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Lume Brando

22
Nov16

Amor ao lume [Doce de romã e maçã]

 

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O fim de semana que passou foi um típico fim de semana de outono. Frio, chuva e, inevitavelmente, aquela humidade típica do Porto que por mais casacos que uma pessoa vista, entranha-se por todo o lado. Liguei o aquecimento em casa, pela primeira vez, e aproveitei a tarde preguiçosa de domingo para dar uso às romãs que tinha apanhado na quinta dos meus sogros no outro fim de semana.

 

Estas romãs são muito ácidas. Eu não me importo nada com isso, dão um sumo delicioso, para os meus gostos, mas a verdade é que sou a única cá em casa capaz de as comer. Decidi então cozinhar qualquer coisa com elas e pedi sugestões no Instagram.

 

Fazer vinagre, fazer doce, fazer chutney, servir com açúcar e vinho de Porto à sobremesa: foram várias as dicas recebidas, mas acabei por escolher o doce, seguindo o conselho de juntar maçãs, por causa da pectina. O resultado? Um doce perfeito, que superou completamente as minhas expectativas: apesar de fazer doces e compotas de vez em quando, não sou nenhuma especialista e penso sempre que não vai ficar tão bom como eu gostaria.

 

Claro que houve vários fatores que ajudaram a que o doce tenha saído no ponto, desde logo ter sido feito numa panela de ferro fundido. Julgo que foi a primeira vez que usei uma Le Creuset para fazer doce e fiquei rendida. Costumo fazer na Bimby, que é uma ótima solução quando não queremos ou não podemos estar sempre a vigiar.

 

Depois, o facto de ter sido feito com tempo. Fazer com tempo significa fazer com amor. Nos últimos tempos, não tenho tido muitas oportunidades para cozinhar com esta entrega e soube-me bem ter a panela destapada ao lume e, sem pressa, ir vigiando, ir mexendo, ir sentindo o aroma que se espalhava na cozinha.

 

Depois, foi só casar o doce com um pouco de requeijão. E o meu humor reconciliou-se de imediato com o tempo lá fora. Como uma amiga minha diz, na sua hashtag preferida, #nocéuhádisto.

 

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DOCE DE ROMÃ E MAÇÃ

 

350 ml de sumo de romã*

580 g de maçãs, pesadas já descascadas e sem caroço

480 g de açúcar

1 tira de casca de limão

1 pau de canela

Cascas e caroços de duas ou três maçãs

 

Embrulhe as cascas e os caroços de maçã num pedaço de gaze ou mousseline, atando bem e formando uma espécie de saquinho.

Junte todos os outros ingredientes numa panela de fundo espesso e leve ao lume médio.

Mexa bem e junte o saquinho com as cascas e os caroços de maçã - pode, por exemplo, atá-lo numa colher de pau e pousar a colher na panela, de forma a que o saco fique mergulhado no doce. É nas cascas e nos caroços da maçã que há mais pectina e isto vai ajudar a que o doce espesse e fique com melhor textura. Reduza para o mínimo e deixe cozinhar, mexendo de vez em quando. Deve demorar entre 1h30 a 2 horas a ficar no ponto.

Ao fim deste tempo, achei que estava pronto mas que ainda havia ainda pedaços notórios de maçã. Como gosto de doces mais uniformes, descartei a casca de limão e o pau de canela e ralei grosseiramente com a varinha mágica. Deixei ferver novamente e passei para frascos limpos.

 

*Retirei os bagos às romãs, triturei-os na Bimby e coei o sumo; para 350 ml de sumo, deve precisar de duas a três romãs.

13
Nov16

Duas trincas de energia [Trufas de Figo, Amêndoa e Chocolate]

 

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As últimas semanas têm sido uma loucura. A 27 de outubro, o dia em que o meu livro - Estava Tudo Ótimo! - foi colocado à venda, começou o rodopio das idas aos programas televisivos.

 

Primeiro fui ao A Praça, na RTP1, depois dei um salto ao Olá Maria, no Porto Canal e no dia 3 de novembro fui ao Você na TV, na TVI. Já na semana que passou, voltei a Lisboa para uma presença no programa Faz Sentido, da SIC Mulher, e para a gravação da participação no É a Vida Alvim, do Canal Q, que será transmitido dia 18 de novembro, à meia-noite.

 

Pelo meio, tive a sessão de apresentação do livro na FNAC do NorteShopping, um momento muito especial, rodeada de tanta, mas tanta gente: família, amigos, foodbloggers queridas e fãs do blogue encheram o auditório e, mais importante do que isso, encheram o meu coração de mimo e felicidade.

 

As minhas idas a Lisboa, apesar de rápidas, exigiram que passasse a noite na capital. Fiquei a dormir em casa de uma amiga de infância, a Beatriz, que me acolheu de braços abertos. Da primeira vez, depois do delicioso jantar que a Beatriz preparou, tive direito a um chá reconfortante acompanhado de umas trufas de figo deliciosas da Maria Granel.

 

Depois de dias tão preenchidos e cansativos, devido sobretudo às viagens de comboio e às manhãs madrugadoras, a minha energia estava a precisar de um boost. Resolvi por isso recrear as trufas de figo que comi em Lisboa. Como seria de esperar, não ficaram iguais às originais, mas vão cumprir o seu propósito: servir de snack saboroso, energético e saudável para os próximos dias que, mesmo sem viagens ou aparições na TV, prometem vir a ser igualmente intensos!

 

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TRUFAS DE FIGO, AMÊNDOA E CHOCOLATE

Para cerca de 20

 

200 g de figos secos

70 g de miolo de amêndoa sem pele

40 g de chocolate preto 70% cacau

1 colher de chá de azeite extravirgem suave

Raspas de laranja q.b.

Cacau em pó para revestir as trufas

 

Corte os pés aos figos, se achar que são muito duros.

Coloque todos os ingredientes, à exceção do cacau em pó, num robot de cozinha e triture até obter umas migalhas moldáveis.

Faça bolinhas do tamanho de brigadeiros, pressionando bem a mistura, passe pelo cacau em pó e coloque em forminhas de papel.

 

Nota: estas trufas dão um bom presente, basta colocá-las numa lata ou caixa bonita!

 

 

 

29
Out16

Estava Tudo Ótimo! [Vídeo]

 

Hoje não vos trago uma receita, ou melhor, até trago várias, dentro deste pequeno vídeo, que fiz para divulgar o meu livro, "Estava Tudo Ótimo!". 

 

Foi muito divertido fazer o vídeo, desde logo porque pude contar com a cumplicidade de alguns amigos. Posso garantir-vos de que, no final, ficámos mesmo à volta da mesa, a conversar e a comer!

 

Aproveito para relembrar que a Sessão de Apresentação do livro será no dia 5 de novembro, às 17h, na Fnac do NorteShopping. Apareçam!

 

29
Out16

O livro!

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Uma aventura que começou em janeiro de 2015. Primeiro houve um email, que me deixou muito surpreendida, depois houve um encontro com uma das responsáveis pela Matéria-Prima Edições.

 

O proposta para escrever um livro demorou a ser digerida, mas a resposta acabou por se tornar evidente na minha cabeça: sim!

 

A partir daí, começou a gigantesca tarefa de pensar no conceito, imaginar as receitas, escolher os temas, testar as receitas, descartá-las, melhorá-las, voltar a cozinhá-las para as sessões fotográficas. Pensar nas decorações, nas mesas e nos ambientes que iria fotografar. Redigir os textos, as receitas, escolher fotografias, perceber que podia ter feito diferente ou melhor. Muitas angústias, muitas noitadas.

 

Em junho de 2016 estava o material todo entregue. O alívio durou pouco tempo, pois no final de agosto começou a saga das revisões. Leituras consecutivas, anotações, pedidos de correções. Um vai e vem de PDF's e documentos Word.

 

No iníco de outubro, o livro entra finalmente na gráfica. No dia 27 desse mesmo mês é colocado à venda nas principais livrarias de todo o país. O meu coração quase explode de alegria por ver nas minhas mãos o resultado de meses e meses de trabalho. Trabalho esse que aconteceu sempre em paralelo com uma série compromissos profissionais e de voluntariado.

 

Não foi fácil. Mas valeu a pena. O livro está lindo (sei que sou supeita mas o mérito do design é todo do Pedro Fernandes, que criou também a capa).

 

O feedback tem sido muito positivo e sinto que o livro reflete o meu estilo de cozinha e a essência do Lume Brando: receitas fáceis mas vistosas, mesas simples mas bonitas, ambientes perfeitos para receber a família e os amigos. Que, estou certa, no final irão dizer "Estava Tudo Ótimo!".

 

O livro encontra-se à venda nas livrarias e em hipermercados de todo o país, incluindo nas livrarias online.

 

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21
Out16

O Lume Brando mudou de casa [Pão de Granola]

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Este é o primeiro post que faço na nova casa do Lume Brando. A partir de agora, o Lume Brando é, orgulhosamente, um blogue do Sapo.

E como está a ficar crescido,  já tem quase 12 anos, achei que estava na hora de lhe dar um domínio próprio: www.lumebrando.com

 

Antes de passar à receita - um pão de granola delicioso - quero agradecer a toda a equipa do SAPO BLOGS, que foi incansável - posso mesmo dizer que foram espetaculares - a tratar de todo o processo de migração e operacionalização do novo domínio. Ainda há algumas arestas por limar, mas agora, com tempo, iremos pôr o Lume Brando ainda mais catita.

 

Quanto ao pão, foi uma feliz coincidência, pois não tinha a certeza de quando poderia começar a publicar aqui. Como há uma frase antiga e sábia que diz que nenhuma casa é verdadeiramente um lar antes de nela se cozer pão, fico muito feliz pela primeira receita do Lume Brando, enquanto blogue do SAPO, ser um pão. Um pão de outono, rico, excelente para comer ao pequeno-almoço.

 

No domingo que passou, Dia Mundial do Pão, decidi cozer um pão de castanha mas não resultou muito bem. Ficou bonito, mas o sabor e a textura não convenceram. Quero aperfeiçoar essa receita, mas como não tinha mais farinha de castanha em casa, resolvi fazer outra experiência. Desta vez, recorri ao antiguinho Artisan Bread in Five Minutes a Day e deparei-me com uma curiosa receita de pão de granola. Achei-a perfeita para esta altura do ano.

 

Segui a receita de granola que também consta do livro e sobre esta, ao contrário do pão, de que gostei mesmo muito, tenho sentimentos contraditórios: acho que é ótima, de facto, para usar no pão, mas para comer com leite e iogurte não é, de todo, das minhas favoritas - prefiro a que irá sair no meu livro ;) e um dia destes vou experimentar fazer o pão com ela. Em todo o caso, deixo tanto a receita do pão como da granola. O pão é delicioso acabado de sair do forno. No dia seguinte continua ótimo, mas torrado é uma perdição!

 

Aproveito ainda para relembrar que o meu livro - Estava tudo ótimo! - chega às livrarias no próximo dia 27 de outubro! Em todo o caso, já se encontra em pré-venda na Wook e na Fnac. A sessão de apresentação do livro será no dia 5 de novembro, às 17h, na Fnac do NorteShopping. Ficarei muito feliz com a vossa presença!

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PÃO DE GRANOLA

Adaptado do livro 'Artisan Bread in Five Minutes a Day'

 

Estas quantidades dão para 2 pães como o da foto:

 

2 chávenas de água morna

1 pacote de Fermipan

1/4 de chávena de geleia de agave

1 colher de sopa de mel de rosmaninho

1 colher de sopa de azeite extravirgem suave

1/2 colher de café de canela em pó

1 colher de sopa rasa de sal marinho

1,5 chávenas de farinha de trigo integral

1,5 chávenas de farinha de trigo 55 sem fermento

1,5 chávenas de granola + um pouco para polvilhar (ver receita mais abaixo)

Azeite, manteiga ou spray desmoldante para untar a forma

Ovo batido para pincelar

 

Chávena: 250 ml de capacidade

 

Numa taça grande que tenha tampa, misture a água, o fermento, a geleia de agave, o mel, o azeite, o sal e a canela.

Noutra taça, misture as farinhas e a granola. Junte-as, com a ajuda de uma colher, ao líquido preparado anteriormente. Não precisa de mexer muito ou amassar (este é um no-knead bread), basta ficar uma pasta ligada.

Tape a taça, mas não feche completamente, pouse apenas a tampa, e deixe repousar à temperatura ambiente cerca de 2 horas.

Após este tempo, passe a taça com a totalidade da massa para o frigorífico, onde irá durar cerca de 15 dias, ou prepare de imediato um pão, guardando o resto da massa (a tampa deve manter-se apenas pousada no frigorífico).

Para fazer o pão, unte bem uma forma de bolo inglês não muito grande (12 cm x 22 cm, por exemplo).

Separe metade da massa com as mãos - talvez tenha de enfarinhá-las - molde-a numa bola e coloque-a na forma.

Tape com um pano limpo e deixe levedar num local ameno - se estiver frio, talvez seja boa ideia envolver numa manta polar.

Se a massa tiver estado no frigorífico, deixe assim cerca de 1h 40m, se fizer o pão a seguir à massa ter repousado as duas horas iniciais, deve precisar apenas de 1 hora.

Entretanto pré-aqueça o forno nos 190º. Pincele o topo do pão com ovo batido e espalhe uma mão-cheia de granola.

Leve ao forno durante cerca de 45 minutos.

 

GRANOLA p/ o Pão de Granola

Adaptado do livro 'Artisan Bread in Five Minutes a Day'

 

4 chávenas de flocos de aveia

1/4 de chávena de sementes de sésamo*

3/4 de chávena de frutos secos

3/4 de chávena de coco ralado

1 chávena de sultanas

1/4 de chávena de mel de rosmaninho

1/4 de chávena de geleia de agave

1/4 de chávena de azeite extravirgem suave

2 colheres de sopa de água

1/2 colher de chá de extrato de baunilha

1 colher de café de canela em pó

 

*Usei sementes de sésamo preto e são tramadas, por isso, se usarem dessas, evitem sorrir para alguém depois de comer o pão e antes de escovarem os dentes ;)

 

Pré-aqueça o forno nos 180º.

Forre um tabuleiro de forno com papel vegetal.

Numa taça grande, junte os líquidos, a baunilha e a canela. Mexa bem.

Envolva nos líquidos os flocos de aveia, as sementes e os frutos secos.

Leve ao forno e vá mexendo de 10 em 10 minutos. Entre os 20 e os 30 minutos de cozedura deverá estar pronta.

Retire do forno e envolva as sultanas. Deixe arrefecer e guarde em frascos.

 

 

 

 

 

 

 

09
Out16

Gulodice pura [Minipavlovas de café]




 
































Mil e uma revisões feitas, detalhes de última hora acertados, livro na gráfica. Alívio!

Para comemorar, umas pavlovas de café a que é praticamente impossível resistir - um pecado da gula assumido e de difícil arrependimento. Soube bem voltar à cozinha e preparar esta coisa boa. Nos últimos tempos, só lá tenho ido basicamente para preparar o jantar. E a correr. Com o ultimar do livro e novos compromissos profissionais a acontecerem em paralelo, tenho andado com pouco tempo para novas publicações, mas já fiz uma promessa a mim mesma: reservar algumas horas, todas as semanas, para me dedicar ao blogue. Se eu não cumprir, puxem-me as orelhas!

E o que dizer destas pequenas maravilhas? Que são uma adaptação de uma receita deste livro de Nigella Lawson e que são deliciosas. Substituí o molho toffee da receita original por molho de chocolate e café e resolvi juntar os bagos de romã, essa fruta tão bonita e sexy, que nesta época do ano nos pisca o olho da prateleira das frutarias ou dos supermercados. Foi a sobremesa para o almoço deste domingo, mas como não éramos muitos à mesa, resolvi usar parte do merengue para fazer suspiros.

Mas voltando ao meu livro: está quase, quase a chegar às livrarias (e posso revelar que terá também uma receita de pavlova!). Estejam atentos à página de facebook do Lume Brando, pois será aí que divulgarei, em primeira mão, a data e o local da sessão de lançamento, assim que estiver confirmada. Uma vez mais, obrigada por estarem desse lado: foram vocês que me proporcionaram esta aventura!















MINIPAVLOVAS DE CAFÉ COM MOLHO DE CHOCOLATE E CAFÉ E BAGAS DE ROMÃ

Para as pavlovas e suspiros
(adaptado de uma receita de Nigella Lawson)

125 g de claras de ovo (cerca de 4)
100 g de açúcar
100 g de açúcar em pó
50 g de açúcar amarelo
2 colheres de chá de café em pó instantâneo (usei dois pacotinhos de Nescafé)
1/2 colher de café de cremor tártaro

Para o molho de chocolate e café

80 g de chocolate de culinária
25 g de água
25 g de café

Para finalizar/decorar:

1 pacote de natas para bater (devem estar bem frias)
Bagos de 1/2 romã
Cacau em pó

Pré-aqueça o forno nos 130º função ventoinha.
Forre dois tabuleiros de forno com papel vegetal.
Numa taça, junte os açúcares, o café em pó instantâneo e o cremor tártaro.
Comece a bater as claras em castelo e, quando estas estiverem a fazer picos suaves, comece a juntar a mistura anterior, colher a colher, continuando a bater. Deve obter um merengue bem espesso, liso e brilhante.
Coloque um pouco de merengue nos cantos do papel vegetal e pressione contra o tabuleiro, para que o papel não fuja nem levante quando estiver a fazer as pavlovas.
Deite colheradas de merengue sobre o papel vegetal dos tabuleiros, bem espaçadas entre si, de forma a fazer cerca de 10 pavlovas pequenas; em alternativa, faça menos pavlovas e use o restante merengue para fazer suspiros - para isso usei um bico estrela largo e um saco de congelação (os sacos de pasteleiro descartáveis que costumo usar tinham acabado!).
Leve a cozer entre 45 a 50 minutos: estão prontos quando se soltarem muito facilmente do papel.
Desligue o forno e deixe a porta entreaberta.

Enquanto arrefecem, aproveite para tratar da romã, do molho de chocolate e das natas.
Para o molho de chocolate, junte os ingredientes numa taça e leve ao micro-ondas cerca de 1 minuto numa potência elevada. Retire e mexa bem. Confira a espessura do molho e, se achar muito espesso, junte mais um pouco de água ou café.
Bata as natas com a batedeira, sem açúcar, até obter picos bem firmes (quando começarem a prender, junte umas gotinhas de limão e verá que ficarão bem consistentes).

Coloque as pavlovas no prato de servir. Com as costas de uma colher, bata no topo de cada pavlova para ganhar espaço para as natas. Coloque uma boa colherada de natas, um fio generoso de molho de chocolate, os bagos de romã e, por fim, polvilhe com cacau em pó. Se sobrarem, sirva à parte o molho, as natas e os bagos de romã, para quem quiser colocar mais.




02
Out16

Outono, não venhas com pressa.

 

Receber todas as semanas um cabaz de frutas e legumes de agricultores locais, para além de uma opção económica e saudável (não são biológicos, mas pelo menos não viajaram quilómetros nem estiveram dias guardados em frigoríficos até chegarem à minha cozinha), é um desafio.

Um desafio porque nunca sabemos exatamente o que nos vai chegar. Há alguns ingredientes clássicos e que raramente falham, como as cebolas e as cenouras, mas depois a seleção nunca é igual e vai variando ao sabor das estações, do tempo e da terra.

Esta receita serviu para aproveitar as primeiras beringelas do ano e, provavelmente, os últimos tomates frescos. Sinais de que o outono está a chegar (não venhas com muita pressa, outono, afinal a primavera e o verão também chegaram atrasados).

 

Com os tomates, fiz molho. Uma dose generosa, que deu para fazer um arroz e para animar peixe estufado. O que sobrou, juntei a beringelas grelhadas neste gratinado. Uma espécie de melanzane parmigiana, mas mais simples e… sem parmesão.

 

Receita e texto publicados no Observador a 16/09/2015.

 

GRATINADO DE BERINGELA

 

Para 4 pessoas como entrada, ou para 2 como refeição principal

 

2 beringelas


2 chávenas de molho de tomate (de preferência caseiro)


1,5 chávenas de queijo cheddar ralado (ou mozzarella)


1 dúzia de tomates cereja (opcional)


Algumas folhas de manjericão


Óregãos secos


Sal

 

Lave as beringelas, corte-as às rodelas e coloque-as num passador salpicadas com sal (este procedimento irá retirar algum travo amargo que as beringelas possam ter; se tiver tempo, deixe-as ficar assim cerca de 1 hora).


Ligue o forno nos 200º.


Grelhe as rodelas de beringela, sem gordura, numa frigideira ou grelhador antiaderente.

Deixe cozinhá-las até ficarem douradas e amolecidas.

Disponha-as num prato de forno, espalhe o molho de tomate e os tomates-cereja e salpique com algumas folhas de manjericão.

Cubra com o queijo e polvilhe com os óregãos.

Leve a gratinar durante cerca de 12 minutos ou até o queijo ficar derretido e o molho estiver a borbulhar.

Sirva com pão e uma salada verde.

 

PS: o livro está avançar a toda a velocidade e o mais certo é que em finais de outubro ou início de novembro, já o possam folhear. Escusado será dizer que estou tão nervosa quanto entusiasmada!

01
Set16

Começar setembro a petiscar.
















Setembro chegou, mas depois de um inverno tão prolongado como este último, acho que ninguém quer ouvir falar de outono.
O tempo parece estar do nosso lado e espero que assim continue nos próximos dias, pois seria sinónimo de um regresso às aulas menos contrariado. Cá em casa não temos crianças com saudades da escola (ainda estou a decidir se isso é bom ou mau), no mais velho há até alguma rejeição. Mas com sol tudo parece mais fácil e enquanto não muda a hora sempre dá para esticar um pouco o tempo de brincadeira, por isso S. Pedro, I'm counting on you!

E é para aproveitarmos o verão até à última gota de cerveja gelada (ou de limonada, para quem preferir), que trago a minha receita de guacamole, provavelmente igual ou parecida a tantas outras. Afinal, guacamole é uma mistura de abacate, tomate e cebola, e é nas ervas e nos temperos que esta receita de origem mexicana normalmente varia. Os cominhos, por exemplo, nem sempre aparecem, mas provei um guacamole com cominhos em casa de um primo, gostei muito e por isso agora uso também (só uma pequena pitada).

Esta é a versão que levei ao Fresquinho, um evento do Festival oito24 em que tive o prazer de participar e de já falei aqui. É uma receita perfeita para o fim de semana que aí vem, até porque daqui a algum tempo os (bons) tomates desaparecem das prateleiras. 

Nas fotos aparecem aperitivos de milho de compra, mas no showcooking servi-os com pão de milho. Aconselho mesmo a experimentarem: torrem fatias de broa de milho, por exemplo, e sirvam-nas como acompanhamento do guacamole: delicioso e bastante mais saudável.

Ah, só por curiosidade, consta que o nome guacamole é uma evolução da palavra original, de um dialeto azteca, que juntava as palavras antigas 'ahucatl' (abacate - aguacate em espanhol) e 'molli' (molho).















GUACAMOLE

1 abacate maduro
2 tomates-chuchamaduros ou 1 tomate coração de boi médio-grande maduro ou o equivalente emtomates-cereja
1 cebola média finamente picada
2 colheres desopa de coentros frescos picados
Sumo de lima ou limão
Azeite qb
Sal marinho qb
Pimenta pretamoída na hora qb
Cominhos em póqb

Descascar e descaroçar o abacate. Regar com sumo de limão (ou lima) e picá-lo finamentesobre uma tábua de cozinha (deve ficar uma espécie de puré grosseiro),passando-o depois para uma taça.
Picar a cebola e o tomate finamente e juntarao abacate. Mexer bem e juntar um fio de azeite, uma pitada de sal e pimentapreta, um pouquinho de cominhos em pó e mais sumo de limão ou lima, se for caso disso.Juntar por fim os coentros picados. Envolver tudo muito bem, provar e retificaros temperos e passar para a taça de servir.
Acompanhar com aperitivos de milho ('tortilhas') ou fatias de pão de milho torrado.

Receita atualizada em 6/9/2016.


26
Ago16

O bom sabor das férias.





























De  volta à rotina, depois de uns deliciosos dias de férias em família, trago-vos receitas da época, perfeitas para encerrarmos agosto em grande.


Todos os nossos verões têm ficado marcados por uma ou duas receitas, que as férias ajudam a colocar na categoria dos hits desse ano. Foi o caso desta já antiguinha salada de figos, presunto e queijo de cabra, dos granizados de espumante no ano que em que comprei a Bimby, ou dos tomates-cereja assados, que ainda hoje são das minhas iguarias favoritas.

2016, por sua vez, vai ficar associado a estes camarões crocantes [com maionese de coentros] e a esta limonada de pepino, tantas foram as vezes que os fiz. Uma dessas ocasiões foi no Fresquinho, um evento gastronómico integrado no Festival oito24, em Espinho, no qual tive o prazer de participar com um showcooking, no início de agosto.

Sei que sou suspeita, por gostar tanto de cozinhar (e de comer!), mas acredito que as memórias ligadas aos sabores e aos aromas da comida são aquelas que nos proporcionam as recordações mais reconfortantes. Por exemplo, há um cheiro característico de café, que só raramente vem até mim, e que me faz recuar aos dias em que eu, pequenita, brincava em casa de uns tios queridos. É uma sensação tão boa. Um pouco nostálgica, é certo, mas capaz de me transportar a momentos muito felizes.

Com as receitas das férias é um pouco a mesma coisa e não há fotografia que chegue ao poder interior de uma memória cheia de sabor, sobretudo se tiver sido construída num momento de partilha e 'pura vida', para usar a expressão da Costa Rica, um país que quero muito visitar.

Mas claro, as imagens ajudam a manter as lembranças vivas, e cá estão elas: as fotos e as receitas dos pedidos que mais vezes chegaram à cozinha do Lume Brando por estes dias.

Espero que gostem e, já agora, me contem quais as vossas receitas favoritas deste verão. E fica a promessa: em breve partilho as outras duas receitas que levei ao showcooking de Espinho: guacamole com pão de milho torrado. Yummy!

 



 

 

CAMARÕES CROCANTES NO FORNO COM MAIONESE DE COENTROS
P/ cerca de 4 pessoas como entrada/aperitivo
 
500 g de camarão60/80, idealmente com casca
1 chávenaalmoçadeira de pão rústico ralado em casa (aromatizado com alho e salsa, por ex.)
1 fio deazeite
Sal qb
Pimenta pretaacabada de moer qb
Raspas de limão qb
 
Para a maionese:
1 ovo àtemperatura ambiente
200 ml de óleode girassol
40 ml de azeiteextra virgem
1 colher desobremesa generosa de mostarda de Dijon
2 colheres desopa de coentros picados
1 colher de cháde ketchup (opcional, mas recomendável)
Raspa de limãoqb
Sal qb
Pimenta pretaacabada de moer qb
 
Pré-aqueça oforno nos 200º.
Descasque os camarões. Seque-os bem em papel de cozinha, coloque-os numa taça e envolva-os num fio deazeite. Tempere-os com um pouco de sal e pimenta preta, junte um pouco de raspa de limão e envolva-os por fim no pão ralado.
Coloque-os numtabuleiro grande, sem ficarem sobrepostos, e leve-os ao fornodurante cerca de 8 minutos. A meio da cozedura, vire os camarões para quefiquem crocantes por todo (os camarões devem ficar com uma textura al dente e opão ralado deve ficar seco e dourado). No último minuto, passe a assadeira para um nível superior e ligue a função grill com ventoinha, para acelerar e garantir que o pão ralado fica o mais crocante possível.
 
Entretanto, prepare a maionese.
Comece por picaros coentros e reserve.
Coloque o ovo nocopo da varinha mágica. Junte a mostarda, um pouco de sal e pimenta preta, oóleo e o azeite. Mergulhe a varinha mágica no copo, ligue-a e, lentamente, váemulsionando a mistura, num movimento de baixo para cima. Quando estiver bemligada, passe para uma taça e junte o ketchup, os coentros picados e as raspasde limão. Prove e retifique os temperos, se for caso disso. Sirva com oscamarões acabados de sair do forno.
 
Notas:
- Como repeti várias vezes a receita já depois de a ter testado e levado ao Fresquinho, fui fazendo ajustes e talvez não esteja totalmente igual à que foi facultada aos espetadores do festival;
- O passo de secar bem os camarões é fundamental para que fiquem crocantes;
- Se usarem camarão com casca, aproveitem as cabeças e as cascas para fazer um fumet simples e depois utilizem-no numa sopa de peixe ou marisco.





 

 

 
LIMONADA DE PEPINO
Para uma dose generosa, a servir num dispensador de bebidas
 
Cerca de 3 litros de água(de preferência fresca)
Sumo de 2 ou 3 limões, consoante o seu seu teor de sumo
1 pepino
Açúcar amarelo agosto
2 paus de canela (opcional)
Gelo
 
Descasque opepino como se fosse para salada, deixando algumas linhas de casca, e corte-o àsrodelas finas. Coloque-as num jarro grande ou dispensador de bebidas.
Junte o açúcar,os paus de canela partidos ao meio, o sumo de limão e a água fresca.
Mexa bem e prove para verse necessita de mais açúcar, mais água ou mais sumo de limão.
Deixe repousaruns 30 minutos, para que o sabor do pepino e da canela se difundam.
Junte bastante gelo, mexa bem esirva.
 
Notas:
- Como repeti várias vezes a receita já depois de a ter testado e levado ao Fresquinho, fui fazendo ajustes e talvez não esteja totalmente igual à que foi facultada aos espetadores do festival;
-  A adição do pepino transforma completamente a limonada, dando-lhe uma frescura extra surpreendente;
- A canela não é absolutamente essencial mas confere à limonada um toque exótico bastante interessante, sobretudo para quem gosta desta especiaria.

 

 






11
Ago16

O meu piquenique de sonho.

















Sonho muitas vezes com um piquenique à grande e à francesa.
Cesto de vime com forro aos quadradinhos e pratos, talheres e copos (de vidro e com pé), presos com austeras mas bonitas tiras de couro; uma garrafa de tinto de Bourdéus, uma taça de uvas e cerejas frescas, uma baguete estaladiça e uma seleção de queijos luxuosos a acompanhar.

Sol, mas calor moderado, erva fofa, manta a condizer, um livro bem escolhido e um termos de café suave para uma tarde preguiçosa.
E se possível, o cesto a ser-me entregue pronto e recheado. Sim, porque mesmo quem gosta de cozinhar e preparar coisas boas como um piquenique, tem dias em que não lhe apetece fazer nada. Só mesmo estar deitado à sombra, a ler e a petiscar. Em dias quentes como os do fim de semana que passou, isto já é fazer um ror de coisas, como diria a minha avó.

Como o cenário descrito tem poucas hipóteses de se concretizar, mas os piqueniques, esses, valem mesmo a pena fazer, deixo uma receita fácil, rápida e muito prática para refeições descontraídas ao ar livre. Será que Proust ia gostar destas madalenas?

Texto e receita publicados no jornal Observador em 9/06/2915.















MADALENAS SALGADAS [BACON E ERVAS]
Para cerca de 18

2 ovos
60 g de azeite
80 g de leite
70 g de bacon
1/4 de chávena de ervas aromáticas frescas (salsa e cebolinho, por exemplo)
110 g de farinha sem fermento
10 g de fermento para bolos


Pré-aqueça o forno nos 200º
Unte com spray desmoldante - ou com manteiga, polvilhando de seguida com farinha - as formas de madalenas.
No copo da varinha mágica ou do robot de cozinha, coloque o azeite e as ervas e triture até obter uma mistura esverdeada.
Passe-a para uma taça grande, junte os ovos e o leite e bata bem.
Junte o bacon partido em pedacinhos e, por fim, envolva a farinha e o fermento, sem mexer demasiado.
Distribua pelas formas e leve a cozer durante cerca de 10 minutos.


Teresa Rebelo

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