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Lume Brando

11
Mai16

Um bolo como terapia.
































Sei bem que por estes dias não é nada original falar do (mau) tempo.
Mas não há maneira de me conformar com esta primavera desobediente.
Uma primavera tão rebelde que deve andar a pôr os nervos dos publicitários (e dos bloggers*) em franja. Passar por mupis que dizem "O calor pede uma bebida assim", enquanto apertamos a gabardine e abrimos, pela quarta ou quinta vez nesse dia, o guarda-chuva; ou ouvir um spot na rádio que diz "Agora que chegou o bom tempo, vou é sair e divertir-me com os amigos" quando estamos na fila de trânsito típica dos dias cinzentos com o limpa pára-brisas a funcionar, não abona muito a favor das campanhas. A mim, irritam-me.

Não que não tente aceitar esta meteorologia desfavorável. Eu tento, juro. Penso na água que é tão importante; imagino que este ano, felizmente, não vai faltar rega aos agricultores (ainda que uma parte de mim desconfie que daqui a uns meses os telejornais vão estar na mesma a abrir com notícias da seca); penso que este ano é que o Verão vai ser bestial... Mas ao que tudo indica, não é só uma questão de atitude e de pensamento positivo. Está provado que o sol estimula a produção de substâncias como a serotonina, a dopamina e a melatonina, responsáveis pelo bom-humor e boa-disposição. Não é à toa que nos países nórdicos, privados de luz natural durante longos períodos no ano, e onde se registam elevadas taxas de depressão e suicídio, é comum a Terapia da Luz, em que o paciente é exposto a uma luz artificial semelhante à luz solar, de forma a que o corpo possa corrigir o ciclo de sono e produzir as hormonas em falta.

Não sei se por cá vamos começar a adoptar este tratamento para a depressão sazonal, uma vez que a avaliar pelas primaveras passadas, este 'tempo fora de tempo' parece, infelizmente, uma tendência cada vez mais natural. Mas sei que cozinhar - especialmente fazer bolos ou algo que implique ligar o forno, talvez pelo processo da espera - pode bem ser uma espécie de terapia.
Por isso, se o sol não vem até nós, vamos nós ter com o sol, através de um bolo de iogurte com sabor a lima-limão, sementes de papoila, recheio de lemon curd e cobertura de mascarpone e lemon curd: um verdadeiro festim para que, pelo menos durante alguns momentos, possamos esquecer que lá fora continua outono.


*Tirar estas fotos num dia instável como o de ontem foi um filme. Dentro de casa não tinha luz suficiente. Resolvi montar o estaminé na varanda, não estava a chover. Tiro as fotos ao lemon curd, começa a chover, tenho de levar tudo para dentro. Cubro o bolo, dá-se uma aberta e volto para a varanda. De repente, o cinzento do céu vira chumbo e desata a chover a sério. Volto com tudo para dentro, onde, depois do tempo desanuviar um pouco, acabo por fotografar o bolo aberto e a fatia do bolo...
















BOLO DE IOGURTE E LIMA-LIMÃO C/ SEMENTES DE PAPOILA
RECHEIO DE LEMON CURD E COBERTURA DE MASCARPONE E LIMÃO

Para o bolo:
[adaptado da revista Saveurs - Spécial Desserts 2016]

3 ovos L
150 g de açúcar
200 g de farinha s/ fermento
80 g de azeite extra virgem suave
1 iogurte natural
2 colheres de chá de fermento em pó
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
Raspa e sumo de 1 lima e 2 limões
2 colheres de sopa de sementes de papoila

Para o recheio, cobertura e decoração:

1 dose de lemon curd*
1 embalagem de mascarpone
Rodelas de limão e lima, hortelã ou outras folhas verdes a gosto

*Lemon curd
50 ml de sumo de limão
1 ovo L
75 g de açúcar
1 colher de sobremesa de raspas de limão
30 g de manteiga à temperatura ambiente


Comece por preparar o lemon curd: leve ao lume o ovo bem misturado com o açúcar e o sumo de limão. Com um batedor de varas, mexa sempre para não ganhar grumos, até engrossar.
Deve demorar cerca de 10 minutos. Retire do lume e incorpore a manteiga em pedaços e a raspa de limão. Mexa até a  estar bem derretida e dissolvida no creme.
Passe para um frasco esterilizado, tape, deixe arrefecer e guarde no frigorífico.

Pré-aqueça o forno nos 180º.
Unte muito bem duas formas de 20 cm de diâmetro, polvilhe com farinha, forre-lhes o fundo com papel vegetal e volte a untar/polvilhar (em alternativa, use spray desmoldante em vez da manteiga e da farinha, mas use na mesma o papel vegetal).
Numa taça, bata os ovos com o açúcar. Junte o azeite e depois a farinha, o fermento e o bicarbonato.
Adicione o iogurte, depois o sumo e a raspa da lima e dos limões. Por fim, envolva as sementes de papoila. Divida pelas duas formas e leve ao forno cerca de 20-22 minutos - faça o teste do palito antes de retirar. Desenforme e deixe arrefecer.

Para rechear e cobrir: coloque um dos bolos no prato de servir, com o lado mais perfeito virado para o prato. Barre com duas colheres de sopa de lemon curd, e coloque o outro bolo por cima, com o lado mais perfeito virado para cima.
Numa taça, bata bem o mascarpone. Junte-lhe o restante lemon curd e mexa bem. No início poderá parecer demasiado espesso, mas continue a bater com o batedor de varas, até ficar uma espécie de creme de manteiga macio e brilhante. Cubra todo o bolo com a ajuda de uma espátula, retirando o excesso, nomeadamente das laterais do bolo. Decore com as rodelas de lima e limão e algumas folhinhas verdes ao seu gosto. Leve ao frigorífico antes de servir (pode fazer o bolo de véspera: no dia seguinte os sabores estão ainda mais pronunciados e vai saber ainda melhor; neste caso, pode cobrir na véspera mas coloque as rodelas de lima e limão apenas no dia).

Mais receitas para quem gosta de limão:

Mousse de limão instantânea
Cupcakes de limão
Bolo de limão
Bolo de limão c/ cobertura de chocolate branco
Bolo de limão e sementes de papoila da avó do Jamie
Caixinhas de chocolate com lemon curd e framboesa
Minitartes de mascarpone, framboesa e lemon curd
Pudim de limão
Tarte merengada de limão
Quadrados de limão



01
Abr16

Um bolo de tigela [e uma novidade com nervoso miudinho]

































O ano passado, os bolos de caneca fizeram bastante sucesso.
Confesso que nunca fiz nenhum mas, recentemente, vi uma reinterpretação desta tendência numa revista francesa, em que usaram taças ou tigelas (ou malgas, para quem é do norte, como eu).
Achei esta versão mais interessante pela possibilidade de serem desenformados - possivelmente os de caneca também podem ser, mas a forma e o aspecto final é capaz de não ser tão apelativo.

Há uns meses, comprei pela primeira vez uma embalagem de açúcar de coco que andava ansiosa por provar e usar e achei que uma receita 'pequena', como um 'bolo de tigela', seria a oportunidade ideal. Para além de ter utilizado o açúcar de coco na massa do bolo, fiz também com ele o molho de caramelo e resultou muito bem.

O açúcar de coco, extraído das flores do coqueiro, é menos processado que o açúcar branco, e apresenta nutrientes como potássio, ferro, zinco e fósforo e vitaminas do complexo B. Apesar de ter um índice glicémico baixo, ou seja, a sua absorção pelo organismo é mais lenta do que no caso dos açúcares refinados, é bastante calórico e deve ser usado igualmente com moderação. Gosto de usar produtos novos e gostei desta experiência - provado ao natural o açúcar tem aroma e sabor torrados característicos e é um pouco ácido, mas no bolo e no molho de caramelo não notei qualquer diferença em relação a um açúcar amarelo ou mascavado - no entanto, não me parece que vá passar a fazer parte dos ingredientes básicos cá de casa, sobretudo pelo seu preço elevado.

Quanto a este bolo de maçã, é um bolo de micro-ondas: fácil, rápido e um pouco esponjoso, mas em que a maçã e o molho de caramelo disfarçam de forma maravilhosa a técnica preguiçosa.

E antes de passarmos à receita, uma revelação com alguns nervos à mistura...

... estou a trabalhar num livro! Sim, um livro de cozinha!

Há uns tempos, fui desafiada por uma editora e, depois de muito ponderar, muito questionar e muito panicar, decidi avançar com a empreitada. Para já, só vos posso dizer que tem sido uma aventura e pêras. Pensar nas receitas, testá-las, dá-las a provar, aproveitá-las ou descartá-las e começar de novo, cozinhá-las para a sessão fotográfica, fotografá-las, escrever os textos e as receitas. E o S. Pedro que tem sido tão mauzinho? Adiar sessões, fotografar quase sem luz, acho que o making of do livro, dava outro livro...

Mas não posso negar que tem sido um desafio estimulante, que me tem ajudado a evoluir e a aprender imenso, nomeadamente sobre os meus próprios limites. Ainda não vos posso falar muito do conceito do livro, nem dizer quando será lançado, à partida será no último trimestre do ano, mas aos poucos irei revelando alguns detalhes, por isso, toca a ficar atento!

E, claro, não podia deixar de agradecer a todos os que me lêem, a todos os que experimentam as receitas que aqui partilho e me dão o seu feedback (quase sempre positivo, o que me deixa muito feliz), a todos os que de alguma forma interagem com o Lume Brando no facebook e no Instagram: sem vocês, a motivação para cuidar do blog e fazê-lo crescer nunca seria a mesma e esta oportunidade nunca teria surgido. Muito, muito obrigada!















BOLO DE TIGELA DE MAÇÃ E CANELA C/ MOLHO DE CARAMELO

Para dois bolos pequenos (tigelas c/ cerca de 10 cm de diâmetro e 7 cm de altura)

1 ovo
2 colheres de sopa de açúcar de coco
1 colher de sopa de azeite extra virgem suave ou frutado
3 colheres de sopa de leite
3 colheres de sopa de farinha com fermento
1 colher de café rasa de fermento em pó
1 maçã média descascada e cortada em pedacinhos
1 fio de sumo de limão para regar a maçã
1 pitada de canela
1 pitada de gengibre

Para o molho:
2 colheres de sopa açúcar de coco
2 colheres de sopa de água ou mais um pouco
2 colheres de sopa de natas

Unte bem as tigelas com manteiga ou azeite e polvilhe com farinha ou use spray desmoldante (que foi o meu caso). Descasque e parta em pedacinhos a maçã, regando-a com o sumo de limão.
Numa taça, junte todos os ingredientes e envolva tudo, sem mexer demasiado.
Divida pelas tigelas e leve ao micro-ondas 3 minutos nos 700 watts.
Retire, deixe arrefecer uns minutos e desenforme com cuidado.

Enquanto arrefecem, prepare o molho: junte a água e o açúcar num tachinho de fundo espesso e leve ao lume médio. Nunca mexa: quando muito, rode a panela, para a água cobrir todo o açúcar quando este começar a derreter. Quando começar a borbulhar e a caramelizar, retire do lume e junte as natas. Mexa bem e sirva com o bolo.

Nota: apesar de ter usado farinha com fermento, juntei mais um pouco de fermento, pois acho fraco o poder levedante das farinhas já com fermento. Aliás, raramente uso farinhas com fermento, prefiro usar sem e juntar o fermento à parte, mas na Páscoa, a farinha sem fermento tinha desaparecido das prateleiras do supermercado onde fui fazer compras!





18
Mar16

Um brownie de cerveja para 'pais-chocolate'.


















Sou fã de livros infantis. Desconfio que gosto mais deles do que os meus filhos, que estão a ficar grandes e começam a preferir a literatura pré-adolescente, se é que este género existe, aos livros que eu cuidadosamente escolhia para lhes ler à noite.

Uma das minhas editoras do coração é a Planeta Tangerina. As ilustrações, as histórias que nos obrigam a imaginar porque são contadas por meias palavras, a abordagem inteligente e original aos temas, gosto de tudo. São pequenas jóias que temos cá em casa e se a roupa que já não lhes serve é oferecida, confesso que sou incapaz de me desfazer destes livros, mesmo que por agora os piratas os deixem a ganhar pó na estante.

Há uns anos, ofereci ao pai cá de casa o "Pê de Pai", um livro delicioso que enumera os vários papéis e funções que o pai vai assumindo ao longo do dia ou ao longo do crescimento dos filhos, desde o "pai cabide", em quem os filhos se penduram, até ao 'pai grua", que levanta e puxa o filhote sempre que é preciso, passando pelo 'pai travão', que evita os acidentes, o 'pai seta', que indica de forma firme o que o filho deve fazer, o 'pai casaco', que abriga o filho quando começa a chover, o 'pai cofre', que guarda segredos, ou ainda o 'pai chocolate', que dá vontade de abraçar e trincar.

Porque amanhã é Dia do Pai, aqui fica uma receita dedicada a todos os pais, em especial aos 'pais chocolate': aqueles que se deixam abraçar e se dão aos filhos de forma generosa. Um brownie guloso que leva cerveja e amendoim, para um Feliz 19 de março!

PS: Também temos cá em casa o "Coração de Mãe" e eu, que pareço muito pouco lamechas e emocional, não consigo lê-lo sem que uma lágrima me escape, de tão bonito que é.
















BROWNIE DE CERVEJA COM AMENDOINS
Adaptado de The Kitchy Kitchen

2 ovos
125 g de açúcar mascavado
65 g de farinha sem fermento
20 g de cacau em pó
1 colher de chá de fermento em pó
60 g de chocolate de culinária
60 g de manteiga
60 ml de cerveja preta
1 colher de chá de extrato de baunilha
1/2 chávena de pepitas de chocolate negro (quando publiquei o post tinha-me esquecido deste ingrediente!)
1 chávena de amendoins torrados + sal qb + azeite qb + açúcar mascavado qb

Unte com manteiga e polvilhe com farinha uma forma retangular com cerca de 17 cm x 25 cm. Forre-o com papel vegetal e volte a untar/polvilhar.
Ligue o forno nos 180º.
Peneire a farinha, o fermento e o cacau para uma taça e reserve.
Numa taça maior, bata os ovos com o açúcar.
Derreta a manteiga juntamente com o chocolate e mexa bem. Junte a baunilha e a cerveja.
Alternadamente, vá juntando à taça dos ovos e do açúcar quer a mistura dos secos (farinha, cacau e fermento), quer a mistura líquida (chocolate derretido, cerveja, baunilha), terminando com os secos. Não mexa demasiado e envolva por fim as pepitas de chocolate. Verta sobre a forma.
Entretanto, passe os amendoins por azeite ou óleo vegetal e polvilhe com sal e açúcar mascavado. Envolva tudo muito bem e espalhe os amendoins pela massa do brownie (se usar amendoins com sal ou amendoins caramelizados, omita o sal ou use os amendoins tal como estão, respetivamente).
Leve o brownie ao forno cerca de 25 minutos. Faça o teste do palito, que deve sair com umas migalhas grossas agarradas.
Deixe arrefecer na forma.





25
Fev16

Um bolo para onze velas.




Esta é uma semana de festa por aqui.
O mais velho fez a sua primeira capicua. Cantaram-se os parabéns no próprio dia com os avós e os tios, festejou-se no dia seguinte com os amigos e no fim de semana haverá cá em casa o tradicional almoço de família (desta vez seremos uns 35 à mesa!)
Três bolos de aniversário, portanto.
Este foi o primeiro.

Julgo que já falei aqui que massas de chocolate não são a minha primeira opção para bolos de aniversário. Porque os bolos de aniversário querem-se altos e com alguma decoração (sobretudo se estamos a falar de uma criança ou pré-adolescente) e para mim os melhores bolos de chocolate são aqueles que se servem como sobremesa: baixos e húmidos. Mas chocolate é o sabor preferido do aniversariante, por isso tinha mesmo de ser.

Conseguir uma massa de chocolate que se adapte a um bolo alto, que dê para decorar e ao mesmo tempo seja húmida e deliciosa não é fácil. Este bolo foi por isso uma ótima surpresa.
Adaptei uma receita base de bolo de chocolate tipo chiffon, que me foi passada há vários anos e consegui um bolo intenso, húmido e bonito. O aspeto, não sendo a característica principal (para mim, o principal, é sempre o sabor) era neste caso importante. Tenho pena de não vos poder mostrar uma fatia do bolo, para verem como estava escuro e húmido.

E como o formato do bolo que escolhi já tinha um certo ar de festa, a decoração foi bastante simples, a comprovar o princípio de que "menos é mais".





















BOLO DE CHOCOLATE E AMÊNDOA

4 ovos
1 chávena de açúcar branco
1/2 chávena de açúcar amarelo
1 chávena de óleo de girassol
1 chávena de água a ferver
65 g de chocolate em pó
65 g de cacau em pó
1 chávena de amêndoa moída
1 chávena de farinha sem fermento
1 colher de sopa de fermento em pó

Chávena = 250 ml de capacidade

Para a decoração:

1 embalagem de cobertura de chocolate da Vahiné
ou 150 g de chocolate de culinária (mínimo 52% de cacau)
Sprinkles/granulado colorido


Pré-aquecer o forno nos 180º
Untar muito bem a forma, sobretudo se usar uma forma com chaminé, como neste caso, e polvilhá-la com farinha, ou então usar spray desmoldante. Eu usei spray desmoldante numa dose mais generosa do que o normal, pois como o bolo é húmido e nestas formas não podemos usar papel vegetal, não quis correr o risco de ficar com partes do bolo agarrado à forma.
Numa taça grande, bater bem os ovos com o açúcar. Juntar o óleo, mexer bem.
Adicionar a água a ferver e mexer vigorosamente.
Juntar o chocolate e o cacau - mexer bem até estarem bem dissolvidos.
Juntar a amêndoa moída, seguida da farinha e do fermento.
Verter para a forma e levar a cozer cerca de 40 minutos, mas vai depender bastante da forma e do forno. Eu usei uma forma de silicone e nestas, normalmente, os bolos cozem mais rápido. Passados 35 minutos, comece a vigiar e faça o teste do palito: espete-o no centro do bolo e, se sair limpo, está pronto.
Retire do forno, aguarde uns minutos, passe uma faca de manteiga pelos lados da forma e desenforme.
Se tiver usado uma forma de silicone, deixe arrefecer na forma, passe depois uma faca de manteiga pelos lados da forma e desenforme.

Depois de frio, pode decorar.
Eu usei uma embalagem desta cobertura que a Vahiné me ofereceu, mas conseguem o mesmo resultado, fazendo derreter em banho-maria 150 g de chocolate de culinária. Depois de bem derretido, é só espalhar com uma colher pelo topo do bolo, fazendo escorrer de vez em quando, para um efeito mais dramático. Espalhe de imediato os sprinkles coloridos (e as velas, se for caso disso), pois o chocolate seca rapidamente.


19
Dez15

Christmas mood.


















Gosto da dimensão mágica do Natal, mais viva e sentida, é certo, quando há crianças em casa ou na família.
Os brilhos, as cores, as músicas... Ainda que banais e vividos muitas vezes a correr, todos estes estímulos transmitem-me um certo conforto, uma esperança de que o que está menos bem pode melhorar, de que todas as chatices podem ser atenuadas, de que os meus problemas comparados com muitos outros são um passeio no parque.

Para além disso, e quem segue o Lume Brando já sabe, eu gosto muito do lado visual das festas e das celebrações. O Natal é sempre uma nova oportunidade para pensar em enfeites, etiquetas para presentes, mesas bonitas e bolos a condizer. Nem sempre (ou melhor, nunca) consigo pôr em prática tudo o que imagino, mas já me habituei e nos últimos anos não tenho sofrido tanto com a falta de tempo. Ter conseguido fazer este bolo e tirar estas fotos, mais cuidadas do que o habitual, já me deixou muito feliz.

O bolo é uma receita que a minha tia N. costuma fazer, do livro Tesouro das Cozinheiras, ao que consta o livro de cozinha mais vendido em Portugal, julgo que a primeira edição é dos anos 50. Chamamos-lhe bolo inglês, e a minha tia costuma fazê-lo numa forma retangular, de bolo inglês, mas segundo o livro chama-se 'bolo de Stº. António'. Inicialmente tinha pensado em colocar-lhe uma cobertura de glacé branco, a escorrer, mas depois achei que seria demasiado açúcar num bolo só, mesmo já tendo cortado à quantidade de açúcar da receita original, e optei por deixá-lo mais simples.

Pode parecer um bolo seco, mas não! É viciante, para quem gosta de texturas ricas, com as frutas cristalizadas e os frutos secos. Leva ainda vinho do Porto e é por isso um bolo que respira Natal, por entre cada migalhinha.

Boas Festas!















COROA DE BOLO INGLÊS

Para o bolo*:

190 g de açúcar
125 g de manteiga amolecida
4 ovos, separados
250 g de farinha
175 g de fruta cristalizada (pode misturar algumas passas e/ou sultanas)
75 g de miolo de noz e de amêndoa, partido grosseiramente
1 cálice de vinho do Porto
1 colher de sopa de fermento em pó

*Esta receita dá para 1 forma redonda de buraco pequena (14 cm na parte mais larga, base do bolo) e 1 bolo rectangular pequeno; se preferir faça, um bolo inglês de tamanho normal.


Para a decoração:

Cerca de 40 g de fruta cristalizada
Geleia ou mel para pincelar
Açúcar em pó para polvilhar

Ligue o forno nos 170º.
Numa tacinha, junte o fermento ao vinho do Porto e reserve.
Bata a manteiga e o açúcar até ficar em creme.
Junte as gemas, uma a uma. Bata as claras em castelo e junte ao preparado anterior.
Envolva a farinha e as frutas e os frutos secos (custa um pouco mexer a massa, mas é mesmo assim).
Por fim junte a mistura de vinho do Porto e fermento.
Mexa bem, verta na(s) forma(s) e leve a cozer cerca de 55 minutos (se fizer dois bolos, o bolo mais pequeno irá ficar pronto mais depressa, esteja atento e faça o teste do palito: assim que sair seco, retire o(s) bolo(s) do forno.
Aguarde uns minutos, desenforme e deixe arrefecer totalmente.
Pincele o topo do bolo com mel ou geleia e disponha quadradinhos de fruta cristalizada.
Polvilhe com açúcar em pó (ou açúcar anti-humidade, que garante um efeito mais duradouro, pois não é absorvido). Se for transportar o bolo, decore apenas no local.

Ah! A cafeteira e as canecas lindas em esmalte, são daqui.



07
Dez15

Acompanhar com manta e sofá.


















Ao que consta, as madalenas foram inventadas no século XVIII em Commercy, França, por uma criada chamada Madeleine Paulmier, que as fazia para o rei polaco que ali tinha um castelo. Apesar de esta ser a origem mais mencionada, há quem diga que os bolinhos em forma de concha afinal nasceram em Santiago de Compostela, onde uma jovem os servia aos peregrinos (o símbolo dos peregrinos é uma concha de vieira que, de acordo com a tradição, deve acompanhá-los e ser atirada ao mar, no final, como sinal de disponibilidade aos outros da sabedoria adquirida ao longo do caminho).

A receita de hoje é diferente da original mas igualmente reconfortante, pensada para estes dias de outono em que apetece ligar o forno. E porque a massa leva avelã e avelã rima com chocolate, nada melhor que um molho de chocolate e avelã para acompanhar. Depois, é só juntar uma chávena de chá e um bom livro ou um bom filme. Se não puderem dar-se ao luxo deste mimo durante a semana, lembrem-se de que o tempo passa a correr e daqui a nada é sexta outra vez.















MADALENAS DE AZEITE E AVELÃ
30 aprox.

Para as madalenas:

140 g de açúcar
70 g de azeite suave
4 ovos
125 g de farinha
75 g de miolo de avelã moído
1 colher de chá de fermento em pó

Para o molho de chocolate e avelã:

2 colheres de sopa de creme de chocolate e avelã para barrar
2 colheres de sopa de iogurte natural tipo grego

Ligue o forno nos 220º.
Unte com manteiga e polvilhe as forminhas de madalena com farinha (ou use spray desmoldante) .
Bata o açúcar com o azeite.
Junte os ovos, um a um, batendo bem entre cada adição.
Envolva a farinha, o fermento e o miolo de avelã moído.
Distribua pelas forminhas (pode usar forminhas de papel, se não tiver formas de madalenas ou se as que tiver não chegarem), e leve a cozer cerca de 10 minutos.
Enquanto estão no forno, prepare o molho de chocolate: numa taça, junte o creme de chocolate e avelã ao iogurte e mexa bem com uma vara de arames. Coloque numa taça e está pronto a servir.

Para uma versão salgada, espreite estas madalenas de bacon e ervas.

Texto e receita publicados no jornal Observador em 30/10/2015. 



29
Set15

E o melhor bolo de chocolate vai para...




... Donna Hay!

Adormecer em frente à televisão tem sido um (mau) hábito dos últimos dias.
Quando me sento no sofá já é tarde. Acontece só depois de todas aquelas tarefas rotineiras de mãe, que todas conhecemos bem, e muitas vezes só depois de algum trabalho no computador terminado e de alguns mails respondidos. O início do ano lectivo, com todas as novidades e recados do 5º ano (sim, até a mim me custa acreditar que o mais velho já está no 5º!), também tem ajudado a prolongar o serão.
Às vezes é uma questão de minutos: ainda o Rudolph não terminou a primeira receita e eu já estou de olhos fechados.

Mas um dia destes, em que um café ao fim da tarde me ajudou a gozar o meu momento zen do dia, apanhei um programa da Donna Hay, em que consegui acompanhar uma receita de bolo de chocolate do princípio ao fim.
E que receita! O aspecto era maravilhoso e parecia tão fácil que não resisti a experimentá-la assim que pude.

Estas fotos são já da segunda vez que o fiz, tal foi o sucesso.
Para mim, é o melhor bolo de chocolate de sempre - ou diria antes 'o melhor bolo de chocolate caseiro de sempre', porque adoro o bolo de chocolate da Landeau - e olhem que já experimentei e provei muitas receitas caseiras.
E é tão simples de fazer, que até parece mentira.

Adormecer no sofá a ver programas de culinária na TV, afinal tem as suas vantagens ;)















O MARAVILHOSO BOLO DE CHOCOLATE DA DONNA HAY

125 g de manteiga
375 g de chocolate preto (70% cacau)
175 g de açúcar mascavado
35 g de farinha sem fermento, peneirada
2 colheres de sopa de leite
120 g de farinha de amêndoa
5 ovos
Cacau para polvilhar

Pré-aqueça o forno nos 170º.
Unte bem uma forma de fundo amovível com cerca de 22 cm de diâmetro.
Derreta o chocolate com a manteiga no microondas (com cuidado, poucos segundos de cada vez, para não queimar o chocolate). Mexa bem, até obter um creme brihante.
Junte à mistura do chocolate e da manteiga o açúcar, a farinha, o leite e a farinha de amêndoa (eu moí miolo de amêndoa sem pele na Bimby).
Por fim, adicione os ovos, um de cada vez, e mexa bem.
Verta para a forma e tape esta com papel de alumínio.
Leve a cozer cerca de 1 hora (a receita original diz para cozer cerca de 40 minutos, mas eu tive de manter o bolo no forno por bastante mais tempo). O bolo deve ser retirado do forno ainda com a parte central não totalmente cozida: depois de arrefecer, irá assentar.
Destape e deixe arrefecer na forma. Antes de servir, polvilhe com bastante cacau em pó.
(nas fotos não se vê, mas servi com natas batidas em chantilly, sem açúcar: é opcional, mas altamente recomendável, e se tiverem frutos vermelhos para acompanhar, tanto melhor!




21
Jul15

Sweets for my sweet.

















Já aqui confessei a minha paixão por bolos.
Um bolo bonito enche uma mesa e não é preciso mais nada para transformar uma data com significado, num momento de partilha especial.
No post do Bolo de Oreo já tinha expresso o desejo de pôr em prática todas as receitas deste livro da Linda Lomelino. Todas talvez seja um exagero, mas os seus bolos são tão bonitos que por agora são esses que quero levar ao forno.

O provador-mor fez anos a semana passada e, depois de uma indecisão inicial entre as receitas de chocolate do livro (tinha de ser de chocolate, a pedido do aniversariante), a escolha recaiu sobre a sua versão do popular Black Forest Cake.

Apesar de não parecer, é um bolo leve. A receita pede cerejas em calda de rum, mas como eu não tinha (nem me lembrei de as colocar de molho), acabei por usar cerejas frescas, uma sugestão que é dada no próprio livro, mas sinceramente era o que mudava da próxima vez: não colocar cerejas no recheio. Este já leva ganache de chocolate e creme de natas e mascarpone e achei que as cerejas não acrescentaram grande coisa. Nesse caso, talvez já não se possa chamar Bolo Floresta Negra, mas vai ser igualmente um hit em qualquer festa.
















BOLO FLORESTA NEGRA
(ligeiramente adaptado do livro Lomelino's Cakes)

Para o bolo:
30 g de manteiga
1 + 1/4 de chávena de farinha sem fermento
6 colheres de sopa de cacau em pó
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1 colher de chá de fermento em pó para bolos
1 pitada de sal
1 chávena de açúcar
2 ovos
2/3 de chávena de leite 1/2 gordo
6 colheres de sopa de água a ferver

Para o recheio de chocolate (ganache):
60 g de chocolate de culinária
1/4 de chávena de natas para bater

Para o recheio e cobertura de natas e mascarpone:
230 g de mascarpone
1 chávena de açúcar em pó
1+1/4 de chávena de natas para bater

Para a decoração de chocolate:
40 g de chocolate de culinária ou com 70% de cacau

Cerca de 250 g cerejas para rechear (opcional) e decorar

Chávena = 250 ml de capacidade


Pré-aqueça o forno nos 180º.

Unte com manteiga e polvilhe com farinha duas formas de 16 cm de diâmetro; forre com papel vegetal o fundo das formas e volte a untar/polvilhar (em alternativa, pode usar spray desmoldante).
Derreta a manteiga e deixe arrefecer.
Peneire para uma taça grande a farinha, o bicarbonato, o fermento e o cacau, e junte a pitada de sal.
Adicione o açúcar, a manteiga, os ovos, o leite e a água a ferver e misture tudo muito bem.
Divida pelas formas e leve a cozer durante cerca de 25 minutos ou até um palito sair apenas com algumas migalhas agarradas. Deixe arrefecer durante alguns minutos e desenforme, deixando arrefecer completamente.

Entretanto faça a ganache de chocolate: parta o chocolate para uma taça de vidro ou metal e coloque as natas ao lume num tachinho. Quando estas atingirem o ponto de fervura, verta-as sobre o chocolate. Espere uns minutos e misture muito bem com um  batedor de varas, até obter um creme liso e brilhante. Deixe arrefecer e ganhar alguma consistência.

Prepare o recheio e cobertura de mascarpone e natas: bata bem o açúcar em pó com o mascarpone. Com a batedeira elétrica, bata as natas até ficarem bem firmes e junte a estas, aos poucos, a mistura de mascarpone e açúcar.

Se desejar usar cerejas no recheio, descaroce-as e parta-as ao meio ou pique-as.

Monte e decore o bolo: parta cada bolo ao meio (no meu caso, um bolo ficou maior do que outro e acabei por cortar apenas este a meio, ficando com duas camadas de recheio e três de bolo; a receita original fala em quatro camadas de bolo e três de recheio).

Coloque um dos bolos ou uma das camadas de bolo no prato de servir. Espalhe uma camada de ganache, depois uma camada de mascarpone e natas e por fim as cerejas, se desejar. Coloque por cima outra camada de bolo e repita terminando com uma camada de bolo (com a parte mais perfeita virada para cima). Barre o bolo com uma camada fina do creme de mascarpone e natas, com a ajuda de uma espátula, e leve ao frigorífico cerca de 30 minutos. Entretanto derreta em banho-maria o chocolate para a decoração. Deixe arrefecer um pouco, mas não deixe endurecer. Retire o bolo do frio e acabe de barrá-lo com o creme de mascarpone e natas. Por fim, com a ajuda de uma colher pequena, espalhe o chocolate derretido pelo topo do bolo, deixando escorrer propositadamente de vez em quando. Termine decorando com cerejas frescas ou outros apontamentos ao seu gosto.



06
Jul15

The Trip to Italy [e um bolo de amêndoa e avelã]
























A primeira grande viagem em família tinha de ser a Itália.
Tanta propaganda eu e o pai fazíamos ao país das pizzas, que até na lista dos rapazes este era o destino que vinha em primeiro lugar, sempre que lhes perguntávamos que países gostavam de conhecer.

Na última semana de Junho, já em período de férias escolares, lá partimos rumo à Toscana.
Foi uma semana cheia de sol, boa comida, visitas culturais e algum dolce far niente, que os pequenos ao fim de poucas horas já só pensavam na piscina da casa de turismo rural onde estávamos alojados, muito perto de Volterra.

Pertencente à província de Pisa, Volterra é uma pequena cidade de origem etrusca, onde se cruzam vestígios desta civilização com muitas memórias romanas e medievais. Em redor da cidade estendem-se os campos característicos da região, salpicados por ciprestes e casas de cor ocre, uma paisagem algo melancólica que faz parte do meu imaginário romântico* e que soube mesmo bem apreciar in loco.

Alugámos um carro e a maior parte dos dias foi passada a circular nas estradas que serpenteiam as colinas toscanas e a conhecer Pisa, Lucca, Siena, S. Gimignano e Florença (para Florença uma parte do percurso foi feita de comboio, por ser mais rápido e mais prático - sai-se mesmo no centro e evitam-se as filas à entrada da cidade e o custo alto do estacionamento).

'Conhecer' é uma força de expressão, porque o tempo que passámos em cada sítio foi manifestamente pouco para ficar a 'conhecer', mas deu para reforçarmos a ideia de que Itália é um país fantástico. Foi a terceira vez que lá estive, mas ainda há tanto, mas tanto, para ver, aprender e provar, que é impossível não sentir um enorme desejo de voltar.

Como já é costume, os souvenirs que trouxe para mim foram revistas de cozinha. Enquanto não ponho mais receitas em prática (e são tantas as que já estão marcadas), deixo-vos um bolo de avelã e amêndoa, húmido e delicioso, típico de Cannobio - uma cidade do Piemonte, que também já está assinalada no mapa cá de casa com o alfinete dos destinos a visitar.


*Há muitos filmes e livros passados em Itália que me marcaram de alguma forma e que ajudaram a construir este imaginário. Um desses filmes é bem recente: trata-se do The Trip to Italy, com o seu ritmo bem tranquilo e pouco hollywoodesco, as paisagens inspiradoras, os pratos de fazer crescer água na boca e os diálogos inteligentes e divertidos. Aconselho!




BOLO DE AVELÃ E AMÊNDOA [PAN DOLCE DI CANNOBIO]
Revista Sale & Pepe  Julho 2015

60 de avelãs moídas (usei miolo de avelã sem torrar, com pele)
60 de amêndoas moídas (usei miolo de amêndoa sem pele)
60 de farinha de trigo sem fermento
10 g de fermento em pó para bolos
4 ovos
120 g de açúcar amarelo
120 g de manteiga à temperatura ambiente
Uma pitada de sal
Açúcar em pó para decorar

Pré-aqueça o forno nos 180º.
Unte muito bem com manteiga e polvilhe com farinha uma forma rectangular com cerca de 12 cm x 22 cm.
Pulverize a amêndoa e a avelã num processador de cozinha.
Numa taça grande, bata bem a manteiga com o açúcar até estar uma mistura bem cremosa e uniforme.
Junte dois ovos inteiros e duas gemas - reservando numa taça à parte as duas claras - e misture bem.
Envolva as farinhas dos frutos secos, a farinha de trigo, o fermento e o sal.
Por fim bata as claras que sobraram em castelo e envolva na massa anterior.
Verta para a forma e leve a cozer cerca de 40 minutos. Se começar a ficar bastante escuro, cubra com folha de alumínio. Faça o teste do palito: assim que sair seco, está cozido.
Deixe arrefecer um pouco, descole a massa a toda a volta da forma com uma espátula ou uma faca de manteiga e desenforme para o prato de servir com cuidado, de forma a mantê-lo virado para cima, que é como fica mais bonito. Quando estiver frio, polvilhe com açúcar em pó.


Outros posts sobre Itália, aqui e aqui.


18
Mai15

Chamem-me gulosa.






























Apesar de gostar de cozinhar de tudo, as receitas que mais me desafiam são as de bolos.
Olhar para um bolo bem decorado e tentar perceber se serei capaz de o reproduzir é dos exercícios mais frequentes quando estou a folhear um livro de cozinha. Apesar do açúcar ser cada vez mais demonizado - e com razão, sobretudo se consumido em excesso - há um lado estético nos bolos e nas sobremesas a que sou incapaz de resistir. E há pessoas que me inspiram de forma especial neste tema dos bolos - não pela sofisticação ou pela complexidade dos seus trabalhos, mas antes pela sua elegante simplicidade (pelo menos aparente).

Uma dessas pessoas talentosas, com olhar apurado e mãos de fada, é a blogger Linda Lomelino, uma sueca de pai português, autora do Call Me Cupcake. O bom gosto e a obssessão pelo detalhe de Linda vêem-se em cada uma das suas fotografias, que fazem escola pela blogosfera e pela internet fora.

Encomendado há já algum tempo, só esta semana me chegou o Lomelino's Cakes, o seu primeiro livro traduzido para inglês. E não foi fácil escolher o primeiro bolo a testar, de entre as 27 receitas promissoras do livro.

Mas a saga - sim, porque já decidi que quero experimentá-las todas - não podia ter começado melhor: este bolo de Oreo, apesar de fruto de uma espécie de desafio de auto-superação, acabou por ser o bolo de aniversário do meu sogro e foi um sucesso. Todos quiseram repetir. E pedirem outra fatia, já se sabe, é o melhor elogio que podem fazer a uma cozinheira.


BOLO DE OREO

Ligeiramente adaptado do livro Lomelino's Cakes

Para a massa de baunilha e Oreo:
60 g de manteiga à temp. ambiente
3/4 de chávena de açúcar
1/2 chávena de leite 1/2 gordo
1 colher de café de extracto de baunilha
1 chávena de farinha s/ fermento
1/2 colher de chá de fermento
1 clara de ovo L
8 bolachas Oreo de tamanho normal

Para a massa de chocolate:
30 g de manteiga
2/3 de chávena de farinha s/ fermento
1/4 de chávena de cacau em pó
1/2 colher de chá de fermento em pó
1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio
1/2 chávena de açúcar
1 ovo M
1/3 de chávena de leite 1/2 gordo
1/4 de chávena de água a ferver

Para o recheio e cobertura:
250 g de queijo mascarpone
3/4 de chávena de açúcar em pó
250 ml de natas p/ bater bem frias
6 bolachas Oreo de tamanho normal

Para a decoração:
14 bolachas Oreo de tamanho normal
10 - 12 bolachas mini Oreo
1 cereja

Comece por fazer os bolos de baunilha e Oreo: pré-aqueça o forno nos 180º.
Unte com manteiga e polvilhe com farinha duas formas de 16 cm e diâmetro, forre o fundo com papel vegetal e volte a untar/polvilhar.
Parta as bolachas em pedacinhos e reserve.
Com uma batedeira eléctrica, bata a manteiga com o açúcar até ficar esbranquiçado e fofo.
Junte o leite e a baunilha. Se parecer que está a talhar, não se preocupe: junte a farinha e o fermento e envolva bem, sem bater demasiado.
Junte a clara de ovo e bata mais um pouco, só até ligar (nesta altura pensei que tinha feito asneira, porque o aspecto da massa não era muito normal, parecia algo deslassada, mas segui em frente e acabou por resultar).
Por fim envolva as bolachas desfeitas, divida pelas formas e leve a cozer cerca de 25 minutos. Estão prontos quando um palito sair com apenas algumas migalhas agarradas.

Deixe arrefecer uns minutos e desenforme. Não desligue o forno, mantendo-os nos 180º.

Faça agora o bolo de chocolate: volte a untar/polvilhar/forrar uma forma com 16 cm.
Derreta a manteiga e deixe arrefecer.
Peneire para uma taça a farinha, o fermento, o bicarbonato e o cacau. Junte o açúcar, o ovo, a manteiga, o leite e a água a ferver. Misture tudo, verta na forma e leve a cozer durante cerca de 30 minutos. Retire, deixe arrefecer uns minutos e desenforme.

Quando os bolos estiverem frios, já pode montar e decorar o bolo final:

Numa taça e com um batedor de varas, bata o queijo mascarpone com o açúcar em pó até obter um creme uniforme e brilhante.
Bata as natas, que devem estar bem frias, com a batedeira eléctrica, até obter picos firmes. Junte estas à mistura do mascarpone e envolva bem. Desfaça 6 bolachas Oreo em pedacinhos e junte a 1/3 do creme de mascarpone e natas (recheio do bolo). Reserve o restante creme (sem bolachas) no frigorífico.
Entretanto, pique num robot de cozinha as 14 bolachas Oreo de tamanho normal, destinadas à decoração, até obter uma espécie de farinha ou pó. Reserve.

Coloque um dos bolos de baunilha no prato de servir. Barre com metade do creme de mascarpone, natas e bolacha. Coloque por cima o bolo de chocolate e barre com o restante creme. Coloque por cima o outro bolo de baunilha, com a parte mais perfeita para cima (normalmente, é o lado do fundo da forma). Retire o creme do frigorífico e barre com este todo o bolo, começando pelo topo e passando depois para as laterais, com a ajuda de uma espátula. Espalhe, com as mãos, o pó de Oreo por todo o bolo - comece pelo topo e depois, com muita paciência, vá enchendo a palma da mão com o pó e aplicando nas laterais do bolo, pressionando ligeiramente. Repita até o bolo estar completamente coberto. Termine decorando com as mini Oreo e a cereja. Leve ao frio até servir.


Notas:

- a aplicação do "pó" de Oreo parece difícil, mas com paciência consegue-se o efeito pretendido e em menos tempo do que se espera; prepare-se para ficar a com área de trabalho coberta de migalhinhas pretas!

- para ter menos trabalho no final, ou seja, não ter de limpar o rebordo do prato de servir, pode forrá-lo, já com o bolo montado, com pedaços de papel vegetal a toda a volta, prendendo-os ligeiramente debaixo do bolo da base; no fim, é só puxar com cuidado pelos papéis e o prato estará limpo;

- o recheio/cobertura da receita original é feita com queijo-creme, mas achei que o mascarpone, que era o que tinha em casa, resultou muito bem;

- se o decorar com várias horas de antecedência, talvez seja melhor colocar as mini Oreo no topo apenas no momento de servir, para não amolecerem.





Teresa Rebelo

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