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Lume Brando

22
Nov16

Amor ao lume [Doce de romã e maçã]

 

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O fim de semana que passou foi um típico fim de semana de outono. Frio, chuva e, inevitavelmente, aquela humidade típica do Porto que por mais casacos que uma pessoa vista, entranha-se por todo o lado. Liguei o aquecimento em casa, pela primeira vez, e aproveitei a tarde preguiçosa de domingo para dar uso às romãs que tinha apanhado na quinta dos meus sogros no outro fim de semana.

 

Estas romãs são muito ácidas. Eu não me importo nada com isso, dão um sumo delicioso, para os meus gostos, mas a verdade é que sou a única cá em casa capaz de as comer. Decidi então cozinhar qualquer coisa com elas e pedi sugestões no Instagram.

 

Fazer vinagre, fazer doce, fazer chutney, servir com açúcar e vinho de Porto à sobremesa: foram várias as dicas recebidas, mas acabei por escolher o doce, seguindo o conselho de juntar maçãs, por causa da pectina. O resultado? Um doce perfeito, que superou completamente as minhas expectativas: apesar de fazer doces e compotas de vez em quando, não sou nenhuma especialista e penso sempre que não vai ficar tão bom como eu gostaria.

 

Claro que houve vários fatores que ajudaram a que o doce tenha saído no ponto, desde logo ter sido feito numa panela de ferro fundido. Julgo que foi a primeira vez que usei uma Le Creuset para fazer doce e fiquei rendida. Costumo fazer na Bimby, que é uma ótima solução quando não queremos ou não podemos estar sempre a vigiar.

 

Depois, o facto de ter sido feito com tempo. Fazer com tempo significa fazer com amor. Nos últimos tempos, não tenho tido muitas oportunidades para cozinhar com esta entrega e soube-me bem ter a panela destapada ao lume e, sem pressa, ir vigiando, ir mexendo, ir sentindo o aroma que se espalhava na cozinha.

 

Depois, foi só casar o doce com um pouco de requeijão. E o meu humor reconciliou-se de imediato com o tempo lá fora. Como uma amiga minha diz, na sua hashtag preferida, #nocéuhádisto.

 

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DOCE DE ROMÃ E MAÇÃ

 

350 ml de sumo de romã*

580 g de maçãs, pesadas já descascadas e sem caroço

480 g de açúcar

1 tira de casca de limão

1 pau de canela

Cascas e caroços de duas ou três maçãs

 

Embrulhe as cascas e os caroços de maçã num pedaço de gaze ou mousseline, atando bem e formando uma espécie de saquinho.

Junte todos os outros ingredientes numa panela de fundo espesso e leve ao lume médio.

Mexa bem e junte o saquinho com as cascas e os caroços de maçã - pode, por exemplo, atá-lo numa colher de pau e pousar a colher na panela, de forma a que o saco fique mergulhado no doce. É nas cascas e nos caroços da maçã que há mais pectina e isto vai ajudar a que o doce espesse e fique com melhor textura. Reduza para o mínimo e deixe cozinhar, mexendo de vez em quando. Deve demorar entre 1h30 a 2 horas a ficar no ponto.

Ao fim deste tempo, achei que estava pronto mas que ainda havia ainda pedaços notórios de maçã. Como gosto de doces mais uniformes, descartei a casca de limão e o pau de canela e ralei grosseiramente com a varinha mágica. Deixei ferver novamente e passei para frascos limpos.

 

*Retirei os bagos às romãs, triturei-os na Bimby e coei o sumo; para 350 ml de sumo, deve precisar de duas a três romãs.

22
Out13

Bibidi Bobidi Bu!

Há dias em a cozinha é um conto de fadas.
Na história que hoje vos trago as palavras mágicas são açúcar, canela, laranja, limão e cardamomo.
E plim! Eis que uma abóbora se transformou em doce.










Há dias, porque nem sempre as minhas experiências têm um final feliz.
Mas este meu primeiro doce de abóbora deixou-me muito orgulhosa.

Nunca fui de fazer compotas. A minha mãe sempre as fez, e ainda faz, com a fruta madura do seu quintal ou com a fruta que lhe oferecem ou compra às lavradeiras da zona. O seu doce de abóbora talvez seja, a par das rabanadas e deste bolo de maçã, a sua coisa doce mais apreciada e tenho quase sempre um frasco em casa.

Mas quando me vi com esta abóbora, comprada no Mercado de Sabores do Continente por apenas €1, e depois de uma parte ter sido usada na tarte, fiquei tentada a fazer o doce. Consultei o livro-base da Bimby, tentei lembrar-me de receitas que já me tinham passado pelos olhos e fiz a minha própria combinação.

Dos dois frascos e meio que rendeu, já só resta um fundinho de um e ainda que no início tenha pensado em oferecer um dos frascos, a ideia passou-me depressa, tal a gulodice. Temos comido o doce com requeijão, à sobremesa, com tostas, ao lanche, mas os acompanhamentos que me deixaram rendida, foi o iogurte grego natural e a granola que comprei à Joana do Le Passe Vite: um autêntico vício.

Estou com vontade de comprar mais abóbora e voltar a fazer o doce, mas receio que nunca mais fique igual: tenho cá para mim que este jerimu tinha feitiço...



























Doce de abóbora bolina

650 g de abóbora bolina (ou menina) descascada e limpa de sementes
450 g de açúcar
1 pau de canela
3 bagos de cardamomo esmagados
1 pedaço grande de casca de laranja
1 rodela de limão sem pevides


Fiz na Bimby: coloquei todos os ingredientes na Bimby e programei 30 minutos - Vel.1 Temp. 100.
Ao fim deste tempo verifiquei que continuava muito líquido e programei mais 15 minutos na Vel.1. Temp. Varoma. Passado este quarto de hora, achei que ainda não estava como eu queria e programei mais 15 minutos Vel.1. Temp. Varoma, ou seja, no total, o doce cozeu 30 minutos em Vel.1. Temp. 100 + 30 minutos Vel.1 Temp. Varoma.
Retirei o pau de canela e as cascas dos grãos de cardamomo e triturei durante cerca de 15 seg na velocidade 5.

Passei para frascos, deixei arrefecer, tapei e guardei no frigorífico.

Se fizesse de forma tradicional, colocaria todos os ingredientes num tacho de fundo pesado, e deixaria ao lume em temperatura baixa/média, destapado, mexendo de vez em quando até estar na consistência desejada. Retiraria o pau de canela e as cascas de cardamomo e triturava com a varinha mágica a gosto.


PS: ultimamente não tenho tido tempo para traduzir os posts para inglês, mas se alguém precisar da tradução das receitas, é só pedir :)
PS: my days are getting too short to translate the posts into english, but if you are interested in the translation of any recipe, just ask :)

29
Mai13

Um crumble diferente para um evento especial.








































Os últimos dias (e a bem dizer as últimas semanas) têm sido bastante intensos por aqui.
Preparar workshops, dar workshops (e dar entrevistas...), desafios inesperados e algumas encomendas pelo meio.
O blog tem andado por isso parado, mas hoje tinha mesmo de vos trazer um post em modo de reportagem e uma receita especial.

Realizou-se no sábado passado o evento de que vos falei a favor da Liga Portuguesa Contra o Cancro. "Uma cozinha pela vida" inseriu-se na iniciativa da Liga "Um dia pela Vida" e foi magistralmente delineado pela Mª João do Clavel's Cook, que convidou o Lume Brando para parceiro desta aventura.
Foi uma honra para mim participar e foi muito reconfortante chegar ao fim cansada, mas sentir toda a plateia entusiasmada e satisfeita.

A palestra do Dr. Bruno Maia, nutricionista e médico (que gentilmente se juntou a esta causa e que no dia aceitou de forma divertida ser nosso ajudante de cozinha) foi muito, muito interessante e reteve a atenção dos participantes, que puderam fazer perguntas e esclarecer diversas dúvidas.

A cooking lesson da Mª João foi deliciosa e pro como ela é, encantou todos os presentes: dos cogumelos à limonada de bagas goji, passando pelos brócolos salteados com amendoins, só se ouvia "Mmmmm.... que bom"!

Depois dos salgados, chegou a hora dos doces com pouco açúcar: crepes que levam azeite com frutos vermelhos, crumble natura e batido de anona (este último não pôde ser provado em todo o seu esplendor, pois as únicas anonas que consegui encontrar já se encontravam num estado algo duvidoso, o que foi uma pena, porque o batido com anona fresca e madura fica mesmo agradável e saboroso).
O crumble natura, adaptado de uma receita que vi no fantástico In the mood for food, fez imenso sucesso e é por isso a primeira receita de sábado a ter lugar aqui no blog.

Quero agradecer uma vez mais à Mª João por esta oportunidade, que para além de me ter permitido apoiar uma causa tão importante, obrigou-me a pesquisar e a aprender mais sobre hábitos alimentares saudáveis. Obrigada também a todos os que se quiseram juntar e contribuíram para o sucesso do evento: aos queridos participantes, à galeria 604 R/C, que cedeu o seu fantástico espaço, à Bonsalt, que forneceu o sal sem sódio especialmente indicado para hipertensos e ofereceu embalagens aos participantes, à Floresta Viva, que contribuiu com deliciosos cogumelos biológicos shitake, à Sabor da Fruta, que forneceu quase todos os legumes e frutas e, finalmente, à DeBorla, que ofereceu à Liga todos os utensílios de cozinha que utilizámos. Um agradecimento especial à Marta e ao Marlon Ayres pela cobertura fotográfica e audiovisual, que irá ajudar a perpetuar na nossa memória este evento tão especial, para não falar que sem as suas imagens este post não seria a mesma coisa.

Para ler o relato da Mª João Clavel sobre o evento é aqui.

E agora, toca a preparar os workshops para o Cozinha de Blogs!

PS: excepcionalmente, este post não foi traduzido para inglês.




























Crumble Natura
(adaptado daqui)

Para cerca de 6 taças pequenas

10 peças defruta não muito grandes (ex.: pêssegos e bananas)
75 g de nozes
75 g de amêndoas com pele
Cerca de 15 tâmaras secas s/ caroço
Canela em pó qb
2 colheresde sopa de mel ou a gosto
Sumo de 1 laranja pequena
2 iogurtes tipo grego naturais sem açúcar
Chocolatepreto para decorar

Levar atostar as amêndoas numa frigideira anti-aderente.
Num processador de cozinha, colocar as amêndoas tostadas e arrefecidas, as nozes e as tâmarasdescaroçadas e triturar em pedaços grossos (não triturar demasiado), até ficar com o aspecto de um crumble.
Passarpara uma taça, juntar a canela e o mel.
Lavar, descascare cortar a fruta em pequenos pedaços.
Regar com o sumo de laranja.
Triturar metade da fruta até ficar em puré e dividir pelas taças.
Colocar por cima fruta em pedaços ecobrir com o crumble. Servir com uma colherada de iogurte e raspas de chocolate preto.


22
Mar13

Spring calling!




















Este Inverno tem sido duro de roer.
Sou uma friorenta de primeira e naqueles anos em que a Primavera custa a chegar, passado algum tempo começo mesmo a ficar rabujenta, farta do peso dos casacos, das botas e dos cachecóis.

Os dias luminosos desta semana trouxeram-me alguma esperança, ainda que, pelo menos por aqui, o vento tenha impedido aquela sensação boa de aconchego ao sol.
Mas foi o suficiente para ficar com desejos de sobremesas mais leves e frescas.
Como esta mousse de morango, feita com a ajuda dos meus dois piratas, que estas férias da Páscoa pediram para ter "aulas de culinária".
A receita encontrei-a numas fotocópias muito antigas que uma vez me ofereceram, só com receitas de mousse, mas sem referência a fonte ou autor.

A textura da mousse não é perfeita (estou tentada a usar gelatina da próxima vez), mas o sabor faz disso um pequenino detalhe.
Comi-a em duas versões: quando começa a derreter, mas ainda tem partes geladas (deixei-a mais horas no congelador do que diz a receita), e depois de passar do congelador para o frigorífico, quando após umas boas horas o sumo dos morangos foi parar ao fundo da taça, ficando uma nuvem fofa por cima.
Das duas vezes, achei-a deliciosa. E os piratas também.

Oh não... parece-me ouvir chuva lá fora...

//

This winter has been hard to crack.
Cold weather and I do not get along very well and in those years when spring seems to be late, I become really grumpy, tired of the weight of coats, boots and scarves.

This shining week cheered me a little, even though, at least around here, the wind didn't let us feel that cosy warmth in the sun.
But it was enough to awaken my cravings for lighter and fresh desserts.
As this strawberry mousse, made ??with the help of my two pirates, whom these Easter holidays have asked for "cooking classes".

I found the recipe in old photocopies that once someone offered me, but without reference to a source or an author.
The texture of the mousse is not perfect (I'm tempted to use gelly next time), but its great flavor makes this a small detail.
I ate it in two versions: when it starts to melt, but still has ice cold parts, and after going from the freezer to the fridge, when after a few good hours the strawberries juice went to the bottom of the cup, leaving a fluffy cloud in the top.
Both times it was delicious. And the pirates agreed.

Oh no...  it's raining again...








































Mousse de morango
(para cerca de 8 taças pequenas)

125 g de açúcar
1 clara de ovo L
2 iogurtes naturais
375 g de morangos (já limpos e sem pé)
Alguns morangos para decorar
Sumo de limão qb
Sal qb

Num robot de cozinha ou com a varinha mágica, reduza os morangos a puré juntamente com 100 g de açúcar e um fio de sumo de limão.
Junte os iogurtes batidos previamente.
Bata a clara em castelo, a meio do processo junte-lhe o restante açúcar (25 g) e umas pedrinhas de sal. Envolva com cuidado a clara na mistura dos morangos.
Verta para uma taça grande ou tacinhas individuais e leve ao congelador cerca de duas horas, passando-as depois para o frigorífico mais algumas horas (se aguentar não comer logo!)

//
Strawberry mousse
(about 8 small cups)

125 g sugar
1 egg white (L)
2 natural yogurts
375 g ripe strawberries (clean and no stalks )
Some strawberries to decorate
Lemon juice
Little pinch of salt

In a food processor or with a hand blender, puree the strawberries along with 100 g of sugar and a drizzle of lemon juice.
Beat the yogurts and add them to the strawberry mash.
Beat egg white until firm and fluffy, adding the remaining sugar (25 g) and a little pinch of salt halfway through beating. Fold in carefully into the mixture of strawberries.
Pour into a large bowl or individual little cups and take them to the freezer about two hours, then transfer to the fridge a few hours more (if you can resist!)


04
Mar13

Um cupcake bem português // A true portuguese cupcake.







































































































Uma das componentes do desafio "Entra Talento", do restaurante Entra, é criar uma entrada ou uma sobremesa e cozinhá-la lá, fazendo parte do menu dessa noite.

Depois de recebido o simpático convite e acertada a data, comecei a imaginar o que poderia apresentar, sendo que a única regra era ser algo de inspiração tradicional portuguesa.

Depois de equacionadas e testadas algumas entradas e sobremesas (nesses dias, os livros "Cozinha Tradicional Portuguesa", de Maria de Lurdes Modesto e "Doçaria dos Conventos de Portugal", de Alfredo Saramago, foram as minhas leituras de cabeceira), o escolhido foi este "cupcake conventual", ou "cupcake de comer à colher", como também gosto de lhe chamar.

Chila, amêndoa, doce de ovos e, no topo, uma nuvem fofa de merengue...
Que melhor combinação de ingredientes poderia levar a um restaurante que fica na Rua do Açúcar?!

No dia, o merengue 'suiço', feito com calda de açúcar, pregou-nos uma partida e não conseguimos usar o bico pasteleiro, talvez devido à quantidade reduzida de açúcar (os queques já são uma pequena bomba e gosto do merengue pouco doce para contrastar).
Ficaram por isso com um aspecto mais rústico, com o merengue moldado à colher.
Mas não se assustem com isto do merengue suiço e façam o merengue tradicional, com o açúcar adicionado aos poucos quando as claras já estão a ganhar forma (que é o também chamado merengue 'francês'.
Aliás, o merengue do cupcake que vêem nas fotos com o fundo rosa é este tipo de merengue mais simples.

E queimado com o maçarico, fica um queque todo vaidoso!

//

One of the components of "Entra Talento" challenge, is to create a starter or a dessert and cook it in the restaurant, as part of that night menu.

After receiving the cool invitation and arranging the date, I began to wonder what could I cook. The only rule was to be something inspired in Portuguese traditional cuisine.

After have tested a few starters and desserts (these days, the books "Cozinha Tradicional Portuguesa" by Maria de Lourdes Modesto, and "Doçaria dos Conventos de Portugal", by Alfredo Saramago, were my bedside reading), the chosen one was this "conventual cupcake" (because it's inspired in old portuguese monastery recipes) or "cupcake to eat with a spoon"as I also like to call it.

Fig-leaf gourd, almonds, egg curd and a top of fluffy meringue...
What better combination of ingredients could I take to a restaurant that sits in Rua do Açúcar (Sugar street)?!

On that day,  the "Swiss meringue", made with sugar syrup, pranked us and we could not use the pastry tip, perhaps due to the reduced amount of sugar (the cupcakes are already a small bomb and I like the meringue not too sugary).
So they looked much more rustic, with the meringue molded with a spoon.
But do not be scary by this Swiss meringue and make the traditional merengue with sugar added gradually when the whites are already taking shape (which is also called 'French meringue'. By the way, the meringue in the cupcake you see in the pink background photos has this type of simpler meringue.

Finalize them with the blowtorch and you'll get a very fancy cupcake!






























Cupcakes conventuais

Para cerca de 12 queques médios

Para o doce de ovos do recheio:

12 gemas + 1 ovo inteiro
500 g de açúcar
250 ml de água
1 pau de canela
1 pedaço de casca de limão 

Num tacho, levar ao lume a água, o açúcar, o pau de canela e a casca de limão.
Mexer SÓ no início para envolver bem o açúcar na água e deixar ao lume em lume médio SEM mexer. Entretanto, desfazer com um garfo as gemas e o ovo numa taça de metal ou vidro. Quando a calda de açúcar começar a ferver bem, bolhas grandes por toda superfície da calda, CONTAR 3 MINUTOS.
Retirar do lume, descartar o pau de canela e a casca de limão e juntar em fio às gemas+ovo, lentamente e mexendo sempre. COAR esta mistura para o tacho e levar de novo ao lume até engrossar, sem deixar ferver (cerca de 15 minutos).
Verter para um frasco de vidro, deixar arrefecer um pouco, fechar bem e guardar no frigorífico. O que sobrar, usar em mais fornadas ou noutras sobremesas, como por exemplo natas do céu.

Para os queques:

120 g de miolo de amêndoa ralado (preferencialmente com pele)
120 g de doce de chila
110 g de açúcar
2 ovos (L de preferência)
2 gemas (L de preferência)
12 forminhas de papel médias + tabuleiro ou 12 formas de queques

Pré-aquecer o forno nos 180º.
Colocar as forminhas de papel no tabuleiro metálico de queques.
Com um batedor de varas, bater os ovos com as gemas e o açúcar até se obter uma mistura fofa.
Juntar a amêndoa, misturar bem e adicionar o doce de chila, envolvendo bem os fios de chila por toda a massa.
Encher até 2/3 das formas com o preparado e levar ao forno cerca de 25 minutos.
Testar com um palito, que deve sair praticamente seco.
Retirar do forno e retirar os queques das formas de metal. Deixar arrefecer, preferencialmente sobre uma grade.
Quando bem arrefecidos e com uma faca bem afiada e pontiaguda, retirar um pedaço do centro do queque, criando a cavidade que vai ser recheada: com a ajuda de uma colher de sobremesa, encher com doce de ovos. Tapar com a massa que se retirou.

Para o merengue
(se for para usar bico pasteleiro, contar com cerca de 2 claras por queque e 1 colher de chá de açúcar por cada clara)

Bater as claras em castelo firme - a meio do processo começar a adicionar o açúcar e juntar também uma pitada de sal.
Colocar o merengue num saco pasteleiro munido de bico frisado e cobrir os queques.
Usar um maçarico para “queimar” o merengue.
Servir com uma colher de sobremesa.

//

Conventual Cupcakes

About 12 medium-size cupcakes

For the egg curd:

12 egg yolks + 1 whole egg
500 g sugar
250 ml water
1 cinnamon stick
1 piece of lemon peel

In a saucepan, bring to boil the water, sugar, cinnamon stick and lemon peel.
Stir ONLY at the beginning to involve the sugar in the water and leave to boil over medium heat WITHOUT stirring.
Meanwhile, put the yolks and the egg in a metallic or glass bowl and lightly mix them with a fork.
When the sugar syrup starts to boil, with big bubbles all over the surface, COUNT 3 MINUTES.
Remove from the heat, discard the cinnamon stick and lemon peel and add, in a slow trickle, to the egg mixture, stirring constantly.
Strain this mixture to the saucepan and cook again until thickened, stirring constantly and avoiding the boiling point (about 15 minutes).
Use after cooling or store in glass jars, tightly closed. Can be kept for several weeks in the fridge. Use the leftovers in more of these cupcakes batches or other desserts as "Natas do Céu".


For the cupcakes:

120 g grated almonds (preferably with skin)
120 g fig-leaf gourd jam

110 g sugar

2 eggs (preferably Large)

2 egg yolks (preferably Large)

12 medium muffin paper cases + metallic muffin moulds

Preheat the oven to 180 º C.
Place cupcake papers in the metal muffins mould.
Beat eggs, yolks and sugar until you get a fluffy mixture.
Add almonds, mix well and add the fig-leaf gourd jam, involving well throughout the batter.
Fill 2/3 of the paper cases and bake about 25 minutes.
Test with a skewer, which should come out almost dry.
Remove from the oven and remove the cupcakes from the metallic mould.
Allow to cool, preferably over a rack.
With a sharp and pointed knife, remove a little piece from the center of the cupcake, creating a cavity: with the help of a dessert spoon, fill with egg curd and cover again with the removed bit of cupcake.

For the meringue:
(If using a pastry tip, count on about 2 egg whites per cupcake and 1 teaspoon of sugar per white)

Whisk the egg whites till firm - at the middle of the process start adding sugar and add also a pinch of salt. Transfere the meringue to a pastry bag fitted with a star pastry tip and cover the cupcakes.
Use a blowtorch to "burn" the meringue.
Serve with a dessert spoon.


31
Jan13

Tarte ou sobremesa de colher? // A pie or a spoon dessert?




























Desde que fiz a minha primeira banoffee pie, esta passou a ser uma sobremesa recorrente nas festas cá de casa, mas fui variando um pouco a receita.
Quem me conhece sabe que "variar", normalmente significa "simplificar": depois de ter experimentado com uma base de massa quebrada de chocolate e ter experimentado vários tipos de bolacha na base, comecei a apresentá-la em taças ou copos individuais, com a grande e saudável vantagem da bolacha não precisar de ser misturada com manteiga.
Tem sido um sucesso entre miúdos e graúdos e deve ser das sobremesas simultaneamente mais vistosas e mais rápidas de preparar que conheço: 10 minutos e está pronta a servir.
Claro que o mérito é de quem inventou a ligação da banana com o leite condensado cozido, um dos pares perfeitos no mundo dos doces.
Na base pode usar-se bolacha Maria ou outra bolacha a gosto. Eu gosto especialmente de usar as de canela (tipo Ricanela da Cuétara).

E como é tão fácil e rápida de preparar, porque não fazê-la para o jantar do dia de São Valentim?
Assim sobra tempo para namorar...

//

Since I made my first banoffee pie, this dessert has become a classic at my family birthday parties, but I've been making some changes.
In my case, "to change" usually means "to simplify": after having used a chocolate short crust pastry case, I'd tried various kinds of cookies for the base, and then began to present it in individual bowls or cups. This has a great and healthy advantage: there's no need to mix the cookies with the butter.
It has been a crowd pleaser, kids and adults alike, and it's one of the fanciest dessert you can prepare in just 10 minutes.
Of course the credits go to whom invented the banana + condensed milk combination, a perfect couple in the world of sweets.
For the base you can use 'rich tea' cookies or any type of cookies you like. Normally I go for cinnamon cookies (like these from Cuétara).

So easy and quick to prepare! Try it on Valentine's Day: you'll still have time for love...



























Tacinhas Banoffee

Para cerca de 8
(as quantidades são aproximadas, depende do tamanho das taças e do gosto de quem estiver a montar a sobremesa)

1 emb. de bolachas de canela
1 lata de leite condensado cozido
2/3 bananas maduras
2 pacotes de natas para bater (devem estar bem frias)
2 colheres de sopa de açúcar amarelo
Chocolate de culinária p/ raspar

Desfaça duas bolachas directamente para cada taça.
Abra a lata de leite condensado e mexa com uma colher antes de distribuir o creme pelas taças.
Descasque e retire os filamentos das bananas e coloque algumas rodelas em cada taça, por cima do leite condensado.
Bata as natas em chantilly com o açúcar amarelo.
Se usar copos relativamente estreitos, coloque o chantilly num saco pasteleiro ou saco de congelação simples, corte a ponta e distribua-o pelos copos. Em alternativa use uma colher.
Termine com mais bolacha picada e e raspas de chocolate.
Se não servir imediatamente, leve ao frigorífico.

//

Banoffee Cups

About 8 (quantities are approximate, depending on the size of the cups and the taste of whom are assembling the dessert)

1 pack of cinnamon cookies
1 can of condensed milk
2/3 ripe bananas
400 ml of heavy/double cream (cold enough to whip)
2 tablespoons light brown sugar
Dark chocolate shavings

Crumble two cookies directly into each cup.
Open the can of condensed milk and stir with a spoon before distributing the cream among the cups.
Peel and slice the bananas, spreading the slices among the cups, over the condensed milk.
Whip the cream with the sugar until it becomes 'chantilly'.
If using relatively narrow glasses, put the whipped cream in a pastry bag or clean freezer bag and swirl it among the glasses. Alternatively, use a spoon.
Finish with some cinnamon cookies small crumbs and chocolate shavings.
If not serving immediately, keep the cups in the fridge.



10
Out12

O show cooking e o creme gelado de castanha.














O convite para fazer um show cooking no Porto.Come/ Mercado de Sabores do Continente, de que falei no post anterior e que aconteceu no passado sábado, na Alfândega do Porto, trouxe-me várias coisas boas, para além do momento em si.

Com esse desafio nas mãos e uma vez que o tema eram "os sabores de sempre", decidi finalmente explorar o caderno de receitas que a minha mãe guarda ainda do tempo de solteira, de um curso para futuras donas de casa (sim, no princípio dos anos 60 essa escola existia e chamava-se Obra das Mães).

E que boas receitas, caligrafadas, estão naquele caderninho, do qual agora serei guardiã (pelo menos enquanto a minha mãe não se lembrar de pedi-lo de volta).
Um dos meus objetivos para os próximos tempos, ao estilo Julie Powell, é ir experimentando-as e dar conta aqui do resultado. Duas já foram testadas: o creme gelado de castanha que apresentei no show cooking, e cuja receita segue mais abaixo, e uma torta de maçã deliciosa que também merece um post, assim que a voltar a fazer.

Castanha, maçã, marmelo... nos dias que antecederam o show cooking fiz algumas experiências com estes frutos, pois queria levar algo próprio desta época. E queria que fosse uma sobremesa ou algo doce, uma vez que é o que mais aparece por aqui.

Quando experimentei pela primeira vez esta espécie de gelado, soube que tinha encontrado a receita.
Fiz alguns ajustes ao molho de chocolate e andei à voltas para escolher um topping crocante, até decidir que as nozes ficavam perfeitas.

Depois, resolvi apresentar também este biscoitos, que eu adoro, uma vez que há ingredientes comuns a ambas as receitas.

Eram então estes os sabores que esperavam o público na Praça das Experiências do Porto.Come/ Mercado de Sabores do Continente, às nove da noite do dia 6 de Outubro. Um público que se mostrou bastante mais numeroso do que eu estava à espera.

Apesar de algum nervosismo, acho que correu bem. Senti-me muito confortável daquele lado (mais do que alguma vez havia imaginado) e adorei poder partilhar de uma forma diferente esta minha paixão pela cozinha. Estava muito feliz e acho que isso se nota nas fotos.

Claro que tive umas brancas pelo meio, demorei imenso tempo a destacar as bolachas das folhas de obreia e julgo que me esqueci de dizer que a manteiga para o creme gelado era SEM sal.

Mesmo assim, os cerca de sessenta minutos que ali estive pareceram-me mágicos. E houve uma série de pessoas que contribuíram para isso:

- as minhas 'cobaias', família e amigos, que provam aquilo que faço e me dizem sem rodeios o que pode ser melhorado;
- os comentários e as mensagens de apoio e incentivo que fui recebendo no blog e no facebook;
- o público simpático e interessado (e a presença de muitas caras minhas conhecidas);
- a organização do evento, nomeadamente na pessoa da Rita Sousa, que foi de uma amabilidade e profissionalismo exemplares;
- o Pedro e o Rafael, os assistentes da Escola de Hotelaria do Porto que me foram destinados e que estiveram fantásticos;
- a Chef Justa Nobre, com quem meti conversa umas horas antes (há uns anos não teria tido lata para tal - nem coragem para aceitar o convite, digamos a verdade - mas acho que a idade nos deixa menos envergonhados) e que me aconselhou, com aquele seu registo simples e algo maternal, a relaxar e a improvisar se algo não corresse tão bem;
- e, por último, a Isabel, ou a Laranjinha, do Cinco Quartos de Laranja (e o seu R.): ter sido convidada para o evento já foi muito bom; mas ter sido convidada para um evento que contou com uma das food bloggers portuguesas que mais admiro, foi extraordinário. Apesar de termos tido pouco tempo para conversar, aquele bocadinho foi muito especial. E poder assistir ao seu show cooking antes de ser eu a colocar o avental, foi absolutamente inspirador. Podem ver detalhes da sua participação aqui.

Obrigada a todos (incluindo os amigos 'fotógrafos').

Finalmente, a receita:




































































































Creme gelado de castanha com molho de chocolate e café

250 g de miolo de castanha
(frescas ou congeladas: se usar frescas é preciso cerca de 500 g para obter 250 g de miolo)
230 g de açúcar
200 g de manteiga sem sal à temperatura ambiente
6 gemas à temperatura ambiente
Leite qb

150 g de chocolate de culinária
75 ml de café expresso
75 ml de água

Nozes picadas para decorar

Cozer as castanhas, cobrindo-as com leite, até estarem bem macias.
Se usar castanhas da época, retire-lhes um pouco de casca e pele com uma faca antes de levar a cozer (para não rebentarem); após a cozedura reserve o leite que sobrou e retire as cascas e as peles às castanhas.
Triturar bem as castanhas juntamente com o leite da cozedura (este deve ser apenas o suficiente para ligar o puré de castanha: se achar que sobrou muito leite vá juntando aos poucos enquanto tritura; se achar que sobrou pouco, junte mais leite).
Juntar ao puré de castanha as gemas previamente desfeitas, o açúcar e a manteiga. Mexer bem e bater com a batedeira eléctrica (de preferência com braço) cerca de 20 minutos numa velocidade média-alta.
Se usar a Bimby, programe 10 minutos, com a borboleta, na velocidade 3,5 ou 4.
Tem de se obter um preparado muito uniforme, brilhante e cremoso e com um tom acastanhado.
Verter para uma caixa de plástico ou pirex com tampa e levar ao congelador idealmente 24 horas antes de servir.

Para o molho:

Levar ao lume em banho-maria (ou então usar o microondas), o chocolate partido em pedaços com a água e o café frio ou morno.
Não mexer até o chocolate estar derretido. Assim que estiver, retirar do lume e mexer bem com um batedor de varas. Está pronto a servir.

Para servir:

Retirar com antecedência do congelador (15-30 minutos, dependendo do tempo de congelação e da temperatura ambiente), e com uma colher de gelado retirar a dose pretendida para uma taça; verter um bom fio do molho de chocolate e terminar com as nozes picadas.

Algumas notas:

- Também se pode levar a congelar numa forma tipo 'bolo inglês' forrada com película aderente: quando for servir, retire com alguma antecedência do congelador, desenforme para um prato e sirva com o molho e as nozes à parte.

- O molho poder ser adaptado ao gosto de cada um, com aquela proporção de líquidos para a quantidade de chocolate; neste caso podemos usar, por exemplo, apenas 150 ml de água ou 100 ml de água e 50 ml de café...

- Se for consumir o gelado gradualmente, adapte a quantidade de molho, fazendo este no momento de servir (pode, no entanto, ser feito com alguma antecedência e ser depois aquecido).

Teresa Rebelo

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