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Lume Brando

22
Abr15

Say frittata!


















Há palavras de que gosto muito e outras de que não gosto nada.
Há palavras cómicas, há palavras leves, há outras pesadas e cinzentas, que ainda que os seus significados sejam inofensivos provocam-me calafrios.

Quando era pequena costumava associar cores às palavras, aos números e às letras. Por exemplo, o A para mim é branco, o E é amarelo, o I é vermelho, o O é castanho e o U é preto. Há por aí alguém com esta mania? Ou sou só eu que sou maluquinha ;)?

Isto para dizer que adoro a palavra 'frittata'. E apesar de ser uma palavra italiana, apetece-me dizê-la sempre com uma entoação asiática exagerada, bem ao estilo de Mr. Chow do filme "A Ressaca". Got the picture? Aposto que já estão a treinar aí desse lado, eheheh!

Não é novidade que os ovos são aquele ingrediente que melhor nos pode salvar de apuros, quando estamos com a despensa vazia, estamos sem inspiração ou sem grande vontade de cozinhar. Com eles facilmente criamos um prato saboroso e nutritivo. Como esta frittata. Mas a receita que vos trago é só uma ideia, sintam-se livres de fazer outras combinações, mais ao vosso gosto e ao que tiverem no frigorífico. Só têm de me prometer que vão dizer "frittataaaa"!















FRITTATA DE BATATA DOCE E AGRIÃO

(Para 4 pessoas como refeição leve ou para cerca de 6 pessoas como entrada)

1 batata doce grande
6 ovos
1 cebola
2 dentes de alho
50 g de bacon partido em cubos
1 chávena almoçadeira de agriões
1 folha de louro
Sal
Pimenta preta
Azeite
50 g de queijo feta ou queijo de cabra (opcional)
Salsa picada para servir (opcional)

Lave bem a batata doce e leve a cozer com pele num tacho com água abundante temperada com sal.
Numa sertã (idealmente daquelas que podem ir ao forno, como esta da Le Creuset), leve a saltear num fio de azeite a cebola e os alhos picados, juntamente com a folha de louro. A meio do processo junte os cubos de bacon e deixe cozinhar. Entretanto ligue o forno nos 200º.
Quando a batata doce estiver cozida, retirar da água para um prato. Assim que tiver arrefecido o suficiente para lhe poder retirar a pele, faça-o e junte a batata-doce à sertã, retirando antes a folha de louro. Não faz mal se a batata estiver bastante cozida, pode ficar uma espécie de puré. Envolva bem no salteado e tempere com pimenta preta acabada de moer e mais sal, se necessário.
Entretanto bata bem os ovos e tempere-os igualmente de sal e pimenta. Espalhe na sertã os agriões, os pedacinhos de queijo e por fim verta os ovos batidos. Com um garfo, pressione com cuidado os agriões, para ficarem cobertos pelo ovo.
Leve ao forno cerca de 20 minutos ou até os ovos estarem no ponto de que gosta, eu gosto que não cozam completamente...
Polvilhe com salsa picada, se tiver, e sirva com pão e salada.




09
Abr15

Celebrar.



















Esta foi a minha primeira receita para a secção Lifestyle do jornal online Observador, publicada por altura do Dia dos Namorados. Uma colaboração que me tem dado bastante prazer e que espero que os leitores do jornal (e os fãs do blog) estejam a gostar de seguir.

E porque não há dia certo para festejar o amor ou para brindar às outras coisas boas da vida, aqui fica esta tarte de aspecto delicado mas de sabor intenso.

Claro que apesar de podermos e devermos viver todos os dias gratos e em clima de celebração, não vamos fazer esta tarte todos os dias, certo? 

[Achei que era melhor colocar aqui esta advertência, uma vez que parece que anda tudo doido com o açúcar, como se só agora se tivesse descoberto que consumido em excesso faz mal à saúde. Se a nossa dieta for equilibrada, dando clara prioridade aos legumes, às leguminosas e à fruta e evitando alimentos processados, podemos de vez em quando 'pecar' com uma fatia desta ou de outra tarte gulosa. Já agora, a propósito deste tema, gosto especialmente de uma frase de Michael Pollan, que é um dos seus princípios para uma alimentação correcta: "Não coma nada que a sua avó não reconhecesse como comida". Ora a minha avó Maria, que é a pessoa que eu conheci que melhor se soube alimentar - e viveu até aos 99 anos - nunca baniu o açúcar da sua dieta]

Se quiserem, como eu, usar saco pasteleiro para cobrir a tarte, certifiquem-se de que usam natas que ficam bem firmes depois de batidas; podem também usar natas vegetais (à venda em lojas de artigos para bolos) ou juntar Chantifix, omitindo neste caso o sumo de limão.



TARTE DE CHOCOLATE E CARAMELO

Para a massa
50 g demiolo de avelã moído
100 g defarinha de trigo sem fermento
10 g deaçúcar baunilhado
40 demanteiga ou margarina fria
5-10 ml deágua fria

Para a camada de chocolate
200 ml denatas para bater (mínimo 35% de gordura)
1 tablete dechocolate de culinária (200 g)

Para a camada de molho toffee
100 g deaçúcar amarelo ou mascavado
125 g denatas para bater (mínimo 35% de gordura)
20 g demanteiga

Para a cobertura
180 g denatas para bater (mínimo 35% de gordura) bem frias
(mesmodepois de terem estado no frigorífico, pode colocá-las uns 15 minutos nocongelador antes de batê-las para garantir um melhor resultado)
Algumasgotas de limão
230 g deleite condensado cozido


Pré-aqueça oforno nos 180º e comece por preparar a massa: junte todos os ingredientes numataça, à exceção da água. Misture-os com as pontas dos dedos, formando uma basehomogénea e junte, aos poucos, a água, amassando e vendo sempre se necessita demais antes de acrescentar. Deve ficar uma massa macia. Passe as mãos porfarinha, se for necessário, e forme uma bola. Divida esta em pedaços eespalhe-os pela forma de tarte que vai utilizar e, com a ajuda dos polegares,forre a forma, pressionando, esticando a massa e unindo os pedaços (é maisfácil do que parece; se usar o rolo, a massa vai partir-se). Coloque por cimapapel vegetal, encha de feijão, arroz ou pesos próprios e leve ao forno cercade 15 minutos, retire o papel vegetal e os pesos e volte a levar ao forno cercade 10 minutos ou até achar que a massa está bem cozida e dourada. Retire doforno e dexe arrefecer completamente.

Entretanto,parta o chocolate em pedaços para uma taça de vidro, cerâmica ou metal e reserve.Leve as natas ao lume médio e, quando fervilharem, coe-as diretamente para ataça do chocolate. Espere uns 5 minutos e mexa bem com um batedor de varas, atéobter um creme liso, espesso e brilhante. Deixe arrefecer um pouco e vertasobre a massa da tarte já fria.

Noutrotachinho leve ao lume todos os ingredientes para o molho toffee. Mexa, até amanteiga estar bem derretida e deixe ferver durante alguns minutos paraengrossar um pouco (o açúcar mascavado carameliza mais rapidamente, deixefervilhar apenas 5 minutos; se usar açúcar amarelo vai precisar de mais algunsminutos).
Deixe ficarmorno e verta por cima da camada de chocolate. Leve ao frio.

Para acobertura, bata as natas em chantilly firme (sem adicionar açúcar). A meio doprocesso junte umas pinguinhas de limão, vai ver que ajuda a ficarem maisespessas (também pode usar natas vegetais, das que se compram em lojas deartigos para bolos e pastelaria e que ficam bastante firmes).
Noutra taça,coloque o leite condensado cozido e mexa bem com um batedor de varas,desfazendo eventuais grumos e deixando-o bem cremoso. Com uma espátula,incorpore delicadamente as natas no leite condensado. Passe este creme para umsaco munido de bico pasteleiro e cubra a tarte.
Leve ao frio antes de servir.



Para ver a publicação original, é só clicar aqui.


02
Abr15

Um prato de Inverno nos primeiros dias de Primavera.



















Apesar de nos últimos dias a Primavera ter resolvido aparecer, a verdade é que ainda a semana passada andávamos a tiritar (eu, pelo menos, porque sou muito, mas mesmo muito friorenta), e o que apetecia eram pratos quentes e reconfortantes, como este 'cevadotto' de beterraba e laranja.

A primeira vez que comi 'cevadotto' foi na Casa de Pasto Palmeira. Era de gambas e era delicioso. Foi também a primeira vez que ouvi falar da 'cevadinha': o grão de cevada com que é feito o 'cevadotto', prato que vai buscar o nome ao facto de ser cozinhado à semelhança do risotto. Até aí, só associava a cevada às bebidas de pequeno-almoço e à cerveja.Vim a saber depois, que no tempo dos meus avós a cevadinha era muitas vezes adicionada à sopa.

Assim que encontrei 'cevadinha' - procurem-na em mercearias e lojas de sementes ou na secção de produtos saudáveis/alternativos dos hipermercados - experimentei fazer com camarão e fez sucesso cá em casa.
Já mais recentemente, fui almoçar ao LSD (cujo chef, na altura, ainda era o mesmo da Casa de Pasto Palmeira), e provei um 'cevadotto' de beterraba fenomenal.

Esta é a minha versão, inspirada também num risotto de beterraba que vi fazerem no MasterChef Austrália.
Beterraba, laranja e queijo de cabra... só pode ficar bom, certo?

Se por estes dias não vos apetecer este tipo de prato, ou já não encontrarem beterrabas, guardem a receita para dias mais frios: vão ver que vai valer a pena a espera ;)
















CEVADOTTO DE BETERRABA COM LARANJA E QUEIJO DE CABRA

Para 2

160 g de cevadinha*
1 beterraba
1 cenoura
1 molho de salsa
2 cebolas
4 dentes de alho
1 molho de salsa
1 folha de louro
1 talo de alho-francês
1 laranja - sumo e raspa
2 colheres e sopa de vinagre balsâmico
1/2 copo de vinho branco
1 queijo de cabra tipo Palhais (cerca de 125 g)
Azeite qb
Sal e pimenta preta acabada de moer

Lavar muito bem a beterraba e levar a cozer, com a casca, numa panela com bastante água, juntamente com uma cebola, a cenoura descascada, a folha de louro, a salsa, o talo de alho-francês, dois dentes de alho esmagados, sal, pimenta e um fio e azeite.
Quando a beterraba estiver bem cozida, retirar do caldo e deixar arrefecer antes de retirar a pele e cortar em cubos. Retirar eventuais impurezas do caldo, coar e reservar (deve perfazer cerca de 700 ml).

Entretanto, levar ao lume num fio de azeite uma cebola e dois dentes de alho bem picados. Deixar cozinhar um pouco e juntar a cevadinha. Adicionar o vinho branco e deixar evaporar. A partir daqui, vá juntando o caldo aos poucos, mexendo sempre, cerca de 20 minutos. Raspe uma laranja e reserve a raspa. Extraia o sumo da laranja e junte-lhe duas colheres de sopa de vinagre balsâmico. Se achar esta mistura muito ácida, junte-lhe uma colher de chá de açúcar. Adicione à panela e mexa bem. Deixe evaporar um pouco, veja se o grão já está no ponto de cozedura ideal - deve ficar al dente -  e junte mais caldo se necessário. Pouco tempo antes de atingir o ponto ideal, junte a beterraba em cubos e metade do queijo de cabra. Envolva bem e prove para retificar os temperos, adicionando por fim a maior parte da raspa da laranja. No total, deverá demorar cerca de 30 minutos a ficar no ponto.
Sirva com mais queijo de cabra por cima, polvilhado com raspa de laranja e pimenta preta acabada de moer.


*Há quem demolhe a cevadinha de véspera. Eu já experimentei e não notei que cozesse mais rápido...



Teresa Rebelo

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