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Lume Brando

24
Mai16

Uma casa no campo [e umas minicalzoni para receber os amigos].






Apesar do rap não ser, de todo, o meu estilo de música favorito, gosto muito de Capicua.
Via-a recentemente ao vivo e fiquei a gostar ainda mais.
Mais do que o ritmo, atraem-me as letras.
Uma das minhas favoritas, a par de "Medo do medo", é  a "Casa no Campo".

E hoje, quando decidi partilhar esta receita, criada originalmente para o jornal Observador, lembrei-me dessa música e dessa letra. Porque as fotos foram tiradas numa casa de campo e porque eu própria sonho com uma casa assim, térrea, onde os dias "são como os demais, sem serem todos iguais."

(...)
Quero uma casa no campo como Elis Regina,
Plantar os discos,
Os livros e quem sabe uma menina,
Por mim até podem ser mais,
Um amor como os meus pais,
Os dias como os demais,
Sem serem todos iguais.

Casa no campo com a porta sempre aberta para deixar entrar amigos,
Partir à descoberta,
Ter a minha cama grande com a colcha predileta e um cão desobediente dorme em cima da coberta.
Quero uma casa completa com um pedaço de terra,
E com o espaço quero o tempo para adormecer na relva,
Longe da selva de cimento,
Eu acrescento que quero cultivar mais do que mero conhecimento,
Quero uma horta do outro lado da porta e quero a sorte de estar pronta quando a morte me colher
(...)

Capicua















MINICALZONI DE ESPELTA

Para cercade 8

Para a massa:

250 g de farinha de espelta
1 ovo M
50 g de água
40 g de azeite
1 boa pitada de sal
1 ovo batido para pincelar

Para o recheio:

250 ml de molho de tomate, de preferenciacaseiro
½ chouriço partido em cubos
½ pimento vermelho partido em cubos
1 lata pequena de milho
3 rodelas de ananás ou abacaxi
100 g de queijo flamengo, mozzarella, ou outroque derreta bem
Óregãos secos qb

Pré-aqueça o forno nos 190º.
Coloque a farinha e o sal numa taça. Junte oovo, a água e o azeite e misture tudo com as mãos. Amasse só até obter uma bolalisa e uniforme.
Enfarinhe a superfície de trabalho e váesticando pedaços de massa com o rolo (esticar toda de uma vez exige muitoespaço e muito esforço!), até ficar com uma espessura de 2 a 3 mm. Recortecírculos com cerca de 14 cm de diâmetro e coloque-os em tabuleirosanti-aderentes ou forrados com papel vegetal. Espalhe duas colheres de sopa demolho de tomate numa das metades de cada círculo (sem que o molho vá até aorebordo da massa) e distribua os ingredientes, colocando-os por cima do molho,pela mesma ordem que seguiria numa pizza convencional. Dobre cada círculo,tapando o recheio e unido os rebordos com a ajuda de um garfo. Pincele com ovobatido e leve ao forno durante cerca de 20 minutos. Pode servir de lanche ameio da tarde, ou até de refeição leve, acompanhadas de uma boa salada.

Nota: esta massa é mais de empada do que de pizza, por isso não precisa de levedar!




11
Mai16

Um bolo como terapia.
































Sei bem que por estes dias não é nada original falar do (mau) tempo.
Mas não há maneira de me conformar com esta primavera desobediente.
Uma primavera tão rebelde que deve andar a pôr os nervos dos publicitários (e dos bloggers*) em franja. Passar por mupis que dizem "O calor pede uma bebida assim", enquanto apertamos a gabardine e abrimos, pela quarta ou quinta vez nesse dia, o guarda-chuva; ou ouvir um spot na rádio que diz "Agora que chegou o bom tempo, vou é sair e divertir-me com os amigos" quando estamos na fila de trânsito típica dos dias cinzentos com o limpa pára-brisas a funcionar, não abona muito a favor das campanhas. A mim, irritam-me.

Não que não tente aceitar esta meteorologia desfavorável. Eu tento, juro. Penso na água que é tão importante; imagino que este ano, felizmente, não vai faltar rega aos agricultores (ainda que uma parte de mim desconfie que daqui a uns meses os telejornais vão estar na mesma a abrir com notícias da seca); penso que este ano é que o Verão vai ser bestial... Mas ao que tudo indica, não é só uma questão de atitude e de pensamento positivo. Está provado que o sol estimula a produção de substâncias como a serotonina, a dopamina e a melatonina, responsáveis pelo bom-humor e boa-disposição. Não é à toa que nos países nórdicos, privados de luz natural durante longos períodos no ano, e onde se registam elevadas taxas de depressão e suicídio, é comum a Terapia da Luz, em que o paciente é exposto a uma luz artificial semelhante à luz solar, de forma a que o corpo possa corrigir o ciclo de sono e produzir as hormonas em falta.

Não sei se por cá vamos começar a adoptar este tratamento para a depressão sazonal, uma vez que a avaliar pelas primaveras passadas, este 'tempo fora de tempo' parece, infelizmente, uma tendência cada vez mais natural. Mas sei que cozinhar - especialmente fazer bolos ou algo que implique ligar o forno, talvez pelo processo da espera - pode bem ser uma espécie de terapia.
Por isso, se o sol não vem até nós, vamos nós ter com o sol, através de um bolo de iogurte com sabor a lima-limão, sementes de papoila, recheio de lemon curd e cobertura de mascarpone e lemon curd: um verdadeiro festim para que, pelo menos durante alguns momentos, possamos esquecer que lá fora continua outono.


*Tirar estas fotos num dia instável como o de ontem foi um filme. Dentro de casa não tinha luz suficiente. Resolvi montar o estaminé na varanda, não estava a chover. Tiro as fotos ao lemon curd, começa a chover, tenho de levar tudo para dentro. Cubro o bolo, dá-se uma aberta e volto para a varanda. De repente, o cinzento do céu vira chumbo e desata a chover a sério. Volto com tudo para dentro, onde, depois do tempo desanuviar um pouco, acabo por fotografar o bolo aberto e a fatia do bolo...
















BOLO DE IOGURTE E LIMA-LIMÃO C/ SEMENTES DE PAPOILA
RECHEIO DE LEMON CURD E COBERTURA DE MASCARPONE E LIMÃO

Para o bolo:
[adaptado da revista Saveurs - Spécial Desserts 2016]

3 ovos L
150 g de açúcar
200 g de farinha s/ fermento
80 g de azeite extra virgem suave
1 iogurte natural
2 colheres de chá de fermento em pó
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
Raspa e sumo de 1 lima e 2 limões
2 colheres de sopa de sementes de papoila

Para o recheio, cobertura e decoração:

1 dose de lemon curd*
1 embalagem de mascarpone
Rodelas de limão e lima, hortelã ou outras folhas verdes a gosto

*Lemon curd
50 ml de sumo de limão
1 ovo L
75 g de açúcar
1 colher de sobremesa de raspas de limão
30 g de manteiga à temperatura ambiente


Comece por preparar o lemon curd: leve ao lume o ovo bem misturado com o açúcar e o sumo de limão. Com um batedor de varas, mexa sempre para não ganhar grumos, até engrossar.
Deve demorar cerca de 10 minutos. Retire do lume e incorpore a manteiga em pedaços e a raspa de limão. Mexa até a  estar bem derretida e dissolvida no creme.
Passe para um frasco esterilizado, tape, deixe arrefecer e guarde no frigorífico.

Pré-aqueça o forno nos 180º.
Unte muito bem duas formas de 20 cm de diâmetro, polvilhe com farinha, forre-lhes o fundo com papel vegetal e volte a untar/polvilhar (em alternativa, use spray desmoldante em vez da manteiga e da farinha, mas use na mesma o papel vegetal).
Numa taça, bata os ovos com o açúcar. Junte o azeite e depois a farinha, o fermento e o bicarbonato.
Adicione o iogurte, depois o sumo e a raspa da lima e dos limões. Por fim, envolva as sementes de papoila. Divida pelas duas formas e leve ao forno cerca de 20-22 minutos - faça o teste do palito antes de retirar. Desenforme e deixe arrefecer.

Para rechear e cobrir: coloque um dos bolos no prato de servir, com o lado mais perfeito virado para o prato. Barre com duas colheres de sopa de lemon curd, e coloque o outro bolo por cima, com o lado mais perfeito virado para cima.
Numa taça, bata bem o mascarpone. Junte-lhe o restante lemon curd e mexa bem. No início poderá parecer demasiado espesso, mas continue a bater com o batedor de varas, até ficar uma espécie de creme de manteiga macio e brilhante. Cubra todo o bolo com a ajuda de uma espátula, retirando o excesso, nomeadamente das laterais do bolo. Decore com as rodelas de lima e limão e algumas folhinhas verdes ao seu gosto. Leve ao frigorífico antes de servir (pode fazer o bolo de véspera: no dia seguinte os sabores estão ainda mais pronunciados e vai saber ainda melhor; neste caso, pode cobrir na véspera mas coloque as rodelas de lima e limão apenas no dia).

Mais receitas para quem gosta de limão:

Mousse de limão instantânea
Cupcakes de limão
Bolo de limão
Bolo de limão c/ cobertura de chocolate branco
Bolo de limão e sementes de papoila da avó do Jamie
Caixinhas de chocolate com lemon curd e framboesa
Minitartes de mascarpone, framboesa e lemon curd
Pudim de limão
Tarte merengada de limão
Quadrados de limão



04
Mai16

Olha a bela da sardinha!





Há já uns meses, fui convidada para fazer um showcooking no Continente Maia Jardim, no âmbito de uma parceria com o gabinete de Turismo da Câmara Municipal da Maia/Maia Welcome Center. A ideia era apresentar receitas inspiradas no receituário do concelho e, depois de várias pesquisas, optei por usar sardinhas (bolos de sardinha e sardinhas de escabeche fazem parte da cozinha maiata tradicional, muito influenciada pelo Minho e toda a região do Douro Litoral), e fazer um arroz doce, numa versão mais tropical. Depois de testadas e aprovadas em casa, as receitas passaram com distinção no pequeno evento, mas por vários motivos que se foram atropelando, ainda não tinha conseguido trazê-las aqui para o blog.

Hoje, finalmente, consigo publicar a receita com sardinhas: uns queques muito simples de fazer, que ficam fofos e deliciosos e são uma maneira diferente de aproveitar as nossas conservas maravilhosas.
Uma lata de sardinhas em tomate (adoro a versão picante!) e meia dúzia de ingredientes básicos, é tudo o que precisam para fazer estes queques salgados e fazer um brilharete no próximo lanche ou piquenique entre amigos, agora que parece que o bom tempo chegou de verdade (vamos esquecer que dão chuva para o fim de semana, os senhores da meteorologia também se podem enganar, não é?)

Uma nota antes de passarmos à receita: normalmente coloco uma camada de massa na forma do queque, depois um pouco de recheio e termino com mais massa. Desta vez, resolvi colocar os pedacinhos de sardinha apenas no final, mas apesar de ficarem mais bonitos - e mais crocantes, pois os pedacinhos acabam por secar um pouco - acho que gosto mais da versão original, em que ficam tipo queque 'surpresa', como estes aqui.
















QUEQUES DE SARDINHA
Para cerca de 10-12

1 lata de sardinhas em tomate
1 chávena* de farinha s/ fermento
1 colher de sopa de fermento em pó
1 chávena* de leite
1 colher de sopa de manteiga derretida
1 ovo, separado
1 pitada de sal
1 pitada de pimenta preta acabada de moer (se as sardinhas não forem picantes)
1 colher de sopa de salsa picada

*Chávena com 250 ml de capacidade

Ligue o forno nos 180º.
Prepare as forminhas de papel colocando-as num tabuleiro com 12 cavidades para queques.
Pique a salsa e reserve.
Retire as sardinhas da lata, com o molho, para uma tábua de cozinha, pique-as com uma faca e reserve.
Numa taça, coloque a farinha, o fermento e o sal (e a pimenta, se for caso disso) e junte o leite aos poucos - antes da última adição de leite, junte a gema e a manteiga derretida. Mexa e junte o resto do leite. Envolva a salsa.
Bata a clara em castelo e envolva no preparado anterior.
Distribua um pouco de massa por cada forma de papel, distribua os pedacinhos de sardinha e volte a cobrir com mais massa (em alternativa, distribua logo a totalidade da massa por todas as formas e espalhe os pedacinhos de sardinha por cima dos queques, empurrando um pouco alguns pedacinhos).
Leve ao forno cerca de 25 minutos.




Teresa Rebelo

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