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Lume Brando

30
Abr14

As escolhas de Sofia.















Sabem quando temos imensas receitas marcadas, dezenas de post-its coloridos a espreitarem das lombadas, pilhas de livros e revistas de cozinha com cantos de folha mentalmente dobrados na mesinha de cabeceira e, de repente, a vida dá-nos duas horas por nossa conta na cozinha, em que somos absolutamente livres de experimentar o que quisermos, e surge um bloqueio terrível?
Que receita escolher?
Quero acreditar que isto não me acontece só a mim.
A única vantagem é que quanto mais demorado o bloqueio, mais receitas vão ficando para trás, com o tempo de preparação e confecção a servir de primeiro critério de escolha.

Estas tartes resultaram de um desses momentos feitos de altos e baixos, que nem a clareza de ideias que a Primavera me costuma trazer conseguiu evitar: desde o êxtase de ter tempo para a cozinha, a angústia na escolha das receitas, o conforto da selecção final tendo em conta os ingredientes disponíveis e, por fim, o prazer da descoberta de uma nova conjugação de sabores, de texturas ou simplesmente de uma nova técnica de cozinha.

Gosto muito da revista Saveurs. Foi uma descoberta tardia, várias vezes adiada pelo medo que tinha das palavras gaulesas. Tive poucos anos de francês na escola, tenho reduzida ligação à língua e achava que não valia a pena comprar a revista se não ia perceber o que lá estava. Mas um dia não resisti à fotografia da capa e achei que o tradutor do google e a web me poderiam ajudar. De facto, tem sido mais fácil do que eu pensava. Depois da primeira, já comprei mais edições e aconselho sobretudo os números especiais: de aniversário, só de sobremesas, das melhores receitas do ano, etc. Para mim é daquelas revistas que valem mesmo a pena, tanto, ou mais, que muitos livros.

A receita para estas tartes encontrei-a precisamente na edição especial nº 200. Ao contrário da receita original, usei massa quebrada caseira, pêras frescas e não de conserva, e terminei com uma mistura de canela e açúcar em pó. Apesar de as ter feito para sobremesa, concluí que são mais indicadas para lanche, pois são bastante leves e pouco doces. Acho que lhes falta um certo power que gosto de sentir nas sobremesas, mas acho que isso se podia resolver com uma bola de gelado...

Ah, o título do post deve-se ao facto de eu ter Sofia no nome. Já agora, para as gerações mais novas, "A escolha de Sofia" é um filme do início dos anos 80, com Meryl Streep no papel principal.


Para 8/10 tartes pequenas

Para a base:
250 g de farinha sem fermento
125 de manteiga ou margarina fria (gosto de usar Vaqueiro)
2 ovos pequenos
1 pitada de sal fino

Para o recheio e cobertura:
65 g de manteiga amolecida
65 g de amêndoa moída
65 g de açúcar amarelo + 1 colher de sopa
1 ovo
3 pêras
1 limão pequeno - sumo
Uma colher de café de rum (opcional)
2 ou 3 gotas de extracto de baunilha
Açúcar e canela em pó qb

Pré-aqueça o forno nos 180º.
Descasque e corte as pêras em fatias finas para uma taça que possa ir ao microondas. Junte uma colher de sopa de açúcar amarelo, o sumo de limão e leve ao microondas dois ou três minutos na potência máxima. Retire e mexa suavemente, envolvendo a pêra na calda que se formou, e deixe arrefecer.

Faça a massa: numa taça, coloque a farinha e o sal, e adicione os ovos e a manteiga aos cubos.
Misture com as pontas dos dedos até obter uma massa uniforme. Se achar que está um pouco mole, junte um pouco mais de farinha e molde uma bola macia. Estique a massa numa superfície polvilhada com farinha, forre as formas de tarte (guarde a massa que sobrar para uma tarte salgada, por exemplo), pique o fundo da massa, coloque um quadrado de papel vegetal por cima e cubra de feijões ou pesos próprios e leve a cozer durante cerca de 10 minutos. Retire e deixe arrefecer.

Na taça da batedeira, junte a manteiga amolecida ao açúcar e bata durante cerca de dois minutos numa velocidade média. Junte a farinha de amêndoa, o ovo, o rum e a baunilha, e envolva tudo muito bem.
Quando a tarte e as pêras já estiverem frias, coloque uma camada generosa do recheio anterior em cada tarte e por cima coloque as fatias de pêra. Leve ao forno cerca de 25 minutos ou até estarem bem douradas e a massa bem cozida e estaladiça. Antes de servir, já mornas ou frias, polvilhe com uma mistura a gosto de açúcar em pó e canela.




17
Abr14

Suspirar pela Páscoa.

































Acho que já disse algures aqui no blog que gosto muito da Páscoa.
E quando esta acontece numa altura em que a Primavera já perdeu a timidez e nos abraça com claridade e calor, ganha uma magia especial.
Esta é talvez a altura do ano em que me sinto com mais energia, com mais vontade de mudar, de fazer, de planear, de sonhar: um tempo de renovação e inspiração.

No entanto, cá em casa, Páscoa é igualmente sinónimo de miúdos de férias, o que quer dizer menos tempo para a cozinha e para o blog. Mas entre os trabalhos de casa, as atividades lúdicas feitas com eles e a pensar neles, e as festas de família (para além dos aniversários, que são vários nesta época do ano, no fim-de-semana passado os meus pais completaram 50 anos de casados), consegui experimentar os 'meringue kisses' das divertidas Meringue Girls.
Conheci este projecto na Amazon, quando, há uns tempos, andava a ver as novidades em termos de livros de cozinha. Apaixonei-me de imediato pelas cores vibrantes destes merengues e não resisti a encomendar o livro.
Elegantes e com ar festivo, estes suspiros prometem tornar qualquer mesa de Páscoa ainda mais bonita.
Apesar de ser daquelas receitas que deixam a cozinha em estado de sítio, sobretudo se quiser fazer três versões com apenas uma dose de merengue, como foi o meu caso, ficam tão bonitos que o trabalho pegajoso compensa (o facto de eu ter usado sacos de pasteleiro pequenos ajudou à barafunda).

Confesso que é sobretudo com os olhos que os como: são um doce demasiado doce para ser consumido sem algo a contrastar (o livro tem imensas receitas em que estes mini-suspiros aparecem combinados com bolos, tartes, cremes e outras sobremesas, mas desta vez a ideia era mesmo testar apenas o merengue).
Apesar dos meus não terem ficado tão perfeitinhos como os da Alex e da Stacey, gostei muito do resultado e fiquei com imensa vontade de testar novas cores e combinações de sabores.

A todos, uma doce e colorida Páscoa!














MERINGUE KISSES OU SUSPIROS COLORIDOS
(Receita base das Meringue Girls)

Para cerca de 35

150 g de claras
300 g de açúcar fino

Castanhos:
2 colheres de cacau em pó

Amarelos:
Corante alimentar amarelo
Sprinkles (Vahiné)

Verdes:
3 colheres de sopa de pistácios picados
4 gotinhas de água de rosas
Corante alimentar verde

Pré-aquecer o forno nos 200º.
Forrar um tabuleiro de forno com papel vegetal, colocar aí o açúcar fino numa camada uniforme e levar ao forno cerca de 5 minutos ou até as bordas começarem a caramelizar (aquecer o açúcar faz com que este se dissolva mais facilmente nas claras de ovo; confesso que o meu primeiro merengue não ficou bem, ficou a notar-se o açúcar, talvez porque o forno ainda não tinha aquecido o suficiente; da segunda vez retirei o açúcar só quando no rebordo já estava mesmo a derreter e correu bem).
Entretanto começar a bater as claras numa batedeira com apoio. Inicialmente numa velocidade lenta até ficar com bolhinhas uniformes por toda a superfície e depois numa velocidade mais alta, até ficar preso o suficiente para não sair da taça quando esta é virada para baixo. O açúcar já deve estar no ponto nesta altura. Reduza a temperatura do forno para os 100º, retire o açúcar (deixe a porta do forno ligeiramente entreaberta, para que arrefeça mais rapidamente) e vá juntando-o às claras, uma colher grande de cada vez, mantendo a batedeira em funcionamento entre cada adição. Depois de todo o açúcar incorporado, bater mais cerca de 7 minutos em velocidade máxima, até se obter um merengue macio, brilhante e de picos extra-firmes.
Entretanto forre tabuleiros de forno com papel vegetal.
Para fazer as diferentes versões, divida o merengue por diferentes taças.
Em 1/3 junte uma colher de sopa de cacau em pó e mexa bem. Encha um saco pasteleiro descartável com esta mistura, corte a ponta (o orifício deve ficar com cerca de 2,5 cm de diâmetro) e faça os suspiros num dos tabuleiros já preparados (pode colar as pontas do papel ao tabuleiro com um pouco de merengue, para o papel não "fugir"). Polvilhe o resto do cacau pelos merengues.
Em 1/3, junte 2 colheres de sopa de pistácios picados e as gotinhas de água de rosas e envolva bem.
Vire um saco pasteleiro ao contrário e com um pincel e o corante alimentar verde, faça algumas linhas verticais desde a ponta do saco até quase ao final (as Meringue Girls enchem o saco quando este ainda está virado do avesso e só depois o colocam direito, mas eu não consegui, talvez porque o meu saco era dos pequenos: primeiro virei-o novamente e só depois o enchi com o merengue). Proceda como anteriormente, cortando a ponta do saco e fazendo pequenos montinhos de merengue num tabuleiro.
O merengue deve estar bem compacto no saco, sem bolhas de ar, para que os suspiros saiam perfeitinhos.
Polvilhe com os restantes pistácios picados.
Por fim, vire outro saco pasteleiro do avesso e pinte riscas amarelas verticais, ligeiramente afastadas umas das outras. Volte a colocar o saco do direito e encha com o merengue que tiver sobrado. Faça os suspiros e polvilhe com as bolinhas de açúcar coloridas.

Leve os tabuleiros ao forno durante cerca de 40 minutos ou até conseguir que os suspiros se descolem facilmente do papel vegetal (como usei dois níveis de forno, usei a função 'ventoinha').
Deixe arrefecer nos tabuleiros e guarde-os depois de frios em recipientes herméticos.

Ah! Os meus favoritos, em termos de sabor, são os de chocolate.



03
Abr14

Party mood.




Há pouco mais de um mês, fui surpreendida com um simpático e irrecusável convite do projecto Simplesmente Baby: contribuir com algumas receitas para a sua rubrica apetitosa chamada "À volta da mesa".
Todos os domingos, neste site cheio de bom gosto dedicado às famílias e aos mais novos, é agora publicada uma receita ou uma sugestão ligada à cozinha. A meu lado nesta aventura de sabores estão mais quatro bloggers cujo trabalho adoro:  a Ana, do Tapas na Língua, a Sandra, do Marmita, a Inês, do Ananás e Hortelã e a Susana, do No soup for you.

Estes cake pops foram a minha primeira sugestão e são uma perdição.
Parece complicado, mas garanto-vos que podem e devem mesmo tentar fazer isto em casa.
Depois de algumas experiências boas e menos boas (do género de ter cake pops a rachar ou a escorregar pelo palito), acho que cheguei à receita perfeita. Estes estão revestidos de cor-de-rosa, mas podem escolher de entre muitas outras cores disponíveis nas lojas de artigos para bolos ou usar até um chocolate de culinária que derreta bem. Deliciosos vão ficar com certeza.

E este domingo, volto a ser a convidada do S Baby. O que irá sair desta vez? Para não perder pitada é só fazer like aqui.














CAKE POPS DE CHOCOLATE
(para cerca de 50 unidades ou mais...)


Bolo:
2 ovos
1 chávena* de açúcar amarelo
1/2 chávena* de óleo vegetal
1/2 chávena *de água a ferver
65 g de chocolate em pó (ou 1/2 pacote)
1 chávena de farinha sem fermento
1 colher de chá de fermento em pó
*250 ml de capacidade

Ganache:
200 ml de natas
200 g de chocolate de culinária

Cobertura:
400 g de Candy Melts ou outras pastilhas coloridas de chocolate para fundir, ou  sucedâneo de chocolate para fundir (há colorido e resulta muito bem).

E ainda, 50 pauzinhos de cake pops (pode usar palitos de espetada, mas os de papel aderem melhor às bolinhas)
Sprinkles coloridos
3 bases de esferovite  (ou 3 ‘oásis’ de florista)

Pré-aqueça o forno nos 180º.
Unte bem uma forma pequena (14 ou 16 cm de diâmetro) com manteiga e polvilhe com farinha; forre o fundo com papel vegetal e volte a untar/polvilhar.
Coloque a água a ferver.
Com um batedor de varas, bata os ovos com o açúcar.
Junte o óleo, de seguida a água, e mexa bem.
Junte o chocolate, dissolva bem.
Envolva a farinha e o fermento.
Verta na forma e leve a cozer cerca de 25 minutos ou até um palito sair limpo do interior do bolo. Desenforme sobre papel vegetal e deixe arrefecer completamente.
Faça a ganache, partindo o chocolate em pedaços para um taça de vidro ou metal. Leve as natas a ferver e verta-as sobre o chocolate. Espere uns minutos e mexa com um batedor de varas até obter um creme liso e brilhante. Deixe arrefecer.
Quando o bolo e a ganache estiverem frios, desfaça o bolo para uma taça grande (reserve algum bolo para o caso da massa ficar demasiado mole) e junte aos poucos ganache amassando com as mãos (à partida não vai precisar da ganache toda). Para testar se a massa está no ponto, faça uma bolinha e espete um palito de cake pop: a bolinha não deve rachar. Derreta em banho-maria a cobertura escolhida (a água do recipiente de baixo não deve tocar no recipiente da cobertura), transfira-a para um copo alto, onde possa mergulhar os cake pops. Faça bolinhas (um pouco mais pequenas do que brigadeiros) e coloque-as sobre papel vegetal. Mergulhe a ponta de um pauzinho de chupa-chupa na cobertura e espete-o numa bolinha até cerca de metade desta. Repita a operação com as restantes bolinhas.  Fixe quais foram os primeiros cake pops que fez, para começar a cobrir esses, pois já terão o pauzinho mais firme.  Mergulhe cada cake pop no copo da coberura, retire, rode o cake pop suavemente para retirar o excesso de cobertura, salpique com os sprinkles (coloque uma taça grande por baixo, para aparar os que caem) e espete em esferovite ou ‘oásis’ de florista até secar.



Teresa Rebelo

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