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Lume Brando

21
Set04

Ignorância pantagruélica.

Durante anos, pensei que aquele calhamaço antigo que ganhava pó numa prateleira da despensa da minha mãe, em cuja capa já meia desfeita se podia ler “O Livro de Pantagruel”, era a obra de um renomado chef francês, um daqueles sábios da culinária, quem sabe cozinheiro ao serviço de um rei gordo e faustoso em tempos idos. Mas não. Recentemente descobri que o livro é português de gema, cuja 1ª edição saiu em 1946. Bertha Rosa-Limpo é o nome da autora e, pelo menos na 23ª edição, que é a da minha mãe, contou com a colaboração de uma filha e de um filho, este último o pioneiro realizador de cinema Jorge Brum do Canto (1910-1994).
Claro que o facto de lá em casa sempre se ter aberto mais vezes o “Tesouro das Cozinheiras”, não desculpa a minha ignorância: se soubesse há mais tempo que Pantagruel é uma personagem de uma série de livros escritos por Rabelais no século XVI, conhecida pelo seu apetite insaciável, teria percebido logo o porquê do título. Mas mais vale tarde do que nunca. Já agora, na obra de Rabelais - segundo o que consegui apurar, pois ainda não me dispus a ler a sua epopeia pantagruélica - Pantagruel é filho de Gargântua e ambos organizam - e devoram - lautos banquetes, em que aproveitam para contar aos amigos as suas viagens pela Europa, criticando a Igreja e defendendo ideias liberais e avançadas para aquela época. Quanto ao Pantagruel português, para além de incluir conselhos vários e milhares de receitas, incluindo as que estão na base de todas as outras, tem aquela magia dos livros de culinária sem imagens. Assim, podemos sempre fantasiar o aspecto final da receita e não experimentamos aquela sensação de falhanço quando vemos que o nosso bolo saiu deslavado e baixo, e na foto está castanho escuro e tem o dobro da altura.

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Teresa Rebelo

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