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Lume Brando

28
Fev17

Uma receita rara [Bolo de festa adequado a crianças com PKU]

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Hoje assinala-se o Dia das Doenças Raras. Na verdade, a data oficial é o dia 29 de fevereiro, precisamente por ser um dia 'raro', mas como 2017 é um ano comum, antecipa-se para o dia 28.

 

São imensas as patologias que cabem na definição lata de "doenças raras" e que colocam enormes desafios às crianças e aos adultos portadores dessas doenças, bem como às suas famílias e cuidadores. Uma dessas condições dá pelo nome abreviado de PKU ou, em bom português, fenilcetonúria.

 

No Estava Tudo Ótimo! quis incluir uma receita adequada a crianças com fenilcetonúria. Tinha contactado recentemente com a doença - que limita imenso a alimentação de quem é portador - e ficado extremamente sensibilizada com o esforço feito pelas famílias, sobretudo pelas mães destas crianças, no sentido de proporcionarem uma alimentação completa, variada e saborosa aos seus filhos, sem colocar em causa a sua saúde. 

 

Tal como explico no livro, a PKU - do inglês PhenylKetonUria - é uma doença genética grave, causada pela não produção ou funcionamento insuficiente da enzima capaz de metabolizar a fenilalanina - o aminoácido presente nas proteínas. Isto significa que as pessoas com PKU não podem ingerir proteínas de nenhum tipo ou apenas o podem fazer em quantidades mínimas e controladas. Se a sua alimentação não for clínica e rigorosamente supervisionada, podem surgir danos cerebrais graves e irrecuperáveis.

 

Leite e derivados, pão, carne, peixe, ovos, leguminosas, soja: todos estes alimentos, entre muitos outros, têm de estar ausentes ou praticamente ausentes da dieta das crianças com PKU. Como devem imaginar, o desafio para os pais e para as famílias de crianças com PKU é tremendo. Esta é uma doença rastreada no famoso ‘teste do pezinho’, à nascença, o que tem permitido que estas crianças, com o apoio de médicos especializados e o já referido empenho admirável dos seus pais e familiares, tenham hoje em dia uma vida normal e sem consequências a nível intelectual.

 

Existem alguns produtos que são disponibilizados a estas famílias, nomeadamente suplementos alimentares, massa e farinhas hipoproteicas, mas há toda uma ginástica obrigatória de quantidades de ingredientes e pesagem de produtos, para não falar da limitação que se coloca quando se pretende viajar ou fazer uma refeição fora.

 

Em conversa com mães de crianças com PKU dei conta de que as festas de anos dos outros miúdos podem ser também uma situação crítica, devido ao leque restritivo daquilo que as primeiras podem comer. Mas em diálogo com os pais, podemos encontrar soluções para que não se sintam excluídas. Por exemplo: pipocas (simples), batatas fritas, gelatinas vegetais, gomas, chupa-chupas e rebuçados de fruta, são guloseimas que os miúdos com PKU podem comer, para além de qualquer tipo de fruta fresca.

 

No livro, optei por incluir um bolo que todos pudessem comer. Afinal, o bolo é o rei da mesa e convém que seja adequado a todos os convidados. Uma receita que me foi passada com muito carinho por duas mães de crianças com esta patologia, por quem tenho a mais profunda admiração, e à qual apenas fiz umas ligeiras adaptações, sob a sua supervisão.

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BOLO DE ANIVERSÁRIO ESPECIAL

Do livro Estava Tudo Ótimo!

 

Para o bolo de laranja e baunilha

 

175 g de açúcar

100 g de margarina ou manteiga amolecida

60 g de maionese de compra (c/ovo na sua composição)

1 colher de chá de extrato de baunilha

Raspa de 1 laranja

160 g de farinha hipoproteica

160 g de amido de milho

1 pacote de pudim ‘Boca Doce’ de baunilha

1 colher de sobremesa de fermento em pó

300 ml de leite de arroz

 

Para a cobertura e recheio de creme de manteiga achocolatado

 

420 g de açúcar em pó

160 g de manteiga ou margarina

60 ml de água a ferver

10 g de cacau em pó

10 g de Nesquick

Raspa de ½ laranja

 

Para a decoração:

Jelly beans e velas coloridas

 

Pré-aqueça o forno nos 180º

Unta bem com manteiga e polvilhe com farinha hipoproteica ou amido de milho duas formas redondas com 18 cm de diâmetro. Forre o fundo com papel vegetal e volte a untar/polvilhar.

Numa taça grande, bata o açúcar com a manteiga, a maionese, a raspa de laranja e o extrato de baunilha. Noutra taça, misture a farinha com o amido de milho, o pudim e o fermento. Alternadamente, vá juntando esta mistura e a bebida de arroz à mistura anterior, de forma a que a última adição seja de farinha. Divida pelas duas formas e leve a cozer durante cerca de 40 minutos. Vá vigiando e faça o teste do palito antes de retirar do forno: se sair seco depois de espetado no centro, está pronto.

Retire, deixe arrefecer um pouco e desenforme com cuidado sobre papel vegetal.

 

Prepare a cobertura e o recheio: dilua o cacau em pó e o Nesquick na água quente, mexendo bem. Deixe arrefecer. Bata a manteiga com a batedeira até estar bem macia e vá juntando o açúcar em pó (pode fazer isto num processador de cozinha numa velocidade média alta, sem a borboleta). Junte o molho de chocolate aos poucos e continue a bater até estar bem uniforme. Por fim, junte a raspa de laranja. Confirme a consistência: deve estar um creme macio e consistente, mas fácil de barrar. Se achar que está demasiado espesso, junte um pouco de leite de arroz e volte a bater.

Coloque um pouco de creme no centro do prato de servir e coloque por cima um dos bolos, recheie com creme e coloque em cima o outro bolo (faça de modo a que os lados mais perfeitos dos bolos fiquem na base e no topo). Espalhe o creme com uma espátula por todo o bolo, retirando o excesso com uma espátula ‘raspadora’. Com o creme que sobrar, faça um decoração simples com saco e bico pasteleiro. Termine com os jelly beans e as velas coloridas.

 

 

Notas:

 

- Pode parecer estranho o uso da maionese com ovo na massa do bolo, mas a quantidade de proteína vai ser tão reduzida por fatia de bolo, que é aceitável, sendo um elemento importante na receita. Use maionese de compra, pois nesta as quantidades dos ingredientes estão parametrizadas;

 

- A farinha hipoproteica tem um sabor característico, que para quem não conhece pode não ser o mais agradável, mas nesta receita esse risco está diminuído pela presença do amido de milho, que aqui substitui metade da farinha da receita original; os bolos com este tipo de farinhas, sem glúten, têm alguma tendência a rachar, por isso desenforme com cuidado e manuseie o bolo o menos possível.

 

 Ah! No livro, encontram mais receitas para compor uma mesa catita de lanche infantil!

 

13
Fev17

Snacks saudáveis, ou nem por isso [Bolachas de Muesli]

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Se trabalhar fora de casa é muitas vezes apontado como um motivo para refeições desequilibradas e opções pouco saudáveis, trabalhar em casa não é, necessariamente, sinónimo de perfeição no que toca a alimentação: a cozinha a dois passos de distância, pelo menos no meu caso, faz-me estar sempre a pensar em comida. Estou sempre com vontade de fazer uma pausa no computador e fazer um lanchinho. E claro, nem sempre este momento é virtuoso.

 

Uma peça de fruta, uma tosta com uma fatia de queijo, frutos secos ou fruta desidratada, podem ser opções para matar aquele 'ratinho' sem fazer grandes estragos, mas, convenhamos, nestes dias de meteorologia cinzenta, apetece um pouco mais de conforto. A tentação de ligar o forno é enorme e foi o que fiz há uns dias atrás, para experimentar esta receita de bolachas da Rachel Khoo.

 

Gostei bastante do resultado, ainda que tenha achado a quantidade de manteiga excessiva. Apesar de ter diminuído um pouco à quantidade, julgo que a receita pode ser ainda otimizada. Fiz algumas substituições: parte do açúcar foi de coco - o que lhes dá um travo maravilhoso a caramelo e parte da farinha foi de espelta integral. Aviso: ficaram muito estaladiças e viciantes! Para uma versão de bolachas de aveia menos pecaminosas podem optar pela receita que tenho no meu livro "Estava Tudo Ótimo!"* e que podem ver replicada no bonito blog da Sandra, aka Marmita.

 

Nesta receita da Rachel Khoo, o que mais gostei foi de usar os mirtilos e os alperces desidratados que tenho comprado na feira e que são deliciosos - um verdadeiro snack por si só. Adoro sentir aqueles pedacinhos doces e ácidos ao mesmo tempo, a contrastar com o crocante da massa e da amêndoa - sim, também lhes juntei amêndoa, são umas bolachas muy ricas 😋

 

E é com esta receita de conforto, que vos desejo uma ótima semana!

 

*Aproveito para fazer uma errata ao meu livro: na receita que menciono acima, de "Bolachas crocantes de aveia e chocolate", página 170, por lapso não surge nos ingredientes a referência à manteiga. São 100 g de manteiga à temperatura ambiente.

 

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 BOLACHAS DE MUESLI

Adaptado do livro Muesli & Granola de Rachel Khoo

 

Para cerca de 50 bolachas

 

100 de açúcar de coco

110 g de açúcar amarelo

200 g de manteiga

2 ovos

325 g de flocos de aveia finos

90 g de farinha de espelta integral

60 g de farinha de trigo T55 sem fermento

1 colher de chá de fermento em pó

200 g de mistura de amêndoa, mirtilos e alperces desidratados picados grosseiramente

 

Ligar o forno nos 170º.

Forrar com papel vegetal dois tabuleiros de ir ao forno.

Numa taça, juntar as farinhas, a aveia e o fermento e reservar.

Numa taça grande, misturar a manteiga com os açúcares.

Acrescentar os ovos, um de cada vez e ligar bem. Juntar os secos a esta mistura e envolver bem só até a massa estar bem ligada. Por fim juntar a amêndoa e os pedaços de fruta.

Fazer bolinhas tipo brigadeiros e colocar no tabuleiro, bem separadas umas das outras. Com as costas de uma colher da sopa humedecida, pressionar as bolinhas, achatando-as ligeiramente.

Levar ao forno cerca de 20 minutos - a ideia é ficarem crocantes por fora e suaves por dentro, eu gosto delas bem cozidas, daí o tom bem dourado. Esta receita deu-me para duas fornadas, com dois tabuleiros de cada vez.

Retire do forno, retire do tabuleiro e deixe arrefecer bem antes de guardar num frasco hermético. Mesmo bem tapadas, as bolachas vão perder crocância com o tempo, mas continuam ótimas de sabor.

 

06
Fev17

Feliz é quem faz bolos ao domingo [Bolo de ananás e cenoura]

bolo_ananas_cenoura.jpg

 

bolo-ananas-cenoura-mix1.jpg

 

Um domingo de inverno caseiro pede bolo - caseiro - para o lanche. Foi o caso de ontem, em que a meteorologia, ainda que um pouco menos agreste do que no sábado, convidava ao sofá. Como quase sempre, gastei mais tempo a decidir a receita do bolo, do que a fazê-lo. Peguei em livros e revistas, revi receitas marcadas com post-its, assinalei outras receitas, fui buscar mais livros, inventariei mentalmente os ingredientes que tinha em casa e, finalmente, decidi que o bolo a fazer seria o de cenoura e ananás do Livro de Cozinha, de Matt Preston, de que já vos falei neste post.

 

Podia ter pegado numa receita de sempre ou tentado criar uma, mas sempre que tenho um pouco mais de tempo gosto de dar uso à coleção de livros e revistas  - até para ganhar argumentos de que preciso de aumentá-la!

 

De facto, há muito que não tinha um domingo tão sossegado e soube mesmo bem dedicar, sem stress, algum tempo a experimentar uma receita nova. Adaptei-a ligeiramente (achei a quantidade de gordura - óleo de coco que substituí por azeite - um pouco exagerada, por exemplo) e para a cobertura de queijo creme segui uma versão que já costumo usar, com proporções dos ingredientes ligeiramente diferentes. O resultado foi um bolo húmido, aromático e perfeito para um lanche preguiçoso de domingo, com a chuva a bater nas vidraças.

 

Boa semana!

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BOLO CLÁSSICO DE ANANÁS E CENOURA

Ligeiramente adaptado de Livro de Cozinha - Matt Preston

 

250 g de farinha de trigo T55 sem fermento

2 colheres de chá de fermento em pó

1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio

1 colher de chá rasa de canela em pó

1/2 colher de noz moscada em pó ou ralada

100 g de azeite extravirgem suave/frutado e com pouca acidez

4 ovos

190 g de açúcar mascavado

420 g de ananás em lata (pesado já depois de escorrido)

200 g de cenoura ralada

 

Para a cobertura

Receita também neste post

 

125 g de queijo creme

40 g de manteiga à temperatura ambiente

250 g de açúcar em pó

 

Para decorar - opcional

Abacaxi cristalizado em pedaços

 

Comece por preparar o bolo.

Unte/polvilhe uma forma redonda entre 22 cm e 24 cm de diâmetro, forre o fundo com papel vegetal e volte a untar/polvilhar.

Pré-aqueça o forno nos 180º

Descasque e rale as cenouras. Reserve.

Abra a lata do ananás em conserva e pese o ananás escorrido. Parta-o em pedaços e reserve.

Peneire a farinha, o fermento e o bicarbonato. Junte a canela e a noz moscada.

Numa taça grande, bata bem os ovos com o açúcar, até ficarem bem espumosos.

Junte à mistura dos ovos o ananás e a cenoura. Mexa bem.

Por fim, envolva a mistura dos secos (farinha, fermento...).

Verta para a forma e leve a cozer durante cerca de 50 minutos.

Faça o teste do palito para verificar se está cozido: se não sair massa agarrada, está pronto.

Solte o bolo das laterais da forma com uma faca de manteiga, desenforme e deixe arrefecer completamente.

 

Para fazer a cobertura, bata muito bem com a batedeira elétrica a manteiga e o queijo creme.

Depois, comece a juntar o açúcar em pó aos poucos, até obter uma consistência espessa mas macia. Barre o topo do bolo e decore com pedaços de abacaxi cristalizado.

 

 

 

Teresa Rebelo

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