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Lume Brando

25
Fev16

Um bolo para onze velas.




Esta é uma semana de festa por aqui.
O mais velho fez a sua primeira capicua. Cantaram-se os parabéns no próprio dia com os avós e os tios, festejou-se no dia seguinte com os amigos e no fim de semana haverá cá em casa o tradicional almoço de família (desta vez seremos uns 35 à mesa!)
Três bolos de aniversário, portanto.
Este foi o primeiro.

Julgo que já falei aqui que massas de chocolate não são a minha primeira opção para bolos de aniversário. Porque os bolos de aniversário querem-se altos e com alguma decoração (sobretudo se estamos a falar de uma criança ou pré-adolescente) e para mim os melhores bolos de chocolate são aqueles que se servem como sobremesa: baixos e húmidos. Mas chocolate é o sabor preferido do aniversariante, por isso tinha mesmo de ser.

Conseguir uma massa de chocolate que se adapte a um bolo alto, que dê para decorar e ao mesmo tempo seja húmida e deliciosa não é fácil. Este bolo foi por isso uma ótima surpresa.
Adaptei uma receita base de bolo de chocolate tipo chiffon, que me foi passada há vários anos e consegui um bolo intenso, húmido e bonito. O aspeto, não sendo a característica principal (para mim, o principal, é sempre o sabor) era neste caso importante. Tenho pena de não vos poder mostrar uma fatia do bolo, para verem como estava escuro e húmido.

E como o formato do bolo que escolhi já tinha um certo ar de festa, a decoração foi bastante simples, a comprovar o princípio de que "menos é mais".





















BOLO DE CHOCOLATE E AMÊNDOA

4 ovos
1 chávena de açúcar branco
1/2 chávena de açúcar amarelo
1 chávena de óleo de girassol
1 chávena de água a ferver
65 g de chocolate em pó
65 g de cacau em pó
1 chávena de amêndoa moída
1 chávena de farinha sem fermento
1 colher de sopa de fermento em pó

Chávena = 250 ml de capacidade

Para a decoração:

1 embalagem de cobertura de chocolate da Vahiné
ou 150 g de chocolate de culinária (mínimo 52% de cacau)
Sprinkles/granulado colorido


Pré-aquecer o forno nos 180º
Untar muito bem a forma, sobretudo se usar uma forma com chaminé, como neste caso, e polvilhá-la com farinha, ou então usar spray desmoldante. Eu usei spray desmoldante numa dose mais generosa do que o normal, pois como o bolo é húmido e nestas formas não podemos usar papel vegetal, não quis correr o risco de ficar com partes do bolo agarrado à forma.
Numa taça grande, bater bem os ovos com o açúcar. Juntar o óleo, mexer bem.
Adicionar a água a ferver e mexer vigorosamente.
Juntar o chocolate e o cacau - mexer bem até estarem bem dissolvidos.
Juntar a amêndoa moída, seguida da farinha e do fermento.
Verter para a forma e levar a cozer cerca de 40 minutos, mas vai depender bastante da forma e do forno. Eu usei uma forma de silicone e nestas, normalmente, os bolos cozem mais rápido. Passados 35 minutos, comece a vigiar e faça o teste do palito: espete-o no centro do bolo e, se sair limpo, está pronto.
Retire do forno, aguarde uns minutos, passe uma faca de manteiga pelos lados da forma e desenforme.
Se tiver usado uma forma de silicone, deixe arrefecer na forma, passe depois uma faca de manteiga pelos lados da forma e desenforme.

Depois de frio, pode decorar.
Eu usei uma embalagem desta cobertura que a Vahiné me ofereceu, mas conseguem o mesmo resultado, fazendo derreter em banho-maria 150 g de chocolate de culinária. Depois de bem derretido, é só espalhar com uma colher pelo topo do bolo, fazendo escorrer de vez em quando, para um efeito mais dramático. Espalhe de imediato os sprinkles coloridos (e as velas, se for caso disso), pois o chocolate seca rapidamente.


19
Dez15

Christmas mood.


















Gosto da dimensão mágica do Natal, mais viva e sentida, é certo, quando há crianças em casa ou na família.
Os brilhos, as cores, as músicas... Ainda que banais e vividos muitas vezes a correr, todos estes estímulos transmitem-me um certo conforto, uma esperança de que o que está menos bem pode melhorar, de que todas as chatices podem ser atenuadas, de que os meus problemas comparados com muitos outros são um passeio no parque.

Para além disso, e quem segue o Lume Brando já sabe, eu gosto muito do lado visual das festas e das celebrações. O Natal é sempre uma nova oportunidade para pensar em enfeites, etiquetas para presentes, mesas bonitas e bolos a condizer. Nem sempre (ou melhor, nunca) consigo pôr em prática tudo o que imagino, mas já me habituei e nos últimos anos não tenho sofrido tanto com a falta de tempo. Ter conseguido fazer este bolo e tirar estas fotos, mais cuidadas do que o habitual, já me deixou muito feliz.

O bolo é uma receita que a minha tia N. costuma fazer, do livro Tesouro das Cozinheiras, ao que consta o livro de cozinha mais vendido em Portugal, julgo que a primeira edição é dos anos 50. Chamamos-lhe bolo inglês, e a minha tia costuma fazê-lo numa forma retangular, de bolo inglês, mas segundo o livro chama-se 'bolo de Stº. António'. Inicialmente tinha pensado em colocar-lhe uma cobertura de glacé branco, a escorrer, mas depois achei que seria demasiado açúcar num bolo só, mesmo já tendo cortado à quantidade de açúcar da receita original, e optei por deixá-lo mais simples.

Pode parecer um bolo seco, mas não! É viciante, para quem gosta de texturas ricas, com as frutas cristalizadas e os frutos secos. Leva ainda vinho do Porto e é por isso um bolo que respira Natal, por entre cada migalhinha.

Boas Festas!















COROA DE BOLO INGLÊS

Para o bolo*:

190 g de açúcar
125 g de manteiga amolecida
4 ovos, separados
250 g de farinha
175 g de fruta cristalizada (pode misturar algumas passas e/ou sultanas)
75 g de miolo de noz e de amêndoa, partido grosseiramente
1 cálice de vinho do Porto
1 colher de sopa de fermento em pó

*Esta receita dá para 1 forma redonda de buraco pequena (14 cm na parte mais larga, base do bolo) e 1 bolo rectangular pequeno; se preferir faça, um bolo inglês de tamanho normal.


Para a decoração:

Cerca de 40 g de fruta cristalizada
Geleia ou mel para pincelar
Açúcar em pó para polvilhar

Ligue o forno nos 170º.
Numa tacinha, junte o fermento ao vinho do Porto e reserve.
Bata a manteiga e o açúcar até ficar em creme.
Junte as gemas, uma a uma. Bata as claras em castelo e junte ao preparado anterior.
Envolva a farinha e as frutas e os frutos secos (custa um pouco mexer a massa, mas é mesmo assim).
Por fim junte a mistura de vinho do Porto e fermento.
Mexa bem, verta na(s) forma(s) e leve a cozer cerca de 55 minutos (se fizer dois bolos, o bolo mais pequeno irá ficar pronto mais depressa, esteja atento e faça o teste do palito: assim que sair seco, retire o(s) bolo(s) do forno.
Aguarde uns minutos, desenforme e deixe arrefecer totalmente.
Pincele o topo do bolo com mel ou geleia e disponha quadradinhos de fruta cristalizada.
Polvilhe com açúcar em pó (ou açúcar anti-humidade, que garante um efeito mais duradouro, pois não é absorvido). Se for transportar o bolo, decore apenas no local.

Ah! A cafeteira e as canecas lindas em esmalte, são daqui.



07
Dez15

Acompanhar com manta e sofá.


















Ao que consta, as madalenas foram inventadas no século XVIII em Commercy, França, por uma criada chamada Madeleine Paulmier, que as fazia para o rei polaco que ali tinha um castelo. Apesar de esta ser a origem mais mencionada, há quem diga que os bolinhos em forma de concha afinal nasceram em Santiago de Compostela, onde uma jovem os servia aos peregrinos (o símbolo dos peregrinos é uma concha de vieira que, de acordo com a tradição, deve acompanhá-los e ser atirada ao mar, no final, como sinal de disponibilidade aos outros da sabedoria adquirida ao longo do caminho).

A receita de hoje é diferente da original mas igualmente reconfortante, pensada para estes dias de outono em que apetece ligar o forno. E porque a massa leva avelã e avelã rima com chocolate, nada melhor que um molho de chocolate e avelã para acompanhar. Depois, é só juntar uma chávena de chá e um bom livro ou um bom filme. Se não puderem dar-se ao luxo deste mimo durante a semana, lembrem-se de que o tempo passa a correr e daqui a nada é sexta outra vez.















MADALENAS DE AZEITE E AVELÃ
30 aprox.

Para as madalenas:

140 g de açúcar
70 g de azeite suave
4 ovos
125 g de farinha
75 g de miolo de avelã moído
1 colher de chá de fermento em pó

Para o molho de chocolate e avelã:

2 colheres de sopa de creme de chocolate e avelã para barrar
2 colheres de sopa de iogurte natural tipo grego

Ligue o forno nos 220º.
Unte com manteiga e polvilhe as forminhas de madalena com farinha (ou use spray desmoldante) .
Bata o açúcar com o azeite.
Junte os ovos, um a um, batendo bem entre cada adição.
Envolva a farinha, o fermento e o miolo de avelã moído.
Distribua pelas forminhas (pode usar forminhas de papel, se não tiver formas de madalenas ou se as que tiver não chegarem), e leve a cozer cerca de 10 minutos.
Enquanto estão no forno, prepare o molho de chocolate: numa taça, junte o creme de chocolate e avelã ao iogurte e mexa bem com uma vara de arames. Coloque numa taça e está pronto a servir.

Para uma versão salgada, espreite estas madalenas de bacon e ervas.

Texto e receita publicados no jornal Observador em 30/10/2015. 



29
Set15

E o melhor bolo de chocolate vai para...




... Donna Hay!

Adormecer em frente à televisão tem sido um (mau) hábito dos últimos dias.
Quando me sento no sofá já é tarde. Acontece só depois de todas aquelas tarefas rotineiras de mãe, que todas conhecemos bem, e muitas vezes só depois de algum trabalho no computador terminado e de alguns mails respondidos. O início do ano lectivo, com todas as novidades e recados do 5º ano (sim, até a mim me custa acreditar que o mais velho já está no 5º!), também tem ajudado a prolongar o serão.
Às vezes é uma questão de minutos: ainda o Rudolph não terminou a primeira receita e eu já estou de olhos fechados.

Mas um dia destes, em que um café ao fim da tarde me ajudou a gozar o meu momento zen do dia, apanhei um programa da Donna Hay, em que consegui acompanhar uma receita de bolo de chocolate do princípio ao fim.
E que receita! O aspecto era maravilhoso e parecia tão fácil que não resisti a experimentá-la assim que pude.

Estas fotos são já da segunda vez que o fiz, tal foi o sucesso.
Para mim, é o melhor bolo de chocolate de sempre - ou diria antes 'o melhor bolo de chocolate caseiro de sempre', porque adoro o bolo de chocolate da Landeau - e olhem que já experimentei e provei muitas receitas caseiras.
E é tão simples de fazer, que até parece mentira.

Adormecer no sofá a ver programas de culinária na TV, afinal tem as suas vantagens ;)















O MARAVILHOSO BOLO DE CHOCOLATE DA DONNA HAY

125 g de manteiga
375 g de chocolate preto (70% cacau)
175 g de açúcar mascavado
35 g de farinha sem fermento, peneirada
2 colheres de sopa de leite
120 g de farinha de amêndoa
5 ovos
Cacau para polvilhar

Pré-aqueça o forno nos 170º.
Unte bem uma forma de fundo amovível com cerca de 22 cm de diâmetro.
Derreta o chocolate com a manteiga no microondas (com cuidado, poucos segundos de cada vez, para não queimar o chocolate). Mexa bem, até obter um creme brihante.
Junte à mistura do chocolate e da manteiga o açúcar, a farinha, o leite e a farinha de amêndoa (eu moí miolo de amêndoa sem pele na Bimby).
Por fim, adicione os ovos, um de cada vez, e mexa bem.
Verta para a forma e tape esta com papel de alumínio.
Leve a cozer cerca de 1 hora (a receita original diz para cozer cerca de 40 minutos, mas eu tive de manter o bolo no forno por bastante mais tempo). O bolo deve ser retirado do forno ainda com a parte central não totalmente cozida: depois de arrefecer, irá assentar.
Destape e deixe arrefecer na forma. Antes de servir, polvilhe com bastante cacau em pó.
(nas fotos não se vê, mas servi com natas batidas em chantilly, sem açúcar: é opcional, mas altamente recomendável, e se tiverem frutos vermelhos para acompanhar, tanto melhor!




21
Jul15

Sweets for my sweet.

















Já aqui confessei a minha paixão por bolos.
Um bolo bonito enche uma mesa e não é preciso mais nada para transformar uma data com significado, num momento de partilha especial.
No post do Bolo de Oreo já tinha expresso o desejo de pôr em prática todas as receitas deste livro da Linda Lomelino. Todas talvez seja um exagero, mas os seus bolos são tão bonitos que por agora são esses que quero levar ao forno.

O provador-mor fez anos a semana passada e, depois de uma indecisão inicial entre as receitas de chocolate do livro (tinha de ser de chocolate, a pedido do aniversariante), a escolha recaiu sobre a sua versão do popular Black Forest Cake.

Apesar de não parecer, é um bolo leve. A receita pede cerejas em calda de rum, mas como eu não tinha (nem me lembrei de as colocar de molho), acabei por usar cerejas frescas, uma sugestão que é dada no próprio livro, mas sinceramente era o que mudava da próxima vez: não colocar cerejas no recheio. Este já leva ganache de chocolate e creme de natas e mascarpone e achei que as cerejas não acrescentaram grande coisa. Nesse caso, talvez já não se possa chamar Bolo Floresta Negra, mas vai ser igualmente um hit em qualquer festa.
















BOLO FLORESTA NEGRA
(ligeiramente adaptado do livro Lomelino's Cakes)

Para o bolo:
30 g de manteiga
1 + 1/4 de chávena de farinha sem fermento
6 colheres de sopa de cacau em pó
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1 colher de chá de fermento em pó para bolos
1 pitada de sal
1 chávena de açúcar
2 ovos
2/3 de chávena de leite 1/2 gordo
6 colheres de sopa de água a ferver

Para o recheio de chocolate (ganache):
60 g de chocolate de culinária
1/4 de chávena de natas para bater

Para o recheio e cobertura de natas e mascarpone:
230 g de mascarpone
1 chávena de açúcar em pó
1+1/4 de chávena de natas para bater

Para a decoração de chocolate:
40 g de chocolate de culinária ou com 70% de cacau

Cerca de 250 g cerejas para rechear (opcional) e decorar

Chávena = 250 ml de capacidade


Pré-aqueça o forno nos 180º.

Unte com manteiga e polvilhe com farinha duas formas de 16 cm de diâmetro; forre com papel vegetal o fundo das formas e volte a untar/polvilhar (em alternativa, pode usar spray desmoldante).
Derreta a manteiga e deixe arrefecer.
Peneire para uma taça grande a farinha, o bicarbonato, o fermento e o cacau, e junte a pitada de sal.
Adicione o açúcar, a manteiga, os ovos, o leite e a água a ferver e misture tudo muito bem.
Divida pelas formas e leve a cozer durante cerca de 25 minutos ou até um palito sair apenas com algumas migalhas agarradas. Deixe arrefecer durante alguns minutos e desenforme, deixando arrefecer completamente.

Entretanto faça a ganache de chocolate: parta o chocolate para uma taça de vidro ou metal e coloque as natas ao lume num tachinho. Quando estas atingirem o ponto de fervura, verta-as sobre o chocolate. Espere uns minutos e misture muito bem com um  batedor de varas, até obter um creme liso e brilhante. Deixe arrefecer e ganhar alguma consistência.

Prepare o recheio e cobertura de mascarpone e natas: bata bem o açúcar em pó com o mascarpone. Com a batedeira elétrica, bata as natas até ficarem bem firmes e junte a estas, aos poucos, a mistura de mascarpone e açúcar.

Se desejar usar cerejas no recheio, descaroce-as e parta-as ao meio ou pique-as.

Monte e decore o bolo: parta cada bolo ao meio (no meu caso, um bolo ficou maior do que outro e acabei por cortar apenas este a meio, ficando com duas camadas de recheio e três de bolo; a receita original fala em quatro camadas de bolo e três de recheio).

Coloque um dos bolos ou uma das camadas de bolo no prato de servir. Espalhe uma camada de ganache, depois uma camada de mascarpone e natas e por fim as cerejas, se desejar. Coloque por cima outra camada de bolo e repita terminando com uma camada de bolo (com a parte mais perfeita virada para cima). Barre o bolo com uma camada fina do creme de mascarpone e natas, com a ajuda de uma espátula, e leve ao frigorífico cerca de 30 minutos. Entretanto derreta em banho-maria o chocolate para a decoração. Deixe arrefecer um pouco, mas não deixe endurecer. Retire o bolo do frio e acabe de barrá-lo com o creme de mascarpone e natas. Por fim, com a ajuda de uma colher pequena, espalhe o chocolate derretido pelo topo do bolo, deixando escorrer propositadamente de vez em quando. Termine decorando com cerejas frescas ou outros apontamentos ao seu gosto.



06
Jul15

The Trip to Italy [e um bolo de amêndoa e avelã]
























A primeira grande viagem em família tinha de ser a Itália.
Tanta propaganda eu e o pai fazíamos ao país das pizzas, que até na lista dos rapazes este era o destino que vinha em primeiro lugar, sempre que lhes perguntávamos que países gostavam de conhecer.

Na última semana de Junho, já em período de férias escolares, lá partimos rumo à Toscana.
Foi uma semana cheia de sol, boa comida, visitas culturais e algum dolce far niente, que os pequenos ao fim de poucas horas já só pensavam na piscina da casa de turismo rural onde estávamos alojados, muito perto de Volterra.

Pertencente à província de Pisa, Volterra é uma pequena cidade de origem etrusca, onde se cruzam vestígios desta civilização com muitas memórias romanas e medievais. Em redor da cidade estendem-se os campos característicos da região, salpicados por ciprestes e casas de cor ocre, uma paisagem algo melancólica que faz parte do meu imaginário romântico* e que soube mesmo bem apreciar in loco.

Alugámos um carro e a maior parte dos dias foi passada a circular nas estradas que serpenteiam as colinas toscanas e a conhecer Pisa, Lucca, Siena, S. Gimignano e Florença (para Florença uma parte do percurso foi feita de comboio, por ser mais rápido e mais prático - sai-se mesmo no centro e evitam-se as filas à entrada da cidade e o custo alto do estacionamento).

'Conhecer' é uma força de expressão, porque o tempo que passámos em cada sítio foi manifestamente pouco para ficar a 'conhecer', mas deu para reforçarmos a ideia de que Itália é um país fantástico. Foi a terceira vez que lá estive, mas ainda há tanto, mas tanto, para ver, aprender e provar, que é impossível não sentir um enorme desejo de voltar.

Como já é costume, os souvenirs que trouxe para mim foram revistas de cozinha. Enquanto não ponho mais receitas em prática (e são tantas as que já estão marcadas), deixo-vos um bolo de avelã e amêndoa, húmido e delicioso, típico de Cannobio - uma cidade do Piemonte, que também já está assinalada no mapa cá de casa com o alfinete dos destinos a visitar.


*Há muitos filmes e livros passados em Itália que me marcaram de alguma forma e que ajudaram a construir este imaginário. Um desses filmes é bem recente: trata-se do The Trip to Italy, com o seu ritmo bem tranquilo e pouco hollywoodesco, as paisagens inspiradoras, os pratos de fazer crescer água na boca e os diálogos inteligentes e divertidos. Aconselho!




BOLO DE AVELÃ E AMÊNDOA [PAN DOLCE DI CANNOBIO]
Revista Sale & Pepe  Julho 2015

60 de avelãs moídas (usei miolo de avelã sem torrar, com pele)
60 de amêndoas moídas (usei miolo de amêndoa sem pele)
60 de farinha de trigo sem fermento
10 g de fermento em pó para bolos
4 ovos
120 g de açúcar amarelo
120 g de manteiga à temperatura ambiente
Uma pitada de sal
Açúcar em pó para decorar

Pré-aqueça o forno nos 180º.
Unte muito bem com manteiga e polvilhe com farinha uma forma rectangular com cerca de 12 cm x 22 cm.
Pulverize a amêndoa e a avelã num processador de cozinha.
Numa taça grande, bata bem a manteiga com o açúcar até estar uma mistura bem cremosa e uniforme.
Junte dois ovos inteiros e duas gemas - reservando numa taça à parte as duas claras - e misture bem.
Envolva as farinhas dos frutos secos, a farinha de trigo, o fermento e o sal.
Por fim bata as claras que sobraram em castelo e envolva na massa anterior.
Verta para a forma e leve a cozer cerca de 40 minutos. Se começar a ficar bastante escuro, cubra com folha de alumínio. Faça o teste do palito: assim que sair seco, está cozido.
Deixe arrefecer um pouco, descole a massa a toda a volta da forma com uma espátula ou uma faca de manteiga e desenforme para o prato de servir com cuidado, de forma a mantê-lo virado para cima, que é como fica mais bonito. Quando estiver frio, polvilhe com açúcar em pó.


Outros posts sobre Itália, aqui e aqui.


18
Mai15

Chamem-me gulosa.






























Apesar de gostar de cozinhar de tudo, as receitas que mais me desafiam são as de bolos.
Olhar para um bolo bem decorado e tentar perceber se serei capaz de o reproduzir é dos exercícios mais frequentes quando estou a folhear um livro de cozinha. Apesar do açúcar ser cada vez mais demonizado - e com razão, sobretudo se consumido em excesso - há um lado estético nos bolos e nas sobremesas a que sou incapaz de resistir. E há pessoas que me inspiram de forma especial neste tema dos bolos - não pela sofisticação ou pela complexidade dos seus trabalhos, mas antes pela sua elegante simplicidade (pelo menos aparente).

Uma dessas pessoas talentosas, com olhar apurado e mãos de fada, é a blogger Linda Lomelino, uma sueca de pai português, autora do Call Me Cupcake. O bom gosto e a obssessão pelo detalhe de Linda vêem-se em cada uma das suas fotografias, que fazem escola pela blogosfera e pela internet fora.

Encomendado há já algum tempo, só esta semana me chegou o Lomelino's Cakes, o seu primeiro livro traduzido para inglês. E não foi fácil escolher o primeiro bolo a testar, de entre as 27 receitas promissoras do livro.

Mas a saga - sim, porque já decidi que quero experimentá-las todas - não podia ter começado melhor: este bolo de Oreo, apesar de fruto de uma espécie de desafio de auto-superação, acabou por ser o bolo de aniversário do meu sogro e foi um sucesso. Todos quiseram repetir. E pedirem outra fatia, já se sabe, é o melhor elogio que podem fazer a uma cozinheira.


BOLO DE OREO

Ligeiramente adaptado do livro Lomelino's Cakes

Para a massa de baunilha e Oreo:
60 g de manteiga à temp. ambiente
3/4 de chávena de açúcar
1/2 chávena de leite 1/2 gordo
1 colher de café de extracto de baunilha
1 chávena de farinha s/ fermento
1/2 colher de chá de fermento
1 clara de ovo L
8 bolachas Oreo de tamanho normal

Para a massa de chocolate:
30 g de manteiga
2/3 de chávena de farinha s/ fermento
1/4 de chávena de cacau em pó
1/2 colher de chá de fermento em pó
1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio
1/2 chávena de açúcar
1 ovo M
1/3 de chávena de leite 1/2 gordo
1/4 de chávena de água a ferver

Para o recheio e cobertura:
250 g de queijo mascarpone
3/4 de chávena de açúcar em pó
250 ml de natas p/ bater bem frias
6 bolachas Oreo de tamanho normal

Para a decoração:
14 bolachas Oreo de tamanho normal
10 - 12 bolachas mini Oreo
1 cereja

Comece por fazer os bolos de baunilha e Oreo: pré-aqueça o forno nos 180º.
Unte com manteiga e polvilhe com farinha duas formas de 16 cm e diâmetro, forre o fundo com papel vegetal e volte a untar/polvilhar.
Parta as bolachas em pedacinhos e reserve.
Com uma batedeira eléctrica, bata a manteiga com o açúcar até ficar esbranquiçado e fofo.
Junte o leite e a baunilha. Se parecer que está a talhar, não se preocupe: junte a farinha e o fermento e envolva bem, sem bater demasiado.
Junte a clara de ovo e bata mais um pouco, só até ligar (nesta altura pensei que tinha feito asneira, porque o aspecto da massa não era muito normal, parecia algo deslassada, mas segui em frente e acabou por resultar).
Por fim envolva as bolachas desfeitas, divida pelas formas e leve a cozer cerca de 25 minutos. Estão prontos quando um palito sair com apenas algumas migalhas agarradas.

Deixe arrefecer uns minutos e desenforme. Não desligue o forno, mantendo-os nos 180º.

Faça agora o bolo de chocolate: volte a untar/polvilhar/forrar uma forma com 16 cm.
Derreta a manteiga e deixe arrefecer.
Peneire para uma taça a farinha, o fermento, o bicarbonato e o cacau. Junte o açúcar, o ovo, a manteiga, o leite e a água a ferver. Misture tudo, verta na forma e leve a cozer durante cerca de 30 minutos. Retire, deixe arrefecer uns minutos e desenforme.

Quando os bolos estiverem frios, já pode montar e decorar o bolo final:

Numa taça e com um batedor de varas, bata o queijo mascarpone com o açúcar em pó até obter um creme uniforme e brilhante.
Bata as natas, que devem estar bem frias, com a batedeira eléctrica, até obter picos firmes. Junte estas à mistura do mascarpone e envolva bem. Desfaça 6 bolachas Oreo em pedacinhos e junte a 1/3 do creme de mascarpone e natas (recheio do bolo). Reserve o restante creme (sem bolachas) no frigorífico.
Entretanto, pique num robot de cozinha as 14 bolachas Oreo de tamanho normal, destinadas à decoração, até obter uma espécie de farinha ou pó. Reserve.

Coloque um dos bolos de baunilha no prato de servir. Barre com metade do creme de mascarpone, natas e bolacha. Coloque por cima o bolo de chocolate e barre com o restante creme. Coloque por cima o outro bolo de baunilha, com a parte mais perfeita para cima (normalmente, é o lado do fundo da forma). Retire o creme do frigorífico e barre com este todo o bolo, começando pelo topo e passando depois para as laterais, com a ajuda de uma espátula. Espalhe, com as mãos, o pó de Oreo por todo o bolo - comece pelo topo e depois, com muita paciência, vá enchendo a palma da mão com o pó e aplicando nas laterais do bolo, pressionando ligeiramente. Repita até o bolo estar completamente coberto. Termine decorando com as mini Oreo e a cereja. Leve ao frio até servir.


Notas:

- a aplicação do "pó" de Oreo parece difícil, mas com paciência consegue-se o efeito pretendido e em menos tempo do que se espera; prepare-se para ficar a com área de trabalho coberta de migalhinhas pretas!

- para ter menos trabalho no final, ou seja, não ter de limpar o rebordo do prato de servir, pode forrá-lo, já com o bolo montado, com pedaços de papel vegetal a toda a volta, prendendo-os ligeiramente debaixo do bolo da base; no fim, é só puxar com cuidado pelos papéis e o prato estará limpo;

- o recheio/cobertura da receita original é feita com queijo-creme, mas achei que o mascarpone, que era o que tinha em casa, resultou muito bem;

- se o decorar com várias horas de antecedência, talvez seja melhor colocar as mini Oreo no topo apenas no momento de servir, para não amolecerem.





09
Abr15

Celebrar.



















Esta foi a minha primeira receita para a secção Lifestyle do jornal online Observador, publicada por altura do Dia dos Namorados. Uma colaboração que me tem dado bastante prazer e que espero que os leitores do jornal (e os fãs do blog) estejam a gostar de seguir.

E porque não há dia certo para festejar o amor ou para brindar às outras coisas boas da vida, aqui fica esta tarte de aspecto delicado mas de sabor intenso.

Claro que apesar de podermos e devermos viver todos os dias gratos e em clima de celebração, não vamos fazer esta tarte todos os dias, certo? 

[Achei que era melhor colocar aqui esta advertência, uma vez que parece que anda tudo doido com o açúcar, como se só agora se tivesse descoberto que consumido em excesso faz mal à saúde. Se a nossa dieta for equilibrada, dando clara prioridade aos legumes, às leguminosas e à fruta e evitando alimentos processados, podemos de vez em quando 'pecar' com uma fatia desta ou de outra tarte gulosa. Já agora, a propósito deste tema, gosto especialmente de uma frase de Michael Pollan, que é um dos seus princípios para uma alimentação correcta: "Não coma nada que a sua avó não reconhecesse como comida". Ora a minha avó Maria, que é a pessoa que eu conheci que melhor se soube alimentar - e viveu até aos 99 anos - nunca baniu o açúcar da sua dieta]

Se quiserem, como eu, usar saco pasteleiro para cobrir a tarte, certifiquem-se de que usam natas que ficam bem firmes depois de batidas; podem também usar natas vegetais (à venda em lojas de artigos para bolos) ou juntar Chantifix, omitindo neste caso o sumo de limão.



TARTE DE CHOCOLATE E CARAMELO

Para a massa
50 g demiolo de avelã moído
100 g defarinha de trigo sem fermento
10 g deaçúcar baunilhado
40 demanteiga ou margarina fria
5-10 ml deágua fria

Para a camada de chocolate
200 ml denatas para bater (mínimo 35% de gordura)
1 tablete dechocolate de culinária (200 g)

Para a camada de molho toffee
100 g deaçúcar amarelo ou mascavado
125 g denatas para bater (mínimo 35% de gordura)
20 g demanteiga

Para a cobertura
180 g denatas para bater (mínimo 35% de gordura) bem frias
(mesmodepois de terem estado no frigorífico, pode colocá-las uns 15 minutos nocongelador antes de batê-las para garantir um melhor resultado)
Algumasgotas de limão
230 g deleite condensado cozido


Pré-aqueça oforno nos 180º e comece por preparar a massa: junte todos os ingredientes numataça, à exceção da água. Misture-os com as pontas dos dedos, formando uma basehomogénea e junte, aos poucos, a água, amassando e vendo sempre se necessita demais antes de acrescentar. Deve ficar uma massa macia. Passe as mãos porfarinha, se for necessário, e forme uma bola. Divida esta em pedaços eespalhe-os pela forma de tarte que vai utilizar e, com a ajuda dos polegares,forre a forma, pressionando, esticando a massa e unindo os pedaços (é maisfácil do que parece; se usar o rolo, a massa vai partir-se). Coloque por cimapapel vegetal, encha de feijão, arroz ou pesos próprios e leve ao forno cercade 15 minutos, retire o papel vegetal e os pesos e volte a levar ao forno cercade 10 minutos ou até achar que a massa está bem cozida e dourada. Retire doforno e dexe arrefecer completamente.

Entretanto,parta o chocolate em pedaços para uma taça de vidro, cerâmica ou metal e reserve.Leve as natas ao lume médio e, quando fervilharem, coe-as diretamente para ataça do chocolate. Espere uns 5 minutos e mexa bem com um batedor de varas, atéobter um creme liso, espesso e brilhante. Deixe arrefecer um pouco e vertasobre a massa da tarte já fria.

Noutrotachinho leve ao lume todos os ingredientes para o molho toffee. Mexa, até amanteiga estar bem derretida e deixe ferver durante alguns minutos paraengrossar um pouco (o açúcar mascavado carameliza mais rapidamente, deixefervilhar apenas 5 minutos; se usar açúcar amarelo vai precisar de mais algunsminutos).
Deixe ficarmorno e verta por cima da camada de chocolate. Leve ao frio.

Para acobertura, bata as natas em chantilly firme (sem adicionar açúcar). A meio doprocesso junte umas pinguinhas de limão, vai ver que ajuda a ficarem maisespessas (também pode usar natas vegetais, das que se compram em lojas deartigos para bolos e pastelaria e que ficam bastante firmes).
Noutra taça,coloque o leite condensado cozido e mexa bem com um batedor de varas,desfazendo eventuais grumos e deixando-o bem cremoso. Com uma espátula,incorpore delicadamente as natas no leite condensado. Passe este creme para umsaco munido de bico pasteleiro e cubra a tarte.
Leve ao frio antes de servir.



Para ver a publicação original, é só clicar aqui.


17
Mar15

A Primavera vai e volta sempre.



















A poucos dias de entrarmos oficialmente numa das minhas estações do ano favoritas, recordo-me da cantiga que a minha avó Maria tantas vezes cantarolava e cujo refrão dizia: "A Primavera vai e volta sempre, a mocidade vai e não volta mais".

A minha avó vivia a cantar. Cantava enquanto cozinhava, cantava enquanto costurava, cantava enquanto estendia ou apanhava a roupa da corda que ainda hoje existe no quintal dos meus pais.
Apesar de estar sempre a cantar, fazia-o de uma forma muito serena e tranquila. Lembro-me muitas vezes da sua calma (e penso como gostava de ter herdado essa característica), sobretudo naquelas alturas em que tropeço em contrariedades minúsculas, mas que, pelo menos durante alguns minutos, me parecem gigantescas.

Este bolo é para isso: um pretexto para fazermos uma pausa, para respirarmos fundo e desvalorizarmos os contratempos. Com uma fatia de um lado e uma chávena de chá do outro, fazemos tranquilamente uma viagem às coisas boas que já passaram e alinhavamos planos para o futuro. Porque mesmo que a letra da música o negasse, a minha avó sabia que a mocidade é um estado de espírito.



BOLO DE CITRINOS E PASSAS COM GLACÊ DE LIMÃO

Para o bolo:
120 g açúcar
3 ovos médios
85 g de farinha
10 g de fermento em pó
25 g de sumo de laranja + 1 pouco para demolhar as passas/sultanas
25 g de sumo de limão
25 g de azeite suave, óleo vegetal ou manteiga amolecida
Raspa de 1 laranja
1/2 chávena de uvas-passas e/ou sultanas
Vinho Moscatel qb

Para a calda:
Sumo de 1 laranja
Açúcar a gosto

Para a cobertura:
200 g de açúcar em pó
Sumo de 1 limão

Para a decoração:
Folhas de hortelã
Clara de ovo
Açúcar qb

Com algumas horas de antecedência coloque numa taça as passas e/ou sultanas e cubra com uma mistura de sumo de laranja e vinho moscatel. Também com alguma antecedência, lave as folhinhas de hortelã, seque-as bem em papel de cozinha, pincele-as com clara de ovo e passe-as por açúcar que colocou numa tacinha. Sacuda o excesso e deixe as folhas a secar sobre papel vegetal.

Entretanto ligue o forno nos 180º.
Unte bem uma forma pequena de buraco e polvilhe-a com farinha (este é um bolo relativamente pequeno, se quiser usar uma forma normal/média, dobre a receita).
Numa taça, junte os ovos, o açúcar, a raspa de laranja, o azeite (ou outra gordura escolhida), o sumo dos citrinos, a farinha e o fermento. Misture tudo, até ficar uma massa uniforme, mas não mexa em demasia. Retire as passas/sultanas da taça e seque-as com papel de cozinha. Envolva-as em farinha e junte-as à massa do bolo*. Verta a massa para a forma e leve a cozer cerca de 25-30 minutos. Faça o teste do palito antes de retirar o bolo do forno.

Para fazer a calda, junte ao sumo de laranja açúcar a gosto. Leve ao lume até o açúcar estar dissolvido. Verta com cuidado por cima do bolo. Se este já tiver arrefecido, pique-o com um palito antes de regar com a calda, para que esta se infiltre mais facilmente.
Passe o bolo para o prato de servir e deixe arrefecer completamente.

Para fazer o glacê, deite 150 g do açúcar em pó numa taça e vá juntando sumo de limão, mexendo energicamente com um batedor de varas. Deve ficar um creme brilhante, opaco e sem grumos, mas pode não precisar de usar o sumo todo. O açúcar em pó que colocou de lado pode servir para engrossar o glacê, caso ache que esteja líquido. Este glacé fica bastante ácido, se não apreciar, dilua o sumo de limão em água ou então use clara de ovo em vez do sumo. Quando atingir o ponto desejado, verter com cuidado sobre o bolo. Terminar com as folhas cristalizadas de hortelã.


*Supostamente, envolver as passas e as sultanas em farinha faz com que se prendam à massa e não desçam até ao fundo da forma. No meu caso não resultou e acabaram por ficar concentradas no topo do bolo. Para a próxima vou introduzir as passas ou as sultanas na massa já depois desta estar na forma.

18
Fev15

Combinação provável.


















Juntar chocolate e castanha em sobremesas não é nada de novo.
Ao mesmo tempo que escrevia este post, resolvi fazer o teste do google: em resposta às palavras-chave "chocolate e castanha" recebi "cerca de 519.000 resultados em 0,35 segundos".
E um resultado extra: a vontade imediata de experimentar mais receitas com esta dupla de peso.

Às vezes faço mousse de castanha e coloco raspas de chocolate negro por cima (um dia destes tenho de fotografar a receita e publicar no blog), outras vezes faço crepes com recheio de castanha e molho de chocolate, mas em bolo nunca tinha experimentado, à excepção de uma torta de chocolate recheada com um creme feito de natas e creme de castanha, delicioso, mas que se partiu e eu não consegui fotografar.

A semana passada o meu pai fez anos e não sabia que bolo fazer. Acho que já disse aqui que não ando muito virada para bolos de aniversário de chocolate, mas pensei que o mais certo era a família já ter saudades. Resolvi então fazer um bolo de chocolate - uma versão um pouco diferente desta receita - com recheio e cobertura novos. Fez sucesso e adorei a experiência de juntar o creme de castanha ao mascarpone: ficou um creme leve, pouco doce (o bolo é doce quanto baste) e permite usar o bico pasteleiro. Que mais podia desejar? Só um pouco de cacau em pó antes de servir!



BOLO DE CHOCOLATE COM RECHEIO DE CASTANHA E COBERTURA DE CASTANHA E MASCARPONE

2 chávenas* de açúcar amarelo
4 ovos
1 chávena de óleo vegetal (girassol, por exemplo)
1 chávena de água a ferver
1 colher de sopa de café solúvel (Nescafé, por exemplo)
1/2 chávena de chocolate em pó
1/2 chávena de cacau em pó
2 chávenas de farinha
2 colheres de chá de fermento em pó
+
1/2 chávena deste molho de chocolate diluído em água (opcional)
1 frasco de doce de castanha baunilhado Bonne Maman**
150 g de queijo mascarpone
Cacau em pó para servir

Pré-aqueça o forno nos 180º. Unte com manteiga e polvilhe com farinha duas formas redondas de 20 cm de diâmetro, forre-lhes o fundo com papel vegetal e unte/polvilhe o papel também.
Numa taça, bata bem o açúcar com os ovos e o óleo. Junte a água a ferver, mexa bem e junte o café em pó. Mexa bem e junte o chocolate e o cacau em pó. Quando estiverem bem dissolvidos, envolva a farinha e o fermento. Distribua pelas formas e leve ao forno cerca de 30 minutos ou até um palito sair seco do seu interior. Poderão abrir umas rachas à superfície, não se preocupe.
Retire do forno e deixe arrefecer bem.
Quando estiverem frios, coloque um dos bolos no prato de servir, pique-o com um palito e regue com um pouco deste molho, mas diluído num pouco de água - até ficar mais fluído - e depois aquecido e coado (este passo de regar os bolos é opcional, eu tenho sempre medo de que os bolos fiquem secos e normalmente adiciono-lhes calda, mas neste caso não é obrigatório).
Reserve 200 g de doce de castanha e use o restante para rechear, espalhando-o pela superfície do bolo. Coloque o outro bolo por cima, com a parte mais perfeita para cima (se quiser um resultado profissional, nivele os bolos retirando com uma faca os excessos de massa; eu não fiz isso). Pique também este bolo e regue com mais um pouco de molho (antes de começar a decorar/montar, talvez seja melhor colocar um pouco de papel vegetal debaixo do bolo, a toda a volta, para não sujar o prato; no final é só puxar os pedaços de papel vegetal e o prato estará limpo).
Junte ao mascarpone o creme de castanha  Mexa bem para conseguir um resultado uniforme. Reserve cerca de 3/4 de chávena para a decoração final e barre todo o bolo com o creme restante. Por fim, com um saco e bico pasteleiro em forma de estrela, faça os efeitos no topo do bolo. Polvilhe com cacau em pó antes de servir.

*Chávena-medida utilizada = 250 ml de capacidade

**Eu sou fã deste doce e acho que é daqueles casos em que não compensa fazer o doce em casa. Em todo o caso, podem experimentar fazer o doce de raiz com esta receita maravilhosa do blog Coco e Baunilha.




Teresa Rebelo

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