, livro na gráfica. Alívio!

Para comemorar, umas pavlovas de café a que é praticamente impossível resistir - um pecado da gula assumido e de difícil arrependimento. Soube bem voltar à cozinha e preparar esta coisa boa. Nos últimos tempos, só lá tenho ido basicamente para preparar o jantar. E a correr. Com o ultimar do livro e novos compromissos profissionais a acontecerem em paralelo, tenho andado com pouco tempo para novas publicações, mas já fiz uma promessa a mim mesma: reservar algumas horas, todas as semanas, para me dedicar ao blogue. Se eu não cumprir, puxem-me as orelhas!

E o que dizer destas pequenas maravilhas? Que são uma adaptação de uma receita deste livro de Nigella Lawson e que são deliciosas. Substituí o molho toffee da receita original por molho de chocolate e café e resolvi juntar os bagos de romã, essa fruta tão bonita e sexy, que nesta época do ano nos pisca o olho da prateleira das frutarias ou dos supermercados. Foi a sobremesa para o almoço deste domingo, mas como não éramos muitos à mesa, resolvi usar parte do merengue para fazer suspiros.

Mas voltando ao meu livro: está quase, quase a chegar às livrarias (e posso revelar que terá também uma receita de pavlova!). Estejam atentos à página de facebook do Lume Brando, pois será aí que divulgarei, em primeira mão, a data e o local da sessão de lançamento, assim que estiver confirmada. Uma vez mais, obrigada por estarem desse lado: foram vocês que me proporcionaram esta aventura!















MINIPAVLOVAS DE CAFÉ COM MOLHO DE CHOCOLATE E CAFÉ E BAGAS DE ROMÃ

Para as pavlovas e suspiros
(adaptado de uma receita de Nigella Lawson)

125 g de claras de ovo (cerca de 4)
100 g de açúcar
100 g de açúcar em pó
50 g de açúcar amarelo
2 colheres de chá de café em pó instantâneo (usei dois pacotinhos de Nescafé)
1/2 colher de café de cremor tártaro

Para o molho de chocolate e café

80 g de chocolate de culinária
25 g de água
25 g de café

Para finalizar/decorar:

1 pacote de natas para bater (devem estar bem frias)
Bagos de 1/2 romã
Cacau em pó

Pré-aqueça o forno nos 130º função ventoinha.
Forre dois tabuleiros de forno com papel vegetal.
Numa taça, junte os açúcares, o café em pó instantâneo e o cremor tártaro.
Comece a bater as claras em castelo e, quando estas estiverem a fazer picos suaves, comece a juntar a mistura anterior, colher a colher, continuando a bater. Deve obter um merengue bem espesso, liso e brilhante.
Coloque um pouco de merengue nos cantos do papel vegetal e pressione contra o tabuleiro, para que o papel não fuja nem levante quando estiver a fazer as pavlovas.
Deite colheradas de merengue sobre o papel vegetal dos tabuleiros, bem espaçadas entre si, de forma a fazer cerca de 10 pavlovas pequenas; em alternativa, faça menos pavlovas e use o restante merengue para fazer suspiros - para isso usei um bico estrela largo e um saco de congelação (os sacos de pasteleiro descartáveis que costumo usar tinham acabado!).
Leve a cozer entre 45 a 50 minutos: estão prontos quando se soltarem muito facilmente do papel.
Desligue o forno e deixe a porta entreaberta.

Enquanto arrefecem, aproveite para tratar da romã, do molho de chocolate e das natas.
Para o molho de chocolate, junte os ingredientes numa taça e leve ao micro-ondas cerca de 1 minuto numa potência elevada. Retire e mexa bem. Confira a espessura do molho e, se achar muito espesso, junte mais um pouco de água ou café.
Bata as natas com a batedeira, sem açúcar, até obter picos bem firmes (quando começarem a prender, junte umas gotinhas de limão e verá que ficarão bem consistentes).

Coloque as pavlovas no prato de servir. Com as costas de uma colher, bata no topo de cada pavlova para ganhar espaço para as natas. Coloque uma boa colherada de natas, um fio generoso de molho de chocolate, os bagos de romã e, por fim, polvilhe com cacau em pó. Se sobrarem, sirva à parte o molho, as natas e os bagos de romã, para quem quiser colocar mais.




18
Jul16

Havia um pessegueiro na ilha.
























Havia umpessegueiro na ilha. E havia o recanto na falésia, o azul do horizonte e opoente improvisado.
O Alentejo inspirou Rui Veloso. A fruta da época e a épocadas sobremesas frescas, que se partilham depois do peixe grelhado da canção,inspirou esta tarte.

Não são precisos ingredientes sofisticados e até o fornose pode suprimir. Se não houver forma de tarte, usam-se copinhos de iogurte eserve-se em doses individuais.
Esteja onde estiver, perto do mar ou em plenointerior, esta tarte vai saber-lhe a Verão. Basta acompanhar com uma bandasonora a gosto.

Texto e receita publicados no jornal Observador em Agosto de 2015.














TARTE FRESCA DE PÊSSEGO

1 pacote de bolacha maria
70 g de manteiga amolecida
350 g de pêssegos ou nectarinas maduros – pesados já descascados e descaroçados
120 g de açúcar5 folhas de gelatina
1 pacote de natas para bater (mínimo 35% de gordura)
1/2 limão
Folhinhas de hortelã

Para decorar:
3 pêssegos ou nectarinas partidos aos cubos

Pré-aqueça o forno nos 180º.
Pique a bolacha grosseiramente e junte a manteiga, envolvendo bem. Forre o fundo de uma forma amovível – 18 ou 20 cm de diâmetro – com esta mistura, pressionando com os dedos de forma a criar uma base compacta.
Leve ao forno cerca de 10 minutos. Retire e deixe arrefecer.
Entretanto coloque as folhas de gelatina a amolecer num prato fundo com água.
Triture a fruta com um fio de sumo de limão e o açúcar até obter um puré (se a fruta for especialmente doce, diminua ao açúcar).
Escorra as folhas de gelatina e derreta-as no micro-ondas (bastam alguns segundos na potência máxima; mexa o líquido que se formou para ter a certeza de que está bem dissolvida. Se não tiver micro-ondas, leve as folhas ao lume num tachinho, mexendo sempre até estarem bem dissolvidas).
Junte ao preparado da fruta misturando bem.
Monte as natas com a batedeira elétrica. Quando começarem a ficar firmes, adicione algumas gotas de limão, que vão ajudar a ‘prender’ as natas, e junte estas ao preparado anterior envolvendo com cuidado.
Verta para a forma entretanto arrefecida.
Tape com película aderente e leve ao frigorífico, idealmente de um dia para o outro.
Sirva decorado com pêssegos frescos, ou nectarinas, regados com um fio de limão para não oxidarem, e folhinhas de hortelã.

Nota: se não quiser ou puder usar forno, triture as bolachas (pode omitir a manteiga) e distribua por copinhos de vidro, encha depois com o preparado de pêssego e leve ao frigorífico. No momento de servir, distribua a fruta e a hortelã pelos copinhos.


21
Jun16

Hello Summer!



Rapazes de férias, calor a mais, trabalho a acumular-se. Uma trilogia que me empurra para a cozinha na procura de outro três em um: entretê-los, refrescarmo-nos e traçar um plano B. Sim, porque o A — mantê-los sossegados, ter a casa fresca e conseguir despachar o trabalho — desapareceu tão depressa como os folhadinhos de salsicha nos lanches partilhados.

No momento de tirar as fotos, sinto que se calhar não foi assim tão boa ideia incluí-los como assistentes: queriam à força que os baldes de praia e as formas de plástico fizessem parte do cenário. Se fossem aquelas peças vintage, de lata, que às vezes aparecem nas feiras de velharias e antiguidades, aceitaria de bom grado, mas baldes riscados com asas partidas e formas desemparelhadas, lamento meus amores, mas não posso deixar que ganhem estatuto de props.
Tento disparar rapidamente e, pouco depois, os piratas têm direito ao seu tesouro gelado.
Dez minutos de paz fresquinha.

Falta muito para recomeçarem as aulas?


Texto e receita publicados no jornal Observador em junho de 2015.





GELADINHOS FÁCEIS DE CARAMELO E CHOCOLATE
Para 6
(a quantidade pode variar de acordo com o tamanho das formas)

3 iogurtes naturais tipo grego?
180 g de doce de leite ou leite condensado cozido?
150 g de chocolate de culinária?
Avelãs qb?

Numa taça, misture bem o doce de leite ou o leite condensado cozido com o iogurte, até obter um creme uniforme.
Distribua pelos moldes, insira os pauzinhos e leve ao congelador no mínimo oito horas (o ideal é fazer de um dia para o outro).?
Um pouco antes de servir, prepare as avelãs: torre-as numa frigideira anti-aderente e retire-lhes a pele, embrulhando-as num pano limpo de cozinha e friccionando-o contra a bancada de trabalho. Pique-as grosseiramente e reserve.?
Leve a derreter o chocolate em banho-maria e verta-o para um copo relativamente estreito, mas onde possa mergulhar os gelados.
Retire estes do congelador e dos moldes, mergulhe-os no chocolate derretido e salpique com as avelãs.
Deixe o chocolate endurecer e sirva.



01
Jun16

Hoje a criança sou eu.



















As minhas duas coisas favoritas em pastelaria: sprinkles coloridos e coberturas feitas com bico pasteleiro. Quando aparecem juntas, é fácil imaginar-me num mundo encantado de fadas e desejos impossíveis tornados realidade.
Um ambiente mágico feito de nuvens fofas, saltos bem altos e muitas gargalhadas.

Por isso, este ano, para assinalar o Dia Mundial da Criança, decidi mimar a criança que há em mim e fazer uns cupcakes inspirados nesse mundo de fantasia.
Um bocadinho Willy Wonka style, mas com chocolate branco e cores mais suaves.
E pela primeira vez, consegui fazer uma ganache de chocolate branco moldável - uma cobertura que achava impossível de conseguir, depois de várias tentativas falhadas.

Confesso que preferi os queques sem cobertura (a massa também leva chocolate branco e é deliciosa), mas a ideia desta receita, mais do que comer a sério, era comer com os olhos e deixar-me levar.

Feliz Dia da Criança [e que este possa ser celebrado todos os dias]!














CUPCAKES DE CHOCOLATE BRANCO COM SPRINKLES

Para 12

6 claras de ovo
60 g de azeite virgem extra suave
70 g de açúcar
50 g de chocolate branco picado
110 g de farinha sem fermento
1 colher de chá de fermento em pó
1 pitada de sal
2 colheres de sopa de sprinkles coloridos redondos médios

Para a cobertura:
300 g de chocolate branco
185 ml de natas p/ bater
1 colher de sopa de manteiga
Sprinkles coloridos


Comece por preparar a cobertura: parta o chocolate branco em pedaços para uma taça de vidro ou metal. Leve as natas e a manteiga ao lume até começarem a fervilhar. Retire do lume e verta-as (coando-as) sobre o chocolate branco. Espere uns minutos e mexa bem até obter um creme uniforme.
Deixe arrefecer e depois leve ao frigorífico durante umas duas ou três horas.

Entretanto ligue o forno nos 180º.
Distribua as forminhas de papel pelas cavidades de um tabuleiro para 12 queques.
Bata as claras em castelo com uma pitada de sal e reserve.
Bata muito bem o açúcar com o azeite.
Aos poucos, vá juntando as claras e a farinha já misturada com o fermento.
Por fim, envolva o chocolate branco e os sprinkles.
Distribua pelas forminhas e leve ao forno durante cerca de 12-14 minutos ou até um palito sair seco quando espetado no centro de um queque.
Retire do forno, retire os queques do tabuleiro e deixe-os arrefecer sobre uma grade.

Para cobrir, retire a ganache do frigorífico e bata-a com a batedeira elétrica até obter um creme espesso liso. Passe-o para um saco de pasteleiro munido de um bico a seu gosto e cubra os queques.
Termine com os sprinkles.

Notas:

- Usar os sprinkles redondos médios na massa do bolo garante que estes se notam no queque já cozido; já experimentei com os sprinkles granulados (tipo o granulado de chocolate dos brigadeiros mas coloridos) e desbotam na massa;

- Estes queques são uma adaptação de um bolo maravilhoso que vai estar no livro ;)

- Adoro as cores destes sprinkles, são da loja Casa.












11
Mai16

Um bolo como terapia.
































Sei bem que por estes dias não é nada original falar do (mau) tempo.
Mas não há maneira de me conformar com esta primavera desobediente.
Uma primavera tão rebelde que deve andar a pôr os nervos dos publicitários (e dos bloggers*) em franja. Passar por mupis que dizem "O calor pede uma bebida assim", enquanto apertamos a gabardine e abrimos, pela quarta ou quinta vez nesse dia, o guarda-chuva; ou ouvir um spot na rádio que diz "Agora que chegou o bom tempo, vou é sair e divertir-me com os amigos" quando estamos na fila de trânsito típica dos dias cinzentos com o limpa pára-brisas a funcionar, não abona muito a favor das campanhas. A mim, irritam-me.

Não que não tente aceitar esta meteorologia desfavorável. Eu tento, juro. Penso na água que é tão importante; imagino que este ano, felizmente, não vai faltar rega aos agricultores (ainda que uma parte de mim desconfie que daqui a uns meses os telejornais vão estar na mesma a abrir com notícias da seca); penso que este ano é que o Verão vai ser bestial... Mas ao que tudo indica, não é só uma questão de atitude e de pensamento positivo. Está provado que o sol estimula a produção de substâncias como a serotonina, a dopamina e a melatonina, responsáveis pelo bom-humor e boa-disposição. Não é à toa que nos países nórdicos, privados de luz natural durante longos períodos no ano, e onde se registam elevadas taxas de depressão e suicídio, é comum a Terapia da Luz, em que o paciente é exposto a uma luz artificial semelhante à luz solar, de forma a que o corpo possa corrigir o ciclo de sono e produzir as hormonas em falta.

Não sei se por cá vamos começar a adoptar este tratamento para a depressão sazonal, uma vez que a avaliar pelas primaveras passadas, este 'tempo fora de tempo' parece, infelizmente, uma tendência cada vez mais natural. Mas sei que cozinhar - especialmente fazer bolos ou algo que implique ligar o forno, talvez pelo processo da espera - pode bem ser uma espécie de terapia.
Por isso, se o sol não vem até nós, vamos nós ter com o sol, através de um bolo de iogurte com sabor a lima-limão, sementes de papoila, recheio de lemon curd e cobertura de mascarpone e lemon curd: um verdadeiro festim para que, pelo menos durante alguns momentos, possamos esquecer que lá fora continua outono.


*Tirar estas fotos num dia instável como o de ontem foi um filme. Dentro de casa não tinha luz suficiente. Resolvi montar o estaminé na varanda, não estava a chover. Tiro as fotos ao lemon curd, começa a chover, tenho de levar tudo para dentro. Cubro o bolo, dá-se uma aberta e volto para a varanda. De repente, o cinzento do céu vira chumbo e desata a chover a sério. Volto com tudo para dentro, onde, depois do tempo desanuviar um pouco, acabo por fotografar o bolo aberto e a fatia do bolo...
















BOLO DE IOGURTE E LIMA-LIMÃO C/ SEMENTES DE PAPOILA
RECHEIO DE LEMON CURD E COBERTURA DE MASCARPONE E LIMÃO

Para o bolo:
[adaptado da revista Saveurs - Spécial Desserts 2016]

3 ovos L
150 g de açúcar
200 g de farinha s/ fermento
80 g de azeite extra virgem suave
1 iogurte natural
2 colheres de chá de fermento em pó
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
Raspa e sumo de 1 lima e 2 limões
2 colheres de sopa de sementes de papoila

Para o recheio, cobertura e decoração:

1 dose de lemon curd*
1 embalagem de mascarpone
Rodelas de limão e lima, hortelã ou outras folhas verdes a gosto

*Lemon curd
50 ml de sumo de limão
1 ovo L
75 g de açúcar
1 colher de sobremesa de raspas de limão
30 g de manteiga à temperatura ambiente


Comece por preparar o lemon curd: leve ao lume o ovo bem misturado com o açúcar e o sumo de limão. Com um batedor de varas, mexa sempre para não ganhar grumos, até engrossar.
Deve demorar cerca de 10 minutos. Retire do lume e incorpore a manteiga em pedaços e a raspa de limão. Mexa até a  estar bem derretida e dissolvida no creme.
Passe para um frasco esterilizado, tape, deixe arrefecer e guarde no frigorífico.

Pré-aqueça o forno nos 180º.
Unte muito bem duas formas de 20 cm de diâmetro, polvilhe com farinha, forre-lhes o fundo com papel vegetal e volte a untar/polvilhar (em alternativa, use spray desmoldante em vez da manteiga e da farinha, mas use na mesma o papel vegetal).
Numa taça, bata os ovos com o açúcar. Junte o azeite e depois a farinha, o fermento e o bicarbonato.
Adicione o iogurte, depois o sumo e a raspa da lima e dos limões. Por fim, envolva as sementes de papoila. Divida pelas duas formas e leve ao forno cerca de 20-22 minutos - faça o teste do palito antes de retirar. Desenforme e deixe arrefecer.

Para rechear e cobrir: coloque um dos bolos no prato de servir, com o lado mais perfeito virado para o prato. Barre com duas colheres de sopa de lemon curd, e coloque o outro bolo por cima, com o lado mais perfeito virado para cima.
Numa taça, bata bem o mascarpone. Junte-lhe o restante lemon curd e mexa bem. No início poderá parecer demasiado espesso, mas continue a bater com o batedor de varas, até ficar uma espécie de creme de manteiga macio e brilhante. Cubra todo o bolo com a ajuda de uma espátula, retirando o excesso, nomeadamente das laterais do bolo. Decore com as rodelas de lima e limão e algumas folhinhas verdes ao seu gosto. Leve ao frigorífico antes de servir (pode fazer o bolo de véspera: no dia seguinte os sabores estão ainda mais pronunciados e vai saber ainda melhor; neste caso, pode cobrir na véspera mas coloque as rodelas de lima e limão apenas no dia).

Mais receitas para quem gosta de limão:

Mousse de limão instantânea
Cupcakes de limão
Bolo de limão
Bolo de limão c/ cobertura de chocolate branco
Bolo de limão e sementes de papoila da avó do Jamie
Caixinhas de chocolate com lemon curd e framboesa
Minitartes de mascarpone, framboesa e lemon curd
Pudim de limão
Tarte merengada de limão
Quadrados de limão



Teresa Rebelo

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