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Lume Brando

15
Nov17

E o livro já fez 1 ano! [Cheesecake de abóbora e canela]

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É incrível como o tempo passa depressa. No início deste mês fez um ano que o "Estava Tudo Ótimo!" foi lançado.

 

Salvo raras exceções, não sou de saudosismos ou de celebrar datas especiais aqui no blogue - nunca festejei os aniversários do Lume Brando, por exemplo - mas fazer o livro foi um processo tão intenso, tão trabalhoso e tão gratificante, que era impossível a data passar-me ao lado.

 

Assim, e de forma a assinalar o primeiro aniversário deste meu "filho", trago uma receita que podem encontrar no livro, no capítulo dedicado ao outono: um cheesecake húmido e guloso, de abóbora e canela, que invade a cozinha com aromas e sabores aconchegantes.

 

E antes de passarmos à receita, um curto update sobre a minha cozinha nova: atrasada. Na verdade, como já disse aqui, as obras de remodelação que estou a fazer em casa abrangem bastante mais do que a cozinha. E como incluem muitos trabalhos de carpintaria, estes estão a atrasar todo o processo. Espero no início de dezembro já ter novidades...

 

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CHEESECAKE DE CANELA E ABÓBORA

 

Para a base:

200 g de granola (ver receita abaixo)

40 g de azeite extra virgem suave

1 colher de sopa rasa de açúcar mascavado

 

Para o recheio:

4 ovos

400 g de queijo-creme

250 g de queijo mascarpone

Sumo e raspa de 1 laranja

2 colheres de chá de canela em pó

100 g de açúcar mascavado

 

Para o topping:

200 g de doce de abóbora (ver receita)

 

Pré-aqueça o forno nos 180º.

Triture num robot de cozinha os ingredientes da base e forre com esta mistura o fundo de uma forma amovível, pressionando bem com os dedos.

Numa taça grande, misture todos os ingredientes do recheio, à exceção dos ovos. Adicione os ovos, um a um, e bata bem até estar tudo bem ligado.

Verta para a forma, sobre a base de granola, e leve ao forno durante cerca de 65 minutos.

Retire do forno e deixe arrefecer na forma.

Coloque a forma no prato de servir, espalhe o doce de abóbora no topo do cheesecake e só depois abra a forma e retire o aro.

 

Nota:

- Com o tempo, as formas de fundo amovível deixam de vedar bem e por vezes as massas do bolo, sobretudo as mais líquidas, escapam-se. Para evitar isso, costumo ‘embrulhar’ a forma por fora com duas camadas de papel de alumínio.

 

GRANOLA

500 g de flocos de aveia grossos

150 g de miolo de amêndoa com pele picado grosseiramente

75 g de miolo de noz picado grosseiramente

75 d de miolo de avelã com pele picado grosseiramente

75 g de pevides de abóbora

75 g de sementes de girassol

60 g de azeite extra virgem suave

60 g de xarope de agave ou mel

 

Pré-aquecer o forno nos 180º.

Forrar o tabuleiro do forno com papel vegetal.

Numa taça grande, juntar todos os ingredientes secos. Misturar numa tacinha o azeite e o xarope de agave e juntar aos secos, envolvendo bem.

Espalhar no tabuleiro, numa camada mais ou menos uniforme e levar ao forno. Ao fim de 10 minutos, retire do forno e revolva a granola. Volte a colocar no forno e repita esta procedimento mais duas vezes. Ao fim de 30 minutos a granola deverá estar pronta: bem dourada por todo e a postos para ficar ainda ainda mais crocante depois de arrefecer. Guarde em frascos limpos e herméticos.

 

Nota: a base de cheescake é só uma das muitas utilizações que pode dar à granola. A mais comum é juntá-la a fruta e iogurte para um pequeno-almoço cheio de energia, mas dá também óptimas camadas numa sobremesa de colher.

 

DOCE DE ABÓBORA

600 g de abóbora de polpa laranja descascada e limpa

375 g de açúcar

2 clementinas – sumo e raspa

2 vagens de cardamomo - só as sementes

1 pau de canela

 

Triture num almofariz as sementes de cardamomo. Coloque-as num tacho, juntamente com os restantes ingredientes, tudo bem envolvido.

Cozinhe em lume médio até a abóbora estar desfeita e o doce fazer ponto de estrada, mexendo de vez em quando. Retire o pau de canela e guarde o doce em frascos limpos e herméticos. Guarde no frigorífico depois de arrefecido.

 

Nota: por vezes, só nos apercebemos de que o doce passou do ponto, estando demasiado espesso e cristalizado, quando já está no frasco, mas não desanime: coloque de novo o doce na panela e junte água a ferver aos poucos, até ficar com a consistência desejada. Deixe ferver um minuto, desligue e guarde de novo.

06
Nov17

Adoramos a Nossa Gastronomia: o Grande Final [e uma receita de Francesinha]

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A iniciativa “Adoramos a nossa gastronomia com Coca-Cola”, de que já falei aqui no blogue (no final do post encontram os links para os três posts anteriores, com três receitas de cozinha tradicional portuguesa), está quase a chegar ao seu delicioso final.

 

Esta homenagem da Coca-Cola aos melhores sabores de cada região portuguesa culminará num grande evento gastronómico a decorrer no Porto, nos dias 17, 18 e 19 de novembro, nos Jardins do Palácio de Cristal.

 

Como se lembram, a iniciativa dividiu o país em 12 grandes regiões, com o objetivo de identificar, em cada uma delas, qual o prato mais representativo. Para isso, mobilizaram-se vários restaurantes onde eram servidos os pratos a concurso - três por região -  sendo que os clientes dos restaurantes aderentes eram convidados a votar tanto no prato como no restaurante favorito, com vários prémios para os participantes pelo meio.

 

Agora, de 17 a 19 de novembro na Cidade Invicta, vamos poder provar os pratos vencedores de cada região, confecionados pelos restaurantes mais votados. Será uma grande festa gastronómica, com muita música ao vivo e vários showcookings liderados pelo Chef António Vieira, o Chef Embaixador da iniciativa.

 

A entrada tem o valor de €2,5, com oferta de um copo contour, 1 livro de receitas e 1 bebida. Uma vez no recinto, poderá adquirir os pratos que quiser provar nas respetivas bancas.

 

Mas afinal, que pratos da Cozinha Regional Portuguesa vamos poder saborear e que restaurantes estarão presentes? Veja aqui a lista, quase, quase a ficar completa:

 

- Algarve - Cataplana - Restaurante Mar e Serra

- Grande Lisboa -  Bife à Portuguesa - Restaurante O Bitoque
- Sul Tejo Litoral - Choco Frito - Restaurante Tipica o Pescador II
- Açores -Bife à regional - Restaurante Galego
- Madeira - Espetada madeirense - Restaurante Vila da Carne 
- Norte Litoral - Leitão Assado - Restaurante Capri
- Centro Litoral - Bacalhau assado com batatas a murro - Restaurante o Vieira

- Norte interior - Polvo Assado - Restaurante Forno da Rua 

- Sul Tejo Interior - Ensopado de Borrego - Restaurante Raposo 

- Baixo Minho – a revelar em breve!

- Alto Minho – a revelar em breve!

- Grande Porto – a revelar em breve!

 

O Grande Porto - a minha região - foi a última a entrar em concurso e estou curiosa para saber qual o prato vencedor, entre as Tripas, a Francesinha e o Bacalhau à Gomes de Sá. No entanto, como a Francesinha é, dos três, o prato mais emblemático da cidade – sobre o qual há discussões épicas e opiniões acaloradas, desde o melhor sítio onde comê-la à receita mais original – decidi associar a este post uma receita de Francesinha. Foi a segunda vez que me aventurei a preparar este ex-libris da cozinha portuense e, ainda que não tenha ficado tão boa como a minha francesinha preferida - servida na Póvoa de Varzim, com algumas nuances relativamente à tradicional - acho que até não me saí mal de todo (já agora, se quiserem, podem deixar nos comentários qual o melhor sítio, na vossa opinião, para comer uma francesinha!).

 

Aqui fica a minha receita, cujo molho – que é, para mim, aquilo que faz realmente a diferença numa francesinha – foi inspirado num conjunto de receitas que consultei, inclusivamente a que está no site da iniciativa - www.adoramosanossagastronomia.pt e, que fui provando e ajustando até ficar ao meu gosto.

 

Bom apetite!

 

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FRANCESINHA

 

Para 4:

 

8 fatias de pão de forma grossas (de padaria)

4 salsichas frescas

4 linguiças

4 fatias de fiambre

4 bifinhos de vaca finos e tenros

16 fatias de queijo flamengo

2 cebolas médias

Azeite qb

1 folha de louro

1 cubo de caldo de carne

1 frasco de polpa de tomate

1 colher de sopa bem cheia de maizena

1 cerveja mini

30 ml de brandy

30 ml de vinho do Porto

1 caneca de água

1 caneca de leite – p/adicionar aos poucos

Sal qb

Picante (usei piri-piri) qb

Açúcar qb (opcional)

 

Comece por fazer o molho: pique as cebolas e leve a alourar num fundo de azeite com a folha de louro. Junte o caldo de carne e a polpa de tomate e mexa bem. Adicione a cerveja, o brandy, o vinho do Porto e a água e deixe ferver. Desfaça a maizena num pouco de leite e adicione ao molho mexendo sempre. Tempere com sal e o picante. Se achar necessário, vá juntando mais leite e retificando os temperos. Se achar que está ácido, devido ao tomate, junte uma pitada de açúcar. Deixe cozinhar lentamente para o álcool se evaporar. Retire o louro, triture com a varinha mágica e mantenha bem quente.

Entretanto grelhe as linguiças partidas ao meio no sentido do comprimento, as salsichas frescas (comecei por grelhá-las inteiras e depois cortei-as ao meio no sentido do comprimento e grelhei o interior) e os bifes. Mantenha tudo quente.

Aqueça ligeiramente as fatias de pão, para as secar e deixar mais firmes (no forno por exemplo).

Para montar, coloque uma fatia de pão num prato fundo, cubra com uma fatia de fiambre, um bife, duas metades de linguiça e duas metades de salsicha fresca. Cubra com outra fatia de pão, pressione ligeiramente, e forre a sanduíche com 4 fatias de queijo. Cubra com molho a ferver e repita com os restantes ingredientes. Diz a tradição que o queijo deve derreter com a alta temperatura do molho, não sendo necessário forno, no entanto, para que as primeiras francesinhas a serem montadas não arrefeçam, mantenha-as no forno até estarem todas prontas.

 

Mais informação e receitas sobre esta iniciativa:

31
Out17

Doçura ou travessura? [Abóbora assada com queijo de cabra]

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Oh, o admirável mundo novo das abóboras!

 

Em casa dos meus pais, quando era pequena, a abóbora servia apenas para duas coisas: fazer sopa ou fazer doce. O único tipo de abóbora que eu conhecia era aquele que tínhamos no quintal, de grande porte e interior amarelo claro, que agora sei chamar-se ‘porqueira’. Só quando comecei a interessar-me mais pela cozinha e criei o blogue é que descobri que havia mais variedades e muitas outras utilizações culinárias, como purés, assados, gratinados e até bolos.

 

As abóboras conservam-se durante muito tempo após serem apanhadas e ainda que comecem a aparecer no verão, é no outono que elas mais brilham, não fosse esta a estação do Halloween. Mas não é de bruxas ou de morcegos que esta receita fala, ainda que hoje seja 31 de outubro. Aliás, de assustadora não tem nada: são poucos os ingredientes que pede e é muito, muito fácil de fazer.

 

Pensando bem, talvez a abóbora assim preparada tenha, afinal, um poder mágico: o da comida de conforto que delicia e apetece partilhar.

 

Feliz Halloween!

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ABÓBORA ASSADA COM QUEIJO DE CABRA

Para 4 pessoas, como entrada ou refeição leve

 

1 abóbora manteiga
120 g de queijo de cabra
1 colher de sobremesa de azeite
Sal qb
Pimenta preta qb
Ervas da Provença qb (ou outras ervas aromáticas a seu gosto)
Pevides de abóbora e nozes qb para polvilhar
Rúcula para servir

 

Pré-aqueça o forno nos 180º.
Lave a abóbora e corte-a ao meio ao comprimento.
Retire os filamentos das cavidades, descarte-os, mas reserve as pevides.

Numa taça, coloque o azeite, as especiarias, uma pitada de sal (não se esqueça que o queijo de cabra já tem sal) e pimenta.

Mexa bem e barre as metades de abóbora com esta mistura. Coloque-as numa assadeira, viradas para cima e leve-as ao forno entre 45 minutos a 1 hora.

Entretanto, limpe as pevides, seque-as e leve-as ao forno sobre papel vegetal, durante cerca de 10 minutos (algumas vão estourar tipo pipocas, não se assuste!). Retire e deixe arrefecer.

Quando a abóbora estiver praticamente pronta (uma faca, quando espetada, deve entrar sem qualquer resistência na polpa da abóbora), retire do forno e espalhe o queijo pelas duas metades (se nas cavidades se tiver concentrado muito líquido, escorra-o com cuidado antes de colocar o queijo). Leve de novo ao forno a gratinar por uns 10 minutos.

Retire, tempere com mais um pouco de pimenta preta acabada de moer e espalhe as pevides e os pedacinhos de miolo de noz.

Sirva bem quente com uma salada de rúcula (no final, experimente comer a casca: é deliciosa!)

 

[Texto e receita publicados no jornal Observador em outubro de 2015] 

 

 

 

 

19
Out17

Se a vida te der limões [Bolo chiffon de limão + Lemon curd]

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Já contei aqui, e quem me segue nas redes sociais já se apercebeu, que estou a fazer obras em casa. Tenho falado mais na cozinha - afinal essa é a divisão mais importante da casa, certo? - mas na verdade, estamos a remodelar toda a área social do apartamento. E já sabem como são as obras, ou pelo menos 99% delas: demoram sempre mais do que o planeado. Não que fosse suposto estarem prontas neste momento, mas começo a convencer-me de que se no Natal tiver a casa como deve ser, já vai ser maravilhoso. 

 

Isto para dizer que continuo sem a "minha" cozinha. E tenho quase toda a loiça e acessórios encaixotados. Fica por isso mais difícil conseguir partilhar receitas novas. No entanto, era obrigatório mostrar-vos este bolo e dar-vos a receita, depois do sucesso que fez na minha ida ao programa A Praça, da RTP, esta semana, em que levei várias sugestões onde o limão era o ingrediente em destaque.

 

O bolo "chiffon", apesar do nome afrancesado, é um estilo de bolo que nasceu nos Estados Unidos. Arrisco-me a dizer que terá sido batizado assim por ser um bolo com uma textura leve, tal como o tecido chiffon. É leve, fofo e húmido ao mesmo tempo.

 

Por cá, o bolo chiffon de chocolate é bastante popular, mas o de limão é menos falado. Comparei várias receitas, com mais ou menos diferenças entre si, e fiz alguns testes até chegar a esta versão. Uma das características deste bolo é levar óleo vegetal, que decidi substituir por azeite, e ainda água ou leite, o que também contribui para lhe dar humidade. A "fofura" é garantida pelas claras em castelo.

 

É daqueles bolos ótimos para o lanche ou para um pequeno-almoço especial e dispensa coberturas ou decorações. Claro que se tiverem em casa, como era o meu caso, lemon curd, podem sempre servir com uma colherada deste doce viciante. Eu decidi fazer um bolo pequeno, mas se optarem por um maior, podem sempre dobrar a receita, ajustando os tempos de cozedura.

 

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BOLO CHIFFON DE LIMÃO

Para uma forma pequena de buraco, com 16 cm de diâmetro na parte mais larga

 

2 ovos L à temperatura ambiente

75 g de farinha sem fermento

90 g de açúcar

50 ml de azeite extravirgem suave

50 ml de água

1 limão - sumo e raspa

1 colher de chá bem cheia de fermento

1 colher café de extrato de baunilha (opcional)

 

Pré-aquecer o forno nos 170º.

Untar muito bem uma forma pequena de buraco.

Separar as gemas das claras.

Bater as claras em castelo. Reservar.

À taça das gemas juntar o azeite, a água, o sumo e a raspa de limão e a baunilha. Misturar bem.

Juntar o açúcar e peneirar para a taça a farinha e o fermento. Envolver.

Envolver por fim as claras em castelo.

Verter para a forma e levar a cozer durante cerca de 20-25 minutos.

Ir espreitando e fazer o teste do palito para ver se está pronto.

 

No programa, fiz a minha receita de lemon curd, na sua versão "otimizada". Aqui está ela:

 

LEMON CURD

 

2 ovos L

100 ml de sumo de limão

140 g de açúcar

50 g de manteiga à temperatura ambiente

1 colher de sopa de raspa de limão

 

Num tachinho de fundo espesso, misture bem os ovos com o açúcar e o sumo de limão. Leve ao lume médio, mexendo sempre com um batedor de varas, para não ganhar grumos, até engrossar, o que deve demorar menos de 10 minutos (deve ficar um creme não demasiado espesso, uniforme e brilhante, que irá ficar mais consistente depois de arrefecido). Retire do lume e incorpore a manteiga e a raspa de limão. Espere um ou dois minutos e mexa com um batedor e varas, até a manteiga estar bem derretida e bem distribuída pelo creme. Verta para frascos limpos, deixe arrefecer, tape e guarde no frigorífico até usar. Conserva-se bem tapado no frigorífico cerca de 15 dias.

 

22
Set17

Continuamos a adorar a nossa gastronomia com Coca-Cola [e um prato vencedor]

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Já aqui vos tinha falado na iniciativa "Adoramos a nossa gastronomia com Coca-Cola", que pretende divulgar e valorizar a nossa cozinha tradicional tão rica, nomeadamente junto dos mais novos, que muitas vezes sentem o nosso património gastronómico como algo distante, perdido algures no tempo dos seus avós.

 

Este longo roteiro pelo melhor que se cozinha em cada região de Portugal, começou em junho no Algarve, e aproxima-se da região final, que será o Grande Porto, cidade que acolherá o evento final.

 

Neste post antigo do blog, protagonizado pelas Lulinhas à Algarvia, ou neste aqui, onde brilhou o Polvo à moda dos Açores, podem saber mais sobre a mecânica desta ação, que irá identificar o prato mais representativo de cada região, através do voto popular.

 

Curiosos para conhecerem os pratos vencedores até agora? Aqui vai a lista dos mais votados por região:

 

Algarve - Cataplana

Grande Lisboa -  Bife à Portuguesa

Sul Tejo Litoral - Choco Frito

Açores - Bife à regional 

Madeira - Espetada madeirense 

Norte Litoral - Leitão Assado

Centro Litoral - Bacalhau assado com batatas a murro

 

E é uma receita de bacalhau assado com batatas a murro que trago hoje. À falta de brasas, assei-o no forno. E as batatinhas a murro também têm um truque, para demorarem menos.

 

Mas antes de passarmos à receita, relembro que ainda podem votar e até ganhar prémios com a vossa participação, nos pratos das seguintes regiões: Norte Interior, Baixo Minho, Alto Minho e Grande Porto. Informem-se sobre as respetivas datas, quais os pratos a concurso, quais os restaurantes aderentes e como participar em adoramosanossagastronomia.pt

 

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BACALHAU ASSADO COM BATATINHAS A MURRO

Para 2

 

2 lombos de bacalhau demolhado

Cerca de 10 batatas pequenas para assar

1 molho de grelos ou espinafres

6 dentes de alho

2 ou 3 hastes de salsa

Sal qb

Pimenta preta qb

Azeite qb

Vinagre qb

 

Numa taça, faça uma dose generosa de molho com azeite, alguns dentes de alho picados, sal e pimenta preta acabada de moer.

Lave bem as batatas e leve-as a cozer numa panela com água a ferver temperada com sal.

Pré-aqueça o forno nos 200º.

Num pirex, coloque um fundo do molho de azeite preparado, disponha os lombos de bacalhau, regue com mais um pouco desse azeite aromatizado e leve ao forno durante cerca de 25 minutos ou até o bacalhau começar a querer lascar.

Entretanto lave e seque bem os grelos os os espinafres. Se usar espinafres salteie-os na frigideira com um fio de azeite e alho picado, temperando-os com um pouco de sal. Se usar grelos, coza-os primeiro, escorra-os bem e salteie-os da mesma forma que faria com os espinafres.

Entretanto escorra as batatas, dê-lhes um pequeno "murro", coloque-as numa assadeira e tempere-as com o molho de azeite preparado no início da receita. Junte um pouco de vinagre e salsa picada, envolva bem e leve-as ao forno até aloirarem.

Emprate todos os elementos, regue com mais um fio de azeite, se achar necessário, e sirva. 

 

Nota: quem me segue pelo facebook sabe que a minha cozinha está em obras. Tem sido uma aventura e estou em pulgas para ver o resultado final. Esta receita foi por isso confecionada e fotografada noutra cozinha (mais uma aventura!) Estejam atentos ao fb e ao Instagram do Lume Brando, onde vou dando conta de como as obras estão a correr e onde mostrarei alguns detalhes da cozinha nova ;)

 

23
Ago17

Memórias da Grécia [e uma receita de Café Frappé]

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Dentro de pouco tempo, não vou mudar de casa, mas vou mudar parte da casa (incluindo a cozinha, iupi!). Isso tem-me obrigado a encaixotar muita coisa, incluindo quilos  - serão toneladas? - de loiça. Outra coisa que tive de empacotar temporariamente foram as dezenas de revistas e mais de cem livros de cozinha que andavam espalhados por várias divisões do apartamento e que, depois da empreitada, irão para uma estante como deve ser. De vez em quando, folheava as revistas para ver se valia mesmo a pena ficar com elas.

 

E foi num desses momentos, entre caixas de cartão, plástico bolha e fita-adesiva, que dei de caras, numa revista do Jamie, com uma receita de 'café frappé' - a bebida que me remete para a viagem que fiz à Grécia nos meus tempos de universitária. O calor que tem estado pede bebidas frescas e o achado vinha mesmo a calhar. Separei a revista, não para a descartar, mas para experimentar de imediato a receita - prepara-se em dois minutos!

 

Lembro-me que pouco depois dessa viagem a Atenas, no âmbito de um congresso do Forum for European Journalism Students (FEJS) e que incluiu uma escapadela à pitoresca ilha de Hidra, a cerca de duas horas de barco da capital, tentei replicar o "café frappé" que tinha bebido numa esplanada junto ao porto de Piréus, e que me soube pela vida. Mas fiz a olho e a experiência não correu lá muito bem. Passados mais de vinte anos, penso: "Mas isto não tem nada que saber! Como pude esperar tanto tempo para voltar a fazer um café frappé?!". A verdade é que ia fazendo 'mazagran' e até tenho uma receita desta bebida no livro.

 

Mas diz o ditado que mais vale tarde do que nunca, certo? Certo, por isso aqui fica a receita para um 'café frappé' delicioso, que se prepara, tal como o café que a receita pede, de forma... instantânea! Peguei na receita da Jamie Magazine e alterei apenas as quantidades, de forma a obter uma maior quantidade de bebida, e acrescentei limão. Eu prefiro esta bebida sem leite, acho mais refrescante, mas se quiserem juntar leite, reduzam um pouco a quantidade de água e substituam por leite bem fresco - neste caso, omitam o limão.

 

Esta é uma das bebidas favoritas dos gregos (e dos turcos) no verão, ainda que hoje se sirva um pouco por todo o mundo. Terá sido inventada por um colaborador da empresa grega que representa a marca Nestlé, em 1957, durante uma feira comercial na cidade de Salónica. Dimitris Vakondios não terá encontrado água quente para o seu Nescafé e decidiu misturá-lo com água fesca e usar o shaker que havia no stand para preparar uma bebida achocolatada que a marca estava a lançar no certame: nascia assim o Caffé Frappé.

 

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CAFÉ FRAPPÉ

Para 3 copos com cerca de 300 ml de capacidade

 

750 ml de água

4 colheres de chá de café em pó instantâneo (tipo Nescafé ou Mokambo)

4 colheres de chá de açúcar amarelo (ou a gosto)

Gelo (cerca de 20 cubos)

Rodelas de limão (opcional)

 

Num frasco grande com tampa (ou num shaker), coloque o gelo, o café, o açúcar e a água. Tape e agite energicamente, durante vários segundos, até o açúcar se dissolver e se tiver formado bastante espuma (no meu caso, a espuma desapareceu rapidamente, talvez por ter usado um frasco em vez de um shaker e de não ter adicionado leite). Prove, retifique o açúcar, se necessário, e divida pelos copos, onde já colocou metade de uma rodela de limão. Adicione mais gelo, se achar necessário, e sirva de imediato.

 

09
Ago17

Saboreia a vida [Cheesecake de caramelo, chocolate e coco]

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Na minha família celebram-se sempre os aniversários. No caso dos miúdos, a festa é alargada e chegamos a ser quase quarenta cá em casa. No meu caso e no do Gonçalo, nem sempre fazemos algo tão grande, mas há pelo menos um almoço com pais, irmãos e sobrinhos.

 

Nestas alturas, e apesar de gostar muito de cozinhar, escolho sempre receitas que respeitem três critérios: serem fáceis e rápidas de confecionar, renderem bastante e serem consensuais, ou seja, que os sabores agradem ao maior número de pessoas possível.

 

Desafiada pela Nestlé para desenvolver uma receita com o seu Leite Condensado Cozido Magro, no âmbito do seu conceito #saboreiavida, aproveitei o mais recente aniversário da família para fazer um cheesecake que já andava na minha cabeça há muito tempo. A ideia era juntar chocolate ao sabor caramelizado do leite condensado e dar-lhe ainda o toque subtil do coco: três sabores que julgo combinar e agradar à maioria.

 

Quando a Nestlé me enviou o produto, não resisti e abri logo uma lata, pois nunca tinha provado o leite condensado magro. Surpreendentemente, não notei nenhuma diferença no sabor, é igualmente delicioso!

 

No entanto, a primeira versão que fiz não me convenceu: para além de queijo quark, usei iogurte natural, mas os iogurtes deixaram uma acidez na sobremesa que para mim não combinava com o caramelo do leite condensado. Experimentei então usar queijo mascarpone. E não é que ficou perfeito?

 

Uma receita que cumpriu de forma exemplar os requisitos para entrar na minha lista de sobremesas para festa ou, simplesmente, para um “dia doce”: para além de ser muito prática (é preparada com antecedência, o que me deixa livre para fazer outras coisas mais próximo do grande momento), rende muitas fatias e, last but not least, tem um ótimo sabor e uma textura maravilhosa.

 

Na próxima festa ou convívio que tiverem, experimentem servir este cheesecake de caramelo, chocolate e coco. Tenho a certeza de que também aí em casa vai ser um sucesso!

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CHEESECAKE DE CARAMELO, CHOCOLATE E COCO

 

240 g de bolacha Maria integral

130 g de manteiga derretida

2 colheres de sopa de coco ralado

1 lata de Leite Condensado Cozido da Nestlé

500 g de queijo Mascarpone

250 g de queijo Quark

5 folhas de gelatina

1 pitada de sal

40 g de chocolate negro

Leite q.b.

Raspas de chocolate negro e lascas de coco para decorar/servir

  

Comece por preparar a base de bolacha: pique grosseiramente as bolachas, junte-lhes a manteiga derretida e o coco ralado e envolva bem.

Forre com esta mistura o fundo de uma forma redonda de fundo amovível com cerca de 26 cm de diâmetro (se usar uma forma mais pequena, pode reduzir um pouco as quantidades da base de bolacha).

Coloque a gelatina a hidratar num prato fundo com água.

Com a batedeira elétrica, bata bem o leite condensado cozido. Junte os queijos e bata bem até obter uma mistura uniforme e macia.

Junte uma pitada de sal e, por fim, a gelatina entretanto escorrida e derretida. Misture bem.

Verta para a forma e alise com uma espátula.

Parta o chocolate aos pedaços e leve a derreter numa tacinha no micro-ondas com cerca de 2 colheres de sopa de leite. Mexa bem e se achar que está muito espesso junte mais um pouco de leite.

Verta o chocolate de forma livre no topo do cheesecake – use um palito para espalhar o chocolate e dar-lhe umas formas irregulares.

Tape a forma com película aderente ou papel de alumínio e leve ao frio, idealmente de um dia para o outro. Retire do frio imediatamente antes de servir.

Pode decorar o cheesecake, ou cada fatia, com raspas de chocolate e lascas de coco.

 

 

Post em parceria com a Nestlé

 

07
Ago17

Das coisas boas do verão: petiscos [tomate cereja com bacon]

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Não é que não se possa petiscar em qualquer altura do ano. Claro que pode (e deve). Mas é no verão que petiscar sabe melhor, seja fora, numa qualquer esplanada à beira-mar, seja em casa, de preferência na varanda ou no jardim. Neste caso, se os petiscos forem caseiros e derem pouco trabalho a preparar, tanto melhor.

 

É o caso destas espetadinhas de tomate cereja com bacon, uma das minhas receitas salgadas preferidas do livro, e que agora ganha um espaço aqui no blogue.

 

O único senão é o facto de ficarem melhores feitas no forno (já sabem que, para mim, praticamente todos os dias são dias de forno, independentemente da temperatura que está lá fora 😂 ), mas também podem fazê-las numa frigideira.

 

Juntem os amigos e a família, façam uma dose generosa destas espetadinhas, juntem-lhes uma boa salada, umas boas fatias de pão saloio, mais um ou outro petisco e uma taça de fruta fesca e está pronta uma deliciosa e descontraída refeição de verão.

 

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TOMATE CEREJA ASSADO COM BACON

 

Para cerca de 25-30 espetadinhas:

 

300 g de tomate cereja pequeno

15 fatias finas e compridas de bacon sem osso

Pimenta preta qb

Sal qb

Ervas aromáticas qb (orégãos, tomilho, mistura mediterrânica ou outras)

Azeite qb

 

Ligue o forno nos 200º. Lave os tomates cereja, seque-os e coloque-os numa taça. Tempere-os com um fio de azeite, pimenta preta, uma pitada de sal e as ervas aromáticas. Corte cada fatia de bacon a meio, no sentido da largura, e envolva cada tomate cereja em meia fatia de bacon. Prenda com um palito e coloque num tabuleiro anti-aderente. Leve a assar durante cerca de 12 minutos ou até o bacon estar estaladiço e o tomate tiver começado a enrugar. Pode virar as espetadinhas a meio, para ficarem uniformes. Sirva quente ou morno.

 

Notas:

- Se não quiser ligar o forno, cozinhe as espetadas numa frigideira anti-aderente, em lume não muito alto para dar tempo a que os tomates comecem a murchar sem que o bacon fique demasiado cozinhado;

- Ultimamente tenho usado o bacon de forma diferente e julgo que resulta ainda melhor: em vez de cortar as fatias à largura, corto no sentido do comprimento, obtendo duas tiras compridas e enrolo cada tira à volta de um tomate; desta forma o tomate fica mais à vista e as espetadas ficam mais bonitas;

 

 

 

01
Ago17

“Adoramos a nossa gastronomia” continua a percorrer Portugal [receita de Polvo assado dos Açores]

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Lembram-se de vos ter falado aqui no blogue da iniciativa “Adoramos a nossa gastronomia com Coca-Cola? Pois é, esta ação que pretende homenagear, pelo 3º ano consecutivo, o melhor da cozinha regional portuguesa, continua a decorrer a todo o vapor, rumo ao grande evento final que se irá realizar no Porto, em Novembro.

 

Ao longo destes meses, os portugueses de todas as regiões, incluindo as ilhas, estão convidados a provar o Top 3 dos pratos regionais da sua zona e votar no prato e no restaurante aderente favorito.

 

Em www.adoramosanossagastronomia.pt podem conhecer as 12 regiões, os pratos e os restaurantes a concurso por cada região, bem como as datas de dinamização da iniciativa. O objetivo é, no final, encontrar os 12 pratos regionais preferidos dos portugueses e celebrar a nossa cozinha maravilhosa.

 

O arranque foi dado no Algarve e os três pratos em jogo eram a Cataplana, o Arroz de Lingueirão e as Lulinhas à Algarvia – podem ver a minha versão das lulas, aqui.

E sabem qual foi o prato vencedor? Não, não foram as lulinhas, apesar de ser o meu preferido: foi a Cataplana!

 

Curiosos por saber os pratos que já venceram até agora? Eu digo-vos:

 

Algarve – Cataplana

Grande Lisboa - Bife à Portuguesa 

Sul Tejo Litoral - Choco frito

 

Por estes dias, vota-se nos três pratos finalistas dos Açores e resolvi fazer novamente uma aposta: por mim, voto no Polvo assado, cuja versão Lume Brando podem encontrar mais abaixo. O Polvo assado, juntamente com o Bife à Regional e os Chicharros, são os três representantes dos Açores, cujo vencedor será apurado no Jantar Regional ainda esta semana.

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Mas esta iniciativa, literalmente deliciosa, não se fica por aqui: vejam as regiões e as datas que se seguem:

 

Madeira – 7 de agosto a 3 de setembro

 

Norte Litoral – 14 de agosto a 10 de setembro

 

Centro Litoral – 21 de agosto a 17 de setembro    

 

Norte Interior – 28 de agosto a 24 de setembro

 

Sul Tejo Interior - 4 de setembro a 1 de outubro

 

Baixo Minho – 11 de setembro a 8 de outubro

 

Alto Minho – 18 de setembro a 5 de outubro

 

Grande Porto – 25 de setembro a 22 de outubro

 

 

Ah, e não se esqueçam de que, paralelamente, quem participar na ação através do voto, habilita-se a prémios e ofertas. Saibam tudo aqui!

 

E agora, a receita de Polvo assado dos Açores. Já sabem que eu tenho sempre de meter a minha colherada e é raro conseguir seguir uma receita de uma ponta à outra sem qualquer desvio. Desta vez, juntei a receita que encontram no site desta iniciativa, com a receita de polvo guisado dos Açores que Maria de Lourdes Modesto incluiu no livro “Cozinha Tradicional Portuguesa”.

 

Ficou excelente e acho que a partir de agora vou cozinhar sempre assim o polvo: cozê-lo no refogado, em vez de cozê-lo apenas com um fundo de água e uma cebola. Não só o polvo ganha sabor extra, como a calda que se gera, que podemos usar num arroz, fica mais rica.

 

Mais uma saborosa descoberta proporcionada pelo “Adoramos a nossa gastronomia com Coca-Cola!”. E a aventura vai continuar...

polvo-coca-cola-mix1.jpg

 

POLVO ASSADO À MODA DOS AÇORES

 

1 polvo médio (cerca de 1,5 kg), limpo e arranjado

1 cebola grande

2 dentes de alho

1 folha de louro

1 colher de café cheia de colorau

3 batatas grandes

Azeite qb

Vinho tinto qb

Sal qb

 

Leve um tacho ao lume com um fundo de azeite, junte a cebola e o alho picados, e a folha de louro, e deixe amolecer. Quando a cebola estiver translúcida, junte o polvo, tape e deixe cozer.

Vai ganhar bastante líquido. O que é que eu fiz, quando o polvo estava a ficar tenro? Retirei parte dessa calda e reservei-a. Juntei ao polvo o colorau e meio copo de vinho tinto, retifiquei de sal. Deixei que fervesse e juntei as batatas partidas aos cubos, para que ficassem guisadas neste molho.

 

Assim que as batatas ficaram cozidas, retirei o polvo e as batatas para uma assadeira com um fundo de azeite. Juntei a calda à calda anteriormente reservada. Reguei o polvo e as batatas com um fio de azeite e levei a alourar ao forno, na função grill.

 

Servi com legumes, e pão torrado, como manda a tradição açoriana.

 

 

 

 

 

 

21
Jul17

Receita adiada, mas não esquecida [Gelado de figo e vinho do Porto]

 

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Estamos em pleno verão, mas este foi o primeiro gelado que fiz este ano. Ando a tentar controlar-me nas sobremesas, que isto depois dos 40... parece que se engorda só com o ar que respiramos 😂

 

É uma receita que tinha há anos - literalmente, há anos - marcada num livro da Bimby. Não é no livro base, mas sim num livro chamado "O melhor da nossa equipa", que recebi de oferta por ter indicado uma pessoa à minha agente Bimby e essa pessoa ter comprado a máquina. 

 

Volta e meia folheava o livro - tem imensas receitas tentadoras - e lá via a página do gelado de figo com o post-it em cima. Não consigo encontrar uma explicação objetiva para ter demorado tanto tempo a experimentá-la. Talvez porque os figos secos não fossem algo que comprasse regularmente e por isso nunca tinha em casa o ingrediente chave da receita.

 

Mas desde que fiz pela primeira vez estas trufas de figo, amêndoa e chocolate - e que são a minha perdição - não posso ver figos secos sem trazer alguns comigo, seja na feira semanal onde às vezes vou, seja por exemplo no Lidl, onde comprei os que usei aqui.

 

Figos no armário, um restinho de vinho do Porto caseiro que me tinham oferecido e muita vontade de fazer um gelado, já que estamos no tempo deles: estavam reunidas as condições para experimentar a tão adiada receita.

 

Adaptei-a ligeiramente, diminuindo ao açúcar e substituindo parte do mesmo por mel. Também demolhei os figos no Vinho do Porto, em vez de juntar o vinho do Porto mais tarde. É um gelado rico e muito cremoso, devido não só às natas, mas também às gemas: não usei sorveteira e o gelado ficou com uma textura ótima, sem cristais de gelo. 

 

Dá uma sobremesa bem bonita num jantar de verão de inspiração mediterrânica. Sirva com amêndoa tostada ou nozes picadas, ainda que umas bolachinhas finas a acompanhar, tipo 'telhas', também não fiquem nada mal!

 

Bom fim de semana, de preferência com gelados pelo meio 😋

 

PS: é uma receita que rende imenso.

 

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GELADO DE FIGO E VINHO DO PORTO

Adaptado do livro Bimby "O melhor da nossa equipa" 

 

250 g de figos secos

600 g de natas p/ bater (3 embalagens) - devem estar bem frias

11 gemas

Cerca de 50 ml de vinho do Porto

140 g de mel de rosmaninho

100 g de açúcar amarelo

 

Retire os pés aos figos, coloque-os numa taça com o vinho do Porto e deixe macerar durante cerca de 30 minutos (os meus figos eram bastante húmidos, como costumamos encontrar as ameixas secas, estão a ver? Pelo que não senti necessidade de estarem todos cobertos pelo vinho do Porto, ia mexendo de vez em quando; se usarem dos figos mais secos, enfarinhados, por exemplo, talvez necessitem de usar mais vinho do Porto, escorrendo-o antes de juntar à base do gelado).

No copo de um robot de cozinha com aquecimento, coloque as gemas, o mel e o açúcar. Programe na temperatura 70º durante 5 minutos a uma velocidade média-baixa. Junte os figos e triture durante um minuto na mesma velocidade. Deixe arrefecer.

Bata as natas em chantilly, sem açúcar, até ficarem bem consistentes (para ficarem bem 'presas', junte um fio de sumo de limão a meio do processo). Junte a mistura de figo e gemas ao chantilly, envolvendo bem mas sem bater. Verta para o(s) recipiente(s) e leve ao congelador.

 

Nota: se quiser usar o robot para bater as natas, deve começar por este passo reservando-as de imediato no frigorífico.

 

Teresa Rebelo

foto do autor

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