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Lume Brando

01
Jul17

Adoramos a nossa Gastronomia com Coca-Cola [e uma receita de lulas]

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Por que não aproveitar o verão para ficarmos a conhecer melhor a nossa gastronomia, tão rica e saborosa? A Coca-Cola achou que isso era uma ótima ideia e pelo 3º ano consecutivo lança uma iniciativa que vai percorrer todo o país, no sentido de serem eleitos os sabores mais representativos de cada região, bem como os melhores restaurantes a confecionar esses pratos, através da votação dos consumidores.

 

"Adoramos a nossa Gastronomia com Coca-Cola" é o mote da ação, que no final irá destacar 12 sabores e 12 restaurantes, um por cada uma das 12 regiões portuguesas a concurso, e que conta com António Vieira como Chef Embaixador.

 

O pontapé de saída foi dado na região do Algarve, e os pratos que poderão ser votados de forma a ser eleito "o sabor da região" são o Arroz de Lingueirão, a Cataplana e as Lulas à Algarvia (podem encontrar a receita da minha versão das Lulas no final do post!).

 

No site Lifecooler, parceiro da iniciativa, ou em www.adoramosanossagastronomia.pt ficam a saber tudo sobre esta grande homenagem da Coca-Cola à cozinha regional portuguesa, nomeadamente os restaurantes participantes de cada região, onde vão poder deliciar-se com estes pratos. Aqui, encontram também as datas e as formas de votação. Esta tanto pode ser por sms, no momento da degustação do(s) prato(s) num dos restaurantes a concurso, ou em www.adoramosanossagastronomia.pt. Mas atenção: para cada região há datas específicas de participação/votação. Como já referi, a primeira região – Algarve - já está em fase de votação. A última região a entrar na corrida é o Porto, de 2 a 22 de outubro:

 

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Para além de ser uma oportunidade especial para se provar os pratos emblemáticos de cada região, este concurso tem ainda prémios para os participantes! Aos primeiros três consumidores que votarem através de sms em cada dia de ativação, a Coca-Cola oferece a Coca-Cola com que o consumidor acompanhou a sua refeição. E quem, para além da votação por sms, votar também em www.adoramosanossagastronomia.pt , recebe um código com 10% de desconto em produtos Lifecooler. Já todos os que votarem através do site ficarão habilitados não só ao sorteio de cinco convites-duplos para um jantar de degustação dos sabores da sua região, confecionado pelo Chef António Vieira, como a um sorteio de cinco vouchers, no valor de €30 cada, para usar em compras no site Lifecooler.

 

Agora, é só procurarem as datas e os restaurantes participantes e partirem à (re)descoberta dos sabores da vossa terra - e de outras regiões também, por que não? Estou certa de que vai ser uma aventura deliciosa, a fechar com chave de ouro: com o Festival "Adoramos a nossa Gastronomia com Coca-Cola", a realizar no Porto em Novembro!

 

Para vos abrir o apetite e deixar-vos com vontade de saber mais sobre esta iniciativa, bem como de provar as especialidades regionais portuguesas, resolvi cozinhar umas Lulas à Algarvia. Como encontrei diversas receitas, todas com algumas variantes entre si, resolvi fazer um mix e aqui está a minha versão. Bom apetite! E tchim-tchim... com Coca-Cola!

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LULINHAS À ALGARVIA - A MINHA VERSÃO

Para 3/4 pessoas como prato principal ou 6 pessoas como petisco

 

1,4 kg de lulas pequenas limpas

1 cebola pequena

2 dentes de alho

2 folhas de louro

6 rodelinhas de chouriço

1/2 copo de vinho branco

Azeite qb

Pimentão doce qb

Piri-piri qb

Sal qb

Salsa picada qb

Rodelas ou quartos de limão para servir

 

Leve a cozer as lulas em água temperada com sal, uma folha de louro e a cebola.

Quando estiverem tenras, escorra-as (pode aproveitar a água para juntar às lulas ou até para fazer um arroz).

Numa frigideira, coloque um fio de azeite, deixe aquecer e junte os dois dentes de alho picados, a outra folha de louro e as rodelinhas de chouriço. Deixe ganhar um pouco de cor. Adicione as lulas, tempere com um pouco sal, pimentão doce e piri-piri e deixe saltear. Refresque com o vinho branco e deixe cozinhar mais um pouco. Se achar que está a ficar muito seco, pode juntar um pouco da água da cozedura. Retifique os temperos e junte salsa picada. Retire do lume, coloque no prato de servir, decore com limão e polvilhe com mais salsa picada. Sirva com batata cozida para prato principal, ou com pão saloio como petisco.

 

08
Mai17

Um salto a Melgaço [e um pão de ló húmido aldrabado]

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Créditos fotográficos: Daniel Luciano / Essência do Vinho 

 

A convite da Essência do Vinho, co-produtora, juntamente com a Câmara Municipal de Melgaço, da Festa do Alvarinho e do Fumeiro de Melgaço e editora da Revista de Vinhos, no último fim de semana de abril integrei uma press tour por esta região, que para além da visita à Feira, incluiu uma série de outras experiências enogastronómicas.

 

Já confessei aqui no blogue o meu gosto pelo Minho. Apesar de fugir mais vezes para o Minho litoral, há alguns anos passei um excelente fim de semana em Melgaço, que ainda hoje recordo, e foi por isso com muito prazer que regressei a esta terra que tão bem sabe receber.

 

A Festa do Alvarinho e do Fumeiro de Melgaço é um evento que se realiza desde 1995, e que de uma pequena mostra local de produtos se transformou num grande certame com impacto nacional. Na edição deste ano, para além da presença de 32 produtores de vinho Alvarinho e mais de uma dezena de marcas de enchidos e outros produtos gastronómicos, houve também a habitual participação de restaurantes do concelho, provas comentadas, showcookings, concurso de produtos e animação musical, com diversos concertos de música popular.

 

O nosso roteiro começou, no entanto, não pela Festa mas por uma visita à Quinta de Soalheiro, a primeira marca de Alvarinho de Melgaço (as primeiras vinhas foram plantadas em 1974) e uma das mais importantes insígnias nacionais de vinho desta casta nobre. Aqui, pudemos provar diferentes vinhos da quinta e se alguns eu já conhecia, foi bom poder provar o Soalheiro Granit, o Oppaco e os vinhos biológicos da marca - o Terramater, já no mercado, e o Natur, que dentro em breve entrará na distribuição.

 

Os vinhos biológicos representam um desafio audacioso para a equipa técnica da Quinta do Soalheiro, não só pelas vinhas, que têm de ser cultivadas de acordo com as regras da agricultura biológica, mas pelos passos seguintes, nomeadamente a estabilização do vinho sem adição de sulfitos. Uma aposta que parece estar a dar, literalmente, bons frutos.

 

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Créditos fotográficos: Daniel Luciano / Essência do Vinho 

 

De seguida, rumámos à Quinta de Folga, um projeto igualmente ligado à família Cerdeira, da Quinta de Soalheiro, mas onde a especialidade não são os vinhos, mas sim o presunto e os enchidos de porco Bísaro, uma espécie animal autóctone e que os mentores do projeto ajudaram a recuperar. Foi aqui que almoçámos, numa mesa farta - tanto de comida caseira e típica da região, como de vinhos da marca Soalheiro, incluindo o seu espumante bruto de Alvarinho e o adocicado 9% Dócil, ideal para acompanhar a sobremesa. Claro que não podiam faltar o presunto e os enchidos da casa, feitos de porco Bísaro criado na quinta.

 

A qualidade é transversal a todos os produtos, mas os holofotes viraram-se para a alheira e para o presunto: irresistíveis. Estava tudo muito bom, incluindo as sobremesas, mas sobre isso - ou melhor, sobre o pão de ló da D. Palmira - falarei mais no final do post, junto da receita que vos trago.

 

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 Créditos fotográficos: Daniel Luciano / Essência do Vinho 

 

Se ficaram com água na boca, saibam que é possível almoçar na Quinta de Folga, basta fazerem a reserva com antecedência, para um grupo mínimo de 8 pessoas.

 

Para a parte da tarde, estava agendada a visita à Festa, bem como um showcooking com a Chef Justa Nobre, que nos cozinhou carne de cachena - bovino cujo habitat natural é a alta montanha e que apesar de ser criado um pouco por todo o país, é no Alto Minho que se encontra a maior concentração de produtores, bem como o selo "Carne da Cachena da Peneda DOP". Para acompanhar esta carne tenra e suculenta, a Chef Justa preparou 'cuscos' de Vinhais, uma especialidade que eu desconhecia, mas à qual fiquei rendida.

 

Ainda que a forma e a matéria-prima remeta para o vulgar cuscuz, o 'cusco' de Vinhais é feito manualmente de acordo com uma técnica antiga e rudimentar e com uma farinha de trigo específica. Ao ser cozinhado, larga uma espécie de goma, dando origem a um acompanhamento muito cremoso, uma espécie de risotto, de comer e chorar por mais.

 

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  Créditos fotográficos: Daniel Luciano / Essência do Vinho 

 

Mas não se pense que a ementa do primeiro dia ficou por aqui: por incrível que pareça, ainda teve de haver estômago para jantar num dos restaurantes mais conceituados de Melgaço, a Adega do Sossego, cuja mesa tivemos o prazer de partilhar com a Chef Justa e o seu simpático marido, José Nobre. Apesar do mais acertado ter sido fazer um passeio noturno por Melgaço, para mais facilmente se fazer a digestão de tantos repastos, após o jantar recolhemos ao Hotel Monte Prado, pois no dia seguinte esperava-nos mais uma série de visitas e provas.

 

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   Créditos fotográficos: Daniel Luciano / Essência do Vinho 

 

No dia seguinte, a primeira paragem foi no lugar de Vido, em Castro Laboreiro. Missão? Fazer pão castrejo com a ajuda de três senhoras da aldeia. Com paciência, simpatia e muitas histórias antigas pelo meio, a D. Isalina (na verdade chama-se Isolina, mas toda a gente a trata por Isalina), a D. Almerinda e a D. Rosa, mostraram-nos como se faz este pão, antigamente cozido nos fornos a lenha comunitários.

 

Uma experiência deliciosa, não só pelo pão, que trouxemos connosco, ainda quente, mas sobretudo pelo contacto com estas pessoas tão genuínas e bem-dispostas. Um verdadeiro exemplo de aceitação e gratidão, face às suas vidas duras e ao isolamento de viverem numa aldeia quase sem ninguém. Caso queiram conhecer estas senhoras e fazer um workshop de pão castrejo, contactem a empresa de animação turística Montes de Laboreiro. Se vos calhar a guia Safira, estarão bem entregues!

 

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   Créditos fotográficos: Daniel Luciano / Essência do Vinho 

 

Depois de um passeio pela aldeia de Castro Laboreiro e de um retemperador bacalhau com broa (confesso que já precisava de fazer uma pausa na carne), no restaurante panorâmico Miradouro do Castelo, partimos para a freguesia de Prado, para a última visita desta press tour: o objetivo era conhecer a Prados de Melgaço, uma empresa jovem mas já premiada, que combina a criação de cabras para obtenção de leite com a produção de queijos artesanais. Aqui, as cabras são criadas em excelentes condições, onde não falta música relaxante e um massajador, para que os animais se sintam felizes, produzam mais leite e de melhor qualidade.

 

Até os cães que por ali passeiam têm uma função: fazer com que as cabras se sintam protegidas. Este cuidado e dedicação são replicados na fase de produção, e o resultado só podia ser um queijo de cabra de qualidade superior, seja na versão fresca, creme para barrar, camembert ou nas versões curadas, com destaque para o 'Vinho Alvarinho e Pimentão', um queijo que durante a fase de maturação é mergulhado por diversas vezes numa massa de pimento vermelho e vinho Alvarinho. Para já, a produção é ainda limitada e não é fácil encontrar estes produtos fora da região do Minho, mas pode sempre dar um passeio até Melgaço e passar pela loja da queijaria.

 

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  Créditos fotográficos: Daniel Luciano / Essência do Vinho 

 

E depois deste longo relato, ainda têm barriga para uma receita de pão de ló? No almoço que nos foi servido na Quinta de Folga, a minha sobremesa favorita foi o pão de ló - era um pão de ló húmido diferente do habitual, pois parecia levar por cima um creme de ovos macio e espumoso. Tinha sido feito pela D. Palmira, a matriarca da família Cerdeira, e estava fantástico.

 

À falta de receita, decidi replicá-lo numa versão batoteira: peguei na receita da massa da torta de Viana, cozi-a numa forma redonda e - estão a ver aquela cavidade que os bolos com massa de pão de ló costumam ganhar depois de arrefecidos e que nos deixam tantas vezes desiludidos? Pois, preenchi-a com a 'minha' receita de doce de ovos todo-o-terreno. Não ficou igual ao da D. Palmira, mas deu uma rica sobremesa no almoço do domingo seguinte! Aqui vai a receita.

 

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PÃO DE LÓ HÚMIDO ALDRABADO

 

6 ovos, separados
Raspa de limão qb
125 g de açúcar
100 g de farinha sem fermento
Doce de ovos*


Pré-aqueça o forno nos 200º.
Forre uma forma redonda com cerca de 22 cm de diâmetro com papel vegetal e unte com manteiga ou spray desmoldante. Bata bem as gemas com o açúcar e a raspa de limão (usei colher de pau e bati cerca de 5 minutos).
Bata as claras em castelo e envolva-as na mistura das gemas.

Adicione a farinha e envolva bem para que fique integrada na massa.
Verta sobre a forma, alise e leve ao forno cerca de 25/30 minutos ou até o palito sair seco do seu interior.

Retire do forno, deixe arrefecer e ganhar a "cova". Antes de servir, espalhe o doce de ovos por cima.

 

*DOCE DE OVOS

(receita do chef Luís Francisco)

6 gemas + 1 ovo inteiro
250 g de açúcar
125 g de água
1 pedaço de casca de limão
1 pau de canela


Num tachinho,  levar ao lume a água, o açúcar e os aromatizantes (limão e canela).
Sem mexer, deixar levantar fervura. Quando começar a borbulhar (bolhas grandes em toda a superfície da calda), contar 3 minutos. Retirar do lume, descartar o limão e a canela e verter em fio sobre as gemas e o ovo previamente desfeitos numa taça de metal, mexendo sempre. Coar para o tacho e levar ao lume até engrossar, cerca de 10/15 minutos, mexendo sempre - uso um batedor de varas - para não ganhar grumos e sem deixar ferver. Colocar num frasco e deixar arrefecer antes de usar. Pode ser conservado no frigorífico durante várias semanas.

 

 

Teresa Rebelo

foto do autor

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