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Lume Brando

22
Mar17

As várias teorias da mousse [Mousse de chocolate com caramelo de amendoim salgado]

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Mousse. Assim, escrito à francesa. No meu livro, cuja escrita seguiu o Acordo Ortográfico e privilegiou as palavras portuguesas, está escrito 'musse', por uma questão de coerência. Mas gosto mais de mousse.

 

Mousse de chocolate. Uma sobremesa tão simples e unânime, mas capaz de gerar enormes e acesas discussões: sobre a sua textura, sobre o tipo e marca de chocolate a utilizar, sobre se é melhor na versão básica ou quando ganha ingredientes extra em camadas.

 

Mousse dura, que fica com uma cratera bem marcada quando se serve? Ou mousse fluída que escorre pela colher? Chocolate negro ou chocolate de culinária normal? Só mousse? Ou mousse com camadas de chantilly, camadas de mousse de chocolates diferentes ou toppings crocantes de frutos secos? Mousse só com ovos ou mousse com natas?

 

Bem que podia haver um livro de mousses (se calhar já existe, mas em caso negativo, aqui fica uma ideia para quem a quiser agarrar!), tal a quantidade de variantes e interpretações a que esta sobremesa de origem francesa se presta. Confesso que sou democrática e bastante tolerante em relação aos diferentes tipos de mousse, se calhar porque não é das minhas sobremesas favoritas. Gosto e como com prazer, mas não sou fanática. Talvez por isso não fique fiel a uma só receita de mousse, gosto de experimentar e variar.

 

A receita 'oficial' de mousse de chocolate da minha família é a receita que vem há anos na embalagem do chocolate Pantagruel - 1 tablete, 6 ovos, 6 colheres de sopa de açúcar, 1 colher de sopa manteiga. E com uns ligeiros ajustes, essa é a receita que a minha cunhada R. segue e que faz muito sucesso nas nossas festas. Como a versão tradicional está mais do que testada e assegurada, de vez em quando gosto de fazer variações, como por exemplo a mousse de chocolate e azeite com chantilly de mascarpone, que incluí no livro e que o Célio, do blog Sweet Gula, tão bem reproduziu aqui.

 

Ou então esta versão que vos trago hoje, do Livro de Cozinha, de Matt Preston, o carismático jurado do Masterchef Austrália. É uma mousse que, para além das claras batidas em castelo, leva natas batidas, ficando por isso muito macia e consistente. Não leva açúcar e, sinceramente, comida sem as natas não senti falta de doçura. É verdade que temos o caramelo de amendoim no fundo, que ajuda a contrastar, ainda que o caramelo não seja doce por aí além. As natas não levam açúcar na receita original, mas aqui já confesso a minha gula: senti necessidade de adoçá-las.

 

Em todo o caso, o veredicto do provador-mor - o maior apreciador de chocolate e de mousse cá em casa - foi o de que as natas não eram minimamente necessárias, e eu sou rapariga para concordar. O caramelo, esse sim, é um acrescento maravilhoso e uma ideia genial. Do género, porque não me lembrei de fazer isto antes?!

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MOUSSE DE CHOCOLATE COM CARAMELO DE AMENDOIM SALGADO

Ligeiramente adaptado do "Livro de Cozinha" de Matt Preston

 

Para cerca de 6 taças

 

Mousse:

100 g de chocolate negro

100 g de chocolate de culinária

30 g de manteiga

250 ml de natas

3 ovos, separados

 

Caramelo de amendoim:

155 g de açúcar

125 ml de água

150 ml de natas gordas

80 g de amendoins torrados salgados

 

 

Cobertura (opcional):

200 ml de natas

2 colheres de sopa de açúcar amarelo

Raspas de chocolate

 

Comece por preparar o caramelo de amendoim. Coloque o açúcar e a água num tachinho e deixe ao lume, sem mexer, até o açúcar se dissolver e começar a ficar em ponto de caramelo claro - não deixe o caramelo escurecer, pois para além de ficar amargo, vai depois endurecer demasiado. De vez em quando, passe um pincel com água fria nas paredes do tacho, para evitar a cristalização. Retire do lume e junte com cuidado as natas - vai borbulhar bastante. Envolva bem e misture os amendoins. Deixe arrefecer.

Derreta o chocolate com a manteiga e 50 ml de natas numa taça resistente ao calor, em banho-maria. Deixe arrefecer um pouco e junte as gemas, uma a uma. Entretanto, bata 200 ml natas até obter picos suaves e junte ao chocolate. Por fim, bata as claras em castelo firme e envolva no preparado anterior. Divida pelas taças com a ajuda de um saco de pasteleiro e leve ao frio. Pode fazer de véspera.

 

Se quiser servir com as natas, antes de servir bata-as com o açúcar até ficarem bem firmes, aplique-as no topo das taças, usando saco e bico de pasteleiro, e termine com raspas de chocolate.

14
Mar17

Um bolo de meia-estação [Bolo de chocolate branco com framboesas]

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Lembram-se do meu último post, em que falava que andava preguiçosa para cozinhar? Pois bem, parece que a coisa melhorou. Não sei se é do sol, que me deixa mais bem-disposta e com mais energia, ou se é apenas o evoluir cíclico da minha relação com a cozinha.

 

Sei que dessa vontade boa de pôr as mãos na massa, saiu este bolo de chocolate branco com framboesas.

 

Há uns tempos, comprei esta forma de A Metalúrgica Bakeware (não a comprei diretamente na fábrica, mas numa IPSS a quem a marca doou formas como forma de angariarem donativos, por isso não sei se ainda existe à venda, eu acho-a linda!), e andava ansiosa por experimentá-la.

 

Gosto muito de bolos com fruta e como queria que o bolo piscasse o olho à primavera, que está quase a chegar, resolvi usar framboesas, que por acaso é a fruta favorita do pirata mais novo, prestes a fazer anos. No final, a minha intenção ficou um pouco pelo caminho: o bolo acabou por me parecer um pouco invernoso, devido ao açúcar em pó. Mas, lembre mais o inverno ou a primavera, uma coisa é certa: ficou delicioso!

 

A receita da massa está no meu livro - Estava Tudo Ótimo! / Yang - Bolo de Chocolate Branco na pág. 162 - só aumentei ligeiramente às quantidades e alterei a temperatura e o tempo de forno, pois esta forma é mais alta. Em vez da cobertura de chocolate, esta versão leva uma primeira camada de compota de framboesas na massa, e framboesas frescas na decoração. É um bolo macio, fofo e húmido ao mesmo tempo, uma receita ótima para gastar claras que andem esquecidas no frigorífico.

 

Confesso que estava cheia de medo que o bolo não desenformasse ou que a camada da fruta ficasse agarrada à forma, mas não: saiu direitinho. Acho que o truque foi untar generosamente - e quando digo generosamente, é mesmo ser mãos largas com a manteiga. Costumo usar spray desmoldante, por ser mais rápido e prático, mas neste caso achei que seria mais eficaz criar uma boa barreira de manteiga e farinha.

 

Se, como eu, gostarem de bolos com fruta, espreitem também estas receitas:

 

Bolo invertido de kiwi

Bolo invertido de ameixa

Bolo de banana e coco

Bolo crumble de ruibarbo e frutos vermelhos

 

 

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BOLO DE CHOCOLATE BRANCO COM FRAMBOESAS

 

125 g de framboesas

1 colher de sobremesa de açúcar mascavado

1 colher de sopa de água

240 g de claras (cerca de 8)

80 g de azeite extravirgem suave

85 g de açúcar

125 g de farinha sem fermento

1 colher de sobremesa de fermento em pó

75 g de chocolate branco picado

Framboesas e açúcar em pó para decorar

 

Comece por levar as framboesas num tachinho ao lume, com uma colher de sobremesa de açúcar mascavado e e um pouco de água, cerca de 1 colher de sopa. Vá mexendo e retire do lume quando o açúcar tiver derretido e as framboesas tiverem amolecido e começado a largar sumo. Deixe arrefecer.

Pré-aqueça o forno nos 170º. Unte muito bem com manteiga e polvilhe com farinha uma forma tipo pudim pequena - a que usei neste post não tem buraco e mede 12 cm de altura e 16 cm de diâmetro na parte mais larga.

Peneire a farinha e o fermento para uma taça e reserve. Bata as claras em castelo e reserve.

Noutra taça, bata o açúcar com o azeite. Aos poucos e de forma intercalada, vá adicionando a farinha e o fermento peneirados e as claras em castelo. Por fim, envolva o chocolate branco.

Coloque no fundo da forma a compota de framboesa preparada anteriormente, mas descartando o excesso de líquido (pode guardá-lo para servir com o bolo, por exemplo - a ideia é que não escorra sumo quando desenformar o bolo).

Verta a massa para a forma e leve a cozer durante cerca de 55 minutos. Faça o teste do palito e retire o bolo do forno se aquele sair limpo. Antes de desenformar, abane a forma e veja se o bolo está descolado. Se não estiver, passe uma faca de manteiga, ou um pau de gelado, entre o bolo e a lateral da forma. Abane um pouco para verificar se já está solto e desenforme.

Deixe arrefecer. Espalhe algumas framboesas no topo e polvilhe com açúcar em pó antes de servir.

 

 

08
Mar17

Contra a preguiça, cozinhar, cozinhar [Cuscuz de milho com bacon, cenoura e ervilhas]

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Gosto muito de cozinhar. Uma afirmação um tanto palerma, tendo em conta que tenho um blogue de cozinha e até já escrevi um livro de receitas. No entanto, achei que esta ressalva era importante para me defender do que vou confessar a seguir:  há dias em que não me apetece nada cozinhar. Ou porque não estou inspirada, ou porque precisava do tempo passado na cozinha para fazer outras coisas, ou simplesmente porque não. Será que sou a única que tanto consegue ter uma paixão desmesurada pelas receitas e por lhes dar forma, como ter dias em que o que o que queria mesmo era ter um marido com jeito e disponibilidade para a cozinha?

 

Como, pelo menos por agora, não imagino esse desejo cíclico a concretizar-se, resta-me contrariar a preguiça e tentar pôr comida na mesa. Para todos, ao jantar. Para mim, ao almoço, sempre que não tenho sobras da véspera - o que, para mal dos meus pecados, acontece cada vez mais, devido ao apetite faraónico dos meus pré-adolescentes (dizem que vai piorar, socorro!).

 

Esta salada de cuscuz, feita de improviso com o que havia no frigorifico, foi um dos meus mais recentes almoços e achei-a tão fotogénica que decidi fotografá-la e partilhá-la.

 

Sou fã de cuscuz -  hidratos mais rápidos de preparar, só se for pão... comprado - e é o acompanhamento de vários pratos cá em casa, sobretudo de receitas com molho, como peixe estufado ou bolonhesa. Mas só recentemente é que descobri o cuscuz de milho. O sabor é discreto - os rapazes, que também já o provaram, dizem que não sentiram diferença - no entanto, em termos de textura, achei que não fica tão firme como o cuscuz de trigo. Isto porque eu nunca salteio o cuscuz depois de cozido, no entanto, no caso do cuscuz de milho, passá-lo por uma frigideira quente com um fio de azeite, depois de cozido, talvez seja uma boa ideia.

 

Outra diferença: no caso do cuscuz de milho, relativamente à quantidade de água, usa-se o dobro do peso dos grãos e é ainda mais rápido a cozer do que o de trigo! Uma vantagem para quando a vontade de ir para a cozinha é pouca ;)

 

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CUSCUZ DE MILHO COM BACON, CENOURA E ERVILHAS

Para 1 taça generosa

 

1/2 cebola roxa picada grosseiramente

2 dentes de alho

1/2 cenoura

1/2 talo de alho francês

1/2 chávena de ervilhas congeladas

2 fatias finas de bacon

80 g de cuscuz de milho (usei biológico, da Seara)

160 g de água a ferver

Azeite q.b.

Vinagre de sidra q.b.

Sal q.b.

Pimenta preta q.b.

Sumo de limão q.b. (opcional)

Amêndoa laminada q.b.

 

Num fundo de azeite salteie a cebola e um dos alhos, ambos picados. Junte o alho francês às rodelas, a cenoura em cubinhos e o bacon picado grosseiramente. Deixe amolecer tudo e refresque com um pouco de vinagre. Tempere com sal e pimenta preta e deixe cozinhar. Se vir que está a ficar seco, pode ir refrescando com água. Retifique os temperos. Não cozinhe demasiado, é bom que os legumes mantenham uma certa crocância.

Toste as amêndoas numa frigideira anti-aderente. Reserve.

Entretanto, coloque a água a ferver com um fio de azeite, sal e o outro dente de alho, esmagado. Desligue e junte o cuscuz e as ervilhas. Mexa, tape, e deixe repousar por uns 5 minutos. Após este tempo, solte os grãos com um garfo e descarte o dente de alho. Junte ao cuscuz os legumes salteados com o bacon, junte um fio de sumo de limão (opcional), envolva bem, e sirva polvilhado com as amêndoas tostadas.

 

 

 

 

28
Fev17

Uma receita rara [Bolo de festa adequado a crianças com PKU]

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Hoje assinala-se o Dia das Doenças Raras. Na verdade, a data oficial é o dia 29 de fevereiro, precisamente por ser um dia 'raro', mas como 2017 é um ano comum, antecipa-se para o dia 28.

 

São imensas as patologias que cabem na definição lata de "doenças raras" e que colocam enormes desafios às crianças e aos adultos portadores dessas doenças, bem como às suas famílias e cuidadores. Uma dessas condições dá pelo nome abreviado de PKU ou, em bom português, fenilcetonúria.

 

No Estava Tudo Ótimo! quis incluir uma receita adequada a crianças com fenilcetonúria. Tinha contactado recentemente com a doença - que limita imenso a alimentação de quem é portador - e ficado extremamente sensibilizada com o esforço feito pelas famílias, sobretudo pelas mães destas crianças, no sentido de proporcionarem uma alimentação completa, variada e saborosa aos seus filhos, sem colocar em causa a sua saúde. 

 

Tal como explico no livro, a PKU - do inglês PhenylKetonUria - é uma doença genética grave, causada pela não produção ou funcionamento insuficiente da enzima capaz de metabolizar a fenilalanina - o aminoácido presente nas proteínas. Isto significa que as pessoas com PKU não podem ingerir proteínas de nenhum tipo ou apenas o podem fazer em quantidades mínimas e controladas. Se a sua alimentação não for clínica e rigorosamente supervisionada, podem surgir danos cerebrais graves e irrecuperáveis.

 

Leite e derivados, pão, carne, peixe, ovos, leguminosas, soja: todos estes alimentos, entre muitos outros, têm de estar ausentes ou praticamente ausentes da dieta das crianças com PKU. Como devem imaginar, o desafio para os pais e para as famílias de crianças com PKU é tremendo. Esta é uma doença rastreada no famoso ‘teste do pezinho’, à nascença, o que tem permitido que estas crianças, com o apoio de médicos especializados e o já referido empenho admirável dos seus pais e familiares, tenham hoje em dia uma vida normal e sem consequências a nível intelectual.

 

Existem alguns produtos que são disponibilizados a estas famílias, nomeadamente suplementos alimentares, massa e farinhas hipoproteicas, mas há toda uma ginástica obrigatória de quantidades de ingredientes e pesagem de produtos, para não falar da limitação que se coloca quando se pretende viajar ou fazer uma refeição fora.

 

Em conversa com mães de crianças com PKU dei conta de que as festas de anos dos outros miúdos podem ser também uma situação crítica, devido ao leque restritivo daquilo que as primeiras podem comer. Mas em diálogo com os pais, podemos encontrar soluções para que não se sintam excluídas. Por exemplo: pipocas (simples), batatas fritas, gelatinas vegetais, gomas, chupa-chupas e rebuçados de fruta, são guloseimas que os miúdos com PKU podem comer, para além de qualquer tipo de fruta fresca.

 

No livro, optei por incluir um bolo que todos pudessem comer. Afinal, o bolo é o rei da mesa e convém que seja adequado a todos os convidados. Uma receita que me foi passada com muito carinho por duas mães de crianças com esta patologia, por quem tenho a mais profunda admiração, e à qual apenas fiz umas ligeiras adaptações, sob a sua supervisão.

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BOLO DE ANIVERSÁRIO ESPECIAL

Do livro Estava Tudo Ótimo!

 

Para o bolo de laranja e baunilha

 

175 g de açúcar

100 g de margarina ou manteiga amolecida

60 g de maionese de compra (c/ovo na sua composição)

1 colher de chá de extrato de baunilha

Raspa de 1 laranja

160 g de farinha hipoproteica

160 g de amido de milho

1 pacote de pudim ‘Boca Doce’ de baunilha

1 colher de sobremesa de fermento em pó

300 ml de leite de arroz

 

Para a cobertura e recheio de creme de manteiga achocolatado

 

420 g de açúcar em pó

160 g de manteiga ou margarina

60 ml de água a ferver

10 g de cacau em pó

10 g de Nesquick

Raspa de ½ laranja

 

Para a decoração:

Jelly beans e velas coloridas

 

Pré-aqueça o forno nos 180º

Unta bem com manteiga e polvilhe com farinha hipoproteica ou amido de milho duas formas redondas com 18 cm de diâmetro. Forre o fundo com papel vegetal e volte a untar/polvilhar.

Numa taça grande, bata o açúcar com a manteiga, a maionese, a raspa de laranja e o extrato de baunilha. Noutra taça, misture a farinha com o amido de milho, o pudim e o fermento. Alternadamente, vá juntando esta mistura e a bebida de arroz à mistura anterior, de forma a que a última adição seja de farinha. Divida pelas duas formas e leve a cozer durante cerca de 40 minutos. Vá vigiando e faça o teste do palito antes de retirar do forno: se sair seco depois de espetado no centro, está pronto.

Retire, deixe arrefecer um pouco e desenforme com cuidado sobre papel vegetal.

 

Prepare a cobertura e o recheio: dilua o cacau em pó e o Nesquick na água quente, mexendo bem. Deixe arrefecer. Bata a manteiga com a batedeira até estar bem macia e vá juntando o açúcar em pó (pode fazer isto num processador de cozinha numa velocidade média alta, sem a borboleta). Junte o molho de chocolate aos poucos e continue a bater até estar bem uniforme. Por fim, junte a raspa de laranja. Confirme a consistência: deve estar um creme macio e consistente, mas fácil de barrar. Se achar que está demasiado espesso, junte um pouco de leite de arroz e volte a bater.

Coloque um pouco de creme no centro do prato de servir e coloque por cima um dos bolos, recheie com creme e coloque em cima o outro bolo (faça de modo a que os lados mais perfeitos dos bolos fiquem na base e no topo). Espalhe o creme com uma espátula por todo o bolo, retirando o excesso com uma espátula ‘raspadora’. Com o creme que sobrar, faça um decoração simples com saco e bico pasteleiro. Termine com os jelly beans e as velas coloridas.

 

 

Notas:

 

- Pode parecer estranho o uso da maionese com ovo na massa do bolo, mas a quantidade de proteína vai ser tão reduzida por fatia de bolo, que é aceitável, sendo um elemento importante na receita. Use maionese de compra, pois nesta as quantidades dos ingredientes estão parametrizadas;

 

- A farinha hipoproteica tem um sabor característico, que para quem não conhece pode não ser o mais agradável, mas nesta receita esse risco está diminuído pela presença do amido de milho, que aqui substitui metade da farinha da receita original; os bolos com este tipo de farinhas, sem glúten, têm alguma tendência a rachar, por isso desenforme com cuidado e manuseie o bolo o menos possível.

 

 Ah! No livro, encontram mais receitas para compor uma mesa catita de lanche infantil!

 

13
Fev17

Snacks saudáveis, ou nem por isso [Bolachas de Muesli]

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Se trabalhar fora de casa é muitas vezes apontado como um motivo para refeições desequilibradas e opções pouco saudáveis, trabalhar em casa não é, necessariamente, sinónimo de perfeição no que toca a alimentação: a cozinha a dois passos de distância, pelo menos no meu caso, faz-me estar sempre a pensar em comida. Estou sempre com vontade de fazer uma pausa no computador e fazer um lanchinho. E claro, nem sempre este momento é virtuoso.

 

Uma peça de fruta, uma tosta com uma fatia de queijo, frutos secos ou fruta desidratada, podem ser opções para matar aquele 'ratinho' sem fazer grandes estragos, mas, convenhamos, nestes dias de meteorologia cinzenta, apetece um pouco mais de conforto. A tentação de ligar o forno é enorme e foi o que fiz há uns dias atrás, para experimentar esta receita de bolachas da Rachel Khoo.

 

Gostei bastante do resultado, ainda que tenha achado a quantidade de manteiga excessiva. Apesar de ter diminuído um pouco à quantidade, julgo que a receita pode ser ainda otimizada. Fiz algumas substituições: parte do açúcar foi de coco - o que lhes dá um travo maravilhoso a caramelo e parte da farinha foi de espelta integral. Aviso: ficaram muito estaladiças e viciantes! Para uma versão de bolachas de aveia menos pecaminosas podem optar pela receita que tenho no meu livro "Estava Tudo Ótimo!"* e que podem ver replicada no bonito blog da Sandra, aka Marmita.

 

Nesta receita da Rachel Khoo, o que mais gostei foi de usar os mirtilos e os alperces desidratados que tenho comprado na feira e que são deliciosos - um verdadeiro snack por si só. Adoro sentir aqueles pedacinhos doces e ácidos ao mesmo tempo, a contrastar com o crocante da massa e da amêndoa - sim, também lhes juntei amêndoa, são umas bolachas muy ricas 😋

 

E é com esta receita de conforto, que vos desejo uma ótima semana!

 

*Aproveito para fazer uma errata ao meu livro: na receita que menciono acima, de "Bolachas crocantes de aveia e chocolate", página 170, por lapso não surge nos ingredientes a referência à manteiga. São 100 g de manteiga à temperatura ambiente.

 

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 BOLACHAS DE MUESLI

Adaptado do livro Muesli & Granola de Rachel Khoo

 

Para cerca de 50 bolachas

 

100 de açúcar de coco

110 g de açúcar amarelo

200 g de manteiga

2 ovos

325 g de flocos de aveia finos

90 g de farinha de espelta integral

60 g de farinha de trigo T55 sem fermento

1 colher de chá de fermento em pó

200 g de mistura de amêndoa, mirtilos e alperces desidratados picados grosseiramente

 

Ligar o forno nos 170º.

Forrar com papel vegetal dois tabuleiros de ir ao forno.

Numa taça, juntar as farinhas, a aveia e o fermento e reservar.

Numa taça grande, misturar a manteiga com os açúcares.

Acrescentar os ovos, um de cada vez e ligar bem. Juntar os secos a esta mistura e envolver bem só até a massa estar bem ligada. Por fim juntar a amêndoa e os pedaços de fruta.

Fazer bolinhas tipo brigadeiros e colocar no tabuleiro, bem separadas umas das outras. Com as costas de uma colher da sopa humedecida, pressionar as bolinhas, achatando-as ligeiramente.

Levar ao forno cerca de 20 minutos - a ideia é ficarem crocantes por fora e suaves por dentro, eu gosto delas bem cozidas, daí o tom bem dourado. Esta receita deu-me para duas fornadas, com dois tabuleiros de cada vez.

Retire do forno, retire do tabuleiro e deixe arrefecer bem antes de guardar num frasco hermético. Mesmo bem tapadas, as bolachas vão perder crocância com o tempo, mas continuam ótimas de sabor.

 

06
Fev17

Feliz é quem faz bolos ao domingo [Bolo de ananás e cenoura]

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Um domingo de inverno caseiro pede bolo - caseiro - para o lanche. Foi o caso de ontem, em que a meteorologia, ainda que um pouco menos agreste do que no sábado, convidava ao sofá. Como quase sempre, gastei mais tempo a decidir a receita do bolo, do que a fazê-lo. Peguei em livros e revistas, revi receitas marcadas com post-its, assinalei outras receitas, fui buscar mais livros, inventariei mentalmente os ingredientes que tinha em casa e, finalmente, decidi que o bolo a fazer seria o de cenoura e ananás do Livro de Cozinha, de Matt Preston, de que já vos falei neste post.

 

Podia ter pegado numa receita de sempre ou tentado criar uma, mas sempre que tenho um pouco mais de tempo gosto de dar uso à coleção de livros e revistas  - até para ganhar argumentos de que preciso de aumentá-la!

 

De facto, há muito que não tinha um domingo tão sossegado e soube mesmo bem dedicar, sem stress, algum tempo a experimentar uma receita nova. Adaptei-a ligeiramente (achei a quantidade de gordura - óleo de coco que substituí por azeite - um pouco exagerada, por exemplo) e para a cobertura de queijo creme segui uma versão que já costumo usar, com proporções dos ingredientes ligeiramente diferentes. O resultado foi um bolo húmido, aromático e perfeito para um lanche preguiçoso de domingo, com a chuva a bater nas vidraças.

 

Boa semana!

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BOLO CLÁSSICO DE ANANÁS E CENOURA

Ligeiramente adaptado de Livro de Cozinha - Matt Preston

 

250 g de farinha de trigo T55 sem fermento

2 colheres de chá de fermento em pó

1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio

1 colher de chá rasa de canela em pó

1/2 colher de noz moscada em pó ou ralada

100 g de azeite extravirgem suave/frutado e com pouca acidez

4 ovos

190 g de açúcar mascavado

420 g de ananás em lata (pesado já depois de escorrido)

200 g de cenoura ralada

 

Para a cobertura

Receita também neste post

 

125 g de queijo creme

40 g de manteiga à temperatura ambiente

250 g de açúcar em pó

 

Para decorar - opcional

Abacaxi cristalizado em pedaços

 

Comece por preparar o bolo.

Unte/polvilhe uma forma redonda entre 22 cm e 24 cm de diâmetro, forre o fundo com papel vegetal e volte a untar/polvilhar.

Pré-aqueça o forno nos 180º

Descasque e rale as cenouras. Reserve.

Abra a lata do ananás em conserva e pese o ananás escorrido. Parta-o em pedaços e reserve.

Peneire a farinha, o fermento e o bicarbonato. Junte a canela e a noz moscada.

Numa taça grande, bata bem os ovos com o açúcar, até ficarem bem espumosos.

Junte à mistura dos ovos o ananás e a cenoura. Mexa bem.

Por fim, envolva a mistura dos secos (farinha, fermento...).

Verta para a forma e leve a cozer durante cerca de 50 minutos.

Faça o teste do palito para verificar se está cozido: se não sair massa agarrada, está pronto.

Solte o bolo das laterais da forma com uma faca de manteiga, desenforme e deixe arrefecer completamente.

 

Para fazer a cobertura, bata muito bem com a batedeira elétrica a manteiga e o queijo creme.

Depois, comece a juntar o açúcar em pó aos poucos, até obter uma consistência espessa mas macia. Barre o topo do bolo e decore com pedaços de abacaxi cristalizado.

 

 

 

27
Jan17

Um bom inverno [Creme de ervilhas e Pão ázimo]

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Chovia copiosamente quando comecei a escrever este post. O que não aconhecia há várias semanas, senão meses. Tinha pensado começar o texto deste post precisamente pela sequência recente e pouco habitual de dias soalheiros. O ano passado, por esta altura, andava a desenvolver e a fotografar receitas para o livro e não imaginam o drama que foi. Os dias sucediam-se com chuva e sem graça e quando o sol resolvia espreitar era para jogar ao gato e ao rato. Tive de adiar várias sessões fotográficas e o meu estado de espírito acompanhava muitas vezes o cinzento do céu, apesar da emoção de estar a dar forma a um projeto tão especial. Bem, com mais ou menos stress, lá consegui terminar as mesas e as receitas, e o Estava Tudo Ótimo! nasceu, feliz, no final de outubro.

 

Este inverno tem-se mostrado muito mais airoso. O frio tem sido muito (nem quero imaginar a próxima conta do gás), mas não se pode ter tudo, certo? Para mim, e olhem que sou muuuuitoo friorenta, não há baixas temperaturas que ensombrem um bonito dia de sol como os que têm estado. Ainda que não apeteça propriamente comer gelados nem saladas frias, mas sim sopas reconfortantes como a que trago hoje.

 

Recentemente, com o Natal e os meus anos logo a seguir, a minha coleção de livros de cozinha, que andava um pouco parada, recebeu reforços. As receitas deste post vêm de dois desses novos livros: o pão é uma receita que eu já tinha debaixo de olho de um episódio antigo do Masterchef Austrália e está no "Livro de Cozinha" do extravagante e carismático Matt Preston; o creme de ervilhas é de um livrinho solidário só com receitas de sopa, que a Clavel's Kitchen colocou à venda na época natalícia.

 

Ambas as receitas ficaram aprovadas, ainda que os meus piratas tenham achado o creme de ervilhas um pouco sofisticado e inovador para o seu palato, habituados que estão a sopas menos criativas - uso muitas vezes ervilhas na sopa, mas nunca em tanta quantidade, para além disso esta leva limão e queijo creme. Eu e o outro adulto cá de casa adorámos.

 

E é com estas duas sugestões aconchegantes que brindo a um bom inverno. Faça chuva ou faça sol. Ainda que prefira, decididamente, a segunda hipótese.

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CREME DE ERVILHAS E HORTELÃ

Do livro "As nossas sopas" - Clavel's Kitchen

Para cerca de 8 pessoas

 

1 cebola grande picada

1 dente de alho esmagado

1 batata grande ralada

6 colheres de sopa de azeite

1 kg de ervilhas congeladas

Água qb

Sal qb

Pimenta preta qb

6 hastes de hortelã + alguma para decorar

1 limão - raspa + sumo

200 g de queijo creme

Sementes de sésamo pretas para servir

 

Refogue no azeite a cebola, o alho e a batata.

Junte as ervilhas congeladas, cubra com água, tempere de sal e pimenta e deixe cozinhar até as ervilhas estarem bem tenras, cerca de 20 minutos.

Triture com a varinha ou o robot de cozinha.

Confira a textura e junte mais água se estiver demasiado espesso.

Junte a hortelã e triture novamente.

Numa taça misture o queijo creme com a raspa e o sumo de limão.

Junte metade desta mistura à sopa e triture novamente.

Distribua pelas taças, junte mais um pouco da mistura de queijo em cada uma e decore com as folhas de hortelã e as sementes de sésamo.

 

Nota: usei menos ervilhas - cerca de 750 g - porque era o que tinha na altura, usando também menos um pouco de azeite. De resto, só diminuí à quantidade de queijo creme e sumo de limão, por opção.

 

------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

 

MASSA INSTANTÂNEA PARA PÃO ÂZIMO, PÃO NAAN OU PIZZAS

Do "Livro de Cozinha" de Matt Preston

Para cerca de 10 discos médios

 

250 g de farinha 55 com fermento + para acrescentar/estender

250 g de iogurte natural (2 iogurtes)

1 pitada de sal (opcional - não está na receita, mas acho que a melhora)

 

Misture o iogurte com a farinha e o sal até obter uma bola húmida. Junte mais farinha até conseguir descolar os dedos. Polvilhe muito bem a superfície de trabalho com farinha e amasse até obter uma massa elástica, cerca de 5  minutos. Se sentir a massa a colar-se nas mãos, acrescente farinha. Pode fazer isto na batedeira, com o gancho de amassar. 

Coloque uma frigideira ou grelhador antiaderente ao lume, pincele com um pouco de azeite e deixe aquecer bem.

Divida a massa em cerca de 10 bolinhas iguais e estique cada uma delas com o rolo bem enfarinhado - quanto mais fininha a massa, mas estaladiço vai ficar o pão. Se sentir as bolinhas de massa ainda húmidas, quando estiver a esticá-las, junte um pouco mais farinha em cada bola e volte a polvilhar rolo e aa superfície de trabalho. Leve cada disco de massa a cozer na frigideira ou no grelhador, até ficar crocante e com manchas tostadas espalhadas pela massa.

Se tiver tempo, deixe a massa repousar um pouco, numa taça tapada com película aderente, ainda que este passo não seja essencial (eu não o segui).

 

Nota: com esta massa, ótima para comer com dips tipo hummus, pode fazer imensa coisa: bases de pizza, quesadillas, piadinas...

 

 

 

 

 

 

09
Jan17

Primeira receita do ano [Torta de merengue e avelã com doce de ovos]

torta_merengue_11.jpg

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torta_merengue_10.jpg

Sei que ainda agora saímos de uma época de excessos, de muitos doces e calorias à mesa e o que era suposto trazer era uma receita leve e saudável.

 

Mas decidi dar ouvidos à metade rebelde da minha pessoa e para inaugurar os posts de 2017 escolhi esta sobremesa pecaminosa. Eu explico melhor. O tempo para fotografar para o blogue (assim como para fazer posts e publicar nas redes sociais) não tem surgido. Até tenho experimentado receitas que encaixariam nos cânones da alimentação saudável "pós-festas", mas não tenho conseguido registá-las.

 

Este fim de semana impus a mim própria que tinha de acabar com o jejum aqui no estaminé. Acontece que ainda andavam pelo frigorífico sobras da passagem de ano, nomeadamente doce de ovos e claras. Como tinha prometido levar a sobremesa para um almoço em casa do meu irmão, decidi dar uso àqueles ingredientes e o resultado foi esta torta merengada. Antes de sairmos de casa fotografei-a, just in case, e como fez imenso sucesso no almoço, não hesitei: iria ser a primeira receita do ano.

 

E ainda que os Reis já tenham passado, esta é uma sobremesa digna de soberanos: crocante e macia ao mesmo tempo, doce e vistosa, com as avelãs a darem ao merengue um sabor e uma textura viciante.

 

Pronto. Agora sim, podemos começar a dieta ;)

torta_merengue_5.jpg

 TORTA DE MERENGUE E AVELÃ COM DOCE DE OVOS

 

Para a torta

Ligeiramente adaptado do livro Celebrate

 

4 claras de ovo - cerca de 130 g

200 g de açúcar

1 colher de chá de extrato de baunilha

1 colher de chá de vinagre de sidra

1/2 colher de chá de amido de milho

90 g de avelãs tostadas e picadas

 

Para o doce de ovos 

Esta receita, do Chef Luís Francisco, está também no meu livro

 

500 g de açúcar

250 g de água

1 pau de canela

1 pedaço de casca de limão

12 gemas

1 ovo inteiro

 

Comece por fazer o doce de ovos. Para esta sobremesa irá usar cerca de metade desta receita, que aguenta várias semanas no frigorífico.

 

Desfaça com um garfo as gemas e o ovo inteiro numa taça de vidro ou metal. Num tacho, leve ao lume a água, o açúcar, a casca de limão e o pau de canela. Sem mexer, deixe levantar fervura. Quando começar a borbulhar - bolhas grandes em toda a superfície da calda - conte três minutos. Retire do lume, descarte o limão e a canela e verta em fio sobre as gemas e o ovo previamente desfeitos, mexendo sempre. Coe para o tacho e leve ao lume até engrossar, cerca de 15 minutos, mexendo sempre com um batedor de varas para não ganhar grumos e sem deixar ferver. Coloque num frasco, deixe arrefecer e conserve no frigorífico.

 

Para fazer a torta, comece por torrar as avelãs numa frigideira antiaderente. Embrulhe-as num pano de cozinha limpo e esfregue este na bancada, de forma a retirar a pele às avelãs. Pique-as grosseiramente.

 

Ligue o forno nos 160º. Forre um tabuleiro com cerca de 34 cm x 24 cm com papel vegetal e unte-o com manteiga ou spray desmoldante.

Bata as claras com a batedeira elétrica e, quando começarem a ganhar picos, comece a juntar o açúcar, algumas colheres de cada vez. Junte o amido de milho, a baunilha e o vinagre e bata mais um pouco até obter um merengue bem firme e brilhante.

Verta o merengue para a forma, alise com uma espátula e espalhe 3/4 das avelãs por cima. Leve ao forno cerca de 25 minutos.

Retire do forno, aguarde um ou dois minutos, passe uma faca de manteiga à volta do merengue e desenforme-o sobre papel vegetal. Deixe arrefecer, mas mal esteja ao toque à temperatura ambiente, espalhe o doce de ovos e salpique por cima as restantes avelãs. Enrole o merengue com cuidado, com a ajuda do papel vegetal e passe-o para o no prato de servir com a união virada para baixo.

22
Dez16

E de repente, é Natal! [Bolo de Chocolate, Gengibre e Especiarias]

mesa_natal_pc.jpg

natal_mix2.jpg

 

Eu sei que nas ruas e nas lojas já é Natal há várias semanas, senão meses. Sei que não faltam receitas natalícias lindas nos blogues e nas revistas. Mas este ano, aqui a casa, o Natal chegou quase sem eu dar por isso.

 

Nem sei bem como tenho uma árvore a piscar na sala e foi com algum stress que consegui dinamizar o Giveaway de Natal do último post [aproveito para agradecer a todos os participantes e para dar os parabéns aos vencedores: Ana Foles, Aline Rodrigues, Joana Claro, Daniela Rodrigues e Jorge Mendonça!].

 

Tinha vários planos e várias ideias para posts e receitas mas o trabalho não deixou. Ficarão para 2017!

 

Mas não podia deixar de vir cá desejar um Bom Natal e um Feliz Ano Novo. E trouxe uma receita. Como expliquei no post anterior, por limite de páginas, houve dois capítulos que não entraram na versão final do livro. Um deles era o dedicado ao Natal. Resgatei dessa mesa a receita de Bolo de Chocolate com Gengibre e Especiarias. É um bolo algo exótico e 'quente', mas sabem do que gosto mais do bolo? Da decoração!

 

Boas Festas!

bolo_natal_mix.jpg

 

BOLO DE CHOCOLATE COM GENGIBRE E ESPECIARIAS

 

Para a massa:

 

100 g de azeite extra virgem suave

3 ovos

75 g de açúcar mascavado

150 g de tâmaras secas picadas

125 ml de água a ferver

25 g de cacau em pó

25 g de chocolate em pó

200 g de farinha

1 colher de chá de fermento em pó

1 colher de chá de canela

1 colher de chá de gengibre fresco ralado

3 bagos de cardamomo - só as sementes moídas no almofariz

1 colher de chá de noz moscada

 

Para o recheio e 1ª cobertura:

 

500 g de queijo mascarpone

½ colher de café de extrato ou essência de baunilha

150 g de açúcar em pó

3 colheres de chá de cacau em pó

 

Para a 2ª cobertura:

 

150 g de chocolate preto ou de culinária

 

Para a decoração:

 

Sombrinhas de chocolate

Bolinhas de açúcar coloridas

Corante alimentar dourado em pó

Chocolate derretido qb

 

Pré-aqueça o forno nos 180º.

Unte com manteiga e polvilhe com farinha três formas redondas de 14 cm de diâmetro. Forre os fundos das formas com papel vegetal e volte a untar/polvilhar (em alternativa usar spray desmoldante).

 

Triture as tâmaras num robot de cozinha, até obter um granulado pegajoso. Junte o azeite, o açúcar e os ovos e bata mais um pouco no processador de cozinha. Transfira para uma taça e junte a água a ferver, seguida do chocolate e do cacau. Não se preocupe se notar alguns pedaços de tâmara na massa. Envolva a farinha e o fermento e por fim adicione as especiarias. Divida pelas formas e leve a cozer durante cerca de 20 minutos. Faça o teste do palito e quando sair seco ou apenas com umas migalhas grossas agarradas, estão prontos.

Passe uma faca de manteiga à volta dos bolos e desenforme-os sobre papel vegetal. Deixe arrefecer.

 

Entretanto, prepare o recheio e a primeira cobertura: bata muito bem o mascarpone com o açúcar e a baunilha, com a batedeira elétrica. Junte o cacau e bata novamente até estar bem incorporado por todo o creme.

 

Para montar o bolo, reserve o bolo mais perfeito para o topo e coloque um dos outros no prato de servir. Espalhe uma boa camada do creme de mascarpone e cacau e coloque em cima o segundo bolo, pressionando um pouco para os dois bolos ficarem estáveis. Volte a fazer uma camada de mascarpone e cacau e termine com o terceiro bolo, com a parte mais perfeita - normalmente a do fundo da forma - virada para cima. Barre todo o bolo com o creme, retirando o excesso com uma espátula ‘raspadora’. Leve ao frigorífico enquanto decora as árvores de natal e prepara a 2ª cobertura.

 

Coloque num recipiente de banho-maria os 150 g de chocolate para a cobertura, mais dois quadradrinhos de chocolate (assim aproveita esta tarefa para derreter também o chocolate que vai servir para colar as bolinhas coloridas às árvores de chocolate).

 

Desembrulhe os guarda-chuvas de chocolate com cuidado (reze para que as pontas não se tenham partido na viagem até casa!). Com uma tesoura forte, corte a parte arredondada do cabo dos guarda-chuvas, passando estes a ser uma árvore de chocolate. Mergulhe um pincel fino no chocolate derretido e aplique um pontinho de chocolate na árvore, colando logo de seguida uma bolinha de açúcar. Espere alguns segundos e repita a operação até ter decorado toda a árvore. Espete o tronco da árvore numa base de esferovite ou num pedaço de ‘oásis’ dos arranjos florais (aquela espuma verde compacta onde se prendem os caules das flores) e deixe secar. Repita com os restantes guarda-chuvas de chocolate.

No final, mergulhe um pincel seco no corante em pó dourado e passe suavemente pelas árvores de chocolate.

 

Certifique-se de que o restante chocolate derretido continua líquido e de que está à temperatura ambiente. Retire o bolo do frigorífico e, com uma colher, espalhe o chocolate derretido por cima do bolo, fazendo-o escorrer irregularmente pelas laterais.

Deixe secar e só depois decore com as árvores de chocolate.

 

Nota:

- Se só tiver duas formas, divida a massa do bolo pelas duas e, depois de arrefecidos, corte os bolos ao meio. Pode usar uma ou mais formas com um diâmetro maior, mas para além de não ficar com um bolo tão alto, o resultado na textura pode não ser exatamente o mesmo.

 

 

 

07
Dez16

Passatempo de Natal e uma receita do livro [Bavaroise de Chocolate e Café]

giveaway_1.jpg

 

Estamos quase a chegar ao Natal e a atmosfera generosa da época faz-se sentir aqui no Lume Brando. Em parceria com a Matéria-Prima Edições e A Metalúrgica Bakeware, tenho 5 packs compostos de 1 exemplar do meu livro "Estava Tudo Ótimo!" + 2 formas de bolo para oferecer.

 

Adoro formas de bolo estilo bundt e no meu livro encontram receitas em que usei estas formas fantásticas made in Portugal. Achei, por isso, que eram o complemento ideal para oferecer com o livro.

 

Mas as boas notícias não ficam por aqui, pois tenho ainda um presente para TODOS os que participem no giveaway: um capítulo do livro dedicado ao Natal, que por razões de limite de páginas não integrou a versão final. Curiosos? Para receberem este capítulo em ficheiro digital, só têm de participar no giveaway, preenchendo e submetendo o formulário que se encontra no final da receita.

 

E este post vem ainda com um bónus em forma de receita - o espírito natalício chegou mesmo em força a estes lados! - trata-se de uma das receitas do livro em que usei a forma maior que se vê na imagem: uma deliciosa bavaroise de chocolate e café.

 

Boa sorte e bons preparativos para essa festa mágica, que é o Natal!

 

bavaroise_choc_cafe_mix.jpg

 

BAVAROISE DE CHOCOLATE E CAFÉ

 

200 g de chocolate de culinária (52% de cacau no mínimo)

340 ml de leite magro

160 ml de café

170 g de açúcar amarelo

10 folhas de gelatina

7 gemas

300 ml de natas para bater

Cacau em pó para servir

 

Com algumas horas de antecedência, coloque a forma em que vai fazer a bavaroise no congelador.

Coloque as folhas de gelatina a hidratar num prato fundo com água fria.

Leve o leite e o café ao lume até começarem a fervilhar.

Parta o chocolate em pedaços pequenos para uma taça e reserve.

Noutra taça, bata bem as gemas com o açúcar e junte-lhes, em fio, a mistura do leite com café. Junte o chocolate em pedaços e mexa bem até estar bem derretido e dissolvido no leite. Escorra a gelatina, leve-a a derreter no micro-ondas (bastam alguns segundos na potência máxima) e junte-a ao preparado anterior. Por fim, bata as natas com a batedeira elétrica, até ficarem bem firmes, e junte-as à mistura anterior, envolvendo-as com cuidado.

Verta para a forma previamente refrigerada e leve ao frigorífico de um dia para o outro ou ao congelador para uma solidificação mais rápida.

Para desenformar, vire a forma ao contrário sobre o prato de servir e deixe ficar assim alguns minutos. Depois, coloque por cima um pano quente bem escorrido (é capaz de ter de repetir este procedimento) ou, se a forma for de um material metálico compatível, passe o maçarico de cozinha - verá que a bavaroise irá descer com facilidade.

Mantenha no frio até servir, e só nesta altura polvilhe com o cacau em pó.

 

Teresa Rebelo

foto do autor

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