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Lume Brando

15
Mar18

Dos meus livros de cozinha favoritos [e a melhor receita de massa de brioche]

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Tenho um livro de cozinha, já com muitos anos, a cujas páginas regresso regularmente com prazer. E é curioso porque nem sequer é dos livros mais bonitos que tenho. Confesso que às vezes julgo os livros pela capa e pelo seu design interior, mas este é um livro muito simples e básico a esse nível, quase não tem imagens. Mas o seu conteúdo é um verdadeiro tesouro no que diz respeito a receitas de pão e derivados. É o Artisan Bread in 5 minutes a day, que parte do conceito da massa de pão que não é amassada, o famoso no-knead bread.

 

Já por várias vezes repliquei receitas do livro - estão linkadas no final do post -  e nunca saí desapontada. Mas a verdade é que nunca tinha experimentado as versões mais "adocicadas", como o brioche. E coloco "adocicadas" entre aspas, porque uma das coisas que me surpreendeu nesta receita é que não leva açúcar enquanto ingrediente, apenas uma pequena quantidade de mel.

 

De entre os meus guilty pleasures - sim, tenho vários, shame on me! - estão os pães de leite e croissants, que como só muito de vez em quando por razões óbvias. Sempre que me deparo com uma receita destas iguarias, encho-me de vontade de ir para a cozinha, mas quando acabo de ler todos os passos, fico desanimada e acabo por desistir. Esta semana, deu-me para tirar o livro da prateleira e, um pouco à sorte, fui parar à página da receita de brioche.

 

Mais uma vez, a receita não desiludiu. Pelo contrário, superou as minhas expectativas. E é tão simples, mas tão simples de fazer, que vai passar a clássico cá em casa, na hora de dar de lanchar - ou brunchar - à família e aos amigos.

 

A única coisa que a massa exige, e nem sequer é muito, é tempo de espera. Quase nada de trabalho manual, nada de amassar, nada de ganchos e batedeira, apenas 5 minutos a preparar e a misturar os ingredientes.

 

À semelhança das outras receitas do livro, depois das duas horas iniciais em que a massa fica a levedar à temperatura ambiente, guarda-se no frigorífico. Esta pode usar-se nos próximos cinco dias, uma massa de pão sem ovos, dura até 15 dias. Se preferir, pode depois do repouso inicial congelar a massa - aconselho que o faça em porções do tamanho de uma toranja - descongelando-a com antecedência no frigorífico quando for usá-la.

 

Quando quiser cozer, e partindo do princípio que tem a sua massa no frigorífico, só tem de retirar uma porção do recipiente, dar-lhe a forma pretendida e deixá-la levedar entre 1h30 a 2h30, dependendo da temperatura ambiente. 

 

Depois é só levar ao forno e voilá: brioche caseiro à sua mesa. Quem diz brioche, diz croissants, regueifa doce, rolinhos de canela ou até pão de hambúrguer: as possibilidades são infinitas! Como ainda tenho massa no frigorífico, nos próximos posts mostrarei outras formas de usar esta receita todo-o-terreno. Se por acaso experimentarem-na, digam-me como correu!

 

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MASSA DE BRIOCHE SEM AMASSAR - TRANÇA DE BRIOCHE COM CHOCOLATE

Ligeiramente adaptado do livro Artisan Bread in Five Minutes a Day

 

Massa base:

500 g de farinha de trigo 55 sem fermento

1 pacotinho de fermento Fermipan

185 ml de água morna

1 pitada de sal

4 ovos ligeiramente batidos

1/4 de chávena* de mel de rosmaninho (ou de um mel de sabor neutro)

180 g de manteiga derretida

 

*250 ml de capacidade

 

Para a trança de brioche com chocolate

1 porção do tamanho de uma toranja de massa de brioche

50 g de chocolate negro picado ou de pepitas de chocolate

Farinha para trabalhar a massa

Leite ou ovo batido para pincelar

Açúcar mascavado para polvilhar por cima (opcional)

 

Numa taça que tenha tampa, junte à água morna o fermento, o sal, os ovos, o mel e a manteiga derretida.

Junte a farinha aos poucos, com a ajuda de uma colher de metal.

Não mexa demasiado, só até a farinha estar toda incorporada.

Coloque a tampa do recipiente, mas sem fechar hermeticamente e reserve à temperatura ambiente durante duas horas.

A partir daqui, pode colocar toda a massa no frigorífico, mantendo o recipiente tapado (com a tampa apenas pousada e não fechado hermeticamente); congelar em porções, ou fazer logo um pão, como o que se segue.

 

Para a trança de brioche com chocolate (descrição atualizada!)

Polvilhe a superfície da massa reservada com farinha, para que seja mais fácil retirar uma porção com a dimensão aproximada de uma toranja.

Com as mãos enfarinhadas, dê-lhe a forma de uma bola, alisando a superfície e empurrando a massa para o fundo a toda a volta, rodando a massa.

Polvilhe com bastante farinha a superfície de trabalho e estique a massa num retângulo, pode ter que ir polvilhando para a massa não agarrar ao rolo. Corte em duas partes ao comprimento e divida o chocolate pelos dois pedaços de massa, deixando margens à volta. Enrole cada um dos retângulos, una-os em forma de trança dupla, una bem as pontas e coloque-a num tabuleiro forrado com papel vegetal e polvilhado com farinha.

Tape com um pano de cozinha e deixe levedar num local ameno até ficar com cerca do dobro do volume, o que deve demorar de 1h30 a 2h30.

Perto do final da levedura, ligue o forno nos 180º.

Pincele a trança com leite (eu polvilhei depois com açúcar mascavado mas concluí que se não o tivesse feito teria ficado ainda mais bonito, não acrescenta muito).

Leve ao forno durante cerca de 35 minutos, a uma altura média, acompanhado de uma panela ou tabuleiro com água a ferver, que deverá colocar na base do forno. Se achar que a trança está a dourar muito depressa, cubra com alumínio.

Retire do forno, deixe arrefecer um pouco e delicie-se!

 

Notas:

- Esta é uma adaptação da receita original para metade da dose, que pede, por exemplo, 8 ovos. Mesmo assim, rende bastante e uma dose como a que descrevo acima deve dar para, no mínimo, três pães como este.

- Normalmente as receitas de brioche pedem mais manteiga e açúcar, por isso acho esta receita bastante equilibrada: o adoçante é mel e a quantidade de manteiga, se pensarmos na quantidade de pães e porções individuais que uma dose destas permite fazer, é bastante comedida.

- Apesar das 2 horas iniciais para levedar, mais o tempo final de repouso, parecer muito, é muito menos do que as receitas de brioche tradicionais pedem: algumas chegam a pedir que a massa repouse 24 horas!

- O recipiente com água a ferver no forno não faz parte da receita original mas é o truque que eu costumo usar quando cozo pão, para garantir humidade e uma crosta deliciosa. Neste tipo de pão não é algo essencial, mas eu acho que ajudou a uma crosta mais saborosa.

 

Mais receitas de pão sem amassar:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

09
Mar18

Cook for Syria [Receita de almôndegas de frango e amêndoa no forno]

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Nos últimos dias, as notícias sobre a terrível situação que se vive na Síria foram particularmente chocantes. Segundo um balanço noticiado no início desta semana, os ataques que têm assolado Ghouta Oriental desde o dia 22 de fevereiro já mataram 800 civis, sendo que 177 eram crianças. A somar às centenas de milhares de mortos e refugiados desde que o conflito começou. A somar aos que morreram ontem e que vão continuar a morrer amanhã. Uma guerra hedionda que parece impossível estar a acontecer em pleno século XXI.

 

É impossível ficar indiferente a este drama, ainda que o sentimento seja de impotência. E de alívio egoísta: que sortudos somos em ter nascido num país pacífico. Nem sequer ouso imaginar o sofrimento das famílias sírias ao longo dos últimos sete anos. Famílias para quem o simples ato de cozinhar e partilhar uma refeição tornou-se um luxo inacessível: por falta de condições, por falta de alimentos ou porque simplesmente já não há família.

 

Apesar de só os políticos e os diretamente envolvidos no conflito sírio poderem pôr-lhe um fim, há pequenos gestos de solidariedade que podem contribuir para apoiar as vitimas e foi nisso que pensaram Clerkenwell Boy - um famoso foodie e instagrammer australiano a viver em Londres, e Serena Guen, fundadora da revista Suitcase. Juntos idealizaram o projeto #cookforsyria, tendo mobilizado para a causa uma montanha de chefs e bloggers de cozinha. O livro Cook for Syria é a face mais visível dessa iniciativa, cujo resultado das vendas reverte para o programa de ajuda humanitária na Síria da Unicef.

 

Quando estive em Londres, em novembro passado, tive a sorte de passar pelo Old Spitalfileds Market no momento em que estava a decorrer um evento ligado ao projeto, com venda de bolos e do livro. Comprei um exemplar e achei que por estes dias fazia todo o sentido explorá-lo e homenagear a cozinha síria, que é tão rica e aromática, com tantos ingredientes de que eu gosto.

 

As receitas do livro não são necessariamente receitas tradicionais sírias, mas sim receitas inspiradas na gastronomia síria e nos seus ingredientes, criadas por dezenas de bloggers de cozinha e chefs - há até uma receita do chef português radicado em Londres Nuno Mendes.

 

Escolhi para primeira experiência umas almôndegas de frango e amêndoa, servidas com um molho feito com manteiga de amêndoa - que fiz pela primeira vez - e caldo de galinha. Um contributo para o livro de Ameelia Freer, que foi um sucesso cá em casa.

 

Antes de passarmos à receita, queria só deixar mais duas sugestões de como apoiar o povo sírio: comprando outro livro solidário, este disponível em português: "Uma Sopa para a Síria" ou indo ao restaurante Mezze, em Lisboa, um interessante projeto da Associação Pão a Pão que visa a integração de refugiados sírios e do Médio Oriente no nosso país.

 

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ALMÔNDEGAS DE FRANGO E AMÊNDOA NO FORNO [COM MOLHO DE MANTEIGA DE AMÊNDOA]

Ligeiramente adaptado do livro #CookForSyria

 

Para o molho de amêndoa

150 ml de caldo de galinha quente*

100 g de manteiga de amêndoa**

Raspa de 1 limão

Sal qb

 

Para as almôndegas (25-30 unidades)

500 g de carne de coxas e pernas de frango*** picadas no robot de cozinha

(equivalente a umas 4 pernas completas)

1 ovo batido

1/2 talo fino de alho francês picado 

4 colheres de sopa de farinha de amêndoa (moí miolo de amêndoa, parte dela com pele, na Bimby)

2 colheres de sopa de coentros frescos picados

1 colher de chá de coentros secos

1 colher de chá de cominhos moídos

Pimenta preta acabada de moer qb

Sal qb

Azeite para pincelar

 

Comece por preparar o molho: junte lentamente o caldo quente à manteiga de amêndoa. No início vai parecer que a manteiga está a engrossar, mas continue a adicionar caldo e a mexer com um batedor de varas, até ficar com a consistência macia de natas espesssas. Junte-lhe a raspa do limão, retifique o sal se achar necessário e reserve.

 

Para as almôndegas, ligue o forno nos 200º e forre um tabuleiro com papel vegetal.

Junte todos os ingredientes numa taça grande. Humedeça as mãos e faça bolinhas do tamanho de brigadeiros.

Disponha-as no tabuleiro e pincele-as com azeite.

Leve ao forno durante cerca de 15-20 minutos.

Entretanto aqueça de novo o molho, mas lentamente: se aquecer rapidamente a alta temperatura, o molho irá transformar-se numa pasta!

Sirva bem quente com uma salada de alfaces ou legumes verdes cozidos e arroz branco.

 

* Eu usei os ossos das pernas e das coxas do frango para fazer o caldo, juntando numa panela grande 2 cenouras partidas aos pedaços, 1 folha de louro, 1/2 talo de alho-francês, 1 cebola, 2 dentes de alho, um raminho de salsa, um fio de azeite, pimenta preta qb, sal e sal de aipo qb. Cobri com água e deixei cozer lentamente até ter reduzido bastante, aí umas duas horas. Coei e guardei num frasco - com o que sobrou vou fazer um risotto.

 

** Para fazer a manteiga de amênda, coloque no robot de cozinha duas chávenas de miolo de amêndoa sem pele, levemente tostado. Triture, empurrando de vez em quando para baixo o que ficar agarrado às paredes do copo. O processo deve demorar uns 15-20 minutos. Está pronto quando atingir uma textura bem macia. Pode juntar um pouco de azeite ou óleo vegetal, para ajudar a triturar melhor e ficar mais cremoso. Tempere com sal, volte a triturar, retire e reserve. 

 

*** Pode fazer as almôndegas com peitos de frango em vez de pernas completas, no entanto, para além da carne destas ser mais suculenta, pode aproveitar os ossos para fazer o caldo, como expliquei em cima; para não ter o trabalho que eu tive de desossar as pernas, peça no talho para o fazerem e não se esqueça de pedir os ossos ;)

 

Mais receitas inspiradas na gastronomia de outros países:

 

11
Dez17

Sugestão de presente caseiro para o Natal [Alperces com chocolate negro]

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Parece-me incrível que faltem apenas duas semanas para o Natal. Normalmente, começo a entrar no espírito da quadra de cada ano fazendo muitos planos: de decoração, de receitas para as festas de família, de presentes comestíveis. Mas depois, os dias começam a atropelar-se e nunca consigo fazer tudo o que tinha idealizado.

 

Este ano, com o atraso das obras que estamos a fazer no nosso apartamento – era suposto já estarem prontas, mas ainda nem sequer sei se poderei acordar no dia de Natal em casa, o que me tem deixado os nervos em franja - os planos ficaram ainda mais em suspenso.

 

Estando a viver em casa de um dos meus irmãos, tenho uma cozinha à minha disposição, mas fazem-me falta as minhas coisas, o meu forno, as minhas formas, os meus utensílios. Digamos que trouxe comigo um kit de sobrevivência, mas estou limitada a receitas mais simples, sobretudo no que toca a bolos e sobremesas.

 

Fazer bolachas, por exemplo, não é muito prático, pois não tenho uma grande área de trabalho. Pelo que andei a pensar numa lembrança de Natal que não exigisse grande “produção”, mas que fosse deliciosa. E aqui está ela: alperces secos banhados em chocolate negro.

 

Aviso já de que são altamente viciantes, por isso sugiro que façam uma dose bem generosa, para poderem ficar com alguns. Pensando bem, nem é preciso o pretexto do Natal e dos presentes para experimentar esta coisa boa: estes alperces com chocolate funcionam na perfeição como um snack ou como um pequeno mimo para acompanhar o café. Yummy!

 

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ALPERCES SECOS COM CHOCOLATE NEGRO

Para 50

 

50 alperces secos – cerca de 400 g

160 g de chocolate negro

 

Forre um tabuleiro com papel vegetal. Leve a derreter o chocolate em banho-maria.

Mergulhe metade de cada alperce no chocolate e coloque a secar sobre o papel vegetal. Repita com os restantes alperces. Deixe secar bem o chocolate antes de guardá-los em frascos ou sacos de celofane.

 

07
Jul17

Criançada de férias [e umas espetadinhas saudáveis de salsichas Nobre]

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Pestinhas de férias aí por casa? Por aqui, sim!

E se todos os anos costuma ser complicado conseguir trabalhar em casa com os dois sempre a solicitarem a mãe (ou a pegarem-se), este ano, pela primeira vez, senti que estão bastante autónomos e que já não chamam por mim de cinco em cinco minutos. Nem tudo é mau na pré-adolescência.

 

Preparam o(s) lanche(s) sozinhos - estão na fase em que a fome é algo permanente e precisam de comer de hora em hora, o que chega a ser desesperante. Não sei se por aí é igual, mas os meus, com 10 e 12 anos, passado uma hora de terem almoçado, já estão a dizer "Tenho fome" e pouco depois, disparam a pergunta sacramental: "Mãe, o que vai ser o jantar?" E é nesta altura que penso que sou uma mãe e dona de casa péssima, que não planeio nada com tempo, porque não faço a mínima ideia do que vou cozinhar na refeição seguinte 😂

 

Bem, felizmente há soluções que nos ajudam a preparar qualquer coisa em três tempos sem ficarmos com peso na consciência por não serem saudáveis. É o caso das novas salsichas com baixo teor de gordura de frango e de peru da Nobre. Uma gama de salsichas com menos de 3% de gordura, sem aditivos, nem lactose, nem glúten. E quem são os miúdos que não gostam de salsichas?

 

A pensar nos mais novos (mas não só!) bem como nesta época em que apetece conviver e aproveitar os dias compridos, preparei estas mini-espetadas de salsicha com tomate-cereja e de salsicha com abacaxi. Muito fáceis e rápidas de fazer, dão vida a uma mesa de verão.

 

Bom fim de semana!

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MINI-ESPETADAS DE SALSICHA COM TOMATE-CEREJA E ABACAXI

 

Para cerca de 30

 

1 embalagem (zona de frios) de salsichas 100% frango ou 100% peru baixo teor de gordura Nobre

15 tomatinhos cereja

Cerca de 1/4 de abacaxi

Pimenta preta acabada de moer qb

Sal qb

Azeite qb

1 dente de alho

1 fio de sumo de limão

1/2 dúzia de folhas de manjericão, mais algumas para servir

 

Vai precisar ainda de 30 palitos pequenos

 

Descasque e corte o abacaxi em pequenos pedaços. Lave os tomates-cereja.

Corte as salsichas em rodelas.

Monte as espetadinhas, fazendo metade de salsicha e tomate-cereja e a outra metade de salsicha e abacaxi.

Aqueça ao lume um grelhador ou frigideira antiaderente grande, unte com azeite e disponha as espetadinhas. Tempere-as com um pouco de sal e pimenta preta. Deixe cozinhar até ganharem cor e começarem a caramelizar.

Sirva as espetadinhas salpicadas com um azeite aromatizado com alho e manjericão (não se vê na foto, mas fica ótimo): no almofariz, coloque duas ou três colheres de sopa de azeite, 1 fio de sumo de limão, 1 dente de alho picadinho e o manjericão também picado. Triture tudo muito bem e regue por cima das espetadas.

 

 

 

05
Jul17

O azar e a sorte [e um gelado de cenoura diferente]

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Uma das primeiras coisas que fiz quando comecei a trabalhar para o livro ["Estava Tudo Ótimo!, lançado em outubro do ano passado], foi comprar um disco de armazenamento de dados externo. O meu maior medo era perder as imagens das sessões fotográficas que fazia e que tanto trabalho me davam.

 

Outra das medidas que tomei foi a de aumentar a memória do meu portátil. Assim, podia manter as fotos no computador e ter uma cópia das mesmas no disco externo, não fosse o diabo tecê-las. E assim aconteceu durante cerca de um ano e meio, que foi o tempo de gestação do projeto. Assim que entreguei todo o material fotográfico à editora, suspirei de alívio. Mas por essa altura, depois de mais de duas mil imagens em máxima resolução descarregadas para o computador, este começou a arrastar-se, não sei se também fruto da idade. Não conseguia trabalhar e tive de fazer uma limpeza radical. Com as imagens para o livro entregues, certifiquei-me de que tinha passado tudo para o disco, mesmo as fotos que não tinham sido escolhidas, e apaguei-as do computador.

 

Passado poucos meses, o disco avariou-se. Não conseguia abrir as pastas, parecia ter desaparecido tudo, um desespero. Era também no disco que estavam as fotos das férias mais recentes, as fotos das últimas festas de aniversário dos miúdos e de muitas outras ocasiões importantes. Levado o disco a especialistas, a única solução, segundo aqueles, era tentar uma recuperação de dados que, no caso de ser bem sucedida, custaria cerca de mil euros. Fiquei destroçada. Mas concluí que não era sensato gastar tanto dinheiro, mesmo que parte da nossa memória visual familiar ficasse para sempre perdida.

 

Mas se é verdade que fiquei inconsolável na altura, senti-me ao mesmo tempo aliviada. Só pensava na sorte que tinha tido em não ter perdido nenhum do trabalho para o livro ao longo do processo. Em cada sessão, para além das fotos ao conjunto das receitas, fotograva cada uma delas individualmente e chegava a fazer mais de uma dúzia de disparos em cada uma. Tinha por isso outras imagens deste gelado de cenoura que vos trago hoje. Mas só sobraram estas: as selecionadas para figurar no livro.

 

Com o calor a pedir coisas fresquinhas, achei que o facto de ter apenas duas fotos do gelado não era desculpa para não publicar a receita no blogue. E aqui está ela: um gelado de cenoura diferente, feito com iogurtes de soja e adoçado com xarope de agave. Para os mais gulosos, segue uma receita de um molho de chocolate pecaminoso, que fica igualmente bem com crepes e panquecas. E que no meio dos nossos azares, haja sempre uma pontinha de sorte!

 

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GELADO DE CENOURA

[sem lactose]

 

 Faz cerca de 800 ml de gelado

 

400 g de cenoura (pesada depois de descascada)

1 pau de canela

1 pedaço de casca de laranja

20 ml de licor de laranja

2 iogurtes de soja naturais

5-6 colheres de sopa de geleia de agave ou outro adoçante

  

Com antecedência, coza as cenouras partidas às rodelas num tacho com água, um pau de canela, a casca e o licor de laranja. Quando estiverem bem macias (deve demorar cerca de 1 hora e 15 minutos), escorra e deixe arrefecer. Depois de frias, coloque-as num saco plástico limpo e leve ao congelador.

Quando quiser fazer o gelado, retire o saco das cenouras do congelador e bata com ele na bancada da cozinha para que as rodelas se soltem. Coloque-as num robot de cozinha, juntamente com os dois iogurtes de soja e a geleia de agave. Triture muito bem até obter um gelado uniforme e macio. Está pronto a servir, de preferência com um fio de molho de chocolate por cima.

 

Notas:

- Pode trocar os iogurtes de soja por iogurtes naturais tipo grego;

- A geleia de agave é um adoçante com baixo índice glicémico e uma alternativa ao mel para quem segue uma dieta vegan, no entanto, à semelhança do açúcar deve ser consumido com moderação, pois apresenta elevado teor de frutose; o seu poder adoçante é superior ao açúcar, por isso tenha atenção ao usá-lo;

- Pode congelar o gelado depois de pronto, mas uma vez que não leva natas e não foi à máquina de fazer gelados, nunca ficará tão cremoso como acabado de fazer.

 

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MOLHO DE CHOCOLATE

Receita do Chef Luís Francisco

 

250 ml de açúcar

125 ml de água

1 pedaço de casca de limão

1 pau de canela

50 g de cacau em pó

1/2 colher de sopa de manteiga

  

Num tachinho de fundo espesso coloque a água, o açúcar, o pau de canela e a casca de limão. Leve ao lume em temperatura média ou média-alta, e deixe ficar, sem mexer. Vá estando atento, e assim que começar a fervilhar, com bolhas por toda a superfície, conte três minutos. Retire do lume e descarte o pau de canela e a casca de limão. Junte o cacau em pó (o tacho não deve ser muito baixo, pois neste passo a calda tem tendência a subir) e mexa bem com um batedor de varas até o cacau estar bem dissolvido. Leve de novo ao lume até ferver e mexendo sempre. Retire do lume e junte a manteiga, mexendo até estar bem derretida e envolvida por todo. Coe e guarde num frasco hermético. Deixe arrefecer e guarde no frigorífico. Dura várias semanas. Sempre que quiser usar, aqueça a porção de molho necessário e coe-o antes de servir para eliminar eventuais cristais de açúcar.

 

 

23
Jun17

Bom São João! [Folhados de Sardinha]

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Foram convidados para um piquenique e não sabem o que levar? Querem fazer um arraial e mas estão sem ideias para petiscos? Hoje, véspera de São João, um santo muito querido e venerado aqui no Porto, resolvi publicar uma das receitas mais simples do meu livro "Estava Tudo Ótimo!": uns folhados de sardinha que, feitos em forma de peixe, prometem agradar até aos mais novos. Uma sugestão prática e muito fácil de fazer, perfeita para estes dias, em que se quer aproveitar ao máximo o bom tempo e as atividades no exterior. E em que não queremos perder horas na cozinha!

 

Aproveito para desejar a todos um Feliz São João! E relembro que, hoje à noite, não podem ser lançados balões de São João. Eu sei que é uma tradição bem gira e muito animada, mas com o tempo tão quente e a tragédia de Pedrogão Grande tão presente, devemos colocar a segurança dos nossos pinhais e matas e das nossas populações em primeiro lugar! E claro, se por estes dias fizerem um piquenique, não façam fogueiras ou churrascos!

 

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FOLHADOS DE SARDINHA

 

Para cerca de 12

 

2 embalagens de massa folhada fresca retangular

2 a 3 latas de sardinhas em tomate

1 molho pequeno de coentros

Ovo batido para pincelar

Sementes de sésamo para polvilhar

 

Pré-aqueça o forno nos 180º.

Forre um tabuleiro de forno com papel vegetal.

Abra as latas das sardinhas e verta o seu conteúdo para um prato fundo, incluindo o molho. Com uma faca, desfaça grosseiramente as sardinhas.

Retire algum pedaço de espinha que lhe pareça demasiado grande.

Junte os coentros picados e envolva tudo muito bem.

Desenrole as bases de massa folhada e, com um cortador de bolachas em forma de peixe (ou outro), corte porções de massa. Coloque um pouco de recheio por cima de cada porção, mas sem aproximar muito das margens. Humedeça estas com água ou clara de ovo e coloque outra porção de massa igual por cima, pressionando e unindo com as pontas dos dedos a toda a volta.

Vá colocando os folhados no tabuleiro de ir ao forno, separados entre si.

Pincele com ovo batido e salpique com as sementes de sésamo. Marque o olho do peixe com uma semente de sésamo preta ou com um pedacinho de azeitona, por exemplo.

Leve a cozer durante cerca de 20 minutos ou até estarem bem folhados e dourados.

Se for cozinhar várias coisas, deixe os folhados para o fim: quanto mais 'frescos' e estaladiços estiverem, melhor!

 

Outra receita simples e prática com sardinhas de conserva:

Queques de Sardinha

 

Mais receitas para piquenique e outras ocasiões especiais no meu livro Estava Tudo Ótimo!

 

01
Jun17

Olá criançada! [Bolo de chocolate e grão-de-bico, sem farinha nem manteiga]

bolo de chocolate e grao de bico sem farinha e sem manteiga

 

Gosto do Dia Mundial da Criança. Mesmo que não me lembre desta ter sido uma data festejada de forma efusiva em minha casa ou até na escola, quando era mais nova. Nunca tive presentes dos meus pais neste dia - pensando bem, talvez tivesse direito a um gelado - e não me lembro de grandes privilégios nesse dia na escola, mas talvez fosse o dia do passeio anual, pois a minha memória é algo em que eu própria tenho dificuldade em confiar.

 

Desde que fui mãe, o Dia da Criança ganhou um colorido especial, ainda que os meus filhos também não recebam presentes (pelo menos dos pais, que os avós e a nossa querida C. são pessoas para os mimar ao de leve). Quando muito faço-lhes um bolo ou uns queques decorados, mas na escola há sempre muitas atividades e se o mais velho já não liga, está no 6º ano, o mais novo vem sempre feliz e suado de tanto pular.

 

A receita desta ano é um bolo de chocolate perfeito para a criançada, pois é bem mais saudável do que a maioria das receitas de bolo de chocolate: não leva farinha nem manteiga e é feito com grão-de-bico. Original, não acham? Não sei se acontece o mesmo convosco, mas quando me falam bem de uma receita ou de uma receita fora do comum, as minhas antenas ficam automaticamente sintonizadas e passo logo para o modo 'pedincha-receitas', não descansando enquanto não a conseguir.

 

Foi o que se passou há uns dias, quando em conversa com a mãe de um colega do meu mais novo, ela me falou do bolo que o filho tinha levado para a venda de bolos da escola, no âmbito da angariação de fundos para a viagem de final de ano. "Bolo de chocolate que leva grão-de-bico? Sem farinha? Sem manteiga? E os miúdos adoram? Mmmmm, parece-me interessante! Podes arranjar-me a receita?".

 

A resposta foi um simpático "sim" e eu, que não gosto de guardar as coisas boas só para mim, resolvi partilhá-la hoje, Dia Mundial da Criança, relembrando que diversos estudos mostram que há cada vez mais crianças com excesso de peso no nosso país (na verdade, nem eram precisos estudos, basta andar atento na rua). Uma realidade que temos de conseguir inverter urgentemente, para bem delas e de todos nós.

 

É verdade que há dias especiais e que proibir não leva a lado nenhum, devendo nós, pais e educadores, sermos os primeiros a dar o exemplo, no dia a dia, com opções alimentares conscientes e a prática de exercício físico. Mas mesmo nestas datas de festa, se pudermos ter opções mais saudáveis e que as crianças apreciem, todos ficamos a ganhar. Cá em casa, o bolo foi um sucesso. Espero que na vossa também!

bolo de chocolate sem farinha nem manteiga

 

bolo de chocolate saudavel

bolo chocolate grao de bico sem manteiga

 
BOLO DE CHOCOLATE E GRÃO-DE-BICO [SEM FARINHA E SEM MANTEIGA]
 
1 frasco de grão-de-bico cozido e escorrido (cerca de 400 g)
4 ovos L
120 g de açúcar amarelo ou mascavado
200 g de chocolate de culinária
1 colher de chá de fermento
 
Para a cobertura:
100 g de chocolate de culinária
4 ou 5 colheres de sopa de leite
Sprinkles coloridos
 
 
Pré-aqueça o forno nos 170º/função ventoinha (se não tiver ventilação, pré-aqueça nos 180º).
Unte muito bem uma forma - eu usei uma forma de bundt, mas pode usar outra, tendo o cuidado de ajustar o tempo de cozedura: se for mais larga e mais baixa, cozerá em menos tempo.
Derreta o chocolate em banho-maria.
No liquidificador ou robot de cozinha, triture o grão-de-bico com os ovos e o açúcar.
Junte o chocolate derretido, mexa bem e, por fim, envolva o fermento. Verta para a forma e leve a cozer durante cerca de 45 minutos (no caso de usar uma forma do género da que eu usei). Use um palito para confirmar a cozedura: se sair seco ou apenas com umas migalhas secas agarradas, está pronto. Desenforme com cuidado e deixe arrefecer.
 
Para a cobertura, leve a derreter o chocolate com o leite. Mexa bem. Se achar que está um pouco espesso, junte mais um fio de leite. Cubra o bolo a gosto e termine com os sprinkles coloridos.
 
 
Outras receitas giras para os mais novos:
 
Queques simples
Panquecas
Caixinhas de pão com tomate e ovo
Gratinado de pescada e couve-flor
Geladinhos de caramelo
Geladinhos de iogurte stracciatella
Bolo de Oreo
 
  
28
Fev17

Uma receita rara [Bolo de festa adequado a crianças com PKU]

mesa_infantil_bolo_claro.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Hoje assinala-se o Dia das Doenças Raras. Na verdade, a data oficial é o dia 29 de fevereiro, precisamente por ser um dia 'raro', mas como 2017 é um ano comum, antecipa-se para o dia 28.

 

São imensas as patologias que cabem na definição lata de "doenças raras" e que colocam enormes desafios às crianças e aos adultos portadores dessas doenças, bem como às suas famílias e cuidadores. Uma dessas condições dá pelo nome abreviado de PKU ou, em bom português, fenilcetonúria.

 

No Estava Tudo Ótimo! quis incluir uma receita adequada a crianças com fenilcetonúria. Tinha contactado recentemente com a doença - que limita imenso a alimentação de quem é portador - e ficado extremamente sensibilizada com o esforço feito pelas famílias, sobretudo pelas mães destas crianças, no sentido de proporcionarem uma alimentação completa, variada e saborosa aos seus filhos, sem colocar em causa a sua saúde. 

 

Tal como explico no livro, a PKU - do inglês PhenylKetonUria - é uma doença genética grave, causada pela não produção ou funcionamento insuficiente da enzima capaz de metabolizar a fenilalanina - o aminoácido presente nas proteínas. Isto significa que as pessoas com PKU não podem ingerir proteínas de nenhum tipo ou apenas o podem fazer em quantidades mínimas e controladas. Se a sua alimentação não for clínica e rigorosamente supervisionada, podem surgir danos cerebrais graves e irrecuperáveis.

 

Leite e derivados, pão, carne, peixe, ovos, leguminosas, soja: todos estes alimentos, entre muitos outros, têm de estar ausentes ou praticamente ausentes da dieta das crianças com PKU. Como devem imaginar, o desafio para os pais e para as famílias de crianças com PKU é tremendo. Esta é uma doença rastreada no famoso ‘teste do pezinho’, à nascença, o que tem permitido que estas crianças, com o apoio de médicos especializados e o já referido empenho admirável dos seus pais e familiares, tenham hoje em dia uma vida normal e sem consequências a nível intelectual.

 

Existem alguns produtos que são disponibilizados a estas famílias, nomeadamente suplementos alimentares, massa e farinhas hipoproteicas, mas há toda uma ginástica obrigatória de quantidades de ingredientes e pesagem de produtos, para não falar da limitação que se coloca quando se pretende viajar ou fazer uma refeição fora.

 

Em conversa com mães de crianças com PKU dei conta de que as festas de anos dos outros miúdos podem ser também uma situação crítica, devido ao leque restritivo daquilo que as primeiras podem comer. Mas em diálogo com os pais, podemos encontrar soluções para que não se sintam excluídas. Por exemplo: pipocas (simples), batatas fritas, gelatinas vegetais, gomas, chupa-chupas e rebuçados de fruta, são guloseimas que os miúdos com PKU podem comer, para além de qualquer tipo de fruta fresca.

 

No livro, optei por incluir um bolo que todos pudessem comer. Afinal, o bolo é o rei da mesa e convém que seja adequado a todos os convidados. Uma receita que me foi passada com muito carinho por duas mães de crianças com esta patologia, por quem tenho a mais profunda admiração, e à qual apenas fiz umas ligeiras adaptações, sob a sua supervisão.

bolo-pku-mix-bolo-final.jpg

 

BOLO DE ANIVERSÁRIO ESPECIAL

Do livro Estava Tudo Ótimo!

 

Para o bolo de laranja e baunilha

 

175 g de açúcar

100 g de margarina ou manteiga amolecida

60 g de maionese de compra (c/ovo na sua composição)

1 colher de chá de extrato de baunilha

Raspa de 1 laranja

160 g de farinha hipoproteica

160 g de amido de milho

1 pacote de pudim ‘Boca Doce’ de baunilha

1 colher de sobremesa de fermento em pó

300 ml de leite de arroz

 

Para a cobertura e recheio de creme de manteiga achocolatado

 

420 g de açúcar em pó

160 g de manteiga ou margarina

60 ml de água a ferver

10 g de cacau em pó

10 g de Nesquick

Raspa de ½ laranja

 

Para a decoração:

Jelly beans e velas coloridas

 

Pré-aqueça o forno nos 180º

Unta bem com manteiga e polvilhe com farinha hipoproteica ou amido de milho duas formas redondas com 18 cm de diâmetro. Forre o fundo com papel vegetal e volte a untar/polvilhar.

Numa taça grande, bata o açúcar com a manteiga, a maionese, a raspa de laranja e o extrato de baunilha. Noutra taça, misture a farinha com o amido de milho, o pudim e o fermento. Alternadamente, vá juntando esta mistura e a bebida de arroz à mistura anterior, de forma a que a última adição seja de farinha. Divida pelas duas formas e leve a cozer durante cerca de 40 minutos. Vá vigiando e faça o teste do palito antes de retirar do forno: se sair seco depois de espetado no centro, está pronto.

Retire, deixe arrefecer um pouco e desenforme com cuidado sobre papel vegetal.

 

Prepare a cobertura e o recheio: dilua o cacau em pó e o Nesquick na água quente, mexendo bem. Deixe arrefecer. Bata a manteiga com a batedeira até estar bem macia e vá juntando o açúcar em pó (pode fazer isto num processador de cozinha numa velocidade média alta, sem a borboleta). Junte o molho de chocolate aos poucos e continue a bater até estar bem uniforme. Por fim, junte a raspa de laranja. Confirme a consistência: deve estar um creme macio e consistente, mas fácil de barrar. Se achar que está demasiado espesso, junte um pouco de leite de arroz e volte a bater.

Coloque um pouco de creme no centro do prato de servir e coloque por cima um dos bolos, recheie com creme e coloque em cima o outro bolo (faça de modo a que os lados mais perfeitos dos bolos fiquem na base e no topo). Espalhe o creme com uma espátula por todo o bolo, retirando o excesso com uma espátula ‘raspadora’. Com o creme que sobrar, faça um decoração simples com saco e bico pasteleiro. Termine com os jelly beans e as velas coloridas.

 

 

Notas:

 

- Pode parecer estranho o uso da maionese com ovo na massa do bolo, mas a quantidade de proteína vai ser tão reduzida por fatia de bolo, que é aceitável, sendo um elemento importante na receita. Use maionese de compra, pois nesta as quantidades dos ingredientes estão parametrizadas;

 

- A farinha hipoproteica tem um sabor característico, que para quem não conhece pode não ser o mais agradável, mas nesta receita esse risco está diminuído pela presença do amido de milho, que aqui substitui metade da farinha da receita original; os bolos com este tipo de farinhas, sem glúten, têm alguma tendência a rachar, por isso desenforme com cuidado e manuseie o bolo o menos possível.

 

 Ah! No livro, encontram mais receitas para compor uma mesa catita de lanche infantil!

 

21
Jun16

Hello Summer!



Rapazes de férias, calor a mais, trabalho a acumular-se. Uma trilogia que me empurra para a cozinha na procura de outro três em um: entretê-los, refrescarmo-nos e traçar um plano B. Sim, porque o A — mantê-los sossegados, ter a casa fresca e conseguir despachar o trabalho — desapareceu tão depressa como os folhadinhos de salsicha nos lanches partilhados.

No momento de tirar as fotos, sinto que se calhar não foi assim tão boa ideia incluí-los como assistentes: queriam à força que os baldes de praia e as formas de plástico fizessem parte do cenário. Se fossem aquelas peças vintage, de lata, que às vezes aparecem nas feiras de velharias e antiguidades, aceitaria de bom grado, mas baldes riscados com asas partidas e formas desemparelhadas, lamento meus amores, mas não posso deixar que ganhem estatuto de props.
Tento disparar rapidamente e, pouco depois, os piratas têm direito ao seu tesouro gelado.
Dez minutos de paz fresquinha.

Falta muito para recomeçarem as aulas?


Texto e receita publicados no jornal Observador em junho de 2015.





GELADINHOS FÁCEIS DE CARAMELO E CHOCOLATE
Para 6
(a quantidade pode variar de acordo com o tamanho das formas)

3 iogurtes naturais tipo grego?
180 g de doce de leite ou leite condensado cozido?
150 g de chocolate de culinária?
Avelãs qb?

Numa taça, misture bem o doce de leite ou o leite condensado cozido com o iogurte, até obter um creme uniforme.
Distribua pelos moldes, insira os pauzinhos e leve ao congelador no mínimo oito horas (o ideal é fazer de um dia para o outro).?
Um pouco antes de servir, prepare as avelãs: torre-as numa frigideira anti-aderente e retire-lhes a pele, embrulhando-as num pano limpo de cozinha e friccionando-o contra a bancada de trabalho. Pique-as grosseiramente e reserve.?
Leve a derreter o chocolate em banho-maria e verta-o para um copo relativamente estreito, mas onde possa mergulhar os gelados.
Retire estes do congelador e dos moldes, mergulhe-os no chocolate derretido e salpique com as avelãs.
Deixe o chocolate endurecer e sirva.



09
Jun16

Um pequeno-almoço em forma de tarte [e um giveaway!]

















Antes de passarmos à receita, quero fazer-vos duas perguntas.
A primeira é: gostam desta forma de tarte retangular?
É d'A Metalúrgica Bakeware, uma fábrica no norte do país com 120 anos de existência, cuja qualidade e variedade em formas e tabuleiros de pastelaria leva o nome de Portugal a todo o mundo.

E agora a segunda pergunta: gostavam de ter uma forma assim?
Pois bem, em conjunto com A Metalúrgica, tenho uma forma igual para vos oferecer!
Para participarem neste giveaway, basta:

- Fazer like na página de facebook do Lume Brando (no caso de ainda não serem fãs)
- Fazer like na página de facebook de A Metalúrgica Bakeware (no caso de ainda não serem fãs)
- Preencher e submeter este formulário:




Depois, se forem o feliz contemplado com esta oferta, vão poder fazer esta tarte (e muitas outras!).
Esta é um verdadeiro pequeno-almoço: flocos de cereais, iogurte, fruta e mel.

Perfeita para um brunch entre amigos. As frutas podem variar, os cereais de pequeno-almoço também, os iogurtes podem ser ao vosso gosto e até o adoçante pode não ser o mel. Mas eu, que era tão avessa ao mel (o que eu costumo ter em casa é-me oferecido e apesar da excelente qualidade, tem um sabor demasiado forte que eu tolero apenas em pratos salgados), estou rendida ao mel de rosmaninho biológico, e acho que combina muito bem com a fruta e o iogurte.

O único senão desta tarte: para manter a crocância dos flocos de cereais, não os trituro em demasia e por isso a tarte nunca fica muito perfeita ao desenformar (para além disso, uso azeite, que não une tão bem a base como a manteiga). Se preferirem, podem usar uma receita tradicional de base de cheesecake.

Aproveito para informar que A Metalúrgica Bakeware tem loja online, mas este fim-de-semana (11 e 12 de junho), estará de portas abertas para o 4º Open Day - um evento com muitos descontos e oportunidades a não perder. Saibam tudo aqui.















TARTE DE CEREAIS, IOGURTE E FRUTA

150 g de flocos de cereais com chocolate
25-30 g de azeite virgem extra suave
2 iogurtes naturais tipo grego
1 colher de sopa de mel + algum mel para servir
1/2 colher de café de extrato de baunilha
Frutos vermelhos ou outras frutas a gosto
Folhinhas de hortelã para decorar

Num robot de cozinha, triture os flocos com o azeite.
Forre com esta mistura a base da tarteira, pressionando bem com as mãos.
Leve ao frigorífico durante cerca de 1 hora.
Coloque os iogurtes numa taça, junte o mel e a baunilha e mexa bem.
Faça a camada de iogurte* e espalhe por cima as frutas.
Decore com as folhinhas de hortelã e regue com mais um pouco de mel antes de servir.


*Eu juntei ainda um pouco de mascarpone que tinha no frigorífico a precisar de ser usado, mas não é de todo essencial.






Teresa Rebelo

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