Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Lume Brando

08
Mar17

Contra a preguiça, cozinhar, cozinhar [Cuscuz de milho com bacon, cenoura e ervilhas]

cuscuz-milho.jpg

 

Gosto muito de cozinhar. Uma afirmação um tanto palerma, tendo em conta que tenho um blogue de cozinha e até já escrevi um livro de receitas. No entanto, achei que esta ressalva era importante para me defender do que vou confessar a seguir:  há dias em que não me apetece nada cozinhar. Ou porque não estou inspirada, ou porque precisava do tempo passado na cozinha para fazer outras coisas, ou simplesmente porque não. Será que sou a única que tanto consegue ter uma paixão desmesurada pelas receitas e por lhes dar forma, como ter dias em que o que o que queria mesmo era ter um marido com jeito e disponibilidade para a cozinha?

 

Como, pelo menos por agora, não imagino esse desejo cíclico a concretizar-se, resta-me contrariar a preguiça e tentar pôr comida na mesa. Para todos, ao jantar. Para mim, ao almoço, sempre que não tenho sobras da véspera - o que, para mal dos meus pecados, acontece cada vez mais, devido ao apetite faraónico dos meus pré-adolescentes (dizem que vai piorar, socorro!).

 

Esta salada de cuscuz, feita de improviso com o que havia no frigorifico, foi um dos meus mais recentes almoços e achei-a tão fotogénica que decidi fotografá-la e partilhá-la.

 

Sou fã de cuscuz -  hidratos mais rápidos de preparar, só se for pão... comprado - e é o acompanhamento de vários pratos cá em casa, sobretudo de receitas com molho, como peixe estufado ou bolonhesa. Mas só recentemente é que descobri o cuscuz de milho. O sabor é discreto - os rapazes, que também já o provaram, dizem que não sentiram diferença - no entanto, em termos de textura, achei que não fica tão firme como o cuscuz de trigo. Isto porque eu nunca salteio o cuscuz depois de cozido, no entanto, no caso do cuscuz de milho, passá-lo por uma frigideira quente com um fio de azeite, depois de cozido, talvez seja uma boa ideia.

 

Outra diferença: no caso do cuscuz de milho, relativamente à quantidade de água, usa-se o dobro do peso dos grãos e é ainda mais rápido a cozer do que o de trigo! Uma vantagem para quando a vontade de ir para a cozinha é pouca ;)

 

cuscuz-milho2_2.jpg

CUSCUZ DE MILHO COM BACON, CENOURA E ERVILHAS

Para 1 taça generosa

 

1/2 cebola roxa picada grosseiramente

2 dentes de alho

1/2 cenoura

1/2 talo de alho francês

1/2 chávena de ervilhas congeladas

2 fatias finas de bacon

80 g de cuscuz de milho (usei biológico, da Seara)

160 g de água a ferver

Azeite q.b.

Vinagre de sidra q.b.

Sal q.b.

Pimenta preta q.b.

Sumo de limão q.b. (opcional)

Amêndoa laminada q.b.

 

Num fundo de azeite salteie a cebola e um dos alhos, ambos picados. Junte o alho francês às rodelas, a cenoura em cubinhos e o bacon picado grosseiramente. Deixe amolecer tudo e refresque com um pouco de vinagre. Tempere com sal e pimenta preta e deixe cozinhar. Se vir que está a ficar seco, pode ir refrescando com água. Retifique os temperos. Não cozinhe demasiado, é bom que os legumes mantenham uma certa crocância.

Toste as amêndoas numa frigideira anti-aderente. Reserve.

Entretanto, coloque a água a ferver com um fio de azeite, sal e o outro dente de alho, esmagado. Desligue e junte o cuscuz e as ervilhas. Mexa, tape, e deixe repousar por uns 5 minutos. Após este tempo, solte os grãos com um garfo e descarte o dente de alho. Junte ao cuscuz os legumes salteados com o bacon, junte um fio de sumo de limão (opcional), envolva bem, e sirva polvilhado com as amêndoas tostadas.

 

 

 

 

13
Nov16

Duas trincas de energia [Trufas de Figo, Amêndoa e Chocolate]

 

trufa_figo_total2.jpg

trufa_figo_total.jpg

trufas_figo_mix1.jpg

 

As últimas semanas têm sido uma loucura. A 27 de outubro, o dia em que o meu livro - Estava Tudo Ótimo! - foi colocado à venda, começou o rodopio das idas aos programas televisivos.

 

Primeiro fui ao A Praça, na RTP1, depois dei um salto ao Olá Maria, no Porto Canal e no dia 3 de novembro fui ao Você na TV, na TVI. Já na semana que passou, voltei a Lisboa para uma presença no programa Faz Sentido, da SIC Mulher, e para a gravação da participação no É a Vida Alvim, do Canal Q, que será transmitido dia 18 de novembro, à meia-noite.

 

Pelo meio, tive a sessão de apresentação do livro na FNAC do NorteShopping, um momento muito especial, rodeada de tanta, mas tanta gente: família, amigos, foodbloggers queridas e fãs do blogue encheram o auditório e, mais importante do que isso, encheram o meu coração de mimo e felicidade.

 

As minhas idas a Lisboa, apesar de rápidas, exigiram que passasse a noite na capital. Fiquei a dormir em casa de uma amiga de infância, a Beatriz, que me acolheu de braços abertos. Da primeira vez, depois do delicioso jantar que a Beatriz preparou, tive direito a um chá reconfortante acompanhado de umas trufas de figo deliciosas da Maria Granel.

 

Depois de dias tão preenchidos e cansativos, devido sobretudo às viagens de comboio e às manhãs madrugadoras, a minha energia estava a precisar de um boost. Resolvi por isso recrear as trufas de figo que comi em Lisboa. Como seria de esperar, não ficaram iguais às originais, mas vão cumprir o seu propósito: servir de snack saboroso, energético e saudável para os próximos dias que, mesmo sem viagens ou aparições na TV, prometem vir a ser igualmente intensos!

 

trufas_figo_mix2.jpg

 

TRUFAS DE FIGO, AMÊNDOA E CHOCOLATE

Para cerca de 20

 

200 g de figos secos

70 g de miolo de amêndoa sem pele

40 g de chocolate preto 70% cacau

1 colher de chá de azeite extravirgem suave

Raspas de laranja q.b.

Cacau em pó para revestir as trufas

 

Corte os pés aos figos, se achar que são muito duros.

Coloque todos os ingredientes, à exceção do cacau em pó, num robot de cozinha e triture até obter umas migalhas moldáveis.

Faça bolinhas do tamanho de brigadeiros, pressionando bem a mistura, passe pelo cacau em pó e coloque em forminhas de papel.

 

Nota: estas trufas dão um bom presente, basta colocá-las numa lata ou caixa bonita!

 

 

 

01
Set16

Começar setembro a petiscar.
















Setembro chegou, mas depois de um inverno tão prolongado como este último, acho que ninguém quer ouvir falar de outono.
O tempo parece estar do nosso lado e espero que assim continue nos próximos dias, pois seria sinónimo de um regresso às aulas menos contrariado. Cá em casa não temos crianças com saudades da escola (ainda estou a decidir se isso é bom ou mau), no mais velho há até alguma rejeição. Mas com sol tudo parece mais fácil e enquanto não muda a hora sempre dá para esticar um pouco o tempo de brincadeira, por isso S. Pedro, I'm counting on you!

E é para aproveitarmos o verão até à última gota de cerveja gelada (ou de limonada, para quem preferir), que trago a minha receita de guacamole, provavelmente igual ou parecida a tantas outras. Afinal, guacamole é uma mistura de abacate, tomate e cebola, e é nas ervas e nos temperos que esta receita de origem mexicana normalmente varia. Os cominhos, por exemplo, nem sempre aparecem, mas provei um guacamole com cominhos em casa de um primo, gostei muito e por isso agora uso também (só uma pequena pitada).

Esta é a versão que levei ao Fresquinho, um evento do Festival oito24 em que tive o prazer de participar e de já falei aqui. É uma receita perfeita para o fim de semana que aí vem, até porque daqui a algum tempo os (bons) tomates desaparecem das prateleiras. 

Nas fotos aparecem aperitivos de milho de compra, mas no showcooking servi-os com pão de milho. Aconselho mesmo a experimentarem: torrem fatias de broa de milho, por exemplo, e sirvam-nas como acompanhamento do guacamole: delicioso e bastante mais saudável.

Ah, só por curiosidade, consta que o nome guacamole é uma evolução da palavra original, de um dialeto azteca, que juntava as palavras antigas 'ahucatl' (abacate - aguacate em espanhol) e 'molli' (molho).















GUACAMOLE

1 abacate maduro
2 tomates-chuchamaduros ou 1 tomate coração de boi médio-grande maduro ou o equivalente emtomates-cereja
1 cebola média finamente picada
2 colheres desopa de coentros frescos picados
Sumo de lima ou limão
Azeite qb
Sal marinho qb
Pimenta pretamoída na hora qb
Cominhos em póqb

Descascar e descaroçar o abacate. Regar com sumo de limão (ou lima) e picá-lo finamentesobre uma tábua de cozinha (deve ficar uma espécie de puré grosseiro),passando-o depois para uma taça.
Picar a cebola e o tomate finamente e juntarao abacate. Mexer bem e juntar um fio de azeite, uma pitada de sal e pimentapreta, um pouquinho de cominhos em pó e mais sumo de limão ou lima, se for caso disso.Juntar por fim os coentros picados. Envolver tudo muito bem, provar e retificaros temperos e passar para a taça de servir.
Acompanhar com aperitivos de milho ('tortilhas') ou fatias de pão de milho torrado.

Receita atualizada em 6/9/2016.


11
Ago16

O meu piquenique de sonho.

















Sonho muitas vezes com um piquenique à grande e à francesa.
Cesto de vime com forro aos quadradinhos e pratos, talheres e copos (de vidro e com pé), presos com austeras mas bonitas tiras de couro; uma garrafa de tinto de Bourdéus, uma taça de uvas e cerejas frescas, uma baguete estaladiça e uma seleção de queijos luxuosos a acompanhar.

Sol, mas calor moderado, erva fofa, manta a condizer, um livro bem escolhido e um termos de café suave para uma tarde preguiçosa.
E se possível, o cesto a ser-me entregue pronto e recheado. Sim, porque mesmo quem gosta de cozinhar e preparar coisas boas como um piquenique, tem dias em que não lhe apetece fazer nada. Só mesmo estar deitado à sombra, a ler e a petiscar. Em dias quentes como os do fim de semana que passou, isto já é fazer um ror de coisas, como diria a minha avó.

Como o cenário descrito tem poucas hipóteses de se concretizar, mas os piqueniques, esses, valem mesmo a pena fazer, deixo uma receita fácil, rápida e muito prática para refeições descontraídas ao ar livre. Será que Proust ia gostar destas madalenas?

Texto e receita publicados no jornal Observador em 9/06/2915.















MADALENAS SALGADAS [BACON E ERVAS]
Para cerca de 18

2 ovos
60 g de azeite
80 g de leite
70 g de bacon
1/4 de chávena de ervas aromáticas frescas (salsa e cebolinho, por exemplo)
110 g de farinha sem fermento
10 g de fermento para bolos


Pré-aqueça o forno nos 200º
Unte com spray desmoldante - ou com manteiga, polvilhando de seguida com farinha - as formas de madalenas.
No copo da varinha mágica ou do robot de cozinha, coloque o azeite e as ervas e triture até obter uma mistura esverdeada.
Passe-a para uma taça grande, junte os ovos e o leite e bata bem.
Junte o bacon partido em pedacinhos e, por fim, envolva a farinha e o fermento, sem mexer demasiado.
Distribua pelas formas e leve a cozer durante cerca de 10 minutos.


18
Jul16

Havia um pessegueiro na ilha.
























Havia umpessegueiro na ilha. E havia o recanto na falésia, o azul do horizonte e opoente improvisado.
O Alentejo inspirou Rui Veloso. A fruta da época e a épocadas sobremesas frescas, que se partilham depois do peixe grelhado da canção,inspirou esta tarte.

Não são precisos ingredientes sofisticados e até o fornose pode suprimir. Se não houver forma de tarte, usam-se copinhos de iogurte eserve-se em doses individuais.
Esteja onde estiver, perto do mar ou em plenointerior, esta tarte vai saber-lhe a Verão. Basta acompanhar com uma bandasonora a gosto.

Texto e receita publicados no jornal Observador em Agosto de 2015.














TARTE FRESCA DE PÊSSEGO

1 pacote de bolacha maria
70 g de manteiga amolecida
350 g de pêssegos ou nectarinas maduros – pesados já descascados e descaroçados
120 g de açúcar5 folhas de gelatina
1 pacote de natas para bater (mínimo 35% de gordura)
1/2 limão
Folhinhas de hortelã

Para decorar:
3 pêssegos ou nectarinas partidos aos cubos

Pré-aqueça o forno nos 180º.
Pique a bolacha grosseiramente e junte a manteiga, envolvendo bem. Forre o fundo de uma forma amovível – 18 ou 20 cm de diâmetro – com esta mistura, pressionando com os dedos de forma a criar uma base compacta.
Leve ao forno cerca de 10 minutos. Retire e deixe arrefecer.
Entretanto coloque as folhas de gelatina a amolecer num prato fundo com água.
Triture a fruta com um fio de sumo de limão e o açúcar até obter um puré (se a fruta for especialmente doce, diminua ao açúcar).
Escorra as folhas de gelatina e derreta-as no micro-ondas (bastam alguns segundos na potência máxima; mexa o líquido que se formou para ter a certeza de que está bem dissolvida. Se não tiver micro-ondas, leve as folhas ao lume num tachinho, mexendo sempre até estarem bem dissolvidas).
Junte ao preparado da fruta misturando bem.
Monte as natas com a batedeira elétrica. Quando começarem a ficar firmes, adicione algumas gotas de limão, que vão ajudar a ‘prender’ as natas, e junte estas ao preparado anterior envolvendo com cuidado.
Verta para a forma entretanto arrefecida.
Tape com película aderente e leve ao frigorífico, idealmente de um dia para o outro.
Sirva decorado com pêssegos frescos, ou nectarinas, regados com um fio de limão para não oxidarem, e folhinhas de hortelã.

Nota: se não quiser ou puder usar forno, triture as bolachas (pode omitir a manteiga) e distribua por copinhos de vidro, encha depois com o preparado de pêssego e leve ao frigorífico. No momento de servir, distribua a fruta e a hortelã pelos copinhos.


05
Jul16

A salicórnia, um livro e uma salada fresquinha.

 

 
 





Só recentemente dei conta de que esta receita tão especial não estava no blog!

Especial porque foi criada para ser inserida num livro sobre a gastronomia da Figueira da Foz, uma publicação da Divisão da Cultura da Câmara Municipal da Figueira, cujo convite para participar me deixou muito feliz e entusiasmada.
 
Na introdução da obra, escrita por Guida Cândido, mentora do projecto e também ela blogger de cozinha, pode ler-se: "Reunidas estão as receitas que se julga serem as mais fiéis à tradição do concelho. Receitas que passaram de boca em boca; receitas que ficaram registadas em cadernos de mercearia ou em diários mais elegantes em casas de família; receitas que foram cristalizadas em edições municipais a partir da segunda metade do século passado; referências que chegam de escritos bem mais antigos e que lembram as tradições das casas figueirenses e, finalmente, as receitas que hoje é possível ouvir das pessoas mais velhas. Ou de outras mais novas que aprenderam com mães e avós, que teimam em não deixar cair no esquecimento as afamadas papas de moado, ou as caldeiradas de enguias, ou achora dos homens da faina maior." (...) "No capítulo Velhos Produtos, novas receitas, os ingredientes são os mesmos de outros tempos mas vestem-se agora de outra forma. As receitas sugeridas resultam de uma generosa colaboração da comunidade virtual. Partindo dos foodblogers, que tanto têm contribuído para despertar o gosto e a curiosidade pela culinária e gastronomia junto do público em geral ou, mais especificamente, por aqueles que vêm na mesa um lugar central nas suas vivências, apelou-se à criação ou recriação de receitas que destacassem esses ingredientes. Eis que surge um conjunto de atrativas sugestões que respeitam a identidade do produto procurando, no entanto, corresponder à cozinha dos nossos dias."
 
À cozinha do Lume Brando chegou o desafio de usar salicórnia, esse ingrediente ainda tão desconhecido entre nós, apesar das populações da Figueira da Foz (e de outras zonas junto ao mar) a conhecerem há muito. A salicórnia cresce espontâneamente em ambientes salinos e outrora era vista como erva daninha. Faz lembrar espargos verdes e por isso é muitas vezes apelidada de 'espargos do mar' ou ainda de 'sal verde', pois dada a enorme concentração de sal que apresenta, poder ser usada como substituto do sal. Este foi, precisamente, o principal uso que lhe dei nesta salada fresca e sumarenta, mesmo a calhar para dias quentes como os que temos tido.
 
Se ficou com curiosidade e vontade de usar salicórnia, poderá adquiri-la aqui ou aqui (entre outros locais, suponho).
 
O livro pode ser adquirido em vários locais da Figueira: Museu Municipal Santos Rocha, Biblioteca Municipal, Núcleo Museológico do Sal, Núcleo Museológico do Mar, Posto de Turismo e Casa do Paço. Pode ainda ser enviado pelo correio. Informações através do email: arqfoto@cm-figfoz.pt
 
 
SALADA FRIA DE GAMBAS E CITRINOS COM SALICÓRNIA
Para 2, como entrada ou refeição leve
 
12 gambas cruas e descascadas
2 laranjas
1 toranja
1 limão
3 dentes de alho
30 ml de vinho branco
Azeite qb
Pimenta preta qb
Paprika qb
3 colheres de sopa de salicórnia fresca picada*
2 chávenas de rúcula
Nozes picadas grosseiramente para servir
 
Para a maionese:
90 g de óleo de girassol
30 g de azeite
1 ovo à temp. ambiente
1 colher de café de mostarda
Pimentapreta acabada de moer qb
2 colheres de sopa de salicórnia fresca picada* + um pouco para servir
 
Regue as gambas com sumo de limão. Coloque a salicórnia num almofariz e esmague-a  de forma a extrair os sucos salgados.
Numa sertã anti-aderente, coloque um bom fio de azeite e os alhos picados. Leve ao lume e assim que começarem a estalar e a ganhar um pouco de cor,  junte as gambas, a paprika e a salicórnia,juntamente com os sucos que tenham ficado no almofariz. Deixe cozinhar um pouco e refresque com o vinho branco. Tempere com pimenta preta acabada de moer e deixe cozinhar até as gambas estarem no ponto. Prove para ver se necessita de mais salicórnia e retifique os temperos. Retire do lume, deixe arrefecer e conserve depois no frio até ao momento de montar a salada.
 
Para fazer a maionese, comece por triturar no almofariz a salicórnia. Coloque no copo da varinha mágica o ovo, o óleo, o azeite, a mostarda, a pimenta preta e a salicórnia esmagada, juntamente com os sucos que tiverem ficado no almofariz. Coloque a varinha mágica no fundo do copo e, lentamente, vá emulsionando debaixo para cima, repetindo o movimento até a maionese estar uniforme e no ponto desejado. Confirme o ponto de sal e, se achar necessário, coloque mais um poucode salicórnia ou sal marinho.
 
Antes de montar a salada, descasque a toranja e as laranjas e corte em gomos descartandoas peles. Para servir, coloque numa taça as gambas intercaladas com os gomos de laranja e toranja, e verta por cima o molho que tiver sobrado de saltear as gambas. Espalhe algumas folhas de rúcula e nozes e sirva com a maionese ao lado, salpicada com um pouco de salicórnia.
 
*Como o teor de sal da salicórnia varia ao longo da época, estas quantidades devem ser encaradas apenas como uma referência.



09
Mar16

Peixe escondido sem rabo de fora.
















Não é novidade que nem sempre é fácil as crianças gostarem de peixe.
Os meus rapazes comem, e até gostam, mas sempre que digo que o jantar é peixe, a primeira expressão é de desconsolo.
Faz parte do seu charme.
Com os legumes, de uma maneira geral, a reação é parecida.

Como no cabaz da Prove tem chegado bastante couve-flor, noutro dia fiz um acompanhamento em que a cozi a vapor, cobri-a com o molho de tomate e o queijo ralado que tinham sobrado de uma noite de pizzas e levei a gratinar. Ficou tão bom, que resolvi fazer um upgrade à receita: transformá-la em prato principal, a pensar nos mais pequenos: a ideia é que a couve-flor se confunda com o peixe e que o molho de tomate com o bónus do queijo os entusiasme.

Cá em casa resultou, espero que em vossa casa também faça sucesso!















GRATINADO DE PESCADA E COUVE-FLOR

Para 4 pessoas

3 ou 4 lombos de pescada ou outro peixe branco
1 couve-flor grande ou 2 mais pequenas
2 chávenas almoçadeiras de molho de tomate*
Queijo ralado qb
1 dente de alho
1 folha de louro
Sal qb
Folhas de manjericão para servir


*MOLHO DE TOMATE RICO
1 cebola grande
2 dentes de alho
100 g de cenoura
100 g de abóbora menina
1 pimento vermelho fresco ou de conserva
4 a 5 tomates maduros ou 1 lata de tomate pelado
Sal qb
Azeite qb
Manjericão ou salsa picados (opcional)

Comece por fazer o molho de tomate.
Leve ao lume um tacho com um fundo de azeite (ou use um robot de cozinha). Deixe aquecer e junte as cebolas cortadas em meias-luas e os alhos laminados. Junte a folha de louro e deixe cozinhar bem, até a cebola ficar bem translúcida e começar a querer dourar.
Junte os tomates partidos em pedaços ou o tomate pelado (se usar um robot de cozinha não precisa de retirar a pele dos tomates frescos, pois vai ficar bem triturado), o pimento, a cenoura e a abóbora descascadas e em pedaços. Envolva tudo muito bem, tempere com sal e deixe cozinhar até estar tudo bem desfeito. Retire a folha de louro e junte as ervas aromáticas, se for usar. Deixe ferver novamente e triture com a varinha mágica ou no robot. Prove e retifique os temperos, se necessário. Se achar que está muito espesso, junte um pouco de água e deixe ferver novamente.
Reserve a quantidade de molho para a receita e guarde o restante num frasco esterilizado, que depois de arrefecido pode guardar no frigorífico ou congelar.

Entretanto, leve a cozer a pescada num tacho com água, um dente de alho esmagado e uma folha de louro. Coza também a couve-flor, idealmente a vapor. Escorra a pescada e lasque-a.
Pré-aqueça o forno nos 180º.
Num prato de forno, faça uma camada de couve-flor e regue com um fio de azeite. Faça uma camada de pescada e cubra com o molho de tomate. Polvilhe com o queijo ralado e leve ao forno a gratinar no nível superior do forno durante cerca de 10-15 minutos, vá vigiando para não queimar.
Sirva com uma salada de rúcula e alface e acompanhe com pão para molhar...


Nota: às vezes o molho de tomate exige uma pitada de açúcar para cortar a acidez, mas neste caso, a cenoura e a abóbora cumprem a função de adocicar o molho e este, para além de mais rico em nutrientes, fica delicioso! Ah, os talheres da foto eram os meus talheres quando era pequena :)






03
Fev16

Descobrir: um dos verbos-resolução para 2016.

















Descobrir os meus verdadeiros limites.
Descobrir mais talentos e qualidades nos meus filhos, do que defeitos e feitios.
Fazer vir ao de cima o melhor de mim. E o melhor dos outros.
Descobrir palavras, descobrir ideias, descobrir novas formas de fazer render o dia.
Descobrir saberes e sabores. Todos os dias, aprender algo novo.
O verbo descobrir é poderoso e um dos que mais quero praticar em 2016. E parece que não comecei mal.

Uma das minhas primeiras descobertas do ano (ou foi a Ana que me descobriu a mim?!) tinha de partilhá-la convosco.
Tratam-se dos melhores cogumelos que me lembro de alguma vez ter comido.
Desafiada a ir conhecer a produção de cogumelos shiitake da Casa do Chascada, situada entre a Maia e Vila do Conde, vim de lá carregada destas coisinhas fofas que parecem saídas dos contos de fadas. Usei-os em mais do que uma receita, mas gostei especialmente desta salada morna, coroada com um ovo caseiro escalfado.
O cogumelo shiitake, apesar de parecido na forma com os cogumelos mais comuns, o 'paris' e o 'marron', tem uma textura e um sabor distintos. É mais carnudo e sabe precisamente... a carne. E como é rico em proteínas, à semelhança das outras espécies comestíveis de cogumelos, pode mesmo substituir a carne ou o peixe numa refeição, para além de apresentar outras vantagens nutritivas.

Muito versáteis, estes cogumelos ficam bem em assados de legumes, em risottos e massas, em recheios de empadão ou salteados e adicionados a uma simples salada de agrião, como esta.

A Casa do Chascada é um projeto recente, está a ser ultimado o site e a página de facebook, mas a Ana já aceita encomendas. Caso estejam interessados é só ligar o 963 266 298 ou mandar email para: anamoreira@casadochascada.com















SALADA DE AGRIÃO COM COGUMELOS SHIITAKE E OVO ESCALFADO

Para 2

250 g de cogumelos shiitake
150 g de agriões lavados e bem escorridos (uso o secador de saladas, normalmente usado para a alface - aconselho!)
1 chávena de rúcula
Algumas folhas de alface iceberg
3 ou 4 rodelas de chouriço ou 2 fatias de bacon partidas em tiras
2 ovos
2 dentes de alho
Sal e pimenta preta qb
Azeite Virgem Extra qb
Vinagre balsâmico qb
Vinho do Porto qb.
2 ou 3 hastes de tomilho fresco
2 colheres de sopa de pão ralado aromatizado caseiro

Limpe os cogumelos suavemente com papel de cozinha (mas quase que nem é preciso limpar, pois estes cogumelos nascem em troncos, não têm areia nem terra) e corte-lhes a parte mais dura do pé, que deve descartar. Parta ao meio apenas os maiores.
Numa frigideira antiaderente, coloque o pão ralado e deixe alourar, é um processo muito rápido. Retire para uma taça e deixe arrefecer para ficar crocante.
Nessa mesma frigideira, coloque um fio de azeite e quando estiver quente, junte os cogumelos, o alho picado e o chouriço partido em pedaços (ou o bacon).
Deixe cozinhar até o alho começar a dourar.
Tempere com sal e pimenta preta acabada de moer, envolva bem e junte um fio de vinagre balsâmico e outro de vinho do Porto. Junte as folhinhas de tomilho, deixe evaporar e cozinhar mais um pouco.
Se achar que ainda não estão no ponto mas estão com pouco líquido, junte um pouco de água. Retifique os temperos, se for necessário, salpique com mais algum tomilho e reserve.

Para escalfar os ovos, coloque um tacho com água ao lume e siga o método amador mais eficaz: corte dois quadrados generosos de película aderente e pincele-os com azeite.  Forre o interior de uma chávena de café com um dos pedaços de película, com o lado do azeite virado para cima. Parta um ovo aí para dentro e una bem as pontas da película aderente, formando um pequeno embrulho. Ate as pontas com um atilho dos sacos de congelação, e mergulhe na água a ferver. Repita com o outro ovo. Devem demorar cerca de 5 minutos a ficar no ponto, ainda com a gema um pouco crua.

No prato de servir, misture a rúcula, a alface e o agrião. Tempere a seu gosto.
Junte os cogumelos salteados com o chouriço ou o bacon, envolva e coloque por cima os ovos, que desembrulhou com cuidado da película aderente.
Polvilhe com pimenta preta e o pão ralado crocante.
Está pronto a comer!




09
Nov15

Pão, paz e preguiça.



Gostava de fazer mais vezes pão. Não tenho máquina de fazer pão e acho que não seria isso que me faria fazer mais vezes.
Talvez se fosse mais organizada, talvez se fosse mais metódica e disciplinada, talvez se não fosse tão preguiçosa, talvez se comprar pão não fosse tão fácil.

Um destes domingos impus-me essa missão: fazer pão para estrear a minha cocotte oval da Le Creuset.
Há muito que lia sobre as vantagens de cozer pão numa panela de barro ou ferro fundido com tampa. Há muito que estava curiosa e com vontade de fazer esse teste e a panela bonita serviu na perfeição o propósito.
Confere: cozer o pão na panela tapada faz com que se crie uma espécie de forno mais pequeno, a humidade não se escapa e o pão fica com uma deliciosa e bonita côdea estaladiça.

Adoro pão com coisas: sementes, frutos secos, passas. Decidi-me por isso por um pão rico, que é bom acabado de cozer, mas também fica delicioso torrado, com o crocante das nozes e o doce das sultanas a contrastar com a manteiga salgada.

Este post não é uma fábula, mas recorro à moral de Esopo para lhe dar um final feliz: "um pedaço de pão comido em paz, é melhor do que um banquete comido com ansiedade."

Boa semana!



PÃO DE MISTURA COM NOZES E SULTANAS

170 g de farinha T65
40 g de farinha integral
40 g de farinha de centeio
5 g de fermento de padeiro seco
1 boa pitada de sal
140 ml de água morna
25 ml de azeite
15 ml de xarope de agave (ou mel, se gostar)
50 g de sultanas
30 g de nozes picadas grosseiramente

Numa taça grande, coloque as farinhas, o sal e o fermento. Faça uma cova no meio e junte a água, o azeite e o xarope de agave (ou mel). Aos poucos e com as mãos, vá levando os secos dos lados da taça para o meio e amasse até obter uma mistura moldável. Se estiver pegajoso, junte mais um pouco de farinha.
Adicione as nozes e as sultanas e amasse para que fiquem bem espalhadas.
Passe para uma superfície de trabalho enfarinhada e amasse uns 10 minutos, até a massa estar bem macia e faça o teste do indicador: pressione com suavidade a massa e se esta voltar ao sítio rapidamente, está pronta para levedar. Coloque a massa de novo na taça, com um pouco de farinha no fundo, tape com um pano de cozinha limpo e deixe repousar num local ameno (eu costumo embrulhar a taça numa manta polar) cerca de 1 hora ou até ter dobrado de volume. Retire da taça, amasse-a suavemente, dê-lhe a forma pretendida e deixe de novo a levedar na taça ou noutro recipiente aproporiado, polvilhado com farinha, até ficar novamente com o dobro do volume.
Entretanto aqueça o forno nos 200º. Quando este estiver quente, coloque a panela, para esta aquecer e estar já quente quando lá colocar o pão.
Retire a panela do forno (com cuidado, está quente!) e salpique-a de farinha. Coloque lá dentro a massa do pão e faça alguns cortes na superfície deste. Polvilhe com farinha, tape a panela e deixe cozer cerca de 25 minutos. Abra a panela, bata no pão para ver se ouve o som oco que indicia que está cozido e se achar que não está tão tostado como gosta, deixe cozer mais alguns minutos destapado.

Outros pães no blog:
Pão de Espelta e Sementes
A minha versão do Artisan Bread
Pão de Hambúrguer





06
Out15

O segredo está na massa.





Em tom de brincadeira, às vezes digo que noutra encarnaçãodevo ter sido minhota. Uma origem imaginária que concorre diretamente com aToscana italiana. Do Minho sou fã da simpatia vaidosa das suas gentes, dosbordados, da filigrana, das romarias. De Itália, gosto sobretudo da comida e dalíngua, tão verbal como gestual. Pensando bem, a mão na anca de uma mulher doMinho e os dedos unidos virados para cima de uma nonna italiana, não são gestos assim tão diferentes.

Na paisagem estão as regiões empatadas, mas na comida, e pormuito que goste de rojões e outras iguarias minhotas, Itália leva de facto amelhor. Dêem-me uma salada caprese e eu fico feliz; dêem-me um simples esparguetesalteado em alho e azeite e eu fico satisfeita; dêem-me um affogato e eu já não peço mais nada.

E depois há os 1001 tipos de pasta, com nomes e formas tãoincríveis como “sorprese lisce”, “treccine”, “risoni”, “lancette”, “bavette”,“garganelli”, e tantos outros. A variedade de formas que os italianos dão àmassa é, aliás, uma grande arma de quem cozinha todos os dias para a família.Quando me surge aquela dúvida chata sobre o que fazer para o jantar, muitasvezes recorro a uma receita de sempre, mas mudo-lhe o tipo de massa. Sei quevai agradar sem parecer repetitivo.

Para o prato que se segue, não é preciso nenhum tipo demassa raro ou sofisticado: basta um humilde macarronete (ou pennoni rigate), e mais algunsingredientes que é sempre bom ter na despensa.

Texto e receita publicados no jornal Observador em 13/05/2015.

















MACARRONETE COM TOMATE SECO E AZEITONAS

Para 2 pessoas

160 g de macarronete
75 g de azeitonas pretas descaroçadas
40 g de tomate seco (preferencialmente em azeite)
1 cebola
3 dentes de alho
Azeite qb
Óregãos secos qb
Salsa ou manjericão fresco qb
Sal e pimenta preta a gosto
Nozes qb (opcional)
Queijo parmesão ou grana padano para servir


Coza a massa seguindo as instruções da embalagem.
Enquanto isso, pique a cebola e os alhos.
Leve uma sertã ao lume com um fundo de azeite e cozinhe aí acebola e os alhos picados até começaram a alourar.
Escorra o tomate seco, parta em pedacinhos e junte à sertã.Deixe a cebola e o alho ganharem alguma cor do tomate e junte as azeitonas.
Quando a massa estiver cozida, escorra-a reservando algumaágua da cozedura.
Prove a mistura de tomate seco e azeitonas e retifique desal, se achar necessário (o tomate e as azeitonas já têm sal) e tempere com umpouco de pimenta preta acabada de moer. Junte a massa a esta mistura, envolvabem e junte um pouco da água da cozedura. Junte as ervas frescas e envolvanovamente.
Prove e retifique novamente os temperos se for necessário.
Coloque no prato de servir e salpique com algumas nozespicadas.
Sirva com o queijo parmesão, ou grana padano, ao lado.

Nota: se usar tomateseco sem estar em azeite, hidrate-o; antes de começar a cozinhar, coloque-onuma taça com um pouco de água e um fio de azeite (para amaciar); depois dejuntar o tomate escorrido à sertã, pode adicionar também um pouco deste líquidopara dar sabor.





Teresa Rebelo

foto do autor

Sigam-me

Levar para o Pinterest

TOP 100 Food Bloggers

TOP 15 Blogs de Culinária Portugueses

Featured on

Bloglovin

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2006
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2005
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2004
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D